Café Alexandria

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O Café Alexandria é o podcast do Coffeepaste dedicado ao mundo dos livros. Conversaremos com autores, tradutores, editores, ilustradores, festivais, e muito mais.

  1. Apr 8

    23: Carolina Fulcher e as despedidas de estranhos

    Há livros que chegam devagar. Que não precisam de gritar para nos instalar um desconforto suave, uma pergunta que não sabíamos que tínhamos. Morte Aparente, o romance de estreia de Carolina Fulcher, é um desses livros. A história começa com um homem sozinho, em casa, a assistir a funerais de estranhos em streaming. Não é macabro — é, estranhamente, reconhecível. Porque todos já procurámos, nalguma despedida alheia, um reflexo do que não conseguimos nomear em nós próprios. Carolina Fulcher nasceu em Lisboa, cresceu entre culturas, trabalhou em marcas de luxo em Londres e São Paulo, e regressou a Portugal para se dedicar à comunicação cultural. Foi aqui, nesse regresso, que a escrita a encontrou — ou ela encontrou a escrita. Morte Aparente é o resultado dessa descoberta: um romance breve, denso, construído com uma contenção que diz mais do que muitas páginas conseguiriam. Hoje, no Café Alexandria, sentámo-nos com ela para perceber de onde vem esta história, o que é afinal uma morte aparente, e o que significa estrear-se na ficção com uma voz tão segura do silêncio que quer habitar. Os episódios deste podcast terminam com uma recomendação de leitura e começam com um poema. Esta semana Diego Bragà trás-nos um excerto do livro “Água Viva”, de Clarice Lispector. Recursos Livro: Morte AparenteMr Bird  (autor da música)Nicolás Fabian (autor do design)Subscreve no SpotifySubscreve na Apple Podcasts

    33 min
  2. Feb 20

    21: Ângelo Delgado: racismo e ficção

    Neste episódio do Café Alexandria, conversamos com Ângelo Delgado, autor que acaba de estrear-se no romance com "Foi o Preto" (Oficina do Livro, 2025), uma história crua e urgente sobre racismo e injustiça no Portugal dos anos 90. Nascido em Lisboa em 1981, filho de pais cabo-verdianos, Ângelo Delgado tem um percurso que passa pelo jornalismo - TSF, Correio da Manhã e Metro - e pela publicidade, onde trabalha atualmente como redator criativo. Mas é na escrita literária que encontra espaço para contar as histórias que, como ele próprio diz, "uns vão ignorando e outros negando". Em 2020, publicou "Sem Ofensa", um livro ilustrado que desconstruía expressões racistas do quotidiano português, usando o humor como ferramenta para expor o preconceito enraizado na nossa linguagem. Agora, com "Foi o Preto", dá o salto para a narrativa longa e mergulha numa história que recupera relatos que testemunhou e viveu. O romance acompanha José Lima, um adepto de futebol cabo-verdiano que, no regresso de um jogo, é acusado de um crime que não cometeu. O que parece um equívoco transforma-se num calvário kafkiano que o leva da rua à prisão. Com mestria e contenção, Ângelo Delgado tece uma narrativa sobre como "foi o preto" se tornou resposta automática em Portugal, sobre o colonialismo e as suas feridas não curadas, e sobre a violência - nem sempre física, mas sempre presente - do racismo sistémico. Tendo como pano de fundo a cultura cabo-verdiana e as feridas dos tempos coloniais, "Foi o Preto" é, nas palavras do autor, "um alerta, uma denúncia, uma chamada de atenção" numa altura em que estas histórias não só acontecem como podem acontecer com ainda maior força. Nesta conversa, falamos sobre a transição de "Sem Ofensa" para a ficção, sobre o processo de transformar experiências reais em narrativa, sobre os anos 90 em Portugal, sobre o colonialismo que ainda não sabemos discutir, e sobre a urgência de contar histórias que muitos prefeririam continuar a ignorar. Recursos Livro: Foi o PretoMr Bird  (autor da música)Nicolás Fabian (autor do design)Subscreve no SpotifySubscreve na Apple Podcasts

    37 min

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