Vozes que Vale(m)

Vozes que Vale(m)

Vozes que Vale(m) é um programa produzido por quem luta contra as injustiças causadas pelas mineradoras, em especial a Vale S/A. Aqui o povo tem voz e conta a realidade de quem é atingido e atingida dia a dia pelos desmandos do capital.

  1. 04/30/2023

    EP #17 - Essa terra tem lei

    Imagine um cenário em que uma megaempresa do ramo da mineração se instala em um território que nunca havia sido impactado por uma atividade extrativista em larga escala. Por ter muito dinheiro, esta empresa consegue influenciar políticos e gestores públicos para receber licenças ambientais mesmo sem provar que suas não causarão danos. Imagine, ainda, que por causa desse poder econômico, a empresa instala e depois opera suas atividades causando inúmeros danos às famílias e demais seres vivos do território, anos a fio, sem nunca ser questionada pelos gestores públicos e nem pelo judiciário. As pessoas atingidas até denunciam a empresa, mas não são ouvidas, e quando insistem na denúncia, são caladas por processos judiciais movidos contra elas pela mineradora. Esta é a realidade de milhares de pessoas impactadas todos os dias, dentro e fora do Brasil, pelas atividades predatórias da mineradora Vale S.A., e por tantas outras empresas que, como ela, utilizam seu poder econômico para violar direitos socioambientais em benefício do lucro de seus acionistas. Mas está por vir um reforço à luta contra as violações cometidas por empresas. É o Projeto de Lei 572 de 2022, um marco nacional sobre direitos humanos e empresas que estabelece diretrizes para a promoção de políticas públicas sobre o tema, segundo a ONG Justiça Global. Lançado em julho do ano passado por meio da campanha “Essa Terra Tem Lei – Direitos para os Povos, Obrigações para as Empresas”, o PL 572 nasceu de uma construção coletiva de entidades, organizações e movimentos sociais, e está tramitando no legislativo há quase um ano. Além da Justiça Global, assinam o projeto a CUT Nacional, MTST, MAB, Repórter Brasil, Amigos da Terra, Instituto PACS, Oxfam Brasil, Fundação Friedrich Ebert, Conectas e Homa – Centro de Direitos Humanos e Empresa da Universidade Federal de Juiz de Fora. No episódio #17 do podcast Vozes que Vale(m)!, entrevistamos Tchenna Maso, doutoranda em Direitos Humanos e Democracia na Universidade Federal do Paraná, para saber mais sobre o PL e entender o que poderia ser diferente na vida das atingidas e atingidos pela Vale caso a lei já estivesse em vigor – e sendo cumprida, que é o mais importante.

    EP #17 - Essa terra tem lei
  2. 08/31/2022

    A vida rachada: violações socioambientais inauguradas pela Vale em Moçambique são perpetuadas por mineradora indiana

    Há cerca de um ano e meio, a mineradora Vale anunciou que deixaria de explorar carvão das minas de Moatize e o corredor logístico de Nacala, em Moçambique, e venderia o negócio a outra empresa. A estratégia, conhecida como “desinvestimento”, costuma ser utilizada por empresas transnacionais quando o lucro já não caminha mais para o esperado ou quando as atividades já não estão mais de acordo com os planos futuros da matriz. O anúncio da saída da Vale do negócio de carvão em Moçambique foi cercado por desinformação e secretismo por parte da mineradora. As populações afetadas pela exploração das minas a céu aberto em Moatize, na província de Tete, temiam que a operação virasse uma estratégia de abandono da Vale de todas as reparações, indenizações e reassentamentos que ela deve por cerca de 15 anos de violações de direitos e violências cometidas contra populações locais, incluindo expropriações, desalojamentos, poluição e desestruturação de modos de vida tradicionais. Em 25 de abril desse ano, a Vale concluiu a venda para a empresa indiana Vulcan Minerals por cerca de 235 milhões de euros. Hoje, o temor de um ano e meio atrás vem se confirmar no dia a dia das famílias de Moatize, que continuam sofrendo com os mesmos impactos causados pela exploração do carvão, e sem qualquer resposta da Vale, da indiana Vulcan e nem do governo de Moçambique. No episódio #16 do podcast Vozes que Vale(m)! entrevistamos Samito Farias Tomocene e Jamal Eugénio Esteves, moradores de Moatize e membros da Associação Utchessa, sobre os desafios impostos pela empresa Vulcan na esteira das violações inauguradas pela Vale.

    A vida rachada: violações socioambientais inauguradas pela Vale em Moçambique são perpetuadas por mineradora indiana
  3. 07/26/2022

    Governo de MG e mineradora SAM violam direitos do povo geraizeiro

    O Estado de Minas Gerais tem duas manchas trágicas em sua história recente. As manchas têm a cor da lama das barragens de rejeitos da mineradora Vale que se romperam sobre milhões de vidas, humanas e não humanas. A primeira tragédia foi em Mariana, em 2015, com o rompimento da barragem do Fundão. A segunda, em Brumadinho, aconteceu em 2019, quando se rompeu a barragem B1, da mina do Córrego do Feijão. Nos roteiros que tornaram possíveis esses dois crimes-tragédias repetem-se a irresponsabilidade da empresa em suas operações e a conivência do governo estadual, que está obrigado a regular e fiscalizar as atividades da mineradora, mas não o fez. Repetem-se os laudos e estudos inexistentes ou omissos – alguns até falsos – e o desdém da empresa e do governo pelos alertas feitos por universidades, movimentos e grupos que lutam pela defesa de direitos socioambientais. Repetem-se também dois elementos fundamentais desses crimes-tragédias: a falta de escuta das comunidades impactadas pela mineração e a atuação promíscua do governo mineiro, que usa as ferramentas públicas do estado para viabilizar a qualquer custo o lucro privado da empresa. Como já ficou provado pela história, em Minas Gerais o roteiro dos crimes-tragédias se repete. No episódio #15 do podcast Vozes que Vale(M)! nós ouvimos a liderança geraizeira Adair Pereira de Almeida, e a advogada Layza Queiroz Santos, do Coletivo Margarida Alves, sobre como o governo mineiro de Romeu Zema, do Novo, tem violado o direito de consulta dos povos geraizeiros de Vale das Cancelas, ao norte do estado, para viabilizar um megaempreendimento minerário da empresa de capital chinês Sul Americana de Metais, a SAM.

    Governo de MG e mineradora SAM violam direitos do povo geraizeiro
  4. 05/06/2022

    Quanto custa o lucro da Vale?

    Em um ano ainda marcado pela pandemia de covid-19 e seus impactos globais, a Vale fechou 2021 com o maior lucro da história de uma empresa aberta no Brasil: 121 bilhões de reais. Com o resultado, mais de 300% superior ao ano anterior, a Vale vai distribuir US$ 3,5 bilhões de dólares em dividendos a seus acionistas, adicionais aosUS$ 7,4 bilhões de dólares já repartidos pelo desempenho no primeiro trimestre. Em seu balanço anual, apresentado no final de abril durante a assembleia de acionistas, a empresa elencou seus supostos esforços para reparar danos causados por suas atividades e para se tornar uma empresa social e ambientalmente mais responsável. O que a Vale não contou em seu balanço é que ela segue utilizando processos e tecnologias que reduzem os custos produtivos às custas da destruição da natureza, da exploração exaustiva de seus trabalhadores e trabalhadoras e do adoecimento das comunidades que são vizinhas aos seus empreendimentos. A falta de transparência nos documentos da empresa se apresenta de diversas formas, seja na omissão de informações importantes sobre os impactos de seus negócios, seja na criação de uma, entre aspas, narrativa criativa, para explicar outros fatos. Esta edição do Vozes que Valem ouviu Antonio Zacarias, da província de Tete, Moçambique; Anacleta Pires da Silva, quilombola do território Santa Rosa dos Pretos, na zona rural de Itapecuru-Mirim, Maranhã0; e a cacica Ãgohó Pataxó Hã Hã Hãe, da aldeia Katurãma, em São João de Bicas, região metropolitana de Belo Horizonte, Minas Gerais. Antonio, Anacleta e Ãgohó são pessoas que sabem a verdade sobre as atividades da Vale, e do único lugar de onde procede seu lucro: da exploração sem limites da natureza e da violação de direitos socioambientais de povos e comunidades. Na imagem, Cacica Ãgohó Pataxó Hã Hã Hã, em protesto contra a contaminação do Rio Paraopeba causado pelo crime da Vale em Brumadinho (MG), em 2019. Foto: Arquivo pessoal

    Quanto custa o lucro da Vale?
  5. 02/02/2022

    Antônio Pereira: mulheres em luta contra a invisibilidade

    No mês em que refletimos sobre a luta diária das mulheres pelo respeito e garantia dos seus direitos, nós, da Articulação Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale (AIAAV), que produz o podcast Vozes que Valem, conversamos com três companheiras de Antônio Pereira, distrito de Ouro Preto, Minas Gerais, que buscam ser reconhecidas como atingidas pela Vale e assim garantirem a justa reparação pelas violações cometidas pela empresa. A Vale desestruturou a vida dessas três mulheres e de outras milhares de pessoas de Antônio Pereira. Em 2020, a barragem Doutor, que faz parte da mina de Timbopeba, teve seu nível de emergência elevado para dois – o nível vai até três. Com isso, pelo menos 176 famílias do território foram obrigadas pela empresa a deixar suas casas. A barragem não se rompeu, e o risco de emergência foi rebaixado ao nível 1, quando não há indicação de remoção. No entanto, quem permaneceu no território teve a vida interrompida pelo medo diário de que a barragem se rompa, como aconteceu em Mariana e Brumadinho. A Vale não entende que as pessoas que vivem em Antonio Pereira são impactadas. A empresa admite como impacto apenas a remoção, e ignora a perda de renda, a ruptura de laços familiares, as doenças físicas e psíquicas e o tormento diário de quem vive com medo aos pés de uma barragem de rejeitos construída à revelia sobre sua cabeça. Nos depoimentos, você ouvirá verdades que não aparecem nas ações de marketing e nos relatórios públicos da Vale. Nossas companheiras não serão identificadas pelo nome por motivos de segurança.

    Antônio Pereira: mulheres em luta contra a invisibilidade

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