O Tal Podcast

Um espaço onde cabem todas as vidas, emocionalmente ligadas por experiências de provação e histórias de humanização. Para percorrer sem guião, com autoria de Georgina Angélica e Paula Cardoso.

  1. 10h ago

    Rodrigo Cardoso: “Eu e os meus irmãos fomos alvos de uma intervenção da CPCJ. Tinha 9, 10 anos. A educação era o único meio onde podia refugiar-me das minhas circunstâncias”

    Nascido e criado na Buraca, Rodrigo Cardoso, o convidado deste episódio d’ “O Tal Podcast”, cresceu num contexto familiar que desde cedo o levou a procurar na educação um espaço de refúgio e de possibilidade. Bolseiro de mérito, concluiu o ensino secundário com 19 valores, a licenciatura com 18, e agora prepara-se para tirar um mestrado em Jornalismo e Relações Internacionais na Sciences Po Paris, uma das mais prestigiadas instituições de ensino superior do mundo. Rodrigo Cardoso tem apenas 21 anos, mas já traz consigo uma história recheada de desafios, conquistas e experiências que o fizeram questionar a ideia de que o mérito, por si só, é suficiente para abrir portas. Ainda criança, foi acompanhado pela Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ), num período particularmente desafiante para a família. Fala da mãe com enorme orgulho e reconhece nela o seu maior exemplo de resiliência: uma mulher que conseguiu ultrapassar as dificuldades que enfrentou, recuperar a tutela dos filhos e reconstruir a própria vida. Foi também na escola que Rodrigo encontrou algumas das pessoas que mais contribuíram para o seu percurso. Duas professoras do primeiro ciclo foram fundamentais para lhe reconhecerem as capacidades e lhe mostrarem, desde cedo, que era um bom aluno. Mais do que o impacto no desempenho escolar, tiveram um papel determinante na construção da sua autoconfiança, dando-lhe a segurança necessária para acreditar que poderia ir mais longe e abrir caminho para outras possibilidades. “Foram as minhas professoras que me deram este boost de confiança e de aposta em mim próprio”, recorda. Hoje, com uma licenciatura concluída com uma média de 18 valores, a passagem por mais de 30 países e experiências em importantes fóruns internacionais, como as Nações Unidas, Rodrigo continua a questionar a ideia de que todos partimos do mesmo lugar. É crítico da narrativa da meritocracia e defende a importância do Estado Social e das políticas públicas na criação de oportunidades. “Não nascemos nas mesmas circunstâncias. Isso é um facto, não somos iguais.” Quando percebeu que não teria acesso à bolsa de estudo que esperava para prosseguir os estudos em Paris, Rodrigo recorreu a um crowdfunding. Em apenas 24 horas, conseguiu reunir os 14 mil euros de que precisava para financiar o mestrado, numa experiência que reforçou a sua convicção na importância da solidariedade e da responsabilidade coletiva. Também as bolsas de mérito que recebeu ao longo do percurso, nomeadamente da Fundação Calouste Gulbenkian, foram determinantes para chegar a lugares que, de outra forma, seriam difíceis de alcançar. Olha para o seu futuro com vontade de contar histórias. Quer produzir documentários, explorar a relação entre as gerações diaspóricas, as suas raízes e a arte, e trabalhar mais próximo das pessoas e das comunidades. “O meu lugar no mundo, neste momento, é transformar a minha história, aquilo que sei e tudo aquilo por que passei, numa espécie de nova chave que possa abrir mais portas.” Neste episódio de “O Tal Podcast”, Rodrigo fala também sobre a pressão que sente em contextos de grande exposição, como a ONU, sobre a dificuldade em aceder a apoio psicológico e sobre a relação da sua geração com o telemóvel. Partilha ainda uma experiência de saúde que viveu no Brasil, onde uma situação de urgência acabou por exigir uma intervenção cirúrgica, e explica por que decidiu tornar público um episódio sobre o qual, considera, ainda se fala pouco. Ouça aqui a conversa com Georgina Angélica e Paula Cardoso. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    Rodrigo Cardoso: “Eu e os meus irmãos fomos alvos de uma intervenção da CPCJ. Tinha 9, 10 anos. A educação era o único meio onde podia refugiar-me das minhas circunstâncias”
  2. Aug 27

    Alexandre Teixeira: “Alguém que paga 6 mil euros a um traficante de pessoas para vir para a Europa, se tivesse um processo migratório regulado, não teria de passar por tantas dificuldades”

    Filho de angolanos que deixaram Luanda em 1975, para se fixarem em Lisboa, Alexandre Nuno Teixeira aprendeu cedo como os processos migratórios podem desestruturar a vida familiar. Atento e sensível aos desafios que surgem com a integração num novo país, o convidado desta semana d’ “O Tal Podcast” tem na área das migrações não apenas um território de especialização profissional, mas também de intervenção cívica. A chegada a Portugal confrontou a família Teixeira com uma realidade inesperada. “Vivíamos à beira da ribeira do Jamor durante a década de 70, 80, em que se jogava o lixo para a ribeira, nas traseiras”, conta Alexandre, explicando que as condições de vida adversas forçaram uma nova mudança. “O meu pai passou por um processo de integração muito complicado, que levou a que tivesse que emigrar. A  primeira vez que veio a Portugal de férias eu nem o reconheci”, recorda o jurista que, nesta conversa, revisita a infância e a adolescência. Embora tenha nascido em Oeiras, é na margem Sul do Tejo que situa grande parte do seu património de memórias, marcado por convívios familiares ímpares, que vê como especialmente formativos da sua personalidade e identidade. Essas vivências acabaram por moldar decisivamente a forma como olha para o mundo: Alexandre construiu uma sensibilidade particular para as questões da integração e da inclusão, aprofundada no trabalho com migrantes e refugiados. Empenhado em criar pontes e encontrar vias de entendimento – sobretudo num tempo em que a desinformação tantas vezes aumenta distâncias e preconceitos –  este especialista em migrações não mede esforços para aproximar pessoas e mundos. É assim que, em vez de alimentar o confronto, prefere dar a conhecer experiências positivas. “Às vezes convidam-me para ir a universidades falar sobre migrações. As pessoas estão à espera, muitas vezes, de um discurso reivindicativo. E eu opto por dar exemplos. Tenho centenas de exemplos de integração maravilhosos, de projetos lindos, de pessoas lindas e maravilhosas.” Nas histórias que encontra, à semelhança do que acontece na sua, há um lugar primordial ocupado pela família, hoje alargada às filhas. “A partir de certa altura, principalmente quando somos pais, chega um momento em que o nosso maior legado é deixar memórias.” Ouça aqui a conversa completa com Georgina Angélica e Paula Cardoso. See omnystudio.com/listener for privacy information.

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  3. Aug 20

    Iolanda Évora: “Estamos cheios de verdades. Não haver esse ‘não sei, vou procurar saber’, acaba por nos consumir. Dá a impressão que tens que saber tudo, ter opinião sobre tudo”

    Doutorada em Psicologia Social, investigadora associada do CESA - Centro de Estudos sobre África e Desenvolvimento, e professora universitária, Iolanda Évora é a convidada deste episódio d’ O Tal Podcast. Nascida em Moçambique, viveu a independência do país, passou pelo Brasil recém-saído da ditadura militar e integrou um programa de reforma administrativa em Cabo Verde, país das suas raízes familiares. Nesta conversa, revisita esse percurso e explica como influenciou o seu olhar sobre a  sociedade. As pessoas estão no centro da forma como Iolanda Évora pensa o mundo. Nesta conversa, a psicóloga social regressa várias vezes à importância das relações, da interação e do coletivo na construção da identidade. "Para você se identificar como um indivíduo, passa por esse reconhecimento coletivo", afirma. "A gente precisa ter mais consciência daquele ir e voltar. Ir e individualizar, mas individualizar coisas que partilhamos com os outros." A economia solidária também faz parte do seu percurso académico, a partir de uma tese de mestrado sobre cooperativismo, que a levou a estudar modelos de organização assentes na cooperação e na partilha, um interesse que mantém até hoje através da ligação ao Instituto Paul Singer, no Brasil.  Ao longo do episódio, Iolanda Évora revisita ainda o debate sobre identidade, racismo e imigração, questionando a forma como essas discussões têm sido conduzidas. "Estão sempre a pedir-nos para descrever o que é ser negro, o que é ser imigrante", observa, defendendo que continua por conhecer o outro lado da discussão, referindo-se às conversas que acontecem entre quem ocupa posições historicamente dominantes, raramente presentes no espaço público. "Eu quero saber qual é essa conversa", reitera a investigadora, acrescentando: "Sei que há famílias [brancas] que vivem um grande desconforto quando se encontram, precisamente porque não concordam entre si. Não sei qual é a conversa que acontece ali." A investigadora partilha ainda a sua frustração com a pressão por resultados rápidos na academia, e defende uma investigação capaz de acompanhar a complexidade dos fenómenos sociais. Explica por que privilegia metodologias qualitativas, que permitem compreender a dinâmica dos processos para lá de um simples retrato da realidade. "A pesquisa quantitativa dá-te uma fotografia daquele momento. Mas, se tu queres entender como é que o processo funciona, dificilmente consegues isso com métodos quantitativos." A reflexão passa igualmente pela importância de se recuperar a humildade intelectual. "Estamos cheios de verdades", observa, perante um espaço público e académico onde considera existir demasiada pressa para chegar a conclusões. Ouça aqui a conversa completa, com Georgina Angélica e Paula Cardoso. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    Iolanda Évora: “Estamos cheios de verdades. Não haver esse ‘não sei, vou procurar saber’, acaba por nos consumir. Dá a impressão que tens que saber tudo, ter opinião sobre tudo”
  4. Aug 13

    Miguel Sambé:  “Desacelerar não é importante apenas para o planeta; é também importante para nós, enquanto seres humanos. É por isso que gosto tanto desta frase: 'Sou ser humano, mas não sei ser humano'”

    Especialista em análise geoespacial e ciência climática, videógrafo e fotógrafo, Miguel de Andrade Sambé é o único português na Agência Espacial da Tailândia, onde desenvolve projetos ligados às alterações climáticas através de imagens de satélite. Nesta conversa para “O Tal Podcast”, este filho de pai guineense e mãe angolana, nascido e criado em Portugal, fala sobre a “triangulação de identidades” que marca profundamente a forma como olha para o mundo. Quando aos 28 anos viajou pela primeira vez para a Guiné-Bissau, Miguel somava já mais de 20 países na sua rota de voos. Mas foi esse destino, de encontro com a terra natal do pai, que marcou um antes e depois.“Em África aprendi a não olhar, mas sim a observar”, conta o geoengenheiro que, a par das viagens, tem na geografia uma grande paixão. Desde a infância estimulado pelos pais a aprender, foi com eles que o também videógrafo despertou a curiosidade pelo mundo e pelo conhecimento. Mais tarde, dividido entre o atletismo de alta competição no Sporting e a ciência, acabou por seguir uma carreira internacional na área da engenharia geográfica, desenvolvendo a fotografia e a videografia como linguagens complementares ao trabalho científico. “A ciência dá-me a confirmação matemática; a fotografia e o vídeo dão-me a confirmação e a conexão espiritual com a Terra.” Ao longo da conversa com Georgina Angélica e Paula Cardoso, Miguel reflete sobre a importância de valorizar o conhecimento local, defendendo que pescadores, agricultores e comunidades tradicionais possuem saberes essenciais para compreender fenómenos ambientais e enfrentar as alterações climáticas. Para o investigador, a ciência deve aprender a escutar essas vozes. “O conhecimento científico é apenas um acessório. A base, essa, é o conhecimento local.” Outro dos grandes temas abordados neste episódio é a necessidade de a humanidade abrandar. “Desacelerar não é importante apenas para o planeta; é também importante para nós, enquanto seres humanos. É por isso que gosto tanto desta frase: 'Sou ser humano, mas não sei ser humano.'” Miguel de Andrade Sambé aborda também o racismo que enfrentou durante a infância, a educação exigente que recebeu dos pais e a forma como essas experiências moldaram a sua identidade. Partilha ainda a visão de um cientista que acredita que o futuro passa por aproximar o conhecimento académico dos saberes locais, e por reaprender a observar a natureza. Ouça aqui a conversa completa com Georgina Angélica e Paula Cardoso  See omnystudio.com/listener for privacy information.

    Miguel Sambé:  “Desacelerar não é importante apenas para o planeta; é também importante para nós, enquanto seres humanos. É por isso que gosto tanto desta frase: 'Sou ser humano, mas não sei ser humano'”
  5. Aug 6

    Virgílio Varela: "Precisamos de resgatar o que hoje estou a chamar de soberania da imaginação. Quando não a temos, somos facilmente enganados, colonizados"

    Fundador da Human Fleet, facilitador internacional, contador de histórias e cultivador de possibilidades, Virgílio Varela é o convidado desta semana d’ “O Tal Podcast”. Enquanto percorremos a sua trajetória de vida, na qual tem procurado criar espaços de transformação humana e coletiva, conversamos sobre o que identifica como uma “crise de imaginação”, desafiando-nos a recuperar a capacidade de sonhar e projetar outros futuros. Cresceu no já demolido bairro de Santa Filomena, na Amadora, onde encontrou na comunidade o primeiro espaço de aprendizagem e pertença. Foi aí que percebeu que ninguém cresce sozinho. “Estou sobre os ombros de gigantes. Foram essas pessoas que me permitiram chegar a estes lugares. Eu nunca entro num lugar sozinho. Entro com todas elas.” Uma visão coletiva que continua a orientar a forma como olha para as pessoas e o trabalho que desenvolve. Começou por dar expressão a essa leitura do mundo na música, integrado na primeira geração do hip-hop português, tendo participado na compilação “Rapública”, a primeira do género editada no país e, por isso, reconhecidamente um marco.  De volta a esses tempos, o convidado desta semana d’ “O Tal Podcast” recorda um movimento que abriu caminho para os talentos que se seguiram, e para quem a música era também um exercício de descoberta. “Sem dúvida que os livros que lemos e as referências que tivemos nos moldaram. Mesmo na música, éramos muito diggers. O digging é ouvires um tema e quereres saber quem o produziu, de onde vem aquele sample, quem é o autor.” Antes ainda dessas ‘escavações’ musicais, Virgílio conta que a leitura precoce do livro “The Silva Method” despertou-lhe a curiosidade por tudo aquilo que não se vê. Tinha apenas sete anos, e foi aí que começou a explorar a imaginação, os sonhos e o invisível, caminho que continua a influenciar a forma como vive, escreve e trabalha. “Quando somos crianças, vivemos muito naquilo que tocamos. ‘The Silva Method’ trouxe-me a consciência de que há coisas que não vemos, mas têm vida, têm força.” Para Virgílio, recuperar a imaginação é vital no mundo em que vivemos: “Precisamos de resgatar o que hoje estou a chamar de soberania da imaginação. Quando não a temos, somos facilmente enganados, colonizados.” Convicto de que “navegar num mundo como o de hoje” exige “ser capaz de sair da ilha, vê-la de fora e regressar com novos recursos e ferramentas”, o facilitador defende que “vivemos uma enorme crise de imaginação.” Nesta conversa com Georgina Angélica e Paula Cardoso, Virgílio Varela aborda igualmente o conceito de Ubuntu, a escrita como um exercício de sobrevivência, a cerimónia de cura que viveu durante uma travessia do Atlântico e as aprendizagens que recolheu junto de comunidades quilombolas e indígenas no Brasil. Reflete ainda sobre a necessidade de descolonizar a imaginação e reconhecer que existem outras formas de conhecimento, tão válidas quanto aquelas a que o pensamento ocidental nos habituou. Ouça aqui a conversa completa. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    Virgílio Varela: "Precisamos de resgatar o que hoje estou a chamar de soberania da imaginação. Quando não a temos, somos facilmente enganados, colonizados"
  6. Jul 30

    Gil Semedo: “Além da música, quero inspirar com a escrita. Acredito que Deus me fez um mensageiro para passar aquelas mensagens e inspirações para a multidão, e para mim”

    Popularizado como “Rei do Pop de Cabo Verde”, Gil Semedo conta, neste episódio d’ “O Tal Podcast”, como a sua carreira foi influenciada por Michael Jackson. Desde os 16 anos na música, já lá vão 35, o autor do hit “Maria Julia”, apresenta, a 11 de setembro, no Coliseu dos Recreios, o espetáculo “Caboswing - Novo e Velho Tour”. Uma oportunidade para revisitar alguns capítulos da sua história, incluindo a queda de um oitavo andar. “Continuar em cima do palco, a cantar, é mesmo um milagre, porque Deus disse: Ainda não é o teu tempo". Nascido em 1974, na ilha de Santiago, Gil Semedo emigrou para a Holanda aos seis anos. Inspirado pelos ritmos tradicionais cabo-verdianos –  como o batuku, o funaná e a coladera –  cruzou essas sonoridades com as influências musicais que encontrou fora do seu país de origem, dando vida a um novo género: o Caboswing. O sucesso das suas músicas ficou implantado nas memórias afetivas de muitos cabo-verdianos, e não só, fazendo parte da banda sonora de festas e celebrações até aos dias de hoje. Entre os seus maiores êxitos destaca-se "Maria Julia", tema que atravessa gerações e continua a encher pistas de dança sempre que toca, consolidando Gil Semedo como um dos artistas cabo-verdianos mais populares de sempre. Ao “O Tal Podcast”, o cantor, que hoje conta com 51 anos, recorda a influência que Michael Jackson teve no seu percurso: “Fui para a Holanda com seis anos e um ano depois, o Michael lançou o álbum “Thriller”. Teve tanto impacto e sucesso que eu apaixonei-me totalmente e disse: ‘Quero fazer isso, subir em cima do palco, alegrar os corações da multidão.” Com 35 anos de carreira e um concerto marcado para o Coliseu dos Recreios, no próximo dia 11 de setembro, Gil Semedo falou também sobre o seu mais recente álbum, “Caboswing: O Novo Capítulo”, lançado no final de maio. O novo trabalho inclui um momento especial: o primeiro dueto da sua carreira, gravado com a filha de 16 anos, Melodia. “A minha filha é a minha melhor composição. Uma composição viva”, afirma. Durante a conversa, o cantor revelou também detalhes sobre o grave acidente que quase lhe tirou a vida, quando caiu do oitavo andar de um hotel, no Senegal, permanecendo três meses em coma. “Eu continuar em cima do palco, a cantar, é mesmo um milagre, porque Deus disse: Ainda não é o teu tempo". Este episódio marcante, bem como a sua história familiar e o percurso de vida, estarão retratados na autobiografia que tem lançamento previsto para o final deste ano. Ouça aqui a conversa completa, com Georgina Angélica e Paula Cardoso. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    Gil Semedo: “Além da música, quero inspirar com a escrita. Acredito que Deus me fez um mensageiro para passar aquelas mensagens e inspirações para a multidão, e para mim”
  7. Jul 23

    Felso Ganhane: “Trabalhei com migrantes e refugiados. Foram 40 e tal nacionalidades em cerca de quase quatro anos. Despi-me de muitos estereótipos e preconceitos”

    Natural de Maputo, capital de Moçambique, Felso Ganhane sonhava, desde criança, construir edifícios. Foi esse objectivo que o levou a estudar no Instituto Industrial 1º de Maio, ainda na terra natal, e mais tarde a mudar-se para Castelo Branco, onde tirou o curso de Engenharia Civil. A experiência aproximou-o do associativismo, território de descoberta de uma nova vocação, partilhada neste episódio d’ “O Tal Podcast”, entre reflexões sobre os desafios da migração. O envolvimento em projetos comunitários despertou em Felso o interesse por causas sociais e políticas públicas, levando-o a prosseguir estudos em Ciência Política e Relações Internacionais. Foi no contexto associativo que começou a trabalhar com migrantes e refugiados de mais de 40 nacionalidades, vivência que o levou a questionar estereótipos e preconceitos e o instigou a construir pontes entre diferentes comunidades. “Não há nada maior do que a satisfação de olhares para o teu entorno e perceberes: ‘Consegui impactar imensa gente.’” Em 2020, a participação na Academia Ubuntu revelou-lhe a filosofia do “eu sou porque tu és”, que descreve como transformadora, enquanto via a consolidação da ideia de uma vida orientada pelo serviço aos outros e pela construção de pontes. O percurso acabaria por levá-lo à representação da Comissão Europeia em Portugal — onde trabalhou com jovens na promoção do projeto europeu — e também à comunidade Global Shapers, iniciativa do Fórum Económico Mundial. Atualmente, concilia esta intervenção com o empreendedorismo tecnológico, sendo cofundador da SpectrAll, uma startup que utiliza inteligência artificial para apoiar a conformidade regulatória em cibersegurança de infraestruturas críticas. Pai de uma filha, explica que a paternidade redefiniu as suas prioridades. “Os meus propósitos passam principalmente por ser bom pai”, afirma, acrescentando que a responsabilidade de deixar um mundo melhor para as gerações futuras reforçou o seu compromisso com a procura de soluções. Nesta conversa com Georgina Angélica e Paula Cardoso, Felso Ganhane reflete ainda sobre a infância em Moçambique e o choque de chegar a Castelo Branco, os desafios da integração de migrantes na Europa, a importância da representatividade e a necessidade de arregaçar as mangas. “Podemos ser sempre adeptos e treinadores de bancada. Outra coisa é estar disposto e disponível a fazer acontecer, e querer ser parte da solução.” Ouça aqui a conversa completa. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    Felso Ganhane: “Trabalhei com migrantes e refugiados. Foram 40 e tal nacionalidades em cerca de quase quatro anos. Despi-me de muitos estereótipos e preconceitos”
  8. Jul 16

    Patrícia Vaz: “Amo ver o mar. O dia-a-dia é tão corrido que necessitamos destes momentos, de olhar para o nada e simplesmente apreciar”

    Investigadora, gestora de programas na Fundação Calouste Gulbenkian e doutoranda em Estudos do Desenvolvimento, Patrícia Inês Vaz é a convidada desta semana d' “O Tal Podcast”. Nascida em Portugal, com raízes em Cabo Verde e Angola, construiu um percurso ligado ao conhecimento, movida por um profundo compromisso com a justiça social. Integrada na Fundação Calouste Gulbenkian, Patrícia Vaz acompanha programas de bolsas e iniciativas na área da Educação e Ciência, enquanto desenvolve a sua investigação de doutoramento sobre as relações entre o Norte e o Sul Global. “Se eu quero falar de desenvolvimento, tenho de entender toda a história que está para trás”, afirma, explicando a importância de compreender o passado para pensar as desigualdades do presente. As viagens de infância à Ilha do Fogo despertaram-lhe uma consciência precoce sobre o privilégio e a importância de criar oportunidades para os outros. Ao longo da conversa, fala ainda do papel da educação como ferramenta de transformação social, lembrando que uma bolsa representa muito mais do que apoio financeiro: “É a capacidade de alguém simplesmente estudar e focar-se no estudo.” Apaixonada por música, livros e viagens, Patrícia estreou-se recentemente na escrita para a plataforma “Rimas e Batidas”, onde entrevistou a artista Nenny, trabalho que descreve como transformador. Nos seus sonhos, tem de escrever um livro dedicado às vivências das mulheres negras, refletindo sobre identidade, colorismo e autoestima. “A sociedade é cruel connosco. Não é fácil para mulheres negras.” Nesta conversa com Georgina Angélica e Paula Cardoso, Patrícia Inês Vaz fala ainda da procura pelo seu lugar no mundo, recusando a ideia de caber numa única definição. “Ainda estou a tentar encontrar-me, e entender onde é o meu lugar. Mas sinto que são vários lugares. E eu estou bem também em ser vários lugares. Hoje, se calhar, é este lugar aqui e amanhã aquele lugar.” Ouça aqui a conversa completa. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    Patrícia Vaz: “Amo ver o mar. O dia-a-dia é tão corrido que necessitamos destes momentos, de olhar para o nada e simplesmente apreciar”

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