Patrimoniar

Centro de Preservação Cultural da Universidade de São Paulo

Reconhecer, documentar, preservar, valorizar, interpretar, lembrar: PATRIMONIAR. Este é o podcast do Centro de Preservação Cultural — Casa de Dona Yayá, órgão da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão da Universidade de São Paulo voltado à reflexão e ação sobre o patrimônio cultural. Aqui conversamos sobre lugares, edifícios, lembranças, afetos, disputas, partilhas, culturas e naturezas: falamos, enfim, sobre o patrimônio cultural, aquelas práticas e coisas tão fundamentais para nossas identidades e memórias. Entre conversas e documentários vamos patrimoniando.

  1. Patrimoniar #17. Poroiwak: Memória e patrimônio cultural da amarelitude

    03/24/2025

    Patrimoniar #17. Poroiwak: Memória e patrimônio cultural da amarelitude

    Em várias cidades do mundo ocidental verifica-se desde meados do século 20 a instalação de bairros cenográficos alusivos a determinadas culturas asiáticas (especialmente as nipônicas, chinesas, coreanas, entre outras). Conhecidos como “Chinatowns”, tais bairros materializam na paisagem urbana um conjunto problemático de signos oriundos de contextos distintos, colaborando para a consolidação de estereótipos das populações consideradas “amarelas” por parte das culturas ocidentais. Trata-se de uma forma particularmente perversa de racismo, na medida em que tais paisagens estereotipadas contribuem com formas fetichização e diminuição do outro ao mesmo tempo em que parecem, paradoxalmente, valorizar sua presença. A cidade de São Paulo tem no bairro da Liberdade um desses casos: a construção de um bairro turístico repleto de signos alusivos à presença nipônica no bairro (como pórticos e luminárias estilizadas) está associada não só a esta forma de racismo urbano como colabora também com o apagamento da memória e do patrimônio cultural de outros grupos sociais igualmente invisibilizados no espaço urbano, como as populações negras e indígenas que também ocuparam aquele território. Para discutir questões ligadas à memória e ao patrimônio cultural da amarelitude em São Paulo, no Brasil e nas Américas conversamos nesta edição do Patrimoniar com o pesquisador e ativista Poroiwak, criador do perfil Amarelitude nas redes sociais. Poroiwak vem pautando nos últimos anos questões ligadas ao preconceito contra grupos amarelos e os mecanismos e dispositivos de promoção do racismo e do silenciamento de memórias ― não só da amarelitude mas também desses vários outros grupos apagados no mundo ocidental. Conheça o perfil Amarelitude nas redes sociais. Ouça também nossa edição do Patrimoniar em que conversamos com Abílio Ferreira sobre a memória negra no bairro da Liberdade. Acompanhe a programação do CPC em usp.br/cpc e no perfil @cpcusp no YouTube, Facebook, X e Instagram. CRÉDITOS Produção e entrevistas: Gabriel Fernandes Eduardo Kishimoto Gravação e edição: Eduardo Kishimoto

    1h 5m
  2. Patrimoniar #16. Wellinton Souza: Negros do Bixiga

    12/23/2024

    Patrimoniar #16. Wellinton Souza: Negros do Bixiga

    A Constituição Federal define o patrimônio cultural como o conjunto de bens portadores de referência à memória, identidade e ação dos grupos sociais brasileiros. Identificar, reconhecer e valorizar o patrimônio passa necessariamente, portanto, pelo contato e diálogo com a memória das pessoas que detêm e vivem cotidianamente o patrimônio. Esta memória, contudo, não pode se limitar àqueles tidos como personagens notáveis ou associados aos eventos e instituições célebres: tão importante quanto esta memória (ou talvez ainda mais relevante) é aquela memória cotidiana, vivida e construída pelo dia-a-dia de pessoas anônimas. O bairro do Bexiga — onde se concentram um terço dos bens tombados do município de São Paulo — ainda é associado por quem não compartilha de seu cotidiano a um passado quase exclusivamente ligado à herança da imigração italiana. No entanto, trata-se de um bairro complexo, marcado pela presença de grupos das mais variadas origens. Trata-se, inclusive, de um importante território negro da cidade de São Paulo. O Coletivo Negros do Bixiga vem pautando a memória negra do bairro, promovendo entrevistas sistemáticas com moradores e ex-moradores do bairro ligados à memória negra. Desse trabalho resultou o documentário Negros do Bixiga, cujo lançamento lotou o Teatro Sérgio Cardoso em junho de 2024. Para falar sobre essas memórias cotidianas e anônimas fundamentais para a formação da memória coletiva, conversamos nesta edição do Patrimoniar com Wellinton Souza, membro e um dos fundadores do Coletivo. Complementos Acompanhe o trabalho do Coletivo Negros do Bixiga em seu canal no Youtube: @negrosdobixiga Ouça também outros de nossos programas que tematizam o bairro do Bexiga, seu patrimônio e memórias: Patrimoniar #09, com Fernanda Vargas, sobre o Bexiga nordestino; Patrimoniar #05, com Welita Caetano, sobre os movimentos de moradia do bairro; Patrimoniar #04, com Cláudia Alexandre, sobre a relação entre o bairro e a escola de samba Vai-Vai e Patrimoniar #02, com Gisele Brito, sobre a memória negra do Bexiga e as disputas em torno do sítio arqueológico do Quilombo do Saracura. Acompanhe a programação do CPC em usp.br/cpc e no perfil @cpcusp no YouTube, Facebook, X e Instagram. Créditos O programa foi produzido por Eduardo Kishimoto e Gabriel Fernandes em novembro de 2024. A edição é de Eduardo Kishimoto.

    44 min
  3. Patrimoniar #15. Felipe Hoffman: museus de democracia e justiça de transição

    07/15/2024

    Patrimoniar #15. Felipe Hoffman: museus de democracia e justiça de transição

    Iniciativas de memorialização e musealização de lugares, registros, referências e testemunhos de dinâmicas de repressão e de resistência associadas a regimes de exceção são alguns dos resultados recorrentes dos chamados processos de justiça de transição. Tais processos pautam a busca pela memória, verdade, justiça e reparação de graves violações de direitos humanos ocorridas em episódios autoritários e traumáticos da história recente de distintos povos e nações. São célebres os processos de justiça de transição ocorridos após eventos violentos e traumáticos, como o Holocausto na Alemanha, o Apartheid na África do Sul e as ditaduras civil-militares que tiveram lugar, por exemplo, em vários dos países latino-americanos ao longo do século 20. A museologia e o trabalho com o patrimônio cultural e a memória possuem papel fundamental nesses contextos de justiça de transição, seja pela discussão sobre o que fazer com os lugares de memória sensível associados a eventos traumáticos e dolorosos, seja com a construção de acervos e museus associados a tais períodos. O caso brasileiro, em particular, é repleto de contradições, tendo sido marcado por uma série de iniciativas de memorialização e musealização interrompidas ou sabotadas. Para falar desses assuntos conversamos nesta décima-quinta edição do Patrimoniar com o professor Felipe Hoffman, especialista no tema dos museus de democracia e em processos de patrimonialização ligados à justiça de transição. Conheça a tese de doutorado e outros trabalhos sobre memória e justiça de transição do professor Felipe Hoffman. Verifique o Repositório digital para a construção do Museu da Democracia. Acompanhe a programação do CPC em usp.br/cpc e no perfil @cpcusp no YouTube, Facebook, X e Instagram. Créditos O programa foi produzido e editado por Eduardo Kishimoto e Gabriel Fernandes em julho de 2024.

    41 min
  4. Patrimoniar #13. Lilian Miranda Bezerra e José Hermes Martins Pereira: O mundo dos arquivos

    05/03/2024

    Patrimoniar #13. Lilian Miranda Bezerra e José Hermes Martins Pereira: O mundo dos arquivos

    O mundo dos acervos costuma ser dividido em três esferas: o dos acervos bibliográficos, o dos acervos museológicos e os acervos arquivísticos. Entre bibliotecas, museus e arquivos, estes últimos costumam soar aos não iniciados como entidades um tanto herméticas ou insossas: meros repositórios de documentos velhos sem maiores atrativos. Arquivos, contudo, são fundamentais para articular a memória de coletivos e instituições e preservar o conjunto de documentos produzidos ao longo de suas atividades e trajetórias. Para discutir o mundo dos arquivos — e em particular o universo dos arquivos na Universidade de São Paulo — conversamos nesta edição do Patrimoniar com Lilian Miranda Bezerra e com José Hermes Martins Pereira, historiadores e profissionais atuantes no Arquivo Geral da USP. Ao longo da conversa discutimos o que caracteriza um arquivo, o que um arquivo deve e o que não deve ser, o caráter dos documentos presentes nos arquivos e como lidar com eles, bem como os desafios para sua preservação. Complementos Conheça o Arquivo Geral da USP (AG) e o Sistema de arquivos da USP (Sausp) Acompanhe o Boletim do Arquivo Geral da USP Acompanhe a programação do CPC em usp.br/cpc e no perfil @cpcusp no YouTube, Facebook, X e Instagram. Créditos O programa foi produzido por Eduardo Kishimoto e Gabriel Fernandes em abril de 2024. A edição é de Eduardo Kishimoto.

    1h 17m
  5. Patrimoniar #12. Mestre Rabi Batukeiro e o Bloco Afro ÉdiSanto

    03/28/2024

    Patrimoniar #12. Mestre Rabi Batukeiro e o Bloco Afro ÉdiSanto

    Assistimos em tempos recentes à ação de uma série de coletivos culturais atuantes nas periferias urbanas que trabalham dimensões de ancestralidade, identidade e memória, articulando questões raça, gênero e classe e promovendo a salvaguarda de expressões culturais de grupos sistematicamente silenciados. Tratam-se de indivíduos e grupos atuantes na promoção e transmissão dessas manifestações culturais para futuras gerações, muitas vezes sem o devido reconhecimento ou apoio por parte das instâncias oficiais de patrimônio e cultura. Um caso particular é o do Bloco Afro ÉdiSanto, que atua na região de M´Boi Mirim desde 2010. Surgido como projeto de música percussionista com o objetivo de mesclar ritmos ligados ao culto aos orixás com expressões musicais contemporâneas, o bloco pauta questões ligadas às culturas de matriz africana, às ancestralidades e à vida na periferia de São Paulo. Desde sua fundação o bloco se expandiu, abarcando hoje também questões de gênero, por exemplo, com o projeto Macumbarias Femininas, e saindo todos os anos para desfilar pela região de M´Boi Mirim durante o carnaval. O trabalho do bloco é contínuo, participando ainda da articulação de redes nacionais voltadas à ancestralidade e à cultura e música afro. Para conversar sobre esses e outros assuntos, nesta edição do Patrimoniar contamos com a participação do Mestre Rabi Batukeiro, fundador e membro do Bloco ÉdiSanto. COMPLEMENTOS Acompanhe o trabalho do Bloco ÉdiSanto no Instagram: @bloco_afro_edisanto Leia mais sobre o trabalho do bloco. Acompanhe a programação do CPC em usp.br/cpc e no perfil @cpcusp no YouTube, Facebook, Twitter e Instagram. CRÉDITOS O programa foi produzido por Eduardo Kishimoto e Gabriel Fernandes em março de 2024. A edição é de Eduardo Kishimoto.

    52 min
  6. Patrimoniar #11. Adriana Capretz: Memória, silenciamento e crime ambiental em Maceió

    12/18/2023

    Patrimoniar #11. Adriana Capretz: Memória, silenciamento e crime ambiental em Maceió

    A cidade de Maceió, em Alagoas, tem vivido nos últimos anos os efeitos violentos e assustadores decorrentes da mineração predatória em seu território. A extração sistemática de sal-gema por parte da empresa Braskem ao longo de décadas em camadas profundas do solo provocou abalo das camadas superficiais, inviabilizando a vida em bairros inteiros e levando à condenação de construções e estruturas diversas presentes nestes locais. A necessidade de evacuar tal região levou a uma diáspora forçada de parcelas significativas da população de Maceió, redundando na perda de laços de sociabilidade, de vínculos afetivos, de práticas culturais e de manifestações e referências culturais enraizadas neste território. Para além das perdas materiais, trata-se de um violento processo de apagamento de memórias, vivências e práticas culturais cotidianas. Em reação ao duro golpe promovido na vida de milhares de pessoas, repentinamente obrigadas a deixar suas casas e seus cotidianos, diversas iniciativas de memória e de denúncia do crime ambiental vêm sendo promovidas por coletivos e indivíduos diversos. Para discutir estas questões, nesta edição do Patrimoniar em dezembro de 2023 conversamos com a pesquisadora Adriana Capretz Borges da Silva Manhas, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Ao longo do programa retomamos o histórico do desastre ambiental promovido na cidade, seus efeitos materiais e os processos de silenciamento e apagamento de referências culturais e de memória existentes naquela região. Adriana Capretz é arquitetura e urbanista, mestre em engenharia urbana e doutora em ciências sociais. É professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Alagoas onde é líder do grupo RELU — representações do lugar. O RELU discute questões ligadas ao patrimônio, à memória e à história da cidade e da arquitetura. Professora Adriana tem se envolvido fortemente nas questões ligadas ao patrimônio e à memória dos bairros atingidos pela ação da mineração em Maceió. Complementos Conheça o trabalho do grupo de pesquisa Representações do Lugar (Relu) da Ufal. Verifique essas iniciativas de memorialização e denúncia dos efeitos da mineração na cidade: Projeto Ruptura, Cotidiano Fotográfico e A gente foi feliz aqui. Acompanhe a programação do CPC em usp.br/cpc e no perfil @cpcusp no YouTube, Facebook, Twitter e Instagram. Créditos O programa foi produzido por Eduardo Kishimoto e Gabriel Fernandes em dezembro de 2023. A edição é de Eduardo Kishimoto.

    56 min
  7. Patrimoniar #10. Abílio Ferreira: a Capela dos Aflitos, a Liberdade e a memória negra em São Paulo

    10/31/2023

    Patrimoniar #10. Abílio Ferreira: a Capela dos Aflitos, a Liberdade e a memória negra em São Paulo

    Em cidades como São Paulo são muitos os casos de espaços que passaram por transformações expressivas ao longo do processo de desenvolvimento urbano. Antigas praças e largos desaparecem, edifícios são demolidos e substituídos por outros e marcos da paisagem se transformam em referências perdidas na memória quem ali viveu. Muitos desses casos de demolição e reconstrução de espaços e lugares estão associados a processos de apagamento e silenciamento das referências culturais e urbanas de grupos sociais minoritários ou tidos como indesejáveis. Apesar destes apagamentos, certos sinais permanecem silenciosos no tecido urbano. Nesta edição do Patrimoniar conversamos com Abílio Ferreira — jornalista, escritor, pesquisador e ativista do movimento negro — a respeito desses processos de silenciamento, dos sinais que permanecem e de como é possível lidar com o espaço urbano na perspectiva de um jogo em busca destes sinais — um jogo que articula resistência e apropriação da cidade. Conversamos especialmente sobre acontecimentos recentes ligados à memória e ao patrimônio cultural no bairro da Liberdade e sobre o caso da Capela dos Aflitos, localizada nesta região. A Capela dos Aflitos, embora hoje em posição central na metrópole, fazia parte de um cemitério construído nos antigos limites da cidade de São Paulo. O bairro se urbanizou sobre este cemitério e a capela permaneceu sufocada e escondida pelas construções do entorno. Ao longo dos anos, em função do antigo cemitério, ela se transformou em elemento importante da memória negra e indígena em São Paulo e sua restauração foi pautada por estes grupos. A Prefeitura de São Paulo, então, procedeu à realização de um concurso de ideias para um projeto de um memorial anexo à Capela: o resultado deste concurso, contudo, foi contestado pelos movimentos que a pautam como patrimônio cultural em função de problemas na proposta vencedora apontados como insensíveis e ofensivos à memória daqueles que estão enterrados no antigo cemitério e daqueles que estabelecem com a Capela hoje uma relação de afeto e respeito. Trata-se de um caso fundamental para pensar nos limites, contradições e potencialidades das práticas de preservação. Abílio Ferreira é escritor, jornalista e pesquisador interessado nas questões ligadas à história urbana. Teve participação ativa em mobilizações culturais e políticas ligadas ao movimento negro desde os anos 1980, tendo participado do movimento de literatura negra e do coletivo Quilombhoje. É organizador e co-autor do livro Tebas: um negro arquiteto na São Paulo escravocrata e é fundador e coordenador do Instituto Tebas. COMPLEMENTOS O livro Tebas. Um negro arquiteto na São Paulo escravocrata, organizado por Abílio Ferreira e publicado pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo, pode ser baixado aqui (PDF direto aqui). Leia o artigo de opinião Onde está a negritude no projeto do Memorial dos Aflitos em São Paulo?, publicado em dezembro de 2022. Veja os projetos finalistas do concurso do memorial da Capela dos Aflitos. Acompanhe os trabalhos do Instituto Tebas. Ouça a edição do Patrimoniar com Gisele Brito a respeito da memória negra no Bexiga. Leia sobre o episódio da adição da palavra “Japão” ao nome da praça e da estação de metrô Liberdade. Acompanhe a programação do CPC em usp.br/cpc e no perfil @cpcusp no YouTube, Facebook, Twitter e Instagram. CRÉDITOS Produção e entrevistas: Gabriel Fernandes Eduardo Kishimoto Gravação e edição: Eduardo Kishimoto

    1h 1m

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Reconhecer, documentar, preservar, valorizar, interpretar, lembrar: PATRIMONIAR. Este é o podcast do Centro de Preservação Cultural — Casa de Dona Yayá, órgão da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão da Universidade de São Paulo voltado à reflexão e ação sobre o patrimônio cultural. Aqui conversamos sobre lugares, edifícios, lembranças, afetos, disputas, partilhas, culturas e naturezas: falamos, enfim, sobre o patrimônio cultural, aquelas práticas e coisas tão fundamentais para nossas identidades e memórias. Entre conversas e documentários vamos patrimoniando.