Conexões Afro-Lusófonas

Jornal da USP

Conexões Afro-Lusófonas têm o objetivo de fortalecer os laços culturais entre o Brasil e os países africanos de língua portuguesa. O programa apresenta entrevistas exclusivas explorando as culturas, músicas, diversidades e políticas desses países, promovendo um intercâmbio de conhecimentos.

  1. 11h ago

    Conexões Afro-Lusófonas #12: Guiné Equatorial tem taxa de alfabetização superior a 90%

    Neste episódio do Conexões Afro-Lusófonas, os professores Paulo Speller e Yaurelis Palácios, da Universidade Afro-Americana da África Central (AAUCA), conversam com o jornalista Antonio Carlos Quinto e com o professor Ricardo Alexino Ferreira sobre a educação e a cultura na Guiné Equatorial. Speller, que é brasileiro, ocupa o cargo de reitor da instituição. Yaurelis, que veio da Venezuela  e está na AAUCA há seis anos, fez estágio pós-doutoral em Educação, Sociedade e Ambiente . De acordo com Speller, os baixos índices de analfabetismo no país  devem-se, entre outros fatores, às suas dimensões territoriais . “Somos um país pequeno e contamos com uma rede de educação básica altamente capilarizada, que atinge praticamente toda a população”, explicou o reitor.  A AUUCA vem colaborando com a criação da Cátedra Unesco de Educação e Cultura Afro-Hispano-Americana, sediada na própria Universidade, na Cidade da Paz ( província de Djibloho). “A alfabetização é um dos eixos principais da cátedra, assim como os desafios que esta rede escolar enfrenta no país, a exemplo da formação de professores e da produção de materiais didáticos”, descreveu Speller, completando: “Nesse sentido, contamos com a importante colaboração da professora Yaurelis Palácio”. A Cátedra completou um ano em abril deste 2026. Sob a coordenação da professora Yaurelis, a Cátedra desenvolve um projeto que acolhe crianças desde a pré-escola. “O acompanhamento segue até o que vocês, no Brasil, denominam ensino médio”, pontuou a professora. A iniciativa faz uma analogia com a ceiba, que é a árvore nacional e em semente, porque é aquilo que germina. “Buscamos  comparar essa semente que germina com as crianças, que no final se desenvolvem”, explicou a docente. Ela destacou ainda que o projeto é estruturado em  quatro grandes blocos pensados para apoiar  o crescimento dos estudantes e o trabalho dos educadores. Ou seja:  a formação das crianças, a capacitação dos docentes, o envolvimento da comunidade, e a identificação das carências do sistema para a futura melhoria da infraestrutura.  Línguas vernáculas Outra iniciativa em andamento na AAUCA é a criação de uma Academia de Línguas Vernáculas de Guiné Equatorial. “A Guiné Equatorial é o único país africano, entre os 55 do continente, que tem o espanhol como uma de suas línguas oficiais. Além dos idiomas oficiais: espanhol, francês e português, existem cinco ou seis línguas nacionais, vernáculas, que são faladas pela população até hoje”, destacou o reitor. Speller lembrou também que a Guiné Equatorial tem uma população de aproximadamente 1,6 milhão de habitantes. “É um território   com cerca de 28 mil quilômetros quadrados, mais ou menos o tamanho de um estado brasileiro como Sergipe”, comparou.  Desde janeiro deste ano, o país tem nova capital. Cidade da Paz substituiu Malabo de acordo com um decreto assinado pelo presidente Teodoro Obiang Nguema Mbasogo.  Guiné-Equatorial. Foto: Wikipedia Commons Universidade Afro-Americana da África Central. Foto: Wikipedia Commons Conexões Afro-Lusófonas Conexões Afro-Lusófonas têm o objetivo de fortalecer os laços culturais entre o Brasil e os países africanos de língua portuguesa. O programa apresenta entrevistas exclusivas explorando as culturas, músicas, diversidades e políticas desses países, promovendo um intercâmbio de conhecimentos. Conexões Afro-Lusófonas vai ao ar na primeira sexta-feira de cada mês na Rádio USP (93,7 MHz, em São Paulo, e 107,9 MHz, em Ribeirão Preto) Apresentador: Antonio Carlos Quinto Narradora: Tabita Said Participação: Ricardo Alexino Ferreira Edição e captação de áudio: Julio Cesar BazaniniIdentidade Sonora: Bruno Torres Coordenadora de Programas Especiais: Magaly Prado É possível também sintonizar a versão podcast pela internet em jornal.usp.br/podcasts/ Todos os episódios de Conexões Afro-Lusófonas estão disponíveis na página de seu arquivo neste link. .

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  2. May 4

    Conexões Afro-Lusófonas #11: O racismo no Brasil sob o olhar de intercambistas africanos

    Na chegada ao Brasil, os professores Paulo Balaca, João Samoma Fernando e José Bembo Manoel trouxeram consigo conhecimentos prévios sobre a cultura, a educação e o clima brasileiros. Hoje, já integrados ao cotidiano do País, os docentes relatam neste segundo episódio do Conexões Afro-Lusófonas que, embora tenham sido bem recebidos, um dos aspectos que mais os impactou foi se deparar com o racismo estrutural. Da esquerda para à direita: Paulo Balaca, José Bembo, João Samoma Fernando e Antonio Carlos Quinto. Foto: Julio Cesar Bazanini “As expectativas eram muitas”, destaca João Samoma Fernando. Professor de Álgebra Linear no Instituto Superior de Educação de Huambo, em Angola, ele está no Brasil há dois anos para o doutorado em Engenharia Naval na Poli-USP. “Fui bem recebido, apesar de notar algumas coisas estranhas, entre elas, o racismo e a discriminação que ocorrem por aqui”, declara. Samoma compartilha experiências marcantes, como situações vividas no transporte público: “Ao subir em um ônibus e sentar ao lado de uma pessoa não negra, ela se levantou. Isso aconteceu comigo mais de uma vez, inclusive no metrô”. Discriminação racial e social Para Paulo Balaca, a questão racial no Brasil vem junto do preconceito social. “As pessoas de menor poder aquisitivo são claramente discriminadas”, avalia o pós-doutorando da Poli Mecânica. Com a experiência de ter cursado mestrado em Coimbra, Portugal, Balaca estabelece um comparativo: “Lá, o racismo é mais evidente e declarado. Aqui, mesmo com as dificuldades, aprendemos a nos ‘desviar’ disso. Como estrangeiros e africanos, racionalizamos essas situações e, com o tempo, aprendemos a lidar com a lógica local”. Na opinião de José Bembo Manoel, que cursa o programa de doutorado na Faculdade de Educação da USP, ressalta que, apesar do racismo, encontrou muitas pessoas de bem no Brasil. No entanto, o convívio diário no campus trouxe estratégias de autoproteção. Os professores aprenderam, por exemplo, que o uso de vestimentas com a identificação da universidade funciona como um “escudo” social. “Usar uma camiseta ou um moletom escrito ‘USP’ faz com que as pessoas nos olhem com um pouco mais de respeito. Seguimos esse conselho”, revela Bembo. Além dos desafios sociais, os docentes comentaram sobre a adaptação às oscilações meteorológicas da capital paulista. “É sempre bom ter um guarda-chuva às mãos; ainda estamos nos adaptando ao clima da cidade”, finaliza Bembo. Conexões Afro-Lusófonas Conexões Afro-Lusófonas têm o objetivo de fortalecer os laços culturais entre o Brasil e os países africanos de língua portuguesa. O programa apresenta entrevistas exclusivas explorando as culturas, músicas, diversidades e políticas desses países, promovendo um intercâmbio de conhecimentos. Conexões Afro-Lusófonas vai ao ar na primeira sexta-feira de cada mês na Rádio USP (93,7 MHz, em São Paulo, e 107,9 MHz, em Ribeirão Preto) Apresentador: Antonio Carlos Quinto Narradora: Tabita Said Participação: Ricardo Alexino Ferreira Edição e captação de áudio: Julio Cesar BazaniniIdentidade Sonora: Bruno Torres Coordenadora de Programas Especiais: Magaly Prado É possível também sintonizar a versão podcast pela internet em jornal.usp.br/podcasts/ Todos os episódios de Conexões Afro-Lusófonas estão disponíveis na página de seu arquivo neste link. .

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  3. Apr 6

    Conexões Afro-Lusófonas #10: Intercâmbio entre USP e Angola fortalece a produção de conhecimento

    Em toda a USP, diversas unidades de ensino possuem em seus quadros de graduação e pós, mestrado e doutorado, estudantes estrangeiros. Neste primeiro programa da segunda temporada de Conexões Afro-Lusófonas, nosso bate-papo foi com três professores angolanos que cursam mestrado e doutorado na Escola Politécnica da USP (Poli) e na Faculdade de Educação. Da esquerda para à direita: Paulo Balaca, José Bembo, João Samoma Fernando e Antonio Carlos Quinto. Foto: Julio Cesar Bazanini Paulo Balaca é engenheiro mecânico com mestrado concluído em Coimbra, Portugal, e integra o programa de doutorado em engenharia estrutural da Poli. “Em Angola trabalhei na geração de energia atuando, inclusive, na refinaria do Lobito”, contou. A refinaria do Lobito é um projeto estratégico localizado na província de Benguela, concebido para processar 200.000 barris de petróleo por dia.  “Meu objetivo é sair do Brasil com a formação toda ela bem elaborada e dar uma grande contribuição ao meu país”. A expectativa é do professor João Samoma Fernando, docente universitário em álgebra linear, no Instituto Superior de Educação de Huambo, em Angola. Na Escola Politécnica, Fernando cursa o doutorado em Engenharia Naval. “Cheguei aqui por um convênio do governo de Angola com a USP”, contou.  De forma independente José Bembo Manoel chegou ao curso de doutorado na Faculdade de Educação (FE) da USP por iniciativa própria. “Sou docente da Escola Superior Pedagógica do Bengo, em Angola, e trabalho no departamento de letras modernas, dando aulas de literaturas e algumas disciplinas de linguística”, contou. “Fiz minha candidatura a partir de Angola. Concorri, fui aprovado e vim ao Brasil. Vou custeando minha permanência como posso, com verbas que vou conseguindo de alguma prestação de serviço que eu faço de forma remota, a partir de Angola”, revelou o docente.  Todos têm em comum o mesmo objetivo: retornar a Angola e levar os conhecimentos aqui adquiridos. José Bembo, por sua vinculação em Angola, no departamento de letras modernas que forma professores, descreve um dos objetivos de seus estudos. “A minha pesquisa visa justamente, de alguma forma, propor ou mitigar algumas fragilidades que existem dentro do curso, dentro do departamento”, descreveu. Conexões Afro-Lusófonas Conexões Afro-Lusófonas têm o objetivo de fortalecer os laços culturais entre o Brasil e os países africanos de língua portuguesa. O programa apresenta entrevistas exclusivas explorando as culturas, músicas, diversidades e políticas desses países, promovendo um intercâmbio de conhecimentos. Conexões Afro-Lusófonas vai ao ar na primeira sexta-feira de cada mês na Rádio USP (93,7 MHz, em São Paulo, e 107,9 MHz, em Ribeirão Preto) Apresentador: Antonio Carlos Quinto Narradora: Tabita Said Participação: Ricardo Alexino Ferreira Edição e captação de áudio: Julio Cesar BazaniniIdentidade Sonora: Bruno Torres Coordenadora de Programas Especiais: Magaly Prado É possível também sintonizar a versão podcast pela internet em jornal.usp.br/podcasts/ Todos os episódios de Conexões Afro-Lusófonas estão disponíveis na página de seu arquivo neste link. .

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  4. Mar 27

    Educação e cultura guiam a segunda temporada de Conexões Afro-Lusófonas

    O podcast Conexões Afro-Lusófonas segue em sua iniciativa de estreitar os laços culturais e informativos entre o Brasil e os seis países africanos de língua portuguesa: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique e São Tomé e Príncipe. Com estreia marcada para o dia 3 de abril, às 17 horas, o programa terá periodicidade mensal, sempre na  primeira sexta-feira de cada mês, a temporada promete uma curadoria de vozes a partir de entrevistas exclusivas com jornalistas, professores e pesquisadores diretamente da África trazendo as realidades locais para o centro do debate.  O objetivo é promover o intercâmbio de conhecimentos em uma imersão na educação e cultura dessas nações e sua importância para o desenvolvimento desses países.  Da esquerda para à direita: Paulo Balaca, José Bembo, João Samoma Fernando e Antonio Carlos Quinto. Foto: Julio Cesar Bazanini   Recebemos nos estúdios da Rádio USP, para um bate-papo, estudantes (foto) que vieram de países africanos de língua portuguesa para estudar na Universidade de São Paulo. A conversa é sobre as  expectativas antes de chegar ao Brasil, as diferentes abordagens educacionais, e de suas experiências na adaptação à cultura e aos costumes brasileiros. Ouça a chamada no player acima Conexões Afro-Lusófonas Conexões Afro-Lusófonas têm o objetivo de fortalecer os laços culturais entre o Brasil e os países africanos de língua portuguesa. O programa apresenta entrevistas exclusivas explorando as culturas, músicas, diversidades e políticas desses países, promovendo um intercâmbio de conhecimentos. Conexões Afro-Lusófonas vai ao ar na primeira sexta-feira de cada mês na Rádio USP (93,7 MHz, em São Paulo, e 107,9 MHz, em Ribeirão Preto) Apresentador: Antonio Carlos Quinto Narradora: Tabita Said Participação: Ricardo Alexino Ferreira Edição e captação de áudio: Julio Cesar BazaniniIdentidade Sonora: Bruno Torres Coordenadora de Programas Especiais: Magaly Prado É possível também sintonizar a versão podcast pela internet em jornal.usp.br/podcasts/ Todos os episódios de Conexões Afro-Lusófonas estão disponíveis na página de seu arquivo neste link. .

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  5. 12/09/2025

    Conexões Afro-Lusófonas #9: Cabo Verde se desenvolve pela resiliência de sua população e valorização da educação

    Janice Miranda. Foto: Arquivo pessoal. Instagram Nesta nona edição do podcast Conexões Afro-Lusófonas, conversamos sobre o “sonho possível” com a jornalista cabo-verdiana Janice Miranda, jornalista cabo-verdiana e diretora da Rádio La Mueve, de Cabo Verde. Também abrimos espaço para um bate-papo com o professor Celso Luiz Prudente, da Faculdade de Educação, da USP,  e diretor do documentário Cabo-Verde – um sonho possível. O filme foi lançado no dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo. Cabo Verde passa por um momento feliz de muitas conquistas e comemorações no esporte. Afinal, pela primeira vez, os “Tubarões Azuis”, como é chamada a seleção cabo-verdiana de futebol, participarão de uma Copa do Mundo de Futebol, que será em 2026, nos EUA, México e Canadá. A jornalista Janice Miranda destaca a euforia nacional: “Acredito que era um sonho de todos e esta participação irá projetar  Cabo Verde no mundo”. Janice também ressalta a classificação inédita da seleção feminina do país à Copa Africana de Nações (CAN) Feminina, que acontecerá no Marrocos, em 2026.  Modalidades como o handebol e o basquetebol também estão em alta, coroando as celebrações dos 50 anos de independência de Cabo Verde. Liberdade de imprensa Praia, a capital do país, possui cerca de 200 mil habitantes. “Aqui é a sede da rádio La Mueve que abrange praticamente todo o território de Cabo Verde”, conta Janice, lembrando que trata-se de uma emissora internacional, das Ilhas Canárias, agora sediada em Praia. A programação é essencialmente musical e a cobertura atinge 96% do país. “Ainda não chegamos à Ilha de Brava, mas é questão de tempo”, avalia a jornalista. Janice também aborda a situação da mídia local. Ela comemora a liberdade de imprensa no país, citando  a satisfatória 30ª posição de Cabo Verde no ranking da organização mundial Repórteres Sem Fronteiras. No entanto, a geografia de arquipélago impõe desafios logísticos: dificuldades com relação à administração, gerenciamento de órgãos públicos e também com os transportes. “Viajar, por exemplo, até Mindelo ou à Ilha do Fogo é muito caro. E às vezes temos problemas com o transporte aéreo”, informa a jornalista. Um sonho possível Celso Luiz Prudente. Foto: Arquivo pessoal. Instagram O documentário Cabo Verde – um sonho possível mostra como a educação tem sido fundamental para o crescimento do país. Dirigido pelo professor Celso Luiz Prudente, o filme destaca a resiliência do povo cabo-verdiano e a aposta na educação, tendo como base os ideais do revolucionário Amilcar Cabral. O cineasta explica o caminho escolhido pela nação: “Cabo Verde é desprovido de recursos naturais ou minerais, como petróleo ou pedras preciosas. A nação optou por acreditar no seu capital humano, que se estabeleceu pela educação”.  O documentário usa a Universidade de Cabo Verde como fio condutor para mostrar como o ideário do revolucionário Amílcar Cabral, que defende a valorização do povo, se estabelece no cotidiano e na vivência da população, que o segue profundamente, como afirma o cineasta. Ouça agora a íntegra da conversa e entenda como a resiliência e o sonho de um futuro melhor moldam o presente deste arquipélago lusófono! Conexões Afro-Lusófonas Conexões Afro-Lusófonas têm o objetivo de fortalecer os laços culturais entre o Brasil e os países africanos de língua portuguesa. O programa apresenta entrevistas exclusivas explorando as culturas, músicas, diversidades e políticas desses países, promovendo um intercâmbio de conhecimentos. Conexões Afro-Lusófonas vai ao ar na primeira sexta-feira de cada mês na Rádio USP (93,7 MHz, em São Paulo, e 107,9 MHz, em Ribeirão Preto) Apresentador: Antonio Carlos Quinto Narradora: Tabita Said Participação: Ricardo Alexino Ferreira Edição e captação de áudio: Julio Cesar BazaniniIdentidade Sonora: Bruno Torres Coordenadora de Programas Especiais: Magaly Prado É possível também sintonizar a versão podcast pela internet em jornal.usp.br/podcasts/ Todos os episódios de Conexões Afro-Lusófonas estão disponíveis na página de seu arquivo neste link. .

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  6. 11/10/2025

    Conexões Afro-Lusófonas #8: Unesco reconhece todo o território de São Tomé e Príncipe como Reserva Mundial da Biosfera

    São Tomé e Príncipe tem agora a totalidade de seu território classificado pela Unesco como Reserva Mundial da Biosfera. Antes deste anúncio, realizado no final de setembro, somente a Ilha do Príncipe havia recebido essa distinção, concedido em 2012. “Temos progredido neste domínio”, avalia o jornalista Josimar Afonso, da Rádio Nacional de São Tomé e Príncipe, e também correspondente da Agência Lusa, de Portugal, desde 2021. Josimar Afonso. Foto: Arquivo pessoal Em entrevista ao oitavo episódio de Conexões Afro-Lusófonas, Afonso considera que “este reconhecimento é para que tenhamos maior acompanhamento técnico e, possivelmente, financeiro para continuar a sensibilizar a população sobre a importância da preservação ambiental”.  Afonso destaca a riqueza natural do arquipélago, descrevendo  São Tomé e Príncipe como um destino de tirar o fôlego. “Possuímos praias lindas e com águas cristalinas. O  sol é quase permanente e temos outros pontos turísticos, como as cascatas. Enfim, é um verde imenso”, descreve o jornalista, considerando essa titulação pela Unesco como um progresso vital para a nação. Em harmonia com o homem Afonso acredita firmemente na possibilidade de  harmonia entre o meio ambiente e a ação humana. Ele cita exemplos práticos de medidas de proteção ambiental, como a declaração de zonas protegidas. “Há locais onde já não se pode pescar e espécies que não podem ser  cortadas. São políticas que o Estado tem adotado para a preservação e renovação do ecossistema”, explica.  Apesar dos avanços na conservação, São Tomé e Príncipe ainda enfrenta desafios estruturais, nomeadamente no saneamento básico. “O que tem limitado a melhoria do saneamento é a carência de recursos para pôr em prática iniciativas e projetos para educar. A situação ainda não está a 100% e a falta de saneamento é visível tanto na capital como nas comunidades”, descreve Afonso. Numa área de pouco mais de 1.000 quilômetros quadrados, as principais culturas agrícolas de São Tomé e Príncipe incluem o cacau, a baunilha e a pimenta. Afonso menciona que estas são “ culturas novas que vêm ganhando terreno na nossa produção agrícola, para além do azeite de palma, no Brasil chamado azeite de dendê”. Contudo, o produto que realmente se sobressai é o cacau nacional. “O nosso cacau não tem uma grande produção, mas é de alta qualidade. O nosso cacau é biológico e dá origem ao melhor chocolate do mundo”, garante o jornalista com orgulho.  O apoio à segurança alimentar e educação  Recentemente, o Programa Alimentar Mundial (PAM) das Nações Unidas anunciou um auxílio em torno de 21 milhões de euros para apoiar o país em projetos de combate à insegurança alimentar.   De acordo com Afonso, a expectativa é que o valor seja mobilizado ao longo de dois anos. O jornalista sublinha que este auxílio reitera a dependência de São Tomé e Príncipe de  parceiros internacionais, onde “cerca de 80% a 90% do orçamento do Estado é financiado com ajuda externa, com ajuda externa”. O financiamento do PAM, conforme ele diz, destina-se a “aumentar e diversificar a produção local”, cita o jornalista.  No entanto, Afonso destaca que a intervenção  do PAM será fundamental para fortalecer o programa de alimentação escolar. “Temos aqui um ponto positivo que irá melhorar ainda mais a situação. Em Santo Tomé Príncipe, as escolas já oferecem, praticamente todos os dias, uma refeição quente às crianças. Aliás, cerca de  90% da população em idade escolar têm acesso à escola e são alfabetizadas”, conclui Afonso, destacando o impacto direto na infância. Conexões Afro-Lusófonas Conexões Afro-Lusófonas têm o objetivo de fortalecer os laços culturais entre o Brasil e os países africanos de língua portuguesa. O programa apresenta entrevistas exclusivas explorando as culturas, músicas, diversidades e políticas desses países, promovendo um intercâmbio de conhecimentos. Conexões Afro-Lusófonas vai ao ar na primeira sexta-feira de cada mês na Rádio USP (93,7 MHz, em São Paulo, e 107,9 MHz, em Ribeirão Preto) Apresentador: Antonio Carlos Quinto Narradora: Tabita Said Participação: Ricardo Alexino Ferreira Edição e captação de áudio: Julio Cesar BazaniniIdentidade Sonora: Bruno Torres Coordenadora de Programas Especiais: Magaly Prado É possível também sintonizar a versão podcast pela internet em jornal.usp.br/podcasts/ Todos os episódios de Conexões Afro-Lusófonas estão disponíveis na página de seu arquivo neste link. .

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  7. 10/06/2025

    Conexões Afro-Lusófonas #07: Angola mostrou crescimento econômico após guerra civil, mas padrões de vida seguem baixos

    Álvaro Sérgio Chitata. Foto: Arquivo pessoal Neste sétimo episódio de Conexões Afro-Lusófonas, conversamos com o arquiteto e ambientalista angolano Álvaro Sérgio Chitata. Residente em Benguela, na região centro-sul do país, ele destaca o paradoxo angolano:  apesar do crescimento econômico, o país ainda lida com taxas de mortalidade infantil entre as mais altas do mundo.  Angola possui vastas  reservas minerais e de petróleo, mas enfrenta graves problemas ambientais. Chitata lamenta a poluição e destruição de manguezais, o desmatamento e a falta de aterros sanitários adequados. O arquiteto atua como docente no ensino secundário de Benguela, onde orienta jovens estudantes sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, visando formar  adultos mais conscientes e responsáveis em relação às questões ambientais. Ele aponta que  os estudos de impacto ambiental são frequentemente ignorados, sobretudo devido à influência política e empresarial e que os esforços para o repovoamento florestal são “incipientes e desorganizados”. O corredor  do Lobito: uma rota estratégica para o desenvolvimento Em meio a essa situação de contrastes, Angola aposta no Corredor de Lobito, um projeto de infraestrutura que busca reativar a histórica linha do Caminho de Ferro de Benguela. Em consórcio com parceiros internacionais,   o projeto visa transformar essa ferrovia em um eixo estratégico conectando o Oceano Atlântico ao interior da África, incluindo a República Democrática do Congo (RDC) e a Zâmbia.  Chitata explica que o Corredor do Lobito é vital para a  economia: a linha férrea se estende por mais de 1.300 km, partindo  do porto de Lobito, em Benguela, até a o Luau, na província do Moxico. Além de ligar cerca de 40% da população angolana e incentivar investimentos em agricultura e comércio, o corredor é uma rota estratégica para exportar minérios e produtos agrícolas (como milho, soja, trigo e arroz) da Zâmbia e da RDC.  arquiteto ressalta que o projeto tem fortalecido as ,  relações econômicas e diplomáticas com seus  vizinhos (Congo, Zâmbia e Namíbia), e .também com nações não africanas, como Brasil, China e EUA. Ele destaca a China a maior credora  e principal parceira em grandes obras públicas, como construção (portos, aeroportos e estradas), embora levante a preocupação sobre a dependência da dívida chinesa. As relações com os Estados Unidos se manifestam pela participação americana no Corredor do Lobito, o que, na visão de Chitata, não diminui a influência chinesa. O desafio dos direitos humanos e da violência de gênero Chitata lamenta os altos índices  de violência contra a mulher, em Angola. Ele relaciona a persistência do problema ao “elevado nível de pobreza e à falta de escolaridade”, que alimentam uma cultura machista em muitas comunidades.  O resultado é que as mulheres continuam a ser vítimas de  violência física, psicológica, sexual, além de sofrerem discriminação, inclusive na forma de salários mais baixos.  “Ainda temos um trabalho grande a fazer”, para combater a violência doméstica, estima Chitata, ressaltando também que a homofobia é outro desafio urgente a ser superado no país. Conexões Afro-Lusófonas Conexões Afro-Lusófonas têm o objetivo de fortalecer os laços culturais entre o Brasil e os países africanos de língua portuguesa. O programa apresenta entrevistas exclusivas explorando as culturas, músicas, diversidades e políticas desses países, promovendo um intercâmbio de conhecimentos. Conexões Afro-Lusófonas vai ao ar na primeira sexta-feira de cada mês na Rádio USP (93,7 MHz, em São Paulo, e 107,9 MHz, em Ribeirão Preto) Apresentador: Antonio Carlos Quinto Narradora: Tabita Said Participação: Ricardo Alexino Ferreira Edição e captação de áudio: Julio Cesar BazaniniIdentidade Sonora: Bruno Torres Coordenadora de Programas Especiais: Magaly Prado É possível também sintonizar a versão podcast pela internet em jornal.usp.br/podcasts/ Todos os episódios de Conexões Afro-Lusófonas estão disponíveis na página de seu arquivo neste link. .

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  8. 09/08/2025

    Conexões Afro-Lusófonas #06: O combate à mutilação genital feminina na Guiné-Bissau

    O podcast Conexões Afro-Lusófonas traz, em seu sexto episódio, um tema urgente: a luta da Guiné-Bissau contra práticas que afetam a saúde e o bem-estar de mulheres e meninas. Desde 2011, a mutilação genital feminina (MGF) é considerada crime no país. Em Guiné-Bissau, como em outras nações africanas, a mutilação genital feminina é uma prática religiosa e social que pode causar problemas físicos e mentais às mulheres ao longo da vida. Para combater essa realidade, o país conta com a Lei de 2011 e com  o Comitê Nacional para o Abandono das Práticas Nefastas à Saúde da Mulher e da Criança (CNAPN). Um estudo realizado na Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) aponta que o Comitê foi criado no contexto da Conferência de Beijing, de 1995. Atualmente, o órgão é tutelado pelo Ministério da Mulher, Família e Solidariedade Social da Guiné-Bissau. Aissato Baldé. Foto: Arquivo pessoal A convidada desta sexta edição de Conexões Afro-Lusófonas é a jornalista Aissato Baldé, que integra o Comitê. Aissato conta que sua trajetória começou em 2019, como estagiária. “Na época atuei como animadora comunitária, responsável por sessões de sensibilização em diferentes comunidades, utilizando estratégias de comunicação adaptadas ao contexto cultural e social de cada região. “Um ano e meio depois, fui nomeada oficial de Comunicação e Informação, cargo que desempenho até hoje.” Além da conscientização sobre a mutilação genital feminina, o Comitê também trabalha para erradicar outras práticas prejudiciais, como a eliminação dos casamentos forçados e precoces e a falta de escolarização das meninas.   Aissato destaca que o trabalho de conscientização alcança todo o país, dos grandes centros urbanos às zonas rurais.  “O  contato direto com as comunidades exige uma comunicação próxima, sensível e eficaz”, afirma. O país em dados: Guiné-Bissau Localizada na costa atlântica ocidental da África, a Guiné-Bissau  é um país com uma rica história e desafios a serem superados. Com uma área de cerca de 36 mil km² e uma população de mais de 2 milhões de habitantes, faz fronteira com o Senegal e a República da Guiné. Registra um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) entre os mais baixos do continente. Em 2021, era de 0,483 e, de acordo com o Relatório de Desenvolvimento Humano de 2025, houve uma melhoria para 0,514, mas ainda é considerado insatisfatório.  O português é a língua oficial, resultado do período colonial iniciado no século 15. No entanto, o crioulo da Guiné-Bissau é a “língua materna” falada no dia a dia, nas relações familiares e na imprensa.  “Há momentos em que existem algumas confusões entre a língua materna e a oficial, mas a língua portuguesa se sobrepõe.”, explica a jornalista. Aissato conta que na imprensa, de um modo geral, boa parte das notícias são veiculadas nas duas línguas. Ela conta de sua experiência quando trabalhou na Rádio Capital de Bissau, em que o jornalista transmitia notícias em português e em crioulo. A independência foi conquistada em setembro de 1974. Atualmente, o país é governado pelo presidente Umaro Sissoco Embaló, que busca a reeleição nas eleições de 23 de novembro de 2025. Saiba mais sobre a mutilção genital feminina com a reportagem da BBC: Mutilação genital feminina: o que é e por que ocorre a prática que afeta ao menos 200 milhões de mulheres Conexões Afro-Lusófonas Conexões Afro-Lusófonas têm o objetivo de fortalecer os laços culturais entre o Brasil e os países africanos de língua portuguesa. O programa apresenta entrevistas exclusivas explorando as culturas, músicas, diversidades e políticas desses países, promovendo um intercâmbio de conhecimentos. Conexões Afro-Lusófonas vai ao ar na primeira sexta-feira de cada mês na Rádio USP (93,7 MHz, em São Paulo, e 107,9 MHz, em Ribeirão Preto) Apresentador: Antonio Carlos Quinto Narradora: Tabita Said Participação: Ricardo Alexino Ferreira Edição e captação de áudio: Julio Cesar BazaniniIdentidade Sonora: Bruno Torres Coordenadora de Programas Especiais: Magaly Prado É possível também sintonizar a versão podcast pela internet em jornal.usp.br/podcasts/ Todos os episódios de Conexões Afro-Lusófonas estão disponíveis na página de seu arquivo neste link. .

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