Catálogo de Conversas

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catalogando coisas da vida. catalogos.substack.com

  1. 6d ago

    devaneios e desabafos #3

    Transcrição automática: Pois é, mais uma sexta-feira. E como passa rápido uma semana? Hoje eu tenho uma primeira missão que é evitar o uso do né no final das frases. Porque eu fiquei apegado às transcrições automáticas que o Substack faz quando você posta um áudio. E eu percebi que esta palavrinha está aparecendo com uma frequência terrível. E, incrivelmente, é só quando eu tô gravando podcast, eu não falo assim. Então, fiquei pensando, por quê? Por quê? E eu acho que, claro que tem uma ideia aí de terminar a frase com uma indução a uma ideia, né? Induzir, né? Aí, ó, tá vendo? A pessoa que tá ouvindo a continuar dentro do meu raciocínio, só que é extremamente chato. Pelo menos quando eu reparo depois, fica uma coisa extremamente chata. Então hoje tentarei não fazer isso, tá bom? Bom, essa semana, uma semana esquisita, né? Muita chuva, muita umidade, um setembro bem diferente, por assim dizer, mas estava dentro do previsto em razão do El Ninho, né? E muitas coisas aí que vêm acontecendo climaticamente que provavelmente vão levar nós, a raça humana, à extinção. Mas não vamos ser precipitados, vamos aguardar com calma. Semana passada eu fui para o Rock in Rio, sim, aquele festival do OUO, Rock in Rio. E foi a segunda vez que eu fui, eu fui dois anos atrás, as duas vezes, coincidentemente, pra assistir o Avenged Sevenfold, uma banda que eu gosto muito, por sinal, e inclusive eu citei aqui, acho que no último episódio, né, por conta da questão do barulho que eu venho ouvindo aqui em casa. Inclusive esse barulho deu uma cessada, essa semana eu não ouvi tanto, mas pode ser que tenha mudado o horário, enfim, eu imagino que seja a obra mesmo que eu comentei. Bom, fui ao Rock in Rio e esse ano eu tive uma experiência muito diferente em relação ao outro ano que eu fui, né? Primeira vez que eu fui eu nunca tinha ido no Rock in Rio, eu nunca tinha assistido um show do Avenged, porque já faziam 10 anos mais ou menos que eles tinham vindo pela última vez. Então foi uma coisa muito, assim, fanática, né? Fazer o que a gente fez. Eu fui com mais alguns amigos e a gente fez uma excursão bate e volta. No caso, quando a Avenida veio, o show foi no domingo, né? Então a gente saiu no sábado à noite aqui de São Paulo. Chegamos no Rio no domingo de manhã, pegamos uma praia ali, tomamos uns álcools pra dar uma animada. Chegamos lá no Rock in Rio no horário de abertura, né, que é 14 horas. E daí a gente entrou no Rock in Rio e já ficou na frente do palco do Avenged, que só ia tocar lá depois da meia-noite. Então a gente ficou muitas e muitas horas em pé e no meio da galera lá. Sim, valeu a pena pra caramba, foi um show inesquecível, foi um dia muito forte, especialmente pra nós quatro que fomos e éramos todos fãs do Avenged, né. Mas no outro dia a gente tava completamente destruído, né? Porque no bate e volta você já acabou o show, você volta pro ônibus, você apagou, você acorda em São Paulo e enfim, tudo terrível, né? Você perde a noção de espaço, do corpo, tudo dolorido, tudo esquisito, enfim. Já esse ano, eu fui num show do Avengers já esse ano porque eles voltaram, né? Fizeram um show em São Paulo no começo do ano, que era pra ter sido um show no final do ano passado. Então assim, esse ano já foi aquela coisa assim, eu vou mais pra curtir o festival, vou assistir o Avenged, que é uma banda que eu gosto, mas vou pra conhecer o Rock in Rio melhor, né, poder ir nas coisas, dar uma volta, coisa que eu não fiz no outro ano. E esse ano ainda, o que me motivou, além do show do Avenged, foi que também tinha o show do Bring Me, o show do Bad Omens, né, que... que são bandas que são muito interessantes, assim, que eu gosto bastante, que... Enfim, o Bring Me também já é o terceiro show deles que eu assisto, o Better Home is a primeira, mas enfim, o combo do festival fez valer a pena, assim, pensar em ir. Então eu fui, né, o tempo não ajudou muito, assim, não foi um grande tempo e tal. Mas foi interessante a experiência, foi legal. O show do Bring Me, do Bad Omens, foi assim, incrível, né? Especialmente o do Bring Me, eu acho que foi uma consolidação, assim, da banda, né? Enquanto já é muito grande, mas assim, eu acho que esse show consolida ainda mais, né? O tamanho do Bring Me. Agora, me decepcionou profundamente o Avenged Sevenfold, né? E vamos lá, né? Eu entendo que o Avenged já é uma banda, não vou dizer nichada porque eles são grandes, mas já é uma banda que é meio 880, assim. Eu conheço muita gente que gosta, que adora, mas também tem um monte de gente que odeia, não chega nem perto, né? E é compreensível, porque o estilo deles é um pouco específico, eles têm muitas fases diferentes, né, os sons antigos, os primeiros são muito mais metalcore, aí depois eles vêm pra uma fase mais melódica, depois chegam num metal ali mais clássico com o Hail to the King, tem a consagração no Nightmare, né, e tal. E depois eles começam essa fase agora mais experimentalzona, assim, que mistura um monte de coisa. Enfim, eu gosto de um pouco de cada fase, né? Eu acho que talvez agora com esse último EP aí eles estão começando a dar uma viajada. Mas enfim, os caras são velhos, né? E já fizeram tudo o que eles queriam fazer. Eles não estavam fazendo música só porque eles querem que os fãs vão no show e tal. Eles querem fazer música pra eles, né? Querem fazer o que eles gostam e eu acho isso muito louvável, né? Mas óbvio que por causa disso eles têm que lidar com críticas, com um público que às vezes estranha, né? A própria banda e tal. E o problema central, né, do Avenged, penso eu, é que o Matt Shadows, né, o vocalista, ele já tem um problema de algum tempo com a voz, né, já teve que fazer algumas cirurgias, já teve alguns problemas, inclusive o show que teve, que ia ser no final do ano passado em São Paulo foi adiado por conta disso, porque ele teve um problema na voz e a recomendação é que ele se recuperasse antes de voltar aos shows, né. Então assim, eu já sei de tudo isso, né? Não é uma grande novidade. O Avenged, isso aí não foi pro Rock in Rio que eu fiquei sabendo essas informações. Mas de alguma forma, a minha expectativa era grande até, pelo Avenged, né? Um fator interessante, inclusive, que conta um pouco com essa ideia de expectativa, é que eu dei de presente pra minha mãe, né? E no Rock in Rio esse ano. Aquela que sempre falava de ir no Rock in Rio, enfim, mais pelo festival e tal. Ela escutou o Avenged por minha causa, né? Ela gosta de bandas de rock, ia tocar o Black Pantera também, que ela gosta bastante. Então, né, eu já ia e falei, ah, se a senhora quiser ir, vamos, né? Dou de presente pra senhora e tal, e foi isso. Então, assim, eu acho que eu criei uma expectativa também em cima do Avenged. De mostrar, né, pra minha mãe, né, que tá me acompanhando desde que eu era molequinho, né, ouvindo, querendo ir no show dos caras. Falar, ó, mãe, você vai ver agora o que é que eu tô falando, né, do que eu tava falando esse tempo todo, esses caras, esse show. E algo que foi assim, bem frustrante pra mim, claro né, a voz do Matt Shadows, um pouco frustrante sempre, mas ele tem um apoio ali dos outros músicos e tal. Mas o que me incomodou profundamente foi esse telão do Rock in Rio novo, né. O Palco Mundo ganhou esse telão grandão, tinha o Fora Fora, que é basicamente só tela, né. Eles tinham um telão grande e tinham uma passarela no outro ano. Esse ano não tinha passarela e tinha um telão ainda maior. O Bring Me usou muito bem o telão, eles já tem um show muito interessante nesse sentido de fazer uma apresentação visual. E o Avenged também tinha isso, pelo menos eu entendia que o Avenged tinha sacado a proposta assim como o Bring Me sacou. Que eu acho que o que torna o Bring Me excelente não é só uma banda incrível, um vocalista muito carismático, mas também esse apelo visual que o Bring Me tem. E eu achei que o Avenged tinha pegado essa regra do jogo também, tinha entendido esse negócio, porque nos dois shows do Avenged que eu fui, eles usaram muito bem a tecnologia, né? Existia até uma discussão a respeito do uso da IA que eles fazem, porque eles usam uma geração ao vivo de imagem, né? Então assim, na música... A Little Piece of Heaven tem todos os bonequinhos lá fazendo a animaçãozinha da história do A Little Piece of Heaven. Então, cada música tinha uma coisa assim, né? E daí, por alguma razão, nesse show do Rock in Rio, eles fizeram uma coisa específica pro show, pra aproveitar o telão, mas eu achei horrorosa. Que eles colocaram um filtro verde, uma estética meio escura, né? Enfim, na música Hail to the King, inclusive, que eu acho que eu não entendi nada, fizeram lá um cenário no telão e não mostrava ninguém da banda. Não mostrava uma sombra da guitarra e tal. Mas não mostrava ninguém. O resultado é que eu quase não vi os membros da banda. Quando aparecia era extremamente escuro, exerdeado e muito sem graça. E também já estava no final do festival, a gente já estava cansado. Então eu achei sinceramente meio bosta o show, tá ligado? Posso ser sincero. Claro, né? Como eu tenho outras duas referências de shows deles que foram muito positivas, não é um... não bate o martelo pra realmente a falência desta banda, né? Mas me deu uma certa decepção, assim. Em compensação, o show do Bring Me valeu muito, assim. Foi um show incrível e tava muito legal a energia. Enfim, e tem isso também, né? Que às vezes o lugar que você se posiciona dentro do... Dentro de um festival ou um show por si também muda um pouco a sua experiência. Às vezes você está lá junto com a galera mais fã ou você está mais distante. Isso tudo influencia. Bom, dito tudo isso, que já nos tomou aí 10 minutos, outro aspecto que eu queria falar sobre essa ideia de ir em sh

    devaneios e desabafos #3
  2. Sep 4

    devaneios e desabafos #2

    Transcrição Automática: Hoje é sexta-feira. Sexta passada eu publiquei aqui a variante do catálogo de desabafos. E eu gostei particularmente do resultado. Eu não fiz nada, na verdade, eu só abri o microfone e comecei a falar. Depois eu usei um programinha de pós-edição, só para tirar uns barulhos que ficaram, porque essa foi um aprendizado da semana passada. Que eu só comecei a gravar, como eu falei, né, eu pluguei o microfone e gravei lá no Substack, direto na página e depois quando eu fui ouvir tinha uns estalos no meio da gravação, aí eu falei, ah, não vou jogar isso aqui fora, né. Daí eu consegui passar nessa edição e tirar os negocinhos, aí ficou com alguns probleminhas. Mas hoje eu acho que eu estou um pouco mais esperto, uma semana depois um homem um pouco mais inteligente e pude voltar aqui agora gravando no gravador do próprio computador antes de colocar no Substack e acredito que isso vai ser suficiente para resolver qualquer problema. Mas voltando ao episódio em si, é uma gravação despretensiosa, não tem um grande trabalho de edição, e isso me anima a vir aqui só para falar. Eu gosto de escrever, como vocês sabem, o Substack vem da ideia de escrever, mas tanto quanto escrever eu gosto de escrever. Eu gosto de falar também, porque às vezes é falando que algumas ideias surgem, né? Ou pelo menos que você tem um princípio de aprofundamento nos textos, né? Ou nas ideias e tudo mais. Veio agora a notificação do WhatsApp no computador, isso me distraiu por um segundo, mas já foi. Enquanto isso eu mutei, provavelmente vocês vão ouvir o barulho do clique aí também. Então, falar também é legal, porque o texto tem um comprometimento mais de esclarecimento, né? Não que realmente tenha, você pode escrever um texto só e ir colocando uma palavra depois da outra, né? E ver como as ideias se formam e tudo mais. Mas, na média, você tem um carinho um pouco maior de expressar uma ideia de forma mais clara, né? Então falar é muito importante, além de ler, é claro, ler também é muito importante. E daí, para hoje, não tenho ideias muito mais aprofundadas para discutir. Mas daí eu queria falar de outros dois tópicos ou três, dependendo da divisão. Eu vou começar pelo que está na minha cabeça imediatamente. Essa semana eu publiquei um texto e o nome dele é Que Fazer. E esse texto, ele explica um pouco essa ideia que eu estou falando mais aqui no começo a respeito de você deixar rolar para a ideia aprofundar. Eu comecei a escrever ele sem saber o que eu queria escrever, mas tava chovendo e eu queria fazer alguma coisa em cima disso, da ideia de eu estar em casa e observando a chuva e com o tempo pra observar a chuva. E daí eu fui enfileirando as ideias e fui colocando as palavras, aí eu pensei num objeto ali que seria o mistério do texto, que eu iria trabalhar em cima dele e tal. Claro que eu falando assim parece que teve um grande trabalho de planejamento e tudo mais, mas não, foi só eu fui colocando palavras e aí o que foi parecendo interessante para mim eu fui colocando. E daí sobre essa ideia da chuva eu fiquei pensando no momento atual meu também, sobre o próprio episódio da sexta-feira passada, sobre essa coisa de buscar sentido que a gente está fazendo. E a ideia de estar confortável no mesmo lugar, e saiu esse texto Que Fazer, que eu uso esse elemento de um ponto de luz, um ponto branco no meio do quintal que me chama a atenção, mas eu não vou até ele porque está chovendo. E daí eu queria fazer algumas considerações sobre isso, que é... No final eu gostei do resultado, né? Como eu falei, ele nasceu meio do nada. Mas o que é mais interessante pra mim é que essa ideia do ponto branco no quintal, no meio do verde, vem por causa da gatinha, né? Da luz que a gente tá cuidando dela essa semana, que ela tá com umas feridinhas na orelha, um gatinho branco pequeno. Até ela tava brincando, né, que ela com aquele colar de proteção fica parecendo uma luminária, então o gato-luz se tornou gato-luminária. Mas é porque é muito comum ela tá no quintal e é fácil de ver ela, porque ela é branquinha, né, então você vê no meio do quintal bem... Daí eu pensei nessa imagem, ela nem tava no quintal nem nada, mas eu pensei nessa imagem. E daí a partir dessa ideia do gato luz, eu pensei da luz no quintal e tal. Então assim, essa associação de ideias é uma coisa interessante pra escrever, né? Porque você pensa numa coisa e do nada já é uma outra, assim. E as ideias saem mais ou menos daí, né? Esse texto, o que fazer, ele vem numa linha mais de como eu escrevia antes no Medium e em outras plataformas, ou quando eu escrevo só pra mim. Que é essa coisa de ter um fundo mais caótico, assim, menos claro, né? Não é uma coisa tão explicativa, não é um texto tão desenvolvido assim pro outro, assim. Ele parte mais de mim e pra mim, assim. E eu ainda acho que eu fiz um trabalho ok nesse sentido de conseguir ser uma coisa... Que outras pessoas conseguem relacionar com outros temas e tudo mais. Então eu acho que funcionou assim. Mas eu acabei falando dessa ideia do texto. Porque é justamente essa ideia de vir falar aqui e começar a divagar sobre ideias que às vezes se tornam coisas que podem ser uma boa produção depois, sabe? Você pode associar com uma outra coisa e acabar criando alguma coisa a partir disso. E o outro tópico que eu ia falar é que Que eu já falei, aliás, eu também queria complementar a ideia da leitura, né? Ler também me traz muitos elementos, né? Sempre me traz alguma coisa ou outra, assim, que me dá vontade de escrever sobre. Essa semana, ontem, inclusive, eu terminei de ler O Santo de Casa, né? Do Stefano, Stefano Volpe, eu acho que é assim o nome dele. Nunca me lembro exatamente como pronuncia o nome. Desculpe se eu estiver falando errado aí aos fãs. E eu gostei do livro, né? Eu acho que ele tem um jeito muito... Uma voz muito pessoal de como escrever, a estilística de usar a pontuação a favor dele ou não usar a pontuação a favor dele, não usar letras maiúsculas às vezes, intercalar o pensamento do narrador com o pensamento do personagem, a fala e entrar no personagem, são vários personagens de uma família, e sair e voltar. Então acho que ele faz de uma forma muito objetiva e crua, que dá uma atmosfera para o livro muito interessante, especificamente no que diz respeito à crueza do ambiente. Mas aí eu estou falando do livro justamente por conta que... Acho que uma passagem específica, na verdade mais de uma, acho que tiveram duas, mas agora só consigo lembrar de uma, me trouxeram ideias para texto, que em algum momento do livro ele está falando sobre a figura opressora do pai dele dentro de casa, o livro vai girar em torno disso, aliás, do velório do pai e tudo que ele fez ou deixou de fazer e como ele se figura para a mãe e para os três filhos, né? E daí em uma passagem ele tá falando sobre a questão das cadeiras na mesa de jantar, né? Que o irmão mais velho se senta na cadeira lá pra comer e depois ele dá um pulo de susto porque ele sentou na cadeira do pai, né? Claro que aí você pode fazer uma ideia de discussão da ideia do filho mais velho, o homem, tomar o lugar do pai, né? Se ver no lugar do pai. Mas o que me chamou a atenção não foi isso, mas essa ideia da hierarquia das cadeiras, né? Que, claro, a gente vê essa coisa da hierarquia das cadeiras nas empresas muito claramente, né? Normalmente, quanto mais alto o cargo, mais legalzinha a cadeira e tal. Mas dentro de casa eu lembro que eu mesmo tinha um pouco essa questão. Especialmente na casa da frente, na casa da minha avó, quando a gente morava tudo junto ali. Que meu pai sempre sentava na mesma cadeira. Então pra mim aquela cadeira era meio proibida. Ela era uma coisa meio tipo, não, ali eu não posso sentar. E essa cadeira especificamente não me pertence. Ainda que sentar nas outras cadeiras não fosse um pouco mais confortável. Claro, eu tinha a minha, que aquela ali é o lugar onde eu sentaria sempre. Mas tinha as outras cadeiras ali que se por acaso eu viesse a sentar não seria um grande problema, com exceção essa do meu pai, né? Depois que a gente veio morar aqui na parte dos fundos da casa, essa dinâmica continuou um pouco. Tinha uma cadeira que era especificamente a do meu pai, que coincidentemente é a de frente pra TV, né? E coincidentemente, aqui eu tô sendo irônico, né? Mas depois que meus pais divorciaram e meu pai saiu de casa, se esvaziou essa simbologia, sabe? E daí lendo esse texto eu fiquei pensando nisso, como essa ideia tinha se dissolvido sem que eu percebesse. Como agora era possível eu sentar em qualquer uma das cadeiras, como não fazia diferença nenhuma as cadeiras, como nunca fez diferença alguma, sabe? E isso eu acho que é uma coisa muito comum nos lares, pelo menos brasileiros, né? Não sei, no mundo afora, de ter essa coisa, dessa cadeira ser de alguém, né? Se bem que eu acho que é assim também, né? Porque a gente tá pelo menos acostumado a ver em séries, em filmes, esse padrão da família sempre se reunindo, jantando. E sempre estando nas mesmas posições, né? E aqui abre uma margem de possibilidade de discussão sobre essa coisa da alternância dos papéis, dos papéis muito fixos dentro de uma família e como isso é complexo de um ponto de vista psicológico, né? É uma figuração, né? É uma coisa objetiva, prática, mas que tem muito significado, né? Que é tipo você fazendo as pessoas sempre sentarem no mesmo lugar, você condiciona elas àquele papel, né? E você até impede que elas entrem No ponto de vista do outro, né? Dentro da própria família. Mas enfim, não sou psicólogo, não tenho competência pra discutir esses termos. Mas eu fiquei pensando muito nessa ideia, né? Dessa dissolução de hierarquias dentro de casa depois que meu pai saiu. Então assim, um livro bem interessante, vale a

    devaneios e desabafos #2
  3. Aug 28

    devaneios e desabafos

    Transcrição automática do Substack:Uma coisa sobre gravar podcast que é muito interessante. O que me faz perceber, inclusive, que eu meio que gosto de falar sozinho. Claro, é muito legal falar com outras pessoas e ter esses momentos de troca mais focados, né? É muito diferente você simplesmente começar a falar, conversar e a proposta de marcar uma reunião para conversar sobre um assunto ou sobre um sentimento, sobre alguma coisa. Comecei a falar, o Joel tá me respondendo aqui no outro cômodo, o gatinho que a gente cuida já tem alguns meses por estar doentinho. Enfim, faz tempo que eu não gravo podcast e a gente deu uma parada com o cinecatálogo, que era a única coisa que a gente tava gravando ainda, por conta de desencontro de agendas. E a gente não conseguiu restabelecer isso ainda, mas a gente tem até a vontade de voltar a fazer o sin catálogo, mesmo que sem a gravação, né? Só a ideia de assistir um filme que já é muito prazerosa também. Mas não sei, eu tenho saudade de fazer podcast, por mais que seja um exercício que é muito mais pra mim do que realmente pra postar, sabe? Claro que eu acabo postando porque você já tem o material, já tá lá e... E você tem um registro, né? Tem menos chance de perder. Claro que nunca se sabe o dia de amanhã quando essas redes todas vão acabar, todos os servidores vão explodir, né? Mas enfim, eu fiz alguns episódios no passado que eram um catálogo de desabafos. E acabou que eu não fiz mais também. Eu acho que tem essa coisa meio interessante sobre você produzir uma coisa e depois você olhar de novo pra ela e sentir que de alguma forma ela é meio patética, assim. Eu tenho uma vergonha meio daquilo que foi feito. Mesmo que na época você tenha editado, feito e achado que era decente, né? E assim com o catálogo de conversas que meio que Não sei, tipo, eu não sei de nada, sobre nada, sobre porra nenhuma, né? E o que que eu tô falando? Quem sou eu pra dizer alguma coisa e quem será que tá me ouvindo, né? Porque, claro, né, eu sei que o meu podcast é só, como eu falei, uma coisa pra mim, uma produção, mas uma pessoa vai ouvir, né? Pode não ser muitas pessoas, mas uma outra vai chegar e vai ouvir. E... Enfim, e eu tava lembrando dessa questão do catálogo de desabafos, né? E quanto tempo passou disso, quantas coisas mudaram, quantos pensamentos mudaram. E eu queria, sei lá, fazer alguma coisa assim de novo, mas ao mesmo tempo eu fico, qual que é o sentido, né? E acho que essa é a grande parada dos tempos que a gente vive, essa é uma conversa que eu já tive com várias pessoas em momentos diferentes, que é sobre essa necessidade de tudo que a gente faz ter um propósito maior, ter uma métrica, ter um lugar a alcançar, ter, sei lá, dinheiro a fazer, né? Tudo tem que se tornar trabalho em algum momento. Inclusive o que eu falava do cinecatálogo antes era isso, que é legal gravar, é legal ter o material, mas o mais importante era se reunir, né? Pra poder assistir um filme, pra poder conversar, ter esse momento na semana pra dar uma distraída, né? Então se você fica muito pilhado em vou gravar podcast, vou editar e vou postar toda sexta-feira ou alguma coisa assim, perde um pouco esse viés. Só que ao mesmo tempo, os nossos tempos pedem métrica, pedem estabilidade, pedem, tem que ter lá o post sempre, você tem que criar esse hábito no seu público, enfim, por menor que seja, tem que ter uma ideia, tipo, não, é toda sexta, né? E você deixar em aberto um problema, então é complexo, né? E são tempos que a gente não tem estabilidade nenhuma, porque as coisas mudam muito rápido, mas a gente é cobrado intensamente de manter estabilidade, manter performance, manter as coisas E claro, aqui o que eu tô falando é uma métrica minha própria, né? Tipo, não tem ninguém me cobrando. O Substack é meu, o podcast é meu, eu faço o que eu quiser. Não ganho dinheiro com isso, eu faço só por diversão. E ainda assim existe essa coisa maior do que eu, que é esse mandamento da produtividade, né? Enfim, são... São vários desses tópicos, assim, que estão sempre permeando a gente e estão sempre aí e a gente às vezes não fala tanto sobre, mas que são muito comuns, né? Então, não sei, é... Fazendo uma review sobre tudo que passou. Eu gosto de ter essas coisas para revisitar. Esses podcasts, esses textos, esses momentos. Algumas bobagens que eu já fiz de montagem no Photoshop, páginas de Instagram, sei lá. Eu gosto dessa marca, de ter essas coisas. Eu não diria que eu sou um indivíduo extremamente criativo. Pelo contrário, eu acho que eu sou de ordem muito mais prática do que criativa. Mas ao mesmo tempo às vezes me dão essas ideias que me divertem. O catálogo de banheiros está aí até hoje e eu faço sem compromisso e ele está lá. Nem sei quantos anos faz que eu tenho, nem sei quantas postagens tem. E a gente segue dessa forma, a gente muda muito, muitas coisas acontecem, o mundo gira, entra governo, sai governo, muda de casa, fica na mesma casa, as bombas explodem e a vida segue indo. Mas eu queria voltar um pouco nessa ideia de sentido. Cara, a gente está sempre buscando sentido em tudo, né? E eu acho compreensível essa ideia, porque de fato a gente quando está nesse lugar mais inseguro, nesse lugar de uma vida que talvez não seja tão o que a gente esperava, o que a gente idealizou, o que a gente foi ensinado que deveria ser, E a gente não consegue alcançar de forma alguma essa idealização, né? Isso seja no mundo do trabalho, na questão de relacionamentos, a vida que a gente imaginava, poderia, sei lá, você tá lá na escola e você vê relacionamentos e tudo perfeito, e pessoas que viajam o mundo e tem trabalhos que elas amam, né? Você cria toda essa ilusão e aí quando você chega na vida mesmo, Você vê que não tem nada a ver com isso, pelo contrário, é uma coisa muito distante até poder encontrar todas essas coisas. E você vai aprendendo cada vez mais essa ideia de autossatisfação, que é de poder criar suas próprias métricas do que é bom, algumas vezes diminuir um pouco a expectativa, sonhar um pouco mais baixo, outras vezes é se conformar, outras vezes é realmente aprender que O que é bom mesmo, o que te traz felicidade, o que te traz coisas boas, são coisas menores do que você imagina, né? Mas de qualquer forma, eu acho que é muito comum sofrer esse rompimento e ficar buscando sentido, né? Ficar buscando o porquê a gente tá aqui, qual que é o sentido da existência e qual que é a nossa missão, o que que eu tenho que fazer. Eu embarquei bastante nessa jornada ano passado, assim, e infelizmente eu não tenho uma resposta, acho que não existe resposta pra essas coisas. Mas é interessante pensar tantas possibilidades que a gente tem ainda assim de construir esse significado, né? Muita gente se apoia na religião, não é por acaso, né? Porque é um caminho que é, não vou dizer que é mais simples, né? Porque tem suas contradições também. Mas já tem algo dado, né? Você pode acreditar numa coisa um pouco maior, numa ideia, num segmento, numa linha, algo que vai te abraçar cosmicamente, depois e aqui, e que algo tá escrito, que algo vai te levar a algum lugar. Você pode apelar pro misticismo, eu mesmo tenho um baralho de tarô aqui na minha frente. Você pode apelar pra uma série de efeitos, de coisas que já existem socialmente, E que te embutem na sociedade, né? Porque essas coisas já estão dentro da sociedade, então se você adere a elas, você não está sozinho porque já foi construído algo, você consegue pertencer e dar sentido ao mesmo tempo, né? Porque no fim eu acho que esse é o grande desafio. É conseguir construir o seu sentido, conseguir definir o seu sentido, mas ainda assim pertencendo a alguma coisa, né? E... Quando você faz essa jornada do modo mais difícil, que é de tentar realmente buscar elementos que compõem a sua existência, compõem a sua vida, e você vai fazendo isso, vai se tornando pouco a pouco um caminho solitário, porque é algo muito individualizado, algo muito subjetivo, e que claro, você pode compartilhar, Mas nem sempre vai ser compreendido, porque cada um tem uma visão muito diferente do que é o certo, do que é a vida, do que é que tem que ser feito, né? Quantas vezes eu já entrei nessas discussões, tipo, ah não, mas você tem que viajar o mundo todo, você tem que aproveitar, tem que ir pra festa, tem que sair pra balada, tem que curtir. Enquanto de outro ponto de vista, não, eu não tenho que fazer nada disso, eu gosto da minha casa, eu gosto de descansar, gosto de ler um livro, gosto de ficar de boa. Então, são muitas as possibilidades, né? E, enfim, ano passado eu trilhei um pouco esse caminho, busquei ler alguns livros, né? Recebi algumas indicações, fui atrás de pensar de formas diferentes algumas coisas que eu já pensava, né? Esse exercício constante de autoanálise que é custoso, mas depois que você adere é meio difícil de sair, né? E eu sei, assim, eu não sinto que eu... Obtive uma resposta concreta, assim, né? Eu sinto que nada que dá pra você responder numa frase objetivamente, você responder com poucas palavras é realmente uma resposta, né? Eu acho que na faculdade de Direito eu tinha alguma coisa assim de falar que pra toda pergunta difícil existe uma resposta simples, fácil, objetiva e completamente equivocada, né? Que é essa ideia de que as variáveis são muito maiores, né? Mas enfim, nos últimos tempos, e são tempos recentes, coisa de meses agora, eu tenho percebido que eu gosto muito da minha vida. E eu falo isso reconhecendo também o privilégio que eu tenho de muitos pontos de vista, mais especificamente quanto a uma tranquilidade financeira, uma tranquilidade habitacional, tranquilidade de... De qualidade de vida, de saúde, praticar esporte e tal. De ter todas essas possibilidades de conjugar todas es

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