VôtiContá

Macna Legends

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  1. 04/14/2022

    ANJOS NA LUA - Mancini Jr.

    Anjos na Lua - de Mancini Jr. Anjos caminham na lua                                                           pois para eles é difícil o fazer aqui na terra onde a verdade é sacrificada sempre pelos que mentem e dizem o que querem que ela seja em direção hipócrita e conveniente a favor apenas de si mesmos e do caos que usam para controlar as paixões de seu gado. Anjos caminham na Lua pois por aqui a ganância rege o coração dos homens buscando ser guiados por capitalismos atrozes vorazes sendo devorados pelo que querem consumir elevando as mãos no raiar do dia para pegar a primeira lúz do Sol mas agarrando apenas as trevas de suas almas Anjos caminham na Lua pois por aqui o supremo que fala ao homem é o santo algoritmo regendo teus gostos regendo caminhos regendo opiniões regendo julgamentos regendo atitudes ou sua falta importando mais tua selfie, likes e seus iguais gostos a encontrar no divino google pobres almas reduzidas a dados irrelevantes no desespero de um reconhecimento vazio verdades falsas sabores de compartilhamentos e preconceitos induzindo bolhas que não se rompem tão finas emotivas e ensanguentadas de ódios grilhões de suas ignorâncias. Anjos caminham na Lua pois a guerra caminha na terra devastando esperanças de futuros que vão por caminhos insensatos de poder e dominação corrompidos  e liberdades falsas interessando aos poderosos escravidões consentidas em nome de seus sabores que os deleitam e a quais servem unicamente. E assim em busca de uma lúz nas trevas deixadas pelo caminho da humanidade olhos sedentos se voltam para o alto com suas mãos elevadas em súplicas egoístas ou benevolentes sinceras ou induzidas cheias de bravatas ou humildade pedindo por uma lúz pedindo por algo que os guie e os tire do fundo de seus poços no calar da noite cheios de esperanças  que veem nos brilhos refletidos quando Anjos caminham na Lua. Mancini Jr.

  2. 02/26/2022

    CANÇÃO BONITA - FBarella

    CANÇÃO BONITA – FBarella Não era noite nem nada. O Sol nem tinha se ido e Mainha o esperava na porta da cozinha totalmente avulsa. Pelada como chegou nesse mundo. Ele quase que erra a mesa, acudindo o saco de pão que por pouco não se esparrama. “Qué isso Juliana?” Ela o garrou pelo braço e tombaram ali mesmo, na sala. “E os vizinhos? Uma hora dessa!” Caiu de beijos com boca fresca de café e Kolynos.   José ficou ali, alado, boiando sem rumo depois do feliz atropelo. Maria no banho cantando alguma coisa que ele não conhecia. Uma melodia estranha. Depois, tudo de novo como sempre. Janta, café, novelinha, oração e cama. E não é que hoje não teve ladainha?!  Nada de vizinha barulhenta e do cachorro que tendo a cidade inteira ao seu dispor, mas cismava era de cagar na nossa calçada. Nada, nem uma lamuriazinha. A essas horas do casamento? Horas não, anos. Não que achasse ruim, até gostou e não foi pouco. Mas vinha da onde? Colecionou essa cisma por dias, mas ficou por isso mesmo. Assim se ia. Surpresas. Não tinha dia certo nem lugar na casa. Só acontecia. Um dia na porta da cozinha, no outro, sentada na máquina de lavar com as partes à mostra e sem nada por baixo. Não que o quintal fosse aberto, mas e se alguém se espicha no muro? A vida de José ia muito bem obrigado. Nem no bar da Nadir parava mais. Corria chegar pra conferir se tinha novidade da criativa Juliana. Tudo diferente, igual só à estranha melodia que Juliana cantava no banheiro. Outro dia na ida para o batente um tanto de gente estranha no ponto do ônibus. “Greve, seu José.” Explicou uma lá bebericando um café fumegante no copinho descartável. Insistiu um pouco mais na espera, mas já dava por perdido o dia de serviço. Nisso, quando desistiu e ia voltar pra casa parou no ponto Jeferson com seu Chevette prata.   - Dia seu José, vai pro centro? Não era dado a intimidades com a vizinhança, mas o trabalho é sagrado. Aceitou a carona e foi. - Essa greve agora seu José, não ouviu no rádio? Tudo parado! - E num é! Resmungou prestando atenção no tanto de adesivo e badulaque que decorava o interior do carro.  Na porta luva tinha até um escrito Jeff. Que vaidade é essa! E ficou só nisso. Desceu José agradecido no semáforo que demorou a abrir. Jeff ficou ali esperando agora com o som mais alto. Quando fez o balão inteiro e passou voltando do outro lado da avenida João deu de mão reforçando o agradecimento mas ficou no vácuo, foi então que reconheceu de dentro de Chevette, aquela não mais tão estranha melodia. FBarella #voticontá #fbarella #FarCry6 #cancionbonita #macnalegends

  3. 06/25/2021

    GUINHO - FBarella

    GUINHO Eu sempre fui atirado, perguntador. Lá no primeiro dia da creche lembro-me que estava eu a um tanto já de minha mãe que assuntava qualquer coisa com uma outra que eu nunca tinha visto. Eu corria o olho e anotava tudo, tão novo aquilo. Atrás de uma mulher alta, muito alta que vestia calças que não eram de jeans estava o outro menino. Outro além de mim entre tantos. Mas esse me chamou a atenção, fitava-me com um terço só de um olho pela perna cumprida da mãe. - Como você se chama? O terço de olho se arreganhou e na sequência derrubando a beiçolinha rubi desenhada na cara redondinha e branca que só pão descansando, esperando pra ir ao forno. “O nome é Wagner.” Acudiu a mãe vara pau. Wagner! Não podia ser. O pai da Natalia do andar de cima ao nosso era Wagner. Wagnão segundo a Cida, mulher dele que sempre esquecia a chave e o chamava em baixo da nossa lavanderia.  “Wagner não é nome que uma criança possa ter”, encaraminholei. Cheguei a cobra-lo disso na estreia do lanchinho na creche. Mas o que ele podia fazer! Não foi consultado. “E o seu?”  - Fábio!. Tá certo lá que se tinha adulto com esse nome que era até cantor. Mas servia, funcionava. Wagner não. Ele me deixou de canto e foi sofrer na outra ponta. Como uma criança improvisada com o agasalho do avô que lhe roubava as mãos. Na mesma semana tinha lá com a gente, a filha da dona Mirtes, dona da escolinha. Tinha os olhos verdes vivos e o cabelo curto e loiro perfeitamente desarrumado. Coisa que eu só fui encontrar de novo no cinema depois de grande. O caso é que ela, mesmo adolescida, ajudava no pastoreio da meninada. E por estar entre nós, os pequenos e os adultos na idade, fazia algumas pontes interessantes. Para minha surpresa ela também se surpreendeu quando leu na lancheira do garoto “Wagner”. - Wagner! Nossa, pesado esse nome pra criança. Eu não tinha esse recurso na época mas entendi bem e concordei na hora. Foi daí, como uma fada de filme de desenho americano que ela fez sua mágica. O rebatizou-o. Sacudiu o condão e proferiu: Wagner, wagninho... gninho... Guinho! Pronto, estava salvo. Agora corria feliz e solto no pátio, com os coleguinhas gritando” Guinho, guinho, guinho..” Até passar a bola. Lembrei disso porque na fila do caixa do banco lá estava eu anotando tudo e anotei o nome na targeta de plástico que tinha o nome do funcionário. Wagner. O caixa que me atendeu foi o do lado. Vanessa. Devia dez, dei cinquenta, a gaveta não deu conta. Vanessa se estica e solicita ao vizinho. - Guinho, troca pra mim, uma de dez, duas de vinte. FBarella

  4. 05/17/2021

    A ENCERADEIRA - FBarella

    A ENCERADEIRA Na sala um silêncio constrangedor das pessoas em volta da enceradeira parecia que nunca ia ter fim. Dr Bastos olhava para os dois rapazolas a sua frente tentando entender o estranho clima que tomava a cena.  - Ficamos assim Dr Bastos, levo o aparelho, assim que meu pai arrumar trago de volta no mesmo dia. Lançou Augusto para resolver a situação. Dr. Bastos enrolou a ponta do bigode observando de canto de olho  o moleque  mais novo que veio junto mas não dizia nada.  Horas antes o debate tinha sido intenso. Augusto não tinha nenhum problema em ajudar o pai  levando e buscando os aparelhos que concertava. O que lhe quebrava a figura eram as vezes quem o caçula Joca era incumbido de ajuda-lo. -  Faço duas viagens se for o caso pai. Argumentava para livrar-se dos préstimos do irmão.  - Vá logo e não discuta, todos precisam ajudar, além do mais seu irmão não está fazendo nada. A implicância com Joca não era picuinha pouca.  Entre os irmão havia um bom humor e brincadeiras quase sempre sadias. Mas, como em todo grupo, alguns são menos e outros mais. Augusto era o mais sério dos irmãos e Joca seu extremo oposto. Não faltavam histórias em que Joca havia levado as brincadeiras a um novo patamar.  Certa vez, por exemplo,  tanto provocou seu irmão mais velho que esse acabou lhe dando um bofete na boca. Joca recuou e começou um choro manhoso cuspindo o que a primeira vista parecia pedaços de dente quebrado. O irmão entrou em desespero, uma coisa era uma briguinha de irmãos, a outra era causar um dano desses. O castigo seria duro demais. Partiu acudir em desespero o caçula que vendo o desespero do irmão começou a rir. Os pedaços cuspidos eram na verdade  macarrão cru que ele tinha o hábito de roubar da cozinha e comer como petisco. O grande problema de Augusto com Joca era “a cara”. Joca tinha descoberto  uma “cara” que desconcentrava e causava um riso descontrolado no irmão. Uma expressão, que se bem colocada, no instante certo era irresistível. O aprimoramento da aplicação era o momento. Quando não se podia rir, quanto mais solene a situação, ali era o ponto e Augusto sabia disso e por isso evitava a todo custo que o irmão o acompanhasse em situações de trabalho.  Dr Bastos já tinha adiantado que o seu filho mais velho tinha tentado ele mesmo descobrir o defeito da máquina. Sem sucesso.  Augusto firmou os braços pra carregar o aparelho e num puxão seguro levantou-o, só o cabo.  Voltou o mais rápido que pode a peça no lugar tentando disfarçar o desacerto desistindo na sequencia ciente que teria que pegar uma parte de cada vez. Suas faces brancas mudaram na hora para um vermelho intenso que era tão vivo que um tio já tinha o apelidado de “tomate” - Como eu disse ao seu pai o Junior... - Sim sim sem problemas Dr Bastos eu... Agora era questão de vida ou morte, não poderia olhar para Joca em hipótese alguma. Sabia que estaria a espreita, somente aguardando, tranquilo, paciencioso, fazendo “aquela cara”. Sem lhe dirigir o olhar tentou uma última manobra entregando-lhe o cabo da enceradeira. - Vai levando para o carro Joca. ... - Imagina, eu te espero. Frustrado abaixou-se para pegar a parte que faltava o mais rápido que podia. Ergueu com firmeza e segurança pela parte do cabo que havia restado. O corpo do aparelho veio quase todo, exceto pelas três escovas perfeitamente alinhadas no chão. Augusto olhou desconsolado para aquelas três rodelas dispostas tão simetricamente e percebeu a sua total falta de chances contra aquela situação. Alias todos olhavam para as três rodelas, como se fossem reticências materializadas  causadoras daquele constrangedor silêncio. - É... (lançou Joca) Augusto derrotado suspirou profundo  e olhou para cara de Joca. FBarella

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