lado b

marina colerato

resenhas e entrevistas de interesse ecofeminista por Marina Colerato. escrevo sobre política, ecologia, transumanismo, Rojava e mulheres. à esquerda e avante. marinacolerato.substack.com

الحلقات

  1. ٠٩‏/١٢‏/٢٠٢٥

    Ouvindo as mulheres afegãs: além da ética, a política a partir de si

    Em novembro, a convite de uma aluna do doutorado, tive a oportunidade de levar a situação das mulheres afegãs ao VI Encontro de Pós-graduandos da Filosofia da Unifesp, no campus Guarulhos. O tema, oportuníssimo: Da presença da ausência: vozes conjurando uma filosofia do agora. Comigo estava Rafael Domingos, doutorando em História na mesma universidade, para fazer uma reflexão sobre a questão Palestina e o papel da academia e das pessoas, discentes e docentes, quando o assunto é genocídio do povo palestino. As nossas falas completas e as ótimas reflexões que rolaram no final, com uma síntese temática sobre colonialismo, podem ser vistas aqui no canal do YouTube da Unifesp/Filosofia. No momento da preparação da minha fala, eu ainda estava bastante imersa na obra de Milagros, que estávamos acabando de colocar no mundo pela Ginna. Entre os muitos insights que a medievalista espanhola me ofereceu durante o processo de publicação dessa obra, ficou pairando em meus pensamentos sua análise sobre a expressão da diferença de ser homem a partir da ética e das emoções. Em um trecho (p. 110-1, destaques meus), ela diz: As emoções eram deixadas para as mulheres, enquanto os homens procuravam se reger por princípios universalizáveis, que colocavam em segundo plano o componente pessoal, como é próprio da ética, em especial desde Immanuel Kant no século XVIII. As emoções e os sentimentos não são entendidos como fonte de conhecimento pela maioria dos homens. A ética, por sua vez, é uma fonte importantíssima de poder e de domínio. A proposta de Seidler é recuperar o sentido da emotividade masculina, para que a análise daquilo do que se sente em cada situação ganhe espaço sobre o velho costume masculino de resolver tudo recorrendo aos princípios impessoais da ética. Pois entende-se que apenas ao recuperar as emoções pessoais concretas um homem é capaz de se implicar nas relações, partindo de si. A retórica da ética, impessoal e distante como dito, permite que os “bons camaradas” se vejam livres da própria responsabilidade e implicação no sistema de dominação masculina — que abrange desde os feminicídios no Brasil até o apartheid sexual no Afeganistão — utilizando palavras bonitas e recebendo aplausos. Daí o título da fala “Ouvindo as mulheres afegãs: além da ética, a política a partir de si”. O partir de si demanda que nos impliquemos na questão; o que, por sua vez, significa dar o espaço devido às emoções, inclusive às viscerais, como nojo, indignação e repulsa, pois o combustível da ação é a emoção. Ouvindo as mulheres afegãs: além da ética, a política a partir de si Eu abro aqui minha fala hoje denotando o meu ponto de partida. Ele não é a academia, no sentido de que “mulheres afegãs” não são meu “objeto de pesquisa”. O meu ponto de partida, assim como para as mães do feminismo na academia, é a experiência vivida e a solidariedade para com outras mulheres possibilitada sobretudo por essa experiência vivida como mulher em uma sociedade patriarcal. Na academia, meu trabalho e meus esforços têm sido direcionados à compreensão do mundo a partir de uma perspectiva feminista e tenho centrado minha atenção na intersecção “mulheres e natureza”, mas eu me tornei feminista primeiro e meu chamado foi a vida. Depois que compreendi e teorizei na academia, aprendi sobre o chão comum que compartilhamos, mulheres, ao redor do globo, ainda que de formas diversas e usando calçados distintos, quando não nenhum. Isso é importante dizer e destacar, pois se tornou comum a distorção histórica que coloca a academia na frente do feminismo, quando a história registrada pelas próprias mulheres em diferentes regiões do mundo, muitas vezes em redes internacionais, se prova bem diferente disso. Há mais de 10 anos, eu tenho buscado e encontrado muitas histórias de mulheres para conhecer e contar, sobretudo por meio do trabalho com o Instituto Modefica, mas não só. Por meio do jornalismo, da pesquisa e, agora, da edição de livros, tenho me dedicado a espalhar essas histórias para que mais pessoas, sobretudo mulheres, as conheçam. Como partem da realidade vivida, e não de teorizações abstratas, são histórias capazes de radicalizar as práticas de libertação e liberação das mulheres que as descobrem. Foi assim que eu me aproximei do Movimento de Mulheres Curdas, por exemplo. Atualmente, na Ginna, estamos trabalhando em uma obra bem robusta, feita em dois tomos, escrita por mulheres que construíram o movimento e registraram a história justamente por reconhecerem a importância, legada de nossas matriarcas feministas, de registrar a história das mulheres e passá-la adiante. No ambiente acadêmico isso sempre foi e segue sendo muito desafiador. Citando a historiadora feminista María-Milagros Rivera Garretas que a gente acabou de publicar, as universidades se encheram de mulheres, mas o conhecimento aqui produzido não se feminizou. Milagros vai trazer alguns exemplos, mas basta pegarmos qualquer lista de referências obrigatórias de qualquer curso de graduação e pós-graduação para confirmarmos. Em um texto da historiadora feminista especializada em iconografia feminina Max Dashu, que hoje está com seus bons 75 anos, sobre a importância de pesquisar a história das mulheres de todos os lugares do mundo, de diferentes realidades, etnias, classes e cores, ela diz algo que se repete, no mundo todo, quando as mulheres conhecem as histórias das mulheres que foram escondidas de nós: Depois das minhas palestras visuais, década após década, mulheres continuam me perguntando, com rostos doloridos e certa indignação: “Por que não sabemos nada disso?” e eu só posso responder que foi ocultado de nós. Homens julgaram que era sem importância, “primitivo”, “supersticioso” — ou se sentiram ameaçados por isso e se posicionaram como guardiões do conhecimento. Sobretudo quando a história contada é sobre práticas de libertação e liberação das mulheres ao longo dos séculos e nos lugares mais diversos, maior é o sentido de liberdade no qual ela nos firma. Provavelmente é por isso que os homens se impõem a tarefa de garantir que esse conhecimento permaneça ausente. Citando Dashu novamente: Há muito a dizer sobre ausências, as lacunas nas narrativas históricas, povos e regiões inteiros omitidos do que nos ensinam e mostram — mulheres acima de tudo. Nossa tarefa é trazer à tona presenças que estão simplesmente ocultas, ou em gavetas de museus: artefatos removidos para coleções coloniais distantes. Hoje, eu venho, conectada a essa rede placentária feminista, para citar a historiadora Suzana Veiga no prefácio à edição brasileira do livro da Milagros, pois há muito a dizer sobre a ausência das mulheres afegãs nas nossas demonstrações de solidariedade internacional, e trago à tona sua presença por meio da história de liberdade que elas estão escrevendo em meio a um criminoso apartheid sexual, ao insistirem no direito à educação, criarem redes de educação para mulheres clandestinamente e se arriscarem para que elas e suas conterrâneas possam ser tratadas como seres humanos. Elas fazem o que María-Milagros chama de política a partir de si, uma experiência bem típica da história das mulheres. É a política “que atua partindo de si, sem representantes, e que é portadora de uma verdade viva de quem a faz” (p. 227). Eu vou ler para vocês um breve relato da jovem engenheira Yal Bano, que precisou fugir do seu país pela perseguição sofrida pelo Talibã após sua retomada ao poder, em 2021. Yal e sua família foram perseguidas e forçadas a migrar, pois Yal começou a dar aulas online para outras jovens mulheres, barradas de terem acesso à educação formal pelo regime fundamentalista. Yal é uma das muitas mulheres que encontrei nessa minha jornada pesquisando e contando sobre as histórias das mulheres. Antes, porém, precisamos fazer um brevíssimo resumo de como o Talibã veio a ser, pois bem sabemos que [citando Suzana Veiga novamente] as genealogias femininas são atravessadas pelo colonialismo e pelo capitalismo. O Talibã de hoje foi possível graças ao imperialismo de ontem, hoje e sempre. Quando vemos as fotos de mulheres usando minissaias, frequentando o espaço público e seus sorrisos aparentes no Afeganistão da década de 1970 versus a ausência de mulheres no espaço público do país em 2025, poucos sabem o que aconteceu. Para entender [essa transformação], precisamos voltar um pouco na história do Afeganistão, marcada pela disputa imperial sobre o território desde o século XVIII. Eu vou ser o mais breve possível aqui, focando em alguns fatos e datas centrais. O Império Durrani, também conhecido como Império Afegão, começou a ruir no século XVIII. Foi quando o Islã se enraizou na região, após a invasão de vários conquistadores árabes. Em 1823, estabeleceu-se o Emirado do Afeganistão e, 15 anos depois, iniciaram-se as incisivas britânicas para anexar o Afeganistão ao seu império. Depois de três tentativas fracassadas, o Afeganistão torna-se uma nação monárquica independente, em 1921. Em 1953, o primeiro-ministro começa uma aproximação com a União Soviética e passa a introduzir várias reformas sociais, inclusive permitir maior presença das mulheres no espaço público. Em 1957, as reformas continuam e mulheres afegãs são permitidas de estudar e trabalhar. A monarquia foi derrubada em 1973 por um golpe do Partido Democrático do Povo do Afeganistão, de tradição marxista-leninista, inaugurando a República do Afeganistão. Uma nova constituição foi proposta para garantir direitos às mulheres e trabalhadores, visando “modernizar” o estado afegão. Contudo, em 1978, um golpe bem-sucedido do Partido Comunista Afegão, alinhado ao nacionalismo islâmico e às ideias de justiça socioe

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  2. conheça a história da Justa Trama

    ٠٩‏/٠٥‏/٢٠٢٤

    conheça a história da Justa Trama

    Hoje é track #tbt, dia de retomar algumas produções antigas pertinentes ao contexto atual. Dessa vez compartilho com vocês o podcast que gravei, em 2020, com a Nelsa Nespolo, da cooperativa Justa Trama. À época, quem possibilitou minha ida à Porto Alegre para gravar pessoalmente com a Nelsa foi a Mercur. Eles tinham acabado de estabelecer uma parceria de produção com a cooperativa para produção da bolsa térmica 100% natural. Eu já conhecia o trabalho da Nelsa, mas não sua história completa. Nesse episódio, que é meu preferido do já extinto Backstage, é possível entender sobre como a Nelsa chegou na Justa Trama e sobre seu trabalho de construção de redes produtivas que não sejam marcadas pela verticalidade e relações exploratórias, do campo à confecção. Esse episódio é pertinente no atual contexto, pois o avanço do agro sobre os territórios tem sido uma ameaça constante à produção de algodão agroecológico, que no Brasil é produzido em sistema consorciado, ou seja, juntamente com alimentos como feijão, milho e fava. A produção de algodão agroecológico é uma forma de ampliar a capacidade de subsistência na roça, sobretudo frente às inconstâncias climáticas, nas quais as estações já não são mais constantes e momentos de chuvas prolongadas alternados com os de secas prolongadas têm significado uma equivalente inconstância na produtividade das safras. Nesse sentido, embora calamidades como a que estamos presenciando no Rio Grande do Sul escancarem o descaso do poder público com a severidade das consequências das alterações do clima, elas também servem para expor que o greenwashing político é parte e parcela das práticas do Estado, assim como o são das corporações transnacionais e do próprio agronegócio. Rifar o bioma regulador de chuvas do país não viria sem um preço — não para os políticos, é claro, mas para a população que, sem sombra de dúvidas, é quem menos se beneficia e mais é prejudicada pelas “externalidades” oriundas dos acordos entre o Capital e o Estado, mesmo que ela não perceba dessa maneira. Ao mesmo tempo, o fato do Estado fazer nada ou muito pouco calamidade após calamidade também reafirma a necessidade de uma perspectiva autonomista em termos de organização comunitária, a despeito das diversas barreiras que atrasam e desanimam articulações desse tipo. No podcast com a Nelsa, falamos um pouco sobre isso, dado que, como operária, ela tem uma trajetória de articulação em movimentos de base, inclusive de muito envolvimento com o então extinto orçamento participativo. Embora vocês vão ouvir que tudo estava longe de ser perfeito, a experiência foi oportuna. Por fim, a cooperativa Justa Trama está em um dos locais mais afetados pelas enchentes, a Vila Nossa Sra Aparecida, e estão se articulando para apoiar aquelas e aqueles que perderam tudo na comunidade. Vocês podem saber mais no Instagram e, se viável, enviar algum valor para colaborar com as necessidades imediatas. Espero que gostem do papo, aprendam com ele, compartilhem com pessoas amiga e deixem seu Até a próxima,Marina Colerato This is a public episode. If you'd like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit marinacolerato.substack.com/subscribe

    ١ س ١ د
  3. está aberta a entrevista com Kathleen Stock

    ٠٣‏/٠٤‏/٢٠٢٤

    está aberta a entrevista com Kathleen Stock

    Desde que fiz a entrevista com a filósofa inglesa recém-publicada no Brasil pela editora Cassandra, Kathleen Stock, estou tentando abrir diálogo com editores de veículos de amplo alcance, bem como veículos nichados à esquerda, com o objetivo de contribuir para diminuir o nível de toxicidade e parcialidade em se tratando do debate acerca das consequências da implementação acrítica de políticas baseadas na teoria da identidade de gênero. A única resposta positiva foi a publicação da resenha do livro de Stock, Material Girls: Por que a realidade importa para o feminismo, no site do Le Monde Diplomatique Brasil. No entanto, em sua versão impressa de abril, o veículo escolheu o sensacionalismo e o mal jornalismo ao enquadrar todos os críticos das políticas de identidade de gênero suplantando os direitos baseados no sexo como de extrema direita. Infelizmente, o que esse tipo de escolha editorial tem feito é contribuído imensamente para a polarização do debate e para a completa impossibilidade de alcançarmos um caminho do meio ao negar veementemente qualquer nuance. Há um tanto a ser pautado e alguns jornalistas dispostos. Sem pensar muito, podemos fazer uma lista de temas: predadores sexuais sendo alocados em presídios femininos e resultando em estupros (no plural mesmo); agressores de mulheres usando a Lei Transgênero para serem enviados para o mesmo abrigo de suas vítimas; as novas conclusões científicas acerca do chamado “tratamento afirmativo de gênero” para crianças e adolescentes (incluindo as sobreposições entre anorexia e disforia de gênero em meninas); o WPATH Files e a estimativa tímida de 27% de destransicionados; a importância de esportes separados por sexo; a censura na academia… Poderia continuar, mas o cerne da questão é que absolutamente nenhum editor precisa acreditar em mim ou em ninguém. Ele pode fazer a pesquisa, a leitura e a investigação por si só. No entanto, o que vemos é silêncio e recuso a olhar. É importante que a negação da grande mídia e dos veículos à esquerda fique registrada para que, em um futuro não tão distante, onde as vítimas dessa atitude não puderem mais ser silenciadas, e a influência da Big Tech e da Big Pharma nessa agenda se torne incontornável, esses editores e editoras não possam dizer “nós não sabíamos”, como se sugestões de pautas não tivessem chegado em seus e-mails. Lá fora, e silenciosamente, o The Guardian chamou Suzanne Moore de volta e Julie Bindel está escrevendo para veículos dos quais ela foi previamente desligada. Cheira a mea culpa, sem dúvidas, mas talvez possa ser uma prova de que não há mentira que se sustente para sempre. Por aqui, seguimos contando com as autonomistas então deixo vocês com a versão com cortes da minha entrevista com a autora de Material Girls sem paywall. Se gostou, só peço que me dê seu considere apoiar o lado b com uma assinatura mensal ou anual. Até a próxima,Marina Colerato This is a public episode. If you'd like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit marinacolerato.substack.com/subscribe

    ٢٨ د
  4. let's talk about sex, baby!

    ٢١‏/٠٣‏/٢٠٢٤

    let's talk about sex, baby!

    No painel dois da mesa Let’s talk about sex baby! Why biological sex remains a necessary analytic category in anthropology (Vamos falar sobre sexo, baby! Por que o sexo biológico continua sendo uma categoria analítica necessária na antropologia), a Dra. Elizabeth Weiss explica o binarismo do sexo humano, bem como o dimorfismo sexual, por meio da antropologia física, especificamente por meio de estudos dos ossos. Em 15 minutos, ela explica como é possível identificar o sexo de um indivíduo falecido usando ossos diversos do corpo com altíssimas taxas de precisão mesmo quando este passou por anos de processo de transição médica e fez cirurgias de modificação óssea, contra-argumenta a ideia de que povos passados não consideravam o sexo binário, desmistificada a condição antes conhecida como intersexo, atualmente melhor nomeada como desvio do desenvolvimento sexual, aponta a importância da identificação do sexo na antropologia forense para reconhecer vítimas e encontrar assassinos e, para finalizar, discorre sobre a necessidade dos antropólogos físicos entenderem os impactos da transição médica na saúde óssea, sobretudo quando a transição é feita na puberdade. Elizabeth Weiss é professora do Departamento de Antropologia da Universidade Estadual de San Jose, California (EUA), e ministra cursos de antropologia física. Sua experiência em pesquisa está em análises esqueléticas de osteoartrite, marcadores musculares e seções transversais ósseas para reconstruir estilos de vida e compreender melhor a biologia óssea. Estudos mencionados: CHOUVALOPOULOU, Maria-Eleni; VALAKOS, Efstratios; NIKIT, Efthymia. Skeletal Sex Estimation Methods Based on the Athens Collection, Forensic Sci. 2022, 2(4), p. 715-724. Disponível em: https://doi.org/10.3390/forensicsci2040053. KAESWAREN, Yuvenya e HACKMAN, Lucina. Sexual dimorphism in the cervical vertebrae and its potential for sex estimation of human skeletal remains in a white scottish population. Forensic Science International: Reports, 2019, vol 1. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.fsir.2019.100023. TONEVA, Diana; NIKOLOVA, Silviya; AGRE, Gennady; ZLATAREVA, Dora; FILEVA, Nevena; LAZAROV, Nikolai. Sex estimation based on mandibular measurements. Anthropologischer Anzeiger, 2024, vol. 81, n. 1, p19. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37498011. REDFERN, Rebecca C. et al. ‘Written in Bone’: New Discoveries about the Lives and Burials of Four Roman Londoners. Britannia, 2017, vol. 48, p. 253-277. Disponível em: https://doi.org/10.1017/S0068113X17000216 SCHALL, Jenna; ROGERS, Tracy L.; DESCHAMPS-BRALY, Jordan C. Breaking the binary: The identification of trans-women in forensic anthropology. Forensic Science International, 2020, vol. 309. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.forsciint.2020.110220. FLAHERTY, Taylor M; BYRNES, Jennifer F.; MADDALENA, Antonella. Misgendering a transgender woman using FORDISC 3.1: A case study. Forensic Science International: Synergy, 2023, vol. 7. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.fsisyn.2023.100342. BOOGERS, Lidewij Sophia et al. European Journal of Endocrinology, 2023, vol. 189, n. 2, p. 290–296. Disponível em: https://doi.org/10.1093/ejendo/lvad116. LATHAM, Antony. Puberty Blockers for Children: Can They Consent? The new bioethics, 2022, vol. X, p. 268-291. Disponível em: https://doi.org/10.1080/20502877.2022.2088048. This is a public episode. If you'd like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit marinacolerato.substack.com/subscribe

    ١٥ د
  5. Vamos falar sobre sexo, baby!

    ٠٧‏/٠٣‏/٢٠٢٤

    Vamos falar sobre sexo, baby!

    Você já deve ter ouvido antropólogas e antropólogos endossarem todo o tipo de relativismo pós-moderno em torno da realidade material e ecológica dos humanos enquanto espécie de animal mamífero, entre elas que o sexo é construído da mesma forma que, digamos, a mandioca foi domesticada pelos indígenas (embora nenhum deles consiga me responder exatamente em qual momento da história os humanos criaram o sexo macho e fêmea dos primeiros homo sapiens), quem se opõe à ideia de que a medicalização permanente de corpos saudáveis é algo revolucionário só pode ser contra a legalização do aborto (porque realmente uma intervenção emergencial e a medicalização permanente são a mesma coisa [risos irônicos]) e as sementes criolas também sofreram transformações ao longo da história (então talvez nós não deveríamos nos importar com as sementes geneticamente modificas, como insiste o agro?). Cada comparação é melhor que a outra e seria realmente inacreditável alguém ter passado oito anos ou mais em uma universidade para sair mandando dessas se nós não conhecêssemos a história da Ciência (com C maiúsculo, para demarcar seu caráter de abstração dominante do patriarcado capitalista) e o que ela sempre significou para as mulheres. ‼️ Estamos na reta final de arrecadação do financiamento coletivo Feminismo é luta de classes! Confira as recompensas e faça seu apoio clicando aqui. Mas, nem tudo está perdido, meus jovens! Na newsletter de hoje, vocês podem assistir, com legendas em português, a primeira apresentação da mesa Let’s talk about sex baby! Why biological sex remains a necessary analytic category in anthropology (Vamos falar sobre sexo, baby! Por que o sexo biológico continua sendo uma categoria analítica necessária na antropologia). A mesa foi escolhida para ser apresentada em um importante congresso de antropologia organizado pela Associação Americana de Antropologia (AAA) e pela Sociedade Canadense de Antropologia (CASCA), mas alguns meses depois de ser aceito, as debatedoras receberam o aviso do cancelamento do painel. Nada novo sob o sol, como não há argumentos contra a realidade, a alternativa é tentar enterrar quem pensa diferente com cancelamento e ostracismo. Porém, a outra boa notícia é que estão surgindo organizações como a Heterodox Academy e projetos para combater a censura e auto-censura na academia dentro das universidades e de programas de pesquisa. Esse tipo de articulação tem servido tanto para re-plataformar debates e apresentações cancelados, como para ser espaço de diálogos e pesquisas importantes acerca da liberdade de pensamento e de pesquisa. Afinal, se pessoas podem publicar esse tipo de coisa e esse tipo de coisa em periódicos, porque não podemos falar e publicar sobre a realidade ecológica e biológica dos animais humanos, sobretudo das mulheres? O cancelamento acabou ampliando o alcance do evento, que foi transmitido ao vivo gratuitamente no YouTube e agora está disponível para quem quiser acessar, e para vocês com legendas! Começaremos com o primeiro painel e seguirei enviando os outros painéis para vocês ao longo do mês. A primeira painelista é Kathleen Lowrey, da Universidade de Alberta, autora do livro Shamanism and Vulnerability on the North and South American Great Plains (2020) (Xamanismo e Vulnerabilidade nas Grandes Planícies da América do Norte e do Sul) e autora dos volumes 1 e 2 de Enchanted Ecology: Magic, Science, and Nature in the Bolivian Chaco (2003) (Ecologia Encantada: Magia, Ciência e Natureza no Chaco Boliviano). Ela mesma, a antropóloga mencionada por Kathleen Stock na nossa conversa. Lowry fala sobre grandes narrativas, como fomos da Deusa ao ciborgue, traz as descobertas de 2015 que mostram que Marija Gimbutas, arqueóloga lituana, conhecida por suas pesquisas sobre as culturas do Neolítico e da Idade do Bronze e pesquisas avançadas sobre a religião da Deusa mãe, estava correta e afirma compreender o cancelamento do painel como um sinal de morte lenta do relativismo pós-moderno que domina a antropologia há cinquenta anos. Tá bom demais. Aproveitem e aguardem os próximos, pois só melhora. Lembrem-se de partilhar essa track com pessoas amigas para que a informação voe longe! This is a public episode. If you'd like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit marinacolerato.substack.com/subscribe

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resenhas e entrevistas de interesse ecofeminista por Marina Colerato. escrevo sobre política, ecologia, transumanismo, Rojava e mulheres. à esquerda e avante. marinacolerato.substack.com