Francisco Mota Saraiva e João Dinis, a partir dos seus conhecimentos de “Geografia”, desenham o mapa da poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen, desde a violência das ondas das Praia da Granja até à luminosidade transparente do Algarve, enquanto anotam as sílabas do Brasil, erigem o nu das estátuas gregas, percorrem as cidades de pedra e cal, e descansam sob o túmulo de Llorca e escutam o mundo nomeado, descobrindo as ilhas, o poema, ali, então, ao ritmo das Ménades que dançam. Madalena Sá Fernandes, autora dos livros Leme, Deriva e do mais recente Sótão, e obcecada pela arquitectura da palavra de Sophia, é a convidada do episódio de hoje em que ficámos a conhecer um belíssimo romance de cavalaria, da autoria da sua família, chamado Palmeirim D’Inglaterra, um branco, de 2021, de ataque cremoso e de uma acidez fresca. Como escreveu Maria Andresen Sousa Tavares, «Há poetas mais peritos, mais cultistas, mais destros e liricamente sofisticados, mais modernos, antimodernos e pós-modernos. Mas aqui há uma força. Uma força muito rara. Há um excesso, não muito cauteloso, umas vezes iluminado, outras vezes rouco». Para os nossos convivas, há vinho, há poesia, há Sophia, e isso basta.