Logon Podcast

Rosacruz Áurea

Logon é a revista online da Escola da Rosacruz Áurea. LOGON explora uma nova perspectiva do desenvolvimento do ser humano e das mudanças na sociedade do século 21, que emergem na arte, na ciência e na religião. Visite nosso site: www.logon.media/pt-br

  1. 6h ago

    #230 Bhagavad Gita: da desesperança à coragem para superar

    BHAGAVAD GITA: DA DESESPERANÇA À CORAGEM PARA SUPERAR Qualquer pessoa pode se tornar e ser um Arjuna Arjuna, um ser humano em busca da verdade O Bhagavad Gita é mais do que um mito ou o relato histórico de uma luta pelo poder em um reino indiano. É a conversa entre o deus Krishna e o príncipe Arjuna, que está às vésperas de uma grande batalha. Foi traduzido para inúmeras línguas e comentado em diferentes culturas. É um dos textos espirituais mais difundidos do mundo. Mas será que ainda há algo a descobrir nele? Este artigo pretende lançar luz sobre uma questão do Bhagavad Gita que nem sempre é claramente expressa, mas que é significativa para todo buscador espiritual: como a desesperança de Arjuna, retratada no capítulo “Não quero lutar”, se transforma na decisão corajosa que ele expressa a Krishna no final do Bhagavad Gita? Por Teu poder divino, ó infalível, destruíste minhas ilusões e agora estou novamente sereno. Livre da dúvida, estou agora firme e desejo agir de acordo com os Teus ensinamentos. [1] No prefácio da tradução inglesa de 1890, William Q. Judge enfatiza que Arjuna não deve ser visto apenas como um príncipe lutando por sua herança, mas também como um protótipo de todo ser humano que busca iluminação e libertação. Além disso, segundo Judge, o Bhagavad Gita descreve a evolução de um povo no sentido de que os instintos inferiores podem e devem ser superados na luta por um destino superior. Arjuna torna-se, portanto, um exemplo do buscador individual e um representante da humanidade que está em processo de busca e desenvolvimento. A “batalha” descrita no Bhagavad Gita não se refere “apenas à grande luta que a humanidade trava, mas também à luta que se torna inevitável assim que qualquer indivíduo humano decide confiar à sua natureza superior a condução de sua vida” [2]. Nesse contexto, o Bhagavad Gita surge como um livro de grande importância para o buscador contemporâneo que almeja a libertação. Como a luta interior de Arjuna pelo reino perdido, o divino dentro de si, se manifesta hoje? Ou: como podemos passar do desânimo e do abatimento à coragem de buscar, encontrar e vivenciar o divino em nós mesmos?   A busca pelo divino dentro de nós A apresentação de Arjuna como um "príncipe que perdeu seu reino" é encontrada em muitos mitos da literatura esotérica, bem como em contos de fadas que apontam para outro mundo e tempo. Podemos ver esse mesmo princípio refletido nas histórias de Buda, Parsival, Christian Rosacruz e outros. A percepção de uma perda fundamental, latente nos seres humanos, as perguntas e buscas que daí surgem e a experiência de “estar exilado” em um mundo imperfeito são pontos de partida de toda procura que brota no coração. No Bhagavad Gita, esse estado é simbolicamente retratado pelo exílio de Arjuna em florestas desconhecidas e inóspitas. Tanto Arjuna quanto seus irmãos buscam aliados que possam apoiá-los na luta para reconquistar seu reino, e os encontram nos níveis físico-material e espiritual. A inquietação do coração é o ponto de partida para a jornada rumo à iluminação. Essa inquietação é que nos impele a buscar a verdadeira realeza perdida dentro de nós. Tal busca permite a Arjuna reconhecer Krishna como um ajudante da humanidade e encarnação da alma divina, encontrá-lo dentro de si mesmo e receber seus ensinamentos. Krishna é descrito no Bhagavad Gita como um ser separado de Arjuna, mas que pode ser visto como a voz do coração que adverte, clama e ensina — o guia e mestre que fala a partir do nosso íntimo. Arjuna recorre a essa voz interior para ser instruído, e sua confiança nos ensinamentos de Krishna é a chave que abre a porta do conhecimento. É nesse momento que ele percebe que seu apego a tudo ao seu redor — aos amigos, parentes e desejos terrenos — deve ser superado. O ponto de partida para o diálogo entre Krishna e Arjuna é a percepção da impermanência do mundo e a busca pelo divino. Arjuna, inicialmente, fica desanimado e angustiado com a luta que o espera: Ai de nós, que grande crime estamos para cometer: eliminar nossos parentes, levados pela ambição do poder! Bem melhor seria se nos rendêssemos aos inimigos armados e nos deixássemos matar na luta, sem armas nem defesa! [3] No segundo capítulo, Krishna responde ao desespero de Arjuna: Andas triste por algo que tristeza não merece — e tuas palavras carecem de sabedoria. O sábio, porém, não se entristece com nada, nem por causa dos mortos, nem por causa dos vivos. […] É eterno, permanente, imutável, inconcebível e inalterável […] Alguns consideram o espírito interior um milagre, enquanto outros falam dele com admiração, […] mas ninguém o reconhece. [4] Se transferirmos o desespero de Arjuna para o ser humano de hoje em sua luta pela libertação das amarras deste mundo, a luta será dentro de tal pessoa, e os “oponentes”, ou aqueles a serem mortos, serão símbolos de suas conexões e vínculos com este mundo. Assumir essa luta exige coragem: deixar de lado todos os hábitos e apegos mundanos. Krishna aconselha: “Seja indiferente ao prazer e à dor, ao ganho e à perda, à vitória e à derrota, e entre na luta assim. Renuncie a todo desejo de vantagem e a todo medo de fracasso. Busque equanimidade em suas ações. Permaneça devoto a mim.” Com essas e outras explicações sobre o caminho que leva ao conhecimento da verdade, ou seja, ouvindo a voz do coração, Arjuna age como qualquer outro buscador: inicia a jornada de volta ao “reino original, que não é deste mundo”, como descrito no Novo Testamento. Ouvir a voz interior exige deixar constantemente de lado todos os desejos e apegos a este mundo. A escuta e a atenção interior nos encorajam a perceber os impulsos transmitidos. Será que experimentamos essa coragem dentro de nós?   O Caminho do Conhecimento Nos capítulos de 2 a 14 [5] do livro Bhagavad Gita, Krishna explica os principais passos e o conhecimento do caminho para a libertação. Todas as escrituras descrevem o aumento do autoconhecimento em estágios. Nesse caminho, o buscador se aproxima cada vez mais de Krishna e o reconhece como o “Espírito Supremo” que habita nele. Ao se reconectar com esse Espírito Supremo (o ELE, que é inexplicável e indescritível, que transcende toda razão e faz o tempo e o espaço passarem), Arjuna supera sua desesperança, tristeza e dúvida. No capítulo 15, Krishna fala com Arjuna sobre o conhecimento do Espírito Supremo: Eu habito nos corações de todas as pessoas [...] porque estou acima do destrutível e até acima do indestrutível, por isso sou chamado de Espírito Supremo tanto no mundo quanto nos Vedas. Aquele que não é enganado reconhece-me como o Espírito Supremo, conhece todas as coisas e adora-me em todas as formas e condições. É assim que expliquei a vocês [...] essa ciência sagrada. […] Quem a entende [...] torna-se um homem sábio e o fazedor de tudo o que precisa acontecer. [6] O que isso pode significar para as pessoas de hoje? Vivemos em um mundo de luta, ameaçados por desastres ambientais, guerras e novas doenças. A sociedade está dividida; famílias e amizades foram destruídas pela crise do coronavírus. Velhos dogmas, hábitos e crenças já não se aplicam. Para onde tudo isso leva? O que nos espera no futuro? Não poderíamos nos desesperar e nos desanimar como Arjuna? Como ele, estamos abertos o suficiente, já que não perdemos completamente a memória do nosso ser mais íntimo, que não é deste mundo, para que ainda possamos lutar pelo nosso reino interior? “De onde vem seu desânimo?”, diz Krishna a Arjuna. “É degradante. Deixe essa desprezível fraqueza de coração e erga-se.” [7] Será que nós reconhecemos todo o apego a este mundo, nossos medos, preocupações, desejos e vontades como nossos inimigos? Reconhecemos neles os inimigos do nosso verdadeiro eu? Se for assim, podemos nos preparar para o caminho que leva à libertação! Como a Bíblia nos lembra fortemente, todos somos filhos de Deus e chamados à liberdade. Krishna, Cristo e todos os grandes seres no Espírito que nos mostram o caminho e, na maior necessidade, podemos ouvir sua voz dentro de nós, a “voz do silêncio”. É indivisível, incorruptível [...] eterna, universal, invisível. É sem nascimento e não conhece a morte. Permite-se ser prazer e dor [...], vitória ou derrota, não importa [...]. Torne-se indiferente ao sucesso ou fracasso, [...] pois aqueles que desprezam a recompensa por seus atos não nascerão novamente na Terra e entrarão nesse estado eternamente feliz, livre de todas as dificuldades. [8]   Da recusa à ação consciente Quando Arjuna se recusava a lutar, estava dominado pela confusão e pelo apego. No final, ele diz, em essência, que agora compreende seu dever e está disposto a agir. Sua coragem não nasce da ausência de medo, mas da clareza que encontrou. Buscar a “voz do silêncio” dentro de nós nos leva ao conhecimento e nos permite trilhar o caminho. Se a ouvimos, recebemos dela a coragem de seguir os ensinamentos adquiridos, como Arjuna fez no final do Bhagavad Gita.   REFERÊNCIAS: [1]O Bhagavad Gita (BG), O Livro da Devoção - Ensaios sobre o Gita –  Capítulo XVIII  -disponível emhttps://www.theosociety.org/pasadena/gita/bg-eg-hp.htm [2] BG: Palavras introdutórias por W.G. Judge 1890, p. VII [3] BG, Capítulo 1: O Desespero de Arjuna, p.5 [4] BG, Capítulo 2: Devoção Baseada em Ensinamentos Especulativos, p. 9/10 [5] Uma descrição dos diferentes capítulos iria além do formato e propósito deste artigo. Por favor, consulte as várias discussões detalhadas do Bhagavad Gita, por exemplo, Bhagavad Gita Buch Empfehlung Übersetzung und Kommentar [6] BG, Capítulo 15: Devoção através do conhecimento do Espírito Supremo, p. 75/76 [7] BG, Capítulo 2: Devoção baseada nos ens

  2. Aug 12

    #228 A vida na sala de espera

    A VIDA NA SALA DE ESPERA E se a jornada mais longa não for em direção ao futuro? Passamos a maior parte de nossas vidas em uma sala de espera. Não daquelas com filas de cadeiras e senhas numeradas. É uma sala comprida como um corredor, que se estende entre quem somos e quem esperamos ser. É lá que vivemos e aguardamos. Aguardamos por um momento melhor; pela oportunidade certa; por um amor que transforme nossas vidas, por um trabalho que tenha sentido... Esperamos cura, compreensão e perdão. Aguardamos impulsos espirituais, inspiração e momentos em que a Luz nos toque. Aguardamos por quem pensa e anseia pelo mesmo que nós. Porém, quando finalmente chega o que esperávamos, descobrimos que nosso coração já olha para a próxima porta, cheio de expectativas... É que criamos muitas paisagens imaginárias para nosso futuro. Também sofremos muito por causa da distância entre o que vemos e o que desejamos ver. Entre este momento e aquele que acreditamos que virá. Entre a história que contamos sobre nossa vida e a própria vida. Estamos convencidos de que em algum lugar à nossa frente existe o momento em que a busca finalmente terminará e haverá harmonia total. No entanto, com sua sabedoria, a vida nos deixa na sala de espera até começarmos a entender que, na verdade, não estamos esperando por um evento externo, mas pelo grande encontro com nós mesmos. De repente, percebemos que a sala de espera não é um lugar de passagem. Não existe vida que comece depois. Não existe um momento futuro em que nos tornaremos completos. Só existe este momento, esta respiração. Nossas expectativas dão direção às nossas vidas, inspiram sonhos, criatividade e a coragem para transcender nossos próprios limites. O problema é que, em vez de percebermos a realidade diante de nós, nos concentramos no futuro que imaginamos. Então, a sala de espera parece ser uma prisão. Nossa espera parece interminável por desprezarmos que quando o futuro chega, ele não é mais o futuro. O futuro jamais é vivido. Vivemos apenas agora. Talvez seja por isso que os despertares mais profundos não acontecem quando nossos sonhos se realizam, mas quando não precisamos mais dos sonhos. É quando a pressa interior se cala. Quando passamos a ouvir o que está acontecendo hoje. Aí, a sala de espera começa a desaparecer. Vemos que suas paredes eram tecidas pelos pensamentos e as portas se dissiparam como névoa. Vemos desaparecer todas as imagens que nós criamos a respeito de verdade, plenitude e transformação espiritual Vemos sumir a expectativa de que o mundo atenda aos nossos anseios... Pois enquanto ficamos na sala à espera de chegar nossa vez na vida, não podemos vivê-la verdadeiramente. Enquanto esperamos pela Luz, não percebemos que a Luz está e sempre esteve conosco. Ouvir o que está acontecendo hoje é silenciar a vastidão de barulhos que nos atormentavam. Ao nos deparamos com a percepção de que desejos e imagens do futuro sempre surgem e desaparecem, talvez seja o momento em que o verdadeiro conhecimento comece. É uma questão de transformação da percepção: não estávamos à espera do momento certo de chegar, mas nos defendendo de enxergar algo que sempre esteve presente. Pois o medo mais profundo e resistente do ser humano é a transformação da sua percepção. A transformação do seu pensamento, pois uma nova forma de ver o mundo pode dissolver a imagem que construímos de nós mesmos. Com isso, pode desfazer cada certeza, desmontar cada história cuidadosamente construída. É por isso que ficar à espera parece ser mais seguro. Isso nos permite acreditar que a resposta está em algum lugar fora de nós. Que ainda não precisamos questionar aquilo em que sempre acreditamos. Porém, se surgir uma fissura por onde entre a luz, mesmo que não traga nenhuma informação nova, isso simplesmente transforma conhecimento em experiência direta. Então descobrimos que a verdade estava tão perto que a mente não conseguia perceber. O mais difícil de enxergar é o que sempre esteve presente. Surge a compreensão de que não somos nós que estamos sentados na sala de espera. O espaço onde a espera se manifesta é dentro de nós Com esse reconhecimento, a espera chega ao fim. Descobrimos que só o que existe é este momento, que assume incessantemente novas formas. A sala de espera é construção da nossa mente. Ao invés de uma sala de espera, existe a vida, fluindo sem interrupção, enquanto imaginamos um lugar de espera. A espera deixa de ser vista como uma questão de tempo e torna-se uma questão de consciência. Quando parei de perguntar pelo que esperava, o silêncio se instalou, e nele, pela primeira vez, eu realmente vi onde estava. Não havia destino. Não havia futuro. Não havia sequer um caminho. Apenas a vida. Tão próxima. Tão imediata. Tão presente que, durante anos, eu a confundi com a espera. Foto Camilo Contreras on Unsplash CC0

  3. Aug 5

    #227 A vida quer florescer

    A vida quer florescer – A poesia como beleza criativa Há uma orquídea na janela à minha frente. Foi presente de um amigo há alguns anos. Por muito tempo ela permaneceu ali discretamente, até que, há alguns dias, botões apareceram. Agora, vejo flores abrindo-se em formato de borboleta, e também é possível ver o desenho de uma estrela de cinco pontas. As pétalas são roxas e um delicado branco se estende em direção ao centro, que é amarelo claro. Outro tom de roxo se repete na parte interna da flor e nas bordas externas das pétalas. Sua beleza encanta. A orquídea se abriu de repente, inesperadamente, independente de mim. Isso torna essa visão algo muito emocionante. A flor deu à luz a si mesma com o poder da vida. Ao mesmo tempo, todo o cosmos dança dentro dela. A planta extrai seu sustento da pequena quantidade de terra no vaso, absorve a luz do sol e se nutre com a água que lhe dou. Muitas forças e inter-relações fizeram com que esse final de inverno fosse o momento certo para florescer, como um prenúncio da primavera. Quando uma planta faz isso, é como se a essência, a expressão única da vida, se tornasse visível. Podemos sentir o poder elementar que impulsiona a abertura do botão. Ao observar a orquídea por um tempo, entro em um campo de ressonância. Vê-la abrir-se, revelar-se, desperta em mim a possibilidade de realizar a mesma ação. Sinto que esse poder vital também atua em mim. E com ele, a beleza. Esse fato cumpre uma antiga lei da vida, um princípio eterno: a vida quer florescer. Assim, a planta não é algo que observo ou admiro externamente, mas uma forma em desenvolvimento que vibra e ressoa em mim também. Como humano, também sou um ser em evolução e almejo o desabrochar da minha vida, encontrando o espaço, o ambiente e a vontade para permitir que os dons, talentos e impulsos criativos que residem em mim floresçam, que os botões da minha alma desabrochem. Quem passa por isso encontra uma perfeição que não é uma conclusão, mas uma abertura para o todo, para aquilo que ainda é possível. O nascimento é  Uma abertura vinda de longe que me presenteia de perto com a essência do tempo Diz a tua voz que me conduz para casa: A vida é uma só  e floresce O sopro eterno Na beleza de uma flor, tocamos um princípio eterno da vida que transcende nossa existência limitada e temporal. Quando percebemos algo como belo, sentimos o sopro de leis e forças. Algo eterno nos toca. É por isso que a beleza pode nos orientar em meio a um mundo de insegurança, destruição, conflito e convulsão. A beleza na natureza, na arte, na humanidade, nas relações e nas ações éticas nos lembra que vivemos em um mundo que anseia por florescer a partir de si mesmo. O milagre é que o mundo é belo, mesmo que nele também existam feiura e escuridão. A beleza existe, e nossa alma anseia por esta verdadeira e permanente beleza que floresce da própria vida, como a própria vida. Nenhuma artificialidade pode substitui-la. Uma pessoa à beira da morte, cujo rosto é iluminado por uma vida plena, pode irradiar um brilho vital impossível de ser recriado. A verdadeira beleza sempre se desdobra de dentro para fora, porque um ser, uma pessoa, uma obra de arte ou uma sociedade expressa a harmonia de seu próprio interior. É por isso que a beleza possui um poder unificador. Grandes obras de arte de diferentes culturas, músicas e poesias podem nos tocar mesmo quando sua forma, linguagem ou som nos são desconhecidos. Em experiências de beleza, como a contemplação de uma flor, reconhecemos nossa interconexão com a totalidade da vida. Florescemos como um só, como UMA vida. Completamente Desperto Nascido  na luz em movimento A criação acontece Quando crescemos E nos ultrapassamos No olhar aberto Que nos oferece O que é possível Um grande desdobramento A beleza de que falamos é o sopro da vida. O poder da criatividade pulsa dentro dela, e esse poder também reside em nós. Estamos entrelaçados em um grande desdobramento que conduziu o universo da luz e da energia, através da matéria, à vida e à consciência. Cada flor nessa corrente da vida é bela: as galáxias que vemos com telescópios, as plantas, os animais e as paisagens, assim como o ser humano em sua criação artística, em seus impulsos de compaixão e conexão, em sua busca pelo conhecimento do mundo e de si mesmo. A beleza pulsa nesse processo, de dentro para fora. Quando algo é belo, o poder criativo e a harmonia da vida se expressam. Quando algo é feio, o fluxo da vida é interrompido, amortecido, congelado. Em nosso ser criativo, visualizamos a beleza. Quando nos alinhamos conscientemente com esse poder florescente, sentindo-o interiormente e expressando-o no mundo, poetizamos nossa existência. O poético, compreendido de forma mais abrangente como uma maneira de estar no mundo, vive em ressonância com o belo. Toda obra poética, todo ato poético busca trazer nossa conexão com a vida em sua plenitude para a experiência e para a realização. A poesia trilha o caminho da sintonia estética. Ao escrever um poema, algo no mundo me toca. Fico comovido. Encontro palavras, imagens e metáforas que revelam meu estado de espírito. Mesmo quando escrevo sobre perda ou dor, a beleza pode surgir ao revelar uma conexão. Quando estamos em sintonia com a vida em toda a sua complexidade, com o belo e o doloroso, a vida encontra expressão. Correspondemos, assim, à nossa verdadeira natureza como agentes criativos, como cocriadores de um cosmos em constante desdobramento. A respiração chega.  Movimenta internamente a maré alta e a maré baixa do ser. Eu sou o instrumento da música que preenche a Terra e o Céu e nos oferece o que está entre ambos Transformando nossa união A beleza é um todo no qual diferentes partes encontram uma harmonia dinâmica. Os relacionamentos se tornam belos quando nosso próprio florescimento encontra espaço neles e quando o relacionamento se torna uma flor que cultivamos juntos.  Isso nos lembra que não somos ilhas isoladas em um cosmos vazio, mas seres entrelaçados com tudo. Uma sociedade e uma comunidade humana também podem tornar-se espaços de florescimento. Cada pessoa pode ter a oportunidade de desenvolver-se livremente, de ser formada interiormente e de manifestar sua verdadeira natureza. Por isso, os espaços de aprendizagem e de desenvolvimento interior são centros de energia social. Uma pessoa se torna bela quando suas capacidades de pensar, sentir e querer, sua corporeidade, imaginação e ação encontram uma harmonia viva. Então, toda a existência se torna um espaço criativo para aquilo que é possível. A flor que poderíamos ser nos chama... E esse é o belo chamado das profundezas da vida, onde verdade, bondade e beleza se encontram e abrem uma dimensão essencial da nossa existência: o espaço do sagrado. No sagrado se dá nosso entrelaçamento com o mistério incompreensível da vida. Maravilhamo-nos. Sentimos reverência.  No mistério, a beleza vibra e se revela porque podemos contemplá-la e sermos tocados por ela. Participamos da beleza. Uma vida estética, nesse sentido, é uma existência sensível, perceptiva e poética que deseja o sentimento inteiro, sem anestesia. Pela beleza nós podemos despertar para nossa humanidade e poetizar nosso mundo. Aqui os meus olhos voltam-se para a orquídea na janela. Como toda flor, ela nos convida a entrar no campo de força criativa de onde podemos encantar novamente nossa vida, nossos relacionamentos, nossos pensamentos e sentimentos, nosso ser e nossas ações. Olhemo-nos nos olhos. No brilho do encontro o horizonte  abre um presente compartilhado Sentimo-nos livres Juntos, somos sustentados E construímos a terra. O futuro desabrocha Agora. Photo: orchids-Bild-von-Carola68-Die-Welt-ist-bunt-auf-Pixabay_CC0

  4. Jul 1

    #226 A chama interior da oração: reflexões sobre "O Judeu Que Ora", de Chagall.

    A CHAMA INTERIOR DA ORAÇÃO:  REFLEXÕES SOBRE "O JUDEU QUE ORA", DE CHAGALL A oração é o limiar, a abertura através da qual a nova alma pode emergir. Momentos na arte transcendem a forma e a narrativa quando parecem expressar algo universal. A pintura O Judeu em Oração, de Marc Chagall, é um exemplo. Nela, um homem curvado, envolto em um manto branco, está imerso em oração. Não há ação nem palavras. Ele simplesmente está. Quieto, ele ora.  Mas o que é a oração? A oração não é uma súplica dirigida a uma divindade distante nem um pedido por favores ou resultados. Na tradição rosacruz, é um movimento silencioso da alma, um ato de escuta, alinhamento e entrega à chama interior. Tal visão está em sintonia com a corrente da Linguagem Sagrada, o conhecimento sagrado revelado por Cristo e, antes dele, por grandes iniciados de diferentes épocas. Como escreve Édouard Schuré em Os Grandes Iniciados, a verdade do Espírito “passa pela alma em silêncio”. A transmissão da sabedoria divina não é de uma religião ou povo específico, mas constitui um legado transmitido àqueles que estão prontos para ouvir. Sob essa perspectiva, a figura retratada por Chagall simboliza o momento eterno em que o ser humano se volta para dentro e escuta. Aqui, não há pretensão de definir a oração, mas aproximar-se dela, ainda que por um instante. À primeira vista, O Judeu em Oração parece uma obra simples. Retrata uma figura solitária em silenciosa reverência, segurando objetos sagrados, com a cabeça levemente inclinada. A imagem remete ao gesto da oração, que pertence a buscadores de todas as tradições. As cores suaves, a ausência de drama e o mínimo de movimento irradiam quietude. Tudo conduz à introspecção. No misticismo judaico, a oração é frequentemente compreendida como um caminho de união com o Divino. O homem retratado por Chagall não está em êxtase. Está silencioso, presente e enraizado. Sua quietude revela um sentido profundo da oração que não é de pedidos nem louvores, mas de permanência diante do invisível. A obra nos convida a contemplar a oração como uma atitude. A oração como um voltar-se para dentro em direção a algo sagrado e vivo. Como ensinaram os grandes iniciados, a verdade se revela na íntima quietude da alma. Nos ensinamentos da Escola Rosacruz Áurea, a oração não é um ato de súplica nem depende de formas, palavras ou rituais.  Em vez disso, é uma orientação, um alinhamento do ser interior com o núcleo divino.  É a alma se reajustando à sua frequência original. Trata-se de uma recordação daquilo que a alma realmente é.  A alma que ora dessa forma não busca persuadir ou direcionar o Divino. Escuta. Entrega-se. E, nessa entrega, abre espaço para que algo superior surja em seu interior. Por isso, a verdadeira oração não pode ser ensinada. Ela é um estado de ser. Como descreve Catharose de Petri em A Palavra Viva, a verdadeira invocação surge de um coração transformado. Ela se torna possível quando a personalidade cessa sua luta e entra na quietude nascida da entrega. Nesse silêncio, a Linguagem Sagrada — a voz do Espírito — pode começar a ser ouvida. O caminho rosacruz descreve esse processo como uma transformação gradual na qual o antigo Eu cede lugar ao novo, não apenas pelo esforço humano, mas pela ressonância com a Luz. É isso que a oração torna possível. Trata-se da abertura de um templo interior preparado para o retorno da chama divina. Visto dessa forma, o homem retratado por Chagall é mais do que um símbolo de devoção. Ele reflete aquilo que todo buscador é chamado a se tornar: um ouvinte silencioso e entregue. Ele se torna a própria oração. Ao longo dos séculos e em diversas culturas, muitas pessoas se voltaram para o interior. Preocupam-se não apenas com a observância exterior, mas com o despertar interior. Por meio deles, o fluxo vital do Espírito continua. Em Os Grandes Iniciados, Schuré descreve essa continuidade como uma tradição espiritual que atravessa os mistérios do Egito e da Índia, passa por Orfeu, Pitágoras, Moisés e os profetas, culminando em Cristo. É um fio vibracional, uma corrente viva de conhecimento sagrado transmitida de alma para alma por meio da transformação interior.  No coração dessa tradição está a oração. O verdadeiro iniciado torna-se instrumento do Divino no mundo. Nesse contexto, a oração torna-se uma chama silenciosa, uma receptividade à Vontade Superior.  Ela deixa de ser algo pessoal para tornar-se universal. Nasce do reconhecimento da unidade interior.  Essa é a oração que vislumbramos em O Judeu em Oração. Embora a figura esteja profundamente enraizada na tradição judaica, ela transcende seu contexto cultural e representa uma experiência humana universal. Sua presença silenciosa expressa a mesma força espiritual que animou os grandes iniciados de todas as épocas. Sob essa luz, a pintura transforma-se em um ícone do caminho interior. Ela fala não apenas aos que pertencem a uma tradição religiosa, mas a todos os que já sentiram o chamado do Divino em seu coração. Recorda-nos que as verdades mais profundas muitas vezes permanecem implícitas. São reconhecidas na quietude. Vivemos em um mundo saturado de palavras, imagens e opiniões. Vozes disputam nossa atenção a cada minuto. Num clima assim, o silêncio pode parecer vazio ou até desconfortável. Contudo, é precisamente nele que algo essencial pode ressurgir. O homem retratado por Chagall não argumenta, não proclama nem persuade. Sua quietude não é passividade, mas sintonia. Ele retorna ao seu santuário interior. Revela uma força que nasce do alinhamento. Para o buscador da Gnose, do conhecimento superior, esse tipo de oração torna-se vital. Somos lembrados pelos ensinamentos rosacruzes de que toda transformação verdadeira começa com um retorno ao interior, uma preparação da alma para que o Espírito possa novamente falar. E a voz do Espírito nunca é estridente. Ela espera pacientemente ser acolhida. Esse é, talvez, o convite silencioso da pintura: perceber o mundo de outra maneira e agir a partir da clareza que nasce da escuta interior. Nesse sentido, a oração torna-se uma atitude permanente da alma. Uma abertura silenciosa que escuta antes de falar e ama antes de julgar. Ela retorna à sua profundidade original e deixa de ser apenas um ato para tornar-se uma forma de ser. Uma transformação. Um estado de ressonância com o eterno. O que Chagall capturou em O Judeu em Oração ultrapassa o tempo e a cultura. É a imagem daquele que se recorda com a alma, daquele que reencontra uma memória profunda de sua origem divina, muitas vezes encoberta pelo ruído do mundo e pelas identidades que acumulamos ao longo da vida. Mas essa memória exige escuta. E para escutar é preciso fazer uma pausa. Por isso, a oração não pode ser dissociada da transfiguração. Ela é o limiar, a abertura por onde a nova alma pode emergir. Não pelo que é dito, mas pelo que é oferecido: uma vida entregue, um coração sereno e um silêncio suficientemente profundo para que a Linguagem Sagrada possa ser ouvida mais uma vez. Talvez seja por isso que O Judeu em Oração nos comove. Ele fala sem palavras e aponta sem gestos. Atrai-nos para sua quietude, e algo dentro de nós se agita. Algo vagamente lembrado. Algo que nos chama de dentro e aguarda uma resposta, silenciosamente, com todo o nosso ser.   Referências Chagall, Marc. Minha Vida . Tradução de Elisabeth Abbott, Peter Owen Publishers, 1965. De Petri, Catarose. O Verbo Vivente. Editora Rosacruz. Schuré, Édouard. Os Grandes Iniciados: Um Estudo da História Secreta das Religiões . Tradução de Fred Rothwell, Kessinger Publishing, 1999. Van Rijckenborgh, J. A Gnosis Original Egípcia. Editora Rosacruz. Van Rijckenborgh, Jan e Catharose de Petri. Os Mistérios Gnósticos da Pistis Sophia . Editora Rosacruz. Foto:Marion Pellikaan

  5. Jun 25

    #225 Wu Wei na pintura chinesa

    WU WEI NA PINTURA CHINESA Wu Wei é um termo taoísta que aparece pela primeira vez no Tao Te Ching e é geralmente traduzido como não-ação.  É um modo de vida também praticado na pintura chinesa. Nela, o mesmo motivo é pintado repetidamente, como uma montanha ou uma árvore.  O que isso poderia ter a ver com o não-ação? Não se torna entediante pintar o mesmo tema várias vezes? Não é o tema ou o resultado da pintura que importa, mas sim o processo.  O artista pratica uma atitude perante a vida. Ele busca trabalhar em harmonia com o Tao.  Segundo a tradição chinesa, o Tao é o princípio original através do qual tudo é criado e sustentado. É um princípio de uma ordem espiritual-divina elevada, cuja sabedoria transcende em muito a compreensão humana. O pintor orienta-se por esse princípio superior e adapta-se a ele. Ele não quer mais ser o agente, o pintor, mas sim permitir que o Tao atue por meio dele, por meio de sua mão. Ele "faz" e, no entanto, não faz. Ele é ativo na não-ação. Poderíamos também chamar isso de não-intervenção, uma não-intervenção nas leis do Tao. O pintor deixa que essas leis atuem através dele intuitivamente; ele busca unir-se à obra criativa do Tao, reconhecê-la e reproduzi-la no tema da pintura. Através do processo de pintura, ele aprende a discernir até que ponto ainda deseja realizar sua própria vontade ou permitir que o Tao atue dentro dele. Pois o Tao está em tudo; sem o Tao, nada há. Portanto, o sábio se mantém no não-fazer; ele pratica o ensino sem palavras. Quando o trabalho está feito, ele não se apega a ele; precisamente porque não se apega a ele, ele não o abandona. Lao Tzu Photo: Anita Vieten

  6. May 27

    #223 De uma peça de quebra-cabeça a uma imagem

    DE UMA PEÇA DE QUEBRA-CABEÇA A UMA IMAGEM   À minha frente, vejo peças de um quebra-cabeça dispostas sobre a mesa. Se tudo der certo, o resultado será uma bela paisagem. Começo com algumas peças da borda e vou avançando em direção ao centro da imagem. Penso: não somos nós, humanos, como peças de um quebra-cabeça? Cada um tem forma e conteúdo próprios, sentimentos e pensamentos distintos, hábitos e objetivos que variam. Apesar dessa individualidade, estaremos atuando na formação de um novo e belo quadro? Estaremos trabalhando por um objetivo comum, pelo próximo passo no desenvolvimento da humanidade, como se espera da Era de Aquário? Grandes visionários descrevem um objetivo comum para a humanidade e estágios de desenvolvimento que precisam ser alcançados. Alguns falam de paz e liberdade. Outros, de amor fraternal que abrange toda a criação. Diferentemente de um quebra-cabeça, não somos peças prontas que se encaixam para formar uma imagem pré determinada. Como o indivíduo está ligado ao coletivo e as ondas da vida são interdependentes, o desenvolvimento de cada um afeta o cosmos como um todo. Todas as ondas da vida têm suas próprias tarefas de desenvolvimento, mas permanecem conectadas, influenciando-se mutuamente. Assim, por exemplo, sem o mundo vegetal, não teríamos oxigênio para respirar. Sem a polinização pelos insetos, as flores não gerariam novas plantas. Toda a criação se baseia em um único grande plano, que vibra como potencial impulsionador em cada ser. Max Heindel, autor dinamarquês-americano, teosofista e rosa-cruz, fala de sete corpos celestes que passam por sete vezes sete ciclos de desenvolvimento ao longo de longos períodos, alternando fases de atividade e repouso. DIAGRAMA Embora um objetivo seja predeterminado, o desenvolvimento em direção a ele é um processo criativo no qual a liberdade é intencional e a participação é voluntária. Todas as ondas da vida passam por esse processo criativo em grande harmonia e consonância.  A humanidade atual desviou-se desse plano divino de desenvolvimento ao usar seu livre-arbítrio para fortalecer seu próprio ego. Por isso, precisa amadurecer pela experiência. Somente então, poderá reconhecer a alma espiritual em desenvolvimento e, assim, servir ao processo de desenvolvimento do cosmos. Então, a humanidade se transformará em peças de um quebra-cabeça que criarão uma nova e bela imagem da humanidade. A humanidade é acompanhada em tudo pela harmonia e unidade do Divino-Espiritual, o que permite que a alma espiritual em cada um, mais cedo ou mais tarde, se expresse — a alma em cuja consciência o todo pode resplandecer. Assim, somos constantemente confrontados com uma escolha. Antes de desejar e escolher algo livremente, precisamos compreender com clareza o que buscamos com nossos pensamentos e sentimentos. Por meio de experiências diversas, aprendemos que a vontade, muitas vezes, produz o oposto do que pretendemos, devido à imprevisibilidade das outras pessoas, das circunstâncias e de nossa própria incerteza. Nossos sentimentos também podem nos enganar, e aprendemos isso por correções internas e externas. Internas, porque nosso eu mais íntimo sabe o que é certo; externas, porque o mundo nos mostra repetidamente o quanto nossos sentimentos estão distantes de perceber e compreender pessoas e coisas a partir de uma perspectiva mais ampla. Somente quando razão e sentimento são purificados pela experiência é que conseguimos nos orientar para o que realmente faz sentido. Isso só pode ser compreendido intuitivamente quando escutamos profundamente nosso interior, pois é ali que reside a resposta. Ela se torna clara à medida que nos purificamos, quando os véus diante do nosso íntimo se tornam mais permeáveis e podemos ouvir e compreender a voz interior. Em seu livro Dei Gloria Intacta, Jan van Rijckenborgh descreve o processo de tornar-se verdadeiramente humano com base em etapas de iniciação. Antes que uma nova vontade possa se sintonizar com o plano divino — o que ele chama de iniciação de Marte —, ocorrem as iniciações de Vênus e Mercúrio. As iniciações de Mercúrio (mente) e Vênus (sentimento) tornam-se patrimônio do novo ser humano. Uma luz de Deus e um poder de Deus lhe são concedidos. Uma nova vontade, forte, equilibrada e dinâmica, passa a direcionar os dons de Mercúrio e Vênus.  Ainda assim, após a iniciação de Vênus, a alma espiritual — o novo “companheiro” — ainda não está plenamente formada. Essa plenitude só se revela após a iniciação de Marte, na qual se desenvolve a nova vontade. Quem começa pela vontade segue por um caminho equivocado. Age de modo experimental e forçado. Permanece nos circuitos do condicionamento, como uma peça que não se encaixa organicamente no todo vivo. No entanto, novos aspectos da consciência podem despertar, e uma auto-iniciação no íntimo do ser pode acontecer. Isso conduz à compreensão do que é bom para o organismo humano e para a Terra, para as criaturas e os mundos aos quais estamos indissoluvelmente ligados. A alma em amadurecimento nos transforma em um novo ser humano, capaz de se integrar de forma criativa e responsável ao processo contínuo de desenvolvimento da criação, momento a momento, situação a situação. Cada um de nós é uma peça indispensável do quebra-cabeça desse todo maior. Tudo está à sua espera de que encontre o lugar que só ele ou ela pode ocupar. O impulso para isso vem do Espírito. O Espírito inquieta a alma e a impele ao desenvolvimento. O objetivo é a espiritualização da alma e, em última instância, a espiritualização do mundo. 1 Max Heindel, A Visão de Mundo Rosacruz, Diagrama 8. 2 Jan van Rijckenborgh, Dei Gloria Intacta , Capítulo 6  Imagem: puzzle-Bild-von-Shelby-Herbel-auf-Pixabay CCO

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