No escuro

Vamos falar de cinema e de outras coisas também. Para entender o mundo através dos filmes, com Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara.

Episodios

  1. HACE 3 DÍAS

    Como Ingmar Bergman nos leva de "Valor Sentimental" a João Canijo

    Uma estreia, uma memória, um desaparecimento —​ tragicamente, e misteriosamente, ligados neste episódio. Valor Sentimental, do norueguês Joachin Trier, que chegou às salas portuguesas, é o "filme europeu do ano", segundo os prémios da Academia Europeia de Cinema. Chegará aos Óscares com nove nomeações. Valor simbólico, tem-no: com o seu arcaboiço memorialista, pendor reflexivo sobre o cinema, encarrega-se de personagens e temas que o cinema europeu em tempos fez seus até com vantagem sobre o cinema norte-americano — Ingmar Bergman, evidentemente... Foi numa época em que os filmes eram operações de prestígio visitadas por um público adulto, ardente e (mais) temerário. Para resumir: os grandes planos dos rostos, aqui de Stellan Skarsgaard, Renate Reinsve e Inga Ibsdotter Lilleaas, premiados e nomeados a prémios, voltam a ser eleitos, reeleitos, pelo ecrã. "Quando as pessoas dizem 'isto lembra-me Persona', 'isto lembra-me Fanny e Alexander'" — isto é, quis dizer Joachin Trier na entrevista que deu ao Ípsilon, quando as pessoas dizem que Valor Sentimental lhes lembra Bergman — "tomo isso como um elogio. Não quis roubar, não quis imitar, mas falemos disso então. Até porque na Noruega há muitos jovens que nunca ouviram falar de Ingmar Bergman. Que sortudo sou por ele ter existido. Bergman foi muito importante para Woody Allen. E a forma como Woody Allen lidou com essa presença, em filmes de uma enorme profundidade, é muito importante para mim". Falamos, então, de Ingmar Bergman neste episódio. De Sonata de Outono (1978), o título que juntou na Noruega os dois Bergman mais famosos da Suécia, Ingmar e Ingrid. História também, como em Valor Sentimental, do sentimento de abandono de uma filha. Mas vejam só: Sonata de Outono era um filme de cabeceira de João Canijo, que o terá inspirado para o díptico Mal Viver/Viver Mal. Canijo: o realizador português que desapareceu, aos 68 anos, a semana passada; Canijo: o cineasta português contemporâneo que foi colocado ou se colocou mais à margem — sendo o seu cinema vocacionado esplendidamente para o centro; o mais incompreendido, nunca hesitou em incomodar. Uma hipótese para esta relação complexa: ao contrário da era em que Bergman se tornou um cineasta do mainstream, o espectador de hoje vai em busca de epifanias e tem medo de se magoar. Oiça a conversa em No Escuro. É um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara, para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A música do genérico é um excerto de The Hidden Desert, gentilmente cedido pelo Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe Mcphee, Kent Kessler e Chris Corsano). Vamos libertar o cinema. Vamos tentar entender o mundo através dos filmes. Vamos falar de cinema? Sim, e vamos falar de outras coisas também. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    51 min
  2. 30 ENE

    Lembrar ou esquecer as ditaduras: O Agente Secreto visto com José Miguel Wisnik

    Por estes dias, e até à noite de Hollywood, a 15 de Março, os Óscares serão também o sítio das cores verde e amarelo. Por causa de O Agente Secreto. Já começou a guerrilha brasileira na internet. "The Oscar without brazilians is just plain boring?". Pode ser. Mas que não seja só um exotismo. Para já, teremos de agradecer aos fãs brasileiros o facto de, com as batalhas travadas no ano passado, o ano de Ainda Estou Aqui, a cerimónia da Academia de Hollywood se ter tornado verdadeiramente global. É a altura, em suma, de regressarmos a O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, nomeado em quatro categorias, entre elas a de melhor filme, melhor filme internacional e melhor actor (Wagner Moura), que continua em exibição nas salas portuguesas, a chegar aos 70 mil espectadores. Nesta viagem — pelo Brasil da ditadura e do apagamento da memória, mas também pelo país do carnaval e da libertação e da inversão das regras, o Brasil da grande promessa — acompanha-nos José Miguel Wisnik, curador da exposição Complexo Brasil, na Gulbenkian, e ele próprio um cinéfilo, que coloca Brasil e Portugal a olharem-se olhos nos olhos. Como de resto o filme de Kleber, que também é um filme actual para os portugueses. Oiçam esta conversa. No Escuro é um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara, para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A música do genérico é um excerto de The Hidden Desert, gentilmente cedido pelo Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe Mcphee, Kent Kessler e Chris Corsano). Vamos libertar o cinema. Vamos tentar entender o mundo através dos filmes. Vamos falar de cinema? Sim, e vamos falar de outras coisas também. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    43 min
  3. 23 ENE

    Qual é o filme mais político, "Batalha atrás de Batalha" ou "Orwell 2+2=5"?

    Estamos No Escuro. Vamos falar de cinema, de realizadores e de actores, de cidades e de política; de poder e de democracia, dos que são livres e dos que foram subjugados, da realidade e dos nossos fantasmas. Neste primeiro episódio de um novo podcast do PÚBLICO, discutimos as nomeações para os Óscares – que filmes se destacam nesta época de prémios, que peso têm as campanhas de promoção, e o que é que as escolhas revelam sobre a forma como se está a olhar a produção do último ano. Como se previa, Batalha Atrás de Batalha, de Paul Thomas Anderson, teve muitas nomeações (13) mas mesmo assim foi ultrapassado por Pecadores, de Ryan Coogler, com 16, um recorde de sempre. E O Agente Secreto, no meio de tudo isto? O rufar dos tambores no Brasil já ecoa pelo mundo. Falamos também da estreia da semana, Orwell 2+2=5, o documentário do cineasta haitiano Raoul Peck – um filme profundamente político para arrancar um ano que ainda agora começou mas que já pede, com urgência, filmes como este. Que nos despertem. Será que, à nossa volta, tudo é Orwell (outra vez)? No Escuro é um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara, para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A música do genérico é um excerto de The Hidden Desert, gentilmente cedido pelo Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe Mcphee, Kent Kessler e Chris Corsano). Vamos libertar o cinema. Vamos tentar entender o mundo através dos filmes Vamos falar de cinema? Sim, e vamos falar de outras coisas também. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    44 min

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Vamos falar de cinema e de outras coisas também. Para entender o mundo através dos filmes, com Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara.

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