Como você decide seu candidato? O quão apaixonado você se sente quando debate política? Será que as decisões que toma nessa área são analíticas ou emocionais? Nesta edição sobre democracia, o Podcast da Semana entrevista a cientista política Lara Mesquita. “As preferências políticas têm assumido conotações muito afetivas e irreconciliáveis”, afirma. “A grande diferença nas eleições mais recentes é a ideia de desqualificação do adversário, que deslegitima o outro lado. E esse é o problema, porque quando o seu adversário perde a legitimidade política, é mais difícil que você aceite ser oposição, ser governado pelo outro grupo e reconheça como legítimas as decisões que esse governo toma. E isso quer dizer que a própria democracia, enquanto instrumento de organização do Estado e distribuição de forças políticas, está ameaçada”, diz na entrevista a Gama. Professora na Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas e pesquisadora do Centro de Política e Economia do Setor Público, Mesquita é doutora em ciência política pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Entre seus temas de pesquisa estão a política brasileira, as reformas, o financiamento político e, mais recentemente, o legislativo e as emendas orçamentárias da União. É colunista do jornal Folha de S.Paulo, onde comenta o noticiário político. No podcast, Mesquita aborda a percepção da democracia pelos brasileiros e as batalhas que o sistema enfrenta e ainda pode enfrentar, com o enfraquecimento de instituições como o Supremo Tribunal Federal (STF) e o envolvimento militar na política, que ela considera temerário. “Uma conquista muito importante do governo Lula foi como o Ministério da Defesa conseguiu conduzir os militares para fora da vida política do país. A gente tem menos candidatos militares, não tem militares ocupando cargos de alta hierarquia no poder executivo, não tem mais militares dentro dos gabinetes dos Supremos. E numa democracia estável, é assim que deve ser, né? O Exército, a Marinha, a Aeronáutica, as forças militares são órgãos de estado, não de governo. (…) A perda de legitimidade deste julgamento [dos envolvidos no 8 de janeiro de 2023] pode inclusive trazer os militares de volta pra vida política do país. E isso me preocupa muito”, conclui. Roteiro e apresentação: Isabelle Moreira Lima