RFI Convida

Entrevistas diárias com pessoas de todas as áreas. Artistas, cientistas, professores, economistas, analistas ou personalidades políticas que vivem na França ou estão de passagem por aqui, são convidadas para falar sobre seus projetos e realizações. A conversa é filmada e o vídeo pode ser visto no nosso site.

  1. há 3 dias

    Conheça os desafios de Lula e Flávio para conquistar o voto dos eleitores indecisos

    O RFI Convida entrevistou o analista Rodolfo Marques, doutor em ciência política e professor da Universidade da Amazônia, sobre a acirrada disputa entre os dois principais candidatos à presidência da República: Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. Ele afirmou que enquanto o primeiro precisa quebrar resistência de setores como a classe média, o segundo precisa mostrar que tem capacidade administrativa e não é apenas a sombra do pai. Raquel Miura, correspondente da RFI em Brasília Os candidatos do PT e do PL têm desafios diferentes, mas o mesmo objetivo de alcançar a maioria dos eleitores para ocupar a principal cadeira política da República brasileira. O foco de ambos se volta para uma parcela importante do eleitorado, os indecisos. Segundo pesquisa Datafolha divulgada em 21 de agosto, 72% dos eleitores estão totalmente certos de qual número vão apertar na urna em outubro. Os demais ainda hesitam. Para o analista político Rodolfo Marques, “Lula precisa preservar sua base e dialogar com setores que hoje têm resistência ao governo, por exemplo, a classe média, o segmento evangélico e parte do agronegócio. E também precisa evitar que problemas envolvendo integrantes da sua família ou aliados contaminem a campanha”.    “Flávio Bolsonaro, por sua vez, precisa transformar a força política do sobrenome Bolsonaro em uma candidatura capaz de conquistar eleitores que não são exatamente bolsonaristas. Seria a direita não bolsonarista. E parte dessa direita não bolsonarista esteve com Lula em 2022. São desafios bem grandes para os dois principais candidatos”, afirmou Marques. Investigações Sobre os casos em investigação, o professor avalia que as apurações, relacionadas de alguma forma aos dois candidatos, podem ter peso importante, mas não necessariamente ser determinantes. Segundo ele, "o ponto central é o eleitor entender se existe responsabilidade direta do candidato ou do partido nesses casos.” “Lula precisa descaracterizar e tentar afastar toda essa questão do Lulinha. E Flávio Bolsonaro precisa explicar a questão das conexões financeiras e comerciais que ele já demonstrou ter com Daniel Volcaro, inclusive pedindo milhões de reais para o filme Dark Horse. Flávio tenta enterrar a situação, mas ela ainda está muito ativa.” Aliados de Lula têm criticado vazamento de informações do caso Lulinha, enquanto apontam que outras investigações, como a do Banco Master, não avançam. Já apoiadores de Flávio Bolsonaro tecem críticas a setores do judiciário. O analista reconhece o momento delicado e destaca o papel relevante das instituições tanto na apuração quanto na demonstração de que não estão agindo politicamente. “Existe de fato uma tensão importante. É bom ressaltar que Polícia Federal, Ministério Público e Poder Judiciário precisam investigar e cumprir suas funções, independentemente do calendário eleitoral. O problema emerge quando a sociedade passa a interpretar cada decisão institucional a partir da disputa político-eleitoral. As instituições precisam atuar com independência, mas também precisam preservar a percepção de imparcialidade”, frisou. Religião e gênero Rodolfo Marques lembrou que nichos específicos não são homogêneos, como os evangélicos, os produtores rurais ou o eleitorado feminino. Mas disse que existem sim desafios peculiares para cada candidato nessas áreas. “Há uma lacuna muito grande da campanha do PT e da coligação do governo em relação aos evangélicos e ao agronegócio, mas acredito que seja possível abrir um canal de diálogo com esses setores, principalmente a partir da habilidade política e de comunicação de Lula. Já Flávio tem um histórico muito negativo em relação às mulheres, não só ele, mas o próprio pai, Jair Bolsonaro, e o irmão, Eduardo. Então, a campanha de Flávio tem essa cruzada para buscar o voto feminino, mas tende a ter mais dificuldades.” Propagando eleitoral A partir do próximo dia 28 a campanha passa a contar também com o horário eleitoral exibido no rádio e na televisão. O analista político diz que mesmo com impacto limitado em tempos digitais, trata-se de uma ferramenta importante na campanha. “Nos dias de hoje, o eleitor recebe conteúdo político de forma muito mais personalizada nas redes sociais, por vezes criado dentro de uma bolha a partir dos algoritmos. Já o rádio e a televisão têm uma característica importante no sentido de atingir um público amplo e diversificado, ainda que o alcance não seja como antes”. Na propaganda eleitoral, o eleitor acompanha um programa na sequência do outro e não apenas o material do seu candidato. Justamente por ser uma forma menos nichada, pode atingir quem ainda não se decidiu. “Na televisão, e no rádio, existe um pouco daquela propaganda sem interrupção. Os candidatos e as candidatas conseguem falar com quem não estava prestando atenção neles ou com quem eventualmente ainda não se decidiu. E os recortes desses programas vão para as redes sociais. A propaganda, assim, pode ter certa influência. Mas é claro que os eleitores vão tomar suas decisões a partir de vários elementos.”

  2. há 6 dias

    'A França está liderando uma revolução na moda', diz Alexandra Farah em Paris

    Durante décadas, a indústria do luxo foi considerada um dos setores mais resilientes da economia global. Mesmo em momentos de crise, marcas tradicionais francesas continuaram registrando crescimento e preservando seu prestígio. Mas esse cenário começa a mudar. Para a jornalista Alexandra Farah, especialista em moda, sustentabilidade e comportamento, a Europa vive hoje uma verdadeira revolução industrial que está remodelando os rumos do setor. Maria Paula Carvalho, da RFI Em entrevista à RFI, Farah afirmou que a França ocupa posição de destaque nesse processo por liderar iniciativas voltadas à transparência, rastreabilidade e economia circular. Segundo ela, as novas exigências regulatórias prometem alterar profundamente a forma como roupas e acessórios são produzidos, vendidos e descartados. "A França está encabeçando esse movimento. Estamos no meio de uma revolução industrial baseada na transparência, na circularidade e em uma indústria mais moderna", resume. Entre as mudanças mais significativas está a criação do chamado passaporte digital do produto. A ferramenta permitirá que consumidores tenham acesso a informações detalhadas sobre a origem das peças, matérias-primas utilizadas, emissão de carbono e processos produtivos. A medida surge em um momento de questionamento crescente sobre os bastidores do mercado de luxo. Escândalos recentes envolvendo condições de produção e a enorme diferença entre custos de fabricação e preços finais ao consumidor contribuíram para desgastar a imagem de algumas grandes marcas. Farah observa que o setor ainda sente os efeitos do chamado revenge buying, fenômeno registrado após a pandemia, quando consumidores voltaram às compras de forma intensa após os períodos de confinamento. Agora, porém, os sinais apontam para desaceleração. "As marcas cresceram muito naquele período, mas hoje várias delas enfrentam queda nas vendas. Algumas registram recuos significativos em comparação com anos anteriores", afirma a jornalista, que já atuou em diversos veículos de comunicação, incluindo revistas, rádio e televisão. "A avenida Montaigne, endereço do luxo francês, está vazia", aponta. A pressão sobre a fast fashion Se o mercado de luxo enfrenta desafios, a moda ultrarrápida também está sob crescente escrutínio. Plataformas digitais capazes de lançar milhares de modelos por dia transformaram radicalmente o consumo de vestuário. Farah cita o caso da gigante chinesa Shein para ilustrar a velocidade inédita do setor. Segundo ela, algoritmos e inteligência artificial permitem testar pequenas quantidades de produtos e ampliar rapidamente a produção quando determinado item viraliza nas redes sociais. O impacto ambiental desse modelo preocupa reguladores europeus. A jornalista destaca que, durante muito tempo, a responsabilidade pelo consumo sustentável foi atribuída exclusivamente ao comprador. Agora, o foco começa a se deslocar para a cadeia produtiva. "Não adianta colocar toda a responsabilidade sobre o consumidor. As pessoas compram o que está disponível e acessível. A responsabilidade precisa recair também sobre quem produz e coloca esses produtos no mercado", defende. Na Europa, novas regras vêm sendo implementadas para monitorar não apenas roupas, mas também embalagens utilizadas pelos mais diversos setores da economia. A meta é reduzir o desperdício e tornar os processos mais transparentes. Moda reflete mudanças sociais Para Alexandra Farah, a moda nunca pode ser analisada isoladamente. As tendências de vestuário refletem transformações políticas, econômicas e culturais em escala global. Ela cita como exemplo o retorno de peças clássicas e de maior durabilidade, como os sapatos de couro, observado entre jovens consumidores na Europa após décadas de predominância dos tênis. O movimento, segundo ela, não está relacionado somente à busca por produtos mais duráveis, mas também reflete um contexto social marcado por comportamentos mais conservadores. "A moda responde ao que está acontecendo no mundo. Ela não é uma bolha", afirma. O olhar sobre o Brasil Ao comparar o cenário europeu com o brasileiro, Farah ressalta a diversidade regional do país e destaca características específicas do consumo nacional. Em sua avaliação, fatores como clima tropical e menor poder aquisitivo médio influenciam diretamente os hábitos de compra. "A gente não tem o mesmo perfil de consumo visto em países europeus. A gente gosta de corpo, pele, cabelo. O brasileiro tende a ter uma relação mais prática com a roupa", observa. Ela lembra que o Brasil possui uma cadeia têxtil completa, capaz de produzir desde a matéria-prima até o produto final. Apesar disso, enfrenta desafios próprios ligados à produção agrícola e à competitividade diante do avanço das plataformas internacionais de moda. Inteligência artificial e o futuro da indústria Além de acompanhar as transformações do mercado, Alexandra Farah trabalha atualmente em um novo livro dedicado aos bastidores da produção de moda. O projeto, desenvolvido em parceria com Ricardo Nascimento, um pesquisador baseado em Londres, busca traduzir para profissionais e consumidores as profundas mudanças em curso na indústria. A publicação abordará temas como inteligência artificial, rastreabilidade, novos materiais e circularidade. Segundo a jornalista, o desenvolvimento do livro levou anos justamente porque as transformações regulatórias e tecnológicas continuam acontecendo em ritmo acelerado. Hoje, afirma, ferramentas de inteligência artificial já são utilizadas em áreas como logística, design, pesquisa de tendências e reciclagem têxtil. "Estamos vivendo uma transição histórica. A inteligência artificial está presente em praticamente todas as etapas da cadeia da moda", diz. Para Farah, o futuro do setor dependerá da capacidade de equilibrar inovação tecnológica, responsabilidade ambiental e transparência. E, nessa corrida, a França aparece como um dos principais laboratórios mundiais das mudanças que deverão chegar em breve a outros mercados. "Quando a moda muda, ela está refletindo mudanças muito maiores que estão acontecendo na sociedade", conclui.

  3. 19 de ago.

    Quarteto curitibano Terraplana realiza sua primeira turnê europeia e se apresenta em Paris

    O grupo de rock alternativo Terraplana realiza neste mês sua primeira turnê europeia e se apresenta em Paris nesta quarta-feira (19), na sala Supersonic. Com dois álbuns de estúdio lançados, a banda de Curitiba, no Paraná, se consolida como um dos principais nomes da cena alternativa brasileira e conquista, cada vez mais, espaço no circuito internacional. Daniella Franco, da RFI Com duas datas em Portugal, uma em Londres, Dublin, Paris e Berlim, Terraplana apresenta ao público europeu uma amostra potente do rock alternativo brasileiro. Formada por Stéphani Heuczuk (voz e baixo), Vinícius Lourenço (voz e guitarra), Cassiano Kruchelski (voz e guitarra) e Wendeu Silverio (bateria), a banda não abre mão das letras em português e acredita no alcance do público por meio da força de sua atmosfera musical. “Eu acho que a gente tem um pouco de sorte de estar neste nicho de rock alternativo e shoegaze em que as pessoas não se conectam só com a letra, como acontece mais com a música pop”, afirma Vinícius Lourenço. “As pessoas que estão no show ouvem os álbuns em casa e procuram o significado das letras, exatamente como a gente faz com a música em inglês no Brasil”, explica. No ano passado, o site americano de música Stereogum colocou o segundo álbum do Terraplana, “Natural”, em uma lista dos dez melhores discos de shoegaze de 2025. A banda caiu no gosto da crítica americana depois de uma longa turnê nos Estados Unidos, que impulsionou a carreira internacional do quarteto. “Sempre foi uma vontade nossa conseguir tocar nos Estados Unidos e na Europa, porque os palcos de Londres, Paris, Dublin ou Los Angeles, Nova York são muito importantes para a história da música no geral”, reitera. Ainda assim, é com o público brasileiro que Terraplana encontra mais calor. “O Brasil é famoso por isso, então as pessoas que são nossos fãs lá são muito fãs. Na Europa e nos Estados Unidos, as pessoas são mais ‘na delas’, mais reservadas”, diz. “Mas é legal ver essa diferença de comportamento das pessoas em cada país.” O rótulo shoegaze Na imprensa nacional ou no exterior, Terraplana é majoritariamente descrita como uma banda de shoegaze, “que internacionalmente tem um teto muito mais alto do que no Brasil”. No entanto, as composições transitam entre vários gêneros introspectivos dentro do rock alternativo – como post-rock, indie, slowcore, dream-pop, entre outros. “Eu, pessoalmente, prefiro não estar definido somente como shoegaze porque não somos só isso. Pode ser que, no próximo álbum, as músicas não sejam tão shoegaze como foram no último”, diz. “Então eu prefiro que se refiram à gente mais como um grupo de rock alternativo do que nos colocarem numa caixa e a gente não conseguir sair mais disso”. De fato, com riffs que dialogam com a mítica Slowdive, mas também com outros grupos célebres do gênero, como Whirr e DIIV, conduzidos pela doce voz de Stéphani Heuczuk, Terraplana mescla diversos estilos sem a necessidade de se fixar em um rótulo. Na cena nacional, a banda também se destaca pela originalidade com que explora o rock alternativo, consolidando‑se como um dos projetos mais singulares desta vertente. Depois de um ano intenso de promoção e turnês de “Natural”, o quarteto pretende se dedicar a novas composições ao final da turnê europeia. Segundo Vinícius, novas faixas serão lançadas em breve em parceria com uma banda americana, antes de o grupo mergulhar no projeto de um terceiro disco.

  4. 18 de ago.

    Élodie Bouny revisita legado de Baden Powell em álbum gravado com o último violão do mestre

    A obra de Baden Powell ganha uma nova leitura nas mãos da violonista e compositora francesa Élodie Bouny. Com acesso a arquivos inéditos e ao último violão usado pelo compositor nos dez anos finais de sua vida, ela prepara 'Echoes of Baden Powell', álbum previsto para 2027. O projeto homenageia um dos maiores gênios da música brasileira com um toque de originalidade da instrumentista, profundamente influenciada pelos sons latino-americanos. Luiza Ramos, da RFI Em entrevista à RFI, a artista explicou o processo de pesquisa por trás do projeto e revelou como vem transformando manuscritos e rascunhos incompletos do mestre em novas peças para o disco. Essa investigação artística se deu graças à colaboração de Philippe Baden, filho de Baden Powell radicado na França, que forneceu os arquivos pessoais do pai, com esboços e obras que nunca chegaram a ser publicadas. “São centenas de páginas. Tem o manuscrito do ‘Berimbau’ (música lançada por Powell e Vinícius de Moraes em 1963), tem letras muito conhecidas, canções, um monte de coisa. (...) Dentro disso tem umas pérolas escondidas. Algumas peças inéditas que ele deixou. A maior parte delas é inacabada, então a gente vai ter que fazer esse trabalho de reorganização, de completar as músicas”, conta. O trabalho exigiu um verdadeiro esforço de reconstrução musical. Segundo a violonista, muitas vezes o material encontrado era fragmentário, exigindo pesquisa, interpretação e criação. “É uma forma de arqueologia musical, porque às vezes tem uma melodia só com os acordes, por exemplo, umas cifras, então, nesse caso, tenho que fazer um arranjo para violão. Ou às vezes tem só alguns elementos e a gente tem que decodificar aquilo e então restituir alguma coisa mais completa”, detalha a compositora. O violão queridinho de Baden Powell O projeto também tem uma dimensão emocional. As gravações serão realizadas com o último violão utilizado por Baden Powell. Um instrumento que ele adorava e com o qual ele registrou alguns dos trabalhos mais importantes de sua discografia: “Ele gravou dez anos de álbuns fundamentais nesse violão. Gravou ‘Tempo Feliz’, por exemplo. São discos referenciais para todos nós. É um violão extremamente valioso”, conta. “Foi uma loucura. Eu demorei semanas para conseguir tocar porque eu só olhava para ele, cheirava, observava. Esse violão tem muita história”, lembra Élodie, que já gravou três faixas solo com o instrumento do artista, entre elas ‘Ecos de Baden’, que ilustra esta entrevista no começo do áudio e do vídeo.   Uma homenagem a Baden com a personalidade de Élodie O desafio, porém, não era apenas acessar esse patrimônio musical e simplesmente reproduzi-lo. Para Élodie, era preciso encontrar uma perspectiva própria sobre uma obra profundamente associada à identidade brasileira. Ela revela que precisou pensar em um conceito do álbum até achar um caminho próprio. “Qual é o diferencial de eu ser uma não-brasileira, mas também alguém de coração brasileiro, que conhece muito bem a música brasileira, interpretando um dos brasileiros mais importantes da história da música brasileira? Eu achei um caminho para o álbum ter a minha cara: compor uma peça para ele, chamar convidados para o projeto, justamente para trazer luzes diferentes sobre a obra dele. Por isso o nome também é ‘Ecos’... De que maneira o Baden fica ressoando até hoje no coração dos músicos, sejam eles brasileiros ou não”, diz a musicista. Além das obras inéditas de Baden Powell, Echoes of Baden reunirá peças emblemáticas do repertório do compositor e composições originais inspiradas em seu universo musical. O álbum contará ainda com participações internacionais, entre elas a clarinetista israelense Anat Cohen, o cavaquinhista brasileiro Matheus Donato e o gaitista belga Steven De Bruyn. Além do Phillippe, filho de Baden, que vai tocar piano em uma das faixas. Nascida em Caracas, de mãe boliviana e pai francês, e formada na França, Élodie viveu muitos anos no Rio de Janeiro, onde também fez um mestrado em música e trabalhou com seu ex-marido, o também violonista Yamandu Costa. A experiência na América Latina ajudou a moldar uma identidade artística marcada pelo trânsito entre culturas e linguagens musicais. “Essa multiculturalidade virou o que eu sou hoje como artista. Durante muito tempo eu tentei me identificar com algum desses países. (...) Fui explorando esse lado e percebi que todas essas influências me alimentavam e eu não precisava escolher apenas uma”, afirma Élodie. Legado de Baden Powell ressoa pelo mundo Para ela, o legado do compositor continua vivo justamente pela capacidade de atravessar fronteiras e influenciar músicos de diferentes gerações e origens. “O projeto é dizer o quanto ele continua ecoando na gente. Em mim e em todos os artistas brasileiros que eu conheço, o Baden tem uma importância grande. Ele começou a tocar e a compor e já estava mudando a história da música brasileira e da música do mundo. Eu acho que ele iria gostar dessa homenagem”, diz esperançosa.   Previsto para o primeiro semestre de 2027, Echoes of Baden busca revelar a atualidade da obra de Baden Powell, mostrando como sua música continua inspirando artistas muito além das fronteiras brasileiras.

  5. 14 de ago.

    Fundação Príncipe Albert II de Mônaco recompensa inovação brasileira de fios têxteis à base de algas

    Um projeto brasileiro para a produção de fibras têxteis à base de algas marinhas acaba de ser recompensado pelo programa internacional Líderes do Futuro, promovido desde 2022 pela Fundação Príncipe Albert Segundo de Mônaco. A iniciativa brasileira visa contribuir para a transformação global do setor da moda, hoje um dos mais poluidores do planeta.  A fabricação de fibras têxteis à base de algas no Brasil está sendo desenvolvida pela Phycolabs, startup sediada em São Paulo, fundada há quatro anos pela empresária Thamires Pontes, profissional com longa experiência na indústria têxtil que migrou para a biotecnologia e soluções climáticas relacionadas ao oceano. O projeto foi um dos dez selecionados este ano pelo programa Líderes do Futuro, promovido desde 2022 pela Fundação Príncipe Albert Segundo de Mônaco para recompensar projetos de jovens empreendedores engajados com a proteção do meio ambiente.  Thamires é a segunda brasileira recompensada pelo programa do principado, depois de Ezequiel Vedana da Rosa, criador do produto inovador “Piipee”, em 2004. Durante um ano, a Phycolabs receberá acompanhamento da Fundação Príncipe Albert II de Mônaco e maior visibilidade internacional.  Em entrevista à RFI, a empreendedora considera o reconhecimento do Líderes do Futuro um marco importante, especialmente por vir de uma instituição com forte atuação na proteção ambiental e dos oceanos. Segundo a CEO da Phycolabs, a premiação amplia a credibilidade e abre portas para uma rede de contatos internacionais de alto nível. A iniciativa já havia sido reconhecida por importantes organizações do setor da moda, mas a “validação da Fundação para a Phycolabs é indispensável nesse setor” de proteção do meio-ambiente.  A startup trabalha com comunidades costeiras brasileiras para desenvolver uma biotecnologia sustentável voltada à indústria têxtil. O setor da moda responde por cerca de 10% das emissões globais de gases de efeito estufa, 24% de pesticidas e inseticidas no ar e 35% dos microplásticos nos oceanos. O projeto ainda está em fase de desenvolvimento e os fios à base de algas ainda não estão disponíveis no mercado.  Algas como matéria-prima  A empreendedora explica que os impactos ambientais da indústria têxtil estão presentes em toda a cadeia produtiva, do cultivo das matérias-primas ao descarte das roupas. A ideia dos fios à base de algas surgiu durante seu mestrado na USP, após mais de uma década trabalhando no setor. "Quanto mais eu conhecia a indústria têxtil a fundo, mais eu fui ficando frustrada e comecei a pensar quais poderiam ser as soluções."  Segundo Thamires, as algas são uma matéria-prima estratégica porque apresentam uma das maiores taxas de crescimento do planeta e podem acompanhar a escala de consumo exigida pela indústria têxtil.  Ela destaca que o cultivo dessa biomassa não compete com terras agrícolas e tem rápida capacidade de regeneração. "Se a gente quer uma alternativa para uma indústria que consome muito, a gente precisa de um recurso natural que seja capaz de acompanhar esse consumo."  Para cultivar algas, são necessários apenas água do mar, luz solar e CO₂. Além disso, elas não exigem pesticidas ou inseticidas, ajudam a absorver gases de efeito estufa e favorecem a biodiversidade marinha. Thamires ressalta que as algas podem ser utilizadas não apenas para tecidos, mas também para alimentação humana, animal e outros bioprodutos.  Desafios tecnológicos  A Phycolabs trabalha atualmente no aprimoramento das propriedades dos fios, como resistência, acabamento, tingimento e compatibilidade com a infraestrutura já utilizada pela indústria. Um dos maiores desafios é fazer com que os novos materiais possam ser processados nos maquinários existentes, facilitando sua adoção em larga escala.  A fundadora da startup observa um interesse crescente da indústria da moda, impulsionado por novas regulamentações ambientais, sobretudo na Europa, e por consumidores cada vez mais atentos à sustentabilidade.  A tecnologia está sendo desenvolvida inicialmente para roupas, mas poderá futuramente ser aplicada também a calçados, bolsas e acessórios. Como ainda está em desenvolvimento, o material tem custo superior ao das fibras convencionais. A expectativa é que os preços diminuam conforme a produção aumente.  A estratégia inicial da Phycolabs é atuar no segmento de luxo e junto a grandes marcas, que demandam menores volumes e valorizam a inovação e a sustentabilidade dos materiais. Thamires revela que grandes marcas, brasileiras e internacionais, já se interessaram pelo novo produto, e diz que em breve os consumidores poderão vestir uma camisa de fibra à base de alga.   Parceria com comunidades costeiras  A empresa mapeia produtores de algas em diferentes regiões do Brasil e trabalha com comunidades costeiras, especialmente nos estados do Rio de Janeiro e Santa Catarina.  Nos testes mais recentes, a biomassa foi adquirida de uma produtora localizada na Ilha Grande, no município litorâneo de Angra dos Reis (RJ). Segundo Thamires, o cultivo de algas pode criar novas fontes de renda para pescadores e comunidades locais, especialmente em períodos de baixa atividade pesqueira ou turística.  Apesar dos desafios, Thamires acredita que a transformação da indústria da moda é possível e que novos biomateriais terão papel central nesse processo.  "É por isso que eu acordo todos os dias. Eu acredito, do fundo do meu coração, que sim, vai haver essa mudança."  Para ela, o mercado, os consumidores e as empresas já estão se movendo em direção a soluções mais sustentáveis, abrindo espaço para uma nova geração de materiais capazes de reduzir os impactos ambientais da moda.

  6. 10 de ago.

    Clarinetista cearense leva ritmos brasileiros para concertos e conservatórios da França

    Há duas décadas, uma oportunidade de estudos levou o clarinetista Alison Pereira a trocar Fortaleza pelos Alpes franceses. Hoje, radicado na região da Savoia, no sudeste da França, o músico atua como professor, diretor de orquestra e divulgador da música brasileira em conservatórios e festivais europeus. Ele acaba de participar do tradicional Festival de Violoncelos de Briançon, cidade onde estudou na juventude. Luiza Ramos, da RFI em Paris A história começou em 2006, quando Alison foi selecionado para participar do projeto "Tempo de Brasil", criado em Briançon pelo violoncelista Fernando Lima. Na época, ele já tocava em orquestras em Fortaleza e buscava novos desafios profissionais. “Eu estava no Brasil, em Fortaleza, e recebi uma ligação de um professor da universidade me contando que havia um projeto começando em Briançon. Eles estavam procurando estudantes brasileiros com um certo nível para fazer um curso intensivo no Conservatório du Briançonnais”, relembra.  Selecionado após um processo que incluía o envio de currículo e de vídeos tocando clarinete, ele desembarcou na França acompanhado de outros dois músicos brasileiros selecionados. O que seria inicialmente um intercâmbio acabou mudando o rumo de sua vida. A ligação com Briançon permanece forte. Além de trabalhar em eventos culturais da cidade, Alison construiu ali uma família e uma rede de amigos. Formação clássica com raízes brasileiras Apesar de ter seguido uma formação voltada para a música clássica em conservatórios de Briançon, Lyon e Paris, o músico nunca deixou de lado suas raízes brasileiras. O choro, a bossa nova e o samba continuam presentes em seu trabalho pedagógico e artístico. “Sempre tive um pé na música popular brasileira. Toco pandeiro, bateria, violão e o que mais puder fazer batucada”, brinca. “A música brasileira é a minha especialidade maior. Essa influência sempre aparece nos meus trabalhos, seja como diretor musical de orquestra sinfônica, banda de música na região da Savoia – onde eu tenho projetos que são ligados à música brasileira – ou em intervenções em conservatórios por toda a França”, diz Alison Pereira. Música do Brasil enriquece o ensino europeu O clarinetista diz que sempre que possível adiciona a riqueza rítmica e melódica das composições brasileiras no repertório de seus alunos, pois, segundo ele, representa um importante complemento para a formação dos estudantes europeus. “A música brasileira enriquece muito o aluno porque tem muita nota, muito ritmo e coisas interessantes musicalmente falando”, aponta.  “Compositores brasileiros fazem parte da história da música. Nossa Bossa Nova, por exemplo, tem influências do impressionismo francês de Claude Debussy e Maurice Ravel. Quando apresentamos esse repertório em exames nos conservatórios, os júris e colegas professores ficam impressionados com a 'cor' e o ritmo, que soam exóticos sem perder nada em dificuldade técnica”, afirma. Atualmente, Alison divide seu tempo entre aulas, apresentações e projetos musicais em diferentes países europeus. No fim de agosto, ele ministrará uma oficina de clarinete em Autrans-Méaudre en Vercors com alunos da França e da Bélgica. Dirigida por ele, Orquestra Sinfônica de Pays d'Arlysère, na região da Savoia, fará um concerto de Natal no fim de semana de 12 e 13 de dezembro. E além disso, o músico tem a agenda lotada de projetos diferentes até 2028. Ele costuma publicar suas apresentações nas redes sociais. Aos jovens brasileiros que sonham em seguir uma carreira internacional na música, Alison Pereira deixa uma mensagem de perseverança: “O conselho que dou é que tenham confiança em si e sejam sérios nos estudos. Cada minuto que passamos estudando se 'paga' depois, não é tempo perdido. Quem tiver a oportunidade de vir estudar aqui, que aproveite bem”, aconselha o clarinetista.

  7. 5 de ago.

    Filme pernambucano 'A Margem do Rio' leva o Brasil à competição principal do Festival de Locarno

    O Festival de Locarno, na Suíça, um dos mais importantes eventos do cinema independente no mundo, começa nesta quarta-feira (5) e tem um filme brasileiro na disputa. O longa “A Margem do Rio”, codirigido e escrito por Enock Carvalho e Matheus Farias, compete ao Leopardo de Ouro, o prêmio máximo da mostra. Os dois diretores representam o cinema pernambucano, que tem acumulado conquistas no Brasil e no mundo. “A Margem do Rio” é o primeiro longa da dupla, que já realizou três curtas-metragens, premiados em vários festivais internacionais. Eles tinham acabado de finalizar o filme, rodado em 2025, e a seleção para o 79º Festival de Cinema de Locarno foi uma surpresa, conta Enock Carvalho em entrevista à RFI. “Para a gente, esse é um festival que representa um berço do cinema de autor. Muitos grandes cineastas já passaram pela competição de Locarno e foram descobertos dentro desse festival, que inspira também a gente desde sempre. Ficamos muito felizes e, sendo o único filme brasileiro na competição, essa chance de apresentar ele para o mundo foi uma ótima notícia”, ressalta. Em seus 80 anos de existência, Locarno sempre acolheu e acolhe o cinema de autor brasileiro. Mas, se vencer, “A Margem do Rio” será a terceira obra brasileira na história a receber o Leopardo de Ouro, depois de “Terra em Transe”, de Glauber Rocha, em 1967, e “Regra 34”, de Julia Murat, em 2022. “Saber que existe essa possibilidade cria um certo frio na barriga. Mas eu estou desde já muito empolgado com a participação do filme na competição oficial. Independentemente de prêmio, eu tenho muito orgulho por estar representando Pernambuco e o Brasil nessa mostra”, diz Enock Carvalho. Estreia mundial Ao todo, 17 filmes, de vários países, estão na competição oficial do festival suíço. A estreia mundial de “A Margem do Rio” acontece em 11 de agosto. O longa, coproduzido pela Alemanha, é estrelado por Caique Copque e Ítalo Martins. O filme acompanha as aventuras secretas e noturnas de Izaquiel, um auxiliar de serviços gerais no Recife, pelos manguezais da cidade. Seu mundo vira de cabeça para baixo quando ele cruza o caminho de Jeremias, um pescador intrigante e magnético. O encontro provoca no personagem “uma sensação muito única de desejo e de paixão. E aí, eles se veem em uma situação de muito perigo e violência”, revela o cineasta. A obra é um drama, um thriller e um filme queer, como outros trabalhos da dupla. Segundo Enock Carvalho, “A Margem do Rio” é um longa “muito pernambucano, muito brasileiro, porque reflete muito o Brasil contemporâneo e é uma história com um pé muito profundo na realidade”. Cinema pernambucano Ambientado no Recife, o longa tem também um clima de mistério e suspense, como vários filmes do premiado diretor Kleber Mendonça Filho, com quem, aliás, Enock Carvalho e Matheus Farias já colaboraram em várias produções. Carvalho reconhece que o trabalho do diretor de “O Agente Secreto” influenciou e influencia o cinema da dupla. “Naturalmente, eu sinto que há uma contaminação muito positiva de energia e de tom também. Os filmes do Kleber inevitavelmente acompanham a nossa formação enquanto cineastas. E o contato com as obras do Kleber e de outros cineastas pernambucanos faz com que a gente tenha a pulsão para criar e para realizar nossos filmes. Eu acho que é uma coisa que está superconectada”, afirma Enock, salientando sua alegria de fazer parte desse movimento cinematográfico pernambucano que ganha cada vez mais visibilidade no exterior. Outros filmes brasileiros em Locarno Além de “A Margem do Rio”, o longa Hanabi, da brasileira Ana Vaz, também foi selecionado para a mostra “Cineastas do Presente” do Festival de Locarno. A produção franco-brasileira foi rodada durante 10 anos no Japão e aborda a transformação do país após o tsunami e o acidente nuclear de 2011. Duas coproduções brasileiras também foram selecionadas. O argentino “Los Días Libres”, de Lucila Mariani, também integra a mostra “Cineastas do Presente”. Já “Piper Tiger”, o último longa do veterano cineasta independente americano James Gray, foi programado para as exibições ao ar livre na Piazza Grande de Locarno, a marca registrada do festival. O filme, produzido pelo brasileiro Rodrigo Teixeira, será exibido no domingo, 9 de agosto. Antes da projeção, James Gray recebe um Leopardo de Ouro pelo conjunto de sua obra. O Festival Internacional de Cinema de Locarno, na Suíça, vai até 15 de agosto. Clique no player acima para ouvir a entrevista completa de Enock Carvalho.

  8. 4 de ago.

    Cantora Bruna Hetzel leva músicas do nordeste brasileiro aos clubes de jazz de Paris

    Radicada na França desde 2022, a cantora potiguar Bruna Hetzel tem conquistado espaço em festivais e casas de jazz parisienses com um repertório que mistura MPB, influências nordestinas e o estilo gênero norte-americano. A artista, que também é antropóloga, falou sobre como suas origens no Rio Grande do Norte moldam sua identidade musical, sobre o desafio de apresentar a riqueza cultural brasileira ao público europeu e sobre seus novos projetos em Paris. Luiza Ramos, da RFI em Paris Natural de Natal, no Rio Grande do Norte, Bruna Hetzel chegou à França há três anos. A mudança, motivada inicialmente por uma questão pessoal, acabou se transformando em uma nova etapa de sua carreira artística.  A estreia internacional do trabalho aconteceu justamente em território francês. Primeiro em Nantes, onde iniciou parcerias com músicos locais e participou de festivais regionais, e depois em Paris, onde passou a se apresentar regularmente em clubes de jazz e espaços culturais.  Mas a música é apenas uma das vertentes de sua trajetória. Formada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Bruna também atua como antropóloga, pesquisadora vocal e professora de canto. Segundo ela, essas experiências se refletem diretamente na sua carreira artística: “Todas essas áreas acabam influenciando e reverberando muito no meu trabalho”.  Diferença de público entre Brasil e França A experiência de cantar na França também modificou sua relação com o palco. Segundo Bruna, o comportamento do público francês é bastante diferente daquele encontrado no Brasil. “Nós somos um povo bastante festivo, e as pessoas querem cantar junto, o corpo dança junto”, relata.  Já nos clubes de jazz franceses, a artista destaca a atenção dedicada à escuta. Nesse contexto, ela conta que sua formação em antropologia ganha ainda mais relevância. Antes de cada canção, ela costuma contextualizar a obra, apresentar seus autores e explicar as referências culturais presentes nas letras.  “Eles gostam de ouvir histórias”, afirma. “Mesmo que não entendam tudo o que a gente está cantando em português, ficam encantados em ouvir o contexto, fecham os olhos e mergulham naquela realidade”, descreve Bruna. Nordeste como identidade artística  Bruna destaca que a cultura nordestina ocupa um espaço central em sua produção artística e busca ampliar a visibilidade de uma região frequentemente ofuscada pela imagem internacional concentrada no eixo Rio-São Paulo.  “O Nordeste é uma região importantíssima para o nosso país. Culturalmente, muito do que a gente ouve na nossa música, na culinária brasileira, na cultura brasileira como um todo, vem do Nordeste”, afirma.  Segundo a cantora, quem ouve sua música encontra não apenas influências rítmicas nordestinas, mas também elementos da paisagem, das cores e da atmosfera cultural do litoral potiguar. Como no clipe da música "Canto do Mar", do seu álbum "Canto Azul". Lançado para celebrar seus dez anos de carreira, "Canto Azul" sintetiza essa busca por representar diferentes dimensões da música brasileira. O repertório reúne referências consagradas como Dorival Caymmi, Djavan, Joyce Moreno e Ivan Lins, além de compositores ligados ao Nordeste e de canções autorais.  Nova jam brasileira em Paris  Entre os projetos para os próximos meses, a cantora prepara uma iniciativa inédita em uma das mais tradicionais casas de jazz da capital francesa. Bruna foi convidada para coordenar uma jam session dedicada à música brasileira no Sunset Sunside, referência da cena jazzística parisiense, localizada na histórica Rue des Lombards.  "Estou tendo a grande alegria de colaborar com o Sunset Sunside e vou coordenar esse projeto, que é uma jam session de música brasileira", celebra a artista. A primeira edição está prevista para 20 de setembro e será dedicada à obra de Chico Buarque.  Além da nova jam session, a agenda da cantora inclui apresentações em festivais de verão na região parisiense, como Estivales Montrougiennes, no dia 4 de agosto, ao lado do músico francês Hugo Corbin, em uma homenagem à Bossa Nova.

Sobre

Entrevistas diárias com pessoas de todas as áreas. Artistas, cientistas, professores, economistas, analistas ou personalidades políticas que vivem na França ou estão de passagem por aqui, são convidadas para falar sobre seus projetos e realizações. A conversa é filmada e o vídeo pode ser visto no nosso site.

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