Olá!! Tudo bem?? Como vai você? Espero que bem e que nosso tema de hoje possa te ajudar a sentir-se ainda melhor com você mesma(o). Se você tem acompanhado nosso conteúdo, sabe que eu e a Janaina Mendes temos feito uma dobradinha aqui sobre um tema que é base fundamental para a sua saúde emocional: IDENTIDADE. No último texto dela, Jana nos mostrou como a rejeição é ardilosa em falsificar sua identidade. Hoje, vamos mais a fundo para compreender como essa falsificação se justifica através dos nossos sentimentos e, chega até, a determinar o quanto acreditamos que valemos. Aprofundar esse entendimento é fundamental para seu autoconhecimento, suas relações familiares, pessoais e até profissionais. E é ainda mais urgente se você é pai ou mãe, porque é exatamente este legado emocional que, sem perceber, você compartilha hoje. Se você ainda não faz parte do Clube, este é um bom momento para se juntar a nós. SENTIMENTOS NOS DEFINEM? Sentimentos são respostas verdadeiras à experiências pelas quais passamos. Contudo, se em nossa identidade há quebras causadas, por exemplo, pela rejeição, por traumas, por palavras que nos levaram a nos ver de forma equivocada sobre nós mesmos, naturalmente, estaremos à mercê de sentimentos distorcidos. E eles doem, mesmo quando empurrados para baixo do tapete. Lembro o dia que ficou claro meu problema com a rejeição. Estava em uma livraria e um livro me chamou atenção - A Raiz da Rejeição, de Joyce Meyer - e ao lê-lo me reconheci como alguém que estava sempre em busca de aprovação, que mesmo não tendo culpa de nada, se sentia culpada. Quando estamos embasados em percepções equivocadas, essas “raízes” crescem e geram outras pequenas raízes. Assim, a autora destaca: Aquilo em que você estiver enraizado determinará o fruto em sua vida. Se você estiver enraizado na rejeição, no abuso, na vergonha, na culpa ou em uma auto-imagem pobre, se estiver enraizado no pensamento “Há-algo-errado-comigo”!, então todos esses problemas começarão a se desenvolver em sua vida. Você começa a pensar: “Bem, o meu eu REAL não é aceitável, assim preciso produzir um FALSO eu”! Você pode realmente rejeitar-se porque alguém mais o rejeitou, e então se torna cheio de confusão e tormento interior. A sua “árvore” começa a carregar frutos ruins da depressão, do negativismo, da falta de autoconfiança, da ira, da hostilidade, do espírito controlador, da crítica, do melindre, do ódio e da autopiedade. Raízes determinam frutos! Frutos podres vêm de raízes podres... e frutos bons vêm de raízes boas. Se você está enraizado na aceitação e no amor, então desenvolverá boas coisas em sua vida; coisas como domínio próprio, mansidão, fidelidade, bondade, benignidade, paciência, paz, alegria e amor. Já alguém emocionalmente machucado, não conseguirá contextualizar o momento e tende a sentir-se ofendido ou rejeitado independente do que, de fato, tenha ocorrido. À medida que lia aquele livro, fui compreendendo melhor do que se tratava a tal da rejeição. Entre reconhecer que vivia imersa em uma sensação permanente de que havia algo errado em mim e compreender como sair desse lugar, levou tempo. No meu caso, a rejeição fazia parte do legado emocional que recebi dos meus pais. Os dois - pai e mãe - carregavam essa mesma dor e só pude compreendê-la em mim depois de encontrar sua verdadeira raiz. E o mais importante: quando desde muito cedo somos “educados” através desse tipo de visão errônea sobre quem somos, tendemos a acreditar que não há lugar para nós nesse mundo, porque rejeição rouba pertencimento. Sem pertencimento, não cabemos em lugar algum, ainda que aquele seja, de fato, o nosso lugar. E porque estamos falando de rejeição? Por que a rejeição e a desaprovação, tem poder para modificar nossa arquitetura emocional para toda a nossa vida. E a infância é o terreno mais fértil para escondê-la profundamente em nós. VALOR PESSOAL Como você define valor pessoal? Esta é uma percepção, realmente, muito pessoal. E diferente da autoestima, que tende a ser mais flutuante, o valor pessoal é intrínseco, está profundamente enraizado em nós. E é interessante perceber, que, na grande maioria das vezes, nem sequer verbalizamos ou temos uma definição pronta para isso. Contudo, sua percepção de valor pessoal influencia não somente a sua vida e a forma como você se vê, mas também alcança a forma como as pessoas te percebem. Ela também está profundamente conectada ao legado emocional que você carrega e repassa. Então, uma forma simples de você entender como enxerga seu valor, é começar refletindo sobre a seguinte pergunta: Você acredita que é amada(o) por quem você é, independente do que você faz ou do que os outros pensam sobre você? Quando alguém não consegue reconhecer ou validar seu valor pessoal, é como se coisas boas só fossem para os outros e não para ela. Não somente isso, mas também quando alguém se justifica muito ou tem a necessidade de exaltar seu valor para ser reconhecido, a base da quebra emocional é a mesma. Assim, não importa quão bem-sucedida, competente ou admirada essa pessoa seja, sem ter consciência do seu valor, ela se esforça para caber nos lugares que deseja pertencer, e, esse esforço parece nunca ser suficiente para dar conta dessa necessidade. DE ONDE VEM TUDO ISSO? A conexão entre sentimentos e percepção de valor, reconhece a rejeição como maior destruidor ativo de valor pessoal em nossa sociedade. E tudo isso tem como base nossas relações parentais. Ronald P. Rohner é professor emérito de Desenvolvimento Humano e Estudos Familiares e Antropologia na Universidade de Connecticut, nos EUA. É dele o estudo mais abrangente sobre rejeição parental já realizado no mundo. Ronald atua há quase 6 décadas, já tendo observado entre 200 a 300 mil pessoas ao longo desse tempo, em todos os continentes do mundo (exceto Antártica). E ele afirma: A dor da rejeição parental é universal, não é circunstancial, nem cultural. É humana. Em sua Teoria Interpessoal de Aceitação-Rejeição (IPARTheory), Ronald P. Rohner, ele re-afirma: “O amor dos pais é o fator mais importante na vida de uma criança”. É em casa onde aprendemos os fundamentos básicos sobre amor incondicional e aceitação, que gerarão a segurança e a confiança necessárias para a correta percepção do nosso valor pessoal, que permeará por toda a nossa vida. Isso é tão profundo e real, que na introdução à IPARTheory, Rohner destaca a seguinte informação: “Depois de estudar milhares de crianças e adultos em todos os principais grupos étnicos na América, bem como internacionalmente, fica claro que a necessidade das crianças de serem amadas pelos pais e outros cuidadores significativos é uma necessidade humana universal, provavelmente de base biológica. Quando as crianças não satisfazem essa necessidade adequadamente, elas tendem a responder da mesma maneira - sem levar em conta as diferenças de raça, gênero, etnia, idioma ou outras condições definidoras. Além disso, a pesquisa revela que os efeitos negativos às vezes associados a comportamentos parentais, como punição corporal e controle restritivo, são mais frequentemente devidos aos sentimentos de rejeição que esses comportamentos podem produzir nas crianças, mas não à punição ou ao controle em si.” Esse final me chama muita atenção, pois o que o autor afirma é: O que realmente machuca uma criança, no seu desenvolvimento psicológico/ emocional, não é a regra ou a punição em si, mas a forma como ela reconhece a rejeição, a falta, o amor ou a indiferença. Para qualquer um de nós, a rejeição, especialmente a parental, é o maior de todos os danos. Através dela, a baixa autoestima gera autoavaliação negativa. A insegurança emocional gera dificuldade em confiar nos outros. A hostilidade e a agressividade podem emergir como respostas defensivas. E atente: a rejeição faz com que problemas em relacionamentos e uma maior vulnerabilidade emocional se tornem parte da vida adulta. ME RECONHECI, E AGORA? O QUE POSSO FAZER? Recomeçar. Reconhecer é o primeiro passo. Quando descobri a rejeição e comecei a ter clareza de sua presença, precisei rever meu entendimento sobre mim e sobre o mundo ao meu redor. Gradualmente fui identificando os danos, aprendendo a lidar com eles, mas prioritariamente, aprendendo a não ter medo de ser quem eu sou. Creio que o desafio maior é reencontrar nossa essência e confiar em quem somos, sendo honestos e conscientes dos nossos erros e acertos, defeitos e qualidades. Conscientes que nosso valor é único, intransferível e que, podemos sim, recomeçar e reconstruir até mesmo o nosso sentir. POR ONDE COMEÇAR Consciente de tudo que apresentamos até aqui, que tal recomeçar respondendo novamente: Você acredita que é amada(o) por quem você é, independente do que você faz ou do que os outros pensam sobre você? Vá mais fundo: Você se sente amada(o) independente do que tem, do cargo que ocupa ou de quanto dinheiro há na sua conta bancária? Você se sente confortável em ser quem é? Você se aprova? Se sua resposta for não em pelo menos uma das perguntas acima, é hora de começar a questionar o que te faz sentir assim. Responda: Você sente que precisa agradar para se sentir pertencente? O que te faz sentir assim? Esse sentimento tem fundamento onde? Isso te leva à alguma dor, ressentimento ou dúvida sobre você? Informação precisa de ação para se tornar conhecimento prático. Lembre-se: o entendimento racional não mudará seus sentimentos de forma automática. Depois de reconhecer, busque compreender-se melhor. Leva tempo, requer vontade de mudança, e, como toda ferida, as vezes dói enquanto cicatriza. Autoconhecimento é fundamental nessa jornada. Saber identificar seus sentimento