Marta cresceu acreditando que tinha apenas dois irmãos, mas na adolescência descobriu que existia um terceiro: Márcio, filho do mesmo pai, mas de outra família. Filha de uma relação que aconteceu fora do casamento, Marta foi criada sem saber que o homem que a criava não era seu pai biológico. A verdade só apareceu quando ela já era adolescente, quando sua mãe, preocupada com os namoros da filha, repetia para ela não se envolver com nenhum Márcio. Foi assim que ela descobriu que tinha um outro irmão, mais velho que ela, filho do seu pai biológico. Aos 29 anos, depois de ouvir da mãe que ela era a cara do pai biológico, Marta decidiu procurá-lo. Encontrou seu nome na lista telefônica e marcou um primeiro encontro. Foi na Praça da Sé, em um dia de garoa no fim do ano. Marta esperou escondida atrás de um presépio, com medo de atravessar a praça e descobrir quem era aquele homem. Quando finalmente se aproximou, ele reconheceu nela o rosto de uma das filhas mais novas. Mas havia outra pessoa que Marta ainda tinha medo de encontrar: o Márcio. Ela temia que ele carregasse alguma mágoa por sua existência. Até que, um dia, o telefone da Marta tocou. Era o Márcio. O medo durou pouco porque os dois se aproximaram, descobriram semelhanças, passaram a frequentar a casa um do outro e construíram uma relação de irmãos. Anos depois, fizeram um teste de DNA que confirmou aquilo que, para eles, já estava escrito: Marta e Márcio eram filhos do mesmo pai. Marta nunca quis transformar essa história em uma disputa entre culpados. Para ela, não existem vilões na história, todos ali eram adultos e fizeram suas escolhas, assumiram as consequências e seguiram a vida. E, nessa vida, Marta foi bem criada pela mãe, manteve o amor pelo pai que a criou, criou laços com seu pai biológico e ainda ganhou um irmão. Hoje, ela e Márcio se amam. Isso mostra que algumas histórias de família não precisam terminar com culpados ou vítimas. Às vezes, elas podem terminar com duas pessoas que nasceram separadas, se encontraram depois de adultas e escolheram, simplesmente, caminhar juntas.