Linha Direta

Bate-papo com os correspondentes da RFI Brasil pelo mundo para analisar, com uma abordagem mais profunda, os principais assuntos da atualidade.

  1. 18H AGO

    Muita política e pouco futebol: entenda os motivos do desinteresse dos alemães pela Copa 2026

    A seleção alemã de futebol se reúne nesta quarta-feira (27), na Baviera, para dar início à preparação para a Copa do Mundo 2026. A nationalmannschaft terá 18 dias para fazer os últimos ajustes antes da estreia no torneio, que este ano terá como países-sede o Canadá, os Estados Unidos e o México. Mas o clima na Alemanha é de pouco entusiasmo tanto com o time quanto com a organização do evento. Gabriel Brust, correspondente da RFI em Düsseldorf, Alemanha O desânimo é tão evidente que se tornou tema de debate na imprensa alemã. Um comentarista do jornal Nordkurier diz que “a expectativa para a apresentação da seleção hoje está mais parecida com a de uma visita ao dentista”. Ele compara esse clima com o da Copa de 2006, quando a Alemanha sediou o torneio e o país viveu uma verdadeira euforia, com bandeiras por todos os lados e forte engajamento popular. Hoje, 20 anos depois, o entusiasmo parece distante. Em 2014 veio a Copa disputada no Brasil e o tetracampeonato alemão, outro momento de celebração e êxtase nas ruas da Alemanha. Mas é verdade que, depois da copa do 7 a 1, a nationalmannschaft parece não mobilizar mais os seus torcedores. Este ano, não há decoração nas ruas nem eventos públicos organizados. A cidade de Mainz, por exemplo, decidiu não organizar a exibição pública dos jogos em telões. O próprio clube local, o Mainz 05, que disputa a Bundesliga, também optou por não abrir o estádio para que os torcedores assistam às partidas em grupo, colo costumava acontecer. As autoridades e o clube justificam a decisão pelos custos adicionais com segurança e pessoal, principalmente devido ao horário mais tardio dos jogos. Mas essa explicação não convence totalmente, já que a estreia da Alemanha está marcada para 14 de junho, às 19h. O adversário do primeiro embate, por outro lado, pode ajudar a explicar o desânimo: a pouco estrelada seleção de Curaçao. Leia tambémBrasileiro no futebol alemão fala sobre volta aos gramados: "medo ainda existe" Anfitriões hostis O país anfitrião é um fator relevante e difícil de dissociar do contexto político. A Copa de 2014 é frequentemente apontada como o último momento de grande mobilização na Alemanha em relação ao torneio. Desde então, as três edições seguintes foram realizadas em países percebidos como politicamente hostis por parte significativa da população alemã: a Rússia, em 2018; o Catar, em 2022; e, agora, os Estados Unidos sob o governo de Donald Trump, considerado o presidente americano mais impopular entre os alemães. Segundo pesquisas, 71% da população do país não veem mais os Estados Unidos como um parceiro confiável. Apesar disso, quando os ingressos começaram a ser vendidos, a Alemanha figurou entre os países com o maior número de inscrições, atrás apenas de Inglaterra e Colômbia, e registrando, por exemplo, o dobro de pedidos em comparação com a França. No entanto, com a proximidade do torneio, o aumento dos preços afastou parte dos interessados. Assistir aos três jogos da Alemanha na fase de grupos pode custar entre € 8 mil e € 9 mil por pessoa, considerando passagens, hospedagem e traslado. Segundo agências de viagem, a procura por pacotes para a Copa do Mundo está abaixo do esperado. Muitos torcedores alemães já optam por direcionar seus planos para a Euro 2028, que será disputada no Reino Unido e na Irlanda. Há duas semanas, a Federação Alemã de Futebol lançou uma campanha para estimular o interesse pelo torneio, incluindo vídeos que destacam depoimentos emocionantes dos jogadores. A iniciativa busca especialmente atrair o público mais jovem. Desde o último título, há 12 anos, a nova geração que passou a acompanhar a seleção alemã não viu conquistas, apenas eliminações precoces, como nas Copas de 2018 e 2022, quando a Nationalmannschaft foi eliminada ainda na fase de grupos.  Esse histórico esportivo ajuda a explicar a queda de entusiasmo dos alemães pela Copa: a percepção de perda de qualidade do futebol alemão. Campeão mundial Lothar Matthäus provoca Vinícius Jr. O técnico Julian Nagelsmann, de 38 anos, é visto com bastante ceticismo por ser um treinador relativamente jovem e que, desde que assumiu a seleção alemã, em 2023, não tem tido um grande desempenho. Ele foi criticado por deixar de fora, por exemplo, o prodígio do Colônia Said El Mala, de 19 anos, que marcou 13 gols na reta final da Bundesliga. Houve grande polêmica também em torno da decisão de recolocar o goleiro veterano Manuel Neuer entre os titulares, após dois anos afastado da seleção. Parte da opinião pública considerou injusta a troca de última hora de Oliver Baumann — que disputou todas as eliminatórias da Copa do Mundo — pelo jogador do Bayern de Munique. Mas a decisão recebeu um apoio de peso: o campeão mundial Lothar Matthäus afirmou publicamente que Neuer ainda é o melhor goleiro da Alemanha e fez uma declaração provocativa direcionada aos torcedores brasileiros. Em comentário ao jornal Bild, Matthäus disse que “quando um Vinicius Jr. fica cara a cara com o Manu, ele já fica com um borrão na cueca”. Com ou sem entusiasmo, a seleção alemã ainda joga dois amistosos contra Finlândia e Estados Unidos antes da estreia na Copa. A base da delegação será na Carolina do Norte.

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  2. 1D AGO

    Dinamarca cria ferramenta digital para ajudar filhos de pais divorciados

    A plataforma desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Copenhague, mostrou redução significativa de ansiedade, tristeza e conflitos familiares. Fernanda Melo Larsen, correspondente da RFI em Copenhague Batizada de SES NXT, a plataforma funciona como um programa digital de apoio psicológico voltado para crianças e adolescentes entre 3 e 17 anos. O conteúdo é dividido por faixa etária e inclui vídeos, exercícios práticos e relatos de outras crianças que passaram pela separação dos pais. Entre os temas abordados estão conflitos familiares, adaptação à vida em duas casas, famílias recompostas e identificação das emoções depois do divórcio. Segundo o psicólogo Gert Martin Hald, professor do Departamento de Saúde Pública da Universidade de Copenhague e um dos responsáveis pelo estudo, o divórcio costuma ser o primeiro grande evento negativo vivido por muitas crianças. “Algumas crianças e adolescentes desenvolvem sofrimento psicológico importante e até dificuldades escolares com o divórcio dos pais”, afirma Gert Martin Hald. Melhora emocional O estudo acompanhou 866 crianças e adolescentes durante 12 semanas. Os participantes foram divididos em dois grupos, um recebeu acesso imediato à plataforma e o outro só passou a utilizar a ferramenta depois do fim da pesquisa. Segundo os pesquisadores, as crianças que utilizaram o programa apresentaram redução significativa de sintomas como tristeza, ansiedade, preocupação excessiva e problemas de comportamento. Também houve melhora na concentração, nas relações sociais e na capacidade das crianças de lidar com conflitos familiares. Um dado que chamou bastante atenção foi que quase metade das crianças que utilizou a plataforma saiu de um quadro considerado emocionalmente vulnerável para níveis normais de bem-estar psicológico. No grupo que não teve acesso imediato à ferramenta, essa melhora apareceu em apenas uma em cada dez crianças. Países Nórdicos Hoje, a plataforma SES NXT já é utilizada em 16 municípios dinamarqueses. Cerca de 1.700 crianças já passaram pelo programa. O programa também foi adotado na Suécia, Noruega, Islândia e Finlândia. Os países Nórdicos aparecem historicamente entre as nações europeias com maiores índices de separação, de acordo com os dados do Eurostat, o órgão de estatísticas da União Europeia. Na Dinamarca, por exemplo, cerca de 12.800 divórcios foram registrados em 2023, segundo o Instituto Nacional de Estatística do país. Suécia e a Finlândia também aparecem regularmente entre os países europeus com taxas elevadas de divórcio. Os pesquisadores alertam que um dos fatores importantes para o bem-estar das crianças depois da separação é justamente a redução dos conflitos entre os pais.

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  3. 2D AGO

    Aviões militares dos Estados Unidos sobrevoam Caracas com autorização do governo venezuelano

    Quase cinco meses após a operação militar de 3 de janeiro, aeronaves dos Fuzileiros Navais dos Estados Unidos voltaram a sobrevoar Caracas, desta vez com autorização do governo venezuelano. Na quinta-feira, o governo anunciou que havia autorizado a embaixada norte-americana a realizar um exercício de evacuação para casos de emergência médica e contingências consideradas catastróficas. Pedro Pannunzio, correspondente da RFI em Caracas Segundo o ministro das Relações Exteriores, Yván Gil, a operação incluiria o sobrevoo de duas aeronaves militares norte-americanas sobre a capital venezuelana e o pouso na embaixada dos Estados Unidos. O anúncio foi transmitido pela televisão estatal venezuelana, e um comunicado oficial foi publicado nas redes sociais do chanceler. No dia seguinte, sexta-feira, a postagem foi apagada sem explicações oficiais. Ainda assim, o exercício militar foi mantido e ocorreu no sábado. Uma das principais autoridades a participar da atividade foi o comandante do Comando Sul dos Estados Unidos, general Francis Donovan, que chegou a Caracas a bordo de uma das aeronaves usadas na operação. Segundo a embaixada dos Estados Unidos em Caracas, Donovan participou de reuniões com representantes do governo interino e se reuniu com funcionários da representação diplomática norte-americana. A embaixada dos Estados Unidos na Venezuela foi reaberta após a operação militar que terminou com o sequestro de Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores, atualmente presos nos Estados Unidos. Reações da esquerda A operação provocou reações de diferentes setores da esquerda venezuelana. Pelo menos duas manifestações aconteceram em Caracas contra o exercício realizado pelos Estados Unidos. Uma delas, organizada pelo Partido Comunista da Venezuela, reuniu organizações de esquerda críticas ao chavismo e ao governo de Delcy Rodríguez. Em nota, o PCV afirmou que a operação representa “uma nova expressão da condição de subordinação política e militar à qual a Venezuela foi submetida depois da intervenção de 3 de janeiro”. O partido também fez críticas diretas à presidente venezuelana e afirmou que “a atual administração liderada por Delcy Rodríguez não só foi incapaz de defender a integridade nacional, como atuou como garantidora dos interesses econômicos de Washington”. Ainda no sábado, movimentos sociais ligados ao chavismo também foram às ruas. Os manifestantes evitaram ataques ao governo e direcionaram as críticas aos Estados Unidos. A organização Alba Movimentos, que liderou a manifestação, classificou o exercício militar como uma ação “intimidatória” e uma “ameaça à soberania nacional por parte do imperialismo norte-americano”. O grupo afirma que poupou o governo de Delcy Rodríguez por entender que a administração interina atua sob forte pressão militar dos Estados Unidos. 'Manutenção da Pátria' Representantes do governo interino evitaram fazer comentários diretos sobre o exercício militar, mas algumas figuras importantes do chavismo publicaram mensagens nas redes sociais em defesa da estabilidade política e da recuperação econômica do país. O deputado Jorge Arreaza, nome forte do governo Delcy, disse que a prioridade, neste momento, deve ser a retomada da economia venezuelana e a manutenção da paz. “Conseguir o fim das sanções para recuperar a economia são consensos essenciais de todos os setores políticos”, disse em uma publicação no X. Arreaza afirmou ainda que os grupos que apostam no conflito ficam “fora do jogo”. O ministro da Comunicação, Miguel Pérez Pirela, disse que “os republicanos precisam atuar com responsabilidade pela existência e pela manutenção da pátria”. Já a deputada e ex-ministra chavista Iris Varela afirmou que “o povo venezuelano jamais vai se deixar esmagar por qualquer império”. Ela também repetiu uma frase popularizada pelo ex-presidente Hugo Chávez: “Vão se foder, ianques de merda”, escreveu em uma publicação no X. As declarações foram publicadas ao longo do fim de semana, após a realização do exercício militar.

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  4. 5D AGO

    Tensão na Bolívia cresce com onda de protestos contra o presidente Rodrigo Paz

    A Bolívia completa nesta sexta-feira (22) três semanas de protestos comandados por setores que respondem ao ex-presidente Evo Morales, em sintonia com a Central Operária Boliviana. A ordem é asfixiar a capital La Paz e a cidade vizinha de El Alto com bloqueios que impeçam a chegada de alimentos, medicamentos e combustíveis. Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires Quatro pessoas morreram e mais de cem foram presas nos distúrbios que exigem a renúncia do presidente Rodrigo Paz, a apenas seis meses no cargo. A guerra foi declarada no dia 1º de maio, quando a Central Operária Boliviana (COB) anunciou uma greve geral por tempo indeterminado a partir do dia seguinte. O protesto se transformou em um movimento pedindo a renúncia do presidente Rodrigo Paz, que assumiu o cargo há apenas seis meses. No início as manifestações reivindicavam aumentos salariais de 20%, qualidade dos combustíveis, fim das privatizações de estatais (todas deficitárias) e a revogação de uma reforma nas propriedades de terras. Embora o governo tenha atendido parcialmente a essas exigências, o conflito cresceu e passou a incluir 22 bloqueios de estradas ao redor de La Paz.  Nesta quinta-feira (21), o ministro do Trabalho, Edgar Morales, renunciou ao cargo como forma de “ajudar a pacificar o país”. No dia anterior, o presidente Rodrigo Paz havia anunciado uma reforma ministerial, visando tornar o governo “mais ágil e mais próximo dos cidadãos”. Paz também anunciou a criação de um Conselho Econômico e Social para debater com as organizações sociais as demandas populares, como a criação de empregos. Mesmo assim, nas últimas horas, a Central Operária Boliviana fez uma nova manifestação que partiu da cidade vizinha de El Alto até o centro de La Paz. Desta vez, não houve confrontos como os registrados na segunda-feira (18), quando uma mobilização da COB somou-se a camponeses e militantes do ex-presidente Evo Morales, resultando em confronto com a polícia, em saques a comércios e agressões a civis, policiais e jornalistas. Em reação, na quarta-feira (20), centenas de pessoas protestaram contra o movimento que promove um cerco a La Paz por meio de bloqueios de estradas. Com bandeiras da Bolívia, os manifestantes foram à Praça Murillo, em frente ao Palácio Quemado, sede do governo, e ao Palácio Legislativo para marcar um limite aos protestos que geram desabastecimento. O advogado Fabián Valencia foi um deles. “Evo Morales cercou as cidades. Por isso, estamos sem alimentos e sem combustíveis”, acusa em declarações à RFI. “A maior parte dessas manifestações é paga”, denuncia. A Bolívia denunciou na Organização dos Estados Americanos que “os protestos e as greves ameaçam a ordem democrática e violam os direitos fundamentais dos cidadãos”. Por “direitos fundamentais” entende-se o direito de ir e vir e o acesso a alimentos, combustíveis e medicamentos. Desabastecimento em La Paz Os bloqueios asfixiam La Paz do restante do país, provocando a falta de alimentos como carne, frango, ovos, laticínios e verduras. A falta de combustíveis gera filas quilométricas, com mais de cinco horas de espera por apenas um litro de gasolina ou diesel. As pessoas sofrem para encontrar alimentos básicos. “Sofremos por falta de comida. Não há carne, frango, ovos. Só há filas em busca de comida. Faltam os produtos mais básicos. E quem mais sofre são as crianças, que ficam com fome. Os preços já duplicaram. Até quando vamos ficar assim?”, desabafa a dona de casa Susana Zelayes. Só nesta quinta-feira (21), ela tentou achar o produto em quatro supermercados diferentes, mas não teve sorte. A falta de alimentos combina-se com uma disparada dos preços. “Os alimentos básicos aumentaram o dobro e, em alguns casos, o triplo”, descreve à RFI a comerciante Cláudia Mamani. “Por mais que você tenha dinheiro, não encontra gás. Por mais que tenha dinheiro, não encontra pão”, reclama Nélida Tamayo à RFI, que percorre supermercados com a filha. “Estamos comprando o que sobrou, e isso nos preocupa porque não sabemos até quando teremos o que comer”, aflige-se, enquanto vê as geladeiras vazias de laticínios. Nos hospitais, começou o racionamento de oxigênio. Se o panorama não mudar, o estoque acaba dentro de uma semana. Cirurgias têm sido adiadas. O chefe da seção de cardiologia do Hospital do Tórax, Enrique Oropeza, disse ter certeza de que “muitas vidas serão perdidas com este conflito social”. O problema afeta também cidades como Oruro, Potosí, Cochabamba e Santa Cruz. O governo tenta, em vão, abrir corredores humanitários por algumas horas para a passagem de mercadorias essenciais. A Cruz Vermelha conseguiu fazer passar dois caminhões com cilindros de oxigênio medicinal, mas a quantidade não é suficiente. A Argentina emprestou um avião Hércules para levar toneladas de alimentos e itens básicos a La Paz. O Chile, que não mantém relações diplomáticas com a Bolívia, doou toneladas de alimentos. A Câmara de Indústrias da Bolívia informou nesta quinta-feira que as perdas nas fábricas passam de US$ 600 milhões. Como começaram os protestos Os primeiros protestos começaram depois do dia 10 de abril, quando foi promulgada a Lei 1720, que permitia a pequenos proprietários rurais recategorizar, de forma voluntária, suas terras para ter acesso a créditos bancários, usando os terrenos como garantia. Para os críticos, a terra passaria a ser um ativo financeiro executável, quando atualmente não é passível de embargo. Embora o governo tenha esclarecido que as terras indígenas não estavam incluídas, os movimentos sociais viram na lei uma ameaça de perda das terras ancestrais em caso de dívidas. Também denunciaram que não houve um debate prévio, como exige a Constituição. Professores, trabalhadores da saúde, mineiros e vários sindicatos de servidores juntaram-se à manifestação, acrescentando um protesto contra o ajuste econômico. A inflação de 2025 foi de 20,4%, enquanto a acumulada de 2026 até abril já está em 14,18%, antes mesmo de o governo acabar com o câmbio fixo que congelou o valor do dólar em 6,96 bolivianos desde 2014. O governo negociou algumas demandas salariais com professores e mineiros, amenizando algumas frentes de conflito. Também revogou a lei de terras no dia 13 de maio. Mesmo assim, os protestos se radicalizaram. Os manifestantes criaram um trocadilho com o sobrenome do presidente Paz, chamando-o de “incaPaz” e tirando a paz da capital. A tudo isso somou-se o ex-presidente Evo Morales (2006-2019), com uma manifestação que percorreu 190 quilômetros até chegar a La Paz na segunda-feira passada. Os manifestantes cercaram a Praça Murillo, lançando pedras e dinamite (usada nas minas). A polícia respondeu com gás lacrimogêneo. “Dessas manifestações, a maioria não é de pessoas organizadas que se levantaram indignadas para protestar. Diria que 30% é insatisfação popular real; 70% é aproveitamento político por parte de Evo Morales”, afirma à RFI a cientista política boliviana Lily Peñaranda. O protesto promovido por Evo Morales coincidiu com uma segunda ordem de prisão por não se apresentar ao julgamento do processo no qual é acusado de manter relação com uma menor quando era presidente (2014 e 2015). Rodrigo Paz afirma que os protestos visam desestabilizar o governo e que, por trás dos dirigentes sociais, está Evo Morales, financiado pelo tráfico de drogas.A partir de 2003, Evo Morales usou essa estratégia para chegar à Presidência em 2005 e a repetiu em 2019, para sufocar o governo da ex-presidente Jeanine Áñez. Países governados pela direita, como Argentina, Chile, Paraguai e Estados Unidos, expressaram apoio ao presidente Rodrigo Paz e denunciaram uma tentativa de ruptura democrática. Outros governados pela esquerda, como a Colômbia, disseram que os protestos são uma resposta legítima contra o ajuste. O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, disse que os protestos são uma “insurreição popular”. A embaixadora colombiana foi expulsa de La Paz. Jogo de desgaste A analista Lily Peñaranda acredita que os protestos possam durar mais uma ou duas semanas porque, historicamente, esse foi o prazo-limite dos conflitos sociais mais extensos. “Acredito que, no total, essa situação possa durar quatro ou cinco semanas, porque os manifestantes não têm mais fôlego. É um processo desgastante. Por outro lado, a escassez de alimentos pode se agravar, exigindo respostas imediatas”, observa Peñaranda. Há um jogo tático e silencioso de desgaste dos dois lados. Os manifestantes visam estender o conflito para desgastar o governo, usando as necessidades da população por alimentos, medicamentos e combustíveis como elemento de pressão. Os manifestantes, segundo Lily Peñaranda, esperam que o governo reprima com violência e que haja um morto para acelerar o desgaste. O governo, por sua vez, tem evitado o confronto violento para não dar esse trunfo aos manifestantes. Rodrigo Paz aposta no cansaço dos protestos. Até agora, a população tem se colocado contra os manifestantes, entendendo os protestos como uma forma de extorsão. Além disso, a maioria dos que votaram em Rodrigo Paz sabe que retirar o apoio ao presidente, a seis meses de mandato, é fazer o país recuar aos governantes rejeitados nas eleições do ano passado. “A paciência da população em geral tende a ser maior do que a dos manifestantes, porque a maioria sabe que a alternativa ao atual governo é o retorno do que havia antes”, pondera. Os que apoiam Rodrigo Paz têm exigido que o governo demonstre pulso firme e adote medidas duras, como decretar estado de sítio. O próprio Paz dá a entender que pode endurecer ao advertir que “vai utilizar todas as ferramentas constitucionais para restabelecer a ordem”. “Mas precisa

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  5. 6D AGO

    Falhas na saúde preventiva na Alemanha têm raízes no nazismo

    Uma pesquisa do Centro Alemão de Estudos do Câncer traz um diagnóstico alarmante sobre a situação da saúde pública na Alemanha. Embora seja o país que mais gasta com saúde na Europa, a Alemanha tem um dos piores desempenhos em saúde preventiva – ou seja, falta combate ao cigarro, à bebida, à alimentação ruim e ao sedentarismo. A explicação para essa situação, segundo pesquisadores, seria mais cultural e histórica do que científica. Gabriel Brust, correspondente da RFI em Düsseldorf (Alemanha) O Índice de Saúde Pública é o primeiro a medir como os países europeus implementam medidas cientificamente recomendadas para promover estilos de vida saudáveis. Ele mostra que a Alemanha está no penúltimo lugar neste quesito, perdendo apenas para a Suíça, em uma lista de 18 países. O ranking é liderado por Reino Unido, Finlândia, Irlanda, Noruega e França. O resultado não chega a ser uma surpresa para estrangeiros que vivem na Alemanha. Espanta o fato de que não existem campanhas de saúde contra o uso do álcool e tabaco, tampouco incentivos à prática de exercícios físicos, por exemplo. Nem mesmo os médicos costumam salientar orientações sobre alimentação saudável. Todo o tratamento médico na Alemanha é focado em combater os problemas depois que eles já surgiram. Esse traço cultural alemão é alarmante principalmente confrontado com outros dois dados científicos: 50% dos europeus em algum momento da vida vão desenvolver um câncer, e quatro em cada 10 casos de câncer podem ser evitados por meio de políticas de prevenção efetivas, justamente o que não acontece na Alemanha. Saúde e nazismo Segundo pesquisadores, a explicação é cultural. Em um artigo publicado na renomada revista científica Lancet, o vice-presidente da Associação Alemão de Saúde Pública, o Hajo Zeeb, diz que o desprezo pelas políticas de prevenção surgiu como uma reação ao nazismo. Na década de 1930, o regime nazista utilizou a higiene racial e a eugenia como políticas para justificar esterilizações involuntárias e assassinatos em massa. A ideia de promoção da saúde pública passou a ser profundamente ligada à ideologia nazista. Essa associação tornou a promoção de políticas de saúde pública um tabu na Alemanha Ocidental durante décadas, no período pós-guerra. Como consequência, os centros locais de saúde tiveram suas atividades de prevenção e promoção da saúde bastante limitadas e continuam assim até hoje, focados apenas em medicina curativa, e não preventiva. A história foi diferente na Alemanha Oriental, que estabeleceu um sistema de saúde socialista e deu mais ênfase a medidas preventivas, incluindo amplos programas de vacinação e check-ups regulares. Do outro lado do muro, o problema era que faltavam tratamentos curativos modernos. Depois da reunificação das duas Alemanhas, em 1989, o sistema de saúde conjunto foi modelado a partir do sistema da Alemanha Ocidental, atribuindo ao Estado apenas um papel reduzido na saúde pública. Foi dada prioridade à autonomia individual e à medicina individualizada praticada por médicos em consultórios privados. Álcool e tabaco liberados A situação alemã demonstra que o dinheiro sozinho não garante um bom sistema de saúde preventiva. A Alemanha é o país que mais gasta com saúde pública na Europa, chegando a quase 13% do PIB. A média dos 27 estados membros da União Europeia é de cerca de 10%. Em relação ao tabaco, o estudo mostra que, na Alemanha, os impostos estão abaixo do nível recomendado pela OMS e a publicidade ainda é permitida nos pontos de venda. A Irlanda e o Reino Unido lideram o ranking de controle do tabaco há anos, seguidos pela França e pelos Países Baixos. Esses países apostam na expansão de zonas livres de fumo, amplas restrições à publicidade e também embalagens neutras para os maços de cigarro. Já em relação ao álcool, a Alemanha tem problemas em tributação, disponibilidade e publicidade. O álcool está facilmente disponível a quase qualquer hora do dia e é muito barato em relação a outros países. Noruega, Finlândia, Suécia e Lituânia conseguiram reduzir muito o consumo de álcool por meio de restrições para compra e consumo. Na Letônia, por exemplo, não é possível nem comprar cerveja em supermercados a partir das 20h. Por fim, em relação à nutrição, a Alemanha não tem normas para as refeições escolares nem imposto sobre refrigerantes com muito açúcar, instrumentos que já são usados com sucesso em vários países como o Reino Unido, Finlândia, França, Letônia e Polônia.

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  6. MAY 20

    Violência sexual e tortura marcam guerra entre Israel e Hamas, apontam relatórios

    O sexo como arma de guerra. A ONU acusa Israel de torturar e violentar sexualmente prisioneiros palestinos detidos no país após os ataques do Hamas em 7 de Outubro de 2023. Já uma comissão civil de investigação israelense acusa o Hamas de ter praticado crimes e torturas sexuais durante os ataques contra as comunidades do sul de Israel.  Henry Galsky, correspondente da RFI em Israel Alice Jill Edwards, Relatora Especial da ONU sobre tortura, divulgou um relatório em que responsabiliza as autoridades israelenses por 52 episódios de tortura ou maus-tratos contra prisioneiros palestinos. Ela também relatou outros 33 casos de tortura sexual e maus-tratos de cunho sexual, com pessoas tendo relatado múltiplas formas de abuso.  A investigação orientou Israel a “rever e reformular suas leis, políticas e práticas de detenção” a partir de uma comunicação que “reúne um conjunto substancial de alegações de tortura, violência sexual e outros abusos graves” nas prisões israelenses.  “Na minha opinião, o número e a crueldade das alegações compiladas demonstram um grave desrespeito por parte de Israel ao seu dever de tratar todos os detidos com humanidade e sem discriminação, o que encorajou, tolerou e acatou a tortura e os maus-tratos, por vezes com apoio em níveis ministeriais e funcionais”, declarou a especialista por meio de comunicado emitido pela ONU.  As alegações de tortura sexual incluem um caso de estupro anal e vaginal repetido e dois casos de estupro com objeto. Onze detentos do sexo masculino relataram espancamentos, agarrões, choques elétricos e ataques de cães aos seus órgãos genitais.  Procurado pela RFI, o governo de Israel respondeu que “após as atrocidades de 7 de Outubro, há uma campanha maliciosa para absolver o Hamas do uso sistemático e premeditado de violência sexual, promovendo uma narrativa inversa na qual Israel é o autor de tais crimes. Israel repudia categoricamente essa campanha e tais acusações”.  Sobre as acusações, Israel afirma que “qualquer denúncia apresentada às autoridades competentes será investigada com a máxima seriedade”.  O início das investigações O ponto de partida para a investigação e para a coleta dos relatos dos prisioneiros foi o registro, segundo a relatora da ONU, de pelo menos 94 mortes sob custódia israelense desde outubro de 2023.  Exames nos corpos em vários dos casos mostraram múltiplas fraturas de costelas, hemorragias na pele e em órgãos internos, além de lacerações em órgãos abdominais internos.  Essas denúncias da relatora da ONU são resultado de uma investigação realizada após os ataques do Hamas a Israel, em 7 de Outubro de 2023, que marcam o início do atual ciclo de violência que ainda prossegue.  Ampla investigação sobre crimes sexuais cometidos pelo Hamas Um amplo relatório pela Comissão Civil que investiga os ataques de 7 de Outubro de 2023 realizados pelo Hamas mostra que os extremistas palestinos não “apenas” assassinaram mulheres israelenses, mas as profanaram de forma “deliberada e sistemática”. O relatório intitulado “Silenciados Nunca Mais” reúne evidências apontando que as mulheres foram brutalizadas como "instrumento deliberado de terror, humilhação e controle". Homens também foram abusados sexualmente e, em pelo menos um caso registrado, estuprados coletivamente. Ao longo de mais de dois anos, mais de 430 testemunhas, sobreviventes, especialistas e profissionais da saúde prestaram depoimento à Comissão Civil, uma ONG israelense independente de direitos das mulheres criada após os ataques de 7 de Outubro de 2023, em resposta ao que a organização chama de “omissão das instituições internacionais em lidar com a violência sexual cometida naquele dia”.  Foram examinados testemunhos, imagens de geolocalização, mensagens de texto, reportagens e informações de fontes abertas. O relatório mostra que havia um padrão recorrente de estupro e estupro coletivo; tortura sexual; mutilação; tiros direcionados ao rosto, cabeça e região genital; nudez forçada; amarras e imobilização; queimaduras genitais; objetos inseridos em áreas íntimas; humilhação sexual pós-morte; e execução durante ou após agressão sexual. Imagens da brutalidade A Comissão Civil examinou mais de dez mil fotografias e vídeos dos ataques liderados pelo Hamas, totalizando mais de 1.800 horas de análise visual. Mulheres israelenses foram despidas, amarradas, esfaqueadas, baleadas e queimadas. Foram executadas durante e após o estupro, em meio a uma orgia de violência na qual 1.200 pessoas foram mortas e 250 feitas reféns. Cabeças foram decapitadas. Ossos pélvicos, quebrados. Mesmo após a morte, os abusos sexuais continuaram. No Kibutz Be'eri, no sul de Israel, pregos, objetos cortantes e pedaços de metal e plástico foram encontrados incrustados no corpo de uma mulher que foi descoberta nua e amarrada. Em outra vítima, foram usadas granadas. Os extremistas do Hamas atiraram em seus olhos, rostos e seios, e até mesmo em suas partes mais íntimas. "O objetivo era a humilhação, não a vitória", disse Eran Masas à Comissão Civil. Ele foi um dos primeiros a responder a uma dessas situações. Darin Komarov, sobrevivente do ataque do Hamas à festa Nova, escondeu-se em um trailer, onde ouviu pelo menos três estupros distintos. "Ouvi um estupro em que a passavam de mão em mão. Ela provavelmente estava ferida, a julgar pelos gritos – gritos que você nunca ouviu em lugar nenhum. É uma alternância entre silêncio e gritos, entre dor e o desejo de morrer. E depois que terminaram, atiraram nela. Você ouve um estrondo – e silêncio”, relatou. “Havia risos. Havia piadas. Eles a passavam de mão em mão... Era feito por diversão”, contou. Repetidamente, desde os primeiros relatos, o Hamas nega que tenha cometido qualquer crime sexual.

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  7. MAY 19

    EUA ampliam pressão sobre Cuba em meio a rumores sobre drones e novas sanções

    A relação entre Cuba e os Estados Unidos voltou a se deteriorar nos últimos dias após uma nova rodada de sanções anunciada por Washington contra integrantes do governo e órgãos de segurança cubanos. A tensão aumentou depois que o site Axios publicou uma reportagem citando supostos relatórios de inteligência segundo os quais Cuba teria adquirido mais de 300 drones militares e discutido possíveis ataques contra a base naval americana de Guantánamo, embarcações dos EUA e até Key West, na Flórida.   Luciana Rosa, correspondente da RFI em Nova York Até o momento, o governo americano não apresentou publicamente provas dessas acusações, mas o tema rapidamente ganhou repercussão em Washington e alimentou o debate sobre segurança nacional e sobre a política dos Estados Unidos para Cuba. A reação de Havana foi imediata. O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, afirmou que qualquer ação militar americana provocaria um “banho de sangue”, com consequências imprevisíveis para a estabilidade regional. Em uma publicação nas redes sociais, ele declarou que Cuba “não representa uma ameaça”. O chanceler cubano, Bruno Rodríguez Parrilla, acusou os Estados Unidos de tentarem construir um “caso fraudulento” para justificar uma possível intervenção militar. Segundo ele, Cuba tem direito à autodefesa, como qualquer outro país, de acordo com a Carta da ONU e o direito internacional. Leia tambémCuba teria discutido ataques com drones contra os Estados Unidos, segundo Washington Indiciamento de Raúl Castro deve ser anunciado esta semana A expectativa de um indiciamento do ex-presidente cubano Raúl Castro é vista como mais um passo no endurecimento da política americana contra Havana. Segundo a imprensa dos Estados Unidos, promotores federais devem apresentar acusações relacionadas ao episódio de 1996, em que aviões do grupo “Brothers to the Rescue” foram derrubados perto de Cuba, causando a morte de quatro pessoas. O anúncio deve ocorrer na próxima quarta-feira (20), em Miami, durante uma cerimônia em homenagem às vítimas, em uma data simbólica ligada à independência cubana. Caso seja confirmado, o indiciamento representaria uma forte escalada diplomática e política entre os dois países. A tensão já vinha aumentando desde a prisão de Nicolás Maduro, aliado histórico de Havana, e da ampliação das sanções americanas contra Cuba, que enfrenta hoje uma grave crise econômica e energética. O governo cubano acusa Washington de usar acusações políticas e medidas econômicas para pressionar a ilha e tentar provocar uma mudança de regime. Leia tambémTrump endurece sanções contra Cuba e ameaça assumir a ilha após guerra contra Irã EUA anunciam sanções contra Cuba  O Departamento de Estado anunciou, na segunda-feira (18), uma nova rodada de sanções contra 11 integrantes da elite política e militar cubana e três órgãos centrais do aparato de segurança do país. Entre as instituições atingidas estão o Ministério do Interior de Cuba, responsável pela segurança interna e pelos serviços de inteligência; a Polícia Nacional Revolucionária, acusada pelos Estados Unidos de reprimir protestos; e a Direção de Inteligência cubana. As sanções bloqueiam eventuais bens e interesses dessas entidades sob jurisdição americana e ampliam as restrições para empresas e instituições financeiras estrangeiras que mantenham relações com os alvos punidos. O governo Trump também deu prazo até 5 de junho para que companhias internacionais rompam vínculos com empresas cubanas ligadas ao conglomerado militar GAESA, sob risco de sanções secundárias. O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que os sancionados são responsáveis pela crise econômica cubana, pela repressão interna e pelo uso da ilha em operações de inteligência e segurança. Ele também avisou que novas medidas devem ser anunciadas “nos próximos dias e semanas”, sinalizando um novo endurecimento da política americana contra Havana. Leia tambémCuba amplia geração de energia solar com apoio chinês, mas segue refém de apagões e infraestrutura precária Controvérsia recente envolvendo ajuda humanitária  No começo de maio, Marco Rubio afirmou que Cuba teria recusado uma oferta de US$ 100 milhões em ajuda humanitária dos Estados Unidos. Segundo Rubio, Washington queria ampliar a assistência enviada à população cubana, mas o governo da ilha estaria impedindo a distribuição da ajuda. Havana reagiu rapidamente. O chanceler cubano, Bruno Rodríguez Parrilla, negou que essa oferta tenha existido e acusou os Estados Unidos de mentirem para justificar o endurecimento das sanções contra o país. Ao mesmo tempo, o Departamento do Tesouro americano publicou uma licença temporária autorizando, até junho, operações ligadas à entrega e descarga de petróleo e derivados russos carregados antes de 17 de abril, inclusive por navios sancionados. A medida mostra como a questão energética segue no centro da crise, já que Cuba depende fortemente do petróleo importado de aliados como Rússia e Venezuela para tentar amenizar a falta de combustível na ilha.

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  8. MAY 18

    Haia sediará tribunal especial para julgar Rússia por invasão da Ucrânia

    A Europa avança na criação de uma corte internacional voltada ao chamado “crime de agressão” ligado à invasão russa da Ucrânia. O novo tribunal pretende preencher lacunas deixadas pelo Tribunal Penal Internacional e poderá processar integrantes da alta cúpula russa, incluindo Vladimir Putin. Paralelamente, a União Europeia também formalizou um mecanismo internacional para pedidos de indenização de vítimas da guerra. Artur Capuani, correspondente da RFI em Bruxelas A criação de um tribunal especial para julgar a Rússia pela invasão da Ucrânia ganhou novo impulso na Europa. Trinta e seis países aprovaram oficialmente a formação da corte internacional, que terá sede em Haia, nos Países Baixos. O tribunal foi criado para julgar o chamado “crime de agressão”, ou seja, a decisão política e militar da Rússia de invadir a Ucrânia em 2022. Neste fim de semana, o governo ucraniano confirmou oficialmente que a sede da corte será em Haia, cidade que já abriga outros órgãos internacionais de Justiça, como o Tribunal Penal Internacional. Segundo o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, o projeto saiu da fase de discussão política e entrou agora em uma etapa prática de implementação. Ao todo, 34 países europeus aderiram ao projeto, além da União Europeia como instituição, da Austrália e da Costa Rica. Os participantes integram o Conselho da Europa, órgão sediado na França voltado à defesa dos direitos humanos e da democracia e que reúne mais países do que a própria União Europeia. O secretário-geral do Conselho da Europa, Alain Berset, afirmou que “o momento de responsabilizar a Rússia pela agressão está se aproximando rapidamente” e defendeu que os países garantam agora o financiamento e o funcionamento efetivo da corte. O tribunal foi concebido para processar as mais altas autoridades russas envolvidas na decisão de iniciar a guerra. Isso inclui, em teoria, o presidente Vladimir Putin e integrantes do alto comando político e militar russo. Atualmente, o Tribunal Penal Internacional já emitiu mandados de prisão contra Putin pelo sequestro de crianças ucranianas e também contra comandantes russos acusados de ataques contra civis. A Rússia, porém, não ratificou o estatuto do tribunal e não extradita seus cidadãos para julgamento em outros países. Lacuna jurídica e reparação A nova corte do Conselho da Europa busca justamente preencher uma lacuna jurídica. O Tribunal Penal Internacional não possui jurisdição para julgar especificamente a decisão de lançar a invasão contra a Ucrânia, considerada o “crime de agressão”. Além da criação do tribunal especial, a Comissão Europeia também ratificou oficialmente, em nome da União Europeia, a convenção que estabelece a Comissão Internacional de Reclamações para a Ucrânia. O novo órgão terá a missão de analisar pedidos de indenização relacionados aos danos, perdas e ferimentos causados pela invasão russa. A comissão será responsável por avaliar cada caso e definir o valor das compensações devidas às vítimas e ao Estado ucraniano. Recentemente, o Parlamento Europeu também voltou a pressionar por responsabilização internacional. Em uma resolução aprovada neste ano, os eurodeputados pediram justiça para as vítimas civis da guerra e reforçaram o apoio à criação de mecanismos internacionais de responsabilização contra autoridades russas. Quem aderiu e quem ficou fora O documento de criação do tribunal foi assinado por Andorra, Áustria, Bélgica, Croácia, Chipre, República Tcheca, Dinamarca, Estónia, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Islândia, Irlanda, Itália, Letónia, Liechtenstein, Lituânia, Luxemburgo, República da Moldávia, Mônaco, Montenegro, Países Baixos, Noruega, Polônia, Portugal, Roménia, San Marino, Eslovênia, Espanha, Suécia, Suíça, Ucrânia e Reino Unido. Apesar do apoio majoritário, doze países-membros do Conselho da Europa ainda não aderiram ao acordo. Entre eles estão Hungria, Eslováquia, Bulgária e Malta, além de países dos Bálcãs e também Turquia, Armênia, Azerbaijão e Geórgia. Mesmo assim, a adesão de 36 participantes foi considerada um avanço importante por Kiev e pelos aliados europeus da Ucrânia. O governo ucraniano avalia que o tribunal representa um “ponto sem retorno” no esforço internacional para responsabilizar a Rússia pela guerra. Segundo Andrii Sybiha, outros países ainda devem aderir à iniciativa nos próximos meses.

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Bate-papo com os correspondentes da RFI Brasil pelo mundo para analisar, com uma abordagem mais profunda, os principais assuntos da atualidade.

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