Francisco Mota Saraiva e João Dinis arriscam-se, pela primeira vez neste programa, nas fronteiras da poesia, percorrendo o espaço da casa de Adília Lopes, das suas sombras, dos seus objectos, das suas subtilezas. Como lhe chamaria a Autora, uma poesia feita de romances em miniatura, como assim é, dizemos nós, a beleza do óbvio (ou, como outro alguém diria, das pequenas coisas). Para partilharem o espaço da casa, convidaram a Márcia. Cantora, letrista, escritora, pintora, cronista, que, entre outras coisas mais, esta mulher do Renascimento, é também – espante- -se! – fazedora de vinho. Bom destino, um vinho verde, de 2024, e título de uma canção sua, é o seu vinho e uma luminosa, fresca e intensa companhia. É bom “Estar em Casa”, acompanhados pela Adília Lopes, pela Márcia e por todas essas vozes que saem dos fundos dos nossos sofás, debaixo das nossas mesas e tapetes, do interior dos armários e dos louceiros, dos brinquedos antigos, ou dos copos que ainda tilintam. São as coisas que sempre conhecemos, de que sempre ouvimos falar, mas que nunca ousámos dizer. É, por assim dizer, a sombra do bule.