A História repete-se

Um diálogo descontraído em torno da História, dos seus maiores personagens e acontecimentos. 'A História repete-se' não é uma aula, mas quer suscitar curiosidade pelo passado e construir pontes com o presente. Todas as semanas Margarida de Magalhães Ramalho e Lourenço Pereira Coutinho partem de um ponto que pode levar a muitos outros... São assim as boas conversas.

  1. Oct 21

    Da fama ao esquecimento: a vida e a obra de Damião de Góis e Francisco de Holanda

    Neste episódio, Lourenço Pereira Coutinho e Margarida Magalhães Ramalho conversam com a artista plástica e mestre em Estudos Clássicos, Margarida Cunha Belém sobre duas figuras incontornáveis do século XVI português e da cultura europeia desta época. Referimo-nos ao historiador/escritor Damião de Góis e ao pintor/arquitecto Francisco de Holanda.  Beneficiaram ambos da proteção de D. João III. Damião de Gois seria enviado, em 1523, para a Flandres sendo, posteriormente, encarregue de várias missões diplomáticas. Durante os anos que viveu na Europa, privaria de perto com grandes vultos do Humanismo, como Erasmo de Roterdão, em casa de quem viveu, Martinho Lutero, teólogo da Reforma e Albrecht Dürer que o retratou.  D. João III apoiará, também, o pintor Francisco de Holanda enviando-o, em 1537, para Roma para aprender com os melhores e trazer informações sobre a nova arte de fortificar.Apesar destes dois homens terem tido fortes laços de amizade e do respeito mutuo que os unia, a apreciação que fizeram de Lisboa – para ambos uma das mais importantes cidades da cristandade - não era idêntica. Enquanto o escritor/historiador, na sua ” Descrição da Cidade de Lisboa”, a admirava pela antiguidade e pelo lado glorioso da sua história, o arquitecto/ pintor, precisamente pela mesma razão, considerava que esta, do ponto de vista arquitectónico, não estava à altura das outras capitais europeias e apontava as suas falhas na obra “Da Fábrica que Falece à Cidade de Lisboa”. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  2. Sep 30

    A vida intensa e conturbada de Leonor de Almeida Portugal, condessa de Oeynhausen e marquesa de Alorna

    Neste episódio, Lourenço Pereira Coutinho e Margarida Magalhães Ramalho conversam com Maria João Lopo de Carvalho, autora do livro “Marquesa de Alorna, do cativeiro de Chelas à corte de Viena”, adaptado a formato televisivo a estrear brevemente. Leonor de Almeida Portugal Lorena e Lencastre era filha dos marqueses de Alorna e neta dos marqueses de Távora. O processo que condenaria os seus avós a uma execução bárbara também se refletiria na sua família nuclear. O pai seria encarcerado no forte da Junqueira, enquanto ela, a mãe e a irmã seriam enclausuradas no mosteiro de Chelas. Durante os dezoito anos de cativeiro, Leonor refugiou-se nos estudos e na poesia, tornando-se numa das mulheres mais cultas da sua época. Os seus versos transpirariam para fora do convento levando muitos poetas e literatos a frequentar os “outeiros poéticos”, que se realizavam, em certas ocasiões, na grade desse mosteiro, só para a conhecerem. É nesse período que o poeta Filinto Elísio lhe daria o nome arcádico de Alcipe. Com a morte de D. José e o afastamento do marquês de Pombal, o cativeiro da família terminava. Casaria pouco depois com um militar austríaco, o conde Oeynhausen. Até 1790, a nova condessa conheceria várias cortes europeias onde privaria de perto com grandes vultos da intelectualidade da época. A morte do marido, em 1793, leva-a a isolar-se e a dedicar-se à educação dos filhos e das raparigas pobres de Almeirim, onde permanecia grande parte do tempo. Em 1801, regressa à corte e é nomeada dama de honor da princesa Carlota Joaquina. Com o aumentar do perigo napoleónico, D. Leonor funda a Sociedade da Rosa. Apesar de formalmente ter um carácter literário era, sobretudo, um espaço de debate livre de ideias. Considerando que podia ser um foco de subversão, Pina Manique, o intendente da polícia, obriga D. Leonor a abandonar o país. Nos seus anos de exílio, em Espanha e em Londres, D. Leonor torna-se um elemento activo do movimento de contrarrevolução que ficou conhecido por Vendeia. Só será autorizada a regressar em 1814. Com a morte do irmão Pedro e seus descendentes acabaria por herdar, em 1823, o título de marquesa de Alorna. Morreria em 1839, aos 89 anos. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    A vida intensa e conturbada de Leonor de Almeida Portugal, condessa de Oeynhausen e marquesa de Alorna
  3. Sep 16

    Todos contra os “Cabrais”: a “Maria da Fonte” e a Guerra Civil da Patuleia (1846-1847)

    Neste episódio, Margarida de Magalhães Ramalho e Lourenço Pereira Coutinho conversam sobre a efervescente década de 1840 em Portugal, mais concretamente sobre a polémica figura de António Bernardo da Costa Cabral. Oriundo politicamente dos clubes radicais da esquerda liberal, Costa Cabral mudou por completo de posicionamento político no final da década de 1830, tornando-se então num expoente do “cartismo”, ou seja, da defesa de um governo forte articulado com o rei e sob os auspícios da Carta Constitucional de 1826. Entre 1842 e 1846, Costa Cabral foi a principal figura política de um governo formalmente liderado pelo duque da Terceira. Dinâmico e “fazedor”, Costa Cabral tinha no entanto tendências autoritárias. O seu desprezo pelas oposições, pelo parlamento e pelos costumes, bem como o seu enriquecimento súbito, suscitaram comentários e acabaram por juntar todo o espectro político contra si, dos setembristas aos miguelistas. Em 1846, foi demitido pela Rainha na sequência da revolta popular da “Maria da Fonte”. Seguiu-se a guerra civil da “Patuleia”, que terminou após a intervenção militar da Espanha e Reino Unido. Contudo, Costa Cabral contou com o apoio da Rainha D. Maria II para voltar ao governo em 1849, mas nada seria como antes. Em finais da década de 1840, toda a classe política liberal queria conduzir Portugal ao “progresso”, mas sem os métodos de Costa Cabral. Foi o que aconteceu a partir de 1851, data do início da “Regeneração”. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    Todos contra os “Cabrais”: a “Maria da Fonte” e a Guerra Civil da Patuleia (1846-1847)
  4. Sep 9

    As contradições de um ” déspota iluminado”: A vida e a obra de Diogo Inácio de Pina Manique

    Nascido a 3 de outubro de 1733, Diogo Inácio de Pina Manique teve uma carreira fulgurante ocupando com eficácia e zelo, por vezes excessivo, os principais cargos administrativos da sua época. A sua ação resoluta e pragmática foi reconhecida tanto pelo Marquês de Pombal como pela rainha D. Maria I. Seria, contudo, muito pouco complacente com os que não cumpriam as suas regras. Foi o que aconteceu em 1777 quando mandou incendiar, de noite, a aldeia piscatória da Trafaria para apanhar alguns homens que tinham fugido ao recrutamento. Ficaria, por isso conhecido como “O Carrasco da Trafaria”.  Em 1780, D. Maria I nomeia-o Intendente Geral da Corte e do Reino. Mais uma vez, assumiria o cargo com extremo zelo. Com a difusão dos ideais da Revolução Francesa e sobretudo com a ascensão de Napoleão Bonaparte – que vinham colocar em causa o absolutismo real - Pina Manique vai de forma quase paranoica perseguir todos os que potencialmente tivessem simpatias pelos ventos que sopravam de França. Muitos ver-se-iam obrigados a abandonar o país por imposição do Intendente ou para para não serem incomodados pelos seus esbirros. Seria o caso do abade Correia da Serra, um dos fundadores da Academia das Ciências, e dos da poetas Marquesa de Alorna e Filinto Elísio. Por outro lado, Diogo Inácio de Pina Manique foi um adepto do estudo científico que, com a direção do matemático José Anastácio da Cunha, fez aplicar na obra assistencial que criou em 1780, a Real Casa Pia de Lisboa. O objectivo era tirar das ruas crianças desvalidas, de ambos os sexos – que potencialmente poderiam tornar-se mendigos ou criminosos - para os alimentar e educar para que se pudessem integrar, posteriormente, na sociedade. Os alunos que se destacassem eram encaminhados para a universidade de Coimbra podendo os de medicina, mais tarde, especializar-se no estrangeiro. Os que demonstrassem talento artístico, como Vieira Portuense, Domingues Sequeira e João José de Aguiar iriam para Roma. Defensor de um absolutismo iluminado, Pina Manique foi, aliás como o Marquês de Pombal, um homem de grandes obras e de grandes violências. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    As contradições de um ” déspota iluminado”: A vida e a obra de Diogo Inácio de Pina Manique

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