Sobre Carris

Conversas de bitola alta sobre ferrovia. Com Carlos Cipriano, Diogo Ferreira Nunes e Ruben Martins.

  1. há 18 h

    Portugal no topo da lista da sinistralidade ferroviária. O que está a falhar?

    Neste episódio especial do Sobre Carris, gravado ao vivo no encontro anual do International Railway Safety Council (IRSC) na FIL, em Lisboa, debatemos os desafios críticos da segurança nos caminhos-de-ferro em Portugal. Embora o comboio seja, consensualmente, o meio de transporte terrestre mais seguro, Portugal apresenta uma taxa de mortalidade por comboio-quilómetro 2,6 vezes superior à média da União Europeia e sete vezes maior do que a dos Países Baixos. Mas há uma particularidade nacional: a maioria das vítimas mortais não resulta de colisões ou descarrilamentos entre comboios, mas sim de colhidas de peões em plena via, falhas de vedações e problemas de saúde pública ligados a suicídios. O futuro (que já é o presente no sistema ferroviário) permite outras soluções: o recurso à inteligência artificial para avisar maquinistas ou a inclusão da segurança ferroviária na educação para a cidadania podem ajudar a caminhar para a meta do "acidente zero". O episódio aborda ainda falhas concretas de infraestrutura e gestão, como as plataformas demasiado curtas que obrigam passageiros a saltar para um local pouco seguro, os atrasos na modernização de sistemas de segurança e o estado de degradação da Gare do Oriente, em Lisboa. Episódio gravado ao vivo na FIL no âmbito do International Railway Safety Council 2026 (IRSC). See omnystudio.com/listener for privacy information.

  2. 3 de out.

    Até quando vão deixar a Linha do Vouga sem dono?

    No regresso aos episódios dedicados à análise da actualidade ferroviária no podcast Sobre Carris, começamos por debater as principais contradições e desafios que afectam o sector em Portugal. Arrancamos com a polémica em redor do projecto do comboio de luxo, orçado em 21,6 milhões de euros e vocacionado para o turismo de qualidade no interior do país. Apesar de a ideia ser elogiada pelo seu potencial de coesão territorial, critica-se o facto de as carruagens estarem já a ser intervencionadas nas oficinas da CP, desviando recursos oficinais escassos numa altura em que o material circulante do serviço público enfrenta graves carências de manutenção. A situação crítica na Linha do Vouga, ilustrada por um grave incidente ocorrido a 28 de Setembro, no qual uma automotora avariada em plena via teve de ser rebocada por outra e acabou por sofrer um incêndio, tendo a actuação rápida da tripulação com três extintores evitado uma tragédia é outro sinal de alerta para um país que só se tende a preocupar com estas coisas quando há vítimas mortais. O episódio expõe ainda a supressão constante de comboios no Vouga devido à falta de revisores, habitualmente desviados para os serviços suburbanos do Porto, o desaproveitamento do troço central onde foram investidos 6,2 milhões de euros e a falta de um plano estratégico do Governo e da Infraestruturas de Portugal para a modernização e futuro desta linha de via estreita. A intenção do Governo em avançar com sub-concessões de linhas, a começar pela Linha de Cascais, suscita igualmente forte apreensão, tendo a Comissão de Trabalhadores e a quase totalidade dos sindicatos da CP subscrito um documento conjunto a alertar para o risco de fragmentação do sistema ferroviário integrado. Em paralelo, debate-se o impacto do Passe Ferroviário Verde, cuja implementação apressada, sem estudos prévios de procura, gerou confusão operacional e aumentou a pressão sobre composições já sobrelotadas, sem que se tenha verificado o necessário reforço da oferta de comboios. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  3. 7 de set.

    O debate dos "Sérgios" em Estrasburgo: direitos dos passageiros e o futuro do caminho-de-ferro

    Neste episódio especial do podcast Sobre Carris, gravado nos estúdios do Parlamento Europeu em Estrasburgo, ouvimos os eurodeputados portugueses Sérgio Gonçalves (PS/S&D) e Sérgio Humberto (PSD/PPE), ambos membros da Comissão dos Transportes e Turismo do Parlamento Europeu (PE).  Num debate pautado por uma enorme cordialidade e forte convergência política, os dois convidados analisam os desafios da mobilidade europeia e o papel estratégico que Portugal desempenha neste sector. O principal destaque da última semana de trabalhos do PE antes das férias incidiu sobre o acordo histórico relativo aos direitos dos passageiros, alcançado após treze anos de bloqueio por parte do Conselho da União Europeia. Sérgio Humberto pormenoriza as vitórias deste processo, no qual o Parlamento Europeu se manteve firme na defesa dos cidadãos, assegurando garantias como a viagem de menores de catorze anos ao lado dos pais sem custos adicionais, o acompanhamento gratuito para pessoas com deficiência, a simplificação das regras de bagagem e a protecção do bilhete em papel para combater a infoexclusão, que ainda afecta quarenta e quatro por cento dos cidadãos europeus e quarenta e um por cento dos portugueses. No que toca ao panorama ferroviário nacional, os eurodeputados abordam o desinvestimento que caracterizou o passado e apontam soluções, com especial enfoque no calendário da Alta Velocidade, na viabilidade de uma nova linha através de Trás-os-Montes para ligar o Porto a Zamora e Madrid, na criação da fábrica de material circulante em Matosinhos e no aproveitamento dos fundos de dupla utilização, civil e militar, para reabilitar e modernizar as infra-estruturas do país. A fechar a conversa, o debate abre espaço para partilhas de cariz mais pessoal, onde Sérgio Gonçalves evoca a curiosidade de ser natural da Madeira (região que teve caminhos de ferro entre 1912 e 1943) e viver na "Rua do Comboio", ao passo que Sérgio Humberto relata, pela primeira vez em público, a sua experiência num acidente ferroviário quando tinha apenas dezassete anos. A série do Sobre Carris dedicada à política europeia de transportes conta com o apoio do Parlamento Europeu. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  4. 31 de ago.

    Foi a liberalização da ferrovia um fracasso? O PCP diz que sim e escreveu um livro

    Gravado na histórica Estação do Rossio, este episódio do podcast Sobre Carris junta os jornalistas Ruben Martins, Diogo Ferreira Nunes e Carlos Cipriano ao secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, e a Manuel Gouveia, um dos autores do recém-apresentado dossier "Desastre na Ferrovia: 35 anos de liberalização". Ao longo da conversa, é analisado o impacto profundo das políticas ferroviárias em Portugal nas últimas décadas, defendendo o PCP que o país retrocedeu em vez de evoluir no que toca ao investimento público, ramais e material circulante. Os convidados apontam o dedo ao atraso crónico na renovação da frota nacional, sublinhando que o país se encontra há duas décadas à espera de novos comboios para suprir as reais necessidades das populações. A conversa centra-se naquilo que o partido designa como a grande "contradição liberal": um modelo em que o Estado assume todos os custos e riscos - investindo na modernização de infra-estruturas (como na Linha de Cascais) e na compra de comboios com dinheiro público - para depois entregar a operação e os lucros garantidos aos privados. O PCP aponta o exemplo da Fertagus para ilustrar como o Estado assegura compensações financeiras contínuas ao operador privado ao mesmo tempo que impede a CP de operar nessa linha para resolver a falta de capacidade. Como alerta máximo para o futuro do país, é traçado um paralelo detalhado com o fracasso da privatização ferroviária na Inglaterra (iniciada nos anos 90) e o seu actual processo de renacionalização através da Great British Railways.  Manuel Gouveia clarifica ainda que esta obra de 340 páginas, rica em dados, tabelas e gráficos, representa um esforço de maturação colectiva e ideológica do PCP que seria impossível de replicar por ferramentas de inteligência artificial, as quais tendem "simplesmente a reproduzir e amplificar a perspectiva económica dominante". See omnystudio.com/listener for privacy information.

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Conversas de bitola alta sobre ferrovia. Com Carlos Cipriano, Diogo Ferreira Nunes e Ruben Martins.

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