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  1. A demissão de Keir Starmer, entre o fracasso, o altruísmo e um país ansioso e descrente

    vor 23 Std.

    A demissão de Keir Starmer, entre o fracasso, o altruísmo e um país ansioso e descrente

    Na política contemporânea ainda há lugar para surpresas que nos convidam a discutir temas em desuso. Como o desprendimento, o empenho no interesse nacional, o serviço público ou o respeito pelas regras da democracia nos partidos. Keir Starmer, o primeiro-ministro do Reino Unido, demitiu-se ontem e no seu discurso, do qual ouvimos uma pequena parte, estão elencadas muitas destas questões. No essencial, porém, o que ele disse aos seus concidadãos e ao mundo é que deixara de ser a pessoa indicada para dirigir o Partido Trabalhista nas suas próximas batalhas. Que era incapaz de se manter em funções. E disse também que chegara a essa conclusão depois de medir o grau de aprovação dos seus deputados ao seu mandato como líder partidário e como primeiro-ministro. É cada vez mais raro haver gestos destes na política. Starmer teve 718 dias de mandato em Downing Street. Falta ainda muito tempo para acabar a legislatura. Mas esse muito tempo ia obriga-lo a um combate político com os seus deputados e líderes partidários que não seria bom para ninguém – até para ele, que se arriscava a perder essa batalha. Como muitos analistas observaram, Keir Starmer não foi um bom primeiro ministro: falhou muitas das suas metas e revelou-se como um líder sem clareza de propósitos e com falta de uma visão e propostas assumidas para o seu país. Depois da derrota das autárquicas em Maio, sabia que jamais seria capaz de restaurar a sua autoridade no partido ou a sua liderança no país. Tratou por isso de esperar que um dos seus rivais declarados, o ex-presidente da Câmara de Manchester, Kenny Burnham, fosse eleito para o parlamento, o que aconteceu na passada quinta-feira, para entregar os destinos do parlamento e do governo aos membros do seu partido. Em Setembro, os trabalhistas e o Reino Unido terão um novo homem no leme. Faz pouco sentido avaliar se Starmer fez o que pôde, ou se podia fazer mais. Mais importante é notar que o Reino Unido consumiu o seu sexto primeiro-ministro em dez anos. Que, depois de resistir às vagas do extremismo europeu dos anos de 1920, o país está ameaçado pela extrema-direita de Farage. Ou que os custos do Brexit, cujo referendo aconteceu faz hoje dez anos, são cada vez mais assombrosos. O que se passa no Reino Unido? Tema para uma conversa com o jornalista António Saraiva Lima. O António é jornalista da equipa do internacional do PÚBLICO e acompanha com particular proximidade o noticiário do Reino Unido. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    15 Min.
  2. Montenegro em Congresso entre o Portugal maior, o unanimismo e a descentralização

    vor 4 Tagen

    Montenegro em Congresso entre o Portugal maior, o unanimismo e a descentralização

    Luís Montenegro ficou feliz com os resultados das eleições directas do PSD que o reconduziram na liderança durante mais dois anos com uma expressiva maioria de 94,8% dos votos.  Mas convém situar com exactidão o que é a expressiva demonstração de adesão de que o primeiro-ministro fala nesta comunicação divulgada nas redes sociais. É que nas eleições directas votaram menos de 15 mil militantes. Ou seja, a abstenção foi superior a 70%. Ainda assim, Montenegro tem razões para partir para o 43º Congresso do PSD, este fim-de-semana em Sangalhos, Anadia, com optimismo. É um líder incontestado. Conseguiu devolver o poder ao partido e preservá-lo já lá vão mais de dois anos, para lá de ter conquistado a hegemonia nas autonomias e nos municípios. Não admira por isso que uma das suas maiores preocupações seja saber o que fazer para manter as expectativas dos seus eleitores vivas. A ambição do Portugal maior, o título da sua moção, porém, surge num contexto desafiante para o Governo. O contexto internacional está difícil e as previsões de crescimento da economia ruíram perante a realidade. As velhas debilidades estruturais do país, como o desequilíbrio da balança externa e o recuo das exportações, ressuscitam o fantasma do país que se endivida para consumir. Mas, como é hábito nestes conclaves, não é disso que o Congresso vai falar. Montenegro preocupa-se antes em sublinhar os traços do velho dinamismo do PSD para prometer um país mais moderno e competitivo. Não haverá assim espaço para debater as mudanças programáticas do PSD que o colocam mais perto do CDS e do Chega e mais longe da sua matriz social-democrata. Por imposição das bases, haverá apenas um discurso crítico aos excessos do centralismo português. Que acabará no vazio ou em vagas proclamações, até porque nada no programa do Governo autoriza a expectativa da verdadeira descentralização: a que a Constituição de 1976 consagrou na regionalização. O que podemos então esperar deste congresso? Uma clarificação, um debate útil para o partido, o Governo e a sociedade, ou apenas uma encenação para ungir o primeiro-ministro com a bênção da unanimidade e dos consensos? Ponto de partida para uma conversa com José Palmeira, professor assistente no departamento de ciência política da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho e director do Perspectivas, Jornal de Ciência Política. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    17 Min.
  3. Ouça a estreia do novo podcast do PÚBLICO dedidaco ao Mundial. António Simões: “Portugal foi a melhor equipa daquele Mundial e isso ninguém me tira”

    vor 5 Tagen

    Ouça a estreia do novo podcast do PÚBLICO dedidaco ao Mundial. António Simões: “Portugal foi a melhor equipa daquele Mundial e isso ninguém me tira”

    Os “Magriços”, assim ficou conhecida a primeira selecção portuguesa num Mundial de futebol. Chegou, viu e venceu, por esta ordem, a Hungria, a Bulgária e o Brasil. Sim, o Brasil tinha Pelé, mas Portugal tinha Eusébio, a liderar a primeira grande geração de ouro do futebol português, baseada em grandes equipas do Benfica e do Sporting nos anos 1960. O ponto alto dessa estreia é aquele que, 60 anos depois, continua a ser um dos jogos mais extraordinários da história dos Mundiais. Um jogo em que a Coreia do Norte marcou logo no primeiro minuto e, aos 25’, já estava a ganhar por 3-0. Um jogo em que Eusébio marcou quatro golos seguidos e empurrou Portugal para as meias-finais. Portugal não foi mais longe do que isto, eliminado pela Inglaterra, que seria campeã no seu próprio Mundial, mas ainda teve um epílogo feliz, ao ganhar o terceiro lugar à URSS, a tal classificação que nunca foi igualada. António Simões esteve nesse Mundial, era o mais novo da selecção portuguesa, mas titular indiscutível na frente de ataque, um extremo que gostava de fintar, mas cujo único golo no Inglaterra 66, ao Brasil, foi de cabeça. Ele é o convidado do PÚBLICO no podcast que vai ser uma viagem no tempo, pelo passado de todas as selecções de Portugal que chegaram ao Mundial. Este é o primeiro episódio do podcast 8 Mundiais: Eu estive lá, com sonoplastia de Margarida Adão. O relato é de Rui Miguel Mendonça e a capa de João Mota.   See omnystudio.com/listener for privacy information.

    52 Min.
  4. Governo quer travar gastos com médicos tarefeiros: o problema é que sem eles o SNS colapsa

    vor 5 Tagen

    Governo quer travar gastos com médicos tarefeiros: o problema é que sem eles o SNS colapsa

    A escalada de tensão é o culminar de um longo braço de ferro feito à força de portarias regulamentares e decretos-lei redigidos e aprovados com um único propósito: reduzir o peso e o custo que os chamados médicos tarefeiros têm nas contas do Serviço Nacional de Saúde. Em 2025, o Estado gastou 250 milhões de euros, mais 17% que no ano anterior, a contratar estes profissionais de modo a evitar mais episódios de encerramentos ou caos em serviços dos hospitais.  Não é só o problema do dinheiro que conta. Ao ter de abrir os cordões à bolsa para atrair tarefeiros, o Governo acabou por discriminar negativamente os médicos do quadro do SNS. Um decreto-lei publicado esta semana autoriza os hospitais a pagar mais incentivos a estes médicos para lá do que está previsto na lei. Mas impõe uma contrapartida: por cada cem euros gastos nos incentivos ao pessoal do quadro, os hospitais têm de poupar 120 na contratação de serviços externos. Mais, os pagamentos aos médicos podem agora chegar a 10 blocos de 48 horas com valores de remuneração crescentes.  Será isto suficiente ou, como dizem médicos, sindicatos e a ordem, uma espécie de remendo no SNS? Na resposta, impõe-se uma outra pergunta: por que razão há 4600 médicos dispostos a trabalhar à tarefa que recusam integrar o quadro do SNS?  Oportunidade para uma conversa com Inês Schrek, jornalista do PÚBLICO especializada no acompanhamento da área da Saúde na equipa de Sociedade do jornal. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    16 Min.
  5. Cessar-fogo no Irão é um teste à relação de forças entre EUA e Israel

    16. Juni

    Cessar-fogo no Irão é um teste à relação de forças entre EUA e Israel

    EUA e Irão alcançaram um memorando de entendimento para um cessar-fogo, no domingo, que deverá ser assinado esta sexta-feira, em Genebra. Donald Trump foi o primeiro a anunciar o acordo e a abertura do estreito de Ormuz: “Navios de todo o mundo, liguem os vossos motores! Deixem o petróleo fluir”, disse o presidente dos EUA. Uma agência iraniana revelou que o cessar-fogo será permanente e imediato, incluindo no Líbano, que o bloqueio naval dos EUA terminará e que o país vai reaver os 21 mil milhões de euros em activos que foram congelados. Mas os detalhes ainda não são conhecidos, nomeadamente sobre o alívio de sanções económicas contra o Irão, a limitação do programa iraniano e a ocupação do Líbano. Para Israel, o acordo é entre os EUA e o Irão. O ministro de Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, diz que “Israel não é subordinado dos EUA” e o ministro da Defesa, Israel Katz, acrescenta que ele e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu são contra a retirada das tropas israelitas do Líbano. Trump manifestou o desagrado pelo facto de Israel ter bombardeado Beirute no domingo e criticou Netanyahu. A relação entre ambos pode estar comprometida, caso o segundo queira sabotar o entendimento com o Irão? É isso que vamos perguntar a Joana Ricarte, especialista em Médio Oriente e professora de relações internacionais na Universidade do Porto. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    20 Min.

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