Podcast do Patroni

Luiz Patroni

Um espaço onde a agro informação é debatida com quem entende!  Neste podcast o jornalista Luiz Patroni conversa com produtores rurais e especialistas sobre temas de destaque no agronegócio. Tendências de mercado, gestão, tecnologia, empreendedorismo, logística, pesquisas que movimentam o campo. A cada semana um episódio novo com análises, histórias e exemplos de como superar desafios e enxergar oportunidades. Aqui o bate-papo vai além da notícia.

  1. #264 - Quanto diesel sua fazenda está perdendo?

    May 28

    #264 - Quanto diesel sua fazenda está perdendo?

    Num cenário de tensão geopolítica mundial, conflitos internacionais e pressão constante sobre o petróleo, o diesel voltou a ocupar o centro das preocupações dentro da porteira. E quando o combustível fica mais caro, sobe junto o custo das operações de campo e - consequentemente - a pressão sobre a margem do produtor. Mas nem todo mundo sabe onde, de fato, está perdendo dinheiro. Às vezes, o problema não está apenas no preço do diesel… está no jeito como o trator está regulado. No episódio de hoje, a conversa é com o engenheiro agrícola Samuel Norato, especialista em manutenção, solos e nutrição de plantas, que transformou regulagem de máquina em resultado prático dentro da fazenda: redução de até 15% no custo operacional e economia próxima de 10 litros de diesel por hora em algumas operações de preparo de solo. Filho de capataz, criado em distrito rural de Juscimeira, em Mato Grosso, ele cresceu no ambiente da fazenda observando máquina, operador, solo e rotina de campo. Levou essa vivência para a engenharia… e passou anos questionando um hábito muito comum no agro: o “sempre foi assim”. Pesou tratores, estudou relação peso-potência, avaliou pressão de pneus, mediu patinagem em diferentes tipos de solo e viu, na prática, que pequenas adequações podem separar eficiência de desperdício silencioso. No bate-papo, ele mostra como operações que consumiam perto de 60 litros de diesel por hora passaram a trabalhar com muito mais eficiência — e como, em alguns cenários, máquinas ajustadas chegaram à faixa de 34 litros por hora. Além disso, explica como encontrar o equilíbrio ideal entre peso, pressão, avanço e patinagem; de que forma esses cuidados aumentam a vida útil do equipamento, reduzem compactação do solo e ajudam a aproveitar melhor cada janela de plantio. Mais do que falar de máquina, o Samuel fala sobre eficiência. Sobre gestão invisível. Fala sobre dinheiro que muita gente perde sem nem perceber. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    47 min
  2. #263 - Onde estamos perdendo soja?

    May 21

    #263 - Onde estamos perdendo soja?

    Ele nasceu em Itauçu, no interior de Goiás. Filho de um operador de guindaste, viu o pai ajudar a construir Brasília. De origem humilde, aprendeu cedo o valor do trabalho. Descobriu, ainda menino, que quase tudo vinha da terra… e transformou o quintal de casa em uma espécie de laboratório improvisado, onde plantava o que a curiosidade de criança mandava: grãos, moedas, macarrão… até ovo. Anos depois, aquela curiosidade ajudaria a construir uma das maiores transformações da agricultura brasileira. O menino que tentava entender como as coisas nasciam do solo se tornaria um dos nomes mais respeitados da sojicultura nacional. Biólogo, pesquisador, professor e uma das mentes por trás da tropicalização da soja no Cerrado brasileiro, Sérgio Abud está há mais de quatro décadas ajudando o país a desenvolver cultivares, enfrentar ameaças fitossanitárias e transformar produtividade em potência agrícola. Hoje, como vice-presidente do CESB — Comitê Estratégico Soja Brasil — segue cruzando o país levando uma reflexão que faz cada vez mais sentido dentro da porteira: A soja brasileira já tem genética. Já tem tecnologia. Já tem informação. Então por que tantas lavouras ainda produzem abaixo do próprio potencial? Foi observando essa diferença entre potencial e realidade que ele passou a provocar produtores de todo o Brasil com uma pergunta simples… e ao mesmo tempo desconfortável:“Onde estamos perdendo produtividade?” Um questionamento que obriga o agro a olhar para dentro da própria lavoura. Afinal, nem sempre o próximo salto de produtividade está em uma nova tecnologia. Muitas vezes, ele está nos erros silenciosos, nas decisões mal ajustadas e nos pontos do sistema onde a soja deixa de expressar tudo aquilo que poderia entregar. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    41 min
  3. #261 - Amônia verde

    May 7

    #261 - Amônia verde

    Você já ouviu falar em fertilizante verde? Mais do que isso: entende por que esse tema precisa estar no radar de todo produtor rural brasileiro? Num cenário de forte dependência de insumos importados — e custos pressionados por crises globais — essa discussão deixou de ser curiosidade… virou estratégia. No episódio de hoje, a gente mergulha em um conceito que ganha força no mundo e pode representar uma virada de chave para o agro brasileiro. Quem conduz essa análise é Pedro Guedes, pesquisador da área de transição energética, que ajuda a traduzir um tema técnico de forma clara e direta. No centro dessa transformação está a amônia - base dos fertilizantes nitrogenados e responsável por até 90% do seu custo.Nosso convidado explica como a chamada amônia verde pode redefinir toda essa equação. Afinal, quando falamos em fertilizante verde, estamos falando de mudar a origem. De repensar a base. De produzir com menor impacto — e com muito mais estratégia. Mas não é só sobre sustentabilidade. É sobre competitividade… autonomia… sobre o Brasil reduzir sua dependência externa e assumir protagonismo em uma nova fronteira produtiva. Com recursos naturais abundantes e uma demanda gigantesca, o país reúne condições únicas para avançar. O desafio está em transformar potencial em realidade — superando entraves, estruturando investimentos e olhando com mais consistência para o longo prazo. Mais do que um conceito, o Pedro Guedes apresenta um caminho. Uma transformação que começa na base da produção e pode redefinir não só os custos dentro da porteira, mas também o papel do Brasil no cenário global. Entre o que já é possível e o que ainda precisa acontecer, existe uma jornada — e ela precisa começar agora. É o que você confere neste bate-papo, um convite para olhar além do presente e entender como decisões de hoje podem moldar o futuro da produção agrícola no Brasil. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    43 min
  4. #260 - Entre a roça e o tatame

    Apr 30

    #260 - Entre a roça e o tatame

    Entre a roça e o tatame, ainda criança, ela aprendeu duas coisas que carrega até hoje: disciplina e resistência. No interior do Espírito Santo, em meio ao cafezal dos avós, veio o contato com o agro. E ali, no meio da colheita, nasceu a ideia para o primeiro negócio: aos 10 anos, já vendia limão no bairro. Só que, aos 11, perdeu tudo. O limoeiro secou, o “negócio” acabou. Mas ficou uma lição que atravessaria toda a sua trajetória: nada se sustenta sem cuidado — nem planta, nem empresa, nem propósito. De lá pra cá, a vida trouxe conquistas, quedas e recomeços. Trouxe também uma dor profunda, daquelas que mudam a rota de uma família inteira — e que hoje se transforma em força para proteger e apoiar outras mulheres. Capixaba de origem, cuiabana por escolha, a Randala Lopes encontrou na comunicação uma ferramenta. E no agro, uma missão. Passou por grandes empresas, pela TV, pelo marketing, pelos bastidores de eventos… até que, quando o mundo parou na pandemia, ela teve que se reconstruir mais uma vez.  Em vez de recuar, decidiu criar. Foi ali que nasceram projetos, negócios e até um canal de TV dedicado ao agro, além de iniciativas que dão espaço e voz a quem nem sempre é ouvido — especialmente as mulheres do campo. Agora, às vésperas de mais uma grande feira que ajuda a movimentar o agro mato-grossense, a história dela ganha ainda mais sentido — e reforça um princípio que vale pra qualquer produtor: plantar, cuidar e ter coragem pra recomeçar quando for preciso. No episódio de hoje, você vai conhecer a trajetória de uma carateca que aprendeu a lutar dentro e fora do tatame — e que transformou cada queda em um novo começo- sem nunca perder a conexão com a terra, de onde tudo começou. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    52 min
  5. #259 - Lucro invisível

    Apr 23

    #259 - Lucro invisível

    Durante muito tempo, valia quase como lei: produziu bem, ganhou dinheiro. O produtor se dedicava à lavoura, cuidava da pecuária, enfrentava o clima, investia em tecnologia — e a conta fechava. Só que o agro mudou. Os custos subiram, as margens apertaram e a inadimplência cresceu. Hoje, mesmo com safras recordes, tem muito produtor com o caixa sufocado, renegociando dívida e, em alguns casos, até perdendo parte da área. E não é por falta de competência. É reflexo de um conjunto de fatores — entre eles, a ausência de um olhar mais estratégico para o que acontece dentro do escritório da fazenda. Nosso convidado mostra, com base em dados, que até 80% do potencial de lucro pode estar nas decisões tomadas fora do campo. Filho de produtores, ele conhece o dia a dia da lavoura — e tem mostrado que adubo, máquina e semente não resolvem tudo quando o financeiro, o fiscal e o tributário estão desajustados. À frente da Lucro Rural, o Ângelo Ozelame ajuda produtores a organizar o caixa, entender o peso das dívidas, se preparar para a reforma tributária e parar de “doar dinheiro” em imposto por falta de planejamento. Mostra, na prática, que melhorar 1% no preço de venda pode representar quase 30% a mais de lucro — e que comprar ou vender na hora errada pode custar a sobrevivência do negócio. Neste episódio, a gente fala de números sem perder a conexão com a vida real do produtor: o medo da execução bancária, o estresse de quem sempre fez tudo certo e, ainda assim, se vê pressionado, a preocupação com a sucessão e com a qualidade de vida no campo. E também das oportunidades que surgem quando o escritório deixa de ser burocracia — e passa a ser estratégia. Você vai entender os pilares da gestão da fazenda — financeiro, fiscal, contábil e comercial —, por que a reforma tributária pode ser uma “arrebentação” para quem não se organizar… e uma simples “marola” para quem se antecipa… E como decisões tomadas agora podem definir o futuro da propriedade. Porque produzir bem continua sendo essencial. Mas, no agro de hoje, não basta encher a tulha. É preciso fazer a conta fechar. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    52 min
  6. #258 - Dependência ou autonomia

    Apr 16

    #258 - Dependência ou autonomia

    E se o futuro do agro não estivesse só na lavoura… mas também sendo produzido dentro dela?Num mundo de incertezas, conflitos e insumos cada vez mais caros, uma pergunta é inevitável: até quando o Brasil vai depender de fora pra produzir aqui dentro? Foi a partir dessa inquietação que o economista João Marcelo Abbud assinou, junto com outro pesquisador, um artigo que questiona por que o uso de bioinsumos no Brasil ainda não virou prática dominante. A análise mostra, com dados, que mesmo crescendo rápido, eles ainda ocupam uma fatia pequena do mercado e seguem vistos como “alternativos”. Especialista em financiamento climático no Instituto E+ Transição Energética, Abbud conecta economia, solo e geopolítica para defender uma ideia simples e poderosa: o agricultor brasileiro pode deixar de ser apenas comprador de insumo — e passar a ser também produtor. Ele afirma que o investimento em biofábricas e a produção “on farm” não são só tendências… são caminhos concretos para reduzir a dependência de fertilizantes importados, melhorar a fitossanidade do solo e ainda criar novas fontes de renda dentro da porteira. Mas, segundo nosso convidado, esse avanço ainda esbarra em barreiras: regulação fragmentada, excesso de normas pensadas pro modelo tradicional, falta de assistência técnica, pouco acesso a crédito e informação que demora pra chegar na ponta.  Ao mesmo tempo, o Brasil tem algo que poucos países têm: biodiversidade gigante, água em abundância, matriz energética limpa e um agro acostumado a incorporar tecnologia. Nas projeções do nosso convidado, o cenário pode seguir como está — com os bioinsumos mantendo uma pequena fatia do mercado — ou com um salto que os leve para perto de 40% de participação, numa convivência equilibrada com os químicos. Para isso, será preciso coordenação entre pesquisa, política pública, crédito e capacitação no campo. Da crise no estreito de Ormuz ao preço do fertilizante na próxima safra, este episódio traduz o que está no artigo “Bioinsumos para o Brasil” para a realidade de quem planta, colhe e paga a conta. O diagnóstico está feito. O desafio, agora, é ganhar escala. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    59 min

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