À Direita

Neste podcast, Teresa Nogueira Pinto dá voz às várias direitas para perceber como pensam, onde divergem e que mundo imaginam. Numa ordem internacional em reconfiguração, que causas as unem, que clivagens as dividem, e que estratégias adotam? No Expresso e em todas as plataformas, a análise das ideias que estão a moldar o debate político contemporâneo. Para ir além dos rótulos, de quinze em quinze dias, ao sábado

Episodes

  1. Sep 5

    Alexandre Franco de Sá: “Não precisamos de viver com toda a gente. Precisamos é de partilhar o mundo com gente de quem não gostamos”

    Neste episódio do podcast À Direita, Teresa Nogueira Pinto conversa com Alexandre Franco de Sá, professor universitário, investigador e autor do livro Ideias sem Centro: Esquerda e Direita no Pensamento Contemporâneo. Foi uma conversa sobre as origens, as contradições e as possibilidades do populismo à direita. Se o atual momento populista começou à esquerda, com figuras como Hugo Chávez, Alexis Tsipras ou Pablo Iglesias, foi à direita, com o Brexit e a primeira eleição de Donald Trump, que esta vaga se tornou mais consequente. E hoje, à direita, o populismo continua a ser uma possibilidade ou tornou-se caminho para lado nenhum? A conversa parte de uma questão essencial: de que falamos quando falamos de “povo”? Alexandre Franco de Sá explica como, para o populismo de esquerda, o povo tende a ser uma construção política resultante da aliança entre diferentes grupos contra as elites, enquanto, à direita, procura recuperar-se o povo como uma comunidade ligada por experiências, referências e continuidades entre gerações. Os dois populismos não são simétricos e, à direita, o campo está menos teorizado e, por isso, permanece mais aberto mas também mais imprevisível. Falou-se ainda das especificidades da política brasileira e italiana, de um mundo que lê muito Rawls e esquece Platão, Aristóteles ou São Tomás de Aquino, e, claro, dos riscos de uma política fundada no conflito permanente. Se a polarização pode transformar adversários em inimigos morais e criar universos incapazes de comunicar entre si, também há riscos num centrismo que, em nome da moderação, tantas vezes esvazia a própria política. Para Alexandre Franco de Sá, a política não existe para nos fazer conviver apenas com aqueles de quem gostamos, mas para nos permitir partilhar o mundo com quem pensa de forma radicalmente diferente. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    Alexandre Franco de Sá: “Não precisamos de viver com toda a gente. Precisamos é de partilhar o mundo com gente de quem não gostamos”
  2. Aug 22

    Rita Matias e Rute Sousa: política, redes sociais e liberdade

    As redes sociais tornaram-se as trincheiras da guerra cultural contemporânea. É nelas que se disputam ideias, reputações, gostos e votos; foi nelas, também, que a direita encontrou uma forma de contornar os mediadores tradicionais e falar diretamente com quem a quer ouvir e, não menos importante, com quem não a quer ouvir. Neste episódio do podcast À Direita, falamos de política na era do TikTok, de vídeos virais que se transformam em capital eleitoral e dos riscos de reduzir grandes debates políticos aos poucos segundos de um reel. As convidadas são Rita Matias, deputada do CHEGA e, em 2022, a mais jovem mulher eleita para a Assembleia da República, e Rute Sousa, especialista em comunicação, empresária e uma voz com forte (e polémica) presença nas redes sociais. Uma está na política partidária e institucional; a outra ocupa sobretudo o espaço cultural e digital. Ambas, cada uma no seu registo, recusam a velha tentação de uma direita defensiva e permanentemente preocupada em obter licença de circulação junto da esquerda. Esta foi uma conversa exclusivamente no feminino, embora não necessariamente feminista. Falou-se sobre progressismo e conservadorismo, sobre maternidade, trabalho e liberdade de escolha, e perguntou-se se haverá uma contradição entre criticar o feminismo e ser beneficiária das conquistas que lhe são atribuídas. Houve ainda tempo para falar do humor como instrumento de subversão, de temas polarizadores como o aborto, imigração e Israel, e, claro, do preço da exposição pública. Porque se as redes democratizaram a palavra, também amplificaram o insulto e a crueldade. Mas, como diz o povo, quem diz o que quer arrisca-se a ouvir o que não quer. A grande questão que se coloca será saber se esse preço é apenas o custo da notoriedade ou, num espaço público cada vez mais conformista, o preço da própria liberdade. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    Rita Matias e Rute Sousa: política, redes sociais e liberdade
  3. Aug 8

    José Bento da Silva:‌ “Estamos a viver a ilusão de achar que o ser humano desaparece ou que fica reduzido a categorias manipuláveis. Essa é a tentação da modernidade, da IA”

    Neste episódio do À Direita, José Bento da Silva, professor e investigador na Warwick Business School, conversa com Teresa Nogueira Pinto sobre aquilo que Simone Weil definiu como “a necessidade mais importante e menos conhecida da alma humana”: o enraizamento. A política deixou de ser apenas uma disputa sobre impostos, prestações sociais ou modelos económicos. Regressou uma clivagem mais funda: a que separa aqueles que continuam a sentir que pertencem a algum lado daqueles que vivem cada vez mais desenraizados, desligados de uma comunidade, de uma história e de um lugar. Uma conversa sobre a forma como a modernidade alterou profundamente a experiência do social, a aceleração do tempo, a globalização, a transformação das empresas em novos espaços de socialização e a erosão de instituições que, durante séculos, estruturaram a vida humana. Uma conversa que passou por Weber, Bauman, David Goodhart e John Gray para pensar um mundo onde as categorias tradicionais da política parecem já não ser suficientes. Sem grandes nostalgias, foi uma reflexão sobre um tempo de transição, marcado simultaneamente pela promessa de um progresso tecnológico sem precedentes e por um crescente sentimento de desenraizamento. A inteligência artificial foi naturalmente chamada à conversa: não apenas pelas profissões que poderá transformar, mas porque nos obriga a perguntar quais são as capacidades verdadeiramente humanas que nenhuma tecnologia poderá substituir — o juízo, a empatia, a prudência ou a capacidade de lidar com a ambiguidade. Se a modernidade nos habituou a acreditar que tudo pode ser racionalizado e acelerado, talvez este seja também o momento de redescobrir aquilo que pode resistir à quantificação. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    José Bento da Silva:‌ “Estamos a viver a ilusão de achar que o ser humano desaparece ou que fica reduzido a categorias manipuláveis. Essa é a tentação da modernidade, da IA”
  4. Jul 25

    Patrícia Fernandes, politóloga: “As novas gerações legitimam e justificam mais facilmente a violência do que as gerações mais velhas”

    Professora de Ciência Política na Universidade do Minho, doutorada em Filosofia Social e Política e investigadora nas áreas da teoria política, da democracia e das políticas de identidade, Patrícia Fernandes tem acompanhado de perto as guerras culturais e as transformações ideológicas das democracias ocidentais. O tema central da conversa é o wokismo: de onde vem, como passou das universidades norte-americanas para o centro do debate público e por que razão se tornou um dos principais fatores de polarização política no Ocidente, funcionando também como um importante elemento agregador de diferentes direitas na sua rejeição. Partindo das raízes intelectuais da Nova Esquerda, o episódio percorre a longa marcha sobre as instituições, a cultura do cancelamento, a erosão da liberdade de expressão no meio académico e a ascensão das políticas identitárias. Na tentativa de compreender este fenómeno, a conversa passa ainda pelas transformações na educação e na parentalidade, pela psicologização da sociedade, pela cultura da superproteção, pelo estatuto da vítima e pela crescente dificuldade das novas gerações em lidar com o conflito, a diferença e a adversidade. A conversa termina com um olhar sobre as consequências políticas deste fenómeno: poderá o anti-wokismo conduzir a uma direita que reproduza os métodos e as lógicas que critica? E que futuro resta ao liberalismo perante o regresso das políticas de identidade, da comunidade e do sentimento de pertença ao centro do debate político? See omnystudio.com/listener for privacy information.

    Patrícia Fernandes, politóloga: “As novas gerações legitimam e justificam mais facilmente a violência do que as gerações mais velhas”
  5. Jul 11

    Rui Ramos: “A direita é mais cética em relação à ideia de que o poder político pode criar um mundo novo. A esquerda sempre acreditou nisso”

    Como se define, afinal, a direita portuguesa? Durante décadas, parece ter sido mais pela reação do que pela afirmação: reagindo à esquerda, tentando libertar-se da memória do Estado Novo e disputando permanentemente a interpretação da sua própria história. Rui Ramos é doutorado em Ciência Política pela Universidade de Oxford, especialista em história política e cultural de Portugal dos séculos XIX e XX, historiador, ensaísta e coautor, com João Miguel Tavares, do podcast E o Resto é História. Para compreender a direita portuguesa, Rui Ramos percorre a sua história, as influências francesas e anglo-saxónicas, o legado de Francisco Sá Carneiro, a evolução do pós-25 de Abril e as transformações mais recentes, marcadas pelo aparecimento de novos partidos e por uma redefinição do espaço de combate político e intelectual. À medida que regressam diferenças políticas mais marcadas, regressa também o debate sobre a polarização. Rui Ramos convida a inverter a pergunta: e se aquilo que distingue a democracia não for a ausência de conflito, mas a capacidade de o acomodar? A possibilidade de projetos diferentes disputarem legitimamente o espaço público, de ouvirmos ideias de que não gostamos e de reconhecermos ao adversário político o mesmo direito de procurar convencer os eleitores. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    Rui Ramos: “A direita é mais cética em relação à ideia de que o poder político pode criar um mundo novo. A esquerda sempre acreditou nisso”
  6. Jun 27

    Direitas europeias: é mais aquilo que as une ou aquilo que as separa? A opinião de João Marques de Almeida

    A direita europeia é uma família que cresce, mas que continua fragmentada. Entre o crescimento dos partidos nacional-conservadores, as vulnerabilidades do espaço político tradicional e as novas clivagens culturais e geopolíticas, conseguirão as várias direitas europeias encontrar um terreno comum? João Marques de Almeida é doutorado em Relações Internacionais e Ciência Política pela London School of Economics e alguém que sabe do que fala quando se fala de Europa: trabalha há 20 anos, fora de Portugal, em temas europeus, geopolíticos e geoeconómicos e foi assessor do Presidente da Comissão Europeia José Manuel Durão Barroso entre 2006 e 2012. E é também alguém que sabe do que se fala quando se fala de direita, espaço a que pertence desde sempre. A partir do campo liberal-conservador, mas consciente do tanto que mudou na Europa, à esquerda e à direita, nas últimas décadas, João Marques de Almeida defende a importância da liberdade individual, da economia de mercado e da propriedade privada, sem esquecer os temas da imigração e da identidade que se tornaram determinantes no debate, e no combate, político. E continua a ser à esquerda, e não à direita, que vê as maiores ameaças à liberdade. Tentando compreender como se desenrola, na Europa, a atual luta pela alma e liderança da direita, um combate que é político mas também intelectual, neste episódio passamos pela França, pelo Reino Unido, pela Alemanha e pela Itália. E por lideranças do passado, do presente e possivelmente do futuro, como Angela Merkel, Emmanuel Macron, Giorgia Meloni ou Jordan Bardella. E, claro, falou-se de Europa e do projeto europeu que não deve, segundo João Marques de Almeida, ser abandonado, mas antes reformado, num contexto geopolítico e geoeconómico que é particularmente desafiante. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    Direitas europeias: é mais aquilo que as une ou aquilo que as separa? A opinião de João Marques de Almeida

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Neste podcast, Teresa Nogueira Pinto dá voz às várias direitas para perceber como pensam, onde divergem e que mundo imaginam. Numa ordem internacional em reconfiguração, que causas as unem, que clivagens as dividem, e que estratégias adotam? No Expresso e em todas as plataformas, a análise das ideias que estão a moldar o debate político contemporâneo. Para ir além dos rótulos, de quinze em quinze dias, ao sábado

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