Mulheres nas Quebradas

Mulheres nas Quebradas Coletivo

Não criamos o problema ainda assim, lutamos por soluções.

  1. 06/19/2021

    Língua Solta - O Que é Literatura?

    Voz e texto: Rozzi Brasil Música: Prod. Sckott Beats A Língua é solta A Literatura salta, Rima porque combina, Dança, trafega, Entre quem aceita E No meio de quem nega. A Língua é chama que arde em forma de arte. A Literatura é a língua solta Tranquila ou revolta Ao sabor das marés, É por ela que tu sabe quem tu és. A língua avoluma Tem o ritmo dos fatos, acontecimentos Olhares, sonhos, descobrimentos. Língua solta pelas Culturas e rotinas Língua que responde e sabatina. Fluída, migratória transformadora Perene, transitória Criadora! Língua que resiste Porque o diálogo existe Porque a comunicação insiste Porque é no traço No abraço No lápis no papel Na madeira, no cinzel Na tela, nos dedos, No pincel. No cálculo, no coração, Na medida, sem medida, na intuição No spray, na pena, na lei Na declaração, no Direito Literatura, ninguém prende, Não tem jeito. Põem na tranca aqui, Ela vira arte ali, Junta culturas já Ela junta o povo lá No dia a dia resiliente Porque a vida é insistente Prendem a Literatura nos livros E ela vive a sair de lá Com letra ou só com som, Dentro ou fora do tom Na estima, na conversa, na rima Literatura, Tudo registra Tudo cura A única arte que que não depende de instrumento, Se tem, uma boca em movimento e um ouvido atento Se tá no mudo, tem uma ideia, um já é plateia e vamos na linguagem de sinais E quando tudo faltar, ainda haverá Literatura no olhar Literatura é palavra A palavra que se dá, A palavra que se diz A palavra que se pensa Que se pinta e desenha A palavra que se empenha Que não se empenha Até aquela que não se aprendeu Mas sabemos dizer de algum jeito Porque ela brota do peito, por isso é um direito literatura é os corpos da gente soltos sem assunto Transitando pelo direito de existir nesse mundo #rap​#literatura​#linguasolta

    Língua Solta - O Que é Literatura?
  2. 03/27/2021

    Olhos Dagua, livro Conceicao Evaristo, introducao Heloisa Tolles, por Giselle Parno

    RESUMO Em “Olhos D’água” Conceição Evaristo constrói uma série de narrativas, composta por 15 diferentes contos, que se entrelaçam ao relatarem a história de mulheres e homens negros que sofreram e sofrem os mais diferentes tipos de violência e depreciação na sociedade. No entanto, desde o primeiro conto que leva o mesmo título do livro, percebemos que a autora vai além de uma construção vinculada apenas ao sofrimento, ela conduz o leitor a um aspecto da ancestralidade e identidade afro-brasileira que perpassa e em alguns momentos até acalenta a dura realidade de seus personagens. Alguns dos títulos dos contos que compõe a publicação são construídos pelo nome e sobrenome de seus protagonistas, entre esses, podemos destacar: Ana Davenga, Duzu-Querença, Maria, Luamanda, Di Lixão e Lumbiá. O prefácio que abre o livro sinaliza para a grande marca da autora: a noção de escrevivência. Isto é, a escrita a partir de um lugar de enunciação que é, também, e, sobretudo o da vivência da experiência narrada e o quanto essas escritas negras e femininas encontram-se embaralhadas na tênue linha que tenta separar, sem muito sucesso, a realidade vivida, da ficção sonhada. Desta forma, tudo isso acaba provocando nos leitores, uma identificação imediata com as narrativas lidas e compartilhadas.    Como já descrito, as narrativas do livro são costuradas e umedecidas pelo choro dos personagens, que desabrocham e suplicam, mesmo que em silêncio, do lugar de opressão e submissão que ao longo da história foi designado a eles. CONTEXTO Sobre a autora A Autora Maria da Conceição Evaristo de Brito nasceu em uma favela de Belo Horizonte em 29 de novembro de 1946. É graduada em Letras pela UFRJ, mestre em Literatura Brasileira pela PUC do Rio de Janeiro, quando defendeu a dissertação: “Literatura negra: uma poética da nossa afro-brasilidade” e doutora em Literatura Comparada na Universidade Federal Fluminense, desde 2011, após a defesa e aprovação da tese que procurou “investigar a produção de autores africanos de língua portuguesa em diálogo com a literatura afro-brasileira”. A divulgação de sua produção literária começa basicamente com a publicação de seus escritos nos históricos “Cadernos Negros”, publicação do Grupo Quilombhoje, de São Paulo, onde escreveu poesias e contos. A partir desses escritos construímos o cerne da produção textual da autora, que se constrói a partir da figura de uma mulher que representa seu povo. Ao refazer o caminho de sua ancestralidade feminina, ela encontra e reencontra o sofrimento e as sensações das mulheres e homens negros que enchem seus livros de dor e sensações. Conceição também é autora de outros livros, o mais conhecido deles, “Ponciá Vicêncio” (2003) já traduzido para o inglês e publicado nos Estados Unidos, esse livro é o marco de sua escrita, talvez urbano-realista. Importância do Livro Olhos D’água produz um lindo entrelaçar entre a temática e a poética, isso porque a construção lingüística utilizada pela autora é de um acabamento preciso assim como o amarrar das histórias. As narrativas são permeadas de lágrimas, violência, ancestralidade, fé e sentimentos. A voz não se cala perante os acontecimentos narrados e nem a essência subjetiva da criação literária. Talvez por isso o livro comova e conduza todos os leitores pelo caminho da dor poética. Período Histórico Publicada em 2014, pela editora PALLAS, a obra de Conceição Evaristo reúne narrativas que abordam conflitos sociais, históricos e contemporâneos, representando o grito dos escritores negros e de toda uma sociedade que não deveria silenciar nunca. Esse livro é um dos atalhos por onde a voz negra pretende ecoar.

    Olhos Dagua, livro Conceicao Evaristo, introducao Heloisa Tolles, por Giselle Parno
  3. 03/27/2021

    Olhos Dagua, conto, Conceicao Evaristo, por Cris da Rocha

    Em Olhos d’água Conceição Evaristo ajusta o foco de seu interesse na população afro-brasileira abordando, sem meias palavras, a pobreza e a violência urbana que a acometem. Sem sentimentalismos, mas sempre incorporando a tessitura poética à ficção, seus contos apresentam uma significativa galeria de mulheres: Ana Davenga, a mendiga Duzu-Querença, Natalina, Luamanda, Cida, a menina Zaíta. Ou serão todas a mesma mulher, captada e recriada no caleidoscópio da literatura em variados instantâneos da vida?Elas diferem em idade e em conjunturas de experiências, mas compartilham da mesma vida de ferro, equilibrando-se na “frágil vara” que, lemos no conto “O Cooper de Cida”, e a “Corda bamba do tempo”. Em Olhos d’água estão presentes mães, muitas mães. E também filhas, avós, amantes, homens e mulheres – todos evocados em seus vínculos e dilemas sociais, sexuais, existenciais, numa pluralidade e vulnerabilidade que constituem a humana condição. Sem quaisquer idealizações, são aqui recriadas com firmeza e talento as duras condições enfrentadas pela comunidade afro-brasileira. Conceição Evaristo é mestra em Literatura Brasileira pela PUC-Rio, e doutora em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense. Suas obras, em especial o romance Ponciá Vicêncio, de 2003, abordam temas como a discriminação racial de gênero e de classe. A obra foi traduzida para o inglês e publicada nos Estados Unidos em 2007.

    Olhos Dagua, conto, Conceicao Evaristo, por Cris da Rocha
  4. 03/27/2021

    Natalina Soledad, conto Conceicao Evaristo, por Rozzi Brasil

    Este trabalho tem como foco traçar reflexões em torno da violência como fator importante na leitura do conto “Natalina Soledad”, de Conceição Evaristo, publicado no livro Insubmissas Lágrimas de Mulheres (2011). Por meio da linguagem a protagonista exerce um movimento importante de resistência frente às violências que sofre ao longo principalmente da infância e adolescência. As dores, rejeições, a miséria, o racismo, machismo, etc. são temas recorrentes na obra de Evaristo, nesse sentido torna-se interessante buscarmos caminhos de compreensão do lugar e do papel que a violência ocupa na escrevivência evaristiana. Num primeiro momento este artigo persegue algumas ideias relacionadas ao conceito de escrevivência e a sua relação com a violência e a resistência de sujeitos em situações críticas. Após esse percurso inicial, partimos para uma análise do conto selecionado, buscando compreendê-lo como exemplo interessante do papel da linguagem nas relações de violência e resistência que se estabelecem na vida de Natalina Soledad, bem como na narrativa em si, recontada pela narradora-ouvinte que costura as histórias do livro. Como bases fundamentais de nosso trabalho, trazemos o materialismo lacaniano de Slavoj Žižek e os ensaios de Conceição Evaristo a respeito do conceito de escrevivência. (Revell - Revista de Estudos Literários UEMS) Palavras-chave Conceição Evaristo; Violência; Resistência; Materialismo Lacaniano

    Natalina Soledad, conto Conceicao Evaristo, por Rozzi Brasil

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