Cinematografia Podcast

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Reflexões sobre a escrita do cinema. Com Flavia Arielo, Fernando Geloneze e Jason Baroni.

  1. 1d ago

    O Mensageiro do Diabo: o pastor mais assustador do cinema | Sessão Extra

    Bem-vindos a mais um Sessão Extra Um pregador com LOVE tatuado numa mão e HATE na outra, um hino religioso assobiado no escuro e duas crianças guardando um segredo de dez mil dólares. Abrimos o Mês das Bruxas com O Mensageiro do Diabo (The Night of the Hunter, 1955), o único filme dirigido por Charles Laughton. Foi um fracasso na estreia e hoje aparece com frequência nas listas de maiores filmes da história. Gravamos em 4 de outubro, dia de eleição, e a coincidência ajudou. Poucos filmes mostram com tanta precisão como o vocabulário da fé pode servir a quem só quer dinheiro e poder. Harry Powell (Robert Mitchum) não sente culpa nem dúvida: mata convencido de que cumpre a vontade de Deus. Do outro lado está Rachel Cooper (Lillian Gish), que canta o mesmo hino e lhe devolve outro sentido. Neste episódio: * Drama religioso, noir, thriller, terror ou conto de fadas? O filme que não cabe em uma gaveta só * Harry Power, o assassino real que inspirou o melhor vilão de todos: Harry Powell * Um psicopata filmado antes de o termo "serial killer" se popularizar * Expressionismo alemão e cinema mudo na fotografia de Stanley Cortez * John, Pearl e a fuga pelo rio: a infância posta à prova pelo mundo adulto num conto de fadas às avessas * Os ecos do filme em Spike Lee, nos irmãos Coen e em Guillermo del Toro Já viu esta obra-prima? O que achou da atuação de Robert Mitchum e do duelo final de vozes com a lendária Lillian Gish? Deixe também as suas sugestões de filmes para cobrirmos neste mês do terror! OBRAS E FILMES CITADOS NESTE EPISÓDIO: * 🎬 Os Inocentes (The Innocents, 1961) * 🎬 Os Outros (The Others, 2001) * 🎬 A Troca (Changeling, 2008) * 📖 O Grande Massacre de Gatos, de Robert Darnton * 📖 O Apanhador no Campo de Centeio, de J. D. Salinger #OMensageiroDoDiabo #TheNightOfTheHunter #CinemaClássico #FilmesDeTerror #RobertMitchum #CinemaNoir #PodcastDeCinema

  2. Sep 26

    O Pagador de Promessas: o herói trágico brasileiro | Parte 1 | EP. 51 | Cinematografia

    O Pagador de Promessas (1962) é um filme radicalmente brasileiro no sentido mais preciso e mais doloroso que essa expressão pode ter. É a história de um homem simples, intercedido pela graça, que encontra na Igreja Católica, na imprensa, na polícia e na própria mulher versões distintas da mesma resistência: ninguém sabe o que fazer com alguém que acredita de verdade. No episódio 51 do Cinematografia Podcast, Flávia Arielo, Fernando Geloneze e Jason Baroni falam sobre a obra original de Dias Gomes adaptada brilhantes para o cinema por Anselmo Duarte. O resultado é essa obra-prima do sincretismo religioso que ganhou a Palma de Ouro em Cannes, feito único na história do cinema brasileiro. 🎥 Neste episódio, a conversa passa por: - Dias Gomes, a peça original e a condição de não alterar uma vírgula do texto. - Leonardo Vilar: o mesmo ator no teatro e no cinema. - O Brasil de 1962: questões políticas, Vera Cruz, Atlântida e o que o cinema nacional perdeu desde então. - Zé do Burro como "inocente da graça", o homem tão focado no sagrado que o carnal não o alcança. - Rosa, o Bonitão e o enquadramento dividido pela cruz: o desejo, a culpa e o filme como obra aberta. - Os enquadramentos e transições que compõem a linguagem cinematográfica de Anselmo Duarte. #CinematografiaPodcast #OPagadorDePromessas #AnselmoDuarte #DiasGomes #CinemaBrasileiro #SincretismoReligioso #Cinema

  3. Sep 20

    A Palavra (Ordet, 1955): o milagre de Carl Theodor Dreyer | Sessão extra | Cinematografia

    Dreyer filma o milagre como ninguém filmou antes ou depois: sem glória, sem anjos cantando, sem luz dourada descendo do céu. E, ppr isso, A Palavra é um dos filmes mais impactantes da história do cinema. O filme de 1955 se passa numa fazenda dinamarquesa onde dois tipos de protestantismo convivem em tensão, onde um dos filhos enlouqueceu e acredita ser Jesus, onde uma mulher morre no parto e onde a fé é um personagem que o filme leva absolutamente a sério. Dreyer filma, em partes, dentro daquilo que Schrader chamou de estilo transcendental: encenação teatral, câmera quase imóvel, personagens que parecem falar para o espectador e não entre si. É desconfortável. É paralisante. E é radicalmente diferente de tudo que você já viu. Neste Sessão Extra, Flávia Arielo e Jason Baroni analisam A Palavra — o segundo Dreyer do podcast — e chegam à cena final completamente sem defesa. 🎥 Neste episódio, a conversa passa por: Carl Theodor Dreyer como o maior cineasta dinamarquês. O estilo transcendental no cinema, de Paul Schrader e sua relação com Dreyer. A encenação teatral: personagens posicionados como se houvesse uma plateia — e há, somos nós. Ioannes: Jesus ou João? Duas interpretações possíveis. Os dois protestantismos em conflito e os três milagres que estruturam a narrativa. A cena da ressurreição e o beijo que ninguém esperava. O corpo como parte indissociável da fé — e por que o beijo erótico é a declaração teológica mais precisa do filme. #CinematografiaPodcast #SessaoExtra #APalavra #Ordet #Dreyer #CarlTheodorDreyer #CinemaTranscendental #Cinema #CinemaEuropeu #AnaliseDeCinema

  4. Sep 12

    Coyote vs ACME: uma bigorna na cabeça da Warner | Ep. 50 | Cinematografia

    Um filme que a Warner tentou engavetar, vendeu como descarte por $50 milhões e que já arrecadou $58 milhões em três semanas. A história por trás de Coyote vs. ACME é tão improvável quanto a de um coiote que passa a vida inteira comprando produtos de uma empresa que claramente quer que ele morra. A premissa é ao mesmo tempo absurda e precisa: o Coiote processa a ACME por danos causados por produtos defeituosos. O que soa como piada de roteiro vira um filme sobre justiça, sobre a impossibilidade de vencer grandes corporações e, no fundo, sobre o que significa continuar mesmo quando o sistema é estruturalmente construído contra você. . No episódio 50 do Cinematografia Podcast, Flávia Arielo, Fernando Geloneze e Jason Baroni analisam o filme que quase não existiu. 🎥 Neste episódio, a conversa passa por: A história real por trás do filme: Warner, write-off de $30 milhões, venda à Ketchup Entertainment e a ironia de um filme sobre processar uma empresa que quase foi destruído por uma. David Zaslav e a crise de identidade de Hollywood: decisões erradas, streaming canibalismo e o caso paralelo de Jurado Número 2. O conceito do processo: e se os produtos da ACME fossem deliberadamente projetados para falhar? O filme que não moderniza à força: sem danças de TikTok, sem referências de IA e a essência dos personagens preservada. Albert Camus e o Mito de Sísifo aplicado ao Coiote: é preciso imaginar o Coiote feliz. Link para o artigo da The New Yorker: https://www.newyorker.com/magazine/1990/02/26/coyote-v-acme #CinematografiaPodcast #CoyoteVsAcme #Looney Tunes #Warner #Cinema #Animacao #Hollywood #AnaliseDeCinema #CulturaPop #CoyoteAcme

  5. Aug 28

    A Cidade dos Sonhos de David Lynch | Sessão Extra

    David Lynch morreu sem ter explicado um único filme. Fez questão disso. E Mulholland Drive talvez seja o melhor argumento do porquê isso era a única postura possível para um artista como ele. Cidade dos Sonhos (2001) replica a estrutura de um sonho. A chave azul, a caixinha, o corredor dos pesadelos: Lynch distribui pelo filme sinais evidentes de que aquilo não é real, que estamos num outro plano. É um filme logopático por natureza. Neste Sessão Extra, Flávia Arielo e Jason Baroni revisitam Lynch a partir de Mulholland Drive e chegam ao que talvez seja a melhor palavra para definir qualquer filme dele: atmosfera. O episódio é também uma homenagem dupla: a Lynch, morto em 2025, e a Tim Curry, cuja morte foi anunciada no dia da gravação. 🎥 Neste episódio, a conversa passa por: Lynch como o mais genuíno artista: o cabelo, o meme, a meditação transcendental, as leituras do tempo na pandemia e o cameo como John Ford em Os Fabelmans. A impossibilidade de racionalizar Lynch. Hollywood como sonho e pesadelo simultâneos: o que Mulholland Drive diz sobre a indústria que o hospedou. Naomi Watts e Laura Harring: por que as atuações sustentam o que o roteiro deliberadamente dissolve. A virada do filme e a inversão de identidades: o momento em que a atmosfera assume o controle da narrativa. #CinematografiaPodcast #SessaoExtra #MulhollandDrive #CidadeDossonhos #DavidLynch #Cinema #CinemaAutoral #SuspensePsicologico #AnaliseDeCinema #Hollywood

  6. Aug 23

    Hitchcock: Para além da psicose de Norman Bates - Parte 02 | Ep. 49 | Cinematografia

    A arquitetura de Psicose representa um dos cenários mais icônicos da história do cinema. O motel embaixo, horizontal, vazio, quase vagabundo: o espaço de Norman. A mansão quase gótica lá no alto, cheia de escada, janela e vigilância constante: o espaço da mãe. E é assim que Hitchcock consegue como ninguém dar forma aos traumas psicológicos dessa história. Na segunda parte da análise, o Cinematografia Podcast aprofunda em Psicose: a arquitetura inspirada em Edward Hopper, a cena do chuveiro quadro a quadro, a distinção clínica entre psicose e psicopatia. No episódio 49 - parte 2, Flávia Arielo, Fernando Geloneze e Jason Baroni analisam Psicose de dentro para fora: da composição visual ao inconsciente do personagem. E encerram com recomendações de quem leva True Crime a sério e de quem prefere o suspense sem sangue na mão. 🎥 Neste episódio, a conversa passa por: A arquitetura como personagem: motel horizontal vs mansão gótica e a obra de Edward Hopper como inspiração. A câmera que vigia Norman: a janela, as corujas, o enquadramento de cima para baixo como representação do subconsciente materno. A cena do chuveiro em detalhe: 45 segundos de tela, 7 dias de filmagem, Saul Bass, calda de chocolate Shasta e Alma Reville salvando o plano final. Psicose vs psicopatia: por que o título do filme é clinicamente preciso e o que isso revela sobre Norman Bates. O tribunal: Norman Bates é culpado ou inocente? Recomendações do trio: Mindhunter, O Bar Luva Dourada e Festim Diabólico — para todos os gostos e estômagos. #CinematografiaPodcast #Psicose #Psycho #AlfredHitchcock #NormanBates #CenaDoChuveiro #TrueCrime #SuspensePsicologico #AnaliseDeCinema #HistoriaDoCinema

  7. Aug 20

    Psicose: você precisa assitir a esse filme de Alfred Hitchcock - Parte 01 | Ep. 49 | Cinematografia

    Hitchcock disse a Truffaut que em Psicose o tema não importava, os personagens não importavam. O que importava era a montagem, a fotografia, a trilha, e principalmente "o que conseguia arrebentar berros do público." E 65 anos depois estamos aqui para concordar com ele. O episódio 49 do Cinematografia Podcast é dupla celebração: um ano do podcast e o aniversário de Alfred Hitchcock, no dia 13 de agosto. E nada mais justo do que homenageá-lo com a obra mais famosa de uma filmografia quase irretocável. Flávia reviu Psicose duas vezes nas últimas semanas. Fernando traz o olhar de quem estudou audiovisual e chegou à conclusão de que Hitchcock pode ser o diretor mais completo da história. Jason fecha a primeira parte com o detalhe que resume o filme inteiro: "o lado obscuro é a própria mãe." O trio analisa Psicose como técnica, como marketing e como cinema puro. 🎥 Neste episódio, a conversa passa por: Hitchcock como cineasta total: roteiro, direção de atores, fotografia, composição cênica, direção de arte e domínio da indústria. O marketing de Psicose como obra paralela ao filme: a compra silenciosa dos livros, a política de não entrada tardia, os teasers gravados pelo próprio Hitchcock em 1960. Ed Gein, Robert Bloch e a origem do roteiro: quanto Hitchcock humanizou o monstro? A política do spoiler: como cada um do trio descobriu o segredo do filme. E o que esperar da parte 2 desse episódio? Aprendemos com Hitchcock a manter o suspense!

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