Odeio Artistas

“Odeio Artistas” tanto pode ser um podcast, como um livro, como qualquer conversa que queira ir fundo no modo como a arte ou a cultura podem, de facto, ajudar-nos a descobrir alguma maravilha na tal monotonia dos nossos dias.Para isso, talvez seja importante rejeitar a regra de o amor ser obrigatório, por muito bem intencionado que pareça. Quando a devoção existe por decreto, dar voz aos nossos desamores é um gesto de liberdade.

  1. 8. João Miguel Tavares

    02/18/2021

    8. João Miguel Tavares

    Ouve o Julgamentos da História, da série Sapiens, aquiNota: do minuto 12:55 até à 1:10:45 de podcast, a conversa flui para toda uma tertúlia sobre religião, arte, sentimentos e racionalidade, que poderia ser um episódio por si próprio. Ficam desde já avisados!Há uns anos estive com o João Miguel Tavares no programa do Goucha a falar sobre ser pai de quatro filhos. Depois dessa entrevista divertida, feita pela Cristina Ferreira (podem encontrá-la no YouTube), eu e o João acabámos a discutir religião no parque de estacionamento. Já nos conhecemos há umas décadas porque fizemos o mesmo curso de Ciências da Comunicação na Nova, onde o João tinha uma certa aura de menino prodígio. Não foi, por isso, de estranhar, quando ganhou notoriedade na imprensa nos últimos vinte anos.Eu e o João é também a amizade da Família Cavaco com a Família Tavares. É uma história que tem crescido e que justifica que, ao pensar em fazer um podcast, pensasse necessariamente no João. As nossas conversas privadas tornaram-se combustível para esta conversa mais pública, mas diria que vai além disso. Há muita coisa que ando a conversar em 2021, a pensar em 2021, a escrever em 2021 que é também a continuação daquela conversa com o João no parque de estacionamento da TVI.O episódio do “Odeio Artistas” de hoje, com o João Miguel Tavares, tem essa intensidade de quem é apanhado a discutir coisas que sente como as mais importantes, aquelas que servem de princípios sobre os quais apostamos a nossa vida toda. São duas horas de encontro aceso, tantas vezes em discórdia, sempre muito sincero. Cristianismo, Faculdade, artistas malditos amados por nós como o João César Monteiro, o discurso que fez no 10 de Junho convidado pelo Presidente da República, e por aí fora. Caramba! Duas horas sempre a ferver—grande João! Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices

    2h 1m
  2. 6. Ricardo Araújo Pereira

    01/21/2021

    6. Ricardo Araújo Pereira

    Ouve o Julgamentos da História, da série Sapiens, aquiConheci o Ricardo Araújo Pereira por volta de 2003, creio. Num encontro no S. Luiz chamado “É a Cultura, Estúpido” com o pessoal dos blogues todo lá. Os blogues eram uma sensação meio subterrânea - de cada vez que havia um pretexto para os bloggers se conhecerem, havia genuína excitação com algum espírito de auto-congratulação à mistura. Aproveitei para dizer ao Ricardo que o sketch “A Minha Vida Dava Um Filme Indiano”, que apareceu no “Perfeito Anormal”, era muito bom mesmo.Em poucos anos, o Ricardo e os Gato Fedorento cresceram e tornaram-se as pessoas mais engraçadas do país, com um impacto só comparável ao do Herman José anos antes. Em particular o Ricardo, é provavelmente das pessoas mais merecidamente populares de Portugal. Eu, que “Odeio Artistas”, confesso que todos os excessos laudatórios me soam justificados para ele. Acho que é o maior artista português vivo, independentemente da piadinha fácil sobre a altura (que não pude evitar).Na minha tese, o RAP é um artista inesperadamente protestante entre católicos. A obsessão pela palavra explica que, da piada ao texto, tudo se marque por uma paixão pelos mundos mais inesperados que existem quando o verbo vai à frente. A linguagem física é incrível mas o triunfo maior é o texto, colocado em jogo com uma exuberância muito rara.Foi a primeira vez que me senti nervoso a gravar o podcast. Afinal, sendo muito fã e não tendo estado assim tantas vezes com o Ricardo, dei por mim a acusar pressão. Acho que se vai notar volta e meia que exagerei a tentar ser esperto e que não queria que a conversa acabasse, deslumbrado que estava. A grande razão para isso é que nos últimos anos os nossos miúdos descobriram o Gato Fedorento e, como eu, ficaram amarrados no Ricardo. Uma memória preciosa para mim é, quando estivemos nos Estados Unidos, assistirmos em família a alguns sketches no YouTube e chorarmos até às lágrimas. Esse choro era único porque se fazia de alegria e de tristeza por, estando longe de Portugal, nos desforrarmos lembrando que as palavras da nossa língua são o melhor país que alguma vez poderemos ter. Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices

    1h 32m

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“Odeio Artistas” tanto pode ser um podcast, como um livro, como qualquer conversa que queira ir fundo no modo como a arte ou a cultura podem, de facto, ajudar-nos a descobrir alguma maravilha na tal monotonia dos nossos dias.Para isso, talvez seja importante rejeitar a regra de o amor ser obrigatório, por muito bem intencionado que pareça. Quando a devoção existe por decreto, dar voz aos nossos desamores é um gesto de liberdade.

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