Linha Direta

Bate-papo com os correspondentes da RFI Brasil pelo mundo para analisar, com uma abordagem mais profunda, os principais assuntos da atualidade.

  1. HÁ 9 H

    Munique abre conferência de segurança sob tensão global e recorde de líderes e protestos

    Começa nesta sexta-feira (13) na Alemanha a tradicional Conferência de Segurança de Munique, que ocorre todos os anos na capital da Baviera desde 1963. O encontro deste ano é superlativo em todos os aspectos: espera-se uma participação recorde de chefes e representantes de estado, além de um número inédito de manifestantes nas ruas de Munique. Gabriel Brust, correspondente da RFI em Düsseldorf Grande parte da atenção que se volta à capital da Baviera hoje se deve à repercussão do evento no ano passado, quando o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, fez um discurso que foi considerado a ruptura da parceria transatlântica entre os americanos e a Europa. Em 2025, Vance criticou as democracias europeias e confraternizou em paralelo com líderes da Alternativa para a Alemanha (AfD), o principal partido de extrema direita do país. Para este ano, espera-se um pouco mais de moderação na participação americana, que desta vez terá como principal representante o secretário de Estado Marco Rubio, além de uma comitiva de nada menos que 50 parlamentares de Washington, incluindo a deputada democrata Alexandria Ocasio-Cortez, adversária de Trump. Opositores do regime iraniano nas ruas Nas ruas, espera-se um número recorde de 120.000 manifestantes. O maior dos 21 protestos agendados deve ser o dos opositores do regime iraniano. O Irã deve estar na pauta das conferências, que terão a presença de Reza Pahlavi, o filho do xá – último monarca iraniano, destituído em 1979 – e que hoje é a figura mais proeminente da oposição iraniana. Entre os mais de 60 chefes de Estado presentes, espera-se o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, além de uma participação por videoconferência da líder da oposição venezuelana María Corina Machado. Para lidar com esta ebulição ao redor do luxuoso hotel Bayerischer Hof, onde sempre ocorre a Conferência de Segurança de Munique, a polícia alemã teve de chamar reforços, e haverá deslocamento de policiais da Áustria, Suíça, França e Holanda. O Oriente Médio e a invasão da Ucrânia também serão discutidos, mas é a relação Europa-Estados Unidos que deve constituir a centralidade da conferência. Pesquisas mostram que a maioria dos europeus já não considera mais os Estados Unidos aliados e apoiam um reforço na defesa europeia. Fim da parceria EUA-Europa A tensão entre Europa e Estados Unidos fica clara na agenda do chanceler alemão, Friedrich Merz, que fará pela primeira vez o discurso de abertura da conferência. A fala deve refletir seus planos de reconstruir a defesa alemã, contando com o apoio das ruas. Segundo pesquisas, 72% dos alemães aprovam o plano do governo de dobrar os gastos com defesa nos próximos dez anos. Merz também tem encontros particulares já agendados tanto com Marco Rubio quanto com um potencial candidato de oposição a Trump em 2028, o governador da Califórnia, Gavin Newsom. O chanceler também se encontrará com o presidente francês, Emmanuel Macron, e com o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer. Em pauta, o tema central na Europa atual: como lidar com a nova ordem mundial, em que o velho continente não pode mais contar com a proteção militar dos Estados Unidos, e em que Rússia e China crescem de importância. No sábado, espera-se o discurso de Wang Yi, ministro das Relações Exteriores da China. Extrema direita vive dilema O constrangimento a que JD Vance submeteu às autoridades alemãs no ano passado no mínimo serviu para pressionar a organização do evento a aceitar a participação de representantes da AfD, que tinham sido banidos em 2025. Três deputados do partido de extrema direita estarão presentes, e já anunciaram encontros paralelos com representantes do governo americano, que é simpático a eles. Mas a verdade é que a AfD vive um dilema interno: parte de seus líderes e militantes defendem esta parceria com o governo Trump, mas há uma parte mais nacionalista que é contra. De forma geral, os partidos de extrema direita europeus se dividem neste alinhamento com o governo americano: enquanto na Inglaterra, Polônia e Hungria ele é total, na Alemanha, na França e na Itália, o populismo de direita ainda é em parte refratário a Trump e mais alinhado à Rússia. Inclusive, algumas das mensagens vazadas nos arquivos Epstein mencionam uma colaboração no mínimo suspeita entre a AfD e o Reunião Nacional (Rassemblement National, de Marine Le Pen) francês.

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  2. HÁ 1 DIA

    Líderes da UE debatem dívida comum e problema de competitividade do bloco em encontro na Bélgica

    Os líderes dos 27 países-membros da União Europeia se reúnem nesta quinta‑feira (12), na Bélgica, para acelerar as reformas destinadas a recuperar a competitividade da economia do bloco. Em meio a discordâncias internas, os chefes de Estado e de governo buscam caminhos para impulsionar o crescimento, reduzir os custos de energia e gerar novos investimentos. Artur Capuani, correspondente da RFI em Bruxelas O encontro acontecerá no charmoso castelo de Alden Biesen, na Bélgica, uma antiga fortaleza militar medieval. Convocado por António Costa, presidente do Conselho Europeu, o chamado “retiro informal” dos chefes de Estado e de governo da União Europeia não segue o formato tradicional das cúpulas realizadas na sede da instituição, na capital belga. A reunião não prevê a adoção de medidas formais, mas uma discussão sobre os próximos passos do bloco em meio às pressões crescentes da indústria e às divergências entre as principais potências do continente. Ela ganhou o apelido de “Cúpula de Draghi”, já que conta com a presença do ex-presidente do Banco Central Europeu e ex-primeiro-ministro italiano, Mario Draghi. O objetivo é discutir propostas com base no relatório de competitividade elaborado por Draghi, que alerta para o fraco crescimento econômico da Europa, além do impacto persistente dos altos preços da energia sobre empresas e consumidores e da perda de terreno em relação aos Estados Unidos e à China. Dívida conjunta Apesar do consenso sobre a necessidade de fortalecer a economia europeia, há divergências profundas sobre como financiar essa nova fase de investimentos. A França defende uma estratégia mais ambiciosa, com a possibilidade de criação de uma nova dívida conjunta europeia, nos moldes do fundo de recuperação adotado durante a pandemia de Covid‑19. Paris argumenta que, sem recursos robustos e compartilhados, a União Europeia não conseguirá competir com os subsídios massivos oferecidos por outras potências globais. A proposta é endossada por Mario Draghi, mas enfrenta resistência nas reuniões do Conselho. Já a Alemanha, com apoio da Itália, rejeita a ideia de uma nova dívida comum e adota uma postura mais cautelosa, centrada na disciplina fiscal. O chanceler alemão Friedrich Merz e a primeira‑ministra italiana, Giorgia Meloni, apresentaram no mês passado um plano de ação para impulsionar a economia europeia, com foco na indústria e na simplificação regulatória dentro do bloco. Com 27 Estados‑membros, liderados por governos de diferentes orientações políticas e prioridades nacionais, a União Europeia enfrenta negociações complexas em praticamente todos os temas estratégicos. Quando o consenso demora, as decisões também atrasam. Essa morosidade é vista por empresários e analistas como um dos principais obstáculos à competitividade europeia, especialmente em um cenário de forte concorrência global, em que a agilidade é fator determinante. Um exemplo emblemático é o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. As negociações se arrastaram por décadas, atravessaram disputas internas e ainda enfrentam incertezas jurídicas e políticas, incluindo questionamentos no Parlamento Europeu. O caso ilustra como a dificuldade de consenso pode retardar decisões estratégicas. O mesmo impasse aparece em outros dossiês sensíveis, como o uso de ativos russos congelados para financiar a Ucrânia, a definição de metas climáticas mais ambiciosas e os investimentos em defesa. Europa “a duas velocidades” Diante das dificuldades para avançar com unanimidade, cresce o debate sobre modelos alternativos de integração. Mario Draghi defendeu recentemente uma abordagem mais federalista e “pragmática” para o bloco, com maior foco no interesse coletivo. Na mesma linha, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, voltou a defender a ideia de uma “Europa a duas velocidades”. A proposta permitiria que um grupo menor de países avance mais rapidamente em determinadas áreas, por meio de acordos próprios, enquanto os demais seguiriam no seu ritmo. Na prática, o modelo poderia acelerar projetos estratégicos e permitir respostas mais rápidas às crises econômicas e geopolíticas. Por outro lado, críticos alertam que a estratégia pode aprofundar divisões internas e levar a uma União Europeia mais fragmentada, com países integrados em níveis diferentes. O desafio dos líderes reunidos na Bélgica é justamente encontrar um equilíbrio entre eficiência e unidade. A questão central é saber se o bloco conseguirá ganhar agilidade sem comprometer sua coesão — um dilema que deve marcar os próximos passos da integração europeia

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  3. HÁ 2 DIAS

    Trump recebe Netanyahu em meio a impasse com o Irã e incertezas em Gaza

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se reúne nesta quarta-feira (11), em Washington, com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em um momento de forte tensão no Oriente Médio. O encontro ocorre em meio ao impasse nas negociações entre Washington e Teerã sobre o programa nuclear iraniano e às incertezas sobre o futuro da guerra em Gaza. Luciana Rosa, correspondente da RFI em Nova York Netanyahu chegou aos Estados Unidos na noite de terça-feira (10) e deve se reunir com o presidente americano no final da manhã. Antes, ele conversa com o Secretário de Estado, Marco Rubio. Segundo fontes israelenses, o governo de Israel já prepara cenários alternativos caso as negociações entre os Estados Unidos e o Irã fracassem, incluindo opções militares. Antes de embarcar para Washington, Netanyahu deixou claro que o Irã é a prioridade absoluta da agenda. “Nesta viagem, vamos discutir uma série de questões, como Gaza e a situação regional, mas, acima de tudo, as negociações com o Irã”, afirmou. Segundo ele, Israel pretende apresentar ao presidente americano princípios considerados essenciais para qualquer acordo. “Princípios que, aos nossos olhos, são vitais não apenas para a segurança de Israel, mas para todos aqueles que desejam paz e estabilidade no Oriente Médio”, disse. A reunião acontece após semanas de intensa articulação diplomática e militar entre Washington e Jerusalém. No último mês, o chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel e o diretor de Inteligência Militar visitaram o Pentágono. Mais recentemente, assessores diretos da Casa Branca se encontraram com Netanyahu em Jerusalém. Ao mesmo tempo, Estados Unidos e Irã retomaram negociações indiretas em Omã na semana passada. Segundo analistas, as conversas terminaram sem avanços concretos sobre o programa nuclear iraniano, o que aumentou a pressão sobre a estratégia americana na região. De acordo com a CNN, Israel vê com ceticismo essas negociações e busca garantir dois pontos centrais: a proteção de seus interesses estratégicos e a preservação da liberdade de ação militar caso um eventual acordo não funcione. Netanyahu deve apresentar a Trump novas informações de inteligência sobre as capacidades militares do Irã. Autoridades israelenses afirmam estar preocupadas com a reconstrução acelerada do arsenal de mísseis balísticos iranianos e avaliam que, sem medidas concretas, Teerã poderia voltar a ter entre 1.800 e 2.000 mísseis em questão de semanas ou meses. Israel pressiona para que qualquer acordo inclua exigências mais amplas do que o tema nuclear, como o fim do enriquecimento de urânio, a eliminação dos estoques já existentes, limites ao programa de mísseis balísticos e o encerramento do apoio iraniano a grupos aliados na região. O Irã, por sua vez, insiste que está disposto a negociar apenas o dossiê nuclear. Nos últimos dias, Trump sinalizou que pode aceitar um acordo mais restrito. Questionado a bordo do Air Force One se um pacto limitado ao tema nuclear seria aceitável, respondeu que sim, desde que fique claro “desde o início” que o Irã não poderá ter armas nucleares. A Cisjordânia também deve ocupar espaço relevante na conversa. Trump afirmou ao site Axios que se opõe a qualquer tentativa de anexação israelense do território palestino. “Temos coisas suficientes para pensar agora. Não precisamos lidar com a Cisjordânia”, disse. O futuro de Gaza em segundo plano Paralelamente, Washington trabalha em um plano para o pós-guerra em Gaza. Segundo o The New York Times, enviados americanos estudam uma desmilitarização gradual do Hamas, permitindo que o grupo mantenha apenas armas leves enquanto entrega mísseis e armamentos de maior alcance. A proposta faz parte de um plano mais amplo dos Estados Unidos para estabilizar Gaza, avançar na reconstrução e transferir a administração do território para um comitê palestino tecnocrata. Israel adota uma posição mais dura. Netanyahu deve dizer a Trump que a segunda fase do cessar-fogo não avançou e que, sem o desarmamento completo do Hamas, não haverá reconstrução nem retirada das tropas israelenses. Autoridades israelenses afirmam ainda que uma nova operação militar pode ser necessária para viabilizar a visão americana para Gaza e para a região. Além da agenda diplomática, a visita tem forte peso político interno para Netanyahu. O primeiro-ministro enfrenta eleições ainda este ano e aposta na imagem de líder com acesso direto à Casa Branca. Aliados e analistas avaliam que a relação pessoal com Trump será um dos principais eixos da campanha, reforçando a narrativa de que apenas ele consegue influenciar decisões estratégicas dos Estados Unidos. A antecipação da viagem também permite que Netanyahu evite o lançamento oficial do Board of Peace, marcado para o dia 19. A iniciativa do governo Trump inclui países como Turquia e Catar, atores que Israel não quer ver envolvidos no futuro político e na reconstrução de Gaza. Assim, a reunião em Washington funciona tanto como um movimento diplomático estratégico quanto como uma vitrine política doméstica para o líder israelense.

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  4. HÁ 3 DIAS

    Campanha da Fraternidade 2026 põe moradia digna no centro do debate social no Brasil

    Apesar da redução histórica do déficit habitacional, cerca de 40% das moradias brasileiras ainda são consideradas inadequadas. Edison Veiga, correspondente da RFI em Bled, Eslovênia Morar — e morar dignamente — segue sendo um dos grandes problemas estruturais da sociedade brasileira. Embora o país tenha registrado, nos últimos anos, o menor patamar histórico do chamado déficit habitacional, estudos indicam que aproximadamente 40% das residências ainda não oferecem condições adequadas para uma vida digna. Em outras palavras: nunca houve tão poucos brasileiros sem teto, mas uma parcela expressiva da população vive em submoradias, em condições precárias. Essa contradição está no centro do tema escolhido para a Campanha da Fraternidade 2026, iniciativa anual da Igreja Católica no Brasil voltada à conscientização social, realizada tradicionalmente durante o período da quaresma. A definição do tema da Campanha da Fraternidade cabe ao colegiado de bispos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), entidade responsável pela coordenação do projeto. O processo leva em conta tanto sugestões internas quanto demandas urgentes da sociedade brasileira. No caso da edição de 2026, a proposta partiu da Pastoral da Moradia e Favela do Brasil, organismo da Igreja que atua diretamente na defesa do direito à moradia. A pastoral apresentou aos bispos a necessidade de recolocar o tema no centro do debate público, diante da persistência de situações habitacionais indignas em todo o país. Por que discutir moradia A campanha busca chamar atenção para a realidade de milhões de brasileiros que vivem em habitações improvisadas, inseguras ou sem acesso adequado a serviços básicos. O objetivo é ampliar o debate e estimular ações concretas nas comunidades, indo além dos números oficiais sobre déficit habitacional. “Moradia é um tema essencial para a população brasileira, assim como a alimentação. É um direito básico”, argumenta o frade franciscano capuchinho Marcelo Toyansk Guimarães, coordenador nacional da Pastoral da Moradia e Favela do Brasil e assessor da Comissão Justiça e Paz da CNBB, que destaca a urgência de políticas públicas e do engajamento social para garantir o direito constitucional à moradia digna. A Campanha da Fraternidade é um dos projetos sociais mais antigos e capilarizados da Igreja Católica no Brasil. Sua primeira edição ocorreu em 1961, inicialmente de forma localizada. A partir de 1962, passou a ser realizada durante a quaresma — período que vai do Carnaval à Páscoa — e, em 1964, ganhou alcance nacional, em um formato semelhante ao atual. Ao longo de 65 anos, a campanha já abordou temas como discriminação racial, desemprego, fome, população carcerária, povos indígenas, recursos hídricos, Amazônia e segurança pública. Sempre com uma linguagem acessível, voltada ao público leigo, a proposta é fomentar debates locais por meio de encontros em pequenas comunidades. O tema da moradia, vale lembrar, não é inédito: já havia sido tratado pela Campanha da Fraternidade em 1993, mas retorna agora diante de novos desafios e de um cenário ainda marcado por profundas desigualdades. Embora tenha nascido como uma iniciativa exclusivamente católica, a Campanha da Fraternidade passou a ter caráter ecumênico a partir do ano 2000. Desde então, aproximadamente a cada cinco anos, o tema é definido pelo Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil (Conic), que reúne diferentes denominações cristãs, incluindo a Igreja Católica. A última edição ecumênica da campanha ocorreu em 2021. A participação de outras igrejas reforça o caráter amplo da iniciativa e amplia seu alcance social, especialmente em temas sensíveis e estruturais, como o direito à moradia digna.

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  5. HÁ 4 DIAS

    António José Seguro é eleito presidente em votação histórica: "Vitória de um Portugal moderno e justo"

    Com uma vitória esmagadora, António Seguro venceu no domingo (8) o segundo turno das eleições presidenciais em Portugal, batendo o adversário André Ventura. Com mais de 99% das urnas apuradas, o socialista moderado obteve 66,8% dos votos contra 33,2% para o líder do partido Chega, de extrema direita. Seguro, que se apresentou como um candidato suprapartidário durante sua campanha, agradeceu o povo português por comparecer em massa nas urnas. Neste segundo turno, o nível de abstenção foi bem menor do que o esperado, visto o estado de calamidade pública em  que parte do país se encontra por causa das inundações. Letícia Fonseca-Sourander, correspondente da RFI em Lisboa António José Seguro ganhou as eleições com uma grande legitimidade política, venceu com uma vantagem de mais 30 pontos percentuais sobre o seu adversário. Com quase 3.5 milhões de votos Seguro se tornou o político mais votado da democracia portuguesa. Ao bater este recorde ele ultrapassa a marca histórica do ex-presidente Mário Soares, até então o maior detentor de votos na sua reeleição, em 1991. Em seu discurso de vitória, em Caldas da Rainha, cidade onde mora, Seguro foi ovacionado ao reafirmar seu lema: “Sou livre, vivo sem amarras. A minha liberdade é a garantia da minha independência”.  "Essa vitória não é minha. É nossa. É de cada pessoa que acreditou e tem esperança num país melhor, num Portugal moderno e justo, onde todos somos iguais nas nossas necessidades, e diferentes nas nossas liberdades. Um país que avança sem deixar ninguém para trás", afirmou Seguro. Apesar das chuvas intensas terem dado uma trégua em Portugal, o nível de abstenção, que era a maior incógnita e o inimigo mais temido de ambos os candidatos, surpreendeu. A afluência às urnas foi maior do que esperado, indicando assim, que os portugueses entenderam o que estava em jogo e foram votar para afastar a possibilidade de fortalecer a extrema-direita. O recém-eleito presidente da República assume a presidência no dia 9 de março. Dois candidatos opostos O cientista político João Carvalho, pesquisador do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Universitário de Lisboa (CIES-ISCTE), em entrevista à RFI afirmou que “António José Seguro vai ser conciliador, vai procurar arranjar pactos, em termos técnicos ele é muito rigoroso, consegue estudar os assuntos, estudar os dossiers e vai fazer muito trabalho de bastidores”. “Seguro vai procurar ser uma fonte de escrutínio da ação do Executivo. Ele não é uma pessoa de criar instabilidade, nem de rasgar acordos ou de tomar ações extremas e radicais. Seguro é low profile, um político de bastidores, mas foi o candidato mais bem preparado para as eleições este ano”, concluiu. Segundo Carvalho, “André Ventura teve um crash político. O líder do Chega conseguiu captar apenas 10% dos votos dos candidatos de direita que disputaram o primeiro turno das eleições. É uma derrota moral para Ventura, mas ele nunca vai admitir uma derrota própria. André Ventura ganhou apenas 250 mil votos a mais, e esta taxa de crescimento não é nada em comparação com 2022 ou 2024, quando conseguiu passar de 400 mil para 1.300 mil votos. Agora, André Ventura fica como um Bolsonaro Jr”, comparou. Quem é António José Seguro António José Seguro se apresentou como um candidato da esquerda “moderna e moderada” durante toda a sua campanha. Em 2014, o ex-líder dos socialistas, se afastou dos holofotes políticos após perder a liderança do Partido Socialista para António Costa, o atual presidente do Conselho Europeu, e voltou a dar aulas na Universidade Autónoma de Lisboa (UAL) e no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP). Aos 63 anos, o novo presidente de Portugal tem uma imagem a zelar: de político confiável, ponderado e disciplinado. António José Seguro nasceu em Penamacor, perto da Serra da Estrela, mas fez seus estudos em Lisboa: Relações Internacionais e mestrado em Ciências Políticas. Dos 28 aos 32 anos foi líder da Juventude Socialista e logo depois, entrou para o governo de António Guterres, atual secretário-geral da ONU. Entre 1999 e 2001, Seguro foi deputado do Parlamento Europeu, mas deixou o mandato para assumir a função de ministro de Guterres, em Portugal, até abril de 2002, quando entrou para o Parlamento português e liderou a bancada do Partido Socialista. António Seguro é casado com Margarida Maldonado Freitas e tem dois filhos. Inundações & votos O saldo das tempestades dos últimos dias impediu quase 37 mil eleitores de saírem de suas casas para votar, o que representa apenas 0,4% do universo eleitoral no país. Nas áreas muito afetadas – Alcácer do Sal, Arruda dos Vinhos e Golegã - as eleições foram transferidas para o próximo domingo, 15. Alguns municípios que sofreram com inundações, como Leiria e Santarém, conseguiram alterar os locais de votação e as pessoas se mobilizaram para chegar até as urnas, mesmo em condições muito adversas. Ereira, próximo à Coimbra, foi transformada em uma ilha com a subida dos níveis da água, os acessos pelas estradas foram interrompidos e os moradores tiveram que ir votar de barco.

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  6. 6 DE FEV.

    Segundo turno de eleições em Portugal é abalado por inundações, que podem impulsionar abstenção

    Há dois dias do segundo turno das eleições presidenciais em Portugal, algo inédito no país em quatro décadas, o candidato socialista, António José Seguro, franco favorito nas sondagens, admite um cenário de “pesadelo”: o risco de perder devido ao aumento da abstenção. Seu adversário, o líder do partido de extrema direita Chega, André Ventura, defende o adiamento das eleições em meio às graves inundações que atingem o país. As prefeituras de Alcácer do Sal, Pombal e Arruda dos Vinhos remarcaram a votação para o dia 15 de fevereiro. Letícia Fonseca-Sourander, correspondente da RFI em Lisboa Durante as três semanas que decorreram entre o primeiro e o segundo turno das eleições presidenciais em Portugal, os dois candidatos, o socialista António José Seguro e o populista André Ventura, participaram de um único debate, considerado morno. Uma pesquisa feita pelo jornal Expresso e rede de TV SIC dá vitória a Seguro, com 62,6% dos votos, à frente de Ventura, com 37,4%. Mas o fato da disputa estar quase definida pode desmobilizar a ida dos eleitores às urnas no domingo. Nas últimas semanas, Portugal enfrentou quatro tempestades em série – Leonardo, Kristin, Ingrid e Joseph –, com chuvas intensas, ventos de até 160km/h e danos significativos que fizeram o governo decretar estado de calamidade em 68 municípios do país. As agendas dos dois candidatos tiveram de ser alteradas por causa do mau tempo e ambos visitaram zonas afetadas. Seguro mostrou como atuaria se fosse eleito, enquanto Ventura usou a tempestade para fazer campanha contra o atual governo. A previsão para domingo, dia das eleições, é de chuvas menos intensas, mas as condições climáticas podem levar a um aumento na taxa de abstenção, considerada a maior adversária dos candidatos. Apesar das inundações, o segundo turno está mantido para o domingo. Seguro defende que cabe às autoridades competentes decidirem sobre o adiamento dao pleito em seus municípios. O voto em Portugal não é obrigatório. Discurso hostil e agressivo Até bem pouco tempo atrás, Portugal era a única nação europeia que parecia estar imune do radicalismo da extrema, mas a chegada de André Ventura na cena política do país causou uma virada. “Acreditava-se que, porque tínhamos tido um fascismo até 1974, com Salazar, havia uma vacina que fazia com que os portugueses fossem hostis ao discurso da extrema direita, e que Portugal era também um país muito liberal, onde não havia racismo. Mas há uma guinada com a eleição de Ventura, quando todos esses mitos caem”, explicou à RFI João Carvalho, cientista político e pesquisador do  Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Universitário de Lisboa (CIES-ISCTE). “Ventura é uma pessoa midiática, que estava nos programas de TV. Passou anos a fio a fazer um debate de futebol na TV, onde falavam de tudo menos de futebol. Foi aí que ele aprendeu a criar uma imagem midiática, um discurso muito antagônico, hostil e agressivo, assim como ele defendia o Benfica contra o Sporting.  Agora, ele defende o Ventura contra o socialismo, mas o estilo é o mesmo”, ressaltou. Segundo Carvalho, dois motivos sustentam o sucesso do líder do Chega: o antipartidarismo e a ciganofobia. “Em Portugal, é absolutamente natural as pessoas dizerem: 'eu não sou racista, só não gosto de ciganos'. Esta ciganofobia existe antes mesmo de Salazar. Os ciganos estão aqui há cinco séculos", salienta o pesquisador. "O anticiganismo é transversal na sociedade portuguesa, vai desde a extrema esquerda à extrema direita. Ventura soube instrumentalizar esse ódio, dando a ideia de que ao expulsar os ciganos, o país vai virar uma Suíça”, reforçou o cientista político. 'Cordão sanitário' contra Ventura Neste segundo turno, mesmo sendo um candidato da esquerda, Seguro recebeu a adesão de muitos políticos da direita portuguesa, formando um “cordão sanitário” contra o candidato de extrema direita. No primeiro turno, o candidato socialista defendeu o “voto útil” contra o crescimento do Chega. “Ele pensou que a direita ia cair nos seus braços a dizer 'o Andrezinho é o maior'. Como isso não aconteceu, Ventura diz que é uma conspiração contra ele, mas isso é o seu próprio fracasso. Ou seja, Ventura não consegue criar um discurso que seja conciliador e não consegue ir para além da sua tribo", ressalta Carvalho. "André Ventura é completamente narcisista e vive exclusivamente para alimentar o seu ego. Mas mesmo se o Chega não ganhar as eleições, a sociedade portuguesa continua a considerar o Chega um partido normal, apesar do discurso racista”, pondera o professor do ISCTE.  António José Seguro venceu o primeiro turno com 31,14% dos votos válidos, contra os 23,48% para Ventura. Em Portugal, que tem o regime semipresidencialista, o primeiro-ministro é quem governa e cabe ao presidente exercer o “poder moderador”, no qual ele não governa diretamente, mas equilibra o sistema através de vetos, dissolução do Parlamento e nomeação do primeiro-ministro, especialmente em momentos de crises institucionais.

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  7. 5 DE FEV.

    Jogos Olímpicos de Inverno começam nesta sexta-feira com críticas de ambientalistas

    Os Jogos Olímpicos de Milão-Cortina reunirão cerca de 3.500 atletas ao longo de 16 dias de competições. Em um formato inédito, as provas acontecem em sete localidades diferentes, modelo escolhido pelos organizadores por razões de sustentabilidade. Ambientalistas, no entanto, apontam contradições neste discurso. Júlia Valente, correspondente da RFI em Milão  As competições já começaram nesta semana. Na quarta-feira (4), tiveram início as provas de curling, seguidas, nesta quinta (5), pelas disputas de hóquei no gelo e snowboard. No entanto, a cerimônia de abertura, que marca o início oficial dos Jogos Olímpicos de Inverno, será realizada nesta sexta-feira (06), às 20 horas no horário local. O evento acontece no estádio San Siro, em Milão, com um público estimado em 70 mil espectadores, e tem como tema “Harmonia”. A programação inclui apresentações de artistas italianos renomados, como Andrea Bocelli e Laura Pausini, além de atrações internacionais, como Mariah Carey. Trata-se de um evento de grande porte, com cerca de 1.300 membros do elenco, incluindo voluntários, além de uma equipe operacional de cerca de 950 pessoas. Uma das principais novidades da cerimônia de abertura desta edição é o formato do desfile dos atletas. Como as competições estão espalhadas por diferentes cidades da Itália, o desfile também será dividido. As delegações vão desfilar nos mesmos locais onde irão competir, evitando deslocamentos entre cidades. O desfile acontece em Milão, Predazzo, Livigno e Cortina d’Ampezzo. A decisão de espalhar as competições tem um motivo principal: sustentabilidade. Com esse modelo, a organização optou por utilizar, em parte, estruturas já existentes. Em Milão, ficam as provas realizadas em recintos fechados, enquanto as modalidades de montanha estão distribuídas pelo norte da Itália. No total, cerca de 85% dos locais de competição já existiam antes dos Jogos, segundo os organizadores. Além disso, a organização apostou no uso de energia renovável, em tecnologias sustentáveis para a produção de neve e na reutilização de materiais dos Jogos Olímpicos de Verão de Paris 2024. Apesar das iniciativas anunciadas, grupos ambientalistas apontam contradições. Nesta semana, o Greenpeace lançou um apelo para que o Comitê Olímpico encerre o patrocínio da Eni, uma das maiores empresas de gás e petróleo do mundo. Segundo a organização, as operações da empresa com combustíveis fósseis contribuem para o aquecimento global, justamente o fenômeno que ameaça esportes dependentes de neve. Já a ONG italiana Legambiente diz que as promessas de sustentabilidade não se concretizaram e criticam as obras realizadas. “A escolha de apostar em obras repetidamente criticadas também por associações e comunidades locais - como, por exemplo, a nova pista de bobsled em Cortina, o teleférico Apollonio-Socrepes ou ainda as numerosas infraestruturas rodoviárias que estão sendo priorizadas em detrimento das ferroviárias - demonstra como estas Olimpíadas se baseiam em um modelo de gestão territorial míope e obsoleto”, diz o comunicado. Dos 98 projetos de infraestrutura previstos para os Jogos de Inverno, apenas 40 ficaram prontos a tempo, segundo a SIMICO, sociedade italiana responsável pelas obras. Outros 29 seguem em construção, 27 estão na fase de projeto e 2 em licitação. Brasil terá a maior delegação da história O Brasil participa dos Jogos de Inverno com 14 atletas, a maior delegação da sua história. O país vai competir em cinco modalidades: bobsled, esqui alpino, esqui cross-country, skeleton e snowboard. Esta será a décima participação brasileira em Olimpíadas de Inverno e, pela primeira vez, o país chega com chances reais de disputar medalhas. Até hoje, o Brasil nunca subiu ao pódio em Jogos de Inverno. O principal destaque é Lucas Pinheiro Braathen, do esqui alpino. Atualmente, ele ocupa a segunda posição no ranking mundial da modalidade e, somente nesta temporada, subiu ao pódio cinco vezes. Outro nome importante é o de Nicole Silveira, do skeleton. Ela disputa sua segunda Olimpíada e ocupa, no momento, o nono lugar na classificação geral da modalidade. O Chefe de Missão do Brasil nos Jogos de Milão-Cortina, Emílio Strapasson, afirmou à RFI que a expectativa é de que os Jogos de 2026 traga maior visibilidade para os esportes de inverno. “Apenas o fato de o Brasil chegar com chances de disputar um lugar no pódio já é histórico e traz muita atenção. A gente vai ter uma cobertura inédita com quatro grandes canais cobrindo praticamente todos os Jogos Olímpicos. A gente percebe já um aumento significativo número de pessoas acompanhando e conhecendo as nossas modalidades. Isso, com certeza, vai ampliar o interesse de potenciais patrocinadores e de investimento privado”, afirmou. Emílio, que foi o primeiro atleta de skeleton do Brasil e chegou a ficar entre os 30 melhores do mundo, destaca que, na última década, o país passou por uma evolução significativa na estrutura dos esportes de inverno. “Três ou quatro ciclos [olímpicos] atrás, até quando eu parei em 2013, eu não conseguia ver, em um cenário de curto prazo, essa situação que a gente está vivendo. Me lembro muito que quando a gente começou era uma dificuldade até dentro do próprio Comitê Olímpico compreender a importância, a relevância dos Jogos Olímpicos de Inverno. O que mudou completamente no nos últimos anos. Espero que a gente consiga proporcionar aos atletas o melhor ambiente possível pra que eles desempenhem [bem] e realizem seus sonhos lá na Itália”, disse Emílio. Os primeiros atletas brasileiros a entrarem em ação serão Manex Silva, Eduarda Ribera e Bruna Moura, que representam o país nas provas de esqui cross-country, marcadas para ter início próxima terça-feira (10).

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  8. 4 DE FEV.

    Saiba o que é o E6, grupo liderado pela Alemanha que quer tornar a União Europeia mais ágil

    Liderados pela Alemanha, um grupo de seis países está propondo uma iniciativa para acelerar as tomadas de decisão na União Europeia. Chamado de E6, o grupo composto por Alemanha, França, Polônia, Espanha, Itália e Países Baixos pretende oferecer um contrapeso mais ágil aos crescentes poderes de Rússia, China e Estados Unidos no cenário global. Gabriel Brust, correspondente da RFI em Düsseldorf O E6 foi apresentado de forma discreta, em 27 de janeiro de 2026, através de uma vídeo-conferência convocada pelo ministro alemão das Finanças, Lars Klingbeil, com os seus homólogos destes outros cinco países. A repercussão até aqui é pequena, mas tem potencial para alavancar ou, ao contrário, rachar a União Europeia. Isso porque o que a Alemanha está propondo é uma espécie de “União Europeia dentro da União Europeia”, ou, como o próprio ministro alemão chamou, “uma Europa a duas velocidades”. Enquanto as decisões do bloco atualmente envolvem consultar os 27 países membros, o E6 conseguiria tomar decisões mais rápidas sobre alguns assuntos, consultando apenas as seis maiores economias. A ideia é acelerar a atuação europeia em quatro frentes econômicas e militares. São três propostas econômicas. Primeiro, criar a chamada União de Poupança e Investimento da União Europeia, o que garantiria mais financiamento para empresas e startups. Segundo, reforçar o papel internacional do euro. Embora este seja um termo genérico, sabe-se que uma das ideias é tornar a Europa menos dependente de meios de pagamento estrangeiros, com foco na soberania tecnológica. O último tema econômico que deve ser acelerado pelo E6 é garantir a disponibilidade de matérias-primas e assegurar cadeias de abastecimento confiáveis. Em outras palavras, obter energia industrial barata, o que hoje é o principal entrave ao crescimento da Alemanha, mas também terras-raras, em um dos pontos que esse novo grupo econômico europeu pode cruzar o caminho do Brasil. Impasse entre França e Alemanha O quarto tema é sem dúvida é o mais urgente, dado o contexto da invasão russa à Ucránia. O documento de lançamento do E6 diz que a defesa deve ser “firmemente consagrada como prioridade no próximo Quadro Financeiro Plurianual da União Europeia”. O bloco está desenvolvendo uma força de reação rápida de até 5.000 soldados, entre outras iniciativas. A Alemanha já vem reforçando parcerias bilaterais de defesa, tendo assinado recentemente acordos com Itália e Polônia para desenvolvimento de armamento e exercícios militares conjuntos. Mas os desafios de integração em defesa não são poucos. Só para citar um exemplo, o mega projeto Sistema Aéreo de Combate Futuro, que visava desenvolver um caça franco-alemão, está em um impasse há anos e, segundo a revista alemã Stern, a ideia teria sido sepultada por Friedrich Merz esta semana, porque as empresas Dassault e Airbus não conseguem chegar a um acordo econômico. Potencial para críticas Por enquanto, não há nenhuma reação oficial, mas não é difícil prever que haverá críticas e alguma resistência entre os outros 21 países do bloco que ficarão de fora dessa iniciativa. Afinal, a ideia de um grupo decisório menor dentro do bloco vai contra todo o já tradicional discurso vindo de Bruxelas, de que a União Europeia precisa de mais e não menos integração. O fato de a iniciativa ser liderada pela Alemanha também certamente despertará reações, já que também há uma crítica tradicional dentro do bloco de que a Alemanha seria invariavelmente a economia mais beneficiada pelo euro.

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Bate-papo com os correspondentes da RFI Brasil pelo mundo para analisar, com uma abordagem mais profunda, os principais assuntos da atualidade.

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