Feminismo é luta de classes!

marina colerato

Uma formação política feminista que objetiva contar a história das mulheres e abordar o feminismo sob uma perspectiva classista. marinacolerato.substack.com

Episodes

  1. Jun 16

    EP05: natureza-mulher-trabalho: a contradição fundamental

    Chegamos no penúltimo episódio (da primeira temporada?) do podcast Feminismo é luta de classes! Nos episódios anteriores, construímos o terreno analítico necessário para, finalmente, entrarmos na análise feminista sobre o nosso tempo presente. Antes de entrar efetivamente no tema deste episódio, vale recuperarmos a nossa linha-guia: partimos da crise climática não como um problema técnico a ser gerenciado pela “economia verde”, mas como expressão de uma crise multidimensional: a crise do Capitaloceno. Escapando da generalização confortável do “antropoceno”, vimos que não foi a humanidade — como um todo indiferenciado — que engendrou a realidade de múltiplas crises que enfrentamos. Foi o patriarcado capitalista como ecologia-mundo, que, desde 1492, passou a organizar as relações entre trabalho, (re)produção e natureza para possibilitar a acumulação infinita de capital. Vimos que a crise do clima é um dos sintomas do esgotamento das Naturezas Baratas — o femitariado, o proletariado e biotariado — que o sistema precisa explorar gratuita e infinitamente para geração de mais-valor. As mulheres sempre estiveram no centro dessa equação: não como vítimas passivas, mas como a classe superexplorada sobre cujos corpos e trabalho o patriarcado capitalista foi erguido. Rastrear as origens históricas dessa condição — da Mesopotâmia à Revolução Científica, da donadecaseficação à colonização — revelou que a hierarquia na divisão sexual do trabalho não é um dado natural, mas um paradigma social para benefício dos homens e sobre o qual se construiu a divisão internacional do trabalho. A violência contra as mulheres como estrutural e estruturante do nosso sistema-mundo Passando por uma ampla variedade de dados — que vão do feminicídio à escravidão moderna, passando pela perda de direitos legais a nível global — vimos que os números não descrevem uma série de tragédias individuais. Descrevem uma guerra de baixa intensidade permanente contra toda a classe sexual feminina. É uma violência estrutural que serve para manter as mulheres subordinadas por meio do medo e da coerção. Ela se intensifica exatamente no momento em que a Grande Fronteira se fecha e as possibilidades de extração de mais-valor do Femitariado diminuem. Portanto, as alterações climáticas não chegam a um terreno neutro — elas aterrissam sobre essa estrutura já existente e potencializam a vulnerabilidade de toda a classe sexual feminina dentro de uma estrutura de classe e raça já desigual. Os dados mostram que desastres climáticos ampliam a violência doméstica e sexual. Deslocamentos forçados colocam mulheres e meninas em situação de vulnerabilidade extrema. As próprias políticas climáticas que priorizam a financeirização da natureza e ignoram as comunidades locais recaem com mais força sobre as mulheres. Para entender por que essa violência persiste e se aprofunda, as explicações economicistas não bastam. Afirmar que as mulheres sofrem violência porque são economicamente dependentes dos homens é insuficiente: não explica a violência contra mulheres economicamente independentes, não explica a dominação masculina pré-capitalista e não enxerga a psicologia patriarcal da guerra de baixa intensidade contra toda a classe sexual feminina. Eu argumento que o nexo natureza-mulher-trabalho está — historicamente — no cerne da questão. As tarefas femininas de gestar, parir, alimentar, cuidar e reproduzir a vida foram classificadas como “atividade natural” e, portanto, excluídas da categoria trabalho. Isso não foi um acidente cultural. Foi uma condição material e histórica necessária para que os Grandes Homens — e, posteriormente, o capitalismo — acumulassem bens, riquezas e poder sem pagar a conta. As mulheres, ao mediarem os processos entre natureza e trabalho para geração de mais-valor, são tratadas como “recurso natural” — não apenas seu trabalho é apropriado, mas seu corpo, sua sexualidade e suas capacidades emocionais também o são. É aqui que entra uma distinção fundamental do ecofeminismo materialista: afirmar essa relação entre mulher e natureza não é essencialismo. Não se trata de dizer que as mulheres são “naturalmente” mais próximas do mundo natural. Trata-se de reconhecer que essa associação é uma construção histórica com consequências materiais concretas. As mulheres não são terra nullius, Natureza, corpo sem mente — mas são tratadas como se fossem em um mundo dominado por homens há milênios. O ecofeminismo rejeita tanto o determinismo biológico quanto o construcionismo social radical. O caminho é a dialética entre social e ecológico: uma análise materialista das mulheres-na-natureza, que reconheça a corporificação humana como base concreta da vida sem reduzir a essa corporificação toda a explicação política. → Indicação de leitura sobre a questão do essencialismo: A recolonização dos corpos como nova fronteira de acumulação Não deve ser visto como coincidência que, nos momentos em que as mulheres começam a retomar controle sobre seu corpo e seus produtos, o Capital aparece com novas tecnologias para garantir a manutenção do poder sobre esse “recurso”. A incisiva da biotecnologia sobre “sementes e útero” — para usar os termos de Mies e Shiva — pode ser lida dentro do contexto da Grande Estagnação: conforme as possibilidades de extrair lucro a partir do Femitariado se encolhem, é necessário movimentar as fronteiras da superexploração. Quanto mais a Grande Fronteira se fecha, mais a tríade Capital, Ciência e Império se volta para a recolonização do corpo das mulheres — por meio do aumento da violência e exploração sexual em suas múltiplas formas, das tecnologias reprodutivas, da biotecnologia, da engenharia genética, da biomedicalização e da artificialização dos corpos. Sob uma perspectiva ecofeminista, o que se apresenta como avanço tecnológico é um novo processo de acumulação primitiva sobre os corpos-territórios das mulheres. A história dos últimos 5.000 anos de “civilização” demonstra que o avanço tecnológico sempre significou menos poder e mais controle sobre as mulheres — o que torna simplesmente incoerente acreditar que serão as novas tecnologias, sobretudo as reprodutivas, que as liberarão. O chamado socialismo real e as mulheres Diante dessa contradição, a resposta histórica da esquerda foi insuficiente e incapaz de romper com a estrutura patriarcal. As experiências do chamado “socialismo real” significaram avanços reais para as mulheres em algumas dimensões, mas pouco progresso em desfazer a hierarquia na divisão sexual do trabalho. O motivo é estrutural: uma resposta socialista que não rejeita a divisão sexual do trabalho e mantém a ideologia do progresso infinito das forças produtivas não é capaz de endereçar a contradição fundamental natureza-mulher-trabalho. Ao ignorar o trabalho (re)produtivo das mulheres como trabalho de fato, o socialismo tradicional reproduz, sob outras condições, a mesma invisibilização que o capitalismo opera. A liberação das mulheres não vem como consequência automática da transformação das relações de propriedade — ela exige uma ruptura específica e deliberada com a hierarquia da divisão sexual do trabalho e, portanto, com o próprio entendimento de trabalho produtivo. Essa crítica se estende também à parte do feminismo contemporâneo. Ao subscrever às ideologias dominantes de soluções tecnológicas e à retórica neoliberal de autonomia individual — incluindo sobre o próprio corpo —, acaba por reforçar o projeto iluminista de domínio e controle sobre a natureza e, consequentemente, sobre o corpo. Em vez de contestá-lo, tal ideologia serve aos interesses de acumulação dos Grandes Homens por trás do complexo tecno-fármaco-médico. A recusa à tecnofilia antropocêntrica é, para o ecofeminismo, uma posição política necessária: significa recusar a Ciência com C maiúsculo — a ciência como abstração dominante forjada pelas elites masculinas, na qual existe uma mente fora e acima do corpo, com natureza e corpo reduzidos à matéria amorfa passível de manipulação. Libertar as mulheres exige devolver a autonomia sobre o sexo, seus produtos e a reprodução da espécie às próprias mulheres — e não transferir essa (re)produção às corporações transnacionais farmacêuticas, tecnológicas e pornográficas. → Indicação de leitura sobre a recusa ecofeminista à tecnonofilia: A proposta ecofeminista para liberar a vida A proposta ecofeminista materialista parte de três reconhecimentos. Primeiro, que existe uma relação estrutural entre a subordinação das mulheres e a exploração da natureza. Segundo, que é necessária uma cosmologia não antropocêntrica, que ressitue os humanos como parte da natureza e não como seu Mestre. Terceiro, que a análise marxista das relações dialéticas entre humanos e vida material — ampliada para incluir o trabalho (re)produtivo das mulheres — é indispensável para a compreensão da realidade. Para entender por que esses reconhecimentos são inseparáveis, é preciso compreender o mecanismo que o capítulo chama de imanência e transcendência. A civilização capitalista construiu o poder como a capacidade de certos indivíduos ou grupos de se libertarem do tempo biológico e ecológico — do tempo da gestação, do cuidado, da colheita, da decomposição, da morte. Essa libertação, no entanto, não é real: ela é mediada. Para que uma minoria possa viver como se os limites corporais e ecológicos não existissem, esses limites precisam ser suportados por outros — pelas mulheres, pela natureza, pelas colônias. A transcendência dos Grandes Homens é sempre paga pela imanência do Femitariado. Abraçar a imanência, como propõe o ecofe

    EP05: natureza-mulher-trabalho: a contradição fundamental
  2. 12/23/2025 ·  Bonus

    a ciência e a técnica como expressões da diferença de ser homem

    O episódio de hoje é um episódio especial e dá continuidade ao nosso estudo sobre o desenvolvimento da ciência moderna como instrumento do Mestre com um trecho do livro A Diferença Sexual na História, de María-Milagros Rivera Garretas, intitulado “Expressões da diferença de ser homem: a ciência e a técnica” (p. 109-208). Utilizando a vasta pesquisa de David Noble, que demonstra como a ciência foi uma empreitada clerical a partir do século XIII, Milagros argumenta que a ciência moderna se estabeleceu no entre-homens, celibatários e religiosos, excluindo as relações de diferença. Na verdade, como vimos, o verdadeiro objetivo da ciência é dominar a natureza e realizar em si a criação da vida sendo a ciência moderna, portanto, não apenas antimulher, como concluiu David Noble, mas também antimãe, como enfatiza a autora. Este é um dos meus trechos favoritos do livro porque, entre outras coisas, desbanca o mito de que a ciência sempre esteve em oposição à Igreja. Essa é uma mentira histórica que esconde vários fatos, entre eles a adoção da posição antiaborto da Igreja após a ciência concluir que o início da vida se dá na fecundação. Um plot twist que poucas conhecem. Também explica a saga permanente da ciência em suplantar a capacidade exclusiva das mulheres de criar a vida, um desejo masculino por poder e controle que se torna explícito a partir das transformações dos mitos de criação. No episódio, eu comento sobre o Clube de Estudo e Leitura Ecofeminista, o CELECO, no qual leremos, entre outras, a muito mencionada por aqui obra de Carolyn Merchant, A morte da natureza: mulheres, ecologia e a revolução científica. Confira todas as informações aqui. Outras referências citadas: David Noble, A World Without Women: The Christian Clerical Culture of Western Science. Nova York e Oxford: Oxford University Press, 1992. Marguerite Porete, El espejo de las almas simples. Barcelona: Icaria, 1995. [O espelho das Almas Simples e aniquiladas e que permanecem somente na vontade e no desejo do Amor. Petrópolis: Vozes, 2008]. Victor J. Seidler, Rediscovering Masculinity. Reason, Language and Sexuality. Londres: Routledge, 1989. Sobre o podcast: O podcast Feminismo é luta de classes! é uma formação política feminista que objetiva contar a história das mulheres e abordar o feminismo sob uma perspectiva classista, de maneira a promover a consciência sobre a existência e condições materiais da classe sexual feminina para além do sistema capitalista e de forma interconectada com a crise climática e ambiental na qual vivemos. Ao longo dos 10 episódios, eu explico as origens da nossa crise multidimensional — em que os diversos indicadores sobre violência, feminicídio e estupro, saúde mental, direitos legais, equidade econômica, entre outros — revelam uma piora nas condições de vida de mulheres e meninas em todo o mundo. Apenas uma perspectiva materialista histórica nos dá as ferramentas necessárias para compreensão e transformação desse cenário. Nas palavras da ecofeminista Ariel Salleh, “qualquer denominador comum entre a classe trabalhadora, mulheres, indígenas e política ecológica precisa ser uma política materialista”. As referências e o conteúdo completo estão na minha dissertação de mestrado, Crise climática e antropoceno: uma perspectiva ecofeminista para liberar a vida(2023), realizada na PUC-SP com bolsa da CAPES (Código de Financiamento 001 – 88887.608106/2021-00). O podcast Feminismo é luta de classe! foi viabilizado por meio de um financiamento coletivo com apoio de 164 pessoas! Se você não apoiou o financiamento coletivo, mas deseja colaborar agora, apoie o lado b clicando no botão abaixo. Você também pode colaborar, compartilhando o podcast nas redes e com pessoas amigas, e dando 5 estrelas no Spotify. Agradeço imensamente a cada uma e cada um que colaborou no financiamento coletivo com R$ 35 ou mais: Amanda Fernandes, María Agustina Comas, Alain Schraner, Alice Gabriela Santos Freire, Aline Nunes Kroth, Aline Moraes Alencar, Anna Mendes, Cecília Furtado, bergmab, Clara Campoli, Daniel Pereira Rocha, Elisa Rodrigues de Corta, Emily M Perrucho, Ericka Oliveira, Fernanda Roman, Fernanda Pinheiro, Gabriela Castro dos Anjos Nicolau, Giselle Batista Alves, Isadora Botchkarev, Isadora Cunha, João Luz, Juliana Salvador Ferraz Ferreira, Julia Menezes, Juliana Batista Andrade Silva, Leticia Alves da Silva, Carolina da Silva Pereira, Lorena Santos Ciriaco, Luana Chagas da Silva, Maíra Marques e Silva, Ariane Soares Rocha, Marcella Perin, Marla Castro Rodrigues, Viviane Mendes, Michelle Furtado Hirano, Mirela Cunha Veloso, Monalisa Gomyde, Greiciele de Morais, Priscilla Menezes, Renata Lauletta, Mariah Ronchi da Rosa, Samara Santos, Sonia Maria de O. Penido, Valéria Xavier, Marcia Veronica Assunção Ferrari, Luciana Weiler, Anne Rammi, Ariane Seixas, Barbara Waida Silveira, Daniela Ruano Carolina Brognaro, Cecilia Daniela Cândida da Silva Maio, Daniel Pereira Rocha, Débora Amoras Cavalcante, Erika Rabelo, Flávia Castilho Fogazzi, Fernanda de Lima, Fernanda Nunes Moya, Germana Pinheiro Câmara, Glaucia Ribeiro, Guilherme Eduardo Konopatzki Filho, Marcos Holanda, Horácio Reis, Hyezza Lavinia Lima Tavares, Juliana Brum Sommer, Juliana Lima, Julia Thyssen, Layla Lambiasi, Larissa de Sousa Duarte, Isabela Lazarotti, Leticia Santos Guilhon Albuquerque, Lucas Paim, Luciana Santos, Lycia Maria Regatieri, Patricia Urruzola, Ariane Soares Rocha, Marcela Dias, Mariana de Souza Waechter Bastos, Marian Gabani, Marina de Freitas Curak, Marina de Martino Roberto, Michelle Furtado Hirano, Camila Toshie Yumito, Mirelle AnnoL M, Natália Aquino de Freitas Tristão, Nay Macedo, Andressa Carolina Grolli, Patricia santos, Raquel Chamis, Sara Fernandes de Oliveira (Sou_Ser_Mulher), Talita Lima, Tamires Prol, thais diniz coelho de souza, Marcia Veronica Assunção Ferrari, Carla Carrara Goulart, Anita Garibaldi, Verônica Daminelli Fernandes, Juliana Batista Andrade Silva, Clarice Saadi, Fernanda Carreira, Eliane De Souza Figueiredo, Rafael Duckur, Ale Nahra, Carolina Costa de souza, Cecilia Suenaga Junqueira de Carvalho, Claudia Lommez de Oliveira, Elisa Prando, Suzane G. Frutuoso, Helena Kozlakowski Patrício, Iara Macedo Cunha, Moahra Fagundes Pereira, Raquel Sena, Ana Hupfer, Isis Talita Marimon, Thais Diniz Coelho de Souza, Vanessa, Dantes Santos, Beatriz Kuntz, Antonio Ribeiro, Michele dos Santos Lima Caru Schultz, Amanda de Sena Santos, Camila Ferreira, Mirila Greicy Bittencourt Cunha, Ilana Tzirulnik, Nany Bilate, Rita de Cassia Lopes, Ana Calderaro, Paula Medeiros, Laura Madalosso, Luana Fernandes, Maria Stein, Caroline Santos, Milena Souza, Aline Zagonel, Gustavo Campello, Margareth Sander, Raquel Medeiros, Tila Teixeira, Gisele Fidelis, Marina Dantas, Miguel R Baierle. Arte: Luana Fernandes \ @artlua_studio This is a public episode. If you'd like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit marinacolerato.substack.com/subscribe

    a ciência e a técnica como expressões da diferença de ser homem
  3. 12/02/2025

    EP403: Patriarcado e acumulação em escala mundial

    Neste episódio, mergulhamos em uma análise histórica sobre como a subordinação das mulheres foi construída ao longo dos séculos — e a relação histórica intrínseca entre essa subordinação com a exploração natureza passando por um ponto chave da nossa análise: a Grande Donadecaseficação como contraparte da Grande Proletarização no início do capitalismo. Aqui, encerramos o longo episódio quatro. Vem comigo entender no detalhe como o capitalismo criou o Femitariado. Começando analisando brevemente a segunda raiz de pensamento do mundo ocidental. A ciência e filosofia gregas, que forneceram as bases conceituais para a terceira raiz de pensamento da sociedade ocidental: a ciência moderna. Aristóteles criou a justificativa “filosófica” da inferioridade feminina ao definir mulheres como “matéria passiva” e homens como o “princípio ativo” da criação abrindo caminhos para a futura consolidação do dualismo cartesiano como lógica fundante do pensamento científico. Entendemos como a ciência moderna nasceu. Nos séculos XVI e XVII, com Bacon e Descartes, a natureza deixou de ser vista como organismo vivo para se tornar matéria inerte a ser explorada. As metáforas de Francis Bacon sobre o método científico eram explicitamente baseadas nos julgamentos das “bruxas”. Bacon defendia o uso da violência, se preciso, para “penetrar os buracos e cantos” da natureza e “arrancar dela seus segredos”. A caça às bruxas como política econômica. Entre os séculos XIV e XVII, a caça às bruxas foi um terror muito bem organizado, que viabilizou o surgimento do próprio Direito, garantiu ao Estado recursos econômicos e domesticou as mulheres, buscando aniquilar a autonomia feminina e garantir a subordinação das mulheres à nova ordem vigente. Aprendemos o conceito de “donadecaseficação”. Maria Mies explica como as mulheres foram progressivamente expulsas da vida econômica ativa. Nas classes altas, tornaram-se “damas” confinadas ao lar. Nas classes trabalhadoras, foram empurradas para a dependência econômica total através do casamento e da criação da família nuclear. Vimos as duas faces da colonização. Enquanto mulheres europeias eram “civilizadas” através da domesticação, e isoladas no ambiente doméstico da família nuclear por meio da donadecaseficação, as mulheres nas colônias eram “naturalizadas”, ou seja, transformadas em “selvagens” para justificar a exploração. Embora qualitativamente diferentes, tanto as mulheres do Norte quanto as mulheres Sul global foram organizadas de moda a ampliar as possibilidades de pilhagem. Tangibilizamos o conceito de “Natureza Barata”. Ao posicionar mulheres na esfera doméstica “invisível” e povos colonizados como “selvagens”, o capitalismo criou reservatórios de trabalho não pago — verdadeiras “Naturezas Baratas”, disponíveis para apropriação infinita. A “liberdade” do trabalhador assalariado homem dependia estruturalmente da não-liberdade da dona de casa. Em outras palavras, a contraparte da Grande Proletarização foi a Grande Donadecaseficação. E chegamos a uma conclusão central para compreensão do nosso momento histórico: momentos de crise e transição epocal historicamente significam mais violência contra mulheres, pois a acumulação de bens, riquezas e poder dos homens sempre dependeu da destruição da autonomia feminina e exploração das mulheres. Uma análise que explica o aumento da violência e da perde de direitos que mulheres estão enfrentando, e que veremos com mais detalhes no quinto episódio. Sobre o podcast: O podcast Feminismo é luta de classes! é uma formação política feminista que objetiva contar a história das mulheres e abordar o feminismo sob uma perspectiva classista, de maneira a promover a consciência sobre a existência e condições materiais da classe sexual feminina para além do sistema capitalista e de forma interconectada com a crise climática e ambiental na qual vivemos. Ao longo dos 10 episódios, eu explico as origens da nossa crise multidimensional — em que os diversos indicadores sobre violência, feminicídio e estupro, saúde mental, direitos legais, equidade econômica, entre outros — revelam uma piora nas condições de vida de mulheres e meninas em todo o mundo. Apenas uma perspectiva materialista histórica nos dá as ferramentas necessárias para compreensão e transformação desse cenário. Nas palavras da ecofeminista Ariel Salleh, “qualquer denominador comum entre a classe trabalhadora, mulheres, indígenas e política ecológica precisa ser uma política materialista”. As referências e o conteúdo completo estão na minha dissertação de mestrado, Crise climática e antropoceno: uma perspectiva ecofeminista para liberar a vida (2023), realizada na PUC-SP com bolsa da CAPES (Código de Financiamento 001 – 88887.608106/2021-00). O podcast Feminismo é luta de classe! foi viabilizado por meio de um financiamento coletivo com apoio de 164 pessoas! Se você não apoiou o financiamento coletivo, mas deseja colaborar agora, apoie o lado b clicando no botão abaixo. Você também pode colaborar, compartilhando o podcast nas redes e com pessoas amigas, e dando 5 estrelas no Spotify. Agradeço imensamente a cada uma e cada um que colaborou no financiamento coletivo com R$ 35 ou mais: Amanda Fernandes, María Agustina Comas, Alain Schraner, Alice Gabriela Santos Freire, Aline Nunes Kroth, Aline Moraes Alencar, Anna Mendes, Cecília Furtado, bergmab, Clara Campoli, Daniel Pereira Rocha, Elisa Rodrigues de Corta, Emily M Perrucho, Ericka Oliveira, Fernanda Roman, Fernanda Pinheiro, Gabriela Castro dos Anjos Nicolau, Giselle Batista Alves, Isadora Botchkarev, Isadora Cunha, João Luz, Juliana Salvador Ferraz Ferreira, Julia Menezes, Juliana Batista Andrade Silva, Leticia Alves da Silva, Carolina da Silva Pereira, Lorena Santos Ciriaco, Luana Chagas da Silva, Maíra Marques e Silva, Ariane Soares Rocha, Marcella Perin, Marla Castro Rodrigues, Viviane Mendes, Michelle Furtado Hirano, Mirela Cunha Veloso, Monalisa Gomyde, Greiciele de Morais, Priscilla Menezes, Renata Lauletta, Mariah Ronchi da Rosa, Samara Santos, Sonia Maria de O. Penido, Valéria Xavier, Marcia Veronica Assunção Ferrari, Luciana Weiler, Anne Rammi, Ariane Seixas, Barbara Waida Silveira, Daniela Ruano Carolina Brognaro, Cecilia Daniela Cândida da Silva Maio, Daniel Pereira Rocha, Débora Amoras Cavalcante, Erika Rabelo, Flávia Castilho Fogazzi, Fernanda de Lima, Fernanda Nunes Moya, Germana Pinheiro Câmara, Glaucia Ribeiro, Guilherme Eduardo Konopatzki Filho, Marcos Holanda, Horácio Reis, Hyezza Lavinia Lima Tavares, Juliana Brum Sommer, Juliana Lima, Julia Thyssen, Layla Lambiasi, Larissa de Sousa Duarte, Isabela Lazarotti, Leticia Santos Guilhon Albuquerque, Lucas Paim, Luciana Santos, Lycia Maria Regatieri, Patricia Urruzola, Ariane Soares Rocha, Marcela Dias, Mariana de Souza Waechter Bastos, Marian Gabani, Marina de Freitas Curak, Marina de Martino Roberto, Michelle Furtado Hirano, Camila Toshie Yumito, Mirelle AnnoL M, Natália Aquino de Freitas Tristão, Nay Macedo, Andressa Carolina Grolli, Patricia santos, Raquel Chamis, Sara Fernandes de Oliveira (Sou_Ser_Mulher), Talita Lima, Tamires Prol, thais diniz coelho de souza, Marcia Veronica Assunção Ferrari, Carla Carrara Goulart, Anita Garibaldi, Verônica Daminelli Fernandes, Juliana Batista Andrade Silva, Clarice Saadi, Fernanda Carreira, Eliane De Souza Figueiredo, Rafael Duckur, Ale Nahra, Carolina Costa de souza, Cecilia Suenaga Junqueira de Carvalho, Claudia Lommez de Oliveira, Elisa Prando, Suzane G. Frutuoso, Helena Kozlakowski Patrício, Iara Macedo Cunha, Moahra Fagundes Pereira, Raquel Sena, Ana Hupfer, Isis Talita Marimon, Thais Diniz Coelho de Souza, Vanessa, Dantes Santos, Beatriz Kuntz, Antonio Ribeiro, Michele dos Santos Lima Caru Schultz, Amanda de Sena Santos, Camila Ferreira, Mirila Greicy Bittencourt Cunha, Ilana Tzirulnik, Nany Bilate, Rita de Cassia Lopes, Ana Calderaro, Paula Medeiros, Laura Madalosso, Luana Fernandes, Maria Stein, Caroline Santos, Milena Souza, Aline Zagonel, Gustavo Campello, Margareth Sander, Raquel Medeiros, Tila Teixeira, Gisele Fidelis, Marina Dantas, Miguel R Baierle. Arte: Luana Fernandes \ @artlua_studio This is a public episode. If you'd like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit marinacolerato.substack.com/subscribe

    EP403: Patriarcado e acumulação em escala mundial
  4. 10/21/2025

    EP0402: As origens da divisão sexual do trabalho

    Neste episódio, mergulhamos na transição histórica que consolidou o patriarcado como sistema de dominação estrutural. Das primeiras cidades-Estado da Mesopotâmia até o estabelecimento do monoteísmo judaico-cristão, traçamos como a subordinação feminina foi institucionalizada por meio do Estado, das leis e da religião. O Estado como máquina patriarcal Por volta de 2500 a.C., vemos as primeiras manifestações institucionais do patriarcado na Mesopotâmia. A formação dos Estados arcaicos marca não apenas a concentração de riquezas e o surgimento de classes, mas fundamentalmente a extensão da dominância masculina da família para toda a sociedade. O contrato patriarcal se revela em sua crueza: sustento econômico e proteção masculina em troca de subordinação total, servidão sexual e trabalho doméstico não remunerado das mulheres. Abdullah Öcalan sintetiza: “as mulheres são mantidas em uma colônia com fronteiras de difícil identificação”. O estabelecimento do patriarcado foi um processo de 2.500 anos (3100 a.C. a 600 a.C.), não linear, acontecendo em diversas regiões do globo de formas distintas. A dominação masculina não é uma ordem “natural desde os tempos imemoriais”, mas uma construção histórica mantida à base de violência física e psicológica. Patriarcado psicológico: a colonização da mente O patriarcado não é apenas um sistema econômico e cultural de subordinação feminina, mas também um patriarcado psicológico. Responsável por manter mulheres crentes em sua suposta inferioridade desde a infância, bem como emocionalmente dependentes da aprovação masculina. Essa dominação psicológica milenar explica a “cumplicidade” histórica de mulheres com o sistema que as subordina e sua participação na transmissão desse sistema às gerações seguintes. Öcalan afirma: “não é apenas a modernidade oficial, mas todo o sistema civilizatório hierárquico e estatista que se infiltrou no tecido social e aprisionou as mulheres física e mentalmente”. Origens da divisão sexual do trabalho: da cooperação à dominação No Paleolítico, a divisão sexual do trabalho tinha caráter funcional e cooperativo, não de dominação. Mulheres desenvolveram a primeira relação produtiva com a naturezapor meios da coleta e, posteriormente, da horticultura. Sua relação-objeto com a natureza era marcada por: * Reciprocidade: Mulheres concebiam a si mesmas e a natureza externa como produtivas e criativas * Não-dominação: A apropriação da natureza não estabelecia relação de dominação * Produção social: Como produtoras da vida, mulheres criavam relações sociais As mulheres inventaram os primeiros cultivos regulares de grãos e tubérculos, possibilitando pela primeira vez na história a produção e preservação de excedentes. A capacidade reprodutiva das mulheres não era vista como mera fertilidade animal, mas como práxis: ação + reflexão. Grupos de mulheres e crianças formaram as primeiras unidades de produção social e as primeiras relações sociais. Sociedades matricêntricas ou matrísticas caracterizavam o Paleolítico, em que o papel do homem na procriação era pouco compreendido. O paradigma da produção não-produtiva masculina Maria Mies identifica seis características fundamentais da relação-objeto dos homens com a natureza, distintas das mulheres: * Não-produtividade: As ferramentas dos caçadores não produzem nada novo, servindo basicamente para tirar a vida de seres não-humanos e coagir outros humanos. * Poder sobre outros seres: As armas conferem aos caçadores poder sobre outros seres, humanos ou não, possibilitando a apropriação tanto da produção de coleta quanto dos próprios produtores. * Relação predatória: É uma relação “antagônica e não recíproca”, mediada pelas armas, onde caçadores se apropriam da vida embora não possam produzi-la. * Dominação como paradigma: A dominação se tornou o principal paradigma da produtividade masculina - sem dominação e controle da natureza, os homens não podem conceber a si mesmos como produtivos. * Apropriação unilateral: A apropriação do natural passa a ser um processo unilateral de estabelecimento de propriedade com caráter de exploração. * Transformação de produtores em recursos: As armas permitiam aos homens invadir comunidades de subsistência, desarmar mulheres e apropriar-se delas, transformando produtoras autônomas em “recursos naturais” para outros. O modo de produção não-produtivo e predatório dos homens se tornou o paradigma de todas as relações históricas de exploração entre os seres humanos. O roubo de mulheres e a apropriação de excedentes Com o Neolítico, três fatores convergiram para alterar as relações de gênero: * Mudanças climáticas: O aumento das temperaturas intensificou conflitos intertribais. * Desenvolvimento da agricultura: Crianças tornaram-se recurso econômico, aumentando o valor das mulheres. * Ascensão do homem-guerreiro: O monopólio das armas por homens possibilitou saques e apropriação de excedentes. Mulheres eram preferidas como escravas porque eram produtivas tanto como trabalhadoras quanto como geradoras de novos trabalhadores. O modo de produção não-produtivo dos homens, baseado em saque e roubo, possibilitou que alguns homens acumulassem propriedade, estabelecendo distinções de classe. Em Alto Volta (atual Burkina Fasso), o arco e flecha eram utilizados para adquirir “o mel, o amendoim, o feijão e depois uma mulher, depois os filhos”. Mulheres sequestradas se tornaram “fonte direta para a acumulação de propriedade privada”. As primeiras formas de propriedade privada não foram exercidas sobre gado, alimentos ou terra, mas sobre mulheres escravizadas. A condição das mulheres na Mesopotâmia antiga A transição do Neolítico para a Idade Antiga marca mudanças profundas. Os Estados arcaicos caracterizam-se por: * Concentração de bens e surgimento de classes * Urbanização e especialização das atividades * Surgimento de elites militares e realeza * Institucionalização da escravidão * Surgimento de famílias patriarcais As grandes mudanças econômicas, tecnológicas e militares que acompanharam a formação dos Estados arcaicos resultaram em três estágios: surgimento das cidades-templos, crescimento das cidades-Estados e desenvolvimento de estados nacionais. Mulheres nobres tinham alto status e detinham poder sobre mulheres e homens de classes econômicas mais baixas, mas sua sexualidade era completamente subordinada aos homens e seu poder dependia de sua servidão sexual a eles. Enquanto isso, mulheres das classes baixas desempenhavam diversos papéis econômicos, e escravas estrangeiras representavam a maior parte do trabalho nos templos. A escravidão como modelo: mulheres, a primeira mercadoria A palavra “escrava” significou, antes de tudo, mulher. Os primeiros seres humanos transformados em propriedade foram mulheres e crianças capturadas em guerras. O sinal cuneiforme para “mulher escrava” aparece antes do sinal para “homem escravo”. Em grego, doulos existe primeiro na forma feminina. David Graeber nos lembra que ser escravo é ser arrancado de todo contexto social - um “ser morto”. Para as mulheres, essa morte social veio acompanhada do estupro sistemático como ferramenta de desonra e controle. O estupro não era crime contra a mulher, mas contra a “honra” e “propriedade” dos homens de sua família. A escravidão desde o começo significou coisas distintas para homens e mulheres. A escolha por escravizar mulheres e crianças se deu porque apresentavam menos ameaças como prisioneiras. Removidas de sua terra natal, isoladas e sem esperança de resgate, o terror físico, a coerção e a desonra ganhavam para as mulheres a forma de estupro. O concubinato: graus de falta de liberdade A institucionalização do concubinato revela o continuum da falta de liberdade feminina. Entre o casamento e a escravidão, passando pelo concubinato, o que vemos é um contínuo com diferentes níveis de falta de liberdade, nunca a autonomia. A família patriarcal forneceu o modelo estrutural para a escravidão, tomando três formas: autoridade total sobre os filhos, autoridade sobre a esposa com condições recíprocas e o concubinato. No caso do concubinato, a mudança fundamental é que a mulher sai de uma dependência no casamento para uma falta de liberdade total. Usar escravas como servas e objetos sexuais tornou-se uma prática padrão para a dominância masculina sobre as mulheres em todos os períodos históricos. Essas mulheres também podiam ser alugadas como prostitutas, com o senhor ficando com o pagamento. A hierarquia entre mulheres: dividir para dominar O Código de Hamurabi (1792-1750 a.C.) e as Leis Médio-Assírias (1400-1100 a.C.) consolidam juridicamente a estratificação das mulheres: * Base: escravas, cuja sexualidade era mercadoria * Meio: concubinas, que podiam aspirar alguma ascensão social através do ventre * Topo: esposas “respeitáveis”, virgens e sacerdotisas O velamento obrigatório surge como primeira regulamentação da aparição pública feminina, separando as “respeitáveis” (que deviam usar véu) das prostitutas e escravas (proibidas de usá-lo). Este é o primeiro grande enclausuramento doméstico das mulheres. Com maior estratificação de classes, famílias pobres eram obrigadas a renunciar parte do patrimônio para casar um filho, o que podia levar à ruína econômica e à posterior entrega de filhos para escravização por dívida ou prostituição. Na metade do segundo milênio a.C., a prostituição já havia se tornado a principal ocupação das filhas pobres. Esta cisão entre mulheres impediu historicamente a formação de consciência de classe sexual. O débito corporificado: mulheres como credoras históricas Ariel Salleh introduz o conceito de “débito corporificado”:

    EP0402: As origens da divisão sexual do trabalho
  5. 03/27/2025

    EP2: A crise climática e a financeirização do planeta na era neoliberal

    Neste episódio do podcast, abordo a agenda do “desenvolvimento sustentável”, atualmente também midiatizada como economia verde, que promete, desde os primeiros acordos neoliberais para o desenvolvimento, promover crescimento econômico de forma justa e verde. Para as mulheres, isso significou a inserção na economia de mercado e o aprofundamento das vulnerabilidades históricas enfrentadas pela classe feminina. Para a natureza, significou comodificação e financeirização de bens comuns como terras, fontes de água, florestas, entre outros. Em ambos os casos e de forma sobreposta, observamos um intenso processo de acumulação primitiva em um momento de crise da acumulação capitalista. Dá o play! O podcast Feminismo é luta de classes! é uma formação política feminista que objetiva contar a história das mulheres e abordar o feminismo sob uma perspectiva classista, de maneira a promover a consciência sobre a existência e condições materiais da classe sexual feminina para além do sistema capitalista e de forma interconectada com a crise climática e ambiental na qual vivemos. Ao longo dos 10 episódios, eu explico as origens da nossa crise multidimensional e onde diversos indicadores como violência física, feminicídio e estupro, saúde mental, nível de avanço em direitos legais, equidade econômica, entre outros revelam uma piora nas condições de vida de mulheres e meninas em todo o mundo. Apenas uma perspectiva materialista histórica nos dá as ferramentas necessárias para compreensão e transformação desse cenário. Nas palavras da ecofeminista Ariel Salleh, "qualquer denominador comum entre a classe trabalhadora, mulheres, indígenas e política ecológica precisa ser uma política materialista". As referências e o conteúdo completo estão na minha dissertação de mestrado, Crise climática e antropoceno: ema perspectiva ecofeminista para liberar a vida (2023), realizada na PUC-SP com bolsa da CAPES. 🚨 Atenção🚨: o aproveitamento do conteúdo depende da sua atenção. Não recomendo ouvir o podcast enquanto executa outras tarefas. O podcast Feminismo é luta de classe! foi viabilizado por meio de um financiamento coletivo com apoio de uma 164 pessoas! Agradeço especialmente a cada uma e cada um que colaborou com R$ 35 ou mais: Amanda Fernandes, María Agustina Comas, Alain Schraner, Alice Gabriela Santos Freire, Aline Nunes Kroth, Aline Moraes Alencar, Anna Mendes, Cecília Furtado, bergmab, Clara Campoli, Daniel Pereira Rocha, Elisa Rodrigues de Corta, Emily M Perrucho, Ericka Oliveira, Fernanda Roman, Fernanda Pinheiro, Gabriela Castro dos Anjos Nicolau, Giselle Batista Alves, Isadora Botchkarev, Isadora Cunha, João Luz, Juliana Salvador Ferraz Ferreira, Julia Menezes, Juliana Batista Andrade Silva, Leticia Alves da Silva, Carolina da Silva Pereira, Lorena Santos Ciriaco, Luana Chagas da Silva, Maíra Marques e Silva, Ariane Soares Rocha, Marcella Perin, Marla Castro Rodrigues, Viviane Mendes, Michelle Furtado Hirano, Mirela Cunha Veloso, Monalisa Gomyde, Greiciele de Morais, Priscilla Menezes, Renata Lauletta, Mariah Ronchi da Rosa, Samara Santos, Sonia Maria de O. Penido, Valéria Xavier, Marcia Veronica Assunção Ferrari, Luciana Weiler, Anne Rammi, Ariane Seixas, Barbara Waida Silveira, Daniela Ruano Carolina Brognaro, Cecilia Daniela Cândida da Silva Maio, Daniel Pereira Rocha, Débora Amoras Cavalcante, Erika Rabelo, Flávia Castilho Fogazzi, Fernanda de Lima, Fernanda Nunes Moya, Germana Pinheiro Câmara, Glaucia Ribeiro, Guilherme Eduardo Konopatzki Filho, Marcos Holanda, Horácio Reis, Hyezza Lavinia Lima Tavares, Juliana Brum Sommer, Juliana Lima, Julia Thyssen, Layla Lambiasi, Larissa de Sousa Duarte, Isabela Lazarotti, Leticia Santos Guilhon Albuquerque, Lucas Paim, Luciana Santos, Lycia Maria Regatieri, Patricia Urruzola, Ariane Soares Rocha, Marcela Dias, Mariana de Souza Waechter Bastos, Marian Gabani, Marina de Freitas Curak, Marina de Martino Roberto, Michelle Furtado Hirano, Camila Toshie Yumito, Mirelle AnnoL M, Natália Aquino de Freitas Tristão, Nay Macedo, Andressa Carolina Grolli, Patricia santos, Raquel Chamis, Sara Fernandes de Oliveira (Sou_Ser_Mulher), Talita Lima, Tamires Prol, thais diniz coelho de souza, Marcia Veronica Assunção Ferrari, Carla Carrara Goulart, Anita Garibaldi, Verônica Daminelli Fernandes, Juliana Batista Andrade Silva, Clarice Saadi, Fernanda Carreira, Eliane De Souza Figueiredo, Rafael Duckur, Ale Nahra, Carolina Costa de souza, Cecilia Suenaga Junqueira de Carvalho, Claudia Lommez de Oliveira, Elisa Prando, Suzane G. Frutuoso, Helena Kozlakowski, PatrícioIara Macedo Cunha, Moahra Fagundes Pereira, Raquel Sena, Ana HupferIsis, talita Marimon, thais diniz coelho de souza, Vanessa, Dantes Santos, Beatriz Kuntz, Antonio Ribeiro, Michele dos Santos Lima Caru SchultzAmanda de Sena SantosCamila Ferreira, Mirila Greicy Bittencourt Cunha, Ilana Tzirulnik, Nany Bilate, Rita de cassia Lopes, Ana calderaro, Paula Medeiros, Laura Madalosso, Luana Fernandes, Maria Stein, Caroline Santos, Milena souza, Aline Zagonel, Gustavo Campello, margareth sander, Raquel Medeiros, Tila Teixeira, Gisele Fidelis, Marina Dantas, Miguel R Baierle. Se você não apoiou o financiamento coletivo, mas deseja colaborar agora, apoie o lado b criando no botão abaixo. Você também pode colaborar, compartilhando o podcast nas redes e com pessoas amigas. Arte por: Luana Fernandes \ @artlua_studio This is a public episode. If you'd like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit marinacolerato.substack.com/subscribe

    EP2: A crise climática e a financeirização do planeta na era neoliberal
  6. 03/27/2025

    EP1: Introdução

    O podcast Feminismo é luta de classe! é uma formação política feminista que objetiva contar a história das mulheres e abordar o feminismo sob uma perspectiva classista, de maneira a promover a consciência sobre a existência e condições materiais da classe sexual feminina para além do sistema capitalista e de forma interconectada com a crise climática e ambiental na qual vivemos. Ao longo dos 10 episódios, eu explico as origens da nossa crise multidimensional e onde diversos indicadores como violência física, feminicídio e estupro, saúde mental, nível de avanço em direitos legais, equidade econômica, entre outros revelam uma piora nas condições de vida de mulheres e meninas em todo o mundo. Apenas uma perspectiva materialista histórica nos dá as ferramentas necessárias para compreensão e transformação desse cenário. Nas palavras da ecofeminista Ariel Salleh, "qualquer denominador comum entre a classe trabalhadora, mulheres, indígenas e política ecológica precisa ser uma política materialista". As referências e o conteúdo completo estão na minha dissertação de mestrado, Crise climática e antropoceno: ema perspectiva ecofeminista para liberar a vida (2023), realizada na PUC-SP com bolsa da CAPES. 🚨 Atenção🚨: o aproveitamento do conteúdo depende da sua atenção. Não recomendo ouvir o podcast enquanto executa outras tarefas. O podcast Feminismo é luta de classe! foi viabilizado por meio de um financiamento coletivo com apoio de uma 164 pessoas! Agradeço especialmente a cada uma e cada um que colaborou com R$ 35 ou mais: Amanda Fernandes, María Agustina Comas, Alain Schraner, Alice Gabriela Santos Freire, Aline Nunes Kroth, Aline Moraes Alencar, Anna Mendes, Cecília Furtado, bergmab, Clara Campoli, Daniel Pereira Rocha, Elisa Rodrigues de Corta, Emily M Perrucho, Ericka Oliveira, Fernanda Roman, Fernanda Pinheiro, Gabriela Castro dos Anjos Nicolau, Giselle Batista Alves, Isadora Botchkarev, Isadora Cunha, João Luz, Juliana Salvador Ferraz Ferreira, Julia Menezes, Juliana Batista Andrade Silva, Leticia Alves da Silva, Carolina da Silva Pereira, Lorena Santos Ciriaco, Luana Chagas da Silva, Maíra Marques e Silva, Ariane Soares Rocha, Marcella Perin, Marla Castro Rodrigues, Viviane Mendes, Michelle Furtado Hirano, Mirela Cunha Veloso, Monalisa Gomyde, Greiciele de Morais, Priscilla Menezes, Renata Lauletta, Mariah Ronchi da Rosa, Samara Santos, Sonia Maria de O. Penido, Valéria Xavier, Marcia Veronica Assunção Ferrari, Luciana Weiler, Anne Rammi, Ariane Seixas, Barbara Waida Silveira, Daniela Ruano Carolina Brognaro, Cecilia Daniela Cândida da Silva Maio, Daniel Pereira Rocha, Débora Amoras Cavalcante, Erika Rabelo, Flávia Castilho Fogazzi, Fernanda de Lima, Fernanda Nunes Moya, Germana Pinheiro Câmara, Glaucia Ribeiro, Guilherme Eduardo Konopatzki Filho, Marcos Holanda, Horácio Reis, Hyezza Lavinia Lima Tavares, Juliana Brum Sommer, Juliana Lima, Julia Thyssen, Layla Lambiasi, Larissa de Sousa Duarte, Isabela Lazarotti, Leticia Santos Guilhon Albuquerque, Lucas Paim, Luciana Santos, Lycia Maria Regatieri, Patricia Urruzola, Ariane Soares Rocha, Marcela Dias, Mariana de Souza Waechter Bastos, Marian Gabani, Marina de Freitas Curak, Marina de Martino Roberto, Michelle Furtado Hirano, Camila Toshie Yumito, Mirelle AnnoL M, Natália Aquino de Freitas Tristão, Nay Macedo, Andressa Carolina Grolli, Patricia santos, Raquel Chamis, Sara Fernandes de Oliveira (Sou_Ser_Mulher), Talita Lima, Tamires Prol, thais diniz coelho de souza, Marcia Veronica Assunção Ferrari, Carla Carrara Goulart, Anita Garibaldi, Verônica Daminelli Fernandes, Juliana Batista Andrade Silva, Clarice Saadi, Fernanda Carreira, Eliane De Souza Figueiredo, Rafael Duckur, Ale Nahra, Carolina Costa de souza, Cecilia Suenaga Junqueira de Carvalho, Claudia Lommez de Oliveira, Elisa Prando, Suzane G. Frutuoso, Helena Kozlakowski, PatrícioIara Macedo Cunha, Moahra Fagundes Pereira, Raquel Sena, Ana HupferIsis, talita Marimon, thais diniz coelho de souza, Vanessa, Dantes Santos, Beatriz Kuntz, Antonio Ribeiro, Michele dos Santos Lima Caru SchultzAmanda de Sena SantosCamila Ferreira, Mirila Greicy Bittencourt Cunha, Ilana Tzirulnik, Nany Bilate, Rita de cassia Lopes, Ana calderaro, Paula Medeiros, Laura Madalosso, Luana Fernandes, Maria Stein, Caroline Santos, Milena souza, Aline Zagonel, Gustavo Campello, margareth sander, Raquel Medeiros, Tila Teixeira, Gisele Fidelis, Marina Dantas, Miguel R Baierle. Se você não apoiou o financiamento coletivo, mas deseja colaborar agora, apoie o lado b criando no botão abaixo. Você também pode colaborar, compartilhando o podcast nas redes e com pessoas amigas. Arte por: Luana Fernandes \ @artlua_studio This is a public episode. If you'd like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit marinacolerato.substack.com/subscribe

    EP1: Introdução

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