Balanço e Fúria

Rodrigo Corrêa

Um podcast dedicado a interpretar as relações entre música e política.

  1. Da fábrica de bico à fábrica de Marighella – pesquisas e tecnologias entre funk, trap e grime, com Fleezus

    Apr 28

    Da fábrica de bico à fábrica de Marighella – pesquisas e tecnologias entre funk, trap e grime, com Fleezus

    A música Fábrica de Bico, do MC Zói de Gato, pode ser considerada um dos marcos em termos de consumo de música pela internet no Brasil. O registro mais antigo no YouTube é de 16 anos atrás, e o vídeo mais acessado tem cerca de 13 milhões de visualizações. Mas a música é mais antiga que isso, e seu impacto foi maior. Muito provavelmente, essa é uma impressão localizada, especialmente para quem cresceu no estado de São Paulo no começo dos anos 2000 e estudou em escola pública. Ainda assim, a combinação de MC Zói de Gato, MC Bill e Bolinho com “Buffalo Bill” e “Bonde da Juju”, do Backdi e Bio G3, remonta a uma paisagem que pode ser enriquecida por três elementos: o celular Motorola V3, a Escola da Família e as lan houses. Por um lado, esses sons foram virais. Jovens periféricos, independentemente do gênero musical que preferiam, não escapavam de refrões que se tornavam clássicos quase instantaneamente. Por outro, vemos ali um modo de produção, da música aos clipes, que não só antecipou, mas pautou produções futuras, como as do Kondzilla, e contaminou, de um jeito ou de outro, linguagens mais recentes, como o trap e o grime. Pegando o bonde dessa história a partir de Zói de Gato, conversamos com Fleezus sobre o que marca o gosto e as pesquisas dessa geração paulistana no começo dos anos 2000 e como isso representa um fio que liga outras estéticas e discursos.

    56 min
  2. Quantos latinos um gringo aguenta? com Claudia Manzo

    Apr 6

    Quantos latinos um gringo aguenta? com Claudia Manzo

    2026 começou marcado por uma série de acontecimentos que colocaram a América Latina no centro de disputas culturais e políticas. Do sequestro de Maduro, passando pela apresentação de Bad Bunny no Super Bowl, até o estrangulamento ainda mais violento dos Estados Unidos em relação a Cuba, vemos como cada um desses momentos produz impactos distintos no público. A euforia, o engajamento, ou a ausência deles, oferecem pistas para pensar aquilo que chamamos de “latinidade”: qual nos querem vender e qual estamos dispostos a comprar. Sabemos que, na velocidade dos acontecimentos, tomar os fatos mencionados acima como baliza para a conversa, já os coloca, em alguma medida, como ultrapassados. Mesmo assim, independentemente do timing ou do hype, é possível identificar uma tendência: a emergência de uma era “latin-core” no norte global, impulsionada tanto pelo esgotamento das linguagens estadunidenses e europeias quanto pela crescente circulação de produções latino-americanas. Nesse contexto, a tensão entre a latinidade como produto e a realidade histórica das produções que há muito tempo existem por aqui tende a se intensificar. Diante disso, junto de Claudia Manzo, recuperamos parte da história de uma produção musical que se coloca de forma radical, latino-americana e anti-imperialista, das experiências atravessadas pelas ditaduras, como a nueva canción, nueva trova e afins, até os desdobramentos que chegam às produções mais recentes, como o reggaeton, a cumbia e o funk.

    1h 3m

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