Nesta segunda parte da conversa, o escritor e guionista Filipe Homem Fonseca revela o seu ceticismo sobre o caminho do mundo nas próximas décadas, mas dá conta de como resiste à desesperança e da sua grande confiança nas gerações futuras. Depois revela o seu particular gosto por musicais e banda desenhada do fantástico, lê um poema do poeta e amigo Miguel Martins, partilha algumas das músicas que o acompanham e algumas sugestões culturais E ainda nomeia alguns dos seus filmes preferidos de sempre, e aqueles que lhe devolvem a esperança na Humanidade. E, no final, alguns dos pequenos quotidianos que o acompanham sempre. Boas escutas! Músicas referidas: Bandua – “Barquinho”Ana Lua Caiano – “Uma vida a menos”Lavoisier - “Pé de Vento” ( do álbum “Era com h”) Poema: Miguel Martins, in São Miguel da Desorientação, ed. Macondo, 2020 Sugestão cultural: A tour dos Lavoisier: “andam na estrada e são imperdíveis”. O texto lido por Filipe, da sua autoria: “50 anos a celebrar o 25, e hoje há quem nos diga “maslutem baixinho, não acordem os turistas e os nómadasdigitais, vão mais para ali que é para não se verem astendas dos que vivem na rua, olhem que dá mauaspecto, respeitinho é muito bonito, boas maneiras àmesa mesmo sem nada para comer, partir a louça éque não, pensem como vos dizemos para pensar, vivamcomo vos deixamos viver; despolarizem, filhos,despolarizem, a liberdade de expressão tem as costaslargas quando é para impormos limitesà liberdade dos outros, já não se admite fora datradição, ai a tradição, ai; o corpo é de quem?, é dequem, o corpo?, porque é que o corpo é de quem otem?, então e a família?, a família só é família se fortradicional, tomem lá a conversa de que nos queremobrigar a coisas mesmo quando só querem éque não vos obriguemos a coisas que só a vós dizemrespeito; tomem lá o discurso de que vivem acima dasvossas possibilidades, agradeçam terem empregosequer, engulam esta de que os imigrantes exploradosé que têm a culpa da crise, esqueçam os lucros dabanca e os salários miseráveis, tomem lá banda larga emuito circo, chupem gourmet, chupem low cost, roamum papo-seco e façam filhos, que esta Disneylândia precisade quem produza riqueza para os acionistas; em cadarosto igualdade?, não: em cada filho um colaboradorfuturo, trabalhador não, co-la-bo-ra-dor, um colaborador é mais empenhado, o empenho prescinde direitos,querem que isto avance ou não querem?, um passoatrás de cada vez, 50, 49, 48, sempre a puxar para trás,rumo a 74, a antes do 25, então não se estava tãobem?, antes é que era”; e a resposta é, hoje e sempre,só pode ser: não, não, não, não passarão, nãopassarão, não passarão.” ERRATA: A propósito da frase que Filipe Homem Fonseca citou, de Sísifo ter de gostar da pedra (a frase correcta é “Há que imaginar Sísifo feliz”) – Filipe atribuiu-a a Vitor Hugo quando é, na verdade, de Albert Camus. See omnystudio.com/listener for privacy information.