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  1. Mais de metade dos adolescentes dorme mal e alguns sentem-se ansiosos

    -2 DIAS

    Mais de metade dos adolescentes dorme mal e alguns sentem-se ansiosos

    Chama-se Bem-Estar, Saúde Psicológica e Comportamentos Aditivos, e é um estudo do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências, que procurou correlações entre os níveis de bem-estar e o consumo de substâncias psicoactivas e outros comportamentos aditivos entre os alunos do ensino público português entre os 13 e os 18 anos. O estudo associa o sono insuficiente e sintomas de depressão, ansiedade e stress a uma maior probabilidade de consumos e comportamentos aditivos. Seis em cada dez estudantes não dormem o bastante para acordar descansados. Entre as raparigas, os indicadores emocionais e o consumo recente de medicação psicoactiva sem prescrição geram mais preocupação. O relatório mostra ainda que, para lá do debate sobre o tempo de ecrã, a maior gravidade pode estar no álcool, nas drogas ilícitas e sobretudo em tranquilizantes, sedativos, analgésicos fortes e “drogas inteligentes” usadas para estudar. Em paralelo, o suporte emocional parece ter enfraquecido após a pandemia: menos jovens sentem que conseguem desabafar com família e amigos, enquanto bullying e cyberbullying aparecem associados a mais riscos. Há sinais positivos — mais desporto e mais convívio — mas a pergunta central mantém-se: estamos a responder ao sofrimento juvenil com prevenção e diálogo, ou com automedicação e silêncio? A convidada deste episódio é Natália Faria, editora de Sociedade do PÚBLICO. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    13 min
  2. Seguro em Espanha, entre o simbolismo e o reforço da amizade ibérica

    -3 DIAS

    Seguro em Espanha, entre o simbolismo e o reforço da amizade ibérica

    Entre os escassos chefes de Estado presentes na cerimónia de tomada de posse do presidente António José Seguro, estava o rei de Espanha, Filipe VI. Não admira por isso que tenha recebido as palavras de agradecimento e elogio que acabámos de ouvir. Como não admira que, na sua primeira visita de Estado, António José Seguro tenha escolhido como destino a capital espanhola. Estará a cumprir uma tradição? Não, porque nem Jorge Sampaio, nem Mário Soares nem Aníbal Cavaco Silva escolheram Madrid para as suas viagens inaugurais. Estaria a seguir um conselho do seu antecessor, Marcelo Rebelo de Sousa? O próprio Marcelo visitou o Vaticano antes de, no mesmo dia, ir apresentar cumprimentos ao rei da Espanha e ao seu chefe de Governo. Mas, ponde de lado o apelo da Santa Sé a um presidente católico, se houve um presidente que visitou o país vizinho, foi Marcelo. Nos seus dois mandatos, o anterior presidente foi 18 vezes a Espanha, a última das quais a 20 de Fevereiro deste ano, escassos dias antes de terminar o mandato. Não custa a perceber: Portugal tem fronteiras terrestres apenas com a Espanha; Portugal tem relações diplomáticas com os antecessores do estado espanhol desde o século XII; o primeiro embaixador português em Madrid foi nomeado em 1668. Nem tudo foi fácil nesta relação. Basta recordar as guerras de 1383/85 ou a União Ibérica sob a égide dos Filipes entre 1580 e 1640. Hoje o aviso de que de Espanha não vem nem bons ventos nem bons casamentos faz parte do passado. Mas, como o economista José Félix Ribeiro avisava há uns 15 anos atrás, o diálogo de Portugal com a Espanha está sempre no cerne da política externa portuguesa pela natural dificuldade de gerir as relações com o país que é o nosso único vizinho, com a desproporção de dimensão demográfica e económica que existe entre ambos e tendo em conta as ambições de centralização de decisões respeitantes à inserção europeia da Península ibérica que Madrid tradicionalmente manifesta” Apesar das memórias e da “desproporção” de que Félix Ribeiro fala, as relações de Portugal são óptimas e em temas sensíveis como o da gestão da água dos rios ibéricos tem sido possível produzir acordos. O problema maior, que o Presidente Seguro disse querer superar, é a desproporção económica. A Espanha é o nosso principal parceiro comercial, mas enquanto as exportações portuguesas valeram em 2024 25,5 mil milhões de euros, as importações da Espanha ascenderam aos 40 mil milhões. Como está a relação entre os estados ibéricos actualmente? O que podemos esperar dessa relação no futuro? Como se encaixaram as duas jovens democracias no contexto europeu? Oportunidade para falar com Diogo Noivo, licenciado em Ciência Política e Mestre em Segurança e Defesa pela Universidade Complutense de Madrid e pelo Centro Superior de Estudios de la Defensa Nacional. Diogo Noivo é politólogo e foi co-autor do podcast do PÚBLICO Desordem Mundial. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    18 min
  3. Um campeonato a provar a classe do futebol em Portugal

    -4 DIAS

    Um campeonato a provar a classe do futebol em Portugal

    Foi um jogo intenso, por vezes bem jogado, com oportunidades de parte a parte, com jogadores estrangeiros a mostrar qualidade e jovens portugueses a revelar talento. No final, talvez fosse possível dizer que quer o Sporting, quer o Benfica, mereciam ganhar. Ou que o resultado mais justo seria um empate. Mas, como disse Rui Borges, o treinador do Sporting, o futebol por vezes é cruel. Com a vitória do FCPorto no Dragão, o sonho do tricampeonato está cada vez mais longe de Alvalade. Mesmo que o Sporting ganhe a sua partida em atraso contra o Tondela, o FC Porto fica com cinco pontos de vantagem quando faltam apenas quatro jogos para o final do campeonato.  José Mourinho já havia praticamente desistido da luta pelo título, em especial depois de um empate frente ao Casa Pia. O jogo de ontem, porém, era crucial para as ambições do clube e para o desejo que manifestou de continuar no Benfica na próxima época. A sua equipa continua sem derrotas, bate o seu rival histórico no seu próprio terreno e pode sonhar com a possibilidade de chegar ao segundo lugar e entrar nas eliminatórias que dão acesso aos milhões de euros da Liga dos Campeões europeus. Nesta luta ombro a ombro, Mourinho não perdeu a oportunidade de entrar nos seus conhecidos jogos mentais. O Sporting joga muito, o Benfica jogou hoje muito, o FC Porto continua a impor o seu poderio e mais a norte, no Minho, a luta pela quarta posição continua viva, com o Braga, o Famalicão e o Gil Vicente a continuarem na luta. Também por aqui se prova a qualidade do campeonato português. Que para lá de ter mostrado e, no caso do Braga, continuar a mostrar o seu músculo nas competições europeias, nos tem proporcionado bons jogos. Para lá da emoção da incerteza que é, afinal, um dos principais ingredientes do futebol.  O que nos espera até ao final do campeonato? Oportunidade para falarmos com Nuno Sousa, editor do Desporto do PÚBLICO. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    19 min
  4. As tormentas do Líbano vistas pela luso-libanesa Safaa Dib

    17/04

    As tormentas do Líbano vistas pela luso-libanesa Safaa Dib

    A notícia, dada pelo presidente Donald Trump, correu o mundo, por uma razão fácil de entender: um encontro diplomático entre representantes do Líbano e de Israel estava anunciado, pondo termo a um período de 34 anos sem conversações entre os dois países. Ainda é cedo para se acreditar que o encontro vai servir de base a um acordo entre as partes, ou até a um cessar-fogo. Porque o que separa o Líbano de Israel é mais do que um desaguisado entre dois países: é um conflito onde aparece uma milícia financiada pelo Irão, o Hezbollah, que usa o território libanês para atacar Israel e que serve de argumento para que Telavive continue a destruir não apenas supostas bases terroristas nesse território, como a bombardear e a matar civis na capital libanesa, Beirute.  O Líbano é uma vítima clássica da geografia. Durante séculos, foi lugar de refúgio de muçulmanos sunitas, xiitas ou drusos​, mas também de cristãos maronitas. Se em tempos remotos a coexistência entre estas comunidades foi pacífica e permitiu ao Líbano ser um oásis numa zona conturbada – o tempo em que o país era a Suíça do médio oriente e a sua capital uma espécie de Paris na orla este do Mediterrâneo, as tensões geopolíticas contemporâneas da região levaram o pesadelo para o interior das suas fronteiras. Uma guerra civil entre essas comunidades que se prolongou entre 1975 e 1990 causou a morte de pelo menos 120 mil pessoas.  O país recuperou a paz através de um acordo ardiloso. Os cargos sensíveis do estado são divididos entre as suas 18 seitas reconhecidas, o presidente é um cristão maronita, o primeiro-ministro um sunita e o chefe do parlamento um xiita. Mas esse acordo não contemplou o desarmamento do Hezbollah. Sendo uma milícia manobrada pelo Irão, cuja existência se justifica num plano de hostilidade permanente contra Israel, sempre que há um conflito ou uma ameaça de conflito na região, o Líbano torna-se um alvo. E os libaneses vítimas permanentes da instabilidade política – ou no caso presente, da infâmia de um bárbaro como Netanyahu. Na semana passada, um bombardeamento a uma zona civil de Beirute causou 200 mortos. Um deputado italiano expressou de forma evidente, entre críticas a Giorgia Meloni​, a rejeição internacional a este acto bárbaro. A família de Safaa Dib é o exemplo perfeito das tormentas do seu país de origem. Na guerra civil, o pai emigrou para os Emirados Árabes Unidos, onde conheceu um português. Em 1985, o senhor Dib decidiu resgatar a família e emigrou para Portugal. Safaa Dib veio para Lisboa com dois anos estudou Literatura na Universidade de Lisboa, foi editora e tornou-se uma figura grada do partido Livre na capital. No ano passado, publicou o livro Líbano, uma Biografia, na qual reflecte o destino trágico do seu país e o percurso da sua família. É um livro extraordinário, que cruza a memória histórica com a experiência pessoal. Safaa Dib é hoje a nossa convidada. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    20 min
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