Linha Direta

Bate-papo com os correspondentes da RFI Brasil pelo mundo para analisar, com uma abordagem mais profunda, os principais assuntos da atualidade.

  1. 1d ago

    Cúpula da UE chega ao segundo dia em Bruxelas: Ucrânia, energia e orçamento em debate

    Sem acordo sobre o orçamento para 2028-2034, e diante de um calendário apertado, os líderes europeus agendaram uma reunião extraordinária para 26 de novembro. Nesta sexta-feira (16), Volodymyr Zelensky participa das discussões sobre a Ucrânia. Artur Capuani, correspondente da RFI em Bruxelas A Cúpula do Conselho Europeu chegou ao segundo dia em Bruxelas, reunindo os 27 chefes de Estado e de Governo do bloco. Desde que assumiu a presidência do Conselho, o ex-primeiro-ministro português António Costa se comprometeu a encerrar esses encontros em apenas um dia. Ele vinha conseguindo cumprir a meta, ainda que algumas reuniões invadissem a madrugada, mas desta vez não foi possível, muito por conta do debate sobre o novo orçamento do bloco. A reunião foi pausada perto da meia-noite para ser retomada nesta sexta-feira, com discussões sobre imigração e Ucrânia, com a presença do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Um orçamento para sete anos O MFF, sigla em inglês para Multiannual Financial Framework, ou Quadro Financeiro Plurianual, foi debatido no primeiro dia da cúpula. Este é um tema recorrente em Bruxelas porque define o orçamento do bloco de 2028 a 2034, um período considerável. António Costa não abre mão de que os líderes cheguem a uma conclusão até o fim do ano, para que o Parlamento Europeu possa debater o texto em 2027. Mas alguns países, como a Itália, já deixaram claro que, para eles, o conteúdo importa mais do que o prazo. Existe um temor de que o atraso se amplie por conta da série de eleições previstas para o ano que vem, com pleitos na França, Itália, Polônia, Finlândia, Estônia, Eslováquia e Grécia. A situação francesa é a que chama mais atenção. A candidata de extrema direita Marine Le Pen aparece, no momento, como favorita na disputa presidencial e prometeu limitar a contribuição líquida do país a € 5 bilhões por ano. Seria um corte drástico em relação ao patamar atual da segunda maior economia do bloco, que gira em torno de € 8 bilhões. Como não houve acordo, ficou agendada uma cúpula extraordinária para o dia 26 de novembro. Cada país com seu interesse Se não há acordo nem sobre o prazo, a discussão sobre o conteúdo é ainda mais complicada. Na prática, cada governo defende seus próprios interesses. Espanha e Itália dão mais importância aos fundos agrícolas, enquanto os Estados Bálticos, vizinhos da Rússia, olham para o investimento em defesa. Há ainda um grupo de seis países que podemos chamar de “time dos austeros”. Liderados pela Alemanha, eles querem cortes no orçamento. A Irlanda, que ocupa a presidência rotativa do Conselho, apresentou uma proposta com redução de € 141 bilhões, amplamente rejeitada na cúpula. Agora, António Costa toma as rédeas das negociações e deve apresentar, nas próximas semanas, um esboço totalmente diferente, que prevê um novo pacote de impostos em toda a União Europeia para financiar o orçamento, além de uma flexibilidade maior para imprevistos. Depois da pandemia de Covid e das guerras na Ucrânia e no Irã, a cúpula do bloco parece ter aprendido a lição e quer garantir margem de manobra para situações como essas. Mercado de carbono no centro da discussão sobre energia A instabilidade no Oriente Médio pesa sobre os preços do petróleo e do gás e atinge diretamente o bolso das famílias e das empresas europeias. Com a chegada do inverno, a pressão deve aumentar. O principal ponto de discordância, que tomou horas de debate, foi o ETS, o Sistema de Comércio de Emissões, o mercado de carbono europeu. Simplificando bastante, por esse sistema indústrias e usinas pagam para poluir, comprando licenças de emissão. Quanto mais caro o carbono, mais cara fica a energia. Alterar a precificação para que ela fique mais estável e menos suscetível a crises pontuais seria uma forma de reduzir os preços no curto prazo. Um grupo de países, porém, argumenta que a medida pode enfraquecer a política climática da União Europeia. Nenhuma decisão foi tomada até agora, mas a expectativa é que os líderes adotem alguma medida para diminuir a volatilidade desse mercado.

  2. 2d ago

    Escala 6x1: batalha por voto e poder permite mudança histórica na legislação trabalhista no Brasil

    Proposta que virou bandeira de Lula teve apoio inclusive do PL de Flávio Bolsonaro, embora partido já fale em compensações. Trabalhador celetista terá direito a dois dias de folga por semana, sem redução salarial. Desafio do PT é reverter vitória em votos. Raquel Miura, correspondente da RFI em Brasília A disputa acirrada pelo poder num país dividido é capaz de pavimentar as condições para mudanças históricas que dificilmente aconteceriam em outros cenários, já que contrariam quem detém o poder econômico. E foi assim que, a 11 dias do segundo turno das eleições, o Senado aprovou numa única noite, em dois turnos, a emenda constitucional que reduz a jornada de trabalho no Brasil de 44 para 40 horas semanais, com a garantia de pelo menos dois dias de descanso na semana para contratos regidos pela CLT, sem redução salarial. Até um mês atrás, a proposta estava parada no Senado e parecia impossível imaginar sua aprovação, ainda mais depois da vitória esmagadora da direita na eleição para o Congresso. Mas o tema, abraçado pelo governo Lula no último ano de mandato, virou uma espécie de bote salva-vidas para o petista e, com a campanha pegando fogo na disputa voto a voto, até o PL de Flávio Bolsonaro, que abertamente trabalhou contra a mudança, no fim votou a favor. No meio da disputa nacional, destaca-se ainda a articulação de Davi Alcolumbre (União Brasil/AP) de permanecer no comando do Senado, apesar da força que o PL terá na Casa Legislativa, ainda mais se vencer o segundo turno. Flávio Bolsonaro não esteve no plenário na votação, mas registrou o voto de forma remota. E seus parceiros que votaram e discursaram não esconderam o desconforto, alguns já falando em compensações, especialmente para o comércio. Uma das propostas levantadas foi a desoneração da folha de pagamento, que tem impacto direto na Previdência Social, e mesmo de votar um caminho alternativo de negociação entre patrão e empregado. “Eu recebi milhares de pedidos sobre essa votação. E esse pedido é legítimo, sem dúvida nenhuma, eu respeito. Por isso, o meu voto será sim. Mas é preciso falar também, além das vantagens, dos riscos para o trabalhador. Nós não podemos permitir que essa conquista se transforme lá na frente, a médio e longo prazos, em prejuízo para quem queremos proteger”, disse o senador Marcos Pontes (PL/SP). O texto aprovado foi o mesmo que já tinha sido votado na Câmara e que tem como primeiro signatário o deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG). No Senado, houve apenas um voto contrário, o do senador Hamilton Mourão (Republicanos/RS), que foi vice de Jair Bolsonaro. Érica Hilton comemora “É vitória dos trabalhadores, é vitória das mulheres, é vitória de quem está nessa escala desumana. Daqui a 60 dias, a escala 6x1 acaba no Brasil. Para todos aqueles que duvidaram, para a extrema-direita e os aliados do Flávio Bolsonaro, que articularam o tempo inteiro para que isso não acontecesse, amarguem essa derrota. A voz do povo venceu”, comemorou a deputada Érika Hilton (PSOL/SP), que levantou a bandeira do tema na Câmara e acompanhou a votação no Senado. O desafio de Lula é transformar essa vitória em votos, uma vez que já era conhecida sua posição favorável ao tema e a de Flávio Bolsonaro, contrária. E o petista também já havia lançado mão de outras estratégias, como o reajuste do Bolsa Família. “Nós estamos falando de 170 milhões de brasileiros. Reconverter a cabeça desses eleitores exige algo como fazer uma curva com transatlântico. Então é uma curva devagar num espaço muito curto de tempo. E, no segundo turno, o nível de abstenção e o nível de pessoas que votam nulo costuma ser maior que no primeiro”, destacou o cientista político Alexandre Bandeira. O analista comentou os pacotes de bondades de Lula no meio da campanha e as promessas sem detalhamento de Flávio de cortar despesas em mais de R$ 200 bilhões. Nos dois casos, a pergunta é como fechar a conta. “No momento em que estamos vivendo, os dois candidatos prometem demais, mentem demais, se atacam demais e se comprometem demais. E nesta reta final, muito do que está sendo prometido como atos futuros de um governo são medidas inexequíveis. E mais do que isso, são medidas que não estão contidas nos planos de governo dos candidatos, portanto não têm ressonância naquele contrato que o candidato assinou com a sociedade ao registrar a sua candidatura.” Para Bandeira, “ou o candidato eleito não vai cumprir, ou, se decidir cumprir, nós vamos entrar num outro problema, que é um país de cobertor curto que não tem dinheiro para pagar tudo aquilo que está sendo prometido. A quem vai sobrar essa conta?”, indaga o especialista.

  3. 3d ago

    Com maioria ameaçada, Trump intensifica ofensiva eleitoral para salvar controle do Congresso nos EUA

    A menos de três semanas das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, o Partido Republicano enfrenta disputas cada vez mais competitivas, inclusive em estados tradicionalmente conservadores. Para tentar preservar o controle da Câmara dos Representantes e do Senado, o presidente Donald Trump e o vice-presidente JD Vance intensificaram a participação em campanhas eleitorais, enquanto o partido amplia os investimentos em publicidade e mobilização de eleitores. Patrícia Vasconcellos, de Washington, especial para a RFI O cenário preocupa os republicanos porque parte dos recursos está sendo direcionada a estados onde Trump venceu com ampla vantagem nas eleições presidenciais de 2024, como Texas, Ohio, Iowa e Alasca. O Cook Political Report acompanha 37 distritos competitivos para a Câmara dos Representantes. Uma pesquisa realizada em setembro nesses distritos mostrou os democratas com 49% das intenções de voto, contra 47% dos republicanos. A economia ocupa um lugar central na campanha. Inflação, custo de vida, preços dos combustíveis e os efeitos da guerra com o Irã estão entre as preocupações dos eleitores. Os democratas tentam associar essas dificuldades às decisões do governo Trump, enquanto os republicanos destacam suas propostas econômicas, a política migratória e a segurança. Texas: reduto republicano que exige atenção de Trump O Texas se tornou um dos exemplos mais significativos das dificuldades enfrentadas pelo Partido Republicano. Trump venceu o estado por quase 14 pontos percentuais em 2024, mas agora precisa participar diretamente da campanha para tentar garantir a vitória de seus aliados. Na semana passada, o presidente esteve em San Antonio, em sua terceira visita ao Texas em menos de um mês. A principal disputa é por uma cadeira no Senado. O procurador-geral do estado, Ken Paxton, apoiado por Trump nas primárias republicanas, enfrenta o democrata James Talarico. Paxton derrotou o senador John Cornyn, que ocupava a cadeira havia mais de duas décadas. Sua candidatura, no entanto, provocou divisões entre republicanos, principalmente pelas controvérsias envolvendo sua trajetória política. Além da disputa pelo Senado, Trump pressionou os republicanos do Texas a redesenhar os distritos eleitorais para tentar ampliar a representação do partido na Câmara. Mesmo com a mudança, algumas dessas disputas continuam competitivas. O Texas não elege um democrata para o Senado americano desde 1988. Uma eventual vitória de Talarico representaria uma mudança histórica no cenário político do estado. Leia tambémTrump promete US$ 5 mil para cada americano se republicanos vencerem eleições de meio mandato Ohio, Iowa e Alasca também concentram investimentos A preocupação republicana se estende a outros estados conservadores. Em Ohio, a eleição especial para o Senado entre o republicano Jon Husted e o democrata Sherrod Brown se tornou uma das disputas mais caras do país. Segundo dados da empresa AddImpact, os gastos com publicidade eleitoral chegaram a aproximadamente US$ 111 milhões em Ohio, US$ 96 milhões no Texas, US$ 48 milhões em Michigan, US$ 44 milhões na Carolina do Norte e US$ 43 milhões em Iowa. No Iowa, tradicionalmente republicano, o aumento dos custos de produção agrícola, os preços dos combustíveis e as consequências econômicas da guerra com o Irã estão presentes no debate eleitoral. O Alasca também passou a receber atenção nacional. O vice-presidente JD Vance esteve no estado para apoiar a campanha de reeleição do senador republicano Dan Sullivan, que enfrenta a democrata Mary Peltola. Disputas em estados como Kansas também ganharam visibilidade, ampliando o número de territórios onde os republicanos precisam investir recursos e mobilizar lideranças nacionais. Candidatos republicanos tentam se distanciar de Trump Outro desafio para o partido é a relação dos candidatos com o próprio presidente. Uma análise publicada pela agência Reuters identificou que, em 41 das 62 disputas competitivas para a Câmara e o Senado examinadas, candidatos republicanos se distanciaram de Trump em alguma questão específica ou reduziram a associação pública com ele durante a campanha. Em alguns casos, referências ao presidente foram retiradas de materiais eleitorais. Em outros, candidatos criticaram decisões da administração, principalmente relacionadas à guerra com o Irã. O movimento não representa necessariamente um rompimento com Trump. A maioria dos candidatos continua apoiando as principais propostas do governo, mas tenta conquistar eleitores independentes e moderados sem perder o apoio da base conservadora. Uma pesquisa Reuters/Ipsos citada no levantamento apontou a aprovação do presidente em 32%, um indicador das dificuldades enfrentadas por candidatos que dependem do apoio de eleitores além da base republicana. Leia tambémTrump aposta em convenção inédita para mobilizar republicanos antes das eleições de meio de mandato Pleito pode mudar os últimos anos do governo Trump As eleições de 3 de novembro vão definir a composição da Câmara dos Representantes, onde todas as 435 cadeiras estarão em disputa, e de parte do Senado. Atualmente, os republicanos controlam 53 cadeiras no Senado, contra 47 do bloco democrata, que inclui dois independentes. Para conquistar a maioria, os democratas precisam obter um ganho líquido de quatro cadeiras. Na Câmara, onde a vantagem republicana é menor, uma mudança de maioria permitiria aos democratas bloquear parte da agenda legislativa do presidente, convocar integrantes do governo para prestar depoimentos e abrir investigações parlamentares. Os republicanos ainda contam com recursos financeiros expressivos, o apoio de organizações conservadoras e uma base eleitoral mobilizada em torno de Trump mas a necessidade de defender estados tradicionalmente republicanos demonstra como a disputa pelo controle do Congresso se ampliou nas últimas semanas. Para Trump, o resultado será um teste de sua influência política. A principal questão é se o presidente conseguirá transferir sua força eleitoral para os candidatos republicanos numa eleição em que seu próprio nome não estará na cédula.

  4. 5d ago

    Venezuela: nova rodada de negociações entre chavismo e oposição deve focar nas garantias políticas e civis

    A mesa de negociação entre o chavismo e o grupo opositor conhecido como Assembleia Nacional de 2015 deve ser retomada nesta semana, para uma terceira rodada de conversas. De acordo com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, a reunião vai acontecer na próxima quarta-feira (14). As garantias políticas e civis vão estar no centro das discussões, afirmou à RFI uma pessoa envolvida nas conversas, que ocorrem sob a tutela de Washington. Pedro Pannunzio, correspondente da RFI na Venezuela A nova rodada de negociações foi confirmada por Marco Rubio na última sexta-feira (9), após uma reunião com Dinorah Figuera, que encabeça o grupo opositor. As delegações já haviam se reunido em Caracas em meados de agosto e no final de setembro. “Esse processo conta com apoio integral, o mais forte apoio possível, dos mais altos escalões do nosso governo”, afirmou Rubio. O secretário de Estado disse, ainda, que o processo de diálogo “deve resultar em eleições livres e democráticas”. O responsável pela diplomacia da Casa Branca também ressaltou que as negociações devem ir além da realização de novas eleições. O objetivo final, segundo ele, é fortalecer as instituições democráticas do país caribenho. As negociações entre os dois grupos incluem propostas de reforma dos sistemas judiciário e eleitoral, defendidas pela oposição como medidas necessárias para assegurar eleições justas. Até o momento, não há previsão para a realização de um novo pleito na Venezuela. “Estamos comprometidos com a reinstitucionalização dos poderes públicos, como o Tribunal Supremo de Justiça e o Conselho Nacional Eleitoral, para apresentar ao país um processo de garantias políticas e civis e estabelecer um espaço para o reencontro e reconciliação. Não é um processo fácil, mas é um processo possível”, afirmou Dinorah Figuera, ao lado de Marco Rubio. A Assembleia Nacional de 2015, eleita quando a oposição conquistou a maioria do Parlamento venezuelano, foi esvaziada em 2017, após a criação de uma Assembleia Constituinte pelo governo de Nicolás Maduro. Desde então, seus integrantes reivindicam a legitimidade do Poder Legislativo. Do lado do chavismo, as conversas são lideradas por Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional. Sua irmã, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, desembarcou neste domingo (11) em Roma para participar do Fórum Mundial da Alimentação, promovido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO). “Trazemos a experiência da Venezuela e o compromisso de ampliar a cooperação internacional em prol da produção agrícola, da segurança e soberania alimentar e do desenvolvimento sustentável”, afirmou a mandatária ao canal estatal VTV após desembarcar na Itália. Cooperação com os EUA Neste domingo (11), o Procurador-Geral dos Estados Unidos, Todd Blanche, afirmou que Washington prendeu o colombiano Álvaro Pulido, ex-sócio de Alex Saab, homem forte do governo de Nicolás Maduro que há cinco meses está detido na Flórida, após ser extraditado pelo governo de Delcy Rodríguez. Pulido é alvo de duas acusações por lavagem de dinheiro de recursos que teriam sido desviados das Bolsas Clap, um programa de distribuição de alimentos implementado na Venezuela a partir de 2016, durante o início da severa crise econômica enfrentada no país. “Segundo as acusações, suas ações demonstram desprezo pelo povo venezuelano, ao desviar, em benefício próprio, recursos de programas governamentais destinados a garantir alimentos, medicamentos e moradia, além de utilizar o sistema financeiro americano para viabilizar as operações”, disse Blanche em uma publicação nas redes sociais que ratificou a prisão do colombiano. O Procurador-Geral não confirmou que a prisão se deu após um novo caso de extradição, mas, de acordo com diversas publicações da imprensa local, Pulido estava detido na Venezuela desde 2023, acusado de corrupção. O governo venezuelano não se pronunciou sobre o caso.

  5. Oct 9

    Belgas voltam às ruas contra cortes no orçamento e alta de impostos

    Os dois maiores sindicatos da Bélgica realizam nesta sexta-feira (9) mais um dia nacional de mobilização contra as políticas de cortes fiscais do governo federal. Os trabalhadores temem que o novo orçamento, que prevê aumento do imposto sobre o consumo, volte a pesar no bolso da classe trabalhadora. Os protestos afetam o transporte público e a circulação de veículos em Bruxelas, além de provocar o cancelamento de voos. Artur Capuani, correspondente da RFI em Bruxelas O alvo da mobilização é a elaboração de um novo orçamento público com mais cortes. O governo do primeiro-ministro Bart De Wever, apelidado de Arizona pelo conjunto de cores dos partidos da coligação, persegue o tão sonhado equilíbrio fiscal, tema recorrente em quase todas as grandes economias do mundo hoje. Os sindicatos daqui da Bélgica reconhecem a importância de equilibrar as contas públicas, mas temem que, mais uma vez, o custo recaia sobre os trabalhadores. São duas as grandes preocupações: o aumento do TVA, o imposto sobre o valor agregado, e a alteração do sistema de reajuste salarial. Como resposta, as centrais defendem um plano orçamentário alternativo, elaborado por elas, com medidas que poderiam arrecadar até € 21 bilhões sem a necessidade de cortes drásticos. Um dos sindicatos também vai protestar nas sedes dos partidos que compõem o governo, em Bruxelas, e pedir uma reunião com os líderes partidários. A manifestação começou oficialmente às 10h (horário local) e a expectativa é de que se confirme a presença de milhares de manifestantes. Inflação acima da brasileira Na Bélgica, o reajuste dos salários pela inflação é garantido por lei, sem necessidade de negociação com o empregador. O problema é que a inflação está muito alta para os padrões europeus, puxada pela alta dos preços de energia decorrente da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. A inflação anual no país chegou a 4,69%, acima até da registrada no Brasil (onde o IPCA acumulado em 12 meses está em 4,22%). Esse cenário amplia o impacto desses reajustes nas contas públicas e, diante dele, o governo aprovou uma lei que limita a correção automática a uma fatia do salário de até € 4 mil. Mudanças no imposto sobre o consumo No caso do TVA, o governo estuda elevar a alíquota de 21% para 22%, o que afetaria roupas, produtos de higiene e de limpeza, eletrônicos e combustíveis, entre outros itens. Já a alíquota de 6% passaria a 9% em alguns casos, como carnes, peixes e parte dos laticínios. Para outros produtos, como frutas, legumes, pão, leite e ovos, o imposto seria zerado. Voos cancelados e trânsito interrompido Tradicionalmente, os dias nacionais de mobilização organizados pelos sindicatos causam transtornos em diversos pontos do país. Segundo a imprensa local, ao menos 140 voos ligados ao aeroporto de Bruxelas foram cancelados. A marcha pela cidade deve interromper o tráfego regular de veículos ao longo do dia, e várias linhas de ônibus e metrô também estão afetadas. Os trens circulam normalmente nesta sexta-feira, mas um segundo protesto, marcado para segunda-feira (12), deve atingir a operadora ferroviária.

  6. Oct 8

    Prisão de chefe da inteligência alemã por espionagem acende alerta entre aliados

    A prisão do ex-chefe do Serviço Federal de Inteligência da Alemanha está despertando forte reação no país e em seus aliados. August Hanning foi detido na terça-feira (6) sob suspeita de espionagem e tentativa de traição. Ele teria obtido informações secretas e compartilhado com pelo menos um país estrangeiro depois de deixar o cargo. As agências de inteligência britânicas e americanas estão investigando se informações e até mesmo suas próprias fontes foram comprometidas pelo vazamento. Gabriel Brust, correspondente da RFI Brasil em Düsseldorf, Alemanha O que a Alemanha descobriu esta semana é que o homem que chefiou o seu Serviço Federal de Inteligência entre 1998 e 2005 obteve ilegalmente cerca de 2 mil documentos depois que deixou a agência, até pelo menos 2022. August Hanning, que hoje tem 80 anos, foi preso na região da Renânia do Norte-Vestfália, e o seu cúmplice, o homem que vazava os documentos para ele, foi preso na Baviera. O caso foi descoberto durante as investigações de outro crime não relacionado. A polícia investigava August Hanning por envolvimento com o caso da milionária Christina Block, herdeira de uma rede de churrascarias bem famosa aqui da Alemanha. Ela era acusada de ter encomendado o sequestro de seus dois filhos mais novos no final de 2023, na Dinamarca, em uma disputa pela guarda das crianças com o pai. Quando a polícia fez uma devassa no computador de August Hanning por causa desse caso, acabou descobrindo os milhares de documentos que ele obtinha ilegalmente do Serviço de Inteligência. A partir daí, foi só puxar o fio para desvendar o que pode se transformar na maior história de espionagem e traição da história recente da Alemanha. País beneficiado O ex-chefe do Serviço de Inteligência alemã August Hanning atuava no setor privado como consultor de segurança quando esses vazamentos teriam ocorrido. O ministério público diz que ele usou informações confidenciais para preparar uma análise para um funcionário de um serviço de inteligência estrangeiro. O caso surgiu justamente num momento de forte preocupação com a espionagem russa na Alemanha. Mas os investigadores indicam que, neste episódio, não se trata do regime de Vladimir Putin. Segundo investigação da revista Der Spiegel, o país em questão seria o Azerbaijão. Hanning tinha relações antigas com o país, tendo sido membro do conselho do Fórum Alemão-Azerbaijano. Entre os documentos supostamente obtidos estariam informações sobre o programa nuclear iraniano e as forças militares russas. Depois que deixou o cargo de chefe do Serviço de Inteligência, Hanning ainda trabalhou como Secretário de Estado no Ministério Federal do Interior, até 2009, quando passou para a iniciativa privada. Os vazamentos se davam através de seu ex-chefe de gabinete, que é chamado pela investigação de Manfred D. Ele trabalhou no serviço de inteligência até o início deste ano. O acordo entre os dois teria sido selado em 2010 e teria durado pelo menos até 2022. EUA e Inglaterra fazem auditoria A notícia caiu como uma bomba justamente na semana em que o atual chefe do serviço de inteligência, Martin Jäger, disse que a ameaça de ataques contra alvos na Alemanha continua real e presente e que “a Alemanha corre o risco de se ver envolvida em um conflito violento com a Rússia”. A agência de inteligência britânica, assim como diversas agências americanas, planejam realizar uma revisão interna sistemática de todas as informações sensíveis compartilhadas com aliados europeus durante o período em questão. Também há uma forte cobrança dos partidos da coalizão do governo por mudanças e fiscalização no Serviço de Inteligência. O chanceler Friedrich Merz já tinha uma proposta de reforma no serviço, mas seu próprio partido agora pede uma reformulação do zero. Um dos principais problemas apontados é a permeabilidade entre o público e o privado: muitos altos funcionários do governo vão trabalhar em consultorias ao deixar o poder e isso já foi motivo de atividades suspeitas no passado. Vale lembrar o célebre caso do ex-chanceler Gerhard Schröder, que depois de sair do governo assumiu cargos em empresas ligadas ao setor energético russo. Histórico de espionagem a traição Se as suspeitas forem confirmadas, este seria um caso de dimensão histórica, porque nunca houve na Alemanha uma acusação de traição envolvendo um ex-funcionário de nível tão alto quanto um antigo diretor do serviço de inteligência. Mas o próprio serviço já enfrentou outros casos graves. Em 2022, um funcionário de alto escalão, Carsten L., foi preso sob suspeita de ter vazado informações ultrassecretas. Segundo a acusação, o material chegou ao serviço de inteligência russo FSB por meio de um intermediário, e os dois teriam recebido centenas de milhares de euros.

  7. Oct 7

    'Sinto que não vou poder voltar a ser quem eu era', diz sobrevivente brasileira do 7 de Outubro em Israel

    Três anos depois, Israel ainda tem muitas feridas abertas desde os ataques de 7 de Outubro de 2023. Às vésperas das primeiras eleições gerais desde a ação do Hamas que mudou o Oriente Médio, a sociedade ainda está marcada.  Henry Galsky, correspondente da RFI em Israel Se para o resto do mundo o foco está na Faixa de Gaza, nas mortes de milhares de palestinos e nas frentes de guerra que continuam em aberto, em Israel é como se o tempo tivesse parado. “Nós, enquanto sociedade, falamos do 7 de Outubro como se fosse ontem. Ou hoje. O governo e o país não pararam (para refletir). E só quando se para e se reconhece que algo aconteceu, é possível iniciar o processo de luto pelo que se perdeu”, afirma Tuli Flint, um dos principais especialistas israelenses em estresse pós-traumático. Do ponto de vista político, os ataques também tiraram a questão palestina do debate interno em Israel.  “O país virou-se à direita. Todo a discussão em torno dos palestinos já não está na agenda. Mesmo na esquerda este assunto não é mais parte da discussão. Isso talvez represente um sentimento do público de falta de confiança na possibilidade de haver uma mudança significativa ou de que esta não é questão mais urgente neste momento”, diz Guy Ben-Porat, especialista em política comparada e sociologia política na Universidade Ben-Gurion do Neguev.  O Ministério da Defesa de Israel e o Instituto Nacional de Seguros divulgaram os números atualizados de mortos desde os ataques do Hamas: 1.029 civis assassinados, além de 1.153 membros das forças de segurança. Do outro lado da fronteira, o Ministério da Saúde da Faixa de Gaza, controlado pelo Hamas, registra 74 mil mortos. O ministério não diferencia civis de combatentes. Cenário político A menos de 20 dias das eleições, a taxa de aprovação do governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu continua em tendência de queda. Dados do Instituto de Democracia de Israel (IDI) mostram que a desaprovação pessoal dos israelenses ao primeiro-ministro oscila entre 57% e 60%. O Índice de Democracia de Israel aponta que apenas 26% dos cidadãos declaram que se sentem plenamente representados pelo atual sistema político, o número mais baixo registrado desde 2003. Apesar disso, segundo as pesquisas, o Likud, partido liderado por Netanyahu, ainda consegue obter cerca de 20 dos 120 mandatos do Knesset, o parlamento. O número é inferior ao conquistado nas duas eleições anteriores, em 2022 e 2021, quando o partido obteve, respectivamente, 32 e 30 assentos. No entanto, as sondagens também apontam que, mesmo com 20 assentos, a legenda liderada por Netanyahu deverá ser a segunda força no Knesset, atrás apenas do recém-criado Yashar, partido de centro-direita liderado pelo ex-general Gadi Eisenkot. “A votação não é sobre o dia 7 de Outubro, sobre a Reforma Judiciária, ou sobre o recrutamento dos Haredim (os judeus ultraortodoxos) para o exército; é sobre se o eleitor odeia mais a direita ou a esquerda. Árabes ou judeus. Netanyahu é muito hábil em transformar o medo em ódio”, diz Uriel Abulof, professor de Ciências Políticas na Universidade de Tel Aviv e na Universidade de Cornell, nos Estados Unidos. Netanyahu muda de estratégia Se nas eleições anteriores a campanha de Netanyahu procurava demonstrar o seu acesso a líderes internacionais, como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e até o presidente russo, Vladimir Putin, agora o foco é enviar uma mensagem clara aos eleitores.  No enorme cartaz exposto num edifício em Tel Aviv, uma montagem apresenta lado a lado o líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e o secretário-geral do Hezbollah, Naim Qassem. A mensagem é simples e direta: “Eles querem que Netanyahu perca. Não os deixem vencer”. Neste momento, apesar de uma ligeira vantagem para o bloco da oposição a Netanyahu, nenhum dos lados consegue alcançar a maioria mínima de 61 dos 120 mandatos do parlamento para formar uma coalizão de governo.  O fiel da balança está com os partidos árabes que, juntos, deverão obter entre dez a 14 mandatos. Historicamente, estes partidos optam por não se unir a coalizões, mas, em 2021, o Ra’am, partido ligado ao movimento islâmico em Israel, optou por quebrar esta tradição e juntou-se ao então bloco de partidos da oposição, viabilizando um governo heterogêneo formado por partidos de esquerda, centro e direita. Uma das expectativas das próximas eleições é precisamente entender qual será a decisão destes partidos, que representam os cerca de 20% de árabes-israelenses. A dor dos que viveram o 7 de Outubro Longe do jogo político, Pérola Gaz procura reconstruir a sua vida. Desde 1993, ela vive no Kibutz Be’eri, uma das comunidades do sul de Israel atacadas pelo Hamas no dia 7 de Outubro. O Kibutz é uma comunidade coletiva baseada na agricultura e hoje também em indústrias tecnológicas e que tem como inspiração princípios socialistas de igualdade e propriedade. Nos ataques de 7 de Outubro, 10% dos residentes do Kibutz Be’eri foram mortos. Pérola permaneceu trancada num abrigo durante cerca de 20 horas ao lado das duas netas, então com seis e dez anos de idade. Em meados do próximo ano, após o processo de reconstrução do kibutz, o plano é que os moradores retornem.  “Eu sei que tenho de voltar a morar no lugar em que morava, o Kibutz Be’eri, eu sei que é a minha casa, mas é uma casa que não me traz segurança. A sensação é de que eles (os terroristas do Hamas) sempre voltarão e que pode acontecer outro evento como aquele. Sinto que não vou poder voltar a ser o que eu era”, diz. A RFI entrou em contato com o Kibutz Be’eri para buscar uma estimativa numérica sobre o retorno dos moradores. A direção do kibutz avalia que 90% dos que sobreviveram deverão regressar até o prazo máximo estipulado de julho de 2027. Os membros da comunidade têm até março do ano que vem para decidir.

  8. Oct 6

    ‘Não existe cenário tranquilo para a democracia brasileira’, diz analista sobre disputa entre Flávio e Lula

    Às vésperas do segundo turno das eleições no Brasil, a direita afirma colher os resultados de anos de trabalho com jovens nas redes sociais, enquanto a esquerda é pressionada a ampliar espaço para novos representantes e a fazer o combate de ideias nas plataformas digitais. Raquel Miura, correspondente da RFI em Brasília Se Flávio Bolsonaro (PL) vencer, terá muito poder para passar a "boiada" de projetos da direita, de meio ambiente a pauta de costumes, diante da força que o Partido Liberal e seus aliados mostraram na eleição, especialmente para o Legislativo, mas também nos governos estaduais. Se Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sair vitorioso do pleito, terá muita dificuldade para tocar programas que dependam do Congresso, especialmente na indicação de autoridades que precisam do crivo do Senado. Ou seja, para observadores e analistas, qualquer projeção futura acerca do segundo turno traz incertezas e preocupações institucionais importantes. “É de se esperar que Lula se torne incapaz, se reeleito, de indicar ministros para o Supremo Tribunal Federal. E ainda mais claro, se Flávio Bolsonaro ganhar, a tentativa da extrema direita de caminhar para uma destruição do arcabouço democrático, das garantias constitucionais. Então, não existe, no horizonte próximo, um cenário tranquilo para a democracia brasileira”, avalia o cientista político Luis Felipe Miguel, professor da Universidade de Brasília. Um dos desafios para a reeleição do petista, diz Miguel, é que o discurso em defesa de uma sociedade mais igualitária, justa e sustentável perdeu espaço para as conquistas individuais. Além disso, nem a praça pública nem o programa eleitoral são mais os locais de convencimento, mas sim templos religiosos e redes sociais, sendo que a esquerda não acompanhou tão bem esse movimento. “O governo Lula teve problemas, mas, ao mesmo tempo, avançou em medidas altamente populares, como o fim da escala 6x1, que daria a um contingente gigantesco de trabalhadores mais um dia de descanso semanal sem redução de salário. E também a proibição das apostas online, uma medida que era desejada por uma maioria expressiva da população. E, ainda assim, ele não foi capaz de transformar isso em votos”, disse o analista. Estratégias para atrair eleitores  A fala de dois jovens deputados de Minas Gerais, um colégio eleitoral crucial na eleição, ajuda a entender os desafios de Lula e o desempenho de Flávio no primeiro turno. Nikolas Ferreira (PL/MG) afirmou que houve um trabalho árduo nos últimos anos nas redes sociais, principalmente com os jovens, e a direita colhe agora os frutos: “Em 2021 eu perguntei para o Olavo (de Carvalho) o que precisávamos fazer. Ele disse ‘trabalho de base’. E eu cravei isso no meu coração. De lá para cá, trabalhamos jovens no país todo. O Partido Liberal terá a maior bancada no Senado e teremos votos, finalmente, para o impeachment do Alexandre Moraes.” A também mineira Ana Elisa, que aos 21 anos conseguiu se eleger deputada federal pelo (PT/MG), afirmou que a esquerda precisa abrir mais espaço para novos nomes, a fim de que a juventude se veja representada em seus candidatos, e fazer o combate nas redes sociais. “O que às vezes falta para a esquerda é ter tato com a realidade. Vai a um ponto de ônibus, às seis horas da tarde, e vê se tem alguém que não está com a mão no telefone. E eu não estou dizendo que fazer um comício na rua não é importante. Eu estou te falando que, se você não tiver presença nas redes sociais, o mundo pode estar ótimo, a economia pode estar ótima, o poder de compra pode estar ótimo. Mas, se tiver alguém aqui na rede social falando que o mundo está uma b..., as pessoas vão acreditar”, diz Ana Elisa.  Até aqui, nenhuma eleição presidencial no Brasil teve o resultado do primeiro turno revertido na segunda etapa. Por isso, apoiadores de Lula tentam manter a militância ativa enquanto a coordenação estuda mudanças na equipe responsável pela campanha. “Não é uma diferença irrisória, mas não é uma diferença muito grande. Ela é, em tese, reversível. O problema é que as armas que o governo tinha ele já apresentou no primeiro turno e elas tiveram um efeito muito pequeno. Ao mesmo tempo, os inúmeros escândalos que envolvem o candidato Flávio Bolsonaro já são conhecidos e é difícil imaginar que algo mais grave possa surgir que leve pessoas a desenvolver repulsa por ele”, disse o professor da UnB. “A esperança para a campanha do Lula é o grande contingente de quase 40 milhões de eleitores que não foram votar ou votaram em branco ou nulo”, conclui o cientista político Luis Felipe Miguel.

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