Linha Direta

Bate-papo com os correspondentes da RFI Brasil pelo mundo para analisar, com uma abordagem mais profunda, os principais assuntos da atualidade.

  1. 1d ago

    Colômbia: Cali recebe posse histórica de De La Espriella sob forte esquema de segurança

    Pela primeira vez na história da Colômbia, a cerimônia de posse do novo presidente do país será realizada fora de Bogotá. Abelardo De La Espriella afirma que a mudança simboliza seu projeto de descentralização, enquanto analistas a interpretam como uma demonstração de força política. A cerimônia, marcada para Cali, ocorrerá sob forte esquema de segurança e tendo como pano de fundo manifestações convocadas por opositores ao novo governo. Pedro Pannunzio, especial de Cali para a RFI Nesta sexta-feira (7), Abelardo De La Espriella, de extrema direita, filiado ao partido Defensores de La Patria, tomará posse como novo presidente da Colômbia, em uma cerimônia marcada por disputas com a oposição e embates institucionais. Pela primeira vez na história do país, o chefe do Executivo não celebrará as honrarias na capital Bogotá. O evento será realizado em Cali, capital do departamento de Valle del Cauca, no sul do país. A posse contará com um reforçado aparato de segurança: mais de 11 mil agentes foram deslocados para a cidade, entre militares e policiais. Mas não fosse o estrondo dos caças que cruzavam o céu da zona norte de Cali na tarde nesta quinta-feira (6), a presença das forças de segurança passaria quase despercebida nos dias que antecedem a posse, exceto em pontos estratégicos, como as imediações do Aeroporto Internacional Alfonso Bonilla Aragón e nos locais onde estão as delegações internacionais. "Esses policiais não costumavam ficar aqui. Isso é novo", observou o motorista de táxi Luís Eduardo ao cruzar uma barreira policial, onde agentes empunhavam fuzis, em frente ao Hotel Intercontinental. Representantes israelenses e presidentes de direita presentes Entre as delegações que circulavam pelo Hotel Intercontinental nesta quinta-feira (6) estava a israelense. O corpo diplomático do país havia sido expulso da Colômbia por Gustavo Petro em 2025, um ano após o rompimento das relações diplomáticas entre os dois países, na esteira dos ataques israelenses contra a Palestina. Outra presença confirmada é a dos Estados Unidos, que, no ano passado, protagonizou embates com o governo Petro. Apoiador abertamente declarado de Abelardo De La Espriella, Donald Trump enviou Todd Blanche, procurador-geral interino, como principal representante da delegação norte-americana. A posse também contará com a presença de governantes de direita e de extrema direita da região, em um encontro que evidencia o avanço desse campo político na América Latina e reforça a articulação entre seus principais líderes. Javier Milei, da Argentina, Daniel Noboa, do Equador, Santiago Peña, do Paraguai, José Antonio Kast, do Chile, e Nasry Asfura, de Honduras, são alguns dos chefes de Estado que marcarão presença na cerimônia.  O governo brasileiro será representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Inicialmente, o presidente eleito pretendia tomar posse em uma base militar no departamento de Cauca, também no sul do país. Mas seu antecessor, Gustavo Petro, comandante em chefe das Forças Armadas até a conclusão da transição de governo, proibiu os militares de realizar a cerimônia. Além disso, De La Espriella enfrentava resistência no Congresso, que poderia rejeitar sua solicitação e impor a primeira derrota ao governo antes mesmo de sua posse. O presidente eleito, então, recuou e transferiu a cerimônia para Cali. A posse será realizada na Universidad Santiago, um espaço civil. Oficialmente, De La Espriella, que governará até 2030, afirma que a decisão de retirar o evento de Bogotá simboliza seu projeto de descentralização do poder na Colômbia. Analistas consultados pela RFI, no entanto, avaliam que a escolha de Cali representa uma tentativa de demonstração de força do novo presidente e, em certa medida, uma provocação. A cidade foi o epicentro da onda de protestos de 2021, que abriu caminho para a vitória de Gustavo Petro no ano seguinte, conquistando o posto de primeiro dirigente de esquerda da história do país. Além disso, no departamento de Valle del Cauca, o candidato governista Iván Cepeda derrotou De La Espriella com ampla vantagem. Protestos marcados em Cali Se, nos dias que antecedem a posse, Cali vive um clima de certa tranquilidade, o mesmo não deve ocorrer nesta sexta-feira, data da cerimônia presidencial. Além da imposição de uma lei seca e de restrições severas à circulação de veículos, os opositores prometem ir às ruas para protestar contra o novo presidente. Há pelo menos duas manifestações marcadas. Uma delas, na parte da manhã, conta com o apoio de organizações sindicais e do próprio Ivan Cepeda, candidato derrotado. Também está prevista uma concentração nos arredores da Universidad Santiago de Cali, onde, às 15h no horário local (17h de Brasília), terá início a cerimônia de posse do novo chefe de Estado colombiano. No local, o aparato de segurança já foi reforçado. Os protestos refletem a polarização que marca o país após a eleição presidencial. De La Espriella assumirá uma Colômbia dividida. No segundo turno, venceu por uma margem apertada: pouco mais de 250 mil votos o separaram do adversário Iván Cepeda, do Pacto Histórico. O agora ex-presidente Gustavo Petro questiona o resultado das urnas e afirma que houve fraude eleitoral.

  2. 2d ago

    Diálogo entre Israel e Líbano avança em Roma apesar de ataques

    Termina nesta quinta-feira (6) a sétima rodada de negociações entre Israel e Líbano. O objetivo é discutir um plano de segurança para o sul do país que permita a retirada das tropas israelenses e a transferência do controle da região para o Exército libanês, de forma a evitar novos confrontos na fronteira envolvendo o grupo militante Hezbollah. Júlia Valente, correspondente da RFI em Milão As conversas, realizadas em Roma, começaram na terça-feira (4) e têm sido descritas como bastante produtivas. No entanto, a reunião de quarta-feira (5) foi encerrada mais cedo em meio a novos ataques israelenses no Líbano. Israel ordenou que moradores deixassem a cidade de Mansouri, no sul do país, antes das ofensivas na região.  Israel e o Hezbollah estão em trégua desde 27 de junho, mas o acordo vem sendo violado pelos dois lados. Mesmo assim, as negociações continuam avançando e estão divididas em três eixos principais: o político, o militar e o das questões de fronteira. O principal impasse continua sendo o desarmamento do Hezbollah, considerado um ponto essencial por Israel. No entanto, segundo fontes ouvidas pela imprensa italiana, pela primeira vez a delegação israelense recuou da exigência de que esse tema fosse definido antes dos demais pontos da negociação. O foco dos dois primeiros dias tem sido a discussão dos aspectos técnicos das chamadas zonas-piloto, que devem ser criadas no sul do Líbano como um teste do novo modelo de segurança. A proposta é que essas áreas passem gradativamente ao controle do Exército libanês, à medida que Israel retira suas tropas. Se o modelo funcionar, ele poderá ser ampliado para todo o sul do país. Hoje, os detalhes dessas primeiras zonas-piloto devem voltar à mesa de negociação. Também está sendo discutida a possibilidade de ampliar a área prevista inicialmente, embora ainda não haja qualquer aprovação. Além disso, o Líbano deve tentar colocar em pauta a possibilidade de libertação de cidadãos libaneses detidos por Israel, a maioria deles combatentes do Hezbollah. Conversas em Roma fortalecem imagem do governo italiano As cinco primeiras rodadas de negociações ocorreram nos Estados Unidos. Agora, pela segunda vez, as conversas estão sendo realizadas na Itália. Embora aconteçam em Roma, as reuniões são realizadas na Embaixada dos Estados Unidos, já que Washington continua sendo o mediador das negociações. A Itália, porém, é vista como um local mais neutro, devido à relação próxima entre os Estados Unidos e Israel. Apesar de não participar diretamente das conversas, o governo italiano tem aproveitado o fato de Roma sediar as reuniões para reforçar a imagem do país como um ator importante na busca pela paz no Oriente Médio. Na primeira vez em que as negociações foram realizadas na capital italiana, em julho, o partido da primeira-ministra Giorgia Meloni, o Fratelli d'Italia, fez publicações nas redes sociais com a frase: "Itália: ponto de encontro da paz e do diálogo". Em abril, a própria Meloni foi a primeira chefe de Estado a fazer uma visita a países do Golfo Pérsico em meio à guerra entre Irã e Estados Unidos. Essa estratégia faz parte de um esforço do governo para fortalecer sua imagem como influente nas questões internacionais, de olho também nas eleições parlamentares previstas para o ano que vem. O ministro das Relações Exteriores italiano, Antonio Tajani, também tem buscado associar o próprio nome ao processo. Na véspera do início das negociações, ele conversou por telefone com os chefes das duas delegações e destacou o papel da Itália no acompanhamento do diálogo. Tajani afirmou que as negociações acontecem em Roma porque a Itália mantém boas relações com todos os países envolvidos na crise. Na prática, porém, o governo italiano vem demonstrando uma relação um pouco mais próxima com o Líbano recentemente. Em abril, a Itália suspendeu a renovação de um acordo de cooperação na área da Defesa com Israel, o que desagradou Tel Aviv. Além disso, Tajani criticou ataques israelenses ao Líbano, o que levou Israel a convocar o embaixador italiano. De qualquer forma, o governo italiano espera que um eventual acordo firmado em Roma fortaleça a sua imagem como um dos responsáveis, ainda que indiretamente, a promover a paz. Fim da UNIFIL coloca nova missão internacional em debate Outro tema ligado às negociações é o futuro da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil). O mandato da missão está previsto para terminar em 31 de dezembro e, a partir de janeiro, a retirada das tropas de paz deve ocorrer de forma gradual para que o governo libanês assuma o controle da região. Segundo a imprensa italiana, o próprio governo libanês defenderia que uma futura missão internacional seja liderada pela Itália, em substituição à Unifil. Essa nova força também poderia ajudar a implementar as zonas-piloto que estão sendo negociadas atualmente com Israel. A Itália, por sua vez, tem tentado liderar as discussões sobre alternativas para o fim da missão de paz. Em junho, durante a cúpula bilateral entre Giorgia Meloni e o presidente francês Emmanuel Macron, foi apresentada a proposta de uma nova missão internacional para garantir a estabilidade da região. O protagonismo italiano não é por acaso. O país é hoje o segundo maior contribuinte da Unifil em número de militares, atrás apenas da Indonésia. Segundo os dados mais recentes, divulgados em julho, a Itália mantém 740 militares na missão e comanda o setor oeste da operação. Além disso, participa da Unifil desde a criação da força, em 1978, com o objetivo de ajudar a manter a estabilidade no sul do Líbano. Por isso, o governo italiano enxerga as negociações em Roma como uma oportunidade não apenas de contribuir para um acordo, mas também de reforçar o papel da Itália como um ator cada vez mais relevante na segurança e na diplomacia internacionais. Apesar das conversas, ataques continuam no Líbano Durante a última madrugada, Israel intensificou os bombardeios na região de Tiro, no sul do Líbano. Um ataque com drones contra a localidade de Bourj al-Chamali deixou quatro feridos, segundo a Agência Nacional de Informação (ANI). A aviação israelense também atingiu Mansouri, cerca de dez quilômetros mais ao sul, após uma ordem de evacuação emitida aos moradores. Na véspera, um bombardeio israelense em Tebnine matou uma pessoa e feriu outras 12, de acordo com o Ministério da Saúde libanês. A escalada ocorre após o anúncio, na manhã desta quinta-feira, da morte de dois soldados israelenses no sul do Líbano, as primeiras baixas registradas pelo Exército de Israel nessa região em mais de um mês. O Hezbollah não reagiu de imediato. Desde o início da guerra, mais de 4.300 pessoas morreram no Líbano, enquanto 38 soldados israelenses e um civil contratado perderam a vida no conflito. Leia tambémEstudo estima em US$ 1,38 bilhão os danos da guerra no sul do Líbano

  3. 3d ago

    Novo concorrente desafia Netanyahu nas eleições israelenses de outubro

    Pela primeira vez depois dos ataques do Hamas de 7 de Outubro de 2023 e as guerras que se seguiram – e que ainda prosseguem – os israelenses vão às urnas no final de outubro. Como tem marcado o jogo político desde a primeira década deste século, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu polariza em torno de si a disputa numa espécie de referendo. Agora, no entanto, há novos elementos, questionamentos e personagens. Henry Galsky, correspondente da RFI em Israel Se nas últimas eleições os campos políticos se dividiram mais claramente em torno da figura política de Benjamin Netanyahu, agora, a situação é mais concreta e envolve não promessas, mas os elementos que compõem um quadro mais amplo da sociedade israelense e também da geopolítica regional.  Diante do eleitorado há escolhas muito claras a se fazer, como aprovar a gestão do primeiro-ministro de três frentes de guerra que ainda estão abertas – Líbano, Gaza e Irã – ou, voltando ainda ao 7 de Outubro, exigir ou não uma comissão de Estado para investigar as falhas que não impediram a invasão do Hamas e a morte de 1.200 pessoas num só dia.  Ao contrário do restante da comunidade internacional, os ataques de 7 de Outubro ainda são muito presentes em Israel. Este é um tema sobre o qual se fala todos os dias, na TV, nas ruas, e nas conversas. E, desta forma, estará presente também na disputa eleitoral.  “Os israelenses não apenas serão chamados a decidir sobre quem deve governar, mas sobre a própria natureza de nossa democracia. O que está em jogo é o caráter democrático, a coesão social e o rumo do único Estado judeu do mundo e da única democracia do Oriente Médio”, declarou à RFI Yohanan Plesner, presidente do centro de pesquisa Instituto de Democracia de Israel (IDI).  Liderança emergente Entre os candidatos, alguns tem se destacado, como o ex-chefe do Estado-Maior, Gadi Eisenkot, e o ex-primeiro-ministro Naftali Bennet, que se uniu ao atual líder da oposição Yair Lapid. Mas há outros concorrentes, como o líder do bloco de esquerda Os Democratas, Yair Golan, o nome que representa a tentativa da esquerda de retomar o protagonismo no país; e também Mansour Abbas, líder árabe do partido Ra’am, que nasceu como braço político do movimento islâmico em Israel. Abbas é uma liderança pragmática e que, em 2021, uniu-se à coalizão de oposição que conseguiu derrotar Netanyahu.  Gadi Eisenkot hoje é a principal liderança emergente. Muitas das pesquisas de intenção de voto apontam o seu partido, o Yashar! (em português, algo como “direto ao ponto”, em tradução livre) a frente do Likud, de Netanyahu.  As razões para a ascensão de Eisenkot Há muitas explicações, mas Eisenkot é um fenômeno que talvez reflita muito do atual momento da sociedade israelense. Em primeiro lugar, ele ocupou o cargo de chefe do Estado-Maior do exército. E, segundo pesquisa do Instituto de Estudos de Segurança Nacional da Universidade de Tel Aviv (INSS), 73% dos israelenses expressam alta confiança no exército do país. O mesmo levantamento mostra que a confiança no governo de Israel é de 25%; e em Netanyahu, 31%. Filho de judeus que emigraram do Marrocos na década de 1950, Eisenkot é a novidade no cenário político. Mais ainda, segundo Ronni Shaked, pesquisador do Instituto Truman da Universidade Hebraica de Jerusalém, ele é um símbolo da luta pela manutenção de Israel como uma democracia liberal.  “O público não está mais dividido entre esquerda e direita, mas entre os partidos liberais, de oposição, e a coalizão de governo fundamentalista e ultranacionalista. Eisenkot pode ser o próximo primeiro-ministro a partir desta bandeira de união do povo em torno dos valores pluralistas e democráticos de Israel”, diz Shaked.  Há também uma questão familiar que repercute muito na sociedade israelense; o filho e o sobrinho de Gadi Eisenkot foram mortos enquanto combatiam como soldados na Faixa de Gaza. Já Netanyahu lamentou o “custo pessoal” de ter de adiar o casamento de seu filho mais novo durante a guerra de junho do ano passado com o Irã. E o filho mais velho de Netanyahu passou a maior parte dos últimos três anos em Miami.  Assentamentos e criação de Estado palestino Desde o 7 de Outubro, falar em Estado palestino se tornou uma espécie de tabu, inclusive para políticos que defendem esse direito, como Yair Golan, da esquerda, e Yair Lapid, líder da oposição, de centro, que falou abertamente a favor de um Estado palestino em discurso na Assembleia-Geral da ONU, em setembro de 2022, enquanto ocupou o cargo de primeiro-ministro.  Já Eisenkot declarou em entrevista ao Canal 12 israelense que falar sobre um “Estado palestino é irrelevante depois de 7 de outubro”. Na visão dele, Israel deve “fazer suas considerações a partir de uma posição de força e não ter pressa” em relação ao assunto. Ele também rejeitou a possibilidade de reconstrução de assentamentos na Faixa de Gaza, território do qual Israel se retirou integralmente em 2005.  Já em relação a assentamentos na Cisjordânia, Eisenkot se opõe à anexação de todo o território por considerar que isso poderia transformar Israel num estado binacional, ameaçando, segundo ele, a identidade judaica e democrática do país. No entanto, ele defende a manutenção do que chama de “assentamentos estratégicos”. Por enquanto, a posição de Gadi Eisenkot se opõe tanto à política expansionista da direita quanto ao desmantelamento total dos assentamentos defendido pela esquerda israelense.

  4. 5d ago

    Lula larga na frente de Flávio, mas voto independente e direita pulverizada favorecem segundo turno

    Os dois principais candidatos, já com as candidaturas oficializadas, são cobrados a dar explicações sobre denúncias e fazem afago ao eleitorado feminino. Raquel Miura, correspondente da RFI em Brasília Com uma equipe mais estruturada e apoio fechado das principais legendas de esquerda, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entra para a campanha com vantagens sobre Flávio Bolsonaro (PL), que não conseguiu seduzir o Centrão, precisa definir o vice na chapa e ainda bate cabeça com sua equipe de marketing. Mas isso tampouco significa hoje um cenário de vitória de Lula no primeiro turno, principalmente devido à pulverização de nomes da direita, que em tese reduz o número de votos nulos e dificulta que o petista obtenha mais apoio do que a soma de seus adversários. O país caminha então para uma disputa entre Lula e Flávio, em que nichos específicos do eleitorado podem fazer diferença, assim como os que não morrem de amor por nenhum dos lados. “Pelas pesquisas percebemos uma estabilidade nos percentuais desses dois candidatos, o que sugere um eleitorado relativamente consolidado. Outro aspecto importante é a elevada rejeição dos dois nomes. Isso aumenta a importância da disputa pelos eleitores menos identificados ideologicamente, mais independentes”, afirmou a cientista política Luciana Santana, professora da Universidade Federal de Alagoas. “Vale a gente acompanhar segmentos específicos do eleitorado, como mulheres, jovens, evangélicos, eleitor de renda intermediária nas diferentes regiões do país, porque historicamente pequenas mudanças nesses grupos podem produzir efeitos relevantes numa eleição competitiva”, disse a analista. Em convenção do PL em São Paulo e após uma briga pública com a madrasta, Flávio Bolsonaro tentou acenar para o público feminino. “Eu quero saudar cada mulher aqui hoje. Mulheres que estão onde estão porque representam os princípios e valores que nós acreditamos, que são os melhores para as famílias brasileiras: de Deus, pátria, família e liberdade. E acreditamos que o Brasil pode melhorar.” Lula destacou política para os idosos, estudantes e mulheres, chegando a reclamar da falta de discursos femininos na convenção petista. E disse que um quarto mandato seu será de mudanças. “Esse negócio de fundo partidário, essas coisas não me agradam. Conheço partido no Congresso que recebe um bilhão por ano sem prestar contas ao povo brasileiro. Eu quero que vocês saibam que a minha quarta presidência é pra mudar muita coisa. E vai ter briga, vai ter briga com emenda parlamentar, vai ter briga com o papel que hoje tem o poder Legislativo. Eu não quero ser mais presidente só do Bolsa Família. É preciso ser mais.” Denúncias O país que nos últimos anos tem acompanhado e discutido gastos milionários com emendas parlamentares sem rastreio, persistentes penduricalhos nos salários de juízes e procuradores, suspeitas relações do setor privado com autoridades públicas e desvio até de aposentadorias não terá no tema corrupção um ativo importante nas eleições deste ano, já que Lula e Flávio Bolsonaro entram no ritmo de campanha tendo de dar explicações. A recente autorização do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, para que a Polícia Federal apure denúncias envolvendo o filho primogênito de Lula, gerou críticas de governistas por se tratar de fatos já ventilados que só agora, às vésperas da eleição, ganham andamento. Em público, o petista tem dito que se houver ilicitude provada, o filho vai responder como qualquer outra pessoa. Já Flávio Bolsonaro sentiu o peso do caso Daniel Vorcaro em sua campanha, especialmente o pedido de recursos diretamente ao ex-banqueiro, e nega ilegalidades. “Em geral, escândalos costumam ter maior impacto quando reúnem três elementos centrais: ampla cobertura da mídia, surgimento contínuo de novos fatos e capacidade de serem apropriados pela narrativa dos adversários. No caso do Lulinha, o tema afeta diretamente um ativo importante de Lula, que é a percepção de integridade do seu entorno familiar. No caso do Banco Master, ele pode gerar custos até mais elevados para a campanha de Flávio. Inclusive,  algumas oscilações na pesquisa que podem estar relacionadas a esse envolvimento, sim”, disse Luciana Santana, que também coordena aulas de pós-gradução na Universidade Federal do Piauí. Resta saber o peso que os casos terão até fim o da campanha. “Acho que são dois casos que têm potencial de produzir desgastes políticos, embora até agora não haja consequências maiores nas intenções de voto, como inviabilizar um nome. E à medida que vai distanciando um pouquinho, acaba perdendo um pouco a intensidade. Precisamos acompanhar os desdobramentos.”

  5. Jul 31

    Novas restrições à imigração em Portugal mexem com legalização de estudantes

    Portugal está fechando portas para novos imigrantes. Ainda é possível entrar legalmente, mas a passagem está cada vez mais estreita, com menos possibilidades de se legalizar no país. O Parlamento português aprovou recentemente o fim de duas vias de regularização ligadas aos estudos, que permitiam obter a residência mesmo que a pessoa tivesse entrado sem visto. A alteração ainda não entrou em vigor, mas pode passar a valer a qualquer momento e atingir brasileiros. Luciana Alvarez, correspondente da RFI em Lisboa Até o momento, uma pessoa pode chegar em Portugal sem visto nenhum, como fazem os turistas, e a partir do território luso pedir a autorização de residência de duas maneiras. Uma delas é se matricular em algum curso profissionalizante oficial. A outra é por meio de filhos menores: a família matricula a criança numa escola, e dá entrada no pedido de residência para garantir que essa criança siga nos estudos. Embora o Parlamento tenha aprovado, a medida tem que ser promulgada pelo presidente, António José Seguro. O presidente em Portugal tem um papel fiscalizador, podendo pedir explicações ao Parlamento, ou enviar as leis para uma análise do Tribunal Constitucional. No caso do fim das duas vias de imigração, trata-se apenas de retirar exceções da Lei dos Estrangeiros, que já está em vigor. Portanto, a perspectiva é que ele promulgue. Depois, a alteração tem que ser publicada no Diário da República. A comunicação da presidência não soube informar uma previsão a respeito de quando o presidente vai se manifestar, porque o texto ainda não deu entrada oficialmente no gabinete de Seguro. A expectativa, porém, é que o processo seja concluído nos próximos 30 dias. Nova lei gera insegurança para brasileiros Quem se mudou para Portugal contando que poderia pedir a regularização por estudo fica numa situação insegura. A advogada brasileira Línika Arf, que trabalha com direito de imigrantes, aconselha que essas pessoas se apressem com a papelada. “Juntem todos os documentos necessários e deem entrada no processo o quanto antes, porque podem perder a oportunidade de se regularizar de um dia para o outro”, disse Línika Arf. Mesmo quem já deu entrada, pode acabar num limbo, pois não há garantias de que a concessão de residência vai considerar a lei que vigorava no início do processo, ou na data da análise. Para quem estava se planejando, mas ainda não se mudou, a recomendação é dar entrada no visto ainda no Brasil. “É um caminho mais demorado, mas é o mais seguro no momento”, diz a advogada. Essas alterações fazem parte de um esforço mais amplo do primeiro-ministro português, Luís Montenegro, para “controlar o fluxo” de estrangeiros. Portugal tem hoje 1,6 milhão de imigrantes, o que representa cerca de 14% da população. Entre 2021 e 2025, um intervalo de apenas quatro anos, a população estrangeira mais do que dobrou. O primeiro-ministro costuma dizer em seus discursos que Portugal está disponível para receber imigrantes, mas não com as “portas escancaradas”. Desde que assumiu, em 2024, Montenegro vem promovendo uma série de medidas para restringir a imigração, como acabar com um mecanismo especial chamado Manifestação de Interesse, que permitia que as pessoas se legalizassem depois que já estivessem trabalhando em território português. Na prática, também impede que as pessoas peçam o visto de procura de trabalho. A lei atual prevê esse visto apenas para trabalhadores altamente qualificados, mas o governo nunca fez a regulamentação para definir o conceito de trabalhador altamente qualificado. Ainda é difícil saber se os movimentos para controlar o fluxo migratório estão surtindo efeito. Será preciso acompanhar os números populacionais divulgados pelo Instituto Nacional de Estatísticas nos próximos anos. Restrições fazem brasileiros cogitar outros países Entre quem trabalha com imigrantes, há percepções conflitantes. A advogada Línika Arf vê uma queda no interesse dos brasileiros, e contou que vários clientes agora perguntam sobre possibilidade em outros países da União Europeia, e que muitos até já voltaram para o Brasil, porque as condições de se regularizar mudaram. Mas Higor Cerqueira, fundador da Prepara Portugal, uma escola de cursos profissionalizantes que tem quase 70% dos alunos de origem brasileira, vê que o interesse dos brasileiros em construir uma vida em Portugal continua igual. “O que muda é que isso vai exigir mais planejamento. Quem pretende utilizar os estudos como fundamento para residir no país tem de organizar o processo migratório antes da viagem”, afirmou ele, que reconhece que muitos de seus estudantes aproveitaram o curso para pedir a residência depois que já estavam em Portugal.

  6. Jul 30

    Incêndios florestais na Espanha já queimaram três vezes e meia a superfície de Madri

    A nova onda de calor que atinge a Espanha mantém o país em alerta para os incêndios florestais. Com os maiores focos já estabilizados na região central, as autoridades concentram esforços em áreas próximas à fronteira com Portugal, no noroeste do país e na costa mediterrânea, onde o fogo ainda avança. Ana Beatriz Farias, correspondente da RFI em Madri Uma estimativa por satélite do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais, o EFFIS, aponta cerca de 210 mil hectares queimados desde o início do ano. Essa área equivale a aproximadamente três vezes e meia a superfície do município de Madri. Já o balanço administrativo provisório do Ministério para a Transição Ecológica e o Desafio Demográfico da Espanha (Miteco) contabilizava 173.651 hectares até 28 de julho, quase seis vezes o registrado no mesmo período de 2025. Os dois levantamentos utilizam métodos diferentes e não são diretamente comparáveis, mas mostram a dimensão excepcional da temporada. Situação continua instável Com os incêndios de Ávila e da região de Madri tecnicamente estabilizados, a maioria dos moradores já pôde voltar para casa. Os bombeiros, no entanto, continuam nos perímetros para combater pontos quentes e impedir a reativação das chamas. No leste do país, o incêndio de La Vall d’Uixó, na província de Castellón, queimou cerca de 9.300 hectares. Depois de manter aproximadamente 10 mil pessoas afastadas de suas casas, o incêndio permitiu o retorno dos moradores de seis municípios na manhã desta quinta-feira (30). As equipes, porém, continuavam enfrentando reativações e tentando conter o avanço do fogo. A preocupação mais recente concentra-se no noroeste. Em León, três incêndios obrigaram mais de 300 pessoas a deixar suas casas. Em Zamora, perto da fronteira com Portugal, o fogo avançou pelo Parque Natural de Arribes del Duero, uma área protegida conhecida pelos cânions escavados pelo rio Douro. Oitocentas pessoas foram deslocadas preventivamente.  A Unidade Militar de Emergências foi enviada a Zamora. Temperaturas elevadas, vento forte e grande quantidade de vegetação seca são fatores que colaboram para que o fogo se espalhe mais rápido. A região também sofre com o despovoamento e o abandono de atividades rurais, fatores que favorecem a acumulação de material combustível. A previsão meteorológica para os próximos dias não traz alívio, já que a Agência Estatal de Meteorologia da Espanha, a Aemet, mantém o aviso de onda de calor até domingo (2). As temperaturas elevadas, a baixa umidade e o vento podem levar o risco de incêndio a níveis extremos em grande parte do país. Julho tem incêndio mais letal em 42 anos A Espanha enfrentou ao longo de julho vários incêndios independentes, ocorridos em momentos e regiões diferentes. O mais trágico começou no dia 9, em Los Gallardos, na província de Almería, no sul do país. O fogo permaneceu ativo durante 16 dias, queimou cerca de 5.200 hectares e deixou 14 mortos. Foi o incêndio florestal mais letal já registrado na Andaluzia e o mais letal da Espanha em 42 anos. A investigação sobre a origem continua aberta, e a principal hipótese é a queda de um cabo elétrico. Outro grande incêndio atingiu Guadalajara, no centro do país, e queimou cerca de 33 mil hectares. No momento mais crítico, dezenas de localidades tiveram de ser evacuadas ou confinadas. Agricultores da região também participaram da resposta, mobilizando cerca de 50 tratores para abrir faixas de defesa e tentar conter o avanço das chamas. Na última semana de julho, a emergência concentrou-se principalmente em Ávila e Madri. Os incêndios eram distintos, mas ficaram sob comando coordenado devido à proximidade das frentes. Em Ávila, mais de 50 mil hectares foram queimados, no maior incêndio em extensão da história recente da Espanha. A investigação atribui o início do fogo ao uso de uma escavadeira que estaria trabalhando sem autorização num período em que máquinas capazes de produzir faíscas estavam proibidas devido ao risco extremo. O processo ainda não foi concluído. Na região de Madri, as estimativas variam entre 27 mil e 34 mil hectares queimados. Pelo menos cem moradias usadas como residência principal foram destruídas. As chamas não chegaram à capital espanhola, mas os efeitos dos incêndios foram sentidos na cidade. O vento transportou a fumaça das áreas atingidas até o centro de Madri. Combinada a uma intrusão de poeira de origem africana, a fumaça deixou a cidade durante várias horas sob um céu amarronzado, com cheiro de queimado, partículas em suspensão e piora da qualidade do ar. Diante desse cenário, as autoridades recomendaram que a população permanecesse em casa sempre que possível, fechasse portas e janelas e evitasse exercícios ao ar livre. Para quem precisasse sair, a orientação era utilizar uma máscara FFP2, correspondente à PFF2 brasileira. No auge da emergência, cerca de 90 mil pessoas ficaram sob ordens de evacuação ou confinamento em Ávila, Madri e Toledo. Emergência nacional e ajuda internacional A dimensão dos incêndios provocou uma ampla mobilização. Moradores ajudaram no combate às chamas, organizaram doações e se uniram para levar água, alimentos, máscaras e ferramentas aos voluntários. Em algumas áreas, agricultores utilizaram tratores para abrir faixas de proteção, enquanto associações atuaram no resgate e na alimentação de animais. A Espanha também recebeu ajuda internacional. Por meio do Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia, Grécia, Itália e Turquia enviaram seis aviões de combate a incêndios. Portugal mobilizou 134 profissionais e 41 veículos. Frente à gravidade da situação, o governo espanhol declarou uma emergência de interesse nacional. Foi a primeira vez que esse mecanismo foi acionado no país por causa de incêndios florestais. O ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, assumiu a direção da emergência, enquanto a Unidade Militar de Emergências (UME) ficou responsável pela direção operacional. Mais de 3 mil profissionais de diferentes equipes foram mobilizados. Fatores que favorecem a propagação das chamas A crise começou mais cedo em 2026. Em 2025, a maior parte da área queimada se concentrou em agosto. Neste ano, a Espanha já havia registrado 17 grandes incêndios apenas nos primeiros 24 dias de julho, quase o dobro da média histórica para o mês. Isso não significa necessariamente que tenha havido mais focos. Segundo uma análise da ONG WWF citada pelo jornal espanhol El País, o número de incêndios ficou 33% abaixo da média da última década, mas uma proporção maior escapou do controle inicial e se transformou em eventos extensos e difíceis de combater. As sucessivas ondas de calor ressecaram a vegetação, reduziram a umidade e mantiveram as temperaturas elevadas inclusive durante a noite. As chuvas do inverno e da primavera também favoreceram o crescimento de plantas e arbustos que, posteriormente, secaram e passaram a alimentar as chamas. O abandono de atividades agrícolas e pecuárias contribui para a acumulação de vegetação, enquanto a expansão de casas e urbanizações próximas às florestas aumenta a exposição da população.

  7. Jul 29

    Encontro com Trump reforça percepção de perda de influência de Netanyahu

    O encontro entre o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca provocou uma onda de análises críticas na imprensa israelense nesta quarta-feira (29). Os principais jornais do país apontam um distanciamento crescente entre os dois líderes e avaliam que Washington busca reafirmar sua liderança na definição da política para o Oriente Médio, reduzindo a influência de Netanyahu nas decisões estratégicas da região. Henry Galsky, correspondente da RFI em Israel A repercussão ganhou destaque nas manchetes dos principais veículos israelenses. O diário Yediot Aharonot afirma que Trump procura deixar claro que a estratégia americana será definida em Washington, e não em Jerusalém, enquanto analistas apontam o isolamento político de Netanyahu diante de uma administração disposta a impor seu próprio ritmo em temas diplomáticos e de segurança. Em editorial, o jornal de oposição Haaretz resumiu o momento ao afirmar que “ainda é cedo para decretar o fim da influência de Netanyahu, mas Israel ocupa agora o banco de trás”.  O encontro, realizado na terça-feira (28), teve o Irã como principal tema das conversas e ocorreu em meio à crescente movimentação política em Israel para as primeiras eleições gerais desde os ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023. Clima protocolar Havia grande expectativa em relação à conversa na Casa Branca. Mas o oitavo encontro entre Benjamin Netanyahu e Donald Trump terminou com declarações protocolares sobre a aliança entre Israel e os Estados Unidos. Ao contrário de ocasiões anteriores, que contaram com a presença da imprensa e até sessões de perguntas de jornalistas, desta vez o compromisso foi mais discreto. Também durou menos do que o esperado: cerca de 80 minutos, com a participação de diversos integrantes de alto escalão dos dois governos. Não houve, portanto, uma conversa reservada entre Netanyahu e Trump, mas uma ampla reunião de trabalho que, segundo informações divulgadas após a visita, teve como foco o Irã e a reafirmação do compromisso conjunto de impedir que o regime iraniano obtenha armas nucleares. Netanyahu e Trump discutiram também a situação atual do Oriente Médio e a possibilidade de expandir os Acordos de Abraão de forma a que mais países árabes venham a estabelecer relações diplomáticas com Israel.  O encontro anterior entre Netanyahu e Trump aconteceu em 11 de fevereiro, portanto 17 dias antes de Israel e EUA lançarem os ataques contra o Irã que iniciaram a guerra mais recente.  Netanyahu em busca de reforço eleitoral Netanyahu não recebeu nenhum endosso de Trump. Ao contrário, ao ser questionado, o presidente norte-americano chegou a dizer que não sabe se Netanyahu será o primeiro-ministro de Israel após as eleições.  Sobre isso, todas as pesquisas eleitorais em Israel mostram que a atual coalizão de governo não será capaz de obter a maioria mínima de 61 dos 120 assentos do Knesset, o parlamento do país.  Segundo a imprensa israelense, o governo norte-americano já está em contato com nomes da oposição incluindo com alguns dos principais candidatos a substituir Netanyahu, como o ex-primeiro-ministro Naftali Bennett e o ex-chefe do Estado-Maior do Exército de Israel Gadi Eisenkot, cujo partido aparece na liderança em várias das pesquisas eleitorais.  Relação mais fria com Trump Netanyahu disse recentemente que, se continuar no cargo, ele é capaz de garantir que o Irã jamais vai produzir armamento nuclear. Esta declaração também é inserida no contexto de que o líder israelense encontra-se em posição vulnerável diante do público interno justamente na área mais relevante para a população: a segurança. Netanyahu construiu a sua carreira política tendo como base a consolidação de seu nome para parte da sociedade israelense como o único capaz de garantir solidez e prosperidade por meio da reafirmação do poder militar e da segurança, dois pontos fundamentais numa região hostil – esses fundamentos foram perdidos pelos fatos no terreno a partir dos ataques terroristas do Hamas de 7 de Outubro de 2023. Um outro aspecto caro a Netanyahu é a imagem de líder internacional com amplo acesso, em especial ao presidente norte-americano.  Em campanha, ele corre para recuperar o que foi perdido: a popularidade interna como líder forte e a aliança com Donald Trump, que tem criticado o primeiro-ministro israelense publicamente sobre ações no Líbano, vazamento de informações sobre o programa nuclear do Irã e até a oposição de Israel à venda pelos EUA de caças F-35 à Turquia.  Uma nova rodada de negociações entre Líbano e Israel Segundo o acordo alcançado pelos governos de Israel e Líbano sob mediação dos Estados Unidos, Israel se retirou parcialmente da primeira zona-piloto no sul do território libanês.  São três aldeias ocupadas nas quais o Exército de Israel foi substituído pelo Exército regular do Líbano que, por sua vez, tem como missão desarmar o Hezbollah e impedir o retorno da milícia xiita.  O primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, realizou uma visita oficial a Zawtar al-Gharbiya, uma das aldeias, logo após a retirada parcial de Israel, e hasteou a bandeira nacional libanesa para simbolizar a retomada da soberania sobre a região sul.  No entanto, fontes militares citadas de forma anônima pela imprensa israelense apontam que o Exército do Líbano tem evitado o confronto direto com o Hezbollah.  Já o exército libanês emitiu comunicados formais afirmando que as tropas de Israel continuam realizando bombardeios ocasionais e demolições de casas no território. Segundo Beirute, essas ações impedem fisicamente que os soldados libaneses assumam o controle total da segurança da região. Na prática, militares israelenses recuaram apenas até as margens exteriores dos vilarejos e mantêm uma faixa de segurança de dez quilômetros no interior do Líbano, condicionando qualquer retirada adicional ao desmantelamento efetivo do Hezbollah.  Em meio a troca de acusações de ambos os lados, autoridades de Israel e do Líbano agendaram uma nova rodada de negociações mediada pelos EUA entre os dias 4 e 6 de agosto, em Roma, com o objetivo de discutir a expansão das zonas de retirada e resolver disputas sobre pontos específicos da fronteira entre os dois países.

About

Bate-papo com os correspondentes da RFI Brasil pelo mundo para analisar, com uma abordagem mais profunda, os principais assuntos da atualidade.

More From RFI Brasil

You Might Also Like