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  1. A corte de Roberto Martínez está fora do Mundial. Estava escrito nas estrelas

    13 hr ago

    A corte de Roberto Martínez está fora do Mundial. Estava escrito nas estrelas

    À partida, poucos portugueses acreditavam que a selecção nacional fosse capaz de resistir à máquina trituradora da Espanha. Mas a selecção contrariou as piores previsões e resistiu. Pelo menos até ao momento em que o jogo exigia respostas vindas do banco. Respostas que implicavam frescura física, força moral e determinação para equilibrar o crescente ascendente da Espanha. Não veio essa resposta e Portugal sucumbiu. Não porque se ficasse com a sensação de que a equipa nacional era claramente inferior aos seus adversários. Sucumbiu principalmente porque lhe faltou um líder capaz de lhe incutir determinação, vigor e coragem para acreditar que a vitória estava, como esteve na primeira parte, ao seu alcance. Faltou-lhe um treinador. Como a generalidade dos especialistas, jornalistas ou treinadores, tinham avisado, a selecção estava viciada numa escolha de onze jogadores que não se explicava pela sua forma, mas pelo seu estatuto. Neste jogo com a Espanha, o aviso fez mais sentido do que nunca. Como se em causa estivesse uma corte de nobres, havia duques e marqueses com lugar garantido à mesa do rei, mesmo que estivessem fora de forma ou mesmo que o seu desgaste fosse mais do que evidente. Ao insistir em Ronaldo todo o jogo ou num Bruno Fernandes claramente abaixo do que vale, Roberto Martínez subverteu por completo a noção do mérito e da justiça relativa que fazem a coesão das equipas. Não, Portugal não jogou mal. Mas não merecia a vitória, como não mereceu mais do que o empate frente à Colômbia ou ao Congo. Da mesma forma, Cristiano Ronaldo, que com 41 anos viveu o seu último mundial, não merecia esta exposição que tornou claro aos olhos do mundo o seu natural declínio físico – como nós, é um ser humano. Jogar todos os jogos até ao fim, com excepção do jogo com a Croácia, foi um castigo que o treinador lhe impôs. Já tinha acontecido no Catar e aconteceu contra a Croácia: Gonçalo Ramos só não jogou este jogo porque Portugal não tinha um treinador. Portugal merecia mais, porque tem jogadores de qualidade mundial – Diogo Costa, merece especial menção neste Mundial. Os que foram à América e outros que só não foram, lá está, porque Martínez escolheu não uma equipa de futebol, mas uma corte de nobres fechada. Felizmente para Portugal, Martínez vai embora. Depois de ter enterrado uma das melhores selecções da Bélgica, enterra uma geração de ouro do futebol nacional. Que tenha sorte na Arábia, onde as sheiks e os próximos da casa de saud têm lugar garantido à mesa do rei. Mas vamos tentar saber o que aconteceu com quem sabe mesmo de bola. Com o Nuno Sousa, um dos editores de Desporto do PÚBLICO. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    18 min
  2. A América faz anos e merece os parabéns, apesar dos desgostos que nos dá

    4 days ago

    A América faz anos e merece os parabéns, apesar dos desgostos que nos dá

    No dia 4 de Julho de 1776, cumprem-se neste sábado 250 anos, um novo país nascia no outro lado do Atlântico. Representantes das 13 colónias britânicas da América do Norte tinham chegado à conclusão de que não podiam continuar dependentes do poder político com sede em Londres. Numa reunião histórica em Filadélfia, declararam a independência dos Estados Unidos da América, celebraram com vinho Madeira e, anos mais tarde, aprovaram uma Constituição que trouxe novos horizontes à relação entre a soberania do povo e os seus representantes. Nada seria como antes depois desse texto fundamental. Ao atribuir a nós, o povo, a origem do poder político, os constituintes americanos abriram portas a novas formas de Governo, um governo do povo, pelo povo e para o povo. Pelo caminho, recusaram o direito divino dos reis ou toda e qualquer forma de autocracia ou oligarquia. Ao longo destes 250 anos, nem todas as premissas do espírito da revolução americana foram cumpridas. A sua história é, e continua a ser, marcada por episódios de violência e de negação do princípio segundo o qual todos somos iguais perante a lei. A declaração dos direitos do homem foi demasiadas vezes contestada em abusos do poder, em assassinatos políticos ou numa guerra civil que teve o esclavagismo como causa.   Mas, apesar de todas as vicissitudes, a América tornar-se-ia um farol da liberdade, dos direitos individuais e do equilíbrio dos poderes. A plenitude dos direitos civis entre brancos e negros demorou quase 200 anos a ser conseguida, mas para milhões de seres humanos, o sonho americano tornou-se um farol e um propósito. O país onde todos tinham possibilidade de acreditar que a sua origem social era um ponto de partida, não uma condenação.   Muitos desses valores democráticos e liberais estão hoje particularmente em causa com a administração Trump. O poder político ingere no poder judicial. A oligarquia firma os seus interesses por oposição ao interesse geral. O ideal de liberdade, de estabilidade do sistema do direito internacional, conquistado em grande parte pelos Estados Unidos, está ameaçado. Mas não é com um abalo que as conquistas da revolução de há 250 anos ficam destruídas. Nas manifestações de rua o mote é ainda "no kings", não há reis. Há juízes, universidades e políticos que resistem. A América liberal luta. Vamos discutir estes e outros temas com um reconhecido especialista em Direito Internacional. Chama-se Azeredo Lopes e é professor no Centro Regional Norte da Universidade Católica. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    21 min
  3. Mau sinal: este ano não vai haver mais cortes adicionais no IRS

    30 Jun

    Mau sinal: este ano não vai haver mais cortes adicionais no IRS

    Há cerca de um mês, Luís Montenegro fez uma viagem no tempo, recuou ao longínquo dia 28 de Setembro de 1992 e recuperou uma tese de Braga de Macedo, então ministro das Finanças, que ficou para a História: Portugal é um oásis no deserto aflitivo das contas públicas da Europa. Em bom rigor, há um mês atrás a declaração de Montenegro soava a optimismo exagerado, mas ninguém punha em causa a excelente saúde das finanças do Estado. Mas num mês acontece muita coisa e talvez não seja má ideia voltar atrás e deixar uma pergunta: se fosse hoje, o primeiro-ministro teria o mesmo arrojo em pintar um quadro tão favorável. Talvez não. Vamos a factos: No primeiro trimestre do ano, as contas públicas  registaram um défice de 0,7% do PIB. Ou seja, a diferença entre o que o estado arrecadou e o que gastou nesse período foi negativa em 510 milhões de euros. Foi a primeira vez desde 2022 que Portugal iniciou um ano com um défice orçamental no primeiro trimestre. Depois, no futuro próximo, a recuperação será difícil. Há um consenso nas organizações internacionais de que o crescimento do produto em Portugal será menor do que o esperado pelo Governo. Ou seja, acabaram as folgas para cortes adicionais no IRS como nos últimos anos. E, a acreditar no ex-governador de Portugal, Mário Centeno, Portugal não cumpre desde 2024 as regras financeiras da União Europeia. Daqui a dois anos, terá de fazer um corte de 12 mil milhões de euros ao que gasta, diz o economista. Mas, talvez ainda mais preocupante que estes sinais da conjuntura, são os dados de fundo da economia portuguesa. As exportações portuguesas, que na era da "troika" passaram de 30 para 49,5% do PIB, estão a recuar. Hoje representam cerca de 43,5% do produto. E, mais desanimador ainda, ou para usar a expressão do director da faculdade de economia do Porto, Óscar Afonso, um ‘murro no estômago’ da Nação, soubemos na semana passada que somos 11,4 milhões de pessoas, não os 10,6 milhões, número que usávamos para calcular a riqueza nacional. O bolo pode crescer um pouquinho, mas é certo entre os economistas que a riqueza dos portugueses em comparação com a média da União Europeia coloca-nos numa situação deplorável. Em vez dos 81,3% de riqueza da média europeia, estamos agora com os novos dados da população em 77%, nas contas de Óscar Afonso. Ou seja somos o sexto país mais pobre em rendimento per capita dos 27 Estados Membros da União. Caímos na realidade? O discurso do oásis que os governos de António Costa e Luís Montenegro nos andavam a vender não passaram de propaganda? Oportunidade para falarmos com Ricardo Arroja, economista, académico, ex-presidente da AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal) e colunista do PÚBLICO. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    20 min
  4. Nancy Gomes: “Vamos ter problemas para perceber a dimensão desta catástrofe na Venezuela”

    26 Jun

    Nancy Gomes: “Vamos ter problemas para perceber a dimensão desta catástrofe na Venezuela”

    A terra tremeu na Venezuela. Dois sismos, quase em simultâneo, de magnitude superior a 7 na escala de Ritcher, derrubaram edifícios em várias cidades e provocaram, até ao momento, quase duas centenas de mortos e desalojaram milhares de pessoas. O ministério dos Negócios Estrangeiros confirmou a morte, pelo menos, de um cidadão português, que foi retirado com vida dos escombros, mas que morreu a caminho do hospital, e o desaparecimento de outros quatro. O número real de vítimas deve ser bastante mais elevado. Segundo estimativas do Serviço Geológico dos Estados Unidos, há uma forte probabilidade de que venham a ser registadas mais de dez mil vítimas mortais. A ONU está a coordenar “o envio rápido de equipas de busca e salvamento urbano”, vindas de todas as partes do mundo. Portugal vai enviar uma equipa de 53 profissionais de emergência médica e salvamento e a Comissão Europeia activou o Mecanismo de Protecção Civil da União Europeia para responder de forma coordenada. A convidada deste episódio é a lusovenezuelana Nancy Gomes, professora na Universidade Autónoma de Lisboa, onde lecciona e coordena a Cátedra de Estudos Iberoamericanos. Nancy Gomes, que lançou, ontem, o livro Venezuela, país em Suspenso, considera que será difícil perceber a "verdadeira dimensão desta catástrofe". See omnystudio.com/listener for privacy information.

    17 min

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