Clube Orekare Podcast

Orekare

Clube de Desenvolvimento Emocional para Pais e Filhos. clubeorekare.substack.com

  1. 5d ago

    COMO FOI A ESCOLA HOJE?

    Todos os dias, a cena se repete em milhares de lares: A porta se abre, a mochila é deixada de lado e vem a pergunta quase automática: “Como foi a escola hoje?”. Na maioria das vezes, a resposta vem em uma frase curta: “Tudo bem”. Muitas vezes, para nós, pais, esse retorno costuma bastar para acalmar o coração. Se não há reclamações na agenda e as notas estão em dia, presumimos que tudo caminha bem. Afinal, fomos condicionados a acreditar que acompanhar a vida escolar dos nossos filhos consiste em inspecionar o dever de casa e os estudos, garantir o material em ordem e cobrar o desempenho nas provas. Mas sabemos que a vivência escolar é uma jornada ampla, que vai muito além de resultados e notas num boletim. A escola não é apenas o lugar onde nossos filhos aprendem disciplinas como matemática, línguas, história e ciências. É o palco onde eles testam seus limites, onde aprendem a lidar com a rejeição, com a amizade, com a frustração e com a própria identidade. Acompanhar a vida escolar dos nossos filhos é olhar para eles de verdade. Para uma criança ou um adolescente, o dia a dia na escola é uma jornada intensa de socialização. Enquanto os professores explicam a matéria em sala de aula, uma série de outros aprendizados silenciosos acontece nos corredores, no pátio e na hora do lanche. É preciso compreender que, muitas vezes, a maior dificuldade de um aluno não está na interpretação de um texto, mas na interpretação dos sinais sociais ao seu redor. A dinâmica dos grupos é um desses fatores essenciais. Como nossos filhos se sentem no recreio? Eles têm com quem sentar e conversar ou o momento do intervalo gera ansiedade? A sensação de pertencimento a um grupo é um dos pilares da autoestima nessa fase. Também há a relação com as próprias emoções. Como eles lidam quando erram uma resposta na frente de todos? Eles se sentem seguros para expressar suas dúvidas ou têm medo de parecer menos inteligentes que os colegas? E o que dizer sobre o ambiente físico e social? A escola é percebida por nossos filhos como um porto seguro ou como um território de constante avaliação e julgamento? Quando passamos a olhar para esses aspectos, percebemos que o desinteresse por uma matéria ou a queda repentina em uma nota nem sempre são dificuldades cognitivas ou de aprendizado. Muitas vezes, são reflexos de como estão se sentindo em relação aos colegas, aos professores ou a si mesmos. Para nos aproximarmos dos nossos filhos por meio desse universo, é importante transformar o diálogo diário. Se a pergunta tradicional só gera respostas monossilábicas, que tal mudar a abordagem? Que tal demonstrar interesse genuíno pela experiência humana deles, e não apenas por uma prestação de contas acadêmica? Olhar para a rotina escolar sob essa perspectiva nos convida a uma reflexão profunda sobre o nosso papel na formação dos nossos filhos. Por isso, é essencial mantermos um canal de diálogo sempre aberto. Quando estamos, de fato, próximos deles, as vivências escolares, das mais simples às mais complexas, se tornam momentos de conexão e oportunidades para ensinarmos valores importantes, como resiliência, respeito às diferenças, honestidade e empatia. Que possamos, como pais, assumir o lugar de parceiros nessa jornada de aprendizado que vai muito além da sala de aula! Gostou da reflexão? Fez sentido para você? Então, compartilhe com quem você acha que precisa ouvir essa mensagem. Se você tem dúvidas ou quer deixar seu comentário, queremos te ouvir! Se você entende a importância do nosso trabalho, apoie o Clube Orekare com uma assinatura paga. Junte-se a nós para que possamos levar consciência socioemocional para mais famílias! Obrigada e até a próxima! Get full access to Clube Orekare at clubeorekare.substack.com/subscribe

    5 min
  2. May 26

    ACEITAÇÃO X PERTENCIMENTO: QUANDO SER ACEITO CUSTA CARO DEMAIS

    Esta é a continuação da nossa jornada sobre identidade. Este é o nosso quarto artigo da série. Em cada um deles estamos aprofundando o entendimento sobre camadas que precisam ser melhores compreendidas sobre o tema. Se no primeiro texto a pergunta era “quem você acredita ser?”, no segundo vimos como a rejeição falsifica a identidade. No terceiro, fomos mais à fundo no entendimento sobre como a influência da rejeição nas nossas experiências emocionais é capaz de moldar o nosso valor pessoal. Agora, chegamos a uma camada ainda mais funda: Muitas pessoas não vivem como realmente são porque aprenderam que, para serem aceitas, precisam deixar de pertencer a si mesmas. VOCÊ JÁ SE PEGOU SENDO ALGUÉM QUE NÃO É, E SENDO APLAUDIDO EXATAMENTE POR ISSO? Existe um tipo de cansaço que não vem do excesso de trabalho, nem da falta de sono. Vem de passar anos administrando a impressão que você causa. Vem de operar na força de uma vigilância constante para garantir que o seu entorno aprove quem você é. Aos poucos, aprendemos a sobreviver através da adaptação. E, sem perceber, nasce uma versão socialmente aceitável de nós: educada, funcional, admirada. No entanto, ela pode ser profundamente distante da nossa identidade original — aquela essência autêntica e singular que deveríamos manifestar no mundo. Isso é aceitação baseada em performance. E ela cobra um preço alto demais. O problema real não é apenas que o mundo nos conduz à máscaras; o problema é quando começamos a acreditar que precisamos delas para continuar recebendo afeto e validação. Existe algo muito mais profundo, seguro e transformador do que a mera aceitação de um ambiente. Chama-se PERTENCIMENTO Enquanto a aceitação pergunta: “O que eu preciso fazer ou performar para ficar?” O pertencimento responde: “Você não precisa barganhar; você já é parte.” O PREÇO INVISÍVEL DA CULTURA DA PERFORMANCE A aceitação social quase sempre funciona como uma moeda de troca. Aprendemos rapidamente quais partes de quem somos são celebradas e quais causam desconforto; quais emoções precisam ser reprimidas e quais versões recebem aplausos. É aí que começa uma perigosa negociação interna. Por exemplo, para não parecer “demais”, reduzimos nossa intensidade — que, na verdade, é o nosso traço de originalidade. Silenciamos nossas dores para não incomodar e blindamos nossas vulnerabilidades por medo da rejeição ou da punição. Sem notar, nos tornamos emocionalmente editáveis. O ser humano até consegue suportar a pressão externa por um tempo, mas o que ele não consegue tolerar a longo prazo é o desgaste de viver desconectado de si mesmo. A performance pode até proteger nossos medos, temporariamente, mas o que começou como um mecanismo de sobrevivência rapidamente se transforma em uma prisão invisível. Ninguém foi feito para viver fingindo. CONEXÃO SEM MEDO: A BASE DA SEGURANÇA RELACIONAL Existe uma diferença gritante entre tentar se encaixar e realmente se conectar. Tentar se encaixar é uma resposta baseada no medo e no controle: você observa o ambiente e se molda para ser o que o outro espera. Já o pertencimento é baseado na autenticidade, que exige o oposto: a coragem de aparecer exatamente como se é. A aceitação exige adaptação constante as regras flutuantes. O pertencimento exige apenas a verdade. É por isso que tantas pessoas são amplamente admiradas, mas mantêm uma solidão profunda. Ser celebrado pela função que você exerce ou pela utilidade que você tem não significa ser conhecido no seu coração. Ser incluído não significa pertencer. O pertencimento real nasce da segurança relacional — a certeza de que a verdade e o afeto caminham juntos. As pessoas só conseguem ser honestas e transparentes onde o medo do abandono foi anulado. Uma das maiores crises atuais é que muitos aprenderam a gerenciar conexões através do controle e da performance, mas nunca aprenderam a descansar dentro de um vínculo seguro. A REJEIÇÃO E A NECESSIDADE DE APROVAÇÃO Você já reparou como algumas rejeições tocam lugares muito mais profundos do que deveriam? Um comentário frio, uma exclusão silenciosa ou uma sensação constante de inadequação têm o poder de alterar nossa percepção de mundo. Quando alguém vive sob a atmosfera da rejeição constante, ela começa a reorganizar sua própria identidade em torno da falta de segurança. A inadequação deixa de ser um momento ruim e passa a ser a lente pela qual ela enxerga a vida. É desse terreno fértil que surgem: A necessidade crônica de agradar e a busca por aprovação; A hipervigilância emocional (tentar prever o que o outro quer); O esgotamento mental nas relações. O efeito mais devastador desse ciclo é a crença de que precisamos conquistar o direito de sermos valiosos. Toda a vida se transforma em uma tentativa silenciosa de merecimento. Mas o valor humano não funciona como uma recompensa por bom desempenho. Você não tem valor porque acertou o alvo; você tem valor intrínseco pelo simples fato de existir. VÍNCULOS QUE NÃO COBRAM PEDÁGIO O desenvolvimento socioemocional saudável nos mostra uma lógica clara: o desenvolvimento real não começa no comportamento perfeito, começa na qualidade do vínculo. A identidade sempre precede a maturidade. Quando operamos na lógica de que precisamos merecer o afeto, entramos em falência emocional. A régua da performance nunca para de subir: o que foi suficiente ontem, deixa de ser amanhã. Tudo muda quando entendemos que o nosso valor é fixo e inegociável, independentemente da aprovação alheia. - O que também não deve ser compreendido como validação de condutas inapropriadas ou desrespeitosas - O pertencimento verdadeiro estabelece uma aliança segura que diz: “Eu não vou retirar o meu respeito ou o meu afeto se você falhar”. Essa segurança é o único solo fértil onde a mudança real e o amadurecimento acontecem. A lógica do crescimento saudável inverte a lógica do mercado: primeiro vem a conexão segura, depois vem o processo de desenvolvimento. O DESCANSO QUE A APROVAÇÃO NUNCA ALCANÇOU Há pessoas cercadas de troféus, cargos e elogios que continuam se sentindo vazias. Isso acontece porque a aprovação externa funciona como água salgada: quanto mais você consome, mais sede você tem. Da mesma forma, a aprovação funciona como um analgésico, mas não cura a raiz da rejeição. Só o pertencimento cura. Pertencer é ter o direito de descansar sem a obrigação de provar seu valor a cada segundo. É não viver a vida sob uma auditoria emocional constante. É saber que a sua vulnerabilidade não vai quebrar o vínculo com as pessoas que importam. Ambientes saudáveis não usam a punição, o silêncio ou a ameaça de afastamento como ferramentas de controle. Pelo contrário, é a estabilidade do vínculo que dá ao indivíduo a coragem necessária para crescer, assumir responsabilidades e se transformar. O descanso não é o prêmio para quem atingiu a perfeição; o descanso é o ponto de partida para se viver com clareza e autonomia. O FIM DOS ESCONDERIJOS Quando você desliga a sua performance… quem sobra? Talvez essa seja a pergunta mais desconfortável — e necessária — da atualidade. Durante muito tempo, a performance foi a sua armadura. Você aprendeu cedo a polir a sua imagem para evitar a dor da exclusão. Ajustou, editou e controlou tanto que, em algum momento, ficou difícil distinguir quem você realmente é de quem você aprendeu a ser para sobreviver. Mas existe uma liberdade extraordinária que começa quando percebemos que o respeito e a conexão real nunca exigiram a nossa exaustão. O pertencimento não espera que você apresente uma versão impecável. Ele cria o espaço seguro para que a sua versão real apareça e seja aprimorada. Afinal, maturidade emocional não é a ausência de falhas; é o fim dos esconderijos. Existe um lugar — em relações seguras, em lideranças saudáveis e dentro de você mesmo — onde a verdade não ameaça o afeto, onde a vulnerabilidade não é um perigo, mas sim um convite para a conexão real. O pertencimento verdadeiro não quer apenas acolher quem você é hoje; ele liberta a sua essência original, aquela que o medo ensinou você a esconder. A grande questão que fica para o nosso próximo passo não é mais sobre como ser mais aceito pelos outros. O convite de hoje é que você responda a uma pergunta fundamental: Você está disposto a abrir mão do controle das máscaras e começar a pertencer à sua própria verdade? Na próxima semana, eu volto para fecharmos a nossa série IDENTIDADE! Enquanto isso, não deixe de refletir sobre o que temos compartilhado em cada um dos nossos artigos sobre o tema. Se você não viu os anteriores, confira abaixo: * VOCÊ É QUEM ACREDITA SER? * VOCÊ NAO É UMA RÉPLICA - COMO A REJEIÇÃO FALSIFICOU SUA IDENTIDADE * O QUE SEUS SENTIMENTOS REVELAM SOBRE O SEU VALOR PESSOAL Se você está nos ouvindo no Spotify ou Youtube, confira nossa playlist. Se quiser receber nosso conteúdo direto na sua caixa postal, inscreva-se abaixo. Até o nosso próximo encontro! Get full access to Clube Orekare at clubeorekare.substack.com/subscribe

    11 min
  3. May 18

    O QUE SEUS SENTIMENTOS REVELAM SOBRE O SEU VALOR PESSOAL

    Olá!! Tudo bem?? Como vai você? Espero que bem e que nosso tema de hoje possa te ajudar a sentir-se ainda melhor com você mesma(o). Se você tem acompanhado nosso conteúdo, sabe que eu e a Janaina Mendes temos feito uma dobradinha aqui sobre um tema que é base fundamental para a sua saúde emocional: IDENTIDADE. No último texto dela, Jana nos mostrou como a rejeição é ardilosa em falsificar sua identidade. Hoje, vamos mais a fundo para compreender como essa falsificação se justifica através dos nossos sentimentos e, chega até, a determinar o quanto acreditamos que valemos. Aprofundar esse entendimento é fundamental para seu autoconhecimento, suas relações familiares, pessoais e até profissionais. E é ainda mais urgente se você é pai ou mãe, porque é exatamente este legado emocional que, sem perceber, você compartilha hoje. Se você ainda não faz parte do Clube, este é um bom momento para se juntar a nós. SENTIMENTOS NOS DEFINEM? Sentimentos são respostas verdadeiras à experiências pelas quais passamos. Contudo, se em nossa identidade há quebras causadas, por exemplo, pela rejeição, por traumas, por palavras que nos levaram a nos ver de forma equivocada sobre nós mesmos, naturalmente, estaremos à mercê de sentimentos distorcidos. E eles doem, mesmo quando empurrados para baixo do tapete. Lembro o dia que ficou claro meu problema com a rejeição. Estava em uma livraria e um livro me chamou atenção - A Raiz da Rejeição, de Joyce Meyer - e ao lê-lo me reconheci como alguém que estava sempre em busca de aprovação, que mesmo não tendo culpa de nada, se sentia culpada. Quando estamos embasados em percepções equivocadas, essas “raízes” crescem e geram outras pequenas raízes. Assim, a autora destaca: Aquilo em que você estiver enraizado determinará o fruto em sua vida. Se você estiver enraizado na rejeição, no abuso, na vergonha, na culpa ou em uma auto-imagem pobre, se estiver enraizado no pensamento “Há-algo-errado-comigo”!, então todos esses problemas começarão a se desenvolver em sua vida. Você começa a pensar: “Bem, o meu eu REAL não é aceitável, assim preciso produzir um FALSO eu”! Você pode realmente rejeitar-se porque alguém mais o rejeitou, e então se torna cheio de confusão e tormento interior. A sua “árvore” começa a carregar frutos ruins da depressão, do negativismo, da falta de autoconfiança, da ira, da hostilidade, do espírito controlador, da crítica, do melindre, do ódio e da autopiedade. Raízes determinam frutos! Frutos podres vêm de raízes podres... e frutos bons vêm de raízes boas. Se você está enraizado na aceitação e no amor, então desenvolverá boas coisas em sua vida; coisas como domínio próprio, mansidão, fidelidade, bondade, benignidade, paciência, paz, alegria e amor. Já alguém emocionalmente machucado, não conseguirá contextualizar o momento e tende a sentir-se ofendido ou rejeitado independente do que, de fato, tenha ocorrido. À medida que lia aquele livro, fui compreendendo melhor do que se tratava a tal da rejeição. Entre reconhecer que vivia imersa em uma sensação permanente de que havia algo errado em mim e compreender como sair desse lugar, levou tempo. No meu caso, a rejeição fazia parte do legado emocional que recebi dos meus pais. Os dois - pai e mãe - carregavam essa mesma dor e só pude compreendê-la em mim depois de encontrar sua verdadeira raiz. E o mais importante: quando desde muito cedo somos “educados” através desse tipo de visão errônea sobre quem somos, tendemos a acreditar que não há lugar para nós nesse mundo, porque rejeição rouba pertencimento. Sem pertencimento, não cabemos em lugar algum, ainda que aquele seja, de fato, o nosso lugar. E porque estamos falando de rejeição? Por que a rejeição e a desaprovação, tem poder para modificar nossa arquitetura emocional para toda a nossa vida. E a infância é o terreno mais fértil para escondê-la profundamente em nós. VALOR PESSOAL Como você define valor pessoal? Esta é uma percepção, realmente, muito pessoal. E diferente da autoestima, que tende a ser mais flutuante, o valor pessoal é intrínseco, está profundamente enraizado em nós. E é interessante perceber, que, na grande maioria das vezes, nem sequer verbalizamos ou temos uma definição pronta para isso. Contudo, sua percepção de valor pessoal influencia não somente a sua vida e a forma como você se vê, mas também alcança a forma como as pessoas te percebem. Ela também está profundamente conectada ao legado emocional que você carrega e repassa. Então, uma forma simples de você entender como enxerga seu valor, é começar refletindo sobre a seguinte pergunta: Você acredita que é amada(o) por quem você é, independente do que você faz ou do que os outros pensam sobre você? Quando alguém não consegue reconhecer ou validar seu valor pessoal, é como se coisas boas só fossem para os outros e não para ela. Não somente isso, mas também quando alguém se justifica muito ou tem a necessidade de exaltar seu valor para ser reconhecido, a base da quebra emocional é a mesma. Assim, não importa quão bem-sucedida, competente ou admirada essa pessoa seja, sem ter consciência do seu valor, ela se esforça para caber nos lugares que deseja pertencer, e, esse esforço parece nunca ser suficiente para dar conta dessa necessidade. DE ONDE VEM TUDO ISSO? A conexão entre sentimentos e percepção de valor, reconhece a rejeição como maior destruidor ativo de valor pessoal em nossa sociedade. E tudo isso tem como base nossas relações parentais. Ronald P. Rohner é professor emérito de Desenvolvimento Humano e Estudos Familiares e Antropologia na Universidade de Connecticut, nos EUA. É dele o estudo mais abrangente sobre rejeição parental já realizado no mundo. Ronald atua há quase 6 décadas, já tendo observado entre 200 a 300 mil pessoas ao longo desse tempo, em todos os continentes do mundo (exceto Antártica). E ele afirma: A dor da rejeição parental é universal, não é circunstancial, nem cultural. É humana. Em sua Teoria Interpessoal de Aceitação-Rejeição (IPARTheory), Ronald P. Rohner, ele re-afirma: “O amor dos pais é o fator mais importante na vida de uma criança”. É em casa onde aprendemos os fundamentos básicos sobre amor incondicional e aceitação, que gerarão a segurança e a confiança necessárias para a correta percepção do nosso valor pessoal, que permeará por toda a nossa vida. Isso é tão profundo e real, que na introdução à IPARTheory, Rohner destaca a seguinte informação: “Depois de estudar milhares de crianças e adultos em todos os principais grupos étnicos na América, bem como internacionalmente, fica claro que a necessidade das crianças de serem amadas pelos pais e outros cuidadores significativos é uma necessidade humana universal, provavelmente de base biológica. Quando as crianças não satisfazem essa necessidade adequadamente, elas tendem a responder da mesma maneira - sem levar em conta as diferenças de raça, gênero, etnia, idioma ou outras condições definidoras. Além disso, a pesquisa revela que os efeitos negativos às vezes associados a comportamentos parentais, como punição corporal e controle restritivo, são mais frequentemente devidos aos sentimentos de rejeição que esses comportamentos podem produzir nas crianças, mas não à punição ou ao controle em si.” Esse final me chama muita atenção, pois o que o autor afirma é: O que realmente machuca uma criança, no seu desenvolvimento psicológico/ emocional, não é a regra ou a punição em si, mas a forma como ela reconhece a rejeição, a falta, o amor ou a indiferença. Para qualquer um de nós, a rejeição, especialmente a parental, é o maior de todos os danos. Através dela, a baixa autoestima gera autoavaliação negativa. A insegurança emocional gera dificuldade em confiar nos outros. A hostilidade e a agressividade podem emergir como respostas defensivas. E atente: a rejeição faz com que problemas em relacionamentos e uma maior vulnerabilidade emocional se tornem parte da vida adulta. ME RECONHECI, E AGORA? O QUE POSSO FAZER? Recomeçar. Reconhecer é o primeiro passo. Quando descobri a rejeição e comecei a ter clareza de sua presença, precisei rever meu entendimento sobre mim e sobre o mundo ao meu redor. Gradualmente fui identificando os danos, aprendendo a lidar com eles, mas prioritariamente, aprendendo a não ter medo de ser quem eu sou. Creio que o desafio maior é reencontrar nossa essência e confiar em quem somos, sendo honestos e conscientes dos nossos erros e acertos, defeitos e qualidades. Conscientes que nosso valor é único, intransferível e que, podemos sim, recomeçar e reconstruir até mesmo o nosso sentir. POR ONDE COMEÇAR Consciente de tudo que apresentamos até aqui, que tal recomeçar respondendo novamente: Você acredita que é amada(o) por quem você é, independente do que você faz ou do que os outros pensam sobre você? Vá mais fundo: Você se sente amada(o) independente do que tem, do cargo que ocupa ou de quanto dinheiro há na sua conta bancária? Você se sente confortável em ser quem é? Você se aprova? Se sua resposta for não em pelo menos uma das perguntas acima, é hora de começar a questionar o que te faz sentir assim. Responda: Você sente que precisa agradar para se sentir pertencente? O que te faz sentir assim? Esse sentimento tem fundamento onde? Isso te leva à alguma dor, ressentimento ou dúvida sobre você? Informação precisa de ação para se tornar conhecimento prático. Lembre-se: o entendimento racional não mudará seus sentimentos de forma automática. Depois de reconhecer, busque compreender-se melhor. Leva tempo, requer vontade de mudança, e, como toda ferida, as vezes dói enquanto cicatriza. Autoconhecimento é fundamental nessa jornada. Saber identificar seus sentimento

    19 min
  4. May 7

    A FORÇA DA HUMILDADE

    Será que nós, como sociedade, valorizamos as pessoas humildes? Vivemos em uma era que parece nos empurrar, o tempo todo, na direção oposta à humildade. Desde cedo, as crianças são incentivadas a mostrar seus talentos, a destacar suas competências e a celebrar cada pequena conquista. Não há nada de errado em valorizar nossas habilidades — pelo contrário, a autoestima é fundamental. Porém, um desafio para nós, pais e mães, é ensinar que o nosso brilho não precisa, e nem deve, ofuscar o brilho do outro. E vai além disso: não é preciso estar em evidência e se destacar para ser digno de respeito. Ensinar humildade hoje é um ato de resistência e também um presente para o futuro dos nossos filhos. Ser humilde não significa se sentir inferior ou desvalorizar os próprios atributos. É sobre ter a consciência profunda de quem somos e, ao mesmo tempo, saber que todos estamos em processo de desenvolvimento, cada um à sua maneira e no seu tempo. É sobre compreender que podemos e devemos nos ajudar e respeitar mutuamente. Quando uma criança aprende que ela não é “melhor” do que um amigo, mas apenas “diferente” em suas habilidades, ela se liberta do peso da competição constante e abre espaço para a colaboração. Vamos pensar num cenário. O filho é, por exemplo, excelente em matemática e um colega de classe, não. Mas esse colega, por sua vez, é ótimo em artes, diferente do seu filho. Por que não celebrar as conquistas sem se comparar, sem diminuir o colega, independentemente dos resultados que tiverem? A humildade gera uma sociedade mais justa porque remove a necessidade de “ganhar” do outro para se sentir bem consigo mesmo. Ficar feliz pelo próprio sucesso e pelo sucesso do outro é libertador. Podemos estimular essa virtude em nossos filhos quando elogiamos o esforço e não apenas o resultado. Em vez de dizer “Você é o melhor da turma, filho, parabéns!”, que tal falar: “Eu vi o quanto você se dedicou para aprender essa matéria e fico feliz que você tenha conseguido”. Quando focamos no processo do aprendizado, a criança entende que o valor está na evolução pessoal, e não em estar acima de alguém. Quando envolvemos nossos filhos em tarefas que ajudam outras pessoas, sem esperar nada em troca e, principalmente, sem “contar vantagem” sobre isso, também damos o exemplo. Pode ser organizar brinquedos para doação ou ajudar um vizinho idoso. Isso ensina que nossas competências servem para o bem comum, e não apenas para o nosso ego. Nós, pais e mães, não somos infalíveis, e admitir isso pros nossos filhos também é uma lição de humildade que podemos dar. Quando errarmos, falharmos em pequenas coisas que sejam, devemos pedir desculpas, seja para quem for. Assim, mostramos que também estamos em desenvolvimento e que aprender com os erros é parte da jornada. Outra coisa que podemos fazer é ensinar nossos filhos a ouvir o que o outro tem a dizer com interesse real. A humildade intelectual, ou seja, saber que não somos donos da verdade e que sempre podemos aprender com quem pensa diferente, começa na mesa do jantar, ouvindo uma história do irmão ou do amigo. Um dos maiores benefícios de criar filhos humildes é o impacto direto na redução de casos de bullying. Uma criança humilde não sente necessidade de diminuir o outro para se sentir poderosa. Ela reconhece a dignidade do colega, independentemente da posição social, das notas, da aparência ou do que quer que seja. Ao ensinarmos que a vida não é uma arena de competição, mas um campo de cooperação, ajudamos a criar uma consciência coletiva mais resiliente. E a resiliência caminha de mãos dadas com a humildade: quem é humilde aceita que falhar faz parte do aprendizado e não se sente humilhado pelo desafio, mas motivado a buscar ajuda e a avançar. Como pais, um dos nossos maiores desejos é que nossos filhos ocupem bons lugares no mundo. Mas a posição que eles ocuparem será muito mais sólida se for construída sobre o alicerce do respeito mútuo. Não podemos nos esquecer que ensinar humildade é ensinar que todos somos importantes. É mostrar que, ao colocarmos nossas conquistas a serviço dos outros, nos tornamos pessoas mais completas. No fim das contas, a humildade é o que nos torna verdadeiramente humanos e capazes de viver em harmonia em uma sociedade que precisa tanto de empatia e colaboração. Gostou da reflexão? Fez sentido para você? Então, compartilhe com quem você acha que precisa ouvir essa mensagem. Se você tem dúvidas ou quer deixar seu comentário, queremos te ouvir! Se você entende a importância do nosso trabalho, apoie o Clube Orekare com uma assinatura paga. Junte-se a nós para que possamos levar consciência socioemocional para mais famílias! Obrigada e até a próxima! Get full access to Clube Orekare at clubeorekare.substack.com/subscribe

    6 min
  5. Apr 28

    VOCÊ NAO É UMA RÉPLICA - COMO A REJEIÇÃO FALSIFICOU SUA IDENTIDADE

    Introdução de Zarhi El Malek Olá! Estamos de volta em ritmo de podcast. Agora em abril, conversando com a Janaína sobre temas para compartilhar com vocês, compreendemos a urgência de falar com pais e mães sobre como necessitamos dar a devida atenção à nossa IDENTIDADE! É bem verdade que já temos inserido esse tema no nosso conteúdo. Você vai encontrá-lo, por exemplo, na semana passada, quando publicamos o artigo “Você é quem acredita ser?” . E, antes disso, também presente quando lançamos a série sobre legado emocional, que está disponível - por tempo limitado - tanto aqui no Substack quanto no Spotify e no Youtube. A diferença agora é queremos fazer uma viagem inversa. Vamos mergulhar na raiz da questão e mostrar as várias camadas que o tema IDENTIDADE esconde: Pais e mães com identidades fragmentadas, ofendidas ou perdidas, sofrem e causam danos emocionais que permeiam gerações. Hoje, Janaína apresenta um episódio que fala profunda e especialmente, com mulheres. Mais de 90% do nosso público é feminino. E é quem está duplamente atento às questões emocionais familiares. Como muita gente confunde autenticidade com identidade, Janaina trás uma reflexão importante à respeito. Particularmente, espero que fale ao seu coração e alcance sua razão. Minha sugestão? Se você leu até aqui, ouça a Janaina e depois, aproveite para refletir sobre os pontos abaixo. Obrigada por seguir conosco nessa jornada! Conhecimento aplicado gera cura cura emocional e familiar. Acredite e exercite! Com amor, Zarhi El Malek AUTENTICIDADE Você foi criada com numeração única. Existe uma teologia do ser humano — herdada tanto da tradição cristã quanto da judaica — que afirma algo radical: cada pessoa foi concebida com uma essência que não pode ser duplicada. Não há outro conjunto de dons, perspectivas, experiências e chamado que seja idêntico ao seu. VOCÊ É UMA EDIÇÃO DE UM! Isso não é linguagem de autoajuda. É uma afirmação ontológica: a sua singularidade não é algo que você conquista, é algo que você recebe. Sua tarefa é descobrir essa singularidade, não construir. A autenticidade não é "ser como você nasceu sem nenhum trabalho interior". É a convergência entre o que você foi criada para ser e o trabalho consciente de remover tudo que foi colado sobre você por medo, expectativa alheia e feridas não curadas. Se você chegou até aqui, não foi por acidente. Há algo em você que reconheceu a si mesma nesse episódio — seja na descrição dos muros de proteção, seja no cansaço de ser cópia, seja no desejo de finalmente habitar a sua própria vida sem pedir desculpas por isso. Reconhecer é o primeiro passo. Mas, reconhecimento sem movimento é apenas consciência de prisão, não é liberdade. A liberdade exige uma decisão. Não uma decisão imediatamente perfeita. Não uma decisão sem medo. Não uma decisão feita numa versão futura de você que já resolveu tudo. Uma decisão feita hoje, agora. Com, exatamente, o que você tem. A decisão de parar de viver como réplica. AUTOGOVERNO: A DISCIPLINA POR TRÁS DA LIBERDADE Viver fora da caixa com elegância não é espontaneidade, é disciplina. É o resultado de um trabalho interior consistente que inclui: * A disposição de olhar para as suas feridas sem se tornar a narrativa da ferida. * A coragem de fazer perguntas desconfortáveis sobre seus próprios padrões. * A prática de nomear suas emoções com precisão — emoções nomeadas perdem 50% do poder de sequestro que têm quando são apenas sensações sem nome. * A decisão, tomada repetidamente, de agir a partir de valores e não a partir do medo. A mudança mais profunda é silenciosa. Ela aparece na qualidade da sua presença numa reunião. Na forma como você recusa algo que não está alinhado com quem você é. Na leveza com que você ocupa um espaço que antes te intimidava. No próximo episódio, nós vamos mais à fundo no tema identidade. Para não perder a nossa próxima edição, clique no botão abaixo, assine o Clube Orekare e receba todo o nosso conteúdo diretamente no seu email. Até lá! Get full access to Clube Orekare at clubeorekare.substack.com/subscribe

    9 min
  6. Apr 23

    DOR E APRENDIZADO

    Momentos de dor e dificuldade são inevitáveis. Todos nós vamos passar por eles, e não sabemos ao certo quando vão acontecer. Se como adultos e pais, muitas vezes, não é fácil, imagina para crianças e adolescentes. Essas situações podem parecer especialmente desafiadoras para os nossos filhos, porque eles ainda estão aprendendo a lidar com a complexidade das emoções. Como pais e mães, é natural o nosso desejo de proteger nossos filhos de qualquer sofrimento. Mas há situações que não vamos poder evitar, e é essencial ajudá-los a enxergar a dor como uma parte do crescimento e um processo de aprendizado. Transformar esses momentos difíceis em oportunidades de fortalecimento emocional é uma forma de cuidado que nós, pais e mães, podemos oferecer para eles. E isso vai contribuir para o desenvolvimento de habilidades importantes, como resiliência, perseverança e autocontrole. Os desafios surgem, na maioria das vezes, de maneira inesperada. Quem nunca foi pego de surpresa por uma notícia ruim que causou um sofrimento instantâneo? O primeiro passo para lidar com esses momentos é aceitar a dor que eles trazem. Seja uma frustração na escola, a perda de uma amizade, uma derrota no esporte ou mesmo questões mais profundas, é essencial ajudar os nossos filhos a compreender que sentir dor é normal, é legítimo, faz parte. Encorajar as crianças e adolescentes a falar sobre os sentimentos, em vez de reprimi-los, é fundamental para que eles aprendam que emoções difíceis fazem parte da vida e que, com o tempo, elas podem ser compreendidas e superadas. Falar frases como “Não chora” ou “Isso não é nada” parecem um jeito de acalmar nossos filhos, mas podem transmitir uma mensagem equivocada de que sentimentos devem ser ignorados ou escondidos. Já quando dizemos: “Eu entendo que isso está doendo” ou “É difícil passar por isso, mas estou aqui com você”, nós demonstramos empatia e apoio, e isso faz toda a diferença. Então, depois de acolher a dor e validar os sentimentos dos nossos filhos, o próximo passo é ajudá-los a encontrar maneiras de seguir em frente. Como pais e mães, é nosso papel mostrar que, apesar dos momentos desafiadores, é possível continuar e crescer com o aprendizado que ficou. E isso vale para todos da família! Devemos vivenciar, dar o exemplo e explicar a eles que todas as vidas são marcadas por altos e baixos, e que até esses momentos mais difíceis trazem aprendizados importantes. Uma frustração pode ensinar paciência e superação; um erro pode despertar responsabilidade; uma perda pode trazer empatia e compreensão. Ao reconhecer esses ensinamentos, apesar da dor, os nossos filhos começam a entender que enfrentar e superar desafios vai torná-los mais fortes, mais bem preparados e confiantes diante das adversidades da vida, que inevitavelmente vão surgir uma hora ou outra. Nesse processo de aprendizado, o papel da família é fundamental. Um ambiente acolhedor e solidário dá à criança ou adolescente a segurança necessária para enfrentar qualquer dificuldade. Famílias que permanecem unidas nos momentos difíceis reforçam o sentimento de pertencimento e mostram que ninguém precisa lidar com a dor sozinho. Além disso, ao mesmo tempo em que ajudamos nossos filhos a enfrentar desafios e a lidar com emoções difíceis, nós, pais e mães, também devemos buscar cuidar de nós mesmos. E não é fácil fazer isso. É preciso dedicação e disponibilidade, e acima de tudo resiliência. É sobre errar e aprender com os próprios erros. Cada vivência é um aprendizado para nós também. É muito gratificante quando conseguimos demonstrar maturidade emocional e calma em situações complicadas. Mas mesmo quando nós, pais e mães, passamos por um momento de descontrole inicial frente a um momento de dor, nós podemos mostrar aos nossos filhos que somos capazes de nos esforçar e de chegar a um lugar de equilíbrio. Assim, nós ensinamos pelo exemplo a importância do autocontrole e da perseverança. Quando mostramos, na prática, que, mesmo com dificuldades, é possível se reerguer e continuar, nós encorajamos os nossos filhos a acreditar na sua própria força e na sua capacidade de superação. Nossa decisão diária de estar presentes, ouvir com atenção e acolher sem pressa e sem julgamentos tem um impacto nesse processo. Mostrar aos nossos filhos que a dor, ainda que inevitável, não é maior do que a capacidade de superação que eles carregam dentro deles é um dos maiores legados emocionais que nós podemos deixar. Precisamos sim, estar engajados nesse processo, como família. Precisamos estar atentos para aprender a lidar com cada dificuldade que venha a surgir. Porque nessas horas desafiadoras e de dor, a união familiar – pais, mães e filhos juntos – é o que faz a diferença e o que gera o encorajamento necessário para que crianças e adolescentes cresçam mais fortes e confiantes. Gostou da reflexão? Fez sentido para você? Então, compartilhe com quem você acha que precisa ouvir essa mensagem. Se você tem dúvidas ou quer deixar seu comentário, queremos te ouvir! Se você entende a importância do nosso trabalho, apoie o Clube Orekare com uma assinatura paga. Junte-se a nós para que possamos levar consciência socioemocional para mais famílias! Obrigada e até a próxima! Get full access to Clube Orekare at clubeorekare.substack.com/subscribe

    7 min
  7. Apr 18

    VOCÊ É QUEM ACREDITA SER?

    Olá! Como vai você? Tudo bem? Espero que sim! Tanto que mais uma vez aqui estou para te convidar a ir mais à fundo nessa compreensão sobre como anda a vida do lado de dentro do seu ser. Autoconhecimento e autopercepção são irmãos quase gêmeos, quaseeeeeee…… porque cada um tem sua própria função quando falamos de inteligência emocional. A autopercepção é como olhar no espelho, eu facilmente posso me ver. Creio que percebo meus sentimentos, expresso meus valores, comunico o que penso, defendo meu ponto de vista, sei no que sou bom ou falho, me aprovo ou desaprovo…. e quando desaprovo mudo a partir do que acredito ser necessário. Autoconhecimento é algo mais profundo. Com ele, posso ir além da minha percepção ao espelho. Aprendo a olhar o que ninguém vê contemplando o aparente. Com ele, acesso o porque sinto e como sinto. Descubro as raízes dos meus pensamentos, se eles são bem fundamentados e, ainda mais importante, onde está baseada a minha identidade. Dito isso, a pergunta de hoje é: Será que sou quem me acostumei ver através do espelho? Será que sou quem as pessoas veem ao me olhar, sem terem a menor noção do preço que pago, das dúvidas que tenho, da insegurança que carrego… que me confundem sobre o meu próprio valor e cobram seu preço sobre como me vejo? ENXERGO REALMENTE QUEM SOU AO ME OLHAR NO ESPELHO? A imensa maioria de nós, precisa compreender a diferença entre percepção e conhecimento próprio. A imensa maioria, também precisa querer, verdadeiramente, encontrar-se consigo mesma. Generalizo pois poucos, realmente, querem se conhecer em profundidade. Seguindo essa lógica, temos muitas pessoas passando por cima de si mesmas e atuando em modo sobrevivência para lidar com suas questões mais profundas e desafiadoras. Meio que a gente, com a melhor das intenções, ao ir seguindo nesse ritmo, se perde, se acha… se perde, se acha de novo… se acomoda como dá e a vida vai passando enquanto isso. PENSAMENTOS E EMOÇÕES Na década de 50, Aaron Beck era um psiquiatra americano que trabalhava na Universidade da Pensilvania. Ao tratar pacientes de depressão, percebeu que muitos deles tinham pensamentos negativos recorrentes. Ainda que a medicação utilizada fosse eficiente quanto aos sintomas apresentados, à medida que eles continuavam a pensar negativamente sobre si, continuavam a ter dificuldades em lidar com suas emoções. Partindo desse princípio, Aaron Beck desenvolveu a Terapia Cognitivo Comportamental e passou a nos ensinar como reconhecer e entender o processo cognitivo é parte fundamental da nossa saúde emocional. Carl Rogers, outro nome de enorme influencia na psicologia, afirmava que as pessoas tem em si mesmas a capacidade de descobrir o que as torna infelizes e realizar mudanças eficientes a seu próprio respeito. Enquanto isso, agora, em 2026, quando me deparo com o conceito de autoaceitação utilizado em redes sociais e veículos de comunicação, é fácil ver como as pessoas tem sérias dificuldades em compreender que “se tenho uma visão equivocada de mim mesma, me autoaceitar, na verdade, é me compreender melhor, reencontrar minha essência e descobrir como reconhecer isso é libertador”. Sem esse entendimento correto, tendemos a continuar confundindo autopercepção com autoconhecimento. Como bem nos provou Aaron Beck, pensamentos distorcidos moldam como nos vemos, como reagimos e, consequentemente, como nos relacionamos. Sem entendermos onde estão fundamentados os nossos pensamentos a nosso próprio respeito, tendemos a acreditar que emoções, sensações, contextos e narrativas definam quem somos. E isso afeta diretamente a nossa saúde emocional, influenciado fortemente nossa satisfação e percepção de felicidade. COMO PODEMOS NOS RECONHECER Como podemos reconhecer quem somos de verdade? Ou, porque, algumas coisas que não sabemos nem nominar nos incomodam tanto? Nosso comportamento recorrente reflete mais sobre quem somos, do que nossa própria autoimagem nos conta. Pense um pouco e responda: Que padrão comportamental você repete mesmo sem querer? Como esse padrão comportamental tem afetado suas relações pessoais e profissionais? Essas são perguntas incômodas, mas que nos ajudam a mapear questões emocionais que nos afetam e que também influenciarão todos os nossos relacionamentos. Para entender isso melhor, uma outra forma prática de reconhecermos quem somos é perceber o que nos afeta e como reagimos ao desconforto. Observe: O que te irrita? Especialmente em casa, seu ambiente mais íntimo. Normalmente, quando nos irritamos de forma desproporcional ou com pequenas coisas que não fazem muito sentido, isso tende a demonstrar que valores ou feridas estão sendo cutucados e nos fazem entrar em modo de defesa. O que te faz sentir ameaçado(a) dentro da sua própria casa? Quando algo nos atinge nesse nível e nos faz acionar o nosso modo de defesa, que inseguranças reais isso nos revela? O que você evita? Conversas, encontros, decisões e posicionamentos que evitamos ou adiamos, geralmente refletem incômodos não resolvidos que nos afetam diretamente. Se nos afetam, precisamos resolver essas pendências emocionais para o nosso próprio bem. Ao considerar essas perguntas, caso se reconheça nelas, consegue perceber algum padrão comportamental que se repete? Se sim, continue e responda para si mesmo: Consigo definir, nominar, o que sinto diante dessas situações? Minhas reações acontecem de forma automática? O que isso me revela sobre meus pensamentos nesses momentos? O que faço e como me sinto em seguida? São respostas bem pessoais. Ao refletir e respondê-las com apuro e honestidade, você já esta se autoconhecendo melhor. DÁ PARA SER FELIZ SEM SABER, DE FATO, QUEM SE É E SEM VENCER NOSSAS DORES MAIS PROFUNDAS? Quando temos medo das respostas que podemos encontrar ao nos olhar além do espelho, tendemos a multiplicar um legado emocional machucado, corrompido, e, que será levado adiante ainda que a gente nem perceba. Pois, à medida que vamos sobrevivendo as nossas dores e traumas - e todos nós já vivemos algum tipo de experiência que deixou marcas e feridas abertas - vamos aceitando que a vida é assim mesmo, que felicidade é algo que podemos adquirir, quando na verdade, não há dinheiro, nem fama, nem sucesso no mundo que possam curar nossas feridas ou insatisfações profundas. QUEM É VOCÊ? Como podemos perceber, quando alguém não se autoconhece, tende a manter dores escondidas e narrativas convincentes que dominam suas emoções e limitam sua autopercepção. Então, atenção! Emoções não definem identidade. Emoções expressam sentimentos. Sentimentos podem esconder dores, que, até mesmo diante de uma simples discordância, geram desde sensações de insegurança até reações descabidas que demonstram claramente o que chamamos de instabilidade emocional. E é comum acreditarmos que instabilidade emocional é algo mais absurdo do que realmente é. Na prática, sabe aquele “temperamento difícil” que afeta a todos e deixa o clima tenso em casa? Aquele que acontece de forma repetitiva, gerando tensões e conflitos constantes já é um alerta que merece nossa atenção. Tenha em mente que emoções desreguladas geram reações exageradas. Reações exageradas não podem ser ignoradas. Este é um dos problemas que mais afetam relações familiares no mundo, porque a instabilidade emocional de um afeta diretamente os sentimentos e a forma como o outro se vê e se percebe. Quando uma pessoa vive em instabilidade emocional, ela desregula o ambiente fazendo com que todos à sua volta possam a ser afetados. EU, VOCÊ E TODO MUNDO Saber reconhecer quem somos é um desafio para todos nós. Nosso cérebro tende a editar a forma como nos vemos para sermos de acordo com o contexto, a realidade ou o ambiente que desejamos ser parte. Em tempos onde consumimos conteúdos que nos levam a um comparativo de sucesso constante com a vida do outro, ainda que não percebamos, para boa parte da sociedade está cada vez mais difícil ser feliz quando a ostentação da aparente felicidade alheia está diariamente batendo à porta. Portanto, sem investirmos em autoconhecimento será difícil reconhecermos quem somos. Sem termos clareza da nossa identidade, não reconheceremos nossas necessidades mais profundas, nem compreenderemos a influência das narrativas que tem causado enormes danos à nossa saúde emocional e das nossas famílias. Sem adultos emocionalmente saudáveis e felizes em serem quem são, não há como termos crianças e adolescentes saudáveis e conscientes dos seus reais valores. POR FIM, Esse é um assunto muito sério e essa news tem como propósito ajudar você a cuidar bem da sua saúde emocional e multiplicá-la para sua família e entorno. Se você gostou dessa news e entende a importância do nosso trabalho, clique abaixo e inscreva-se no Clube. Você pode escolher uma assinatura gratuita ou nos apoiar com uma assinatura paga. Para crescermos e ampliarmos o alcance dessa mensagem, buscamos pessoas e/ou empresas que desejem, assim como nós, mostrar ao mundo que precisamos investir na saúde emocional familiar para transformarmos positivamente a realidade social que vivemos. Se você é essa pessoa ou empresa, envie uma mensagem com a palavra APOIO e entraremos em contato. Você também pode nos ajudar a fazer esse conteúdo alcançar o maior número possível de pessoas. Curta, comente, compartilhe, isso vale para todos os algorítimos que conduzem essa entrega. Essas pequenas ações impulsionarão nossa mensagem. Este post é público e seu compartilhamento é gratuito. 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    14 min
  8. Apr 10

    NO LUGAR DO OUTRO

    Diariamente nos deparamos com notícias que nos fazem questionar: onde foi parar o respeito pelo outro? São casos de intolerância, conflitos por motivos pequenos e, muitas vezes, a completa falta de empatia e gentileza. Situações assim, infelizmente, estão cada vez mais presentes no nosso dia a dia. Essa realidade é preocupante, especialmente para nós, pais e mães, que desejamos criar filhos capazes de construir um mundo mais humano, mais justo e acolhedor. Então, eu te convido a refletir. O que nós, de fato, podemos fazer para ajudar as próximas gerações a seguir um caminho diferente? Um conceito básico, que infelizmente está esquecido por muitos, precisa ser ensinado novamente, em especial às crianças e adolescentes. Nossos filhos precisam aprender, desde cedo, a importância de “fazer com o outro o que gostaríamos que fizessem conosco”. É um conceito simples e muito profundo, que gera impactos grandes na nossa sociedade. Mas, não adianta apenas falarmos sobre isso, é nosso papel dar o exemplo e preparar nossos filhos para que eles sejam agentes de mudança no mundo. Então, não adianta dizermos para eles serem gentis, educados e respeitosos se, nas pequenas coisas do dia a dia, nós nos comportamos de forma diferente. Não estou aqui falando para sermos perfeitos, não é sobre isso. Mas é sobre vivermos sem esquecer esse ensinamento, mesmo quando estamos com raiva, cansados, tristes, não importa. Então devemos nos perguntar e responder: “Como eu gostaria de ser tratado?” “Dessa forma! Então assim eu também vou tratar o outro.” Os nossos filhos prestam mais atenção nas nossas atitudes do que nas nossas palavras. Eles observam como falamos, por exemplo, com os funcionários do supermercado, como reagimos a um erro num pedido que fazemos no restaurante, ou como tratamos nossos colegas de trabalho e até familiares e amigos. Cada uma dessas situações é uma lição prática que pode ensinar diariamente respeito, cuidado e empatia. Nós, pais e mães, devemos também abrir espaço para conversas e reflexões que ajudem as crianças a compreender os sentimentos das outras pessoas e a se tornarem mais conscientes das suas ações. Nesse espaço de confiança, em família, muitas lições podem ser ensinadas com amor. Quando seu filho briga, por exemplo, com um colega ou um irmão, que tal perguntar como ele acha que o outro se sentiu e como ele gostaria de ser tratado naquela situação. Essa conversa não precisa acontecer de forma dura ou acusadora. Ela pode ser leve e acolhedora, ajudando a criança a se enxergar no lugar do outro e a compreender, sem medo, o impacto das atitudes dela. Isso também vale para os momentos em que os nossos filhos acertam, não apenas quando eles erram. Reconhecer comportamentos positivos, como ajudar um amigo ou compartilhar algo que é importante para eles, ajuda a fortalecer essas ações e incentiva que elas sejam repetidas. “Você viu como seu amigo ficou feliz quando você ajudou? Isso faz muita diferença pra ele, filho.” Comentários como esses, por exemplo, podem ajudar seu filho a perceber que ser gentil e atencioso também deixa o outro mais feliz. Essa compreensão é muito importante. Oportunidades não vão faltar para que possamos reforçar esses conceitos para os nossos filhos, precisamos estar atentos. Quando uma criança precisa dividir um brinquedo, resolver um conflito na escola ou até mesmo quando lemos um livro ou assistimos um filme juntos, todos esses momentos são oportunidades. Mesmo que pareça óbvio para nós, para as crianças, é importante que o ensinamento seja repetido e praticado várias vezes. Quando decidimos ensinar nossos filhos a fazerem com os outros o que gostariam que fizessem com eles, nós contribuímos para que eles desenvolvam relacionamentos mais humanos, mais saudáveis e construtivos. Quando eles internalizam esse princípio, desde cedo, eles se tornam mais bem preparados para lidar com os desafios da convivência, entendendo que respeito, gentileza e cuidado não são apenas obrigações, mas são escolhas que beneficiam a todos. E, sim, esse é um processo constante de aprendizado, tanto para eles quanto para nós. Enquanto ensinamos os nossos filhos, muitas vezes, vamos ser obrigados a avaliar nossas próprias ações, e a refletir sobre o que nós estamos transmitindo e como podemos melhorar. Não é fácil, mas, com certeza, é gratificante. Saber que o nosso esforço, em amor e dedicação, vai contribuir diretamente para que nossos filhos sejam a melhor expressão possível de respeito e empatia por onde quer que eles passem. Gostou da reflexão? Fez sentido para você? Então, compartilhe com quem você acha que precisa ouvir essa mensagem. Se você tem dúvidas ou quer deixar seu comentário, queremos te ouvir! Se você entende a importância do nosso trabalho, apoie o Clube Orekare com uma assinatura paga. Junte-se a nós para que possamos levar consciência socioemocional para mais famílias! Até a próxima! Obrigada! Get full access to Clube Orekare at clubeorekare.substack.com/subscribe

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