Como Assim

#ComoAssim é um podcast do PÚBLICO sobre fenómenos da cultura pop e das redes sociais. A jornalista Inês Rocha desconstrói as nossas obsessões colectivas, para perceber o que está por trás daquilo de que “toda a gente fala”. Um podcast sobre tendências digitais, comportamento online, viralidade, cultura da internet e o impacto das plataformas na forma como vivemos, pensamos e sentimos. Publicado quinzenalmente às quartas-feiras.

  1. 1/04

    Apostamos em tudo, do futebol às eleições. Há uma epidemia de “gambling”? — Como Assim

    No final da última década, apostar deixou de significar ir ao casino, escolher uma slot machine ou sentar‑se à mesa a jogar cartas. Hoje, basta um telemóvel, um tablet, um relógio digital. Do futebol às criptomoedas, das loot boxes nos videojogos aos mercados de previsão, o acto de apostar entrou em quase todas as esferas da cultura digital — mesmo que não lhe chamemos “jogo”. Mas que fenómeno é este que transforma videojogos, mercados, eleições e tendências num mesmo circuito de risco e recompensa, alimentado por figuras públicas, equipas desportivas e plataformas online? E que efeito tem tudo isto numa geração que cresce com notificações constantes e promessas de ganhos imediatos? Neste episódio do podcast Como Assim, mergulhamos num fenómeno que se tornou quase omnipresente e já há uma expressão para isso: a “gamblificação” da sociedade — e procuramos perceber o impacto que isso está a ter na cultura, no desporto e na saúde pública. A psiquiatra Inês Homem de Melo, especialista em comportamentos aditivos, explica que a acessibilidade é meio caminho andado para o vício: quando a “droga de eleição” está sempre no bolso, a barreira à experimentação desaparece. O psicólogo Pedro Hubert, coordenador do Instituto de Apoio ao Jogador, tem visto a idade dos apostadores que lhe aparecem no consultório diminuir a olhos vistos. Muitos começaram nos videojogos e acabam a apostar nos mercados financeiros. Entretanto, entre 2020 e 2025, as receitas brutas do jogo online cresceram 258%, de 336,4 milhões para 1206 milhões de euros. O maior crescimento foi nos jogos de sorte e azar, que registaram uma subida de 334%; mas as apostas desportivas também subiram significativamente (178%). E a ligação entre casas de apostas e clubes tornou‑se tão profunda que, hoje, treze das 18 equipas da primeira liga exibem casas de apostas na frente da camisola; as restantes na manga. Para o investigador Marcelo Moriconi, do ISCTE, esta simbiose está a transformar a forma como consumimos desporto: “é muito difícil consumir desporto sem receber incentivos para apostar”, diz. No final, a pergunta inevitável é: onde fica a regulação no meio disto tudo? É possível e vale a pena regular? E como podemos fazê-lo? Neste episódio ouvimos também Bernardo Neves, secretário-geral da APAJO - Associação Portuguesa de Apostas e Jogos Online, e Luís Pisco, jurista da Deco. Siga o podcast #ComoAssim e receba cada episódio quinzenalmente, à quarta-feira no Spotify, na Apple Podcasts ou noutras aplicações para podcasts. Conheça os podcasts do PÚBLICO em publico.pt/podcasts. Tem uma ideia ou sugestão? Envie um email para podcasts@publico.pt. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    37 min
  2. 18/03

    Heated Rivalry: como um romance queer se tornou um fenómeno global — Como Assim

    No final de 2025, uma série canadiana de baixo orçamento tornou-se inesperadamente o assunto do momento em todo o mundo: Heated Rivalry acompanha a relação secreta entre dois jogadores de hóquei no gelo, rivais dentro do ringue, mas profundamente atraídos um pelo outro. A conversa começou por estar confinada ao BookTok. A série é uma adaptação ao pequeno ecrã de um romance popular no nicho de leitores do Tiktok – "Game Changers", de Rachel Reid. Mas rapidamente chegou a um público bem mais vasto: em poucas semanas, tornou-se a produção externa à HBO Max mais vista de sempre na plataforma. À primeira vista, a explicação parece simples: as cenas sexuais, que a série não se coíbe de mostrar e que são parte integrante da narrativa, e o lado “estético” do elenco. Como nota Manuel Oliveira, influenciador LGBT+: “a parte estética, ou seja, os três homens principais da série são extremamente lindos morrer, e isso como é óbvio que mexeu com a série”. Mas ainda que relevantes, esses factores não explicam o impacto emocional que Heated Rivalry teve nos fãs, e em particular no público feminino. O que verdadeiramente prendeu as pessoas foi a relação entre os protagonistas: comunicada, vulnerável e construída de igual para igual. Daniela Saltão, tiktoker de moda e beleza, mas também apaixonada por livros e séries, diz que foi a vulnerabilidade emocional das personagens que a prendeu – nos romances mais tradicionais entre um homem e uma mulher “acabamos sempre só por ver o lado da mulher mais vulnerável”, diz. Uma leitura partilhada também por Manuel Oliveira. Para o influencer, ver uma relação entre homens retratada com afecto, cuidado e diálogo — sem estereótipos, sem violência emocional, sem a habitual carga trágica — foi particularmente marcante. “Eu precisava desta série”, diz. Depois de décadas em que grande parte das narrativas queer foi “pesada e triste”, reflectindo histórias de perseguição e perda, foi reconfortante perceber que “conseguimos rever‑nos também na felicidade, no amor, na beleza”. Mas porquê agora? O que explica o sucesso de Heated Rivalry no momento cultural que vivemos? Neste episódio de Como Assim, conversamos com fãs e também com a jornalista Joana Amaral Cardoso, que acompanhou o fenómeno de perto e entrevistou o criador da série, Jacob Tierney, para perceber como uma história aparentemente de nicho acabou a unir públicos tão distintos. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    30 min
  3. 4/03

    Da loucura ao esquecimento: o que os Labubus revelam sobre o futuro das compras — Como Assim

    Tudo começou com uma simples fotografia: em Abril de 2024, Lisa, do grupo de KPop BLACKPINK, publicou uma imagem no Instagram com um Labubu pendurado na mala. Bastaram algumas horas para as pesquisas dispararem em vários países e o site da chinesa Pop Mart cair. O que aconteceu a seguir repete um padrão que já descrevemos no último episódio de #ComoAssim: perante um produto escasso e exclusivo, ninguém quis ficar de fora. Todos correram a comprá-lo e a fazer a sua versão de “unboxing” para as redes sociais. Com uma particularidade: no caso dos Labubus, ninguém sabia exactamente o que estava a comprar. É que os produtos da Pop Mart vêm em “caixas surpresa” – o que as torna pequenas máquinas de dopamina. Tudo isto faz parte do espectáculo e contribui para incentivar as compras por impulso. Mas como acontece sempre neste género de modas, o entusiasmo tem um prazo de validade: tão rápido como apareceu, em pouco mais de meio ano, a moda dos Labubus morreu. Nada disto é surpreendente: o ciclo das tendências está cada vez mais rápido e intenso. Mas a explosão e queda dos Labubus em 2025 mostra-nos uma mudança mais profunda a acontecer na maneira como consumimos. Para percebermos que mudança é essa, temos de olhar para a China, onde o casamento entre entretenimento e comércio já funciona há anos. É esse modelo, o chamado “social commerce” – comércio feito dentro das redes sociais – que o Tiktok está a tentar implementar no ocidente. Neste episódio de #ComoAssim, conversamos com um dos primeiros portugueses a aderir à moda dos Labubus, Ricardo Lourenço, e com alguém que viu na moda uma oportunidade de negócio, Jéssica Machado. Ouvimos ainda Samuel Lins, professor de psicologia do consumo, e Vivianne Varella, uma especialista em e-commerce bem atenta à realidade chinesa. Siga o podcast #ComoAssim e receba cada episódio quinzenalmente, à quarta-feira no Spotify, na Apple Podcasts, ou noutras aplicações para podcasts. Conheça os podcasts do PÚBLICO em publico.pt/podcasts. Tem uma ideia ou sugestão? Envie um email para podcasts@publico.pt. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    28 min
  4. 18/02

    Do “cheesecake japonês” ao chocolate do Dubai. Como se cria uma obsessão colectiva — Como Assim

    Não é japonês. Não é cheesecake. E, ainda assim, o "cheesecake japonês" tornou‑se uma das sobremesas mais partilhadas nas redes sociais no início de 2026. Bastam dois ingredientes – iogurte natural e bolachas – para fazer uma receita tão simples quanto improvável que se tornou rapidamente uma obsessão colectiva e teve impacto nas prateleiras dos supermercados. Não é a primeira vez que acontece nem será a última. De repente, todos parecem estar a provar a mesma sobremesa, a discutir a sua origem e a partilhar vídeos em série. O nome varia, a apresentação também, mas o padrão repete‑se. Aconteceu com o “morango do amor”, que encheu as pastelarias no último Verão e aconteceu com o chocolate do Dubai, que desencadeou uma verdadeira corrida ao luxo acessível e levou a uma escassez global de pistáchios. Mas “como assim”? O que explica a sucessão de receitas virais, que tão rápido como nos bombardeiam os feeds, desaparecem? Para nos ajudar a perceber tudo isto, convidámos o chef Miguel Mesquita, a especialista em marketing Márcia Maurer Herter e o psicólogo Samuel Lins, que ajudam a perceber como se cria - e como se desfaz - uma tendência digital. E aproveitámos para provar o “cheesecake japonês” e o morango do amor: afinal, o que têm de tão especial? Siga o podcast #ComoAssim e receba cada episódio quinzenalmente, à quarta-feira no Spotify, na Apple Podcasts, ou noutras aplicações para podcasts. Conheça os podcasts do PÚBLICO em publico.pt/podcasts. Tem uma ideia ou sugestão? Envie um email para podcasts@publico.pt. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    26 min
  5. 4/02

    “Deslocado” dos Napa, fenómeno mundial maior do que “Amar Pelos Dois”? — Como Assim

    Quando os NAPA ganharam o Festival da Canção, em 2025, a vitória não foi consensual - "Deslocado" ficou em quarto lugar na votação do júri e em segundo no televoto. Na Eurovisão, foram arrasados nas casas de apostas, que colocavam a banda na zona de eliminação, muitas vezes no penúltimo ou último lugar da primeira semifinal. Ainda assim, os madeirenses contrariaram as previsões, passaram à final e arrecadaram o 21.º lugar. Mas o que ninguém imaginava na altura é que a história da canção ainda estava no início: meses depois, se contasse o número de audições no Spotify, "Deslocado" teria arrecadado o segundo lugar no festival. Hoje, a canção soma mais de 100 milhões de audições no Spotify, tornou-se a música portuguesa mais ouvida de sempre na plataforma, até à semana passada tinha o triplo das audições de "Amar pelos Dois" (entretanto retirada da plataforma por Salvador Sobral) e circula nas redes muito para lá do contexto da Eurovisão. No TikTok, “Deslocado” é usada em vídeos sobre saudade, casa e distância - em português e noutras línguas. A canção chegou ao top das músicas virais no Spotify Brasil e passou a ser ouvida em cidades como São Paulo ou Jacarta. Mas a canção dos NAPA nunca foi pensada para funcionar nas redes. “Deslocado” não é curta, não é repetitiva, não tem um momento viral óbvio. Pelo contrário, tem uma estrutura pouco convencional e uma progressão quase narrativa. “Na teoria, esta música não devia funcionar”, resume o produtor Ben Monteiro. O que explica, então, o enorme sucesso que a canção teve e continua a ter? É sobre isso que conversamos neste #ComoAssim, com o vocalista dos NAPA, Guilherme Gomes, o produtor e músico Ben Monteiro e também com os mais entendidos: os fãs dos NAPA. Siga o podcast #ComoAssim e receba cada episódio quinzenalmente, à quarta-feira no Spotify, na Apple Podcasts, ou noutras aplicações para podcasts. Conheça os podcasts do PÚBLICO em publico.pt/podcasts. Tem uma ideia ou sugestão? Envie um email para podcasts@publico.pt. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    25 min
  6. 21/01

    Vizinhos. Como se cria uma banda do zero no tempo do TikTok? — Como Assim

    Em outubro de 2025, mais de quatro mil pessoas cantaram em uníssono a canção “Pôr do Sol” no Super Bock Arena, no Porto. Mas aquilo que, para qualquer banda, seria o culminar de uma carreira longa, para os Vizinhos era apenas o princípio de algo que tinha começado menos de um ano antes: um desafio de criar uma banda do zero, até encher o Coliseu. O fenómeno começou à mesa, num jantar de amigos, e cresceu com a intensidade que hoje caracteriza as redes sociais. Os quatro músicos de Évora documentaram cada etapa do projeto no TikTok e Instagram: os ensaios, a criação das primeiras músicas, as dúvidas, as decisões estéticas, os erros e os triunfos. Não era apenas um diário de bastidores, mas uma narrativa a ser consumida e comentada em tempo real. A primeira canção da banda, “Pôr do Sol”, rapidamente se libertou das fronteiras das redes sociais e ganhou estatuto de êxito do Verão. Conquistou o galardão de tripla platina, com mais de 19 milhões de audições no Spotify e outras 12 milhões no Youtube. Passa nas maiores rádios nacionais e encheu recintos de dezenas de festivais e festas de Verão. A frase que mais entrou no ouvido - “Se achas Lisboa grande, o Alentejo ainda é maior” - tornou-se um símbolo de orgulho regional e ajudou a definir a identidade da banda, numa altura em que a música alentejana ganhou uma nova vida junto dos mais jovens.  O desafio está, em parte, cumprido: a banda já tem Coliseus anunciados. Mas fica a pergunta: como assim? Como é que os Vizinhos conseguiram chegar aqui tão rápido e o que é que a estratégia que usaram nos ensina sobre a forma como consumimos música no tempo do TikTok? No arranque da terceira temporada do podcast #ComoAssim, conversamos com os Vizinhos, com o manager e também vocalista dos Átoa, João Direitinho, e ainda com um produtor musical habituado a lidar com redes sociais, Ben Monteiro. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    33 min
  7. 16/01

    Uma terceira temporada sobre coisas estranhamente populares? — Como Assim

    2025 terminou e, com ele, desapareceram modas que dominaram conversas, redes sociais e hábitos de consumo. Algumas duraram semanas, outras meses, mas todas tiveram algo em comum: a sensação de que era impossível escapar-lhes. Das músicas em “repeat” constante aos filmes omnipresentes, passando por bonecos inesperadamente populares ou doces que se tornaram virais, estas tendências dizem muito sobre a forma como consumimos cultura na era digital — rápida, intensa e, muitas vezes, efémera. Em 2026, o Como Assim propõe-se a olhar para essas obsessões colectivas, tanto para as que marcaram o passado recente como para as que estão a emergir agora. O objectivo é simples: perceber de onde vêm, porque se espalham tão depressa e o que revelam sobre nós. A terceira temporada chega também com uma mudança: para garantir que nada escapa ao radar e que os episódios não desaparecem tão depressa como as modas da internet, o Como Assim passa a ter uma periodicidade quinzenal. Os episódios serão publicados à quarta-feira, de duas em duas semanas, no site do Público e nas aplicações de podcast. A estreia está marcada para o dia 21 de Janeiro. Siga o podcast #ComoAssim e receba cada episódio quinzenalmente, à quarta-feira no Spotify, na Apple Podcasts, ou noutras aplicações para podcasts. ​Conheça os podcasts do PÚBLICO em publico.pt/podcasts. Tem uma ideia ou sugestão? Envie um email para podcasts@publico.pt. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    1 min
  8. 05/12/2024

    Como sobreviver com saúde mental à parentalidade no século XXI — Como Assim

    Ser pai ou mãe nunca foi simples, mas no século XXI, a tarefa tornou-se ainda mais desafiante. As redes sociais não só impõem padrões irreais como bombardeiam os pais com regras contraditórias, produtos "essenciais" e julgamentos constantes. Educar filhos tornou-se um exercício de equilíbrio que muitas vezes leva os pais à exaustão. O burnout, um distúrbio causado por exaustão física, emocional e mental, tem sido cada vez mais estudado no contexto da parentalidade. Segundo dados recolhidos em 2021-2022 por investigadores da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, 8% dos pais portugueses sentem sintomas de burnout de forma muito frequente. O valor quadruplicou face a uma outra recolha feita em 2018 (1,8%). Mas como é que ser pai e mãe, uma tarefa que a espécie humana assegura há milhares e milhares de anos, se tornou uma experiência tão avassaladora para a nossa saúde mental? E como é que podemos garantir que sobrevivemos a ela da forma mais saudável possível? No último episódio da temporada de #ComoAssim, conversamos com pais e psicólogos sobre como sobreviver aos desafios da parentalidade no século XXI. Ouvimos Maria Inês Mano, criadora de conteúdos sobre maternidade, Carolina Vieira, influenciadora de viagens na página Mochileiros VC, mas também psicólogas especialistas em burnout parental: Marisa Matias, Isabelle Roskam e Moïra Mikolajczak. Siga o podcast #ComoAssim e receba cada episódio todas as quintas-feiras às 16h no Spotify, na Apple Podcasts, ou noutras aplicações para podcasts. ​Conheça os podcasts do PÚBLICO em publico.pt/podcasts. Tem uma ideia ou sugestão? Envie um email para podcasts@publico.pt. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    42 min
4,9
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#ComoAssim é um podcast do PÚBLICO sobre fenómenos da cultura pop e das redes sociais. A jornalista Inês Rocha desconstrói as nossas obsessões colectivas, para perceber o que está por trás daquilo de que “toda a gente fala”. Um podcast sobre tendências digitais, comportamento online, viralidade, cultura da internet e o impacto das plataformas na forma como vivemos, pensamos e sentimos. Publicado quinzenalmente às quartas-feiras.

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