A Semana na Imprensa

Uma leitura dos assuntos que mais interessaram as revistas semanais da França. Os destaques da atualidade do ponto de vista das principais publicações do país.

  1. há 1 dia

    Apesar de ameaças de Trump, saída dos Estados Unidos da Otan é improvável

    Às vésperas da próxima cúpula da Otan, sediada em Ancara, na Turquia, os países europeus se preparam para voltarem a ser cobrados pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre os seus gastos com Defesa. A ameaça do líder republicano de retirar o seu país da aliança militar atlântica, repetida diversas vezes, tende a não se concretizar, agora que a maioria dos países do bloco acelerou as despesas com a pasta. Em 2025, os valores subiram 20% segundo dados da própria Otan, e todos já atingiu a meta mínima de 2% do PIB destinados à defesa. Entre os europeus, também avança a reflexão sobre como o bloco pode reforçar a sua própria proteção e quebrar a dependência do “padrinho americano”, desde o aumento das tensões entre os aliados. Na cúpula prevista para os dias 7 e 8 de julho, “ninguém tem dúvida sobre quem fará o papel de líder: Donald Trump perguntará a cada um dos 31 outros membros da aliança quanto eles subiram os seus orçamentos militares, e vai lhes classificar conforme esse critério simples”, antecipa a revista francesa L’Express, na edição desta semana. “Os Estados Unidos provavelmente não deixarão a Otan porque a postura de padrinho incontestável da família, ao qual cada membro deve demonstrar fidelidade, lhe convém”, salienta a publicação. Além disso, um recente reestruturação do comando integrado da organização colocou nas mãos do Pentágono americano a chefia do Exército, da Marinha e da Aeronáutica da aliança, lembra L’Express. Washington não tem interesse em deixar nas mãos dos próprios europeus as forças aliadas no continente, no qual está engajado desde os anos 1950. Esse controle é fundamental para o monitoramento das bombas atômicas na Europa, pilares do guarda-chuva nuclear americano. Redução da participação americana O governo do presidente informou aos aliados, em maio, sobre sua decisão de reduzir a presença militar na Europa. No fim de junho, o secretário-geral da organização, Mark Rutte, foi aos Estados Unidos explicar a Trump, de forma didática, o quanto o presidente conseguiu acelerar a guinada dos gastos europeus com proteção e capacidade de ataque. É esperado que a Otan anuncie, durante a reunião anual em Ancara, que os europeus supriram quase todas as lacunas deixadas por Wasington nos planos de defesa coletiva, embora ainda não tenha sido possível compensar a retirada de um bombardeiro estratégico disponibilizado pelos americanos. Na última cúpula da aliança atlântica, marcada pela forte pressão de Trump, os países da Otan concordaram em destinar pelo menos 5% de seu Produto Interno Bruto (PIB) a gastos com segurança até 2035. Espanha "decepcionou" "Alguns aliados estão fazendo mais do que outros, e temos países como a Polônia, as nações escandinavas, os Estados bálticos e a Alemanha liderando o grupo", afirmou o embaixador americano na Otan, Matt Whittaker, em uma coletiva de imprensa. "Mas há alguns que estão ficando para trás, seja porque não estão gastando o suficiente ou porque não estão em uma trajetória confiável para cumprir os compromissos assumidos em Haia", acrescentou ele, sem citar países específicos. A Espanha é um dos países europeus que "decepcionaram" o presidente dos Estados Unidos ao se recusarem a atingir a marca de 5%. Já na cúpula de Haia, Madri sustentava que alcançar esse percentual não era necessário para cumprir os requisitos de capacidade de defesa da Otan. RFI com Reuters e AFP

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  2. 27 de jun.

    No aniversário da independência dos EUA, revistas francesas retratam relação complexa entre os dois países

    As relações entre a França e os Estados Unidos são marcadas por grande proximidade, mas também por conflitos célebres. Às vésperas das comemorações da independência americana, a revista Le Parisien Weekend desta semana destaca a história turbulenta de amizade entre os dois países e relembra alguns de seus momentos mais importantes. Os Estados Unidos comemoram no próximo dia 4 de julho os 250 anos de sua declaração de independência da Inglaterra do rei George III, em 1776. Entre os personagens centrais desse processo está o general La Fayette, transformado em um verdadeiro mito pelos americanos. A publicação destaca ainda a vitória francesa na Batalha de Chesapeake, considerada decisiva para o desfecho da Guerra de Independência dos Estados Unidos. O conflito foi oficialmente encerrado por uma série de tratados assinados em 1783, principalmente em Paris e Versalhes, o que simboliza o papel fundamental desempenhado pela França. No entanto, a revista lembra que George Washington não demorou a se aproximar novamente de Londres, firmando acordos comerciais com os britânicos à revelia do rei francês Luís XVI. A revista também aborda os presentes trocados entre as duas nações, entre eles a Estátua da Liberdade, financiada em grande parte pelo povo francês. Dessa forma, a gigantesca escultura é apresentada como “um presente do povo francês ao povo americano”. Outro destaque é o engajamento dos Estados Unidos na Primeira Guerra Mundial, bem como as inúmeras ligações culturais e econômicas entre os dois países. Le Parisien Weekend lembra que escritores americanos como William Faulkner e Ernest Hemingway viveram na França, enquanto artistas franceses alcançaram reconhecimento em Hollywood, como Marion Cotillard, Jean Dujardin e Simone Signoret, todos vencedores do Oscar. Na música, nomes como Édith Piaf e Charles Aznavour também conquistaram o público americano. A influência francesa se estende ainda à gastronomia, com exemplos populares como as famosas french fries. Apesar dessa longa história de cooperação, a amizade entre França e Estados Unidos permanece marcada, segundo a revista, por uma permanente disputa de influência e poder. Constrangimentos A revista Le Point também dedica espaço ao aniversário da independência americana. Para a publicação, ao receber Donald Trump em Versalhes, após a cúpula do G7 em Évian, Emmanuel Macron colocou a França em posição privilegiada nas celebrações do 250º aniversário da independência dos Estados Unidos. A publicação semanal relembra diversas comemorações realizadas ao longo do tempo entre os dois países para celebrar a Declaração de Independência, mas observa que, em muitos casos, algum tipo de constrangimento diplomático de uma das partes acabava ofuscando as festividades. O texto conclui afirmando que toda comemoração é fruto de sua época e reflete as circunstâncias políticas e históricas do momento. Segundo a revista, essa lógica da memória também se aplica naturalmente às celebrações do 250º aniversário da independência americana.

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  3. 20 de jun.

    Brexit: dez anos depois, Reino Unido enfrenta crise, tabu político e reaproximação com a UE

    Dez anos após o referendo que decidiu pela saída do Reino Unido da União Europeia, a avaliação predominante no país é negativa. Segundo uma longa reportagem da revista semanal L’Express, o Brexit deixou o Reino Unido mais pobre, mais dividido e politicamente instável, além de ter enfraquecido sua posição internacional. O governo britânico descarta um retorno à União Europeia, mas a publicação francesa aponta que o país vem, na prática, se reaproximando do bloco. Apesar do diagnóstico crítico da imprensa francesa, o contexto político britânico mostra outra realidade. Hoje, a maioria da população considera o Brexit um erro. Ainda assim, nenhum grande partido defende sua reversão. O tema virou tabu no debate político. A agenda é dominada por outras prioridades, como o custo de vida, a imigração e a crise dos serviços públicos. Nesse cenário, cresce o peso de forças populistas e o receio de reabrir uma discussão altamente polarizadora. O texto da L’Express relembra a noite de 23 de junho de 2016, quando a população do Reino Unido votou pela saída do bloco. Em seguida, mostra como, quase uma década depois, o país vem se reaproximando da União Europeia na prática. A reportagem cita recentes acordos comerciais, a cooperação em defesa e o retorno previsto ao programa Erasmus. Esse movimento reflete uma opinião pública cada vez mais favorável a uma reaproximação com a UE. Dados citados pela revista indicam perdas econômicas significativas: queda do PIB por habitante entre 6% e 8%, redução dos investimentos estrangeiros e impacto negativo no emprego e na produtividade. Ao mesmo tempo, o país registra piora nos indicadores sociais, como a queda no ranking global de felicidade. Crescimento da extrema direita no Reino Unido O Brexit também teria provocado uma transformação política profunda, com o avanço de partidos populistas e uma instabilidade inédita, com seis primeiros-ministros em dez anos. Além disso, aprofundou divisões internas, especialmente entre as quatro nações do Reino Unido, onde crescem movimentos independentistas. Já o editorial da revista Le Point, publicado nesta quinta-feira (18), não menciona diretamente o Brexit, mas descreve tensões identitárias e sociais, como o recente caso das violentas revoltas em Belfast, na Irlanda do Norte. Provocadas por um ataque com faca cometido por um refugiado sudanês, elas se espalharam por outras cidades, como Glasgow e Edimburgo, relembra o editorial.  Leia também'Nada justifica a violência', diz Starmer após protesto anti-imigração na Irlanda do Norte A Le Point insiste menos na ruptura com a União Europeia e mais nas tensões ligadas à imigração e ao multiculturalismo. Dois diagnósticos distintos, portanto, que apontam para uma mesma realidade: a de um Reino Unido cada vez mais fragilizado socialmente. A revista francesa questiona e responde: “Essa sociedade britânica à deriva seria o destino que espera a França amanhã? Por enquanto, trata-se de uma versão agravada do nosso país”. Em seguida, compara o primeiro-ministro trabalhista Keir Starmer a um “sub-Macron”, criticando-o por encarnar, assim como o presidente francês, “uma impotência inflada, com ainda menos visão”. Leia também"Humilhação": popularidade de Macron despenca em meio a caos político na França

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  4. 13 de jun.

    Avanço da IA no setor militar acirra disputa por soberania entre Europa e Estados Unidos

    Um dos temas que mais ganham destaque na imprensa semanal francesa é o avanço da inteligência artificial nos setores de defesa e estratégia. Antes associada principalmente à inovação econômica, a tecnologia passa a ocupar um papel central nas disputas de poder, tanto no campo militar, em operações terrestres, quanto no espaço, na corrida por capacidade orbital. Nesse cenário, a empresa francesa Mistral busca reduzir a dependência europeia em relação às tecnologias militares dos Estados Unidos. Em reportagem publicada pela revista L’Express esta semana, intitulada “Inteligência Artificial é o novo grande medo”, a start-up francesa Mistral AI aparece no centro dessa transformação. O movimento reflete as novas tensões geopolíticas globais e a busca europeia por autonomia estratégica. A empresa, considerada uma das principais apostas da French Tech, está agora ampliando seu campo de atuação para além das aplicações civis, entrando de forma direta no universo militar.  Segundo a revista, a Mistral firmou parcerias com o Ministério das Forças Armadas francês e com o grupo Airbus, com o objetivo de integrar seus modelos de inteligência artificial a diferentes frentes, desde sistemas aeronáuticos a operações de defesa e análise de dados estratégicos.  Em um contexto marcado pela guerra na Ucrânia, pelo reposicionamento das grandes potências e pela corrida tecnológica global, a inteligência artificial passou a ser vista como um elemento central de dissuasão militar. Como resume o CEO da empresa, Arthur Mensch, citado pela L’Express, a capacidade de responder com sistemas baseados em IA se tornou indispensável diante de exércitos que já utilizam amplamente essa tecnologia, como no caso de drones militares.  Leia tambémUcrânia aposta em drones para resistir a aumento de ataques da Rússia Soberania tecnológica Outro ponto importante levantado pela reportagem é a questão da soberania tecnológica. Ao desenvolver soluções próprias e implantá-las inclusive em redes classificadas do Estado, a Mistral AI se insere em uma estratégia mais ampla de reduzir a dependência em relação aos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, a reportagem mostra que, apesar das ambições francesas e das iniciativas europeias, especialistas reconhecem que as soluções americanas continuam à frente.  Essa evolução dialoga diretamente com outra reportagem publicada pela revista Le Point, que comenta o domínio crescente da SpaceX, de Elon Musk, sobre a órbita baixa da Terra. Segundo a revista, a empresa já controla mais de 10 mil satélites, o que significa dois terços dos satélites ativos no mundo e, na prática, impõe suas próprias regras de circulação no espaço, obrigando até agências públicas a coordenarem seus movimentos para evitar colisões.  “Somos obrigados a avisar a SpaceX quando transitamos por essa altitude, se não quisermos ser destruídos” por uma colisão, explicou Caroline Laurent, diretora de sistemas orbitais e aplicações do Centro Nacional de Estudos Espaciais (Cnes), em referência aos satélites de observação militar da França, durante um fórum, organizado pela revista Le Point em abril, em Paris.  Se, no caso da Mistral, a questão central é a autonomia tecnológica europeia frente à hegemonia americana em inteligência artificial, no caso da SpaceX, o desafio diz respeito à apropriação de um espaço físico estratégico por uma empresa privada.   Controle de dados Os dois fenômenos citados se encontram em um ponto comum destacado nas duas revistas: o controle dos dados.  A Mistral AI busca estruturar a superioridade informacional no campo de batalha, analisando grandes volumes de dados para orientar decisões militares. Já a SpaceX, com seus satélites, não apenas garante conectividade global, mas também se posiciona para mapear, vigiar e potencialmente controlar tudo o que circula nos “data centers em órbita”.  Nos dois casos, a Europa aparece em posição reativa. Na França, a aposta recai sobre atores nacionais, como a Mistral, para reduzir a dependência tecnológica. Já no setor espacial, especialistas ouvidos pela Le Point reconhecem que o continente ainda está distante de oferecer uma alternativa à altura da liderança norte-americana, seja no setor público ou no privado.

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  5. 6 de jun.

    Aplicações práticas da IA não superam os riscos de exclusão econômica e desinformação

    As revistas semanais francesas trazem a Inteligência Artificial como destaque em reportagens. As publicações exploram desde as críticas aos grandes líderes do setor até as aplicações práticas que estão transformando o cotidiano das pessoas. Segundo a L'Obs, vivemos um período de "IA ansiedade", marcado pela crescente preocupação com os efeitos nocivos dessa tecnologia na sociedade, como o impacto ambiental dos centros de dados e a possível destruição de empregos qualificados. A revista destaca o que chama de "falsos profetas da IA", referindo-se a bilionários do setor como Elon Musk, Sam Altman e Mark Zuckerberg, cujas promessas de um futuro radiante esconderiam uma vontade de dominação econômica e poder político. No centro do debate, a publicação traz a encíclica "Magnifica Humanitas" do Papa Leão XIV, que apela pelo "desarmamento da IA" para que ela não domine o ser humano, defendendo uma revolução antropológica que coloque a dignidade humana acima do lucro. Já a revista L'Express traz uma perspectiva fundamentada no debate econômico e filosófico sobre a mesma encíclica papal. Em entrevista, os economistas David Thesmar e Augustin Landier analisam o texto de Leão XIV, classificando-o como "tecnoansioso" por se concentrar excessivamente em riscos como a exclusão econômica e a desinformação. Embora Landier reconheça que a Igreja acertadamente identifica a IA como uma disrupção fundamental que remodela a sociedade, Thesmar diverge da ideia de desaceleração. Acelerar ou controlar? Para ele, a humanidade deve, na verdade, acelerar o progresso técnico para enfrentar desafios globais, argumentando que a estagnação organizada da IA não seria benéfica para o bem-estar humano. Finalmente, Le Point trata do impacto direto da tecnologia no mercado imobiliário, mostrando como a IA está otimizando a busca por imóveis. Através de assistentes inteligentes como o ZIA e o ARI, os interessados podem agora realizar buscas por critérios ultraprecisos, como "vista para a Torre Eiffel" ou "proximidade de boas escolas". Além de reduzir sensivelmente o tempo de pesquisa, a tecnologia permite visualizar o potencial de reformas através de home staging virtual e obter orçamentos detalhados de renovação em poucos segundos. Para os profissionais do setor, a IA atua na liberação de tarefas administrativas repetitivas, permitindo que os agentes imobiliários se dediquem mais ao acompanhamento humano e estratégico de seus clientes.

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  6. 30 de mai.

    Ucrânia aposta em drones para resistir a aumento de ataques da Rússia

    O avanço estratégico ucraniano no conflito com a Rússia, com foco no uso decisivo de drones e tecnologias inovadoras no campo de batalha, é destaque nas revistas semanais francesas. A imprensa também revela os bastidores das sanções europeias contra Moscou, marcadas por um sistema complexo de aplicação.  A revista Le Point enfatiza o desempenho do exército ucraniano que, segundo a publicação, “impressiona o mundo”. Em um conflito que se prolonga no tempo, os ucranianos estão fazendo mais do que simplesmente resistir, afirma a reportagem: a arma secreta de Kiev são drones e robôs ultramodernos, que fazem toda a diferença no campo de batalha. A chamada nova guerra, travada à distância, permitiu que os ucranianos resistissem aos invasores russos, superiores em exército e poder de fogo, analisa a revista. Em abril, pela primeira vez desde a contraofensiva ucraniana de 2023, a Rússia perdeu mais território do que ganhou na Ucrânia, segundo dados do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW). Ao mesmo tempo, de acordo com um comunicado da Missão de Monitoramento dos Direitos Humanos da ONU na Ucrânia, abril também registrou o maior número de mortes de civis desde maio de 2024: ao menos 209 pessoas morreram e 1.146 ficaram feridas. Os ataques russos têm se intensificado por via aérea, enquanto os avanços são mais limitados por terra. A revista destaca ainda o uso do P1-Sun, considerado o melhor interceptador de drones da Ucrânia. Essa tecnologia, desenvolvida pela start-up ucraniana SkyFall, permite que Kiev neutralize os drones Shahed utilizados por Moscou. Sanções A semanal L’Express, por sua vez, revela os bastidores da aplicação de sanções impostas pela Europa contra a Rússia desde o início da invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022. As medidas de retaliação atingem cerca de 2.600 indivíduos e entidades considerados próximos ao Kremlin, e têm em primeira linha oligarcas e seus familiares. A elaboração da lista de sancionados segue um mecanismo complexo e opaco, segundo a revista. Todos os bens dessas pessoas e empresas em solo europeu são congelados. Eles não podem mais usufruir de suas propriedades, iates, nem movimentar ou sacar recursos de suas contas bancárias na Europa. As sanções, de caráter praticamente permanente, também incluem a proibição de viagens dentro da União Europeia. Um grupo de advogados instalados em Paris e Bruxelas tem tentado contestá-las nos tribunais, apontando lacunas e ambiguidades no sistema europeu. Pouco menos de 100 recursos foram apresentados até agora, com sucesso relativo. Segundo a revista, o processo é difícil não apenas porque as decisões do Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) se aplicam apenas ao pacote de sanções contestado – e a lista negra é renovada a cada seis meses –, mas também porque os critérios adotados são variáveis e devido à falta de transparência no processo de seleção dos alvos das sanções. Entretanto, graças a esses vácuos, Vladimir Lissin, o homem mais rico da Rússia e fornecedor de aço para a fabricação de armas no país, até hoje conseguiu escapar da lista, destaca L'Express.

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  7. 23 de mai.

    Líder que 'europeus adoram detestar', Ursula von der Leyen redefine ambição geopolítica da Comissão Europeia

    As revistas semanais francesas trazem duas leituras complementares sobre o papel da Europa no mundo e o lugar que ela ocupa hoje no equilíbrio global. De um lado, a revista L’Express dedica sua capa à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Ela é descrita como a dirigente que “os europeus adoram detestar”. Já Le Nouvel Obs avalia que em negociações com a China e os Estados Unidos, os europeus ainda não imprimem a força necessária para defender seus interesses.  Segundo o perfil traçado pela L'Express, Ursula von der Leyen assumiu a chefia da Comissão em um momento de crise global e optou por responder ampliando o alcance da instituição. Primeira mulher à frente do Executivo europeu, ela imprimiu ao seu mandato uma lógica geopolítica, colocando a União Europeia como ator estratégico em um mundo instável. Mas essa expansão de atuação não é consensual. Nos bastidores de Bruxelas, cresce a percepção de que a presidente vai além do que tradicionalmente caberia à Comissão, ocupando espaços políticos e diplomáticos de maneira mais assertiva; para alguns até excessiva. A reportagem insiste em um ponto central: o estilo de Ursula von der Leyen. Ela é frequentemente descrita como uma dirigente que centraliza decisões, personaliza a ação política e imprime uma marca pessoal forte ao cargo. Para seus críticos, trata-se de uma ruptura com o funcionamento mais colegiado que caracteriza a União Europeia. Isso alimenta acusações de que ela “ultrapassa os limites” de sua função, ainda que seus apoiadores vejam nisso uma adaptação necessária a um mundo mais turbulento. Leia tambémAcordo com Mercosul: UE não descarta entrada em vigor antes de voto do Parlamento Europeu Paradoxo A visibilidade e o protagonismo da dirigente alemã revelam um paradoxo: Ursula von der Leyen é ao mesmo tempo uma das líderes mais reconhecidas do continente e uma das mais contestadas.  É nesse ponto que entra uma segunda análise, desta vez da revista Le Nouvel Obs. Em um editorial intitulado “A lição de Pequim aos europeus”, o texto afirma que a União Europeia deveria ser mais firme na defesa de seus interesses. A revista considera que a China soube resistir às pressões de Donald Trump durante a recente visita do presidente norte-americano a Pequim, enquanto muitas vezes, "a Europa se comporta como um vassalo dos Estados Unidos". Segundo a revista, em um mundo cada vez mais competitivo, a força, e não a conciliação, passou a definir o equilíbrio de poder. A crítica é direta: a Europa ainda hesita, ainda evita o confronto e paga um preço alto por isso. Nas duas publicações, a questão central permanece sem resposta: como a Europa pode se tornar uma potência mais assertiva, sem se dividir por dentro?

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  8. 16 de mai.

    ‘O Rei da Espanha’: com novo filme autobiográfico em Cannes, Pedro Almodóvar é ovacionado na França

    As revistas francesas desta semana destacam a carreira e a obra do diretor Pedro Almodóvar. Aos 76 anos e com um novo filme estreando no Festival de Cannes, o cineasta espanhol nunca conquistou a Palma de Ouro, o principal prêmio da mostra cinematográfica francesa, apesar de ter um estilo marcante e uma carreira reconhecida mundialmente.  Estampando a capa da revista M, do jornal Le Monde, Pedro Almodóvar é chamado pela publicação de “O rei da Espanha”. E não é para menos: são 24 longas-metragens, cerca de 12 curtas, além de filmes de outros diretores produzidos por meio da produtora El Deseo, que dirige ao lado do irmão, Agustín. O cineasta espanhol também tem um estilo inconfundível, a revista, reconhecido internacionalmente. A publicação destaca ainda que, apesar de todo esse reconhecimento e de ter concorrido sete vezes em Cannes, Almodóvar nunca foi premiado. Este ano, ele tem uma nova oportunidade de ganhar a Palma de Ouro com o filme autobiográfico "Amarga Navidad" (Natal amargo, em tradução livre). Para a revista Le Nouvel L’Obs, o longa é um “autorretrato cru” do cineasta, um eco sutil de “Dor e glória”, também autobiográfico, lançado em 2019, com Antonio Banderas no papel principal. “Amarga Navidad” conta a história de um cineasta em meio a uma crise criativa, interpretado pelo argentino Leonardo Sbaraglia, que busca inspiração para seu próximo filme quando uma tragédia atinge um de seus colaboradores mais próximos. Gradualmente, ele imagina Elsa, uma diretora em processo de escrita, cuja trajetória começa a espelhar a sua. Os dois cineastas tornam-se duas faces da mesma moeda, como em um labirinto de espelhos. “Muitos dizem que tudo o que não é autobiográfico é mentira. Concordo plenamente com isso, na medida em que constato que a minha vida, em níveis variados, sempre foi uma fonte de inspiração”, afirmou Almodóvar à Le Nouvel L’Obs. “Fazer cinema é a razão da minha existência. O que vivo fora dele é um pretexto para usar nos meus filmes”, acrescentou. Do passado na telefonia ao sucesso mundial Antes de se tornar conhecido pelos cenários vibrantes e pelas histórias passionais, o jovem Pedro Almodóvar - então cineasta underground, roqueiro e festeiro inveterado, além de nunca ter escondido sua homossexualidade - trabalhou por 12 anos na companhia telefônica nacional da Espanha. Considerado também um símbolo do despertar espanhol dos anos 1970, quando o país começava a se libertar da ditadura de Francisco Franco, ele só pôde se dedicar integralmente ao cinema após o sucesso de seu primeiro longa-metragem “oficial”, “Pepi, Luci, Bom e outras garotas de montão”, lançado em 1980. Sobre seu trabalho mais recente, “Amarga Navidad”, Almodóvar contou à Le Nouvel L’Obs que busca inspiração não apenas na própria vida, mas também em autores clássicos. Para ele, a França é um país com grandes “voyeurs da autoficção”, citando escritores como Annie Ernaux e Emmanuel Carrère.

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Uma leitura dos assuntos que mais interessaram as revistas semanais da França. Os destaques da atualidade do ponto de vista das principais publicações do país.

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