Corvo Seco

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  1. #502 - Ajahn Chah - Permaneça Atento

    8 DE MAR.

    #502 - Ajahn Chah - Permaneça Atento

    Trechos retirados do livro “Living Dharma” de Jack Kornfield, e discursos de Ajahn Chah. Ajahn Chah (1918 - 1992), foi um grande mestre da linhagem “Tradição Tailandesa das Florestas” do budismo Theravada. Ajahn Chah (ou Chah Subhaddo) nasceu numa vila rural perto da cidade de Ubon Rajathani, Tailândia. Seguindo a tradição, depois de completar o ensino básico ordenou-se como monge noviço no mosteiro local da vila, onde passou os primeiros anos de sua vida monastica estudando as bases do Dharma, a linguagem Pāli e as escrituras. Após uma grave doença e falecimento de seu pai, Ajahn Chah, reconheceu que apesar de ter estudado exaustivamente ele não se sentia mais próximo de ter uma compreensão pessoal acerca do fim do sofrimento. Então, em 1946, abandonou os estudos e partiu em peregrinação. Caminhou durante vários anos pernoitando em florestas e recebendo comida nas vilas pelas quais passava, despendendo temporadas em mosteiros, assimilando os ensinamentos e praticando meditação. Foi durante sua estadia no mosteiro de Wat Kow Wongkot onde conheceu Ajahn Mun, um mestre de meditação altamente reverenciado, que ensinou-lhe que, apesar dos ensinamentos serem realmente extensos, em sua essência eles são muito simples: “Com consciência, se virmos que tudo surge no ‘coração-mente'. Aí está o verdadeiro caminho!” Este sucinto e direto ensinamento foi uma revelação para Ajahn Chah, transformando o seu modo de praticar. O caminho estava claro! Amado e respeitado em seu país como um homem de grande sabedoria, Ajahn Chah tornou-se um influente professor e fundador de grandes mosteiros de sua tradição. Seus ensinamentos contêm aquilo que se pode chamar de “coração da meditação budista” – as práticas simples e diretas de acalmar o coração e abrir a mente para a verdadeira compreensão da verdade. Esta forma de constante vigilância expandiu-se rapidamente como prática Budista no Ocidente, ensinando-nos a lidar com os estados mentais mais densos, como os medos, a ganância ou o sentimento de perda e a aprender o caminho da paciência, sabedoria e compaixão altruísta. Segundo Ajahn Chah o treino da mente não se trata apenas de nos sentarmos com os olhos fechados ou de aperfeiçoarmos uma técnica de meditação. Trata-se de uma grande renúncia.

    15min
  2. #499 - Ramana Maharshi - O que Acontece Depois da Morte?

    25 DE FEV.

    #499 - Ramana Maharshi - O que Acontece Depois da Morte?

    Trechos do livro “The Teachings of Ramana Maharshi in His Own Words”, de Ramana Maharshi. Ramana Maharshi (1879-1950), nascido Venkataraman Iyer, foi um dos mais venerados sábios da Índia. Nascido em Tiruchuli, Tamil Nadu, viveu uma infância comum até, aos 16 anos, experimentar uma profunda transformação espiritual ao confrontar a ideia de morte. Essa experiência o levou à realização do verdadeiro Eu e à renúncia de sua vida mundana. A partir disso ele se estabeleceu na montanha sagrada de Arunachala, onde passou o resto de sua vida em meditação e transmitindo ensinamentos, atraindo discípulos de todo o mundo. Ramana ensinava a prática do “Atma-Vichara”, “Self-enquiry” (auto-inquirição ou auto-investigação), baseada na pergunta “Quem sou eu?”. Ātmā Vicāra (विचार), é um termo sânscrito que significa o processo de investigar quem realmente somos, a investigação sobre a Natureza do Ser. Esta técnica é a que melhor exemplifica o Jñāna Yoga, o Yoga do conhecimento sobre Si Mesmo. Ramana destacava que a libertação espiritual surge da dissolução do ego e da realização da unidade com a Consciência universal. Seus ensinamentos enfatizavam a simplicidade, o silêncio e a experiência direta como caminhos para a Autorrealização, rejeitando práticas ritualísticas e dogmas religiosos. Seus ensinamentos transcendem fronteiras culturais e religiosas, inspirando buscadores espirituais em todo o mundo. Seu Ashram de Arunachala continua sendo um centro de aprendizado e prática, e suas ideias sobre introspecção e paz interior permanecem profundamente influentes.

    8min
  3. #497 - Dzongsar Jamyang Khyentse - Observe a Finitude da Vida

    18 DE FEV.

    #497 - Dzongsar Jamyang Khyentse - Observe a Finitude da Vida

    Citações e trechos do livro “Living is Dying”, de Dzongsar Jamyang Khyentse. Dzongsar Jamyang Khyentse Rinpoche ou Thubten Chökyi Gyamtso, é um grande mestre da linhagem Nyingma do budismo tibetano, cineasta e escritor. Nascido em 1961, em Khenpajong (leste do Butão), é o filho mais velho de Thinley Norbu. Aos sete anos, foi reconhecido por Sua Santidade Sakya Trizin como a principal encarnação de Dzongsar Jamyang Khyentse Chökyi Lodrö, o herdeiro espiritual de uma das mais influentes e admiradas encarnações de Manjushri (o Buda da Sabedoria). Até a idade de doze anos, Dzongsar estudou no Mosteiro do Palácio do Rei de Sikkim no nordeste da Índia, onde estudou com vários mestres contemporâneos influentes como Dudjom Rinpoche, Dalai Lama e Dilgo Khyentse que considera ser seu principal mestre. Ainda adolescente, Dzongsar construiu um pequeno centro de retiro em Ghezing em Sikkim e logo começou a viajar e ensinar pelo mundo. Em 1989, Dzongsar fundou a Siddhartha's Intent, uma associação budista internacional de centros sem fins lucrativos, a maioria das quais são sociedades e instituições de caridade, com a intenção principal de preservar os ensinamentos budistas, bem como aumentar a conscientização e a compreensão dos muitos aspectos do ensinamento budista além dos limites das culturas e tradições. Como cineasta, Dzongsar estudou com o italiano Bernardo Bertolucci; e seus dois filmes principais são “A Copa” (1999) e “Traveller e Magicians” (2003). Dzongsar Rinpoche é famoso pela liberdade descontraída com que se move entre culturas e povos e por sua dedicação incansável em trazer a filosofia e o caminho da iluminação para qualquer pessoa com um coração aberto.

    8min
  4. #496 - Longchenpa - Contemple a Impermanência

    15 DE FEV.

    #496 - Longchenpa - Contemple a Impermanência

    Trechos do livro “Finding Rest in the Nature of the Mind”, de Longchenpa. Longchen Rabjam Drimé Özer ou Longchenpa (1308 - 1364), foi um importante professor do Budismo Tibetano da linhagem Ningma. Longchenpa nasceu em uma vila no Vale Dra em Yuru, no Tibete. Aos onze anos, foi ordenado pela primeira vez, ávido por conhecimento e com grande capacidade de memória, Longchenpa estudou extensivamente com o Terceiro Karmapa Rangjung Dorje e com muitos dos grandes professores de sua época. Ele recebeu não apenas os ensinamentos da linhagem Nyingma de sua familia, mas também recebeu ensinamentos e transmissões de diferentes tradições budistas tibetanas. Em 1332, Longchenpa entrou em um período de retiro de oito meses. Posteriormente, conheceu seu professor principal, Ngagpa Rigdzin Kumaradza, de quem recebeu ensinamentos Dzogchen enquanto viajava de vale em vale, com um grupo nômade de cerca de setenta estudantes. Diz-se que Longchenpa viveu em grande pobreza durante este período, dormindo em um saco e comendo apenas cevada. Após 1350, Longchenpa fugiu para Bumthang (Butão), onde renunciou aos votos monásticos, casou-se e teve uma filha e um filho. Ele também fundou uma série de pequenos mosteiros no Butão, incluindo Tharpa Ling, sua residência principal. Longchenpa não era apenas um estudioso, mas também um praticante dedicado. Ele alcançou níveis profundos de realização através da meditação e da experiência direta, que integrou em seus ensinamentos. Através do seu intelecto radiante e da sua realização meditativa, tanto nos seus ensinamentos como nos trabalhos escritos, Longchenpa foi capaz de reconciliar as aparentes discrepâncias e contradições entre as várias apresentações da visão e o caminho dentro das muitas linhagens de transmissão. Suas obras escritas também são famosas por serem capazes de transferir verdadeiras bênçãos apenas lendo ou ouvindo suas palavras iluminadas. O trabalho de Longchenpa desempenhou um papel crucial na preservação e codificação dos ensinamentos da tradição Nyingma. Ele enfatizou os ensinamentos Dzogchen, que enfocam a natureza da mente e o caminho direto para a iluminação. Os escritos e ensinamentos de Longchenpa continuam a ser estudados e reverenciados no Budismo Tibetano. Ele é considerado uma das figuras mais influentes da escola Nyingma e da tradição budista tibetana mais ampla.

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