Café Alexandria

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O Café Alexandria é o podcast do Coffeepaste dedicado ao mundo dos livros. Conversaremos com autores, tradutores, editores, ilustradores, festivais, e muito mais.

  1. 2d ago

    28: David Erlich: a filosofia como pacificação com o real

    David Erlich publica "21 Lições de Filosofia. Para viver uma vida quase boa", um livro organizado em 21 capítulos que percorre pensadores como Sócrates, Platão, Aristóteles, Epicuro, Montaigne, Descartes e Nietzsche para responder à pergunta mais antiga da filosofia: como viver? O ponto de partida não é a promessa de uma vida perfeita, mas aquilo a que o autor chama uma pacificação com a distância entre o real e o ideal. Daí o "quase" do título. Ao longo das lições cruzam-se temas como o luto, o amor, a amizade, o cansaço, a solidão, o ócio, a rotina ou o sentido da vida, tratados numa escrita que se quer acessível e bem-humorada, sem soluções milagrosas. O livro surge dois anos depois de "A Bebedeira de Kant e outros 49 episódios da história da filosofia para pensar a sorrir", e consolida o trabalho de Erlich enquanto professor de filosofia e divulgador, com passagens pela rádio, por podcasts e por palcos de conferências e TEDx, a favor de uma filosofia que saia da sala de aula sem perder rigor. É a partir desse território, entre o ensino e a escrita, que conversámos com ele sobre o novo livro. Os episódios deste podcast terminam com uma recomendação de leitura e começam com um poema. Esta semana Júlio Machado Vaz traz-nos o poema “Os ninguéns”, de Eduardo Galeano. Recursos Livro: 21 Lições de FilosofiaLivro: A bebedeira de KantMr Bird  (autor da música)Nicolás Fabian (autor do design)Subscreve no SpotifySubscreve na Apple Podcasts

  2. Apr 8

    23: Carolina Fulcher e as despedidas de estranhos

    Há livros que chegam devagar. Que não precisam de gritar para nos instalar um desconforto suave, uma pergunta que não sabíamos que tínhamos. Morte Aparente, o romance de estreia de Carolina Fulcher, é um desses livros. A história começa com um homem sozinho, em casa, a assistir a funerais de estranhos em streaming. Não é macabro — é, estranhamente, reconhecível. Porque todos já procurámos, nalguma despedida alheia, um reflexo do que não conseguimos nomear em nós próprios. Carolina Fulcher nasceu em Lisboa, cresceu entre culturas, trabalhou em marcas de luxo em Londres e São Paulo, e regressou a Portugal para se dedicar à comunicação cultural. Foi aqui, nesse regresso, que a escrita a encontrou — ou ela encontrou a escrita. Morte Aparente é o resultado dessa descoberta: um romance breve, denso, construído com uma contenção que diz mais do que muitas páginas conseguiriam. Hoje, no Café Alexandria, sentámo-nos com ela para perceber de onde vem esta história, o que é afinal uma morte aparente, e o que significa estrear-se na ficção com uma voz tão segura do silêncio que quer habitar. Os episódios deste podcast terminam com uma recomendação de leitura e começam com um poema. Esta semana Diego Bragà trás-nos um excerto do livro “Água Viva”, de Clarice Lispector. Recursos Livro: Morte AparenteMr Bird  (autor da música)Nicolás Fabian (autor do design)Subscreve no SpotifySubscreve na Apple Podcasts

  3. Feb 20

    21: Ângelo Delgado: racismo e ficção

    Neste episódio do Café Alexandria, conversamos com Ângelo Delgado, autor que acaba de estrear-se no romance com "Foi o Preto" (Oficina do Livro, 2025), uma história crua e urgente sobre racismo e injustiça no Portugal dos anos 90. Nascido em Lisboa em 1981, filho de pais cabo-verdianos, Ângelo Delgado tem um percurso que passa pelo jornalismo - TSF, Correio da Manhã e Metro - e pela publicidade, onde trabalha atualmente como redator criativo. Mas é na escrita literária que encontra espaço para contar as histórias que, como ele próprio diz, "uns vão ignorando e outros negando". Em 2020, publicou "Sem Ofensa", um livro ilustrado que desconstruía expressões racistas do quotidiano português, usando o humor como ferramenta para expor o preconceito enraizado na nossa linguagem. Agora, com "Foi o Preto", dá o salto para a narrativa longa e mergulha numa história que recupera relatos que testemunhou e viveu. O romance acompanha José Lima, um adepto de futebol cabo-verdiano que, no regresso de um jogo, é acusado de um crime que não cometeu. O que parece um equívoco transforma-se num calvário kafkiano que o leva da rua à prisão. Com mestria e contenção, Ângelo Delgado tece uma narrativa sobre como "foi o preto" se tornou resposta automática em Portugal, sobre o colonialismo e as suas feridas não curadas, e sobre a violência - nem sempre física, mas sempre presente - do racismo sistémico. Tendo como pano de fundo a cultura cabo-verdiana e as feridas dos tempos coloniais, "Foi o Preto" é, nas palavras do autor, "um alerta, uma denúncia, uma chamada de atenção" numa altura em que estas histórias não só acontecem como podem acontecer com ainda maior força. Nesta conversa, falamos sobre a transição de "Sem Ofensa" para a ficção, sobre o processo de transformar experiências reais em narrativa, sobre os anos 90 em Portugal, sobre o colonialismo que ainda não sabemos discutir, e sobre a urgência de contar histórias que muitos prefeririam continuar a ignorar. Recursos Livro: Foi o PretoMr Bird  (autor da música)Nicolás Fabian (autor do design)Subscreve no SpotifySubscreve na Apple Podcasts

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