Convidado

RFI Português

De segunda a sexta-feira (ou, quando a actualidade o justifica, mesmo ao fim de semana), sob forma de entrevista, analisamos um dos temas em destaque na actualidade.

  1. 18h ago

    São Tomé e Príncipe: Candidato Miques João concentrado no povo

    Miques João, candidato independente, falou à reportagem da RFI para expor as linhas mestras da sua candidatura. Este conhecido advogado é um dos quatro candidatos que disputam as eleições presidenciais de São Tomé e Príncipe deste domingo. O candidato, muito implicado na defesa do único civil condenado no caso do ataque contra o Quartel general a 25 de Novembro de 2022, afirma que o povo é que o move. A campanha, de facto, em São Tomé e Príncipe tem sido marcada por uma disputa centrada mais na confiança, estabilidade institucional e a resposta aos problemas económicos do que em confrontos políticos directos. O apelo constante à paz por parte das autoridades eleitorais e dos candidatos demonstra a preocupação em preservar a tradição democrática do país e garantir eleições livres, tranquilas e credíveis. Temos como convidado o candidato Miques João, que concorre pela segunda vez às presidenciais em São Tomé e Príncipe. Miques João, que esteve preso por razões infundadas, segundo ele, encontra-se há dez meses em liberdade e disse que não tem espírito de vingança, afirmando mesmo o que lhe move é o povo. Quem montou as suas coisas vai desmontar sozinho, ou seja, já desmontaram. Eu estou há dez meses em liberdade, como se pode aperceber, e as pessoas todas que fizeram correr ou esconder, sabem o que fizeram. Eu não tenho espírito de vingança de ninguém. As pessoas, quando fazem alguma coisa errada, eu chamo a atenção, porque não deve ser, para corrigir, mas cada um responderá pelos seus actos conforme os seus métodos. A minha preocupação e minha concentração são para o povo. É só o povo que me interessa. Porque se não fosse o povo, senhor, eu estaria morto. O povo agora quer esclarecimento e o meu objectivo é esclarecer o povo e dizer ao povo com quem pode contar, o que povo pode contar e como é que pode contar. Porque o povo agora vai decidir, é a vez do povo decidir. O povo tem que decidir de forma esclarecida para que, após tomar a decisão 19 de Julho, ser capaz de assumir ou aguentar as consequências das suas decisões durante cinco anos. Porque o poder pertence ao povo e o povo é para o povo e só para o povo, por exemplo, que eu estou a concorrer. Interrogado sobre o exercício da democracia em São Tomé e Príncipe e o papel do Presidente da República  Miques João respondeu: O que temos assistido nesses 35 anos, 36 anos de democracia é confusão. Cada um quer mostrar poder e eu não estou cá para isso. O Presidente da República, eu, caso o povo assim decidir, estarei cá como árbitro para fazer o seguinte: não sou árbitro para pôr regras nisso, por ordem. Quando houver confusões, eu vou intervir para fazer parar a confusão. Nós temos essa tendência, o Presidente da República, em princípio, no âmbito dos poderes que tem na Constituição, ele tem capacidade de fazer três tipos de coisas. Eles funcionam como para estabelecer as regras e fazer o jogo democrático funcionar. A dada altura, ele também funciona como polícia. Quando houver violações, ele aplica a sanção. E, por fim, ele funciona como bombeiro para apagar fogos. Quando vemos a Assembleia com muita inconveniência, a querer sobrepor o Presidente da República, querer sobrepor-se à vontade do povo, dissolvemos a Assembleia, mandamos novamente, devolvemos poder ao povo. Está na lei. O presidente tem poder de dissolver a Assembleia e voltar a devolver poder ao povo. Admite que, se for eleito Presidente da República, trabalhará com todos os órgãos para que se possa atingir os objectivos do Estado. Enquanto Estado, esses órgãos de soberania têm que agir em interacção para exaurir o objectivo do Estado. Não podem efectivamente estar. E o Presidente tem essa função. Por isso que assegura o regular funcionamento da gestão democrática e permite que os objectivos de Estado sejam atingidos. E muita gente está a fazer confusão. Quando nós falamos dos objectivos do Estado, todos os órgãos de soberania devem concorrer para os objectivos de Estado. É por isso que existe hierarquia no Estado e o Presidente da República é o chefe do Estado. Está na Lei número 1 do artigo 77. E enquanto Chefe do Estado, cabe garantir que o Estado funciona. E é nessa conjuntura que esse exercício deve ser feito. Na lógica de que o poder que o povo nos dá, porque o poder não nos pertence, o povo dá um mandato, ora de cinco anos, ora de quatro anos, ora de três anos, para fazer cumprir o objectivo do Estado. E este mandato deve ser cumprido. O que está a acontecer em São Tomé e Príncipe é que cada um dos órgãos de soberania, uma vez eleitos ou empossados, indicados, pegam o poder que recebem, fazem como se fosse a sua propriedade e tornam-se o Estado dentro do Estado a impedir ou a tornar o estado disfuncional. Isto vai acabar. O Presidente da Republica tem aquela missão enquanto chefe de Estado, permitir que o Estado funcione, porque nós somos um colectivo. O Estado é como se fosse uma equipa de futebol. Tome o exemplo de Cabo Verde, como é que foi o jogo? O presidente da República é o treinador. Ele tem que fazer com que a máquina funcione. E fazer a máquina funcionar é começar a efectivamente aplicar a lei e fazer as pessoas entenderem que cada um tem que cumprir o seu papel. Durante muito tempo foram enganando os cidadãos. Não explicaram aos cidadãos como é que as coisas são. É assim: o governo tem o papel de executar a política do Estado, fazer gestão, executar a política do Estado. Repare bem, não se faz eleições para eleger governos nenhum em São Tomé e Príncipe. A eleição é feita para eleger deputados que compõem a Assembleia. E uma vez assembleia constituída, é preciso que o partido que ganhou ou que efectivamente pretende constituir o Governo apresente ao Presidente da República aquilo nós chamamos de sustentabilidade parlamentar. E é a partir daqui que sai o Governo. O Governo é o Executivo. Tanto o governo como órgão de soberania, como os tribunais, não são eleitos, são executivos. Os Tribunais passam por concurso, cidadão vai, concorra e tudo mais, faz concurso público a juiz. Mas dita o direito ao nome do povo, à luz do artigo 120 da Constituição, podem ver. Mas, tanto o governo como os tribunais, não são eleitos directamente pelo povo, Mas já o presidente e os deputados, sim. Tanto é que, repare, o Presidente é o chefe do Estado na hierarquia do Estado e o presidente da Assembleia é o segundo homem do Estado, porque são eleitos directamente pelo povo. Miques João é um dos quatro candidatos às presidenciais de 19 de Julho em São Tomé e Príncipe.

  2. 1d ago

    São Tomé e Príncipe: Candidato Nito Abreu confiante na juventude do arquipélago

    Nito Abreu, apoiado pela ADI, falou à reportagem da RFI para expor as linhas mestras da sua candidatura. Ele é um dos quatro candidatos que disputam as eleições presidenciais de São Tomé e Príncipe deste domingo. O candidato assume a sua confiança no apoio do eleitorado jovem e não só. A campanha de facto, em São Tomé e Príncipe tem sido marcada por uma disputa centrada mais na confiança, estabilidade institucional e a resposta aos problemas económicos do que em confrontos políticos directos. O apelo constante à paz por parte das autoridades eleitorais e dos candidatos demonstra a preocupação em preservar a tradição democrática do país e garantir eleições livres, tranquilas e credíveis. Temos hoje como convidado o candidato Nito Abreu. Nito Abreu começa por justificar a sua candidatura à Presidência da Republica.   São Tomé e Príncipe, em torno, acima de tudo, de uma liderança e uma liderança nova ! Não é apenas uma liderança jovem. É uma liderança de comprometimento de alguém que de facto esteja preocupado com o país. Relativamente à minha campanha, eu optei por uma presença de terreno através de passeatas em várias localidades no país e também no exterior. Falei com milhares de militantes, milhares de são-tomenses e senti neles, de facto a necessidade de mudança. Isso eu senti. E eu creio que isso no dia 19 o povo vai decidir.   O facto de São Tomé e Príncipe ter um sistema semi-presidencialista. O candidato aponta que o Presidente da República deve trabalhar fundamentalmente em estreita coordenação com o Governo.   Eu, enquanto são-tomense, eu enquanto jovem, enquanto indivíduo que pensa muito sobre a realidade do país, eu não vejo o sistema como ponto dos problemas que nós temos. Eu vejo o homem: quando o homem está preocupado, está envolvido, sente-se comprometido com a causa. Independentemente do sistema, as coisas mudam. Nós temos vários países que nós podemos tomar como exemplo, que não são um sistema semi-presidencialista como o nosso: 1 ! Mas também digo que quem sabe até experimentarmos um sistema presidencialista já vivemos 30 e poucos anos, não é? 30 e poucos anos ! 35 anos num sistema semi-presidencialista também não seria mau se experimentássemos um outro !   Já tivemos presidencialismo também na Primeira República !   Mas não, não garantiu também grande grande coisa. Mas também não vou aqui criticar aquilo que foram os 15 anos. Porquê? Porque os 15 anos eu ainda lembro. Em 1990 eu ia para a escola comendo ou não comendo em casa. Eu era obrigado a comer na escola que havia as coisas a funcionar. Referi a década de 90, ainda na primeira e segunda classe. Nós tínhamos lá e às vezes acontecia duas vezes. Comíamos, até levarmos para casa. E hoje? E hoje? Essa é a grande questão !   No âmbito da política externa Nito Abreu defende uma maior aproximação com os países da região central africana e também o reforço no contexto das organizações internacionais.   Eu defendo uma aproximação forte, sobretudo regional. Primeiramente, um Estado tem que ter um projecto seu interno, para depois atingir, através dos parceiros internacionais, através dos vizinhos, através das organizações, conseguir mecanismos ou meios para materializar. Eu digo qual é a característica, qual é, qual é, qual é o nosso projecto? Qual é a política externa de São Tomé hoje para termos que país tem para resultar em ações e que possivelmente conseguirá consubstanciar em desenvolvimento? Nós não temos porque temos uma governação. Temos um país à deriva e que vive com base numa governação de vulcanização. Quando há problema nós atendemos. Tapa esse furo. Quando surge outro, tapamos o outro. O que acontece ? A câmara entra em ruptura, este é o nosso Estado hoje. Por isso uma política externa forte, maior aproximação, maior conexão com as organizações de países amigos tradicionais e não só.   Nito Abreu diz que a sua candidatura não se revê exclusivamente na juventude, mas em população são-tomense.   A minha candidatura, ela não assenta apenas na juventude. Talvez as pessoas identificam-me mais por isso.Ainda está nessa faixa etária ! Pese embora, um indivíduo de 42 anos é um indivíduo jovem, não é? Mas as pessoas identificam-me mais como candidato jovem. O país tem 73% de jovens, no último resultado estatístico a que tive acesso. Dados estatísticos revelam que 73% da população tem menos de 30 anos, menos de 30 anos ! Se essa massa toda galvanizar, é claro que terei vitória nestas eleições. Mas, por outro lado, como disse, a minha candidatura é uma candidatura aberta, de todas as idades para todas as idades, independentemente de classe social, grupo social, seja lá quem for, porque os são-tomenses a Constituição não nos separou pela idade. Ela une-nos a todos. Este é o meu propósito.   Para o candidato Nito Abreu, a fragmentação do ADI, o partido que o apoia não o intimida.   O ADI tem um grupinho, muito ínfimo, que decidiu ou pensou que de facto poderia usurpar o partido, mas como já disseram, o partido não é aparelho, não é sigla, é mais do que isso. Os militantes da ADI conhecem-se e sabem o que é que é. Hoje o ADI é visto, as pessoas sabem quem é o ADI. Ninguém levou 5 ou 10% no ADI. Não foi a nenhum lugar ! E ninguém levou 10% dali para nenhum lugar. Esperava-se que o ADI fosse dividido, talvez 50 por 40 ou 30% e apoiar uma outra candidatura. O ADI não moveu, o ADI, assumiu a minha candidatura. Está em torno disto. Mas a minha candidatura continua, com base numa estratégia que todos já conhecem: aproximação, contacto com a militância sem acusação, sem envolvimento, com base em violência. Porquê que digo isto? Porque tem havido actos de violência contra a presença dos que me apoiam.   Nito Abreu é um dos quatro candidatos que disputam as eleições presidenciais em São Tomé e Príncipe, marcadas para o dia 19 de Julho.

  3. 2d ago

    São Tomé e Príncipe: Candidato Carlos Vila Nova descarta revisão da constituição

    São Tomé e Príncipe vai a votos neste domingo para escolher o seu Presidente. A RFI ouve esta semana os 4 candidatos ao escrutínio. A começar nesta segunda-feira com o presidente cessante Carlos Vila Nova. Ouvido por Maximino Carlos, o nosso correspondente, ele descarta advogar no seu programa a mudança do regime constitucional do arquipélago. A campanha de facto, em São Tomé e Príncipe tem sido marcada por uma disputa centrada mais na confiança, estabilidade institucional e a resposta aos problemas económicos do que em confrontos políticos directos. O apelo constante à paz por parte das autoridades eleitorais e dos candidatos demonstra a preocupação em preservar a tradição democrática do país e garantir eleições livres, tranquilas e credíveis. Temos hoje como convidado o candidato Carlos Vila Nova, que concorre a sua própria sucessão. Sobre o Processo de 25 de Novembro de 2022, que causou a morte de quatro civis no Quartel general das Forças Armadas o candidato Carlos Vila Nova disse que é um assunto de Estado, por isso cabe ao Estado resolver este problema.   O Processo de 25 Novembro é um assunto sério que tem que ser tratado com o cuidado que ele merece. Não estou a justificar seja o que for. Era mais qualquer coisa do que a subversão. Mas deixemos isso para que a justiça resolva.   No tocante à revisão constitucional, Carlos Vila Nova disse que não é sua intenção fazer uma alteração e até afirmou que convive com o actual sistema.   Ao abordar a revisão constitucional, fui suficientemente claro: Não é meu objectivo nem a intenção fazer uma revisão constitucional para a alteração do regime. Eu convivo bem com o sistema actual. Aliás, é nesse sistema que eu me candidatei e volto a me candidatar. Quanto a isto os são-tomenses devem estar tranquilos porque não é por aí. Não pretendo ir por aí. O que eu pretendo é que de facto, aqueles sinais pouco claros na Constituição que permitem a introdução e a interferência de um órgão no outro, porque eu também não gosto quando o outro órgão entra nas competências do Presidente da República. Porque dificulta, isto sim... Se há coisas, há matérias em que nós poderíamos estar de acordo... Não é preciso uma maioria de um bloco. É preciso é que entre exactamente, e no Parlamento se encontra a razão com as propostas, porque só passa aquilo com que todos estiverem de acordo. Isto é que eu partilho. Até porque, volto a dizer se é de lei. Portanto, a pergunta era sobre  o regime e depois o futuro do governo de salvação? Nós não sabemos. Vai depender do que sair das eleições de Setembro. Temos que aguardar para ver. Ninguém. Não sabemos o que vai acontecer.   A emigração é um dos assuntos que tem vindo a ser debatido em São Tomé e Príncipe, sobretudo da população jovem. Carlos Vila Nova disse que este não é um fenómeno novo, mas, entretanto, enquanto uma figura de Estado também está preocupado com este assunto.   O candidato Carlos Vila Nova, ainda Presidente da República, deu-se conta desse fenómeno Também um bocado antes de todos os outros actores políticos desse país. Se não me falha a memória, foi em finais de 2023. Tanto é que houve uma reportagem feita por um gabinete que não foi suficientemente ilustrativo, mas já foi bastante bom. E eu falava naquela altura que já estávamos a caminho de quase um quarto [da população a viver fora]. Eu fui desmentido com baixeza pelo então primeiro ministro e com ataques coordenados políticos. Sem perceber porquê ! Porque naquela altura até sentia que era um projecto para São Tomé e Príncipe em 2022/2003. O Presidente ainda estava convencido que o projecto do partido que sustentava o governo era um projecto para São Tomé e Príncipe. Mas, infelizmente dei-me conta que era um projecto pessoal. Bom, isso são outros contos. Também podemos chegar lá. E quando eu levanto essa questão, sou fortemente atacado. Mas com a mesma serenidade, porque precisamos de um presidente suficientemente sereno em São Tomé e Príncipe para manter o equilíbrio e a estabilidade. E o que é que eu pedi na altura ? Não eram os números com que me preocupava. Era uma estratégia política para lidar com a questão, porque estavam na altura a sair eminentemente jovens abaixo dos 35 anos. Hoje já não. Hoje há outras faixas etárias a acompanhar esse movimento. E não nos esqueçamos que uma boa parte dessa ligação, por razões de saúde, sobretudo pela hemodiálise, que é a desconexão total da pessoa com as suas famílias, e com o seu berço. Elas não podem voltar por enquanto. Mas essa estratégia não foi feita e hoje nós temos numa listagem, chamemos um "top dez". São Tomé e Príncipe é o nono país, é o nono desse "top10" de imigrantes em Portugal. Portanto não é o maior, é o nono. Praticamente só o Paquistão está abaixo de nós. Mas qual é a preocupação de 2021 a 2025? É a que mais cresceu: 263% ! Então nós precisamos de uma estratégia para lidar com a questão, porque nem todos estão a ser bem sucedidos lá. E por vergonha e por outras razões, mesmo colocando condições de regresso, não vêm. E temos que encontrar saída para isso. Há os que estão a serbem sucedidos. Também temos que ter uma estratégia para os que estão a ser bem sucedidos contribuírem positivamente para a melhoria do crescimento económico e da melhoria das condições de vida em São Tomé. Porque são santomenses !  Qual é o país que não recebe contributos, não abraça a sua diáspora para construir o país ? Não vou citar nomes porque eu não gosto muito da comparação, de um ou outro país, porque são diferentes: Europeus,  Africanos, todos fazem. Então nós temos que fazer isso. Portanto, isto é matéria para a próxima legislatura nos ocuparmos bem, porque é uma questão que já preocupa a muita gente a sair. São cerca de 46.000 que estão em Portugal e para uma população de 230.000 ou 240.0000, 46 1000 é muita gente !   Relativamente a uma coabitação com o governo Carlos Vila Nova disse que quem escolhe o governo é o povo e que estaria disposto a conviver com o governo que saísse das próximas eleições. Porque quem escolhe o futuro governo é o povo, através das escolhas que faz de partidos políticos e da sustentabilidade parlamentar. E eu terei que trabalhar com o primeiro ministro que sair do fruto dessas eleições em condições muito simples, no respeito dos limites da Constituição, desde que haja o respeito mútuo, a lealdade e condições de diálogo permanente. Porque mesmo não havendo convergência, temos de continuar a conversar e a encontrar caminhos para o bem de São Tomé e Príncipe. Este é o mecanismo que eu me preparei para lidar com os partidos e as próximas eleições legislativas. Carlos Vila Nova é um dos quatro candidatos às eleições presidenciais de 19 de Julho, em São Tomé e Príncipe.

  4. 4d ago

    Christiane Jatahy e Wagner Moura levam “a verdade” ao “tribunal popular” de Avignon

    Até onde estamos dispostos a ir para defender a verdade e como é que o fascismo utiliza os princípios democráticos para a destruir são questões que sobressaem das entrelinhas de “Um julgamento - Depois do inimigo do povo”, uma criação da encenadora Christiane Jatahy e do actor Wagner Moura que é apresentada, a partir deste sábado e até dia 22 de Julho, no Festival de Avignon. Os dois artistas imaginaram uma continuação para a peça “Um Inimigo do Povo” (1882), de Henrik Ibsen, à luz dos dias de hoje, das "fake news", da erosão democrática, do capitalismo desenfreado e dos julgamentos sumários nas redes sociais. “A verdade acabou” é a primeira frase que se ouve da boca de Wagner Moura, o homem do cinema que reitera que quer “estar aqui”, no teatro, depois de 16 anos longe dos palcos. O espectáculo “Um Julgamento – Depois do Inimigo do Povo” é apresentado no Festival d'Avignon de 11 a 22 de Julho e questiona até onde estamos dispostos a ir para defender a verdade e a justiça. A criação da encenadora e dramaturga Christiane Jatahy e do actor Wagner Moura inspira-se na obra de Henrik Ibsen, de 1882, mas não é uma adaptação. O texto, de Christiane Jatahy, Wagner Moura e Lucas Paraizo, é a continuação da história de Thomas Stockman, “uma segunda chance” que lhe é dada para falar e tentar provar que não é o “Inimigo do Povo”. Quem decide é um “tribunal popular” composto por 11 espectadores sorteados que sobem a palco. E há dois finais para a peça. Recuemos à história do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen que é o mote para esta história: o médico Thomas Stockman denuncia a poluição de uma estância balnear para proteger a população, mas o seu irmão, Peter Stockman, silencia a denúncia porque diz que a população depende dessa fonte de rendimento para sobreviver. “A economia não pode estar na frente da vida das pessoas” versus “a vida das pessoas depende da economia”, ouvimos de ambas as partes. Esta é também a história de uma família destruída por dissensões políticas e morais. O Thomas Stockman de 2026 é interpretado magistralmente por Wagner Moura que quer mostrar que não é “um inimigo público”. E tudo começa com a frase: “A verdade acabou. Isso é o que mais me assusta. Acabou. Não existem mais factos. Só versões. E quando a verdade perde o valor, então toda essa sala, e tudo o que ela representa, se torna uma encenação”. Em palco, tudo se dilui: teatro, cinema, documentário, encenação, improvisação, verdade, manipulação. No julgamento, questiona-se, por exemplo, o que é a verdade na era das fake news e das “diferentes versões” e a própria dramaturgia vai diluindo as fronteiras entre realidade e ficção, entre actor e personagem, entre actuação e performance, com momentos em que não sabemos se os actores improvisam ou se tudo não passa de encenação. A peça é uma coprodução entre o Festival d'Avignon, o Centro Cultural de Belém (Portugal), o Holland Festival (Países Baixos), o Edinburgh International Festival (Reino Unido) e o centro de artes DeSingel (Bélgica). E foi em Avignon que conversámos com Christiane Jatahy a propósito deste trabalho que é a terceira peça que ela aqui apresenta, depois de “O agora que demora”, em 2019, e “A Hora do Lobo”, em 2021. “Todas as pessoas que tentaram transformar realidades, seja de forma revolucionária, seja porque elas se posicionaram de maneira frontal contra um sistema, elas pagaram um preço por isso. A gente admira essas pessoas porque a gente acha que essas pessoas cumpriram a sua função ética. Então, por que é que quando é sobre nós, a gente tem dúvidas? Se todos nós tivermos esse mesmo princípio, todas as possibilidades de cancelamento, todas as possibilidades de perdas diminuem porque colectivamente a gente transforma o mundo. A ideia é o seguinte: vamos deixar de ser indivíduos separados que defendem ideias, enquanto outros se escondem atrás das suas ideias. Se todos nós formos à frente defender as nossas ideias, talvez a gente possa transformar o mundo”, resume a encenadora na entrevista à RFI. RFI: Como é que surgiu a ideia de partir deste texto com Wagner Moura? Christiane Jatahy, Encenadora: “Eu e o Wagner há muito tempo que a gente desejava trabalhar juntos. Ele assistiu a um espectáculo que eu fiz em Los Angeles e ele falou, a partir dali, que ele realmente queria voltar ao teatro através do nosso encontro. A gente então começou a ler muitas coisas, a ver muitos filmes. Ele tem muita paixão por esse texto do Ibsen, mas eu disse-lhe que eu não gostaria de montar o texto como o texto é porque eu achava que a gente precisava revisitar esse texto de uma maneira mais extrema, de realmente recriá-lo. E aí eu propus a ideia do tribunal. A encenação é minha, Wagner actua e a gente trabalhou juntos no texto. Eu propus essa ideia, ele aceitou na hora e, a partir desse momento, eu comecei a pensar na estrutura dramatúrgica, a gente dialogou muito sobre isso e assinámos o texto juntos com Lucas Paraizo também que é um roteirista. Essas questões que você apresentou na introdução da sua pergunta eram sempre questões que permeavam dois pontos que permeavam muito o nosso querer para fazer esse espectáculo. Primeiro é isso: ‘A verdade acabou’. Como é que a gente sobrevive num mundo em que tudo são versões? Como é que a gente consegue, de facto, manter um diálogo quando a minha verdade não é a sua? E não é que a gente esteja debatendo uma ideia, a gente, na verdade, está completamente em contradição, como se se estivesse vivendo em dois mundos diferentes. Isso é uma questão que eu acho que é muito urgente ser discutida porque isso significa que acabou o diálogo e a gente não pode sobreviver democraticamente se não tem mais diálogo. E aí eu vou directamente à sua segunda questão. É nessa maneira e através dessa fissura que o fascismo se aproveita porque o que o fascismo faz é criar uma verdade única, o que o fascismo faz é criar um inimigo único, o que o fascismo faz é inventar uma história do passado que não representa a realidade e fazer as pessoas se movimentarem através da raiva e não de uma ideia de colectividade e cooperação, utilizando todas as ferramentas da democracia e, na verdade, atingindo e atirando em tudo que é provocador do pensamento - a cultura, a os estudos, a universidade... Então, todas essas coisas estão subliminarmente dentro da peça, mas elas são os motores que nos moveram a criar esse espectáculo.” O teatro é transformado em tribunal popular e quebra os limites da quarta parede com o papel do público. Estamos habituados, no seu trabalho, a que o público participe, mas aqui ainda vai mais longe: o público absolve ou condena. Por que é que decidiu dar este papel ao público? “Porque quando eu pensei que não teria sentido montar a peça como ela é - para mim porque para outras pessoas pode ter - eu não queria trazer uma resposta sobre se ele é ou não é um inimigo do povo e se ele é ou não é um herói. Interessava-me, na verdade, levar essa questão para o público e ter essa resposta. Foi daí que veio a ideia do tribunal e a ideia de que o público, a cada noite, através da percepção do que ele está vendo, de diferentes pontos de vista e, portanto, a abertura ao diálogo com o público e de algumas questões que eles possam colocar, que a gente chegasse num veredicto que sempre nos surpreende e é muito interessante em cada lugar.” Há dois finais? “Há dois finais. Um final que é um monólogo caso ele seja considerado inimigo do povo e um final que é um outro monólogo, caso ele não seja considerado, como aconteceu na noite de ontem [ensaio geral de 10 de Julho].” Há uma tela para depoimentos audiovisuais, há gravações de telemóvel, há câmaras presenciais, há palco e bastidores ao mesmo tempo e há bastidores que entram no palco. Mais uma vez, a Christiane elimina as fronteiras entre teatro e cinema, nomeadamente com um actor de cinema que volta ao teatro. Também apaga os limites entre documentário e ficção, entre encenação e improvisação. Qual é o significado de todas estas camadas, estas transposições? “Essas são camadas que eu realmente exploro. Eu sempre digo que tem fronteiras que me interessa trabalhar, não para fixá-las, mas para expandi-las e são exactamente essas que você descreveu. Primeiro, respondendo a essa questão, o Wagner traz o cinema. Então, quando ele diz que ele joga com a questão do cinema e do teatro, do final perfeito para um filme, a gente está, de facto, através da presença dele, ressignificando a questão do cinema no teatro. Eu acho que isso é importante dizer, sem projecção, sem nada, só com discurso e a sua própria presença. E como a cada espectáculo me interessa que o cinema entre de uma forma muito dramatúrgica, completamente conectado ao que a gente está contando e não como uma exposição da projecção do que nós estamos contando, no sentido da amplificação da imagem, o cinema, nesse caso, entra como prova, entra como caminho para os testemunhos que não estão ali se poderem expressar. Como tantos tribunais online que a gente tem hoje em dia, inclusive o tribunal da próprias redes sociais que se dá através de recortes de imagens, de edições, de coisas, de manipulação das imagens. Então, e para finalizar a resposta, para mim o teatro entra na ficção, ele dá espaço para a ficção quando a gente mostra que a gente está no teatro, que o espaço é o teatro, que os bastidores estão presentes, mas que o que está acontecendo ali transforma em algo que é real. Então, nesse jogo entre ficção e realidade, para mim é muito importante que todos os dispositivos do teatro estejam muito evidentes.” E a própria improvisação também permite a entrada, se calhar, do re

  5. 5d ago

    "Empregabilidade dos moçambicanos repatriados da África do Sul é mera ilusão"

    Nas últimas semanas, a África do Sul tem conhecido uma nova onda de xenofobia, com ataques directos, assaltos, agressões físicas, incêndios nas residências e locais de trabalho dos imigrantes, com um balanço de pelo menos quatro mortos, entre os quais dois moçambicanos. Também foram organizadas manifestações em vários pontos do país, nomeadamente Pretória, Joanesburgo, Durban ou ainda a Cidade do Cabo, para exigir medidas do governo para combater a imigração clandestina. Com uma taxa de desemprego a ronda os 33% e um Estado com dificuldades em responder às necessidades básicas da sua população, nomeadamente em termos de saúde e segurança, certas franjas da população sul-africana acabaram por ficar mais sensíveis às mensagens de incitação ao ódio por parte de organizações como 'March and March', ou ainda 'Operação Dudula', que peritos acreditam ser financiadas por partidos políticos. Apesar de já ter terminado no passado dia 30 de Junho, o prazo fixado por estas organizações para os imigrantes em situação irregular deixarem o país, há relatos de que a situação continua tensa. Perante os riscos cada vez maiores para a sua segurança, desde o começo do mês de Junho, dezenas de milhares de migrantes designadamente oriundos da Nigéria, Zimbabué, Maláui e Moçambique regressaram aos seus países pelos seus próprios meios ou com apoio dos seus respectivos governos. Com cerca de 300 mil cidadãos residentes na África do Sul, o executivo moçambicano refere que “milhares” já regressaram ao país, sendo que uns 1.400 nacionais foram repatriados com o apoio de Maputo. Nestes últimos dias, o governo evocou a eventualidade de se propor às pessoas repatriadas trabalhos nos megaprojectos, ou mobilidade laboral em Portugal e nos Emirados Árabes Unidos, ao abrigo de acordos estabelecidos com estes países. Foi sobre a situação vigente na África do Sul e as condições em que os emigrantes moçambicanos regressam ao seu país que a RFI conversou com Wilker Dias, coordenador da plataforma Decide, que divide o tempo entre Maputo e a África do Sul e tem acompanhado este processo. RFI : Passados 10 dias do fim do ultimato das organizações anti-imigração, qual é a situação vigente na Árica do Sul? Wilker Dias : Em alguns bairros a situação ainda continua tensa, principalmente se formos olhar em alguns pontos em Joanesburgo continuam com alguns focos e temos situações, na maior parte dos casos, claramente visíveis contra os imigrantes ilegais, mas também há alguns outros aspectos. Nós acabamos verificando que existem alguns bairros em que, mesmo sendo o cidadão legal, acaba sofrendo com as represálias desta questão da xenofobia que tem sido recorrente na África do Sul. Um outro aspecto que nós poderíamos aqui levantar é que além das pessoas estarem a serem vitimas, também nós temos estabelecimentos comerciais que acabam levando por tabela esta questão ligada a xenofobia, em que também por um lado, demonstra que não é apenas um acto que é provocado por conta da pressão de estrangeiros no país, mas também ligados àqueles que são os factores de pobreza ou de desemprego, que acaba assolando um pouco parte daquela que é a comunidade sul-africana. RFI : Como é que se explica que, apesar de ter terminado esse ultimato, a violência continua? Wilker Dias : É claramente por isso, porque eles deram um ultimato e claramente que depois deste ultimato, já se previa que seria o início de uma fase mais violenta, em que poderíamos ter feridos e poderíamos ter mortos. E é basicamente isso que ainda continuamos a verificar. Do outro lado, temos moçambicanos mortos, alguns deles contabilizados obviamente pelo Estado. Mas existe também algum número que é difícil de contabilizar e a gente vai recebendo algumas informações com os familiares próximos que habitam daquele lado. RFI : Consta que haverá partidos políticos que financiam essas organizações. Wilker Dias : Essa teoria é quase que normal, que existe até uma altura destas, porque estamos em ano eleitoral na África do Sul. Complica ainda mais. Primeiro, para que o governo tome alguma medida relativamente ao aspecto e alguns partidos políticos também saem contra algumas medidas que podem eliminar esses movimentos. Eu digo isto porquê? Porque se nós formos a ver, há um grande peso da comunidade africana e zulu e esses movimentos anti-imigração são também liderados por zulus. É por esse motivo que nós temos o MK (partido fundado pelo antigo Presidente Jacob Zuma), que decerto apoia o movimento anti-imigração. Já vimos a filha do Jacob Zuma a proferir algumas palavras ‘Também vou apoiar este movimento’ e por aí vai. Mas é tudo por uma táctica eleitoral, porque estamos num ano eleitoral. RFI : Tem-se a sensação que o ANC no poder não tem tido propriamente mão firme relativamente a estas violências. Wilker Dias : Sim, o ANC, aquilo que se fala pelos corredores aqui na África do Sul é que o ANC não tem tido esta mão firme por conta deste quesito que é o ‘factor ano eleitoral’, porque as coisas nas últimas eleições não correram bem, porque ganharam, obviamente, mas não foram naqueles números desejados. E o facto de não ter ganho os números desejados é a fragilidade que o ANC foi enfrentando ao longo dos tempos. Se tivermos este ir contra estes que defendem os movimentos, neste caso anti-imigração, isto poderá ter consequências ainda piores para o próprio ANC. Então, por isso tem que fazer um jogo um pouco mais neutro para encontrar alguma solução para tudo isto. RFI : Wilker Dias anda entre a África do Sul e Moçambique e tem estado atento a todo este processo de repatriamento dos moçambicanos que estavam radicados na África do Sul. Como é que eles chegam? Em que situação é que eles se encontram? O que é que eles contam? Wilker Dias : Temos visto pessoas em diferentes situações. Há aqueles que chegam de facto, sem nenhuma documentação, alguns não por serem propriamente ilegais, mas porque naquele processo de saídas às pressas e etc, acabaram perdendo os seus documentos. Nesse caso concreto, o passaporte. E há uma complicação enorme, por vezes do lado sul-africano, em que há denúncias de que para passar do outro lado precisa-se de valores monetários. Estás a voltar para o teu país e mesmo assim precisas de ter algum valor, que é para poder praticamente subornar a polícia ou a imigração para poder passar. Então isto acaba sendo um dos factores que deixa as pessoas muito frustradas com isso. São várias pessoas que já contabilizamos, acho que mais de 50 ou 100 pessoas que já passaram por esta situação a nível da fronteira do lado sul-africano, o que é um factor um pouco negativo. RFI : O governo esta semana disse que tinha ajudado a repatriar cerca de 1400 pessoas provenientes da África do Sul. Tem-se alguma ideia de quantas outras é que terão saído da África do Sul pelos seus próprios meios? Wilker Dias : É um número muito grande. Eu só posso adiantar isso porque é um facto praticamente histórico. A África do Sul, durante anos, sempre foi tido como um eldorado por parte dos moçambicanos e de certeza nós temos lá muitos, principalmente nas zonas ou em regiões mineiras. E isto faz com que nós, a uma altura destas, tenhamos vários moçambicanos que vão atravessar. é só nós irmos a terminal da Junta Rodoviária em Maputo, nós vamos ver lá várias pessoas, tanto moçambicanos e também malauianos que estão daquele lado e que infelizmente uma das coisas que me deixou meio triste com o governo do Maláui é não era haver uma mobilização também forte por parte do governo para tirar aqueles que são os seus cidadãos. Este facto também mostra um pouco daquela que é a falta de união ou preparação por parte dos países da SADC no que diz respeito a esse fenómeno da xenofobia. A diplomacia não está a funcionar a nível da nossa região como deve ser. A própria sociedade está muito tímida relativamente a esse aspecto. Era altura de se unir e aí também olhar-se não só para aqueles que vão sair da África do Sul, mas que olham para Moçambique como o ponto mais próximo para tentar ver o que é que se pode fazer e voltar. Temos muitos cidadãos, a título de exemplo, que também conseguiram ir para a Beira para depois apanhar um comboio e seguir para os outros países próximos. O que revela também um número grande de imigrantes que Moçambique está a receber. E isso também pode trazer consequências para Moçambique, que para além de os cidadãos moçambicanos que estão a vir do outro lado, nós teremos que se calhar encontrar uma medida para aqueles cidadãos malauianos e também de outras nacionalidades que estão a vir para Moçambique e que até podem estar numa situação ilegal. RFI : O Governo comunica bastante sobre o apoio que tem dado aos moçambicanos que têm que sair da África do Sul. Transportam essas pessoas e depois dão-lhes algum apoio, um kit, alguma informação para tentar restabelecer-se. E também falam em projectos para estas pessoas, para serem colocadas em novos postos de trabalho, nomeadamente nos megaprojectos no Norte ou nos Emirados ou em Portugal. O que é que constata no terreno? Wilker Dias : Eu constato que isso é uma miragem. Primeiro ponto : não é só o governo que está a prestar este apoio. Temos, além dos partidos político, temos também visto grupos de cidadãos que se têm mobilizado e também dirigido a estes pontos para poder distribuir refeições e ajudar as pessoas que vêm da África do Sul. Por conta da xenofobia, muitos cidadãos tem-se mobilizado, sensibilizado para este efeito. Relativamente à questão de empregabilidade a nível dos megaprojectos aqui em Moçambique, por aí vai. Eu lhe digo que isto é uma autêntica ilusão. Só para ter uma ideia, antes de ontem nós tivemos uma situ

  6. 5d ago

    Economia mundial estará a caminho da terceira crise em vinte anos?

    Nesta quinta-feira, o economista do organismo de consultoria Novaminds, Pascal de Lima, uma voz conhecida das nossas antenas, publicou um artigo de opinião no jornal português Expresso com um título em forma de interrogação: "Estaremos a caminhar directamente para uma nova crise financeira?". Nesta crónica, Pascal de Lima passa em revista as crises mais recentes a que assistimos, a crise de 2007 / 2008 desencadeada depois da falência do banco americano Lehman Brothers, a crise de 2010-2012 das dívidas públicas de países como a Grécia e Portugal e agora os sinais que surgiram durante a pandemia de Covid 19 e têm vindo a acumular-se cada vez mais com os conflitos na Ucrânia e no Médio Oriente. Nestes últimos dias, desvaneceram as esperanças que poderiam ter existido sobre uma diminuição da tensão no Irão, com o cessar-fogo a ser quebrado por Washington e Teerão. Um dos pontos que continuam a provocar estes choques é o estatuto do Estreito de Ormuz, via comercial estratégica, que o Irão pretende gerir. Isto evidentemente não deixa de ter consequências a nível económico, refere Pascal de Lima que começa por recordar o historial das crises pelas quais passamos nestes últimos vinte anos. RFI: Como poderíamos descrever as três crises que conhecemos desde 2007? Pascal de Lima: As três crises têm naturezas diferentes. A crise de 2007 / 2009 foi sobretudo uma crise do crédito privado e do sistema bancário. Nasceu do excesso de crédito imobiliário e também da titularização e da ilusão de que os riscos tinham sido totalmente dispersos quando, na realidade, tinham sido amplificados. Isto é a primeira característica da crise de 2007 / 2009. Desde a crise de 2010 / 2012 foi diferente. Foi uma crise da dívida soberana. Depois de se salvarem os bancos e apoiarem a economia, os Estados ficaram mais endividados e, na zona Euro, isso revelou uma fragilidade estrutural. É que tínhamos uma moeda comum, mas não uma verdadeira união orçamental. E aqui começaram as divergências entre países do Norte e países do Sul, por exemplo a crise da Grécia. E a última crise, que é uma crise um pouco diferente, que foi uma crise aberta a partir dos anos 2020. Não é uma crise financeira clássica, é uma espécie de vulnerabilidade macrofinanceira híbrida. Começou com a pandemia, continua com a inflação, a guerra na Ucrânia e a subida das taxas de juro, da energia, a dívida pública, a dívida privada também. E, de modo geral, a finança não bancária. Portanto, a grande diferença é esta: que em 2008 o risco estava sobretudo nos bancos e no crédito privado. Em 2010 deslocou-se para o Estado e hoje está mais espalhado, mais difuso e mais difícil de ler. RFI: Depois da crise provocada pela falência em 2007 da Lehman Brothers, houve uma série de países que prometeram e inclusivamente adoptaram dispositivos supostamente para proteger os seus respectivos sistemas económicos da especulação bolsista. Aprendeu-se alguma coisa? Pascal de Lima: Houve muita regulamentação bancária contra os excessos da especulação. A especulação bolsista continua. Mas a regulamentação financeira, particularmente sobre as transacções financeiras, aumentaram muito no mundo, claro, e mais particularmente com a impulsão dos Estados Unidos para a Europa, porque claramente houve excessos no domínio financeiro, excessos da especulação. Portanto, houve muitas regulamentações financeiras e também taxas em certos países, taxas sobre transacções financeiras um pouco excessivas, que pôde criar variações importantes nos mercados financeiros. RFI: Entretanto, há outro aspecto que tem vindo a ter cada vez mais importância, é concentração cada vez maior de grupos que engolem outras empresas que estejam no mesmo ramo. O que significa também que há uma maior fragilidade. Pascal de Lima: Sim, dizemos em inglês 'too big to fail' para dizer que normalmente um grande grupo com fusões e aquisições não pode falhar. Mas, evidentemente, com essas crises constatamos exactamente o contrário. Portanto, observamos que quanto maior é o grupo financeiro, quanto mais internacional é um grupo financeiro, claramente concentra também muitos riscos. E, portanto, se há uma parte do sistema financeiro que sente fraqueza, os grandes bancos claramente vão impactar directamente sobre os consumidores nas taxas de juros. RFI: O que dizer sobre as criptomoedas, que são um 'player' cada vez mais importante? Pascal de Lima: As criptomoedas são outro sinal também desta nova fragilidade financeira. Não são hoje o coração mesmo do sistema, como os bancos em 2008, mas mostram uma financeirização mais dispersa, mais tecnológica e, por vezes menos regulada. Portanto, temos a regular cada vez mais os bancos. Estamos a regular cada vez mais o mercado financeiro, mas aparecem outras tecnologias que vão contornar as regulamentações e, portanto, em caso de stress no mercado, as criptomoedas podem simplificar ainda mais a volatilidade e a perda de confiança. RFI: Outro aspecto que também tem estado a ter cada vez mais importância é tudo o que tem a ver com as novas tecnologias. Pascal de Lima: A contribuição destas empresas é enorme em termos de inovação, produtividade e novos modelos económicos, mas também cria novas dependências, dependências tecnológicas, dependências perante o 'cloud', dependência dos dados, dependências das plataformas que muitas vezes são plataformas americanas com dados europeus. A tecnologia é ao mesmo tempo uma solução, mas também cria novas fontes de vulnerabilidade. RFI: Relativamente à última crise a que se refere no seu artigo no Expresso, a crise vigente desde 2020, como é que tem evoluído nestes últimos seis anos? Pascal de Lima: Desde 2020, o que podemos observar são sinais, sinais fracos. Portanto, o primeiro sinal foi claramente a pandemia. Isso é o ponto inicial. Provocou uma contracção brutal da actividade económica, obrigou todos os Estados, os bancos centrais, a intervir de forma excepcional. Mas houve depois outros sinais que foi também o aumento da dívida pública, que sempre continua e portanto, houve a pandemia com as despesas públicas da amortização da crise económica e das empresas. E agora também o aumento da dívida pública e o crescimento muito significativo do balanço dos bancos centrais. Portanto, evitou-se, de certa forma, uma grande depressão, mas ficou uma economia mais endividada e mais dependente das condições monetárias. Esse é o segundo sinal. Houve dois outros sinais que acabam por chegar em 2026. O sinal apareceu em 2021, com as tensões nas cadeias de abastecimento e os estrangulamentos logísticos e mostrou a fragilidade realmente da globalização, da modernização. E acabamos com a guerra da Ucrânia, que tem impactos até hoje com o choque energético, a inflação e a amplificação do choque energético com a questão do Irão. Portanto, o sinal principal é que entramos num regime económico e financeiro muito mais instável, com muitos critérios, com a dívida aumentando, inflação, taxas de juro, energia aumentando e profundamente ligada com a geopolítica. RFI: Temos estado num conflito 'on / off' entre os Estados Unidos e o Irão. O que é que se pode antever para a economia mundial se este conflito continua? Pascal de Lima: Hoje, não estamos perante um risco político isolado. O problema é que quando há uma tensão no Médio Oriente, rapidamente se transforma num choque económico com um choque energético e depois um choque inflacionista, depois um choque da taxa de juro e finalmente um choque financeiro. É por isso que no artigo falo de uma possível crise financeira. O ponto central é o Estreito de Ormuz. Se houver uma ameaça séria à circulação do petróleo e também do gás nessa zona, os mercados antecipam imediatamente uma subida dos preços da energia. Isso reacende a inflação e obriga outra vez os bancos centrais a manter taxas de juro mais elevadas, enquanto as taxas estavam bastante baixas há pouco tempo. Portanto, isso é muita volatilidade financeira e torna-se mais difícil o refinanciamento dos Estados e das empresas. E, portanto, o Irão mostra bem que o risco financeiro contemporâneo é híbrido. Primeiro, geopolítico, energético, monetário. E esperamos que não seja como 2008. Mas o risco financeiro é também real. RFI: Relativamente ainda a outro conflito que mencionou há pouco o conflito da Ucrânia. O que é que se pode antever para os países europeus, uma vez que tem havido cada vez mais aquele discurso de se virar para uma 'economia de guerra'? Pascal de Lima: A economia de guerra, economia de soberania, de limitar as dependências críticas é exactamente isso o objectivo da Europa, é o objectivo do Ministério da Economia (francês). O conflito na Ucrânia teve também um impacto muito forte na Europa, provocou o choque energético com a subida do gás, do petróleo e dos custos de produção e depois alimentou a inflação. Portanto, obrigou os bancos centrais à subida das taxas de juro e fragilizou o crescimento europeu. Isso é o primeiro aspecto. Depois, antecipando o que se pode passar efectivamente é difícil, mas é possível identificar cenários de dependência energética europeia, de tensões geopolíticas com a Rússia, vulnerabilidade das cadeias de abastecimento e falta de autonomia estratégica da Europa. Não conseguimos antecipar quase nada. E agora pede-se para antecipar outras coisas enquanto não conseguimos fazer com que os políticos antecipem crises geopolíticas de que muitos economistas já falaram já há dez, 20, ou 30 anos. Portanto, isso é o problema número um. RFI: Qual é o seu sentimento precisamente sobre o facto dos dirigentes políticos e nomeadamente os dirigentes europeus, anteciparem ou não estas crises? Acha que efectivamente eles têm estado à altura destes desafios? P

  7. 6d ago

    Venezuela: No meio dos escombros, a fé mantém viva a esperança

    O Governo venezuelano quer reabrir o principal aeroporto do país a voos comerciais "o mais rapidamente possível" após os sismos que a 24 de Junho devastaram o país. O balanço de mortos não para de aumentar. Segundo as autoridades venezuelanas, 3.811 pessoas morreram e 16.740 ficaram feridas. De acordo com as Nações Unidas, os desaparecidos podem chegar aos 50.000. Muitos sobreviventes ficaram sem abrigo ou em abrigos improvisados em parques, sem perspectivas de futuro. O aeroporto internacional Simón Bolívar, que serve Caracas, fica em La Guaira, o epicentro do duplo sismo de magnitude 7,2 e 7,5, que reduziu a escombros dezenas de edifícios residenciais. Várias equipas de socorro estrangeiras já se retiraram do local, após não encontrarem sinais de vida. O balanço de mortos não para de aumentar. Segundo as autoridades venezuelanas, 3.811 pessoas morreram e 16.740 ficaram feridas, 6.462 foram resgatadas dos escombros e 17.907 pessoas ficaram sem habitação. De acordo com as Nações Unidas, os desaparecidos podem chegar aos 50.000. Muitos sobreviventes ficaram sem abrigo ou em abrigos improvisados em parques, sem perspectivas de futuro. Lucecita Fernandes, presidente da Sociedade de Beneficência de Damas Portuguesas em Caracas, traça um retrato marcado pela dor, pela incerteza e pela solidariedade dos dias que se seguiram à tragédia que atingiu a região de La Guaira. A presidente da Sociedade de Beneficência de Damas Portuguesas em Caracas, Lucecita Fernandes, traça um retrato marcado pela dor, pela incerteza e pela solidariedade dos dias que se seguiram à tragédia que atingiu a região de La Guaira. Segundo a dirigente associativa, o cenário tem mudado à medida que passam os dias. Se, numa primeira fase, todos os esforços estavam concentrados no resgate de sobreviventes, a prioridade começa agora a deslocar-se para a recuperação dos corpos das vítimas mortais, permitindo às famílias fazer o funeral e iniciar o processo de luto: "Nos primeiros dias, toda a energia da sociedade civil foi colocada no resgate de pessoas com vida. Agora, com o passar do tempo, as famílias fazem pressão para que também sejam encontrados os corpos dos seus entes queridos". A responsável admite que algumas vítimas poderão nunca ser encontradas, mas recorda que, para as famílias, a ausência de um corpo não diminui a dimensão da perda. Apesar da devastação, Lucecita Fernandes diz que permanece a esperança. Reconhece que o sentimento dominante é de tristeza, impotência e dor, mas destaca igualmente a enorme onda de solidariedade entre os venezuelanos: "A capacidade de partilha continua muito presente na sociedade venezuelana". Perante uma tragédia que atinge praticamente todas as famílias, a dirigente considera que o apoio emocional passa sobretudo pela empatia e pela capacidade de escutar quem sofre. "Quem está mais forte tem de amparar quem está mais fragilizado. É assim que uma sociedade consegue levantar-se depois de momentos tão difíceis." Num país profundamente religioso, a fé continua também a desempenhar um papel fundamental. Lucecita Fernandes recorda os testemunhos de sobreviventes resgatados ao fim de vários dias sob os escombros: "Os primeiros agradecimentos são sempre dirigidos a Deus. Muitos dizem que sobreviveram porque rezaram, porque acreditaram e porque nunca perderam a esperança." "Isto não é uma tragédia que se resolve num mês ou em dois meses. Esperamos que a solidariedade internacional continue, sempre com esperança e com a convicção de que a Venezuela conseguirá olhar novamente para o futuro", conclui.

  8. Jul 8

    250 anos depois, Estados Unidos são cada vez mais uma terra de desigualdades

    A igualdade nos Estados Unidos, tal como preconizada pelos pais fundadores há 250 anos, é cada vez mais uma miragem. A proximidade dos mais ricos com a actual administração e decisões de precedentes administrações leva a que as assimetrias estejam a colocar em risco o funcionamento da democracia no país. Os Estados Unidos festejaram este fim-de-semana os 250 anos da sua independência, numa festa com pompa e circunstância assegurada por Donald Trump, mas perturbada desde logo pelas condições meteorológicas, mas também micro-escândalos como a ingerência do Presidente no Mundial de Futebol e as ameaças iranianas durante as cerimónias funerárias de Ali Khamenei, em plenas negociações de paz. Nos discursos oficiais, Donald Trump afirmou que os norte-americanos devem estar "mais orgulhosos que nunca" com os feitos do país, mas não mencionou as desigualdades e assimetrias vividas na prática entre estados, mas também entre zonas rurais e urbanas ou até mesmo entre bairros vizinhos, tendo em conta a cor da pele dos habitantes. Nos Estados Unidos, a classe mais rica possui 71 vezes mais riqueza que a classe média, com a Oxfam a estimar que há actualmente quase 44 milhões de norte-americanos pobres, entre eles quase 10 milhões de crianças, um dos números mais elevados nos países da OCDE. Ao mesmo tempo, há quase 24 milhões de milionários nos Estados Unidos. João Pedro Ferreira, economista e director de Economia e Políticas Públicas do Centro Weldon Cooper, da Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos, explicou em entrevista à RFI que os Estados Unidos são, desde o início, uma manta de retalhos e que muitas garantias da Constituição, que visam desde a fundação a coesão no país, estão hoje em perigo. "Quem está de fora tem muita ideia de uma construção, de uma América que é coerente, que quer dizer qualquer coisa. Mas de facto, quando chegamos aos Estados Unidos e num quadro em que hoje estamos ainda mais despertos para as diferenças culturais e identitárias que existem, então os Estados Unidos parecem, de facto, uma manta de retalhos. Os pais da Constituição perceberam exactamente isso e fizeram uma Constituição - que importa lembrar que na altura foi de facto revolucionária, mesmo se hoje podemos levantar muitas questões sobre a forma como funciona a democracia americana - que era uma Constituição que tinha separação de poderes e um conjunto de coisas a que nós nos Estados Unidos chamamos de 'checks and balances'. E é basicamente para garantir que há quase uma vigilância entre os diferentes níveis da organização do Estado e do poder. E isso hoje está-se a perder. [...] E é importante também reconhecer que a democracia americana está a atravessar uma crise porque, de alguma forma, pela primeira vez, estes checks and balances e estes equilíbrios não estão a ser vistos e não estão a ser seguidos em muitos casos", explicou o economista. De 13 colónias iniciais que se revoltaram para criar um país, os Estados Unidos passaram a hoje 51 Estados e alguns sem continuidade territorial como o Havai ou o Alasca, mas mesmo em estados vizinhos, as realidades podem ser muito diferentes, como explica João Pedro Ferreira. "Os Estados Unidos são de facto uma construção muito complexa, onde as zonas urbanas e zonas rurais são completamente distintas, onde os níveis de pobreza nas zonas rurais são altíssimos, mas o nível de segregação das zonas urbanas também é relativamente importante. Que há zonas dos Estados Unidos, por exemplo, que se fossem um país, seriam dos países mais ricos do mundo, com um PIB superior ao do Luxemburgo, à Suíça, e há zonas dos Estados Unidos que, se fossem um país, teriam um PIB inferior ao da Albânia. Não é, de facto, um país homogéneo. E é importante reconhecer isso", detalhou. Desde o regresso ao poder de Donald Trump, mas também em anteriores administrações nas últimas décadas, os mais ricos encontram-se cada vez mais próximos da esfera do poder e, muitos deles, ocupam mesmo lugares de destaque como representantes dos Estados Unidos. Trump conta com 12 bilionários, entre eles Howard Lutnick, secretário do Comércio, com uma fortuna estimada de 3,2 mil milhões de dólares e que construiu a sua fortuna a partir de serviços financeiros, ou ainda Linda McMahon, secretária da Educação e mulher de Vince McMahon, que detém a WWE, uma organização de wrestling com difusão em todo o Mundo e que está avaliada em três mil milhões de dólares. Para além de uma classe privilegiada, estes multimilionários têm hoje acesso ao poder legislativo e a instâncias de decisão que desequilibram ainda mais a balança entre os pobres e os muito ricos nos Estados Unidos, colocando a democracia em risco. "Quando se tem um sistema económico que, por exemplo, nos últimos anos tem privilegiado os 1% mais ricos e os 99% restantes estão cada vez mais pobres, não se pode ter uma democracia na prática, porque isso significa que há pessoas que têm o poder de fazer coisas que estão muito acima do que o resto do comum dos mortais pode fazer. Isso tornou-se mais evidente com esta última administração federal, com esta administração Trump, com um conjunto de oligarcas que têm acesso privilegiado a leis e à ausência de regulação. E isso distorce a democracia, porque a democracia foi feita para o povo, para a maioria. E está claramente em causa agora. Por exemplo, quando olhamos para os dados da segregação racial e da pobreza, percebemos que há comunidades inteiras com determinado tipo de identidade, que são as que mais sofrem com as questões da pobreza. E percebemos que ela não está igualmente distribuída entre as zonas rurais e as zonas urbanas. Percebemos que não está igualmente distribuída entre brancos, afro-americanos ou asiáticos, por exemplo. Percebemos que há desequilíbrios importantes e é importante que a democracia formal continue a funcionar para permitir resolver estes desequilíbrios. Neste momento não está a funcionar", concluiu João Pedro Ferreira.

About

De segunda a sexta-feira (ou, quando a actualidade o justifica, mesmo ao fim de semana), sob forma de entrevista, analisamos um dos temas em destaque na actualidade.

More From RFI Portugues

You Might Also Like