Taverna do Lugar Nenhum

Gabriel Vince

O intuito desse podcast é falar sobre assuntos que me interessam, fomentar discussões diversas e também conhecer pessoas que compartilham dos mesmos interesses que eu. Os temas aqui serão livres pretendo falar de livros, filmes, comportamento, cultura, quadrinhos, política, religião e o que vier na telha.

  1. A Esperança no Oriente Médio e o Herói Fracassado

    MAR 4

    A Esperança no Oriente Médio e o Herói Fracassado

    No ‘Eclesiastes Babilônico’, encontra-se um texto célebre conhecido como ‘Diálogo sobre a miséria humana’, que parece ser um dos textos religiosos mais pessimistas já criados. O autor do texto reclama com uma deusa sobre os sacrifícios que tem feito e as respostas que parecem não chegar. Sua angústia é tão profunda que ele chega a invejar os animais. Ele questiona por que “o altivo leão se alimenta da melhor carne e nunca apresenta oferendas aos deuses”. Reclama que os deuses lhe deram “penúria em vez de riquezas” e que os “maus prevalecem sobre os justos”. No entanto, é visível que os antigos deuses do Oriente Médio foram cultuados por milênios, sendo a região uma das mais ricas e bem preservadas em registros arqueológicos e objetos de culto. Aqueles familiarizados com a leitura da Bíblia encontrarão muitas passagens semelhantes. Promessas que parecem não ser cumpridas, o triunfo dos maus sobre os bons, o desespero diante da aparente inutilidade das orações, lamentos por desgraças e injustiças. O que é impressionante na fé dos homens e mulheres do Oriente Médio, entre babilônios, assírios, egípcios e hebreus, incluindo judeus, islâmicos, zoroastristas e cristãos, é que a fé deles parece prescindir de provas materiais (pelom menos imediatas). Há neles uma exigência sobre-humana de fidelidade e resiliência diante das piores desgraças e da aparente indiferença dos deuses. O homem moderno pode, com certa razão, notar uma dose de fanatismo, mas eu vejo algo um pouco mais misterioso e até sobrenatural nessas pessoas. Os textos sapienciais mesopotâmicos e hebreus consideram o sofrimento inevitável, até prometido, mas reforçam a necessidade de manter a esperança até a última gota de existência, mesmo sem motivo aparente. Talvez seja por isso que o niilismo nunca encontrou terreno fértil nessas regiões, tornando-se abundante na Europa apenas quando esta se afastou da tutela do olhar cristão. Para o homem do deserto, a derrota e até mesmo a morte são secundárias no amplo plano da eternidade. O sucesso nesta vida é opcional. O maior dos heróis do Oriente Médio, Gilgamesh, foi um herói fracassado. Por que você não seria?

    4 min
  2. Todos os Homens do Presidente (1976) e o Jornalismo

    FEB 25

    Todos os Homens do Presidente (1976) e o Jornalismo

    No episódio de hoje da Taverna do Lugar Nenhum, eu, Gabriel Vince, revisito uma antiga inquietação pessoal: o que aconteceu com o imaginário do jornalismo? Formado na área, já enxerguei a profissão como uma aventura intelectual capaz de unir investigação, política, história, literatura e filosofia. Durante muito tempo, acreditei na figura do jornalista como alguém que articula conhecimento, confronta o poder e ajuda a sustentar a democracia. Mas, com o passar dos anos, essa imagem foi se desfazendo. A reflexão deste episódio nasce da revisita a um dos maiores clássicos do cinema político: All the President's Men, dirigido por Alan J. Pakula e baseado no livro de Bob Woodward e Carl Bernstein. O filme reconstrói a investigação do escândalo Watergate, que levou à renúncia de Richard Nixon, e transforma um processo jornalístico em um estudo rigoroso sobre ética, poder e responsabilidade pública. Mais do que contar uma história, ele constrói um mito: o mito do jornalista obstinado, racional, comprometido com a verdade acima de tudo. Neste episódio, analiso: • O papel simbólico do jornalismo no cinema• A construção estética e narrativa do filme• A figura do repórter como herói moderno• A diferença entre o mito cinematográfico e a realidade contemporânea• O desencanto com a profissão e a nostalgia de uma ideia que talvez nunca tenha existido como imaginamos Essa não é apenas uma análise de filme. É um ensaio pessoal sobre desilusão, memória e a tensão entre ideal e prática.

    7 min

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