O Sentido da Vida

Vamos partir do pressuposto de que não descobriremos o sentido da vida com este podcast, nem que surgirá uma epifania sobre o futuro da humanidade. Quanto muito, podemos tentar perceber o que é isto de Ser - algo que ressoe do outro lado do microfone. O que dizem os escritos antigos sobre o sentido da vida? E, já agora, o que diz o cidadão comum? Perguntamos a pensadores, mas também a anónimos na paragem do autocarro, o que é para eles o sentido da vida, o que raio andamos cá a fazer e como podemos levar uma vida que sim senhor. Este é um podcast sobre busca e, esperemos, algum encontro. Com Ana Delgado Martins.Um podcast Rádio Comercial.

  1. "Somos feitos de muitas vidas e muitos outros", com Mia Couto  

    07/07/2025

    "Somos feitos de muitas vidas e muitos outros", com Mia Couto  

    “As pessoas ficam mais abertas se aprenderem que são feitas assim, de muitas vidas e de muitos outros”. Mia Couto é um escritor e biólogo moçambicano, vencedor do Prémio Neustadt e do Prémio Camões, e sabe bem do que fala: “Devíamos ensinar logo na escola que somos feitos de tantos outros: nós somos só 10% humanos, o resto são outros - bactérias, vírus, fungos que nos compõem a todos e que não são inquilinos, são parte de nós próprios, fazem parte desta orquestra que compõe o que é um ser humano. Então se se ensinar uma criança a perceber o mundo desta maneira, dificilmente essa criança quando for adulta vai defender qualquer coisa que seja a ideia de raça pura, ou de etnia pura, ou que ‘sou eu que tenho completamente razão’. Num ano em que se celebram os 50 anos da independência de Moçambique, o escritor moçambicano defende que “a grande questão não é reparar o que ficou para trás mas encontrar caminhos de futuro em que se olhe para as pessoas, não por aquilo que elas são biologicamente ou que reproclamam ser, mas por aquilo que defendem, pelas ideias que têm, pelos interesses que defendem, pela moral que têm - isso seria o mundo ideal”. Mia Couto viu, recentemente, mais um dos seus livros adaptados ao grande ecrã: “O Ancoradouro do Tempo” foi realizado pelo moçambicano Sol de Carvalho, baseado no livro “A Varanda de Frangipani”, cujo argumento também ajudou a adaptar, mas diz que continua a preferir o seu ofício de escritor. Está neste momento a preparar um novo livro para breve.

    48 分鐘
  2. Estimular o lado criativo, com Maze

    23/06/2025

    Estimular o lado criativo, com Maze

    É um dos rappers mais conceituados em Portugal e escolheu a palavra como arma de intervenção. A poucos meses do regresso dos Dealema ao palco do Coliseu do Porto para os 30 anos da banda, a 20 de Fevereiro 2026, Maze vem ao Sentido da Vida falar-nos sobre as residências artísticas que tem ajudado a desenvolver: desde a Cartografia do Medo, um projeto desenvolvido para as Maratonas da Leitura da Sertã onde quinzenalmente reúne com um grupo de pessoas para explorar o tema do medo e o converter em escrita como meio de catarse; ao Beat na Montanha, um projeto de inclusão através da arte, realizado em parceria com a Câmara Municipal da Guarda e o TMG, para ajudar a desenvolver ferramentas de sensibilidade para a música, a fotografia e o design partindo das vivências dos participantes, primeiro nas Aldeias SOS da Guarda, depois num estabelecimento prisional e agora cerca de 30 alunos de uma escola da Guarda.   “Eu acho que toda a gente perde a sua criança”, diz o artista multidimensional, que além de rapper é também escritor, ativista, artista visual, formador e poeta.  “Principalmente no meio artístico em Portugal em que tens de sobreviver e não é fácil, tens de ter trabalhos das 9 às 5 que te ocupam o tempo e que não te permitem ser essa criança criativa o dia todo. Tu aí minas sempre um bocadinho esse compromisso de te manteres essa criança. Eu consegui manter, consegui não me esquecer dela, resgato-a e ela vem ao de cima. É claro que há momentos em que a vida tem de ser mais virada para essa sobrevivência e muito mais pragmática, para acompanhares o ritmo que a sociedade nos impõe. Eu tive a sorte de conseguir continuar com esse criativo vivo, mas conheço muitos amigos que criaram na sua adolescência e depois se resignaram porque a vida foi realmente difícil”, conta Maze no Sentido da Vida.

    54 分鐘
  3. Seguir um propósito, com Balolas Carvalho

    09/06/2025

    Seguir um propósito, com Balolas Carvalho

    Balolas Carvalho é uma mulher dos sete ofícios: jornalista, produtora, impact storyteller - até andou em digressão na Europa com artistas como os Metallica, Eros Ramazzoti ou a banda de Keanu Reeves. Mas, como a própria diz, faltava-lhe propósito. “Eu preciso de propósito, preciso de sentir que a minha vida faz algum sentido, e por muito que eu ame música e ame andar na estrada, eu preciso de sentir que estou a contribuir para algo que possa ter um impacto positivo na vida das pessoas, além do entretenimento. Não consigo dedicar a minha vida a uma banda quando posso dedicar a uma causa”, contou Balolas ao podcast Sentido da Vida.   A escolha compensou: largou tudo para ir para o Egito, onde conheceu a realizadora jordana Tanya Marar, que faria com ela o mini-documentário “Fragmented”, uma curta-metragem sobre um jornalista-ativista palestiniano que escapou ao genocídio em Gaza, nomeada na 68.ª edição do prestigiado Festival de Cinema de São Francisco.  Também relacionado com Gaza, está agora em pós-produção o documentário “Bukra” que Balolas Carvalho começou a fazer com a realizadora Diana Antunes há cinco anos sobre o campo de refugiados de Jenin, na Palestina. Jenin era a capital da resistência à ocupação militar não-violenta, onde viviam 16 mil pessoas num quilómetro quadrado e onde existia o Teatro da Liberdade. O campo de Jenin foi completamente destruído há poucos meses.

    1 小時 4 分鐘
  4. O poder do pensamento, com Luís Portela 

    02/06/2025

    O poder do pensamento, com Luís Portela 

    Quando era jovem e estudava para ser médico, Luís Portela teve um esgotamento. Foi um psiquiatra amigo da família que o ajudou a recuperar, ensinando-o a meditar. O homem forte da farmacêutica BIAL é hoje presidente da Fundação Bial, conhecida por financiar projetos de investigação científica, muitos deles em ângulos mortos da ciência, como a psicofisiologia e até mesmo a parapsicologia. “Fazia-me impressão que a humanidade, sob o ponto de vista da fé, aceitasse tudo e mais qualquer coisa. E quando não entendiam as coisas chamavam de mistérios, milagres - e era uma coisa que não se dava muito bem comigo. Até porque essa mesma humanidade, num outro extremo do ponto de vista científico, dizia que nada disso existia e que não era nada (...) Parecia-me que era adequado o caminho do meio: as pessoas admitirem os fenómenos descritos desde a Antiguidade e procurarem estudá-los, não para demonstrar que são verdade ou que são mentira, apenas para levantarem o véu da ignorância, para perceberem o que é”, conta Luís Portela ao podcast Sentido da Vida com Ana Delgado Martins.  Luís Portela foi médico no Hospital de São João, professor universitário, e quando tudo parecia querer lançá-lo numa carreira académica na medicina, abraçou a herança que trazia do tempo do avô, tirando a Bial do vermelho e questionando aquele que seria o seu próprio propósito. Nos últimos 31 anos, a Fundação Bial já financiou quase 2 mil investigadores de todo o mundo a aplicarem o rigor do método científico a temas pouco explorados na ciência.  Também financiada pela Fundação, a série “Para Além do Cérebro”, exibida na RTP e RTP Play, explora a mente humana, abordando temas como a telepatia, experiências de quase morte e mediunidade, com contribuições de 50 especialistas mundiais nas áreas de neurociências, psicologia, psiquiatria, física e parapsicologia.   Para Luís Portela, o poder do pensamento é fundamental: “Se percebermos que mesmo bem intencionados, de repente estamos a pensar negativo - não é só querer bater no outro ou querer fazer uma maldade qualquer, muitas vezes é apenas pensar ‘eu não sou capaz de fazer isto’ - e estamos a carrilar para nós e para quem está à nossa volta energias de característica negativa que vão fazer com que as coisas corram mal e corram mal aos outros. Se percebermos esta trapalhada, se percebermos que estamos a dar um contributo negativo à escala mundial, se calhar vamos ter mais cuidado”, remata.  Detentor da Medalha de Mérito da Ciência, atribuída pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Luís Portela é também Comendador da Ordem do Mérito, de que mais tarde veio a receber a Grã-Cruz. Tem também vários livros publicados, como “Da Ciência ao Amor” ou “Ser Espiritual - Da Evidência à Ciência”. Uma conversa serena e profunda com um homem que cruza dois mundos que pareceriam ter tudo para colidir: a ciência e a espiritualidade.

    1 小時 11 分鐘

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Vamos partir do pressuposto de que não descobriremos o sentido da vida com este podcast, nem que surgirá uma epifania sobre o futuro da humanidade. Quanto muito, podemos tentar perceber o que é isto de Ser - algo que ressoe do outro lado do microfone. O que dizem os escritos antigos sobre o sentido da vida? E, já agora, o que diz o cidadão comum? Perguntamos a pensadores, mas também a anónimos na paragem do autocarro, o que é para eles o sentido da vida, o que raio andamos cá a fazer e como podemos levar uma vida que sim senhor. Este é um podcast sobre busca e, esperemos, algum encontro. Com Ana Delgado Martins.Um podcast Rádio Comercial.

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