Hora Americana - Podcast de História das Américas

Hora Americana

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  1. Aug 25

    #107 - História do Antifeminismo na América Latina

    Você acha que os ataques aos direitos das mulheres e o antifeminismo são fenômenos da era dos algoritmos? O novo episódio do podcast Hora Americana convida a olhar para essa história de outro modo. Para investigar as raízes históricas dessa reação conservadora, nosso podcast recebe a historiadora Thais Batista Rosa Moreira, mestre e doutoranda pela USP. Ao longo da conversa, você vai descobrir como o humor e a sátira gráfica das primeiras décadas do século XX foram usados para ridicularizar e deslegitimar as lutas das pioneiras da luta sufragista na América Latina. A convidada apresenta a histórica metáfora do “mundo às avessas”: uma fantasia caricata em que homens seriam transformados em donos de casa submissos enquanto mulheres gigantes dominariam o espaço público. A imagem revela como o pânico moral de ontem guarda semelhanças surpreendentes com os debates de hoje. O episódio também explora as diferenças entre os antifeminismos na América Latina. Na Argentina, o chamado “antifeminismo inquieto” estava associado à preocupação com a preservação da ordem social. No Brasil, o “antifeminismo depreciativo” recorria com mais frequência à zombaria e à ridicularização visual para desqualificar as reivindicações das mulheres. A conversa aborda ainda algumas contradições incômodas: a participação de mulheres na reprodução desses discursos e a presença histórica do rechaço ao feminismo em setores da esquerda - percurso que passa pelos revolucionários anticlericais mexicanos e chega a Betty Friedan, autora de Mística Feminina, e ao conhecido embate com a equipe do jornal O Pasquim durante a ditadura militar brasileira. Mais do que simplesmente explicar de onde vem o antifeminismo, o episódio ajuda a compreender sua configuração no presente, colocando em perspectiva aquilo que permanece e aquilo que mudou ao longo do tempo. Ao colocar diferentes momentos históricos em diálogo, a conversa revela tanto a permanência de certos argumentos e estratégias de oposição às reivindicações das mulheres quanto as transformações provocadas por novos contextos e formas de mobilização. Essa perspectiva permite compreender as idas e vindas dessas lutas e perceber como as reações a elas também contribuíram para definir os caminhos e a temporalidade das duras conquistas obtidas. Prepare os fones de ouvido e venha compreender as disputas do presente através das lentes afiadas da história.

    #107 - História do Antifeminismo na América Latina
  2. Jul 28

    #80 - História da Jamaica

    Neste episódio do Hora Americana, te convidamos a explorar um pouco da rica e complexa história da Jamaica, a terceira maior ilha do Caribe. A ilha, que era ocupada pelos povos Aruaque, passou pela colonização espanhola no século XVI e a subsequente dominação inglesa. Atualmente, a Jamaica é uma democracia parlamentar e monarquia constitucional, sendo o rei inglês Carlos III o Chefe de Estado e a mais alta figura cerimonial. Vale dizer, o rompimento com a Inglaterra passou a ser recentemente discutido, já que a tradição reforça vínculos com o passado colonial e escravista. A introdução massiva de africanos escravizados criou um desbalanço demográfico tenso e produziu revoltas como a Guerra Batista, até que a abolição da escravidão se fez em 1833. Em se tratando do empoderamento e união entre africanos e afrodescendentes, a Jamaica foi o berço de Marcus Garvey, idealizador de uma corrente de pensamento que influenciou figuras como Malcolm X e Nelson Mandela, inspirou o movimento pelos direitos civis nos EUA e contribuiu para o surgimento do rastafarianismo. A independência da Jamaica, em 1962, foi seguida por um período turbulento de rivalidade entre o Partido Trabalhista e o Partido Popular Nacional, exacerbado por conflitos entre facções armadas nas ruas do país. Em 1978, Bob Marley, que havia sido vítima de um atentado dois anos antes, participou de um histórico concerto pela paz, onde fez os líderes políticos rivais darem as mãos no palco, gerando uma imagem emblemática que escolhemos para ilustrar o episódio. Durante a entrevista, buscamos conhecer o período colonial da Jamaica, disputada por espanhois e ingleses, o funcionamento do sistema escravista e as rebeliões de escravizados. Discutimos também como foi a abolição e como se relacionavam os diferentes estratos da população. A conversa passou pelo surgimento do movimento rastafari, suas raízes religiosas e como ele se transformou em um grande símbolo de resistência. Por fim, debatemos o processo de Independência da Jamaica, suas origens e os impactos de determinadas ideias dentro e fora do próprio país, as fortes disputas políticas pós-independência e o possível rompimento com a Inglaterra. Nosso convidado foi Danilo Rabelo, professor Associado da Universidade Federal de Goiás e pesquisador, entre outros temas, de História da Jamaica Pós-Colonial. Imagem do Episódio: Bob Marley unindo as mãos de Michael Manley e Edward Seaga no One Love Peace Concert em Kingston, Jamaica, em 1978 | Disponível em: https://cutt.ly/PeDdAyl1 Hora Americana, seu podcast quinzenal de história das Américas. Acompanhe nossas redes sociais: @HoraAmericana

    #80 - História da Jamaica
  3. Jun 30

    #106 - A Independência do México

    Prepare-se para uma jornada fascinante pelas raízes da liberdade mexicana no novo episódio do podcast Hora Americana, onde exploramos como um simples grito em 1810 desencadeou uma das transformações políticas e sociais mais complexas do continente. Neste encontro com a historiadora Laís Olivato, desvendamos os mistérios por trás do movimento liderado pelo padre Miguel Hidalgo, que uniu de forma surpreendente a devoção à Virgem de Guadalupe, alçada ao posto de "capitã geral" das tropas, a um exército popular composto por indígenas e mineiros famintos por justiça social e pelo fim da precariedade colonial. Você descobrirá que a luta pela independência não foi travada apenas com espadas, mas também no silêncio de sociedades secretas e na coragem de mulheres como Leona Vicário e Josefa Ortiz de Domínguez, que transformaram a esfera privada em centros de articulação revolucionária e financiamento clandestino. Surpreenda-se com detalhes reveladores da resistência, como o fato de a imprensa insurgente ter utilizado o chumbo de suas próprias munições para fundir tipos e imprimir as ideias iluministas que circulavam em praças e tabernas, alcançando até mesmo aqueles que não sabiam ler. Das conspirações em Querétaro à curiosa transição de um México que nasceu como império antes de se consolidar como república federal em 1824, este episódio convida você a entender como as vozes de grupos marginalizados e de heróis e heroínas anônimos moldaram a soberania nacional. Ao conectar o passado aos gestos simbólicos da atual presidência de Claudia Sheinbaum, mergulhamos em um debate essencial sobre representatividade e a construção contínua de uma pátria livre e independente. Não perca esta conversa que ilumina as disputas e os sonhos de um povo que, a cada 15 de setembro, reafirma sua existência diante do mundo.

    #106 - A Independência do México
  4. Jun 16

    #105 - A História das Mulheres na Conquista

    Você já se perguntou por que a história da conquista do México foi, durante séculos, contada quase exclusivamente por vozes masculinas e sob uma lógica de heróis e vilões? O novo episódio do podcast Hora Americana parte desse silêncio para mergulhar nas trajetórias complexas e plurais das mulheres que habitaram, lutaram e negociaram em um mundo em profunda transformação. Partindo da recente e simbólica decisão do governo mexicano de homenagear mulheres indígenas com estátuas no Paseo de la Reforma, conversamos com a historiadora Gabriela Theodoro para abordar trajetórias femininas como a da indígena Malintzin, conhecida ainda hoje como "Malinche", questionando visões simplistas que a descrevem como uma “traidora” e buscando compreendê-la a partir do complexo papel de tradução e negociação que exerceu junto aos espanhóis. Neste episódio, exploramos como as sociedades mesoamericanas operavam sob uma lógica de complementaridade de gênero, onde o papel feminino, embora distinto do masculino, era vital para o equilíbrio cósmico e social, chegando ao ponto de mulheres mortas no parto serem divinizadas como guerreiras caídas em combate. Investigamos o contraste entre esse universo e o rígido patriarcalismo das espanholas que cruzaram o oceano, como Maria de Estrada, que desafiou as expectativas de sua época ao empunhar armas e lutar a cavalo ao lado dos soldados. A discussão revela ainda as nuances da agência feminina em meio à coação, destacando a trajetória de Isabel Montezuma, filha do imperador asteca que, após sucessivos casamentos forçados e violências, tornou-se uma poderosa encomendera e deixou em seu testamento ordens para libertar os indígenas sob seu controle. Falamos também sobre como o gênero foi utilizado como arma política em algumas crônicas da época, que associavam a derrota de líderes como Montezuma a um suposto caráter "efeminado". Este é um convite para retornarmos às fontes históricas na tentativa de descobrir que a conquista não foi um embate entre dois lados isolados, mas um processo tecido por mulheres que foram, ao mesmo tempo, vítimas e protagonistas de sua própria história.

    #105 - A História das Mulheres na Conquista

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