Tudo com vagar

Amélia Pereira Coutinho

TUDO COM VAGAR é um podcast semanal que convida a desacelerar ea descobrir a magia do Alentejo, do campo e da simplicidade. Em cada episódio mergulhamos no conceito do slowliving, da conexão  profunda com a natureza e na arte de viver com propósito.   Aqui celebramos os pequenos detalhes, os momentos de paz e da vida longe do stress e dos écrans. Junta-te a nós todas as sextas feiras e descobre como o ritmo com vagar pode transformar o teu dia a dia. www.montedaslages.pt Instagram Linkedin

  1. 2d ago

    E 81 - Mudança da hora: a hora que nos devolveram

    A mudança da hora trouxe uma hora a mais. Conseguiu vivê-la com vagar ou desapareceu entre tarefas e ecrãs? Convido-o a fazer as pazes com o escuro e a recuperar o prazer dos serões. No outono, os fins de tarde chegam mais cedo e a noite parece ocupar espaço de repente. Há quem sinta falta dos dias longos, quem estranhe sair do trabalho já sem sol e quem tenha dificuldade em encontrar um novo ritmo. Mas poderá este tempo abrir espaço para algo de que andamos a sentir falta? No monte, a vida segue a luz. As vacas, o galo e os outros animais continuam os seus dias sem olhar para o relógio. É desse contraste entre a pressa humana e o ritmo da natureza que nasce esta reflexão sobre tempo, descanso e a forma como escolhemos passar as nossas noites. Ao longo do episódio, regressamos ao serão alentejano: a conversa à lareira, as castanhas, o chá, as histórias repetidas e o silêncio partilhado. Momentos sem uma meta para cumprir, mas com lugar para estar perto de quem importa. O convite é recuperar esse espaço de encontro nas noites de hoje, também em casa, na cidade. Porque estar na mesma sala nem sempre é estar junto. Entre a televisão, o telemóvel e as conversas à distância, pode faltar atenção para a pessoa ao nosso lado. E, quando estamos sós, também pode faltar uma pausa para nos ouvirmos, sem preencher cada minuto com mais uma tarefa ou mais um ecrã.  Neste episódio, há espaço para pensar: • O que fizemos com a hora que recebemos na mudança para o horário de inverno. • Como acolher as noites mais longas sem as encher de obrigações. • O que podemos recuperar do convívio dos antigos serões. • Como dar mais atenção às pessoas com quem partilhamos a casa. • Que pequenos gestos podem tornar o fim do dia mais calmo. No Monte das Lages, o outono tem passeios no frio, o regresso ao calor da lareira e um livro antes do jantar. São imagens simples que nos ajudam a olhar para esta estação com outros olhos. A noite pode ser um lugar de aconchego, de conversa e de pausa, mesmo quando sentimos saudades da luz. O desafio desta semana é fácil de experimentar: escolha uma noite e guarde uma hora depois do pôr do sol. Desligue os ecrãs, baixe as luzes e deixe esse tempo livre da obrigação de render. Pode conversar, ler, fazer tricô, ouvir música, beber um chá ou ficar em silêncio. No fim, repare no que sentiu. Se procura uma reflexão em português sobre viver sem pressa, tempo em família e a chegada do inverno, fique por aqui. Este episódio oferece companhia para olhar para as suas noites e escolher o que quer trazer para elas. Talvez uma hora com menos estímulos dê lugar a uma presença mais inteira. Ouça até ao fim e conte-me: como seria o seu serão ideal? Partilhe este episódio com alguém com quem gostaria de passar uma hora sem telemóvel. Siga o Tudo Com Vagar no Spotify e acompanhe os próximos episódios. A newsletter mensal do Monte das Lages leva-lhe também novidades deste lugar no Alentejo. Tem vagar para me ouvir? Site Instagram Facebook CAPÍTULOS 00:00 A hora que nos devolveram 00:43 Os relógios andaram para trás 01:32 Porque não sabemos receber tempo 02:21 Noite às seis da tarde 02:51 Os animais seguem o sol 03:18 O escuro e a melatonina 04:11 Os ecrãs e a luz azul 04:35 Os serões do Alentejo 06:05 Noites cheias de ecrãs 06:34 A noite como lugar de encontro 07:38 Os relógios mudam, a luz não 08:26 O outono no Monte das Lages 09:30 Desafio: fazer as pazes com o escuro 10:08 Uma hora para cuidar de si

  2. Oct 23

    E 80 - Copo meio cheio ou meio vazio? Aprender a enchê-lo

    Copo meio cheio ou meio vazio? Talvez a pergunta mais útil seja outra: o que pode fazer para o encher? No episódio 80 do Tudo com Vagar, convido-o a olhar para o otimismo, a confiança e a capacidade de agir de uma forma mais próxima da vida real. Há dias em que vemos o que temos. Noutros, pesa mais aquilo que nos falta. Mas ficar a olhar para o copo, mesmo com uns óculos muito cor-de-rosa, não faz a água subir. Entre ver o lado bom e mudar alguma coisa, há um caminho de aprendizagem, coragem e pequenos gestos. Neste episódio, partilho uma reflexão sobre a forma como enfrentamos os problemas no trabalho, nas relações e no dia a dia. Não precisamos de ter todas as respostas à partida. Podemos começar por reconhecer os recursos que já temos, perceber o que nos falta e procurar formas de aprender, experimentar e pedir ajuda. A vida no Alentejo ajuda-me a dar corpo a esta ideia. Uma barragem com pouca água no fim do verão lembra-nos que é preciso conhecer os recursos disponíveis e saber geri-los. Esperar pela chuva faz parte do ciclo, mas conhecer a situação também conta. Olhar para a água que resta é apenas uma parte da história. Uma vinha nova traz outra imagem: no início, precisa de mais cuidado e de mais rega. Com o tempo, as raízes crescem e alcançam a água com maior facilidade. Também nós vamos criando recursos, fortalecendo capacidades e ganhando confiança à medida que vivemos, praticamos e aprendemos com as tentativas. Falamos de capacidades que parecem pequenas, mas que fazem diferença: dizer não, pedir apoio, falar quando custa, descansar e cuidar do corpo sem culpa. São gestos que se aprendem e se ensaiam. Não temos de os dominar todos hoje, nem de fazer este caminho sem companhia. E se a sua vida está difícil, ouvir que basta pensar positivo pode saber a pouco. Há circunstâncias externas e problemas que não dependem de nós. A reflexão deste episódio abre espaço para essa dificuldade. A pergunta deixa de ser apenas «estou a ver o lado bom?» e passa a incluir «de que preciso?» e «qual é o próximo passo que posso dar?». Não se trata de repetir que querer é poder. Trata-se de perceber que podemos aprender, procurar um ponto de partida e contar com outras pessoas. Nem tudo se resolve depressa, nem tudo está nas nossas mãos. Cuidar de nós e respeitar o nosso ritmo também fazem parte deste caminho. O desafio da semana é escolher um «copo» da sua vida e escrever o que gostaria de aprender, saber ou fazer. Depois, encontre um pequeno gesto de 10 a 15 minutos que ajude a acrescentar um dedo de água a esse copo. Pergunte-se também o que lhe dá força para continuar. Este é um episódio sobre desenvolvimento pessoal, autoconhecimento e confiança para agir, contado com exemplos simples do campo e da vida. Uma pausa para pensar na diferença entre desejar que algo mude e começar a construir condições para essa mudança, respeitando o tempo de que precisa. Se esta reflexão lhe fizer companhia, siga o Tudo com Vagar no Spotify e partilhe o episódio com alguém com quem gostaria de conversar sobre este tema. Pode também deixar a sua avaliação e ajudar outras pessoas a encontrar o podcast. E leve consigo esta pergunta: o que pode fazer pelo seu copo, hoje? Pode assinar a nossa newsletter aqui Site Instagram Facebook CAPÍTULOS 00:00 Copo meio cheio ou meio vazio? 00:45 Uma pergunta para lá do otimismo 02:09 Os limites dos óculos cor-de-rosa 03:44 O que precisa para encher o copo? 05:01 A barragem e a gestão dos recursos 06:22 Aprender capacidades e pedir ajuda 07:39 A vinha nova e as raízes que crescem 08:35 Dizer não e descansar sem culpa 09:37 Quando as dificuldades não dependem de nós 10:53 Por onde começar, ao seu ritmo 12:31 O desafio dos 10 a 15 minutos

  3. Oct 16

    E 79 - Mecanismos de defesa: as portas que fechamos cá dentro

    Há portas que fechamos para nos proteger do calor. E há outras que fechamos dentro de nós para nos protegermos daquilo que custa sentir. Neste episódio do Tudo com Vagar, parto de uma imagem muito alentejana: as portadas fechadas das casas caiadas de branco nos dias quentes de verão. Fecham-se cedo para conservar o fresco da noite e impedir que o calor entre. Também nós temos portadas interiores. Na psicologia, chamamos-lhes muitas vezes mecanismos de defesa: estratégias, frequentemente inconscientes, que usamos para evitar emoções difíceis, pensamentos desconfortáveis, medos, inseguranças ou partes de nós próprios com as quais ainda não estamos preparados para lidar. E o mais curioso é que nem sempre reconhecemos essas defesas. Podem esconder-se atrás da necessidade de mostrar sucesso e grandiosidade. Da vontade de estar sempre de acordo com os outros em nome do “bom senso”. De uma agenda cheia, de trabalho constante, exercício, compromissos e projetos sucessivos. Da dificuldade em estar em silêncio. Ou até da forma como nos relacionamos com os outros quando estamos magoados, inseguros ou emocionalmente frágeis. Vivemos numa época em que se fala constantemente de desenvolvimento pessoal, autoconhecimento, inteligência emocional e saúde mental. Queremos conhecer-nos melhor, perceber quem somos e viver de acordo com os nossos valores. Mas conhecer-nos verdadeiramente implica também encontrar aquilo que preferíamos não ver. Porque há uma diferença entre pensar sobre nós próprios e ter coragem para olhar para aquilo que aparece quando fazemos silêncio. Neste episódio falo de diferentes mecanismos de defesa, da sua relação com a nossa infância, as nossas experiências e feridas emocionais e, sobretudo, da importância de os observar sem julgamento. Não se trata de eliminar todas as nossas defesas. Elas existem por alguma razão e, muitas vezes, ajudaram-nos a atravessar momentos difíceis. Trata-se de reconhecer quando continuam a proteger-nos de um perigo que já não existe. No final do episódio deixo-lhe um pequeno desafio: durante alguns minutos, não faça nada. Sem telemóvel, sem livro, sem tarefas, sem distrações. Sente-se simplesmente em silêncio consigo. E repare: qual é a portada que lhe apetece fechar? Talvez seja aí que comece uma parte importante do caminho de regresso à sua essência. O Tudo com Vagar é um podcast sobre slow living, autoconhecimento, bem-estar emocional, relações humanas, presença, natureza e a arte de viver com menos pressa. Porque abrandar não significa parar. Às vezes significa apenas criar espaço suficiente para finalmente nos conseguirmos ouvir. Assine a nossa Newsletter Site Instagram Facebook  Linkedin CAPÍTULOS 00:00 Os nossos mecanismos de defesa 00:56 As portadas fechadas do Alentejo 01:31 O que são mecanismos de defesa 02:05 Porque desistimos a meio do caminho 04:05 A grandiosidade 05:23 O bom senso 06:35 A defesa maníaca: sempre a correr 07:58 A defesa sádica 09:19 A defesa masoquista 10:18 Não nasce de maldade 11:09 Um trabalho para a vida inteira 12:01 Desafio: sentar-se em silêncio

  4. Oct 9

    E 78 - Stress: como acalmar o alarme interno e viver com mais vagar

    Como lidar com o stress quando tudo pede uma resposta e a cabeça não pára? Neste episódio de Tudo Com Vagar, convido-o a olhar para esse alarme interno e a criar espaço para respirar. Uma conversa sobre stress no dia a dia, descanso mental, intuição e vida com vagar, ao ritmo do Alentejo. O ponto de partida é uma cena no montado: uma vaca ouve um ruído, afasta-se e volta a pastar quando o perigo passa. A partir desta imagem, falo da resposta de luta ou fuga e da forma como o corpo reage quando sente uma ameaça. O alarme tem uma função, mas nem sempre encontra uma pausa. Hoje, os alertas chegam por outras vias. São os e-mails urgentes, as notificações, o trânsito, o barulho e a falta de tempo. Uma reunião difícil pode deixar-nos em tensão, mesmo quando não podemos fugir nem agir por impulso. E cada pequeno pedido pode somar-se ao anterior, até o dia parecer uma longa corrida sem fim à vista. O episódio aborda o cansaço, o sono que não chega, a irritação e as reações grandes a problemas pequenos. Reflito sobre o peso de querer responder a tudo: no trabalho, em casa, com os filhos ou com os pais. Querer ajudar e cumprir pode dar satisfação, mas também pode levar-nos além do que conseguimos fazer num dia. O que acontece à intuição quando vivemos sempre com pressa? Para mim, ela é uma bússola que precisa de calma para se fazer ouvir. A imagem da água de uma barragem ajuda a explicar esta ideia: com vento, custa ver o fundo; quando a água fica límpida, o olhar ganha clareza. A pausa abre espaço para pensar antes de agir. Descansar o corpo chega, se a mente continua cheia de tarefas? A conversa distingue estar deitado de ter um verdadeiro descanso mental. Mesmo no sofá, a cabeça pode continuar presa ao que falta fazer, às notas mentais e aos temas em atraso. O convite é dar atenção a esse ruído e reconhecer quando precisamos de abrandar por dentro. Entre as propostas do episódio está o brain dump: pegar num caderno e escrever o que ocupa a cabeça, para voltar a esses temas mais tarde. Falo também da meditação e de deixar os pensamentos passar, como viajantes que entram e saem. São formas de criar uma pausa no meio de tantas solicitações, sem tentar resolver tudo ao mesmo tempo. A vida no monte traz outra perspetiva. Quem chega com vontade de ver tudo e fazer tudo vai, aos poucos, descobrindo o vagar. A piscina, os passeios a pé e o contacto com a natureza surgem nesta reflexão sobre estar presente. Com menos rede e menos notificações, há mais espaço para aproveitar cada momento e deixar a cabeça respirar. O desafio da semana é simples: num momento de sobrecarga, parar, respirar e começar por uma tarefa de cada vez. A proposta é observar o que muda quando damos ao corpo tempo para serenar antes de decidir. O stress é apresentado como um alarme antigo, que pede atenção e equilíbrio, e não como prova de que estamos a falhar. Oiça este episódio sobre gestão do stress, respiração e descanso mental no Spotify ou no YouTube. Partilhe-o com quem anda sempre a correr e deixe um comentário: que momento do seu dia pede mais vagar? Até sexta-feira, para mais uma pausa e inspiração no Tudo Com Vagar. Assine a newsletter do Monte das Lages para estar sempre a par das novidades. Site Instagram Facebook Newsletter Linkedin CAPÍTULOS 00:00 Stress: o nosso alarme interno 01:00 A vaca no montado 01:33 Luta ou fuga 03:56 Quando a tensão fica dentro de nós 05:21 Em alerta constante 07:13 Respostas mais duras 08:41 A intuição e a água da barragem 10:04 Descansar o corpo e a mente 11:06 Pensamentos como viajantes 11:31 O vagar no Monte das Lages 12:32 Desafio: parar e respirar

  5. Oct 2

    E 77 - Solidão escolhida ou solidão imposta?

    Existem dois tipos de solidão: a solidão escolhida, que pode alimentar-nos, e a solidão imposta, que chega sem aviso e pode esvaziar-nos. Neste episódio de Tudo com Vagar, falo sobre a diferença entre estar sozinho por escolha e sentir-se sozinho depois de uma perda, de um luto, de um afastamento ou do fim de uma relação. A palavra “solidão” reúne experiências muito diferentes. Há momentos em que fechamos a porta porque precisamos de silêncio, introspeção e espaço para sentir. Estar sozinho pode ajudar-nos a organizar pensamentos, ouvir emoções e recuperar energia. É um tempo com intenção. Sabemos por que estamos ali e conseguimos habitar o silêncio sem medo. Mas existe outra solidão. Não foi escolhida, não pede licença e, muitas vezes, chega de forma abrupta. Pode nascer do fim de uma amizade ou de uma relação amorosa, da morte de alguém próximo, de uma mudança inesperada ou da sensação de que ninguém nos vê. Esta solidão pode trazer angústia, medo, vazio e a dúvida de conseguirmos voltar a sentir esperança. Como distinguir a solitude saudável do isolamento que dói? Porque enchemos os dias de ruído, tarefas, música, mensagens e ecrãs para não ficarmos a sós connosco? E como podemos atravessar uma solidão imposta sem negar a dor? Durante a vindima, há pessoas, tratores, vozes e movimento. Depois, a uva segue para a adega, os trabalhadores partem e a vinha fica em silêncio. Esse vazio não significa ausência de vida. É o tempo de deixar pousar o trabalho de um ano, reconhecer o fruto colhido e começar, com vagar, a preparar o ciclo seguinte. O silêncio escolhido tem essa qualidade: permite assimilar. Já a solidão provocada por uma perda pede outro cuidado. Não se ultrapassa com frases feitas nem fingindo que nada aconteceu. Pode começar por uma pergunta honesta: “O que me estás a querer dizer?” Perguntar à dor não significa agradecer o sofrimento ou procurar uma lição apressada. Significa escutar o que precisa de ser reconstruído. Talvez seja a confiança, a coragem, a capacidade de pedir ajuda ou a disponibilidade para criar uma nova relação, amizade, projeto ou caminho. Neste episódio falamos de solidão, solitude, luto, perda, saúde emocional, silêncio, introspeção, slow living e conexão com a natureza. Falamos também da importância de reconhecer quando o recolhimento nos regenera e quando o isolamento nos enfraquece e exige apoio. No desafio da semana, escolha um momento para estar sozinho, sem ecrãs, música ou distrações. Depois pergunte: “Esta solidão fui eu que a escolhi ou foi ela que me escolheu a mim?” Observe a resposta sem a julgar. Tudo com Vagar é um podcast português sobre viver devagar, bem-estar, relações humanas e natureza. Todas as sextas-feiras, há um novo convite para respirar fundo e regressar ao essencial. Siga o podcast e partilhe este episódio com alguém que precise de perceber que estar sozinho e sentir-se sozinho não são a mesma coisa. Se a solidão se tornar persistente, pesada ou difícil de atravessar, procurar companhia e apoio profissional também pode ser um gesto de coragem e cuidado. Site Instagram Facebook Newsletter Linkedin CAPÍTULOS 00:00 Solidão escolhida ou imposta? 00:52 O tempo a sós que nos regenera 01:18 A solidão que não escolhemos 02:11 Porque fugimos do silêncio 02:36 O silêncio depois da vindima 04:19 Quando a solidão dói 05:38 O que a dor nos quer dizer 06:58 Sentir as emoções com tempo 08:41 Desafio: estar a sós consigo

  6. Sep 25

    E 76 - Nem todas as amizades são para sempre

    Há amizades que permanecem na nossa vida não porque ainda estejam vivas, mas porque nos habituámos a chamar-lhes amizades. Como saber quando uma relação terminou? E como deixar ir uma amizade antiga sem culpa, conflito ou ressentimento? Neste episódio de Tudo com Vagar, reflito sobre as amizades que se foram desvanecendo com o tempo, as relações que já não respiram e as pessoas que continuamos a levar connosco apenas por hábito, lealdade ao passado ou medo do vazio. Há pessoas que fizeram parte da nossa infância, da adolescência ou de momentos decisivos da nossa vida. Partilhámos conversas, segredos, alegrias, dificuldades e muitos anos de história. Por isso, custa-nos aceitar que uma relação que foi tão importante possa já não fazer sentido no presente. Confundimos, muitas vezes, a duração de uma amizade com a sua vitalidade. Pensamos que, por ser antiga, tem o direito de permanecer. Mas uma relação pode ter muitos anos e, ainda assim, já não ter proximidade, cuidado, intimidade ou vontade verdadeira de encontro. Continuamos a dizer “temos de combinar um café”, sabendo, no fundo, que esse café nunca será marcado. Chamamos “amigo” a alguém com quem não falamos há anos. Ficamos magoados quando essa pessoa não telefona, não pergunta por nós ou passa ao nosso lado como se quase não nos conhecesse. Será que estamos perante uma amizade que atravessa apenas uma fase de distância? Ou perante uma relação que já terminou e cuja memória ainda não tivemos coragem de arrumar? Este episódio não é um convite para cortar pessoas da nossa vida de forma impulsiva. Também não é uma defesa da frieza, do afastamento ou da indiferença. É um convite à honestidade emocional. Deixar ir uma amizade antiga não significa apagar o passado, negar aquilo que vivemos ou desvalorizar a importância que aquela pessoa teve. Significa reconhecer que algumas relações cumprem um ciclo. Deram-nos companhia, afeto, aprendizagem e memórias. Ajudaram-nos a ser quem somos. Mas podem já ter dado todo o fruto que tinham para dar. A partir do Monte das Lages, no Alentejo, encontro uma imagem simples na natureza. Há árvores e cepas que deram fruto durante muitos anos, mas que um dia deixam de produzir. Podemos continuar a gastar água, tempo e energia na esperança de recuperar aquilo que existiu ou podemos agradecer o que recebemos e aceitar que aquele ciclo terminou. Não se trata de comparar friamente as pessoas com árvores secas. Trata-se de compreender que nem tudo aquilo que termina foi um fracasso. Algumas relações foram bonitas precisamente no tempo em que existiram. Ao longo deste episódio, falamos sobre amizade, afastamento emocional, relações antigas, medo da solidão, culpa, ciclos de vida e a coragem de abrir espaço para novas pessoas. Também exploramos perguntas como:Porque sentimos que deixar ir uma amizade é uma forma de traição? Como distinguir uma amizade verdadeira de uma relação mantida apenas por hábito? Vale a pena tentar recuperar uma relação antiga? O que acontece quando já não partilhamos os mesmos valores? Como aceitar que alguém importante deixou de fazer parte da nossa vida? Uma das imagens centrais deste episódio é a das mãos vazias. Quando deixamos alguém ir, podemos sentir que ficámos sem nada. No entanto, essas mãos não estão apenas vazias. Estão também abertas. Estão disponíveis para receber novas amizades, novas cumplicidades e pessoas que fazem sentido na fase da vida em que agora nos encontramos. Isso não apaga quem veio antes.  As memórias permanecem intactas e a gratidão também. No final, proponho um exercício de reflexão. Escreva o nome de três pessoas a quem ainda chama amigos, embora já quase não exista contacto, proximidade ou vontade de encontro. Depois, pergunte:Se conhecesse esta pessoa hoje, gostaria de construir uma amizade com ela? Continuaríamos a escolher-nos? Esta relação ainda pode renascer ou estou apenas a tentar preservar aquilo que existiu no passado? Escolha uma dessas pessoas e faça um gesto simples. Um telefonema, uma mensagem ou um convite. Observe o que acontece sem criar expectativas e sem julgar a resposta. Talvez descubra que a amizade continua viva e apenas precisava de cuidado. Talvez perceba que chegou o momento de agradecer e deixar ir. Siga o podcast e partilhe este episódio com alguém que esteja a aprender que nem todas as despedidas precisam de uma discussão. Algumas precisam apenas de gratidão, silêncio e um coração leve. Site Instagram Facebook Newsletter Linkedin CAPÍTULOS 00:00 Amizades que mantemos por hábito 02:04 Relações que ganharam o seu espaço 03:06 Os amigos do coração 04:07 Quando os caminhos se separam 05:31 "Temos de marcar um café" 06:34 Árvores que já deram fruto 07:35 Deixar ir não apaga o passado 09:18 Os ciclos da vida 10:41 Ficar de mãos vazias 11:01 Desafio: olhar para as suas amizades

  7. Sep 18

    E 75 - Pressa: a mentira que contamos a nós próprios

    Vivemos mesmo com pressa ou aprendemos a usar a pressa como uma desculpa para não parar? Neste episódio, falo sobre slow living, produtividade consciente, descanso sem culpa e sobre a forma como tantas vezes fabricamos uma urgência que não existe. Corremos de tarefa em tarefa, respondemos a mensagens fora de horas, comemos de pé e enchemos a agenda. Por fora, parecemos muito ocupados. Por dentro, talvez estejamos apenas a evitar uma pergunta, uma emoção ou uma decisão que precisa de silêncio. Setembro é o ponto de partida desta reflexão. Depois das férias, regressamos com a cabeça mais leve e com vontade de recuperar tudo o que ficou por fazer. Queremos compensar os dias de descanso, resolver assuntos acumulados e voltar rapidamente ao ritmo anterior. Mas começar logo a correr pode apagar, em poucos dias, a serenidade que trouxemos connosco. A pressa promete eficiência, mas muitas vezes entrega cansaço, menor qualidade e tarefas que precisam de ser repetidas. A partir do Monte das Lages, no Alentejo, observamos um ritmo diferente. Na natureza, cada coisa acontece no seu tempo. Há a vindima, a preparação da terra, a sementeira do feno, o nascimento dos bezerros e até os cuidados inesperados com um touro que precisava de tratar os cascos. Nada disto pode ser acelerado sem consequências. A terra não responde à impaciência. Os frutos colhidos antes de amadurecer sabem a verde e o mesmo acontece com ideias, projetos, relações e conversas importantes. Ao longo deste episódio, exploramos várias perguntas:Porque sentimos que temos sempre de fazer mais? Quem decidiu que tudo tem de ser feito depressa? A pressa nasce de uma necessidade real ou de uma comparação silenciosa com os outros? Estaremos a correr em direção a alguma coisa ou a fugir daquilo que nos incomoda? Este episódio ajuda a reconhecer alguns sinais de uma vida vivida em modo de urgência: tomar café sem o saborear, comer à pressa, saltar de compromisso em compromisso, responder a emails às onze da noite e confundir uma agenda cheia com competência. Estar ocupado não significa necessariamente estar a avançar. Por vezes, significa apenas que não deixámos espaço para pensar. Também falamos sobre o valor da maturação. Decisões difíceis, amizades que precisam de ser reconstruídas, conversas delicadas e ideias de negócio não se resolvem bem à pressa. Precisam de tempo, presença e profundidade. Quando antecipamos a colheita, o resultado pode parecer pronto por fora, mas ainda não ganhou consistência por dentro. No final, proponho  um exercício simples para trazer mais vagar ao quotidiano. Escolha um dia e escreva três tarefas que sente que tem de fazer depressa. Antes de começar cada uma, pare e pergunte:Preciso mesmo de correr? O que acontece se der mais tempo a esta tarefa? Como me sinto quando a realizo a um ritmo mais humano? No fim do dia, observe se fez menos, se fez pior ou se, pelo contrário, conseguiu fazer com mais atenção e menos desgaste. Não é necessário mudar a vida inteira de uma vez. Talvez baste interromper a corrida durante alguns minutos e espreitar aquilo que existe para além dela. Se esta conversa lhe trouxe alguma clareza, siga o podcast, partilhe o episódio com alguém que vive sempre a correr e conte-nos: A sua pressa é real ou tornou-se um hábito? Site Instagram Facebook Newsletter Linkedin CAPÍTULOS 00:00 A pressa que contamos a nós próprios 00:55 Setembro e a vontade de compensar 02:23 O tempo certo no monte 03:24 Cuidar dos touros com paciência 04:52 O que se faz à pressa 05:49 A pressa que fabricamos 07:37 A comparação com os outros 08:30 Ideias que precisam de tempo 09:33 Colher os frutos verdes 11:05 Urgência ou fuga? 11:58 Os hóspedes de setembro 12:23 Desafio: três coisas sem pressa

  8. Sep 17

    E 74 - A coragem de não agradar: como deixar de viver para os outros

    A coragem de não agradar: voltar à nossa verdadeira essência E se grande parte das decisões que você toma todos os dias não nascer verdadeiramente de si, mas daquilo que os outros esperam de você?   Neste episódio do Tudo com Vagar, falamos sobre uma necessidade muito comum, mas nem sempre reconhecida: a necessidade de agradar. A vontade de sermos aceites, de não desiludirmos, de corresponder às expectativas e de manter tudo à nossa volta em equilíbrio pode parecer, à primeira vista, apenas uma característica de quem é atencioso, responsável e educado. Mas, quando essa necessidade começa a orientar todas as nossas escolhas, pode afastar-nos silenciosamente daquilo que somos.   Quantas vezes diz que sim quando queria dizer que não? Quantas vezes  faz o que é esperado, mesmo quando o seu corpo, a sua energia ou a sua vontade pedem outra coisa? Quantas vezes assumimos papéis que nos foram entregues pela família, pelo trabalho, pelas relações ou pela sociedade e, com o passar do tempo, já nem consegue perceber onde terminam as expectativas dos outros e onde começa a sua própria vontade?   A partir da imagem de uma árvore que cresceu inclinada, mas viva e fiel à sua natureza, convido-o a refletir sobre os caminhos que seguimos. Às vezes, tentamos endireitar tudo para que corresponda à forma que alguém imaginou. Procuramos crescer na direção considerada certa, cumprir o mapa que nos foi dado e encaixar na versão de nós que os outros esperam encontrar. Mas talvez a nossa verdadeira natureza não esteja em crescer de forma perfeita ou previsível. Talvez esteja em encontrar a luz possível e continuar a crescer com autenticidade.   Neste episódio, falamos sobre a diferença entre amar os outros e viver para agradar aos outros. Agradar nem sempre nasce do amor. Muitas vezes, nasce do medo: medo de ficar sozinho, de ser julgado, de perder a aprovação, de criar conflito ou de deixar de pertencer. O problema é que, ao tentarmos evitar a rejeição, podemos acabar por rejeitar uma parte de nós próprios.   Falamos também sobre o desconforto que surge quando começamos a desagradar. Quando deixamos de responder automaticamente às expectativas alheias, pode aparecer uma sensação de vazio, culpa ou inquietação. Podemos pensar que estamos a fazer algo errado. Mas esse vazio pode ser apenas o espaço que ficou disponível depois de deixarmos de preencher a sua vida com desejos, obrigações e papéis que não são realmente nossos.   Tal como um campo precisa de pousio para recuperar os seus nutrientes e voltar a dar fruto, também nós precisamos de momentos de pausa, silêncio e espaço interior. No Monte das Lages, em contacto com a natureza e com o ritmo mais lento do Alentejo, torna-se mais fácil escutar aquilo que tantas vezes fica abafado pelo ruído das expectativas.   Deixo ainda um desafio simples em três passos: escolher uma manhã, uma tarde ou um dia para tomar uma decisão sem pensar no que os outros esperam; perguntar a si próprio “o que é que eu quero que aconteça?”; e escrever depois como se sentiu. Foi libertador? Desconfortável? Assustador? Tranquilo?   Este é um episódio sobre autenticidade, autoconhecimento, limites, liberdade emocional e a coragem de escolher a sua própria vida. Uma reflexão para ouvir devagar, talvez durante uma caminhada, num momento de silêncio ou enquanto contempla a paisagem.   Ouça o episódio 74 do Tudo com Vagar e pergunte a si próprio: quem sou eu quando não estou a tentar agradar a ninguém?   Se esta conversa fizer sentido para você, partilhe o episódio com alguém que esteja a aprender a viver com mais verdade, presença e liberdade.   Viva devagar. Escute a sua essência. E lembre-se:  não tem de agradar a toda a gente para ser fiel a si próprio.   site Instagram Facebook newsletter Linkedin CAPÍTULOS 00:00 A coragem de não agradar 01:06 A árvore que cresceu inclinada 01:56 Os papéis que herdamos 03:30 A validação dos outros 04:59 As expectativas dos outros 05:56 Não agradar não é ser desagradável 06:23 O espaço que fica livre 07:51 Desafio: uma decisão só sua

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