Seja por aí

Bruna Tozzi

O seu momento do dia para ser por aí- dentro de uma poesia.

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  1. 01/04/2021

    Eu só sei que é você

    Eu não sei o endereço de onde você mora Não sei qual sua cor favorita - que está estampada em metade de suas camisetas Nem ao menos a música que você escolhe quando busca aconchego Não sei o sonho que preenche seus dias iguais Nem o medo que te arranca o juízo Não conheço as pintas que trilham o seu corpo Não estou familiarizada com sua gargalhada indiscreta Com seu falar sozinho pela casa Nem com suas declarações nos bilhetes Não conheço o tom da sua voz me dizendo “surpresa” Nem me pedindo para ficar Não sei como meus cabelos sentem seu cafuné Como seu abraço encaixa no meu E nem como seus dedos cabem no meio dos meus dedos Não conheço as histórias que você conta repetidas vezes Não conheço os pesadelos que te acordam assustado Não sei de qual mania você não abre mão E de qual momento mais se arrepende Não sei seu livro preferido Seu filme preferido Seu nome preferido Não sei qual a última vez que chorou Nem o porquê E o que mais te marcou nos seus aniversários Não conheço seu prato preferido E o que te dá alergia E o que te dá alegria Não sei qual perfume você continua comprando quando acaba Nem o cheiro que fica grudado no seu pijama Não tenho nada além dessas ideias E disso tudo guardado no peito Eu só sei que é você Eu só sei que quando você chegar, essas palavras serão do seu tamanho E servirão em você Como pele Pele que afaga E me tranquiliza Pele que encontra E me deseja Pele que aquece E me abraça Eu só sei que meus sonhos servirão como uma luva no seu mundo Eu só sei que será você Seja lá como for.

  2. 12/30/2020

    Eu chamo de saudade

    Eu chamo de saudade o rosto que ilustra feito filme em minha memória e me carrega até o berço dos sorrisos tímidos. Eu chamo de medo a mão que me impede de segurar a tua e desenhar na pele os arrepios do desejo. Eu chamo de nostalgia o afago das palavras do ontem sobre o que espero do amanhã. E talvez, somente talvez, esse breve suspirar tenha me ensinado que é preciso falar que é preciso organizar, contar, desenhar. Só assim os pontos se religam. Você acha que entende a bagunça que causa aqui mas eu perco as palavras no meio do olhar que me dirige. Que bom foi te contar sobre o abraço tímido do bem-querer, já que nesses acasos da história os minutos nos apertam. E na mesma maré vieram esperança e questionamentos. E na mesma brisa, você e seus versos. Uma bagunça que segue tirando do lugar a ínfima tranquilidade que aqui reside. O que comumente se esquece é que isso não nos tira do lugar: a linha do tempo desliza, o sentimento se torna decisão, porque quando não se bate o martelo alguém o arranca de nossas mãos. No risco do certo a vida é uma aposta, mas eu sigo sem me importar com as consequências: eu quero o ensaio eu quero as histórias eu quero o penhasco. A gente espera demais o sinal mas o que você teme? Você sabe que mora em cada uma dessas palavras então me abra e arranca de mim essa transparência da qual me cobra, me deixa ser eu e fazer morada no acalento da tua rotina. Me promete tirar das entrelinhas a promessa de não me prometer. Porque eu te prometo respeitar o silêncio, aceitar os trejeitos, cuidar da singularidade, expor as controvérsias, acrescentar no enredo, sustentar o toque, falar do que me dói. Como você chama isso?

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