Fábio Pirajá Estúdio Podcast

Fábio Pirajá

Bate-papo e entrevistas com o Radialista Fábio Pirajá.

  1. 05/10/2024

    Salvemos nossa monazítica (Revista Manchete - 1953)

    EM GUARAPARI, NO ESPÍRITO SANTO, AS MAIORES RESERVAS DE TÓRIO DO MUNDO - SUA HISTÓRIA É UMA LUTA POLÍTICA COM LANCES CÔMICOS E DRAMÁTICOS. Reportagem de DARWIN BRANDÃO. A MONAZITA E ILMENITA DO BRASIL S.A. (MIBRA) É UMA DAS DONAS DA MONAZITA CAPIXABA. UM GRUPO PODEROSO. GUARAPARI é uma cidadezinha praieira distante pouco mais de uma hora de Vitória, a capital do Espírito Santo. Um município pobre e uma cidade sem pretensões que vivem exclusivamente das rendas de sua estação de veraneio. Muita gente não a conhece mas quase todos já ouviram falar no valor radioativo de suas areias, formidáveis e infalíveis na cura dos reumatismos e das moléstias da pele. Sob este aspecto — as praias para veraneio e as areias para os doentes Guarapari tem atravessado sua existência. Mas Guarapari é mais do que isso: é o maior reservatório de minerais atômicos do Brasil. As areias de sua praia não são como as areias das praias de todo o mundo: elas contêm monazitas. O que quer dizer que contém tório, cério, lantânio. Quer dizer mais ainda: que possui matérias indispensáveis para a produção da energia atômica. SUA IMPORTÂNCIA Acontece que todo mundo sabe, hoje; o que significa a energia atômica. Sabendo-se a importância da energia atômica é fácil calcular a importância das jazidas de Guarapari. É muito simples. Vejamos a Inglaterra, na era da máquina a vapor, com suas reservas de carvão. Vejamos os Estados Unidos — com o advento do motor a explosão — com suas reservas e controle do petróleo em todo o mundo. Nós, no Brasil e, especialmente em Guarapari, temos as maiores reservas de tório do mundo e nosso único concorrente é a Índia. Um quilo de tório tem o valor energético de 3 mil toneladas de carvão e 2.000 de petróleo, segundo o Relatório da Comissão de Energia Atômica da O.N.U. Somos um país privilegiado, com o mineral mais importante no mundo atual. Mas que não temos sabido aproveitar, é o que se verá nesta reportagem. HISTÓRIA Não é demais fazer um retrospecto na exploração das areias monazíticas de Guarapari. E o retrospecto começa em 1898 com a descoberta das jazidas pelos irmãos Aníbal e Dioclécio Pereira Borges, nas praias da "Areia Preta". Requereram o aforamento dos terrenos compreendidos entre Areia Preta e Mãe Bá mas o governo, tomando conhecimento das descobertas, abriu concorrência para a exploração. Começa aí a comercialização das jazidas pelo Eng. Maurício Isralson (associado aos irmãos Borges) e por um tal John Gordon. Em 1900 foram exportadas as primeiras toneladas de areia para a Alemanha. Daí em diante a exportação não teve mais fim, como se pode ver pelo seguinte quadro organizado pelo Eng. Resk Frahya : E Resk Frahya termina seu relatório, melancolicamente: "Em nossa visita, de reconhecimento geral, feita às principais ocorrências de monazita do Espírito Santo, constatamos, com desagradável surpresa, que nossas reservas, se bem que importantes, são muito menores do que julgávamos. Com as reservas devidas a uma avaliação "au sentiment" somos de opinião que as possibilidades das jazidas conhecidas do Espírito Santo, inclusive os rejeitos das antigas explorações, não vão além de 50.000 toneladas de monazita. Diremos mesmo que, após um estudo detalhado, não nos surpreenderemos se o resultado final encontrado ficar aquém desta estimativa". Realmente em outro relatório Puchain — Façanha — Carneiro, as reservas são calculadas em apenas 30.000 toneladas.

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