Linha Direta

Bate-papo com os correspondentes da RFI Brasil pelo mundo para analisar, com uma abordagem mais profunda, os principais assuntos da atualidade.

  1. HACE 1 DÍA

    Proximidade de Flávio Bolsonaro com dono do Master pode enterrar sua candidatura à presidência, diz especialista

    Senador do PL é alvo de críticas tanto da direita quanto da esquerda após vir à tona pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro. Para analista ouvido pela RFI, ainda que eleitorado bolsonarista abrace narrativa do parlamentar, crescem as dificuldades dele se viabilizar num segundo turno. Raquel Miura, correspondente da RFI em Brasília As conversas entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro provocam um enorme estrago na pretensão do senador do PL de se tornar presidente da República e atiçam a disputa no campo da direita. Pesquisas mostram que entre os pré-candidatos desse campo mais conservador, o filho primogênito de Jair Bolsonaro era até aqui o nome mais forte numa competição com o petista Luiz Inácio Lula da Silva. O senador, que em meio ao escândalo do Banco Master afirmava que não conhecia Vorcaro, tentando vender a tese de ligação da instituição com a esquerda, teve de refazer o discurso diante da publicização de conversas, em áudio e texto, entre ele e o banqueiro, a quem pediu ajuda financeira para a produção do filme “Dark Horse” em homenagem ao pai.  Muitas perguntas ainda precisam ser esclarecidas, como o destino final dos recursos repassados ao senador e o nível de envolvimento da família com o banqueiro, que arregimentava blindagem e influência política. Mas já é possível apontar que a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro ao Planalto sofreu um grande abalo. “Cria insegurança dentro do seu entorno, não se sabe se pode vir mais alguma coisa. Espanta eleitores moderados ou independentes, que seriam importantes numa eleição que hoje está, pelas pesquisas, empatada. Cria contradições para aliados que querem, em vários momentos, pedir o impeachment de ministro do STF por envolvimento com o Banco Master. E vai espantar aliados e apoiadores financeiros”, afirmou à RFI o analista político Leonardo Barreto. Só dentro da bolha A justificativa de Flávio Bolsonaro, de que não fez nada de errado, apenas pediu dinheiro privado para financiar um filme, já ecoa nos grupos bolsonaristas, que tendem a defendê-lo, assim como fazem com o ex-presidente que está em prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado.                                                          “Vamos separar os bandidos dos inocentes. Toda essa história que está sendo veiculada agora, nada mais é do que um filho procurando investidores privados para fazer um filme privado sobre a história do seu próprio pai. Zero de dinheiro público, zero de lei Rouanet”, disse Flávio Bolsonaro. A questão é que só com apoio dos mais fanáticos não se ganha eleição; é preciso avançar e conquistar eleitores mais neutros. “Acho que a gente teve um fato muito relevante que, no primeiro momento, pode ser minimizado porque o Flávio vai manter uma boa posição em função da base dele, que é fidelizada, que é ideológica, que é pouco suscetível a esse tipo de coisa. Mas a chave para explicar o efeito negativo é a redução do teto de voto dele”, avalia Barreto. “Se isso afastar eleitores moderados, não bolsonaristas, o teto de voto dele vai baixar e aí ele corre o risco de se tornar um candidato com a perspectiva de inviabilidade num futuro segundo turno”, completa o cientista político. Deputados condenam relação com Vorcaro   O assunto dominou as redes sociais, bem como as tribunas do Parlamento, e as críticas ao senador do PL vieram de vários lados. “Não é corriqueira e não é uma questão normal a relação de Flávio Bolsonaro com o banqueiro criminoso e mafioso Daniel Vorcaro, que não era só um banqueiro, era uma pessoa que, apontam as investigações, tem relação muito próxima com a milícia e com o jogo do bicho. Nada novo no histórico de Flávio Bolsonaro. E se fosse apenas um filho querendo financiar o filme do seu pai, por que ele não assumiu isso desde o momento?”, questionou a deputada Érika Hilton (PSOL/SP).            “O senador Flávio Bolsonaro, que já deveria ter sido preso lá atrás, quando era deputado estadual e participou do rachadão da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, agora mostra sua amizade íntima com Daniel Vorcaro. Nenhum centavo que saia do bolso de Daniel Vorcaro é privado. Cem porcento do patrimônio de Daniel Vorcaro é roubado. O áudio e a mensagem foram de 2025, pouco tempo antes de Vorcaro ser preso. Todo mundo já sabia que era bandido”, ressaltou o deputado Kim Kataguiri (Missão/SP). Apuração sobre recursos e valores milionários Existe uma apuração em curso para saber se a produtora responsável pelo filme de Bolsonaro recebeu regularmente recursos de emendas parlamentares e da prefeitura de São Paulo. Nesse último caso, a administração pública diz se tratar de um contrato legal com finalidade específica, voltada à promoção da internet em áreas carentes. Também chama a atenção o valor que Flávio pediu a Vorcaro: R$ 134 milhões. Segundo o Intercept, que divulgou as conversas, R$ 61 milhões foram repassados ao senador. A quantia supera produções indicadas ao Oscar, como “Ainda estou aqui” (R$ 45 milhões), premiado no festival norte-americano. O parlamentar do PL negou que o dinheiro tenha ajudado a bancar a atuação do irmão, Eduardo Bolsonaro, nos Estados Unidos.

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  2. HACE 2 DÍAS

    Portugal enfrenta revolta de 'golden visas' após mudanças na lei da nacionalidade

    Com regras mais rígidas, a nova Lei da Nacionalidade em Portugal abalou a confiança em um dos programas de residência por investimento mais conhecidos da Europa: os golden visas, vistos especiais criados depois da crise econômica de 2008 para atrair investimento estrangeiro e gerar empregos. Com as mudanças, que duplicaram o tempo para obtenção da nacionalidade, centenas de investidores estão prontos para processar o Estado português. Letícia Fonseca-Sourander, correspondente da RFI em Lisboa Muitos investidores estrangeiros em Portugal estão cancelando pedidos de obtenção da cidadania após as novas exigências na Lei da Nacionalidade. Mais de 500 detentores dos vistos golden – na maioria americanos, mas também brasileiros –  pretendem entrar com uma ação judicial coletiva contra o Estado português pela quebra de confiança na legislação. Eles alegam que o governo de Portugal não cumpriu os contratos celebrados quando aumentou os prazos para a obtenção da nacionalidade. De acordo com as novas regras, o tempo mínimo de residência legal no país para pedido de nacionalidade passa de cinco para sete anos no caso de brasileiros, cidadãos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e da União Europeia; e de cinco para dez anos para os demais estrangeiros. Esta “puxada de tapete” está atingindo todos aqueles que apesar de terem dado entrada no pedido de autorização de residência, não haviam ainda conseguido atingir o prazo de cinco anos. Os detentores desses “passaportes dourados” sentem-se enganados, mas dispõem de recursos financeiros para acionar o Estado na Justiça. Em contraste, a dura realidade dos imigrantes comuns – entre eles milhares de brasileiros – é marcada por um impacto profundo em suas vidas, ao verem adiado o sonho da cidadania portuguesa. A advogada Ana Pacheco Araújo, especialista em imigração e direito internacional, explica à RFI: “É legítimo que o Estado altere a legislação conforme considere oportuno. O problema está na ausência de um regime transitório claro, já que a lei entra em vigor no dia seguinte à sua publicação no Diário da República, sem uma regulamentação com prazo definido e efetivamente cumprido. Ou seja, é preciso ter a segurança jurídica e que o princípio da confiança seja respeitado”, conclui. 'Passaportes dourados' Portugal lançou os golden visas (ARI – Autorização de Residência para Investimento) em 2012, para atrair capital estrangeiro de fora da União Europeia. Desde então, mais de 12 mil investidores chineses, brasileiros, americanos, russos, entre outras nacionalidades, se beneficiaram deste regime ganhando a cidadania portuguesa em troca de bilhões de euros injetados em terras lusas. No início eram basicamente investimentos no mercado imobiliário português, mas a compra de imóveis para obter os golden visas não é mais válida, pois este programa foi responsável pela explosão dos preços das moradias em Portugal e dificultou o acesso à habitação para residentes locais. Em 2023, o governo português mudou as regras para cumprir as diretrizes europeias e o foco passou a ser investimentos financeiros em fundos e capital de risco. Atualmente, quem busca a cidadania portuguesa através dos vistos dourados deve investir no mínimo € 500 mil em fundos de investimentos destinados à capitalização de empresas. A geração de empregos e a criação de pelo menos dez postos de trabalho no país é outra possibilidade; ou então, apoio à produção artística, recuperação ou manutenção do patrimônio cultural nacional no valor de pelo menos € 250 mil, ou ainda a injeção de € 500 mil em projetos de investigação científica. A União Europeia sempre criticou os golden visas ao ressaltar que eles apresentam riscos de segurança, corrupção e evasão fiscal. Não são poucos os casos com suspeita de dinheiro de origem ilícita. A preocupação de Bruxelas é que ao obter a cidadania de um dos países do bloco ganha-se também o direito de circular livremente pelo espaço Schengen. Morosidade do Estado O decreto da nova Lei da Nacionalidade promulgado na semana passada pelo presidente António José Seguro foi aprovado por dois terços do Parlamento português. Agora, o governo tem um prazo de três meses para fazer alterações no chamado Regulamento de Nacionalidade Portuguesa, e indicar quais serão as regras legais para obtenção da cidadania. Em sua nota de promulgação, Seguro pediu que os processos pendentes não sejam afetados e que ninguém seja prejudicado pela morosidade do Estado. A vida real, no entanto, mostra justamente o contrário. Há mais de 100 mil processos de cidadania/residência parados na Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), e em alguns casos, a espera por uma resposta já dura mais de quatro anos.

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  3. HACE 3 DÍAS

    Alemanha julga ex-militante de extrema esquerda que tinha ligações com brasileiros

    Em um julgamento de grande repercussão na Alemanha, a ex-militante Daniela Klette apresentará nesta quarta-feira (13) suas considerações finais de defesa. Ela é acusada de assaltos e tentativa de homicídio em um dos últimos processos judiciais contra membros da organização Fração do Exército Vermelho, também conhecida como Grupo Baader-Meinhof, que atuou na Alemanha entre as décadas de 1970 e 1990. A acusada viveu por anos na clandestinidade e, durante sua vida secreta se escondendo da polícia, desenvolveu uma forte relação com o Brasil. Gabriel Brust, correspondente da RFI Brasil em Düsseldorf, Alemanha A apresentação da defesa ocorre na cidade de Verden, na região da Baixa Saxônia, e é a parte final de um julgamento que começou no ano passado. Daniela Klette tem 67 anos e foi presa em 2024 em Berlim, depois de passar 30 anos na clandestinidade, um período que tem detalhes dignos de um filme e que inclusive envolve o Brasil. Klette está sendo julgada por uma série de roubos a supermercados e carros-fortes ocorridos entre 1999 e 2016. Ou seja, depois que o grupo Fração do Exército Vermelho foi extinto, em 1998. Ela teria continuado a cometer crimes comuns, sem motivação política, ao lado de outros dois ex-membros da organização. A promotoria está pedindo 15 anos de prisão por tentativa de homicídio e roubo à mão armada qualificado. No início da defesa, na terça-feira (12), Klette alegou ser vítima de perseguição política, por causa do seu passado ligado ao grupo de extrema esquerda. Na chegada ao tribunal, ela foi aplaudida por cerca de 20 manifestantes, o que suscitou indignação das vítimas, como um segurança de um carro forte que foi supostamente atacado por Klette, em 2015. Dinheiro e ouro no apartamento Klette ainda tem apoiadores por causa da herança política e simbólica da antiga Fração do Exército Vermelho, conhecida como RAF, na sigla em alemão. A maioria da sociedade alemã vê o grupo como uma organização terrorista que cometeu dezenas de assassinatos, atentados e sequestros entre os anos 1970 e 1990. Mas existe uma pequena parcela da esquerda radical que ainda considera alguns ex-membros como militantes políticos anticapitalistas. O que a acusação tenta mostrar agora é que os assaltos que teriam sido cometidos por Daniela Klette depois do fim da organização política tinham fins "capitalistas". No apartamento dela no bairro de Kreuzberg, em Berlim, foram encontrados € 240 mil em dinheiro e mais de 1kg de ouro. Ela viajava pelo mundo com identidade falsa, vivendo às custas do dinheiro que teria acumulado nos assaltos.  Daniela Klette faz parte da chamada terceira geração da Fração do Exército Vermelho. Ela era ativa em grupos guerrilheiros de esquerda desde 1975 e entrou para a clandestinidade em 1989, quando o grupo cometeu um dos assassinatos de maior repercussão, o do CEO do Deutsche Bank, Alfred Herrhausen.  Foto na capoeira No apartamento de quarto e sala em Berlim onde ela foi presa, em 2024, a polícia também encontrou roupas usadas durante os assaltos, resíduos de pólvora, bigodes postiços, mapas, relatórios de locais de crime e artigos de jornal sobre os assaltos. Quem identificou Daniela Klette foi um jornalista canadense, Michael Colborne, que usou uma ferramenta da inteligência artificial para cruzar as antigas imagens dela com fotos atuais da internet. Em 30 minutos, ele conseguiu achar a pessoa que a polícia alemã buscava há 30 anos. A foto da internet que entregou Daniela Klette estava publicada em uma rede social e a mostrava com um grupo de capoeira. Codinome Cláudia A ex-membro do grupo terrorista RAF frequentava a comunidade brasileira em Berlim e inclusive adotou um nome falso, Cláudia Ivone. Ela praticava capoeira, ia ao carnaval, e era muito próxima de um brasileiro, Emerson Gomes da Silva, com quem ela viveu por um período no início dos anos 2000. Em uma entrevista ao canal de TV alemão WDR, Emerson disse: "Eu não conheço Daniela Klette, eu conheço a Cláudia. Ela era como uma irmã para mim". Ele afirma que só descobriu a verdadeira identidade de "Cláudia" depois de sua prisão. Emerson contou que desconfiava de que tinha algo estranho na história dela, mas quando a questionava, "Cláudia" simplesmente respondia: 'Todo mundo tem um segredo”. Emerson voltou a morar no Brasil e inclusive recebeu uma visita dela nos anos 2000, em uma das várias viagens pelo mundo de Daniela Klette, ou Cláudia Ivone, enquanto se escondia da polícia.

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  4. HACE 4 DÍAS

    Manifestação de universitários na Argentina denuncia desmantelamento da Educação promovido por Milei

    A quarta manifestação universitária durante o governo do presidente Javier Milei acontece nesta terça-feira (12), com um ato principal em Buenos Aires e mobilizações nas principais cidades da Argentina. Mais de um milhão de manifestantes são esperados em todo o país para protestar contra os cortes no orçamento da Educação pública, atualmente no menor nível da história. A mobilização ocorre no momento político mais delicado de Milei desde que assumiu a presidência. Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires Desde que Milei assumiu o cargo, em dezembro de 2023, a situação das universidades públicas só se agravou, atingindo o menor nível de investimento da história do país. Cada manifestação universitária reúne mais de um milhão de pessoas nas ruas em todo o território argentino, evidenciando uma crescente insatisfação popular. A pressão social levou o Congresso a aprovar leis que obrigam o governo a repassar os recursos necessários para o financiamento das universidades. Apesar disso, Milei se recusa a cumprir as medidas, alegando que a manutenção do superávit fiscal, base de seu plano econômico, é prioridade. Em setembro de 2024, o Congresso aprovou a primeira lei de financiamento universitário, mas ela foi vetada pelo presidente argentino. Um ano depois, em agosto de 2025, os parlamentares aprovaram uma segunda proposta. Milei voltou a vetá-la, mas, dessa vez, o Congresso derrubou o veto presidencial. A lei busca reverter os cortes no orçamento das universidades e reajustar os salários de acordo com a inflação. O governo, no entanto, segue resistindo à implementação das medidas. A Justiça já decidiu em duas instâncias a favor das universidades. Agora, a disputa chegou à Suprema Corte. A tendência é de derrota para o governo, que tenta adiar um impacto fiscal estimado em 0,23% do PIB. Perdas salariais Professores e estudantes enfrentam os impactos da redução dos investimentos. O financiamento das universidades caiu 45,6% desde que o presidente argentino Javier Milei assumiu o cargo, e os salários dos professores perderam, em média, 33,7% do poder de compra. O protesto cobra o cumprimento da lei de financiamento universitário, mas, além dessa reivindicação específica, a mobilização também expressa uma insatisfação mais ampla da população com o governo. Em maior ou menor grau, aposentados, servidores públicos, trabalhadores do setor privado e informais acumulam perdas salariais diante da inflação. Entre os mais afetados estão os servidores e aposentados, com perdas que chegam a cerca de 35%. Insatisfação generalizada O protesto é convocado oficialmente pelo Conselho Interuniversitário Nacional, que reúne as 64 universidades públicas da Argentina, onde estudam cerca de 2,1 milhões de alunos. No entanto, a mobilização também conta com a participação de sindicatos como a Confederação Geral do Trabalho (CGT) e a Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA), além de organizações sociais e partidos de oposição. Todos acusam o governo de tentar desmantelar a educação pública. A manifestação ocorre no momento político mais delicado de Milei. Segundo 13 pesquisas de opinião, mais de 60% da população tem uma imagem negativa do presidente, enquanto menos de 35% declara apoio ao governo. Um levantamento recente da AtlasIntel indica que 63% reprovam a gestão de Milei, enquanto 30,6% a consideram excelente ou boa. No total, a imagem negativa do presidente chega a 62%. Os índices de rejeição aumentam em meio a investigações judiciais por casos de corrupção, à alta da inflação nos últimos dez meses e ao aumento do desemprego, consequência de um modelo econômico que, segundo críticos, provoca recessão em setores intensivos em empregos, como comércio, indústria e construção civil. De acordo com a AtlasIntel, os principais problemas do país são corrupção (50,3%), desemprego (38,5%), inflação (35,9%) e a situação econômica em geral (32,6%). Precariedade dos professores  Cerca de 90% do orçamento universitário é destinado aos salários. Os professores da categoria mais alta, com elevada formação e dedicação exclusiva, recebem um salário em pesos argentinos equivalente a aproximadamente R$ 5.000. Devido ao elevado custo de vida na Argentina atualmente, esse salário é apenas R$ 500 acima de uma cesta básica familiar. A maioria, no entanto, ganha menos da metade: 60% recebe o equivalente a R$ 1.800. Para recuperar os salários de dezembro de 2023, seria necessário um aumento de 53%. Os hospitais universitários, responsáveis por atender mais de 700 mil pessoas por ano, ainda não receberam recursos em 2026 e sobrevivem adiando pagamentos a fornecedores. Há dois anos e meio, com o país em crise, o orçamento universitário era de 0,72% do Produto Interno Bruto. Agora é de 0,47%, com projeção de cair para 0,42% até o final do ano. A demanda dos universitários é que volte aos 0,72%. Fuga de cérebros Segundo o Conselho Interuniversitário Nacional, nos dois anos e meio de governo Milei, mais de 10 mil professores e pesquisadores universitários deixaram o ensino público. É a chamada “fuga de cérebros” que abandona o país ou vai para o setor privado. Na Universidade Tecnológica Nacional, mais de mil professores deixaram de dar aulas. Na Faculdade de Ciências Exatas da prestigiosa Universidade de Buenos Aires, foram 438 demissões, equivalentes a 13% do total do corpo docente, a maioria do curso de engenharia, que perdeu 342 professores. Já do curso de veterinária, 103 deixaram seus cargos. Em média, sete cientistas por dia deixam as universidades argentinas desde dezembro de 2023.

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  5. HACE 5 DÍAS

    Mãe de preso político morto sob custódia cobra explicações do governo venezuelano

    Carmen Teresa Navas exige esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte de seu filho, o preso político Víctor Hugo Quero Navas, confirmada pelo governo venezuelano na semana passada, nove meses após o óbito. Ele estava sob custódia do Estado, e o caso provocou uma nova onda de críticas ao sistema prisional do país. Pedro Pannunzio, correspondente da RFI na Venezuela Neste fim de semana, Carmen Teresa Navas falou pela primeira vez à imprensa após reconhecer o corpo do filho. Visivelmente abalada, ela afirmou que ainda não consegue lidar com a dimensão da perda, em entrevista à jornalista venezuelana Maryorin Méndez, que acompanha o caso há meses. Carmen descreveu o processo como “extremamente doloroso” e voltou a cobrar explicações das autoridades venezuelanas. Ela também afirmou que nunca recebeu autorização para visitar o filho enquanto ele esteve preso. Segundo ela, as autoridades impediram qualquer contato direto e jamais confirmaram oficialmente seu paradeiro ou o estado de saúde durante o período em que esteve sob custódia do Estado venezuelano. A mãe de Víctor Hugo Quero Navas voltou a exigir esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte e cobra explicações sobre quando e como o filho morreu, aos 51 anos, já que não acredita na versão oficial. Víctor Hugo Quero Navas foi preso em janeiro de 2025. Desde então, a mãe iniciou uma busca que durou 16 meses por informações, passando por presídios, hospitais, tribunais e órgãos públicos, sem receber respostas claras sobre o paradeiro ou o estado de saúde do filho. Quero Navas era acusado de terrorismo, financiamento ao terrorismo, conspiração e traição à pátria. Um dia antes da confirmação da morte, a Justiça venezuelana rejeitou um pedido de anistia apresentado pela defesa. O tribunal alegou que os crimes atribuídos a Víctor Hugo Quero não permitiam acesso aos benefícios previstos na nova legislação aprovada sob o governo interino de Delcy Rodríguez. No dia seguinte à decisão, o Ministério de Serviços Penitenciários informou oficialmente que ele havia morrido meses antes. Versão do governo Segundo a versão divulgada pelo governo, Quero Navas estava preso em um complexo penitenciário próximo a Caracas. O Ministério de Serviços Penitenciários afirmou que ele foi levado a um hospital militar após apresentar quadro de hemorragia digestiva e febre alta. Ainda de acordo com o comunicado, ele morreu em julho do ano passado em consequência de insuficiência respiratória associada a uma embolia pulmonar. O governo venezuelano também declarou que o preso não teria informado dados de familiares durante o período de detenção e afirmou que, por isso, o corpo foi enterrado pelo Estado. No dia seguinte à confirmação da morte, autoridades venezuelanas realizaram a exumação do corpo de Víctor Hugo Quero Navas em um cemitério de Caracas. O procedimento contou com a presença de agentes do Corpo de Investigações Penais, Científicas e Criminalísticas e da mãe dele, Carmen Teresa Navas. Após a exumação, ela reconheceu o corpo do filho e providenciou um novo sepultamento em outro cemitério. Investigação Depois da confirmação da morte, o Ministério Público venezuelano anunciou a abertura de uma investigação criminal sobre o caso. O órgão determinou a exumação do corpo para a realização de novos exames periciais e testes de DNA. A Defensoria Pública da Venezuela pediu uma investigação independente, transparente e aprofundada para identificar responsabilidades e garantir justiça. O órgão afirmou que o caso expõe abusos, impunidade e falhas institucionais ainda existentes na Venezuela. Diversas organizações não governamentais intensificaram a pressão sobre o governo de Delcy Rodríguez. O Observatório Venezuelano de Prisões pediu a saída imediata do ministro responsável pelo sistema penitenciário, Julio García Zerpa, e cobrou investigações contra funcionários envolvidos no desaparecimento forçado, na ocultação de informações e na morte de Víctor Hugo Quero Navas. Representantes da ONG Provea também defenderam que integrantes do alto escalão do sistema judicial e penitenciário sejam investigados. Outras entidades e partidos políticos passaram a cobrar a revisão das condições carcerárias e maior transparência sobre pessoas detidas pelo governo venezuelano. Segundo dados da organização Foro Penal, a Venezuela tem atualmente 457 presos políticos.

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  6. 8 MAY

    Navio com casos de hantavírus gera tensão política e mobiliza autoridades na Espanha

    A Organização Mundial da Saúde alerta nesta sexta-feira (8) que é possível que surjam novos casos de contaminação pelo hantavírus. Porém, o risco de surto permanece limitado, segundo a entidade. Uma comissária de bordo da KLM, que apresentou sintomas leves de hantavírus e foi hospitalizada em Amsterdã, testou negativo, informou a OMS. Até o momento, três pessoas morreram em decorrência da cepa andina. Ana Beatriz Farias, correspondente da RFI em Madri A Espanha acompanha de perto a situação, já que o navio de cruzeiro MV Hondius deve chegar às Ilhas Canárias no domingo (10), de onde os passageiros devem ser retirados em uma operação controlada de repatriação e transferência sanitária. O assunto vem gerando tensão no país. Uma das principais decisões anunciadas recentemente pelas autoridades espanholas é que o navio não vai atracar no porto de Tenerife, para onde está se dirigindo. Ao invés disso, o barco ficará parado no mar, ancorado perto da costa. Segundo o chefe do executivo das Ilhas Canárias, Fernando Clavijo, a medida reduziria os riscos de contágio. A retirada dos passageiros será feita com embarcações de apoio, e o transporte até o aeroporto acontecerá sob um protocolo sanitário específico. Os passageiros não devem circular pela ilha e o governo espanhol afirma que não haverá contato de quem desembarcar com a população local. Segundo o Ministério da Saúde da Espanha, os viajantes serão avaliados ainda a bordo, e só poderão deixar o navio quando toda a operação de repatriação estiver pronta. A ideia é fazer um desembarque rápido e controlado. Do porto, as pessoas que desembarcarem devem ser deslocadas diretamente para o aeroporto. De acordo com a ministra da Saúde da Espanha, Mónica García, todos os passageiros estrangeiros devem ser repatriados após o desembarque, caso não haja contraindicação médica. Estado de alerta Moradores e trabalhadores da região têm se demonstrado preocupados. Especialmente na ilha de Tenerife, onde o navio deve permanecer próximo da costa. Em entrevistas à AFP, locais disseram que o assunto domina as conversas dos últimos dias. Apesar disso, muitos defendem que os passageiros precisam receber ajuda humanitária. Além da repercussão que existe entre a população local, houve reação também por parte dos trabalhadores portuários. Um grupo de funcionários dos portos de Santa Cruz de Tenerife e Granadilla, representado pela organização “Trabalhadores pelos Portos de Tenerife” chegou a ameaçar bloquear as atividades portuárias por medo da falta de informações e de protocolos claros. Representantes da categoria acusam as autoridades de não explicarem exatamente quais medidas de segurança serão adotadas. Alguns trabalhadores disseram estar com medo de atuar diretamente nas operações de aproximação do navio. Há, inclusive, uma manifestação convocada para o meio-dia desta sexta-feira (7h em Brasília), em Santa Cruz de Tenerife. A insatisfação, no entanto, não é consenso entre os trabalhadores. O sindicato “Coordenadora Estatal de Trabalhadores do Mar”, que se apresenta como o principal do setor marítimo, divulgou um comunicado dizendo que não apoia paralisações nem protestos e que considera a decisão de manter o navio próximo à costa a alternativa mais prudente do ponto de vista sanitário. Tensão política A decisão de receber a tripulação do navio em território espanhol gerou desgaste entre o governo nacional e a administração regional das Ilhas Canárias. O chefe do executivo das Canárias chegou a reclamar de falta de informações e a dizer que Madri tomou decisões sem consultar as ilhas. O governo central negou e a ministra da Saúde, Mónica García, afirmou que houve, sim, um contato estreito com a administração regional. Depois de dias de tensão, o primeiro-ministro Pedro Sánchez telefonou para o líder regional, Fernando Clavijo, numa tentativa de conciliação. Além disso, o governante das Ilhas Canárias se reuniu, nesta quinta-feira (7), com a ministra da Saúde e com o ministro de Política Territorial, Ángel Víctor Torres. No encontro, os líderes falaram sobre a operação de desembarque. Em paralelo a isso, diferentes lideranças de oposição ao governo central cobram mais transparência sobre os protocolos sanitários e sobre os critérios usados para levar o navio até Tenerife. Houve divergências também dentro do próprio governo espanhol sobre a possibilidade de quarentena obrigatória para passageiros espanhóis que estão a bordo. Enquanto a ministra da Defesa, Margarita Robles, defendeu que a quarentena seria voluntária, a ministra da Saúde, Mónica García, mencionou que o Estado espanhol tem as ferramentas legais necessárias para impor o isolamento dos nacionais que estão no cruzeiro. Apesar disso, García ressaltou que o “bom senso” prevalecerá e que acredita que os envolvidos são “suficientemente responsáveis”. Enquanto isso, a Organização Mundial da Saúde segue monitorando o caso.

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  7. 7 MAY

    Lula busca diálogo com Trump sobre segurança e tenta blindar eleições brasileiras de interferência

    A agenda oficial divulgada pela Casa Branca prevê que Trump receba Lula às 11h da manhã desta quinta-feira (7) em uma cerimônia de boas-vindas reservada à imprensa oficial. Em seguida, os dois líderes participam de uma reunião bilateral no Salão Oval e depois de um almoço de trabalho no Cabinet Room. A área de segurança deve ser um dos principais focos do encontro, que acontece em um momento delicado da relação entre os dois países, marcado por tensões diplomáticas, disputas comerciais e divergências políticas. Luciana Rosa, correspondente da RFI em Washington  O encontro entre Lula e Trump foi classificado pelo governo americano como uma “visita de trabalho”. A viagem vinha sendo negociada desde março, mas acabou adiada por causa da escalada da guerra no Oriente Médio e do envolvimento dos Estados Unidos no conflito. Comitiva inclui ministros da Fazenda, Justiça e diretor-geral da PF Lula desembarcou nos Estados Unidos acompanhado de cinco ministros, além do diretor-geral da Polícia Federal Andrei Rodrigues, em uma composição que evidencia o peso político e estratégico das negociações. Entre os integrantes da comitiva estão o chanceler Mauro Vieira e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, que deve tratar diretamente das tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil e também da investigação americana envolvendo o Pix. Antes do encontro, Durigan afirmou que a expectativa do governo brasileiro é “normalizar a relação bilateral” e evitar que “elementos estranhos” prejudiquem a população brasileira. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Rosa, também participa das discussões econômicas. Já o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, abordará temas ligados às terras raras e minerais estratégicos, enquanto o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, e o diretor-geral da Polícia Federal integram as conversas voltadas à segurança pública e ao combate ao crime organizado. Nos bastidores, a principal preocupação do governo brasileiro é impedir que o PCC e o Comando Vermelho sejam classificados pelos Estados Unidos como organizações terroristas. Diplomatas do Itamaraty avaliam que uma decisão desse tipo poderia abrir espaço para uma maior interferência americana em temas de segurança pública dentro do Brasil. A presença do diretor-geral da Polícia Federal na comitiva também ganhou importância depois da crise diplomática registrada no mês passado entre os dois países. Na ocasião, o governo Trump expulsou o delegado da PF Marcelo Ivo, que atuava como oficial de ligação junto ao ICE, a polícia de imigração americana, após a detenção, na Flórida, do ex-deputado Alexandre Ramagem, considerado foragido pela Justiça brasileira. O Brasil respondeu com medidas de reciprocidade e expulsou um agente norte-americano que trabalhava em Brasília. Governo teme interferência americana nas eleições presidenciais brasileiras Outro ponto de preocupação do governo brasileiro é a possibilidade de interferência americana nas eleições presidenciais de outubro. O temor aumentou depois que Darren Beattie, assessor sênior do governo Trump, tentou visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão, em março deste ano. Na ocasião, o governo brasileiro cancelou o visto de Beattie, gerando mais um episódio de tensão diplomática entre os dois países. Integrantes do Itamaraty avaliam que a visita de Lula a Washington também funciona como uma tentativa de reconstruir canais de diálogo e reduzir o clima de desconfiança entre os dois governos. Casa Branca destaca “interesses econômicos e de segurança compartilhados” Ao confirmar a reunião, a Casa Branca afirmou que Lula e Trump devem discutir “interesses econômicos e de segurança compartilhados”. A imprensa americana tem destacado que o encontro acontece apesar dos meses de atrito entre os dois governos, marcados por disputas tarifárias, diferenças ideológicas e pelo caso Bolsonaro no Brasil. Segundo informações da agência Reuters, o bilionário brasileiro Joesley Batista, um dos donos da JBS, teve papel central na articulação do encontro entre os dois presidentes. Esta será a terceira reunião presencial entre Lula e Trump desde o início do atual mandato do presidente brasileiro.

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  8. 6 MAY

    Marco Rubio visita a Itália para reconciliar laços com Vaticano e governo Meloni

    Em meio a mais um ataque de Donald Trump ao papa, o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, chega nesta quarta-feira (6) à Itália, onde permanecerá até o dia 8 de maio. Amanhã ele será recebido no Vaticano por Leão XIV. Na sexta-feira se reunirá com a primeira-ministra Giorgia Meloni. Estão previstos também encontros com os ministros das Relações Exteriores, Antonio Tajani, e da Defesa, Guido Crosetto. Gina Marques, correspondente na Itália da RFI O principal objetivo de Marco Rubio é “reconciliar os laços” com o papa após os ataques de Donald Trump a Leão XIV. Mas o presidente dos Estados Unidos não está facilitando a missão do Secretário de Estado. Dois dias atrás,  em entrevista ao Salem News Channel – uma rede conservadora de base cristã – Trump afirmou que o papa “está colocando muitos católicos e muitas pessoas em perigo”, insinuando que Leão XIV é favorável a um possível arsenal nuclear para Teerã. O presidente disse: “Imagino que, se dependesse dele, seria perfeitamente aceitável que o Irã possuísse uma arma nuclear”. Leão XIV não tardou a responder. Sem citar o nome do presidente, o papa disse: “Se alguém quiser me criticar por pregar o Evangelho, que o faça com a verdade. A Igreja se manifesta contra todas as armas nucleares há anos, portanto, não há dúvidas quanto a isso”, declarou o pontífice na terça-feira (5) no encontro com os jornalistas em frente do Castel Gandolfo, nos arredores de Roma. O papa enfatizou que “a missão da Igreja é pregar o Evangelho, pregar a paz”. Ele concluiu: “Espero simplesmente ser ouvido pelo valor da palavra de Deus”. Impacto no eleitorado republicano Na manhã desta quarta-feira (6) durante a audiência geral na Praça de São Pedro, Leão XIV disse que a Igreja Católica “deseja instaurar o seu Reino de justiça, amor e paz para toda a humanidade”. O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, também reagiu às declarações de Trump, sublinhando que o Papa mantém a sua linha de atuação centrada na mensagem evangélica e na promoção da paz. “O Papa segue o seu caminho, no sentido de pregar o Evangelho, de pregar a paz”, afirmou ontem o cardeal Parolin, acrescentando que essa missão se mantém independentemente das críticas. No mês passado, Trump chamou o primeiro papa americano na história da Igreja de “fraco” e “terrível em política exterior” porque Leão XIV criticou a guerra no Irã. Depois das investidas, o pontífice respondeu que não tinha medo do governo Trump. Estes ataques têm afastado grande parte do eleitorado católico americano do presidente. Os eleitores republicanos católicos representam cerca de 20% e podem lhe virar as costas nas eleições de meio de mandato em novembro. Batizado católico logo após seu nascimento - e não convertido ao catolicismo na vida adulta como o vice-presidente J.D. Vance - Marco Rubio vai tentar remediar a crise provocada por Trump. Leão XIV completa nesta sexta-feira (8) seu primeiro ano como líder da Igreja Católica, que conta com 1,4 bilhão de fiéis. Ele manteve um perfil relativamente discreto no cenário global nos primeiros meses de seu papado, mas emergiu nas últimas semanas como um crítico declarado da guerra dos EUA e Israel contra o Irã. Cuba na agenda do Vaticano Após a audiência com Leão XIV, no Palácio Apostólico, no Vaticano, o chefe da diplomacia dos Estados Unidos encontrará o Secretário de Estado da Santa Sé, cardeal Pietro Parolin. Segundo o porta-voz do Departamento de Estado americano, Tommy Pigott, “o secretário Rubio se reunirá com a liderança da Santa Sé para discutir a situação no Oriente Médio e os interesses mútuos no Hemisfério Ocidental”, mas as tensões entre os EUA e Cuba poderão fazer parte das conversações de Rubio com o papa. Leão XIV também desaprovou as políticas anti-imigração do governo Trump e pediu diálogo entre os EUA e Cuba, país de maioria católica. Em fevereiro, quando o governo Trump intensificou o bloqueio ao fornecimento de petróleo a Cuba, o sumo pontífice disse estar profundamente preocupado com as tensões entre os dois países. O Vaticano tem agido como mediador e canal de diálogo entre os dois países, e teve um papel-chave no degelo das relações entre Cuba e Estados Unidos em 2015 promovido pelo Papa Francisco. Graças a um acordo com a Santa Sé, Cuba libertou 51 prisioneiros no último mês de março, num gesto que classificou como “espírito de boa vontade”. No ano passado, o governo cubano libertou 553 prisioneiros devido a um acordo com o Vaticano, após o ex-presidente Joe Biden anunciar a retirada de Cuba da lista americana de “Estados patrocinadores do terrorismo”. Trump rescindiu o acordo de Biden ao assumir o cargo, colocando o país caribenho novamente na lista, aplicando novas sanções à ilha. Marco Rubio é filho de imigrantes cubanos nos EUA. Ele já havia se encontrado com o pontífice, nascido em Chicago, durante a Missa que marcou o início de seu papado. Naquela ocasião, também estava presente o vice-presidente Vance. No dia seguinte, 19 de maio, foi realizado um encontro bilateral entre Leão XIV, Vance e Rubio. Encontro com Giorgia Meloni O ataque do presidente dos Estados Unidos ao papa também desencadeou uma crise diplomática com a primeira-ministra Giorgia Meloni. Até então a premiê, líder do partido de extrema-direita Irmãos da Itália (Fratelli d'Italia) era considerada por Trump como uma grande aliada europeia. No entanto, a guerra no Irã iniciada pelos Estados Unidos e Israel, com os danos econômicos do conflito, causou desaprovação no eleitorado conservador italiano. Por consequência, Meloni acabou se distanciando das posições do presidente americano. Diante das agressões de Trump a Leão XIV, a primeira-ministra chamou as palavras do presidente de “inaceitáveis”. O resultado é a Itália acabou na lista dos “vilões”. Trump acusou Meloni de  “falta de coragem”. “Não estou feliz com a Itália, ela não nos ajudou, acha que está tudo bem o Irã ter armas nucleares”, atacou o presidente, usando as mesmas palavras que também dirigiu à Espanha. Enquanto isso, na Alemanha, depois que o chanceler Friedrich Merz falou que os Estados Unidos estão sendo “humilhados” pelo Irã, o Pentágono anunciou a retirada de 5.000 soldados das bases no país. A Itália quer evitar que o governo de Trump decida aplicar uma medida semelhante e remover militares das bases estadunidenses na península que atualmente, conta com a presença de cerca de 12 mil militares americanos. Pauta com governo italiano O comunicado do Departamento de Estado dos EUA enfatiza que as reuniões com as autoridades italianas se concentrarão nos “interesses de segurança compartilhados e alinhamento estratégico” dos dois países. Isso significa que discutirão sobre a Otan e as bases militares americanas na Itália. Em março deste ano, a Itália impediu os Estados Unidos de usarem a base aérea de Sigonella, na Sicília, para uma operação no Oriente Médio porque aviões americanos planejavam pousar sem autorização nem consulta prévia. Após verificar que não eram voos rotineiros, o chefe do Estado-Maior informou o ministro da Defesa, Guido Crosetto, que ordenou negar o pouso. Entre outros temas na agenda está o Líbano — tendo em vista um possível encontro em Washington, no dia 11 de maio, entre o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e o presidente libanês Josef Aoun, ainda a ser confirmado por ambas as partes. Além disso, o papel da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) liderada pelo general italiano Diodato Abagnara. A retomada das tarifas também está na pauta, após o anúncio do presidente dos EUA, em 1º de maio, de um possível aumento de 25% nas tarifas sobre carros e caminhões provenientes da União Europeia.

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