Linha Direta

Bate-papo com os correspondentes da RFI Brasil pelo mundo para analisar, com uma abordagem mais profunda, os principais assuntos da atualidade.

  1. 20 HR AGO

    Manifestação de universitários na Argentina denuncia desmantelamento da Educação promovido por Milei

    A quarta manifestação universitária durante o governo do presidente Javier Milei acontece nesta terça-feira (12), com um ato principal em Buenos Aires e mobilizações nas principais cidades da Argentina. Mais de um milhão de manifestantes são esperados em todo o país para protestar contra os cortes no orçamento da Educação pública, atualmente no menor nível da história. A mobilização ocorre no momento político mais delicado de Milei desde que assumiu a presidência. Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires Desde que Milei assumiu o cargo, em dezembro de 2023, a situação das universidades públicas só se agravou, atingindo o menor nível de investimento da história do país. Cada manifestação universitária reúne mais de um milhão de pessoas nas ruas em todo o território argentino, evidenciando uma crescente insatisfação popular. A pressão social levou o Congresso a aprovar leis que obrigam o governo a repassar os recursos necessários para o financiamento das universidades. Apesar disso, Milei se recusa a cumprir as medidas, alegando que a manutenção do superávit fiscal, base de seu plano econômico, é prioridade. Em setembro de 2024, o Congresso aprovou a primeira lei de financiamento universitário, mas ela foi vetada pelo presidente argentino. Um ano depois, em agosto de 2025, os parlamentares aprovaram uma segunda proposta. Milei voltou a vetá-la, mas, dessa vez, o Congresso derrubou o veto presidencial. A lei busca reverter os cortes no orçamento das universidades e reajustar os salários de acordo com a inflação. O governo, no entanto, segue resistindo à implementação das medidas. A Justiça já decidiu em duas instâncias a favor das universidades. Agora, a disputa chegou à Suprema Corte. A tendência é de derrota para o governo, que tenta adiar um impacto fiscal estimado em 0,23% do PIB. Perdas salariais Professores e estudantes enfrentam os impactos da redução dos investimentos. O financiamento das universidades caiu 45,6% desde que o presidente argentino Javier Milei assumiu o cargo, e os salários dos professores perderam, em média, 33,7% do poder de compra. O protesto cobra o cumprimento da lei de financiamento universitário, mas, além dessa reivindicação específica, a mobilização também expressa uma insatisfação mais ampla da população com o governo. Em maior ou menor grau, aposentados, servidores públicos, trabalhadores do setor privado e informais acumulam perdas salariais diante da inflação. Entre os mais afetados estão os servidores e aposentados, com perdas que chegam a cerca de 35%. Insatisfação generalizada O protesto é convocado oficialmente pelo Conselho Interuniversitário Nacional, que reúne as 64 universidades públicas da Argentina, onde estudam cerca de 2,1 milhões de alunos. No entanto, a mobilização também conta com a participação de sindicatos como a Confederação Geral do Trabalho (CGT) e a Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA), além de organizações sociais e partidos de oposição. Todos acusam o governo de tentar desmantelar a educação pública. A manifestação ocorre no momento político mais delicado de Milei. Segundo 13 pesquisas de opinião, mais de 60% da população tem uma imagem negativa do presidente, enquanto menos de 35% declara apoio ao governo. Um levantamento recente da AtlasIntel indica que 63% reprovam a gestão de Milei, enquanto 30,6% a consideram excelente ou boa. No total, a imagem negativa do presidente chega a 62%. Os índices de rejeição aumentam em meio a investigações judiciais por casos de corrupção, à alta da inflação nos últimos dez meses e ao aumento do desemprego, consequência de um modelo econômico que, segundo críticos, provoca recessão em setores intensivos em empregos, como comércio, indústria e construção civil. De acordo com a AtlasIntel, os principais problemas do país são corrupção (50,3%), desemprego (38,5%), inflação (35,9%) e a situação econômica em geral (32,6%). Precariedade dos professores  Cerca de 90% do orçamento universitário é destinado aos salários. Os professores da categoria mais alta, com elevada formação e dedicação exclusiva, recebem um salário em pesos argentinos equivalente a aproximadamente R$ 5.000. Devido ao elevado custo de vida na Argentina atualmente, esse salário é apenas R$ 500 acima de uma cesta básica familiar. A maioria, no entanto, ganha menos da metade: 60% recebe o equivalente a R$ 1.800. Para recuperar os salários de dezembro de 2023, seria necessário um aumento de 53%. Os hospitais universitários, responsáveis por atender mais de 700 mil pessoas por ano, ainda não receberam recursos em 2026 e sobrevivem adiando pagamentos a fornecedores. Há dois anos e meio, com o país em crise, o orçamento universitário era de 0,72% do Produto Interno Bruto. Agora é de 0,47%, com projeção de cair para 0,42% até o final do ano. A demanda dos universitários é que volte aos 0,72%. Fuga de cérebros Segundo o Conselho Interuniversitário Nacional, nos dois anos e meio de governo Milei, mais de 10 mil professores e pesquisadores universitários deixaram o ensino público. É a chamada “fuga de cérebros” que abandona o país ou vai para o setor privado. Na Universidade Tecnológica Nacional, mais de mil professores deixaram de dar aulas. Na Faculdade de Ciências Exatas da prestigiosa Universidade de Buenos Aires, foram 438 demissões, equivalentes a 13% do total do corpo docente, a maioria do curso de engenharia, que perdeu 342 professores. Já do curso de veterinária, 103 deixaram seus cargos. Em média, sete cientistas por dia deixam as universidades argentinas desde dezembro de 2023.

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  2. 1 DAY AGO

    Mãe de preso político morto sob custódia cobra explicações do governo venezuelano

    Carmen Teresa Navas exige esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte de seu filho, o preso político Víctor Hugo Quero Navas, confirmada pelo governo venezuelano na semana passada, nove meses após o óbito. Ele estava sob custódia do Estado, e o caso provocou uma nova onda de críticas ao sistema prisional do país. Pedro Pannunzio, correspondente da RFI na Venezuela Neste fim de semana, Carmen Teresa Navas falou pela primeira vez à imprensa após reconhecer o corpo do filho. Visivelmente abalada, ela afirmou que ainda não consegue lidar com a dimensão da perda, em entrevista à jornalista venezuelana Maryorin Méndez, que acompanha o caso há meses. Carmen descreveu o processo como “extremamente doloroso” e voltou a cobrar explicações das autoridades venezuelanas. Ela também afirmou que nunca recebeu autorização para visitar o filho enquanto ele esteve preso. Segundo ela, as autoridades impediram qualquer contato direto e jamais confirmaram oficialmente seu paradeiro ou o estado de saúde durante o período em que esteve sob custódia do Estado venezuelano. A mãe de Víctor Hugo Quero Navas voltou a exigir esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte e cobra explicações sobre quando e como o filho morreu, aos 51 anos, já que não acredita na versão oficial. Víctor Hugo Quero Navas foi preso em janeiro de 2025. Desde então, a mãe iniciou uma busca que durou 16 meses por informações, passando por presídios, hospitais, tribunais e órgãos públicos, sem receber respostas claras sobre o paradeiro ou o estado de saúde do filho. Quero Navas era acusado de terrorismo, financiamento ao terrorismo, conspiração e traição à pátria. Um dia antes da confirmação da morte, a Justiça venezuelana rejeitou um pedido de anistia apresentado pela defesa. O tribunal alegou que os crimes atribuídos a Víctor Hugo Quero não permitiam acesso aos benefícios previstos na nova legislação aprovada sob o governo interino de Delcy Rodríguez. No dia seguinte à decisão, o Ministério de Serviços Penitenciários informou oficialmente que ele havia morrido meses antes. Versão do governo Segundo a versão divulgada pelo governo, Quero Navas estava preso em um complexo penitenciário próximo a Caracas. O Ministério de Serviços Penitenciários afirmou que ele foi levado a um hospital militar após apresentar quadro de hemorragia digestiva e febre alta. Ainda de acordo com o comunicado, ele morreu em julho do ano passado em consequência de insuficiência respiratória associada a uma embolia pulmonar. O governo venezuelano também declarou que o preso não teria informado dados de familiares durante o período de detenção e afirmou que, por isso, o corpo foi enterrado pelo Estado. No dia seguinte à confirmação da morte, autoridades venezuelanas realizaram a exumação do corpo de Víctor Hugo Quero Navas em um cemitério de Caracas. O procedimento contou com a presença de agentes do Corpo de Investigações Penais, Científicas e Criminalísticas e da mãe dele, Carmen Teresa Navas. Após a exumação, ela reconheceu o corpo do filho e providenciou um novo sepultamento em outro cemitério. Investigação Depois da confirmação da morte, o Ministério Público venezuelano anunciou a abertura de uma investigação criminal sobre o caso. O órgão determinou a exumação do corpo para a realização de novos exames periciais e testes de DNA. A Defensoria Pública da Venezuela pediu uma investigação independente, transparente e aprofundada para identificar responsabilidades e garantir justiça. O órgão afirmou que o caso expõe abusos, impunidade e falhas institucionais ainda existentes na Venezuela. Diversas organizações não governamentais intensificaram a pressão sobre o governo de Delcy Rodríguez. O Observatório Venezuelano de Prisões pediu a saída imediata do ministro responsável pelo sistema penitenciário, Julio García Zerpa, e cobrou investigações contra funcionários envolvidos no desaparecimento forçado, na ocultação de informações e na morte de Víctor Hugo Quero Navas. Representantes da ONG Provea também defenderam que integrantes do alto escalão do sistema judicial e penitenciário sejam investigados. Outras entidades e partidos políticos passaram a cobrar a revisão das condições carcerárias e maior transparência sobre pessoas detidas pelo governo venezuelano. Segundo dados da organização Foro Penal, a Venezuela tem atualmente 457 presos políticos.

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  3. 4 DAYS AGO

    Navio com casos de hantavírus gera tensão política e mobiliza autoridades na Espanha

    A Organização Mundial da Saúde alerta nesta sexta-feira (8) que é possível que surjam novos casos de contaminação pelo hantavírus. Porém, o risco de surto permanece limitado, segundo a entidade. Uma comissária de bordo da KLM, que apresentou sintomas leves de hantavírus e foi hospitalizada em Amsterdã, testou negativo, informou a OMS. Até o momento, três pessoas morreram em decorrência da cepa andina. Ana Beatriz Farias, correspondente da RFI em Madri A Espanha acompanha de perto a situação, já que o navio de cruzeiro MV Hondius deve chegar às Ilhas Canárias no domingo (10), de onde os passageiros devem ser retirados em uma operação controlada de repatriação e transferência sanitária. O assunto vem gerando tensão no país. Uma das principais decisões anunciadas recentemente pelas autoridades espanholas é que o navio não vai atracar no porto de Tenerife, para onde está se dirigindo. Ao invés disso, o barco ficará parado no mar, ancorado perto da costa. Segundo o chefe do executivo das Ilhas Canárias, Fernando Clavijo, a medida reduziria os riscos de contágio. A retirada dos passageiros será feita com embarcações de apoio, e o transporte até o aeroporto acontecerá sob um protocolo sanitário específico. Os passageiros não devem circular pela ilha e o governo espanhol afirma que não haverá contato de quem desembarcar com a população local. Segundo o Ministério da Saúde da Espanha, os viajantes serão avaliados ainda a bordo, e só poderão deixar o navio quando toda a operação de repatriação estiver pronta. A ideia é fazer um desembarque rápido e controlado. Do porto, as pessoas que desembarcarem devem ser deslocadas diretamente para o aeroporto. De acordo com a ministra da Saúde da Espanha, Mónica García, todos os passageiros estrangeiros devem ser repatriados após o desembarque, caso não haja contraindicação médica. Estado de alerta Moradores e trabalhadores da região têm se demonstrado preocupados. Especialmente na ilha de Tenerife, onde o navio deve permanecer próximo da costa. Em entrevistas à AFP, locais disseram que o assunto domina as conversas dos últimos dias. Apesar disso, muitos defendem que os passageiros precisam receber ajuda humanitária. Além da repercussão que existe entre a população local, houve reação também por parte dos trabalhadores portuários. Um grupo de funcionários dos portos de Santa Cruz de Tenerife e Granadilla, representado pela organização “Trabalhadores pelos Portos de Tenerife” chegou a ameaçar bloquear as atividades portuárias por medo da falta de informações e de protocolos claros. Representantes da categoria acusam as autoridades de não explicarem exatamente quais medidas de segurança serão adotadas. Alguns trabalhadores disseram estar com medo de atuar diretamente nas operações de aproximação do navio. Há, inclusive, uma manifestação convocada para o meio-dia desta sexta-feira (7h em Brasília), em Santa Cruz de Tenerife. A insatisfação, no entanto, não é consenso entre os trabalhadores. O sindicato “Coordenadora Estatal de Trabalhadores do Mar”, que se apresenta como o principal do setor marítimo, divulgou um comunicado dizendo que não apoia paralisações nem protestos e que considera a decisão de manter o navio próximo à costa a alternativa mais prudente do ponto de vista sanitário. Tensão política A decisão de receber a tripulação do navio em território espanhol gerou desgaste entre o governo nacional e a administração regional das Ilhas Canárias. O chefe do executivo das Canárias chegou a reclamar de falta de informações e a dizer que Madri tomou decisões sem consultar as ilhas. O governo central negou e a ministra da Saúde, Mónica García, afirmou que houve, sim, um contato estreito com a administração regional. Depois de dias de tensão, o primeiro-ministro Pedro Sánchez telefonou para o líder regional, Fernando Clavijo, numa tentativa de conciliação. Além disso, o governante das Ilhas Canárias se reuniu, nesta quinta-feira (7), com a ministra da Saúde e com o ministro de Política Territorial, Ángel Víctor Torres. No encontro, os líderes falaram sobre a operação de desembarque. Em paralelo a isso, diferentes lideranças de oposição ao governo central cobram mais transparência sobre os protocolos sanitários e sobre os critérios usados para levar o navio até Tenerife. Houve divergências também dentro do próprio governo espanhol sobre a possibilidade de quarentena obrigatória para passageiros espanhóis que estão a bordo. Enquanto a ministra da Defesa, Margarita Robles, defendeu que a quarentena seria voluntária, a ministra da Saúde, Mónica García, mencionou que o Estado espanhol tem as ferramentas legais necessárias para impor o isolamento dos nacionais que estão no cruzeiro. Apesar disso, García ressaltou que o “bom senso” prevalecerá e que acredita que os envolvidos são “suficientemente responsáveis”. Enquanto isso, a Organização Mundial da Saúde segue monitorando o caso.

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  4. 5 DAYS AGO

    Lula busca diálogo com Trump sobre segurança e tenta blindar eleições brasileiras de interferência

    A agenda oficial divulgada pela Casa Branca prevê que Trump receba Lula às 11h da manhã desta quinta-feira (7) em uma cerimônia de boas-vindas reservada à imprensa oficial. Em seguida, os dois líderes participam de uma reunião bilateral no Salão Oval e depois de um almoço de trabalho no Cabinet Room. A área de segurança deve ser um dos principais focos do encontro, que acontece em um momento delicado da relação entre os dois países, marcado por tensões diplomáticas, disputas comerciais e divergências políticas. Luciana Rosa, correspondente da RFI em Washington  O encontro entre Lula e Trump foi classificado pelo governo americano como uma “visita de trabalho”. A viagem vinha sendo negociada desde março, mas acabou adiada por causa da escalada da guerra no Oriente Médio e do envolvimento dos Estados Unidos no conflito. Comitiva inclui ministros da Fazenda, Justiça e diretor-geral da PF Lula desembarcou nos Estados Unidos acompanhado de cinco ministros, além do diretor-geral da Polícia Federal Andrei Rodrigues, em uma composição que evidencia o peso político e estratégico das negociações. Entre os integrantes da comitiva estão o chanceler Mauro Vieira e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, que deve tratar diretamente das tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil e também da investigação americana envolvendo o Pix. Antes do encontro, Durigan afirmou que a expectativa do governo brasileiro é “normalizar a relação bilateral” e evitar que “elementos estranhos” prejudiquem a população brasileira. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Rosa, também participa das discussões econômicas. Já o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, abordará temas ligados às terras raras e minerais estratégicos, enquanto o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, e o diretor-geral da Polícia Federal integram as conversas voltadas à segurança pública e ao combate ao crime organizado. Nos bastidores, a principal preocupação do governo brasileiro é impedir que o PCC e o Comando Vermelho sejam classificados pelos Estados Unidos como organizações terroristas. Diplomatas do Itamaraty avaliam que uma decisão desse tipo poderia abrir espaço para uma maior interferência americana em temas de segurança pública dentro do Brasil. A presença do diretor-geral da Polícia Federal na comitiva também ganhou importância depois da crise diplomática registrada no mês passado entre os dois países. Na ocasião, o governo Trump expulsou o delegado da PF Marcelo Ivo, que atuava como oficial de ligação junto ao ICE, a polícia de imigração americana, após a detenção, na Flórida, do ex-deputado Alexandre Ramagem, considerado foragido pela Justiça brasileira. O Brasil respondeu com medidas de reciprocidade e expulsou um agente norte-americano que trabalhava em Brasília. Governo teme interferência americana nas eleições presidenciais brasileiras Outro ponto de preocupação do governo brasileiro é a possibilidade de interferência americana nas eleições presidenciais de outubro. O temor aumentou depois que Darren Beattie, assessor sênior do governo Trump, tentou visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão, em março deste ano. Na ocasião, o governo brasileiro cancelou o visto de Beattie, gerando mais um episódio de tensão diplomática entre os dois países. Integrantes do Itamaraty avaliam que a visita de Lula a Washington também funciona como uma tentativa de reconstruir canais de diálogo e reduzir o clima de desconfiança entre os dois governos. Casa Branca destaca “interesses econômicos e de segurança compartilhados” Ao confirmar a reunião, a Casa Branca afirmou que Lula e Trump devem discutir “interesses econômicos e de segurança compartilhados”. A imprensa americana tem destacado que o encontro acontece apesar dos meses de atrito entre os dois governos, marcados por disputas tarifárias, diferenças ideológicas e pelo caso Bolsonaro no Brasil. Segundo informações da agência Reuters, o bilionário brasileiro Joesley Batista, um dos donos da JBS, teve papel central na articulação do encontro entre os dois presidentes. Esta será a terceira reunião presencial entre Lula e Trump desde o início do atual mandato do presidente brasileiro.

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  5. 6 DAYS AGO

    Marco Rubio visita a Itália para reconciliar laços com Vaticano e governo Meloni

    Em meio a mais um ataque de Donald Trump ao papa, o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, chega nesta quarta-feira (6) à Itália, onde permanecerá até o dia 8 de maio. Amanhã ele será recebido no Vaticano por Leão XIV. Na sexta-feira se reunirá com a primeira-ministra Giorgia Meloni. Estão previstos também encontros com os ministros das Relações Exteriores, Antonio Tajani, e da Defesa, Guido Crosetto. Gina Marques, correspondente na Itália da RFI O principal objetivo de Marco Rubio é “reconciliar os laços” com o papa após os ataques de Donald Trump a Leão XIV. Mas o presidente dos Estados Unidos não está facilitando a missão do Secretário de Estado. Dois dias atrás,  em entrevista ao Salem News Channel – uma rede conservadora de base cristã – Trump afirmou que o papa “está colocando muitos católicos e muitas pessoas em perigo”, insinuando que Leão XIV é favorável a um possível arsenal nuclear para Teerã. O presidente disse: “Imagino que, se dependesse dele, seria perfeitamente aceitável que o Irã possuísse uma arma nuclear”. Leão XIV não tardou a responder. Sem citar o nome do presidente, o papa disse: “Se alguém quiser me criticar por pregar o Evangelho, que o faça com a verdade. A Igreja se manifesta contra todas as armas nucleares há anos, portanto, não há dúvidas quanto a isso”, declarou o pontífice na terça-feira (5) no encontro com os jornalistas em frente do Castel Gandolfo, nos arredores de Roma. O papa enfatizou que “a missão da Igreja é pregar o Evangelho, pregar a paz”. Ele concluiu: “Espero simplesmente ser ouvido pelo valor da palavra de Deus”. Impacto no eleitorado republicano Na manhã desta quarta-feira (6) durante a audiência geral na Praça de São Pedro, Leão XIV disse que a Igreja Católica “deseja instaurar o seu Reino de justiça, amor e paz para toda a humanidade”. O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, também reagiu às declarações de Trump, sublinhando que o Papa mantém a sua linha de atuação centrada na mensagem evangélica e na promoção da paz. “O Papa segue o seu caminho, no sentido de pregar o Evangelho, de pregar a paz”, afirmou ontem o cardeal Parolin, acrescentando que essa missão se mantém independentemente das críticas. No mês passado, Trump chamou o primeiro papa americano na história da Igreja de “fraco” e “terrível em política exterior” porque Leão XIV criticou a guerra no Irã. Depois das investidas, o pontífice respondeu que não tinha medo do governo Trump. Estes ataques têm afastado grande parte do eleitorado católico americano do presidente. Os eleitores republicanos católicos representam cerca de 20% e podem lhe virar as costas nas eleições de meio de mandato em novembro. Batizado católico logo após seu nascimento - e não convertido ao catolicismo na vida adulta como o vice-presidente J.D. Vance - Marco Rubio vai tentar remediar a crise provocada por Trump. Leão XIV completa nesta sexta-feira (8) seu primeiro ano como líder da Igreja Católica, que conta com 1,4 bilhão de fiéis. Ele manteve um perfil relativamente discreto no cenário global nos primeiros meses de seu papado, mas emergiu nas últimas semanas como um crítico declarado da guerra dos EUA e Israel contra o Irã. Cuba na agenda do Vaticano Após a audiência com Leão XIV, no Palácio Apostólico, no Vaticano, o chefe da diplomacia dos Estados Unidos encontrará o Secretário de Estado da Santa Sé, cardeal Pietro Parolin. Segundo o porta-voz do Departamento de Estado americano, Tommy Pigott, “o secretário Rubio se reunirá com a liderança da Santa Sé para discutir a situação no Oriente Médio e os interesses mútuos no Hemisfério Ocidental”, mas as tensões entre os EUA e Cuba poderão fazer parte das conversações de Rubio com o papa. Leão XIV também desaprovou as políticas anti-imigração do governo Trump e pediu diálogo entre os EUA e Cuba, país de maioria católica. Em fevereiro, quando o governo Trump intensificou o bloqueio ao fornecimento de petróleo a Cuba, o sumo pontífice disse estar profundamente preocupado com as tensões entre os dois países. O Vaticano tem agido como mediador e canal de diálogo entre os dois países, e teve um papel-chave no degelo das relações entre Cuba e Estados Unidos em 2015 promovido pelo Papa Francisco. Graças a um acordo com a Santa Sé, Cuba libertou 51 prisioneiros no último mês de março, num gesto que classificou como “espírito de boa vontade”. No ano passado, o governo cubano libertou 553 prisioneiros devido a um acordo com o Vaticano, após o ex-presidente Joe Biden anunciar a retirada de Cuba da lista americana de “Estados patrocinadores do terrorismo”. Trump rescindiu o acordo de Biden ao assumir o cargo, colocando o país caribenho novamente na lista, aplicando novas sanções à ilha. Marco Rubio é filho de imigrantes cubanos nos EUA. Ele já havia se encontrado com o pontífice, nascido em Chicago, durante a Missa que marcou o início de seu papado. Naquela ocasião, também estava presente o vice-presidente Vance. No dia seguinte, 19 de maio, foi realizado um encontro bilateral entre Leão XIV, Vance e Rubio. Encontro com Giorgia Meloni O ataque do presidente dos Estados Unidos ao papa também desencadeou uma crise diplomática com a primeira-ministra Giorgia Meloni. Até então a premiê, líder do partido de extrema-direita Irmãos da Itália (Fratelli d'Italia) era considerada por Trump como uma grande aliada europeia. No entanto, a guerra no Irã iniciada pelos Estados Unidos e Israel, com os danos econômicos do conflito, causou desaprovação no eleitorado conservador italiano. Por consequência, Meloni acabou se distanciando das posições do presidente americano. Diante das agressões de Trump a Leão XIV, a primeira-ministra chamou as palavras do presidente de “inaceitáveis”. O resultado é a Itália acabou na lista dos “vilões”. Trump acusou Meloni de  “falta de coragem”. “Não estou feliz com a Itália, ela não nos ajudou, acha que está tudo bem o Irã ter armas nucleares”, atacou o presidente, usando as mesmas palavras que também dirigiu à Espanha. Enquanto isso, na Alemanha, depois que o chanceler Friedrich Merz falou que os Estados Unidos estão sendo “humilhados” pelo Irã, o Pentágono anunciou a retirada de 5.000 soldados das bases no país. A Itália quer evitar que o governo de Trump decida aplicar uma medida semelhante e remover militares das bases estadunidenses na península que atualmente, conta com a presença de cerca de 12 mil militares americanos. Pauta com governo italiano O comunicado do Departamento de Estado dos EUA enfatiza que as reuniões com as autoridades italianas se concentrarão nos “interesses de segurança compartilhados e alinhamento estratégico” dos dois países. Isso significa que discutirão sobre a Otan e as bases militares americanas na Itália. Em março deste ano, a Itália impediu os Estados Unidos de usarem a base aérea de Sigonella, na Sicília, para uma operação no Oriente Médio porque aviões americanos planejavam pousar sem autorização nem consulta prévia. Após verificar que não eram voos rotineiros, o chefe do Estado-Maior informou o ministro da Defesa, Guido Crosetto, que ordenou negar o pouso. Entre outros temas na agenda está o Líbano — tendo em vista um possível encontro em Washington, no dia 11 de maio, entre o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e o presidente libanês Josef Aoun, ainda a ser confirmado por ambas as partes. Além disso, o papel da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) liderada pelo general italiano Diodato Abagnara. A retomada das tarifas também está na pauta, após o anúncio do presidente dos EUA, em 1º de maio, de um possível aumento de 25% nas tarifas sobre carros e caminhões provenientes da União Europeia.

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  6. 5 MAY

    Brasileiro detido em Israel tem prisão prorrogada e pode ser enquadrado na lei antiterrorismo do país

    A justiça israelense prorrogou até o próximo domingo (10) a prisão preventiva dos ativistas da "Flotilha de Gaza", detidos na costa da Grécia: o espanhol Saif Abu Keshek e o brasileiro Thiago Ávila. A decisão foi anunciada na audiência judicial realizada nesta terça-feira (5) em Ashkelon, no norte do país, onde os ativistas estão detidos.  Henry Galsky, correspondente da RFI em Israel O tribunal israelense aprovou, no domingo, uma primeira prorrogação de dois dias da prisão preventiva dos dois ativistas que faziam parte da flotilha, que buscava romper o bloqueio de Israel e do Egito à Faixa de Gaza. No total, 20 embarcações foram interceptadas e todos os ativistas foram enviados à Grécia, à exceção de Thiago Avila e de Saif Abu Keshek. Keshek é suspeito de filiação a uma organização terrorista, segundo o Ministério das Relações Exteriores de Israel; já Thiago Ávila é suspeito de “atividade ilegal”.  Em resposta à RFI, o Ministério das Relações Exteriores israelense declarou que “Ávila expressou publicamente apoio a diversas organizações terroristas, incluindo o Hezbollah, o Hamas e o regime iraniano”.  Em fevereiro de 2025, Thiago Ávila compareceu ao funeral do secretário-geral do Hezbollah, Hassan Nasrallah, morto no final do ano anterior por Israel. “Ávila foi implicado em múltiplas alegações de corrupção e enfrentou acusações de conduta inadequada com mulheres que participavam da flotilha. Ele também foi detido brevemente para interrogatório nos últimos meses em aeroportos da Bélgica, Panamá, Tunísia e Argentina”, declarou o ministério israelense.  Em nota, os Ministérios das Relações Exteriores do Brasil e da Espanha descreveram a situação como “sequestro” de seus cidadãos.  “Os governos do Brasil e da Espanha exigem do governo de Israel o retorno imediato de seus cidadãos, com plenas garantias de segurança, e que se facilite o acesso consular imediato para sua assistência e proteção”. Brasileiro diz ter sofrido tortura A Adalah, organização de direitos humanos em Israel que defende os dois ativistas detidos, informou que ambos estão sofrendo maus-tratos e abusos psicológicos. Segundo os relatos das advogadas da organização, Thiago Ávila contou ter sido submetido a interrogatórios de até oito horas de duração.   Ainda de acordo com a Adalah, os interrogadores o ameaçaram explicitamente, afirmando que ele seria “morto” ou “passaria cem anos na prisão”. Os ativistas são mantidos em isolamento total. Suas celas têm iluminação constante de alta intensidade 24 horas por dia, uma prática conhecida do Serviço Prisional Israelense projetada para induzir privação de sono e causar desorientação.  A RFI conversou com Lubna Tuma, advogada da Adalah que esteve com Thiago Ávila e que é responsável pela defesa do brasileiro. Segundo ela, a organização de direitos humanos israelense continua a exigir a libertação imediata dos dois ativistas e o fim dos procedimentos legais.  Tuma explicou também que, segundo a acusação israelense, Thiago Ávila é suspeito de cinco ofensas de segurança que se enquadram na lei antiterrorismo de Israel, como filiação a uma organização terrorista e assistência ao terrorismo durante período de guerra.  “É importante deixar claro que a acusação está buscando enquadrá-lo como alguém realmente perigoso. Isso é uma tentativa de exagerar a situação”, explicou.  Se a Justiça israelense condenar os ativistas, o tempo de prisão pode variar entre cinco a até mais de 20 anos.  As posições dos governos de Israel e Brasil Diante da abordagem e captura das embarcações em águas internacionais, o Ministério das Relações Exteriores de Israel disse à RFI que isso ocorreu devido ao “grande número de embarcações” e “à necessidade de evitar o rompimento de um bloqueio legal”. Israel considera que a ação ocorreu “em conformidade com o direito internacional”.  Sobre a acusação de violência contra os ativistas, o ministério disse à RFI que são “alegações falsas e infundadas preparadas previamente” e que Thiago Ávila e Saif Abu Keshek “não foram submetidos à tortura em momento algum”. Mas que causaram “obstrução física contra funcionários israelenses” que, por sua vez, “tiveram de agir para impedir tais ações”.  Ainda de acordo com a resposta de Israel aos questionamentos da RFI, “todas as medidas foram tomadas em conformidade com a lei”.  A RFI também entrou em contato com o Ministério das Relações Exteriores do Brasil que, em resposta, afirmou “estar prestando toda a assistência consular ao cidadão brasileiro e acompanhado as audiências na Justiça”.  Espanha e Brasil pediram a libertação dos dois. Madri criticou duramente a prisão, ocorrida em águas internacionais e a centenas de quilômetros de Israel, classificando-a como “completamente ilegal” e “inaceitável”. O Ministério das Relações Exteriores espanhol afirmou ainda que Israel não apresentou “nenhuma prova” de vínculos com o Hamas, que governa Gaza. A flotilha contava inicialmente com cerca de 50 embarcações e tem como objetivo, segundo os organizadores, romper o bloqueio israelense ao território palestino devastado pela guerra, onde o acesso da ajuda humanitária segue fortemente restrito. Com AFP

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  7. 1 MAY

    Acordo UE-Mercosul entra em vigor e abre mercado trilionário a exportações brasileiras

    Cinco mil produtos brasileiros ficaram isentos de tarifas no mercado europeu a partir deste 1° de maio. Após vinte e cinco anos de negociações, entra em vigor o acordo de livre comércio Mercosul-União Europeia. Nesta sexta-feira histórica, os líderes dos quatro países do Mercosul e os presidentes da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do Conselho Europeu, António Costa, participam de uma videoconferência para marcar a data. Vivian Oswald, correspondente da RFI em Brasília A Europa importa US$ 3,4 trilhões por ano. O valor é praticamente o mesmo que a soma das quatro economias do bloco do Cone Sul. Deste total comprado, a maior parte vem de dentro da própria UE, ou de nações com as quais o bloco europeu tenha acordos de preferência. Para o Brasil é uma espécie de "entrada em um clube". Pelos cálculos da ApexBrasil, dos cinco mil produtos isentos de tarifas, 543 itens se beneficiam da vantagem logo de cara, o que deve significar um aumento nas receitas de exportações de pouco mais de US$ 1 bilhão já no primeiro ano de vigência. Outros cinco mil produtos terão redução de impostos ao longo dos próximos anos. À RFI, o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, explicou que ingressar neste mercado é como entrar em uma sala exclusiva. "É um mercado que importa US$ 3,4 trilhões. E isso vai acontecer cinco vezes mais rápido para o Mercosul, em um mercado que é nove vezes maior do que o mercado que os europeus vão ter aqui”, disse Müller. A comparação se dá pelo fato de o Mercosul importar anualmente US$ 370 bilhões e de que mais produtos do Cone Sul estarem tendo tarifas zeradas neste primeiro momento do que os europeus. A União Europeia é o segundo maior importador do mundo, na frente da China, inclusive. Sistema de cotas Haverá cotas para alguns produtos. Vários itens, entre carnes bovinas, suínas, aves, mel, cachaça e alguns outros itens da pauta, terão cotas. Quer dizer, as exportações realizadas dentro desses limites terão tarifa zero. O que passar, não. As cotas ainda precisam ser distribuídas entre os países, e, dentro deles, entre as regiões, ou estados. Isso agora será conversado dentro dos blocos. O importante é que, uma vez rompida a barreira inicial, quer dizer, uma vez dentro do mercado europeu, fica mais fácil buscar as oportunidades. Isso porque os países dentro do bloco tendem a comprar muito entre si, ou de outras nações com quem tenham acordos preferenciais. É por isso que o presidente da ApexBrasil fala em "entrar em uma sala". A Alemanha, por exemplo, a maior economia da Europa, importa US$ 1,4 trilhão por ano. Só que 70% deste total vem da própria Europa, ou desses lugares com os quais o bloco tenha acordos. O difícil, segundo Laudemir Müller, era ter o acesso. Setores que vão decolar Entre os setores que se destacam com maior potencial de aumento de vendas estão aviões, por exemplo. A UE importa US$ 16 bilhões em aeronaves civis por ano, a uma tarifa de 2,7%. Mas esse percentual será zerado em quatro anos. E isso faz muita diferença e pode garantir vantagem competitiva sobre preço de um avião. O Brasil é o terceiro maior produtor de aeronaves do mundo e estava fora deste mercado. Líder mundial em motores elétricos de baixa tensão, o Brasil exportava para a UE apenas US$ 267 milhões. Mas o bloco importa quase US$ 10 bilhões por ano, também a uma tarifa de 2,7%. Para couros, como o Brasil tem o maior rebanho bovino comercial do mundo, a tarifa vai cair dos atuais 2% a 7% para zero. Hoje, o país vende US$ 227 milhões em couros para a UE, que importa nada menos que US$ 1,7 bilhão por ano. O caso das chamadas uvas de mesa é um dos mais emblemáticos. Os europeus compram de fora US$ 3,3 bilhões por ano. Com a tarifa de 8%, o Brasil exportava apenas US$ 65 milhões. A partir de agora, a tarifa é zero. E, segundo Müller, como as uvas viajam de avião para se manterem frescas, se forem embarcadas a partir desta sexta, chegarão à mesa dos europeus em 48 horas. Uma longa lista de produtos se beneficia a partir de agora: máquinas e equipamentos, combustíveis, automóveis e autopeças, materiais de construção, frutas, calçados e componentes de calçados, pedras e muitos outros. O setor de energia também se torna atraente, dada a matriz energética mais limpa do Brasil e seus parceiros no Mercosul. As diretrizes europeias exigem o uso cada vez mais de energias limpas. E isso é uma grande vantagem num momento em que o mundo vive uma crise nos preços de combustíveis sem precedentes por conta dos conflitos no Oriente Médio. Celebração e vitória diplomática O momento histórico será celebrado pelos líderes dos quatro países do Mercosul e os presidentes da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do Conselho Europeu, António Costa, em videoconferência para marcar a data. A implementação do entendimento, negociado ao longo de um quarto de século, é considerada uma vitória pessoal do presidente Lula e um gesto simbólico em um momento de crise do multilateralismo, uma bandeira do seu governo

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    Comissão Europeia aposta em benefícios iniciais do acordo com Mercosul para destravar ratificação

    Com aplicação provisória a partir desta sexta-feira,1° de maio, acordo comercial entre União Europeia (UE) e Mercosul inicia redução de tarifas sobre produtos estratégicos e já projeta impactos na economia europeia. Em Bruxelas, a Comissão Europeia aposta que os primeiros ganhos para empresas e consumidores ajudarão a consolidar apoio político à ratificação definitiva do tratado no Parlamento Europeu. Artur Capuani, correspondente da RFI em Bruxelas  A UE estima que nesta primeira fase de implementação, as novas quotas vão impulsionar em 50% as exportações de produtos agrícolas para o Mercosul. Além disso, a partir do mês que vem, a Europa terá 344 Indicações Geográficas Protegidas (IGPs) como o Parmigiano Reggiano e o vinho Bordeaux com proteção legal, impedindo a imitação desses produtos no mercado sul-americano. Ainda pendente de validação definitiva pelo Parlamento Europeu e sob análise da Justiça do bloco, o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul já altera o cenário comercial, com cortes imediatos de impostos em alguns setores estratégicos. Na sexta-feira entra em vigor provisoriamente o iTA (Interim Trade Agreement), Acordo Comercial interino, etapa que contempla a redução gradual de tarifas entre os dois blocos.  Principal articuladora do acordo, a Comissão Europeia vê a implementação interina como uma oportunidade para demonstrar, na prática, os benefícios econômicos do tratado e ampliar o apoio político para sua ratificação final. Em entrevista à RFI, o porta-voz de comércio da Comissão Europeia, Olof Gill, afirmou que a aplicação provisória deve trazer ganhos imediatos para empresas, trabalhadores e consumidores dos dois lados do Atlântico. A expectativa em Bruxelas é que os primeiros resultados concretos ajudem a convencer governos e eurodeputados ainda reticentes. Na sexta-feira, uma videoconferência entre líderes do Mercosul, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, deve marcar simbolicamente o início da nova fase do acordo. Primeiros impactos  Embora a eliminação tarifária completa esteja prevista para ocorrer ao longo de 15 anos, com 91% dos produtos europeus contemplados, alguns setores começam a sentir os efeitos imediatamente. Entre os produtos que já terão tarifas reduzidas ou até zeradas a Comissão espera observar benefícios imediatos nas exportações de automóveis, peças automotivas, maquinário, vinhos, azeite de oliva e produtos farmacêuticos, áreas consideradas prioritárias. No caso de automóveis e farmacêuticos, o potencial é especialmente significativo, já que esses itens enfrentavam algumas das tarifas mais elevadas no mercado sul-americano. A Comissão Europeia estima que o acordo permitirá uma economia de cerca de € 4 bilhões por ano em impostos para produtores europeus. Leia tambémUnião Europeia e Mercosul assinam acordo histórico de livre comércio após 25 anos de negociações Ratificação na UE Além do impacto econômico, a entrada em vigor provisória também revela a estratégia política adotada por Bruxelas para destravar o acordo. A Comissão Europeia dividiu o tratado em duas partes: o iTA, voltado ao comércio e redução tarifária, e o EMPA (EU-Marcosur Partnership Agreement), Acordo de Parceria, centrado em cooperação política. A separação permitiu avançar com a parte comercial sem depender de unanimidade no Conselho da União Europeia nem da ratificação pelos parlamentos nacionais dos 27 países do bloco. Apesar de o Conselho ter aprovado o texto por margem apertada, o Parlamento Europeu decidiu pedir uma análise da Justiça europeia para verificar se o procedimento adotado pela Comissão está em conformidade com as regras do bloco. Enquanto aguarda o parecer, Bruxelas acionou seu direito de colocar o acordo em aplicação interina. Se o tribunal validar o processo, o texto seguirá para votação no Parlamento Europeu, onde precisará de maioria simples. Segundo avaliações em Bruxelas, a disputa também promete ser apertada. É justamente nesse cenário que a Comissão aposta no efeito político dos primeiros resultados econômicos. A lógica em Bruxelas é que, se o acordo começar a gerar ganhos concretos para setores produtivos e consumidores europeus, aumentam as chances de transformar a implementação provisória em aprovação definitiva.

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Bate-papo com os correspondentes da RFI Brasil pelo mundo para analisar, com uma abordagem mais profunda, os principais assuntos da atualidade.

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