Aqui na Pictom, quando começamos um projeto de embalagem, definimos um escopo que contém, entre outras coisas, os entregáveis e os prazos de cada etapa. Também estimamos as horas que serão investidas em cada uma das três fases principais do projeto: (1) setup e preparação, (2) desenvolvimento e (3) fechamento. Essa é uma visão simplificada do nosso processo, mas serve para categorizar os grandes marcos de um trabalho e verificar onde estamos concentrando mais esforço e onde existem gargalos que podem atrasar um lançamento. O que tem chamado nossa atenção é que o fechamento tem sido a fase mais longa de alguns projetos, embora historicamente não devesse ocupar nem 30% do tempo total. Mas vamos às etapas, e você vai ver onde dói. A primeira é a preparação, ou o setup. É quando precisamos fazer as perguntas certas e reunir as informações e os recursos necessários para o projeto: fichas de produtos, plantas técnicas, estudos preliminares e outros materiais que o cliente já tenha. Quando a definição da ficha técnica e das informações que vão na embalagem fica para o decorrer do projeto, eu já começo a ver sinais de que o fechamento pode se alongar. A segunda é o desenvolvimento. É onde mais deveríamos investir tempo, porque pesquisamos, avaliamos e, principalmente, criamos soluções que podem ajudar a diferenciar o produto. Também é a fase em que temos menos controle sobre o caminho: uma descoberta pode mudar uma ideia inicial e trazer uma solução que não estava prevista no briefing. Precisamos de tempo para explorar essas possibilidades. Aqui, consigo ver sentido em estender um pouco o prazo quando isso permite testar uma ideia ou chegar a uma solução melhor, mas já estamos pressionados pelo prazo de apresentação do conceito para validação junto a equipe de trabalho. A terceira e última é o fechamento, quando geramos os ativos do projeto: arquivos de embalagem para impressão, renders de produto, mockups para o varejo, materiais de apresentação comercial, entre outros. Nessa etapa, já precisamos ter as informações finais dos produtos, as tabelas nutricionais e as alegações validadas. Com as decisões tomadas, o trabalho deveria seguir os protocolos técnicos de cada entrega. Só que nem sempre chegamos ao fechamento com tudo isso resolvido. Informações chegam aos poucos, definições continuam abertas e cada pendência gera uma nova rodada de ajustes. Essa etapa acaba absorvendo decisões que deveriam ter sido resolvidas antes, algumas delas muito antes do briefing. É aqui que está o problema: estamos investindo mais tempo numa etapa em que boa parte do trabalho deveria ser executar o que já foi definido. Enquanto isso, a fase em que poderíamos pesquisar mais, testar alternativas e encontrar soluções melhores fica com o prazo cada vez mais apertado. Os cuidados técnicos são necessários. Mas prolongar o fechamento por falta de informação ou decisão do cliente consome horas sem melhorar o produto. Quando o prazo de lançamento continua o mesmo, esse tempo faz falta justamente onde poderíamos contribuir mais para o produto que vai chegar ao mercado. Esse cenário tem se repetido e foi um dos gatilhos para repensarmos a forma como participamos do desenvolvimento de produtos. Temos buscado construir, junto às indústrias, ser convidado a pensar o produto antes do briefing de embalagem e criar uma rotina em que informações, decisões e aprendizados sejam organizados continuamente. Isso não elimina os imprevistos, mas abre espaço para dedicar mais tempo ao que merece ser explorado. Quando o lançamento seguinte começa a ser pensado antes de virar urgência, conseguimos fazer perguntas melhores, testar possibilidades e chegar ao fechamento com as decisões mais maduras. É essa cultura de continuidade que queremos ajudar a construir. This is a public episode. If you would like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit pictomdesign.substack.com