Linha Direta

Bate-papo com os correspondentes da RFI Brasil pelo mundo para analisar, com uma abordagem mais profunda, os principais assuntos da atualidade.

  1. 5h ago

    Excesso de confiança ao volante é maior em países com estradas mais perigosas, como Brasil, alerta estudo

    O excesso de confiança dos motoristas pode ser um perigo nas estradas. Um novo estudo global realizado pela Economist Enterprise, com o apoio da fornecedora italiana de tecnologia de freios Brembo, revela uma discrepância entre a percepção de segurança dos motoristas e a avaliação dos especialistas em segurança viária. O Brasil está entre os países com maior risco de acidentes no trânsito. Gina Marques, correspondente da RFI em Roma Enquanto nove em cada dez motoristas afirmam se sentir seguros ao volante, menos da metade dos especialistas em segurança viária compartilha essa percepção.  O estudo intitulado 'Safety in Motion: Driving Trust in Modern Mobility' (Segurança em Movimento: promovendo confiança na mobilidade moderna, em português), revela uma diferença de 45 pontos percentuais entre a percepção dos motoristas e a avaliação dos profissionais de transporte responsáveis por projetar, desenvolver e operar sistemas de mobilidade. Para os especialistas, esta “lacuna de confiança” significativa pode comprometer os esforços para reduzir as vítimas de acidentes de trânsito. Estima-se que anualmente 1,2 milhão de pessoas morrem nas estradas do mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) os acidentes de trânsito são a principal causa de morte entre crianças e jovens de 5 a 29 anos. Para elaborar o relatório foram ouvidas mais de 6.100 pessoas, entre elas mais de mil especialistas do setor dos transportes, no Brasil, China, França, Alemanha, Índia, Itália, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido e Estados Unidos – que, juntos, respondem por cerca de 75% da produção global de veículos. Jean Todt, enviado especial do secretário-geral das Nações Unidas para a segurança rodoviária, alertou que o excesso de confiança pode se tornar um risco à segurança em si, se incentivar os motoristas a assumirem riscos desnecessários ou a se tornarem menos atentos ao volante. “Muitos motoristas não entendem as capacidades dos sistemas de direção autônoma. Não devemos presumir que a tecnologia possa substituir nossa atenção”, disse. Todt, que é ex-executivo da Peugeot e da Ferrari, também atuou como presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), durante a coletiva de imprensa em 8 de julho da qual a RFI participou. Desafios de segurança Os autores do estudo afirmam que os desafios de segurança estão mudando à medida que os veículos se tornam cada vez mais avançados e automatizados. Falhas mecânicas não são mais vistas como a principal ameaça. Apenas 3% dos profissionais do setor identificaram defeitos em veículos como uma das principais causas de acidentes. Em vez disso, 30% afirmam que o uso inadequado ou a má compreensão dos sistemas de assistência ao motorista representam a principal causa dos problemas de segurança na mobilidade. Enquanto 24% apontam os recursos que desviam a atenção dos condutores como o risco mais relevante. Os próprios usuários também classificam seu comportamento ao volante como a principal preocupação. Influência da publicidade Quase dois terços dos entrevistados do setor disseram que a publicidade tende a exagerar as capacidades dos sistemas avançados de assistência ao condutor (ADAS), podendo assim influenciar a percepção da realidade da segurança que os veículos oferecem. Muitos acreditam que as mensagens promocionais podem dar aos motoristas a impressão de que menos atenção é necessária. Segundo os especialistas, a forma como as tecnologias de assistência ao condutor são divulgadas também pode contribuir para o problema: 65% afirmam que a publicidade superestima as capacidades dos sistemas; 62% afirmam que ela transmite a impressão de que o motorista precisa prestar menos atenção e 60% consideram que os benefícios são enfatizados, enquanto as limitações recebem pouca visibilidade. Brasil: motoristas confiantes em estradas perigosas A pesquisa aborda vários fatores de acordo com o padrão de confiança encontrado. Segundo o relatório, os motoristas brasileiros, chineses e indianos declaram se sentir mais seguros comparados aos condutores de outros países. Paradoxalmente, a confiança dos motoristas aumenta nos países onde as estradas são mais perigosas, demonstrando que sua percepção é menos influenciada pela tecnologia do que por outros fatores, como a cultura local.    Segundo Pratima Singh, responsável pela área de Políticas Públicas e Insights da Economist Enterprise e chefe da pesquisa, nos países emergentes a confiança dos motoristas aumentou rapidamente acompanhando a modernização. “No Brasil, na China e na Índia, a confiança do público cresceu acompanhando um processo acelerado e visível de modernização – com novas infraestruturas, veículos mais inteligentes e tecnologias mais avançadas. Mas essa confiança evoluiu mais rapidamente do que os indicadores reais de segurança. Quando as pessoas acreditam que os sistemas são mais seguros do que realmente são, tendem a não manter o nível de atenção necessário para preservar sua segurança nas vias.” disse Singh. Diferentes perfis da população A pesquisa também detalha a percepção de seguridade de diferentes grupos, de acordo com a renda e faixa etária. A confiança na segurança da mobilidade não é uniforme entre os diferentes perfis da população. Motoristas de baixa renda têm quase o dobro de probabilidade de relatar baixa ou moderada confiança na segurança de seus deslocamentos diários em comparação com pessoas de renda média e alta. Entre as gerações, os Millennials (nascidos entre 1980 e 1996) são os mais confiantes (94% relatam alto nível de confiança), enquanto a Geração Z (nascidos entre 1997 e 2012) e os Baby Boomers (entre 1945 e 1964) demonstram maior ceticismo – 12% e 16%, respectivamente, afirmam ter baixa ou moderada confiança em sua segurança no dia a dia. Público quer medidas mais rigorosas de segurança Apesar do elevado nível de confiança, 88% dos motoristas apoiam a adoção de medidas mais rigorosas de segurança viária – incluindo a redução dos limites de velocidade e uma maior fiscalização – e afirmam que estariam dispostos a pagar mais por sistemas de transporte mais seguros. Ainda assim, 68% dos especialistas apontam a falta de coordenação entre reguladores e indústria como o principal obstáculo para o avanço da segurança. “Reduzir essa lacuna de confiança exige uma ação conjunta de todo o ecossistema da mobilidade”, afirmou Matteo Tiraboschi, Presidente Executivo do Conselho de Administração da Brembo. “A indústria precisa continuar inovando de forma responsável, enquanto os formuladores de políticas públicas devem criar marcos regulatórios eficazes. Juntos, também precisam ajudar as pessoas a compreender tanto as capacidades quanto as limitações das novas tecnologias”, concluiu Tiraboschi. Leia tambémPor falta de fiscalização, Paris é a capital dos motoristas embriagados

  2. 1d ago

    Itália torna obrigatório o seguro contra terceiros para usuários de patinetes elétricos

    A partir desta quinta-feira (16), todo patinete elétrico na Itália precisa ter um seguro de responsabilidade civil que, em caso de acidente, cobre danos físicos e materiais causados a terceiros. Segundo a associação de consumidores Assoutenti, o custo da apólice deve ficar entre € 35 e € 55 por ano. A multa para quem descumprir a exigência pode variar de € 100 a € 400. Júlia Valente, correspondente da RFI em Milão A regra vale tanto para os patinetes particulares quanto para os compartilhados, alugados por aplicativo. Neste último caso, as empresas de aluguel precisam contratar o seguro.  Essa é a mais recente das mudanças previstas pela reforma do Código de Trânsito italiano, aprovada em 2024. As demais regras já estavam em vigor, como o uso obrigatório de capacete, a idade mínima de 14 anos para conduzir o veículo, a definição de limites de velocidade e a proibição de levar passageiros ou circular pelas calçadas. Outra mudança importante, implementada em 16 de maio, é a obrigatoriedade de emplacar todos os veículos. A placa custa € 35 e deve ser solicitada pelo portal do governo. Até agora, 133.135 patinetes já foram registrados no país, sendo 33.316 em Milão e 27.900 em Roma. A Assoutenti estima, no entanto, que existam cerca de 1 milhão de patinetes particulares na Itália. Isso significa que apenas um em cada dez já possui placa. Número de acidentes aumentou nos últimos anos Os patinetes elétricos começaram a se popularizar na Itália em 2018 e, nos anos seguintes, ganharam espaço como uma alternativa mais barata e sustentável para os deslocamentos urbanos. Segundo o Observatório ASAPS, desde 2020, 97 pessoas morreram na Itália em acidentes envolvendo patinetes elétricos. Em 2020, foi registrada uma vítima fatal. Já em 2024, ano com o maior número de mortes, foram 23. Em 2026, foram registrados seis casos. Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística italiano (Istat) revelam que, em 2024, 3.751 pessoas, entre condutores e passageiros, ficaram feridas em acidentes com patinetes. A maioria dos incidentes (78%) envolve quedas sem a participação de outros veículos, de acordo com um estudo conduzido pelos Ortopedistas e Traumatologistas Hospitalares da Itália (Otodi), focado em acidentes no centro histórico de Roma entre 2018 e 2024. Entre as principais causas estão buracos nas ruas e distrações provocadas pelo uso do GPS no celular. A expectativa do governo é que as novas regras, somadas ao reforço da fiscalização, ajudem a reduzir o número de ocorrências. Em Turim, a quarta maior cidade do país, as autoridades divulgaram um primeiro balanço da fiscalização desde a entrada em vigor da exigência das placas, em maio. Em dois meses, foram aplicadas 998 multas. A maior parte por estacionamento irregular, mas também 166 por falta de capacete, 29 por transporte de passageiros e 80 por ausência de placa. Países europeus endurecem regras A preocupação com a segurança dos patinetes elétricos não é exclusividade da Itália. Em vários países europeus, o tema também tem levado à adoção de regras mais rígidas, especialmente para os patinetes alugados por aplicativo. Em Paris, o serviço de patinetes elétricas de aluguel foi proibido em 2023. Em Madri, em 2024. Em janeiro deste ano, Praga também decidiu retirá-los das ruas, e Bruxelas já anunciou que fará o mesmo a partir de 2027. No entanto, como esses veículos ainda circulam em grande escala em muitas cidades europeias, os governos buscam outras formas de regulamentação. Na Alemanha, por exemplo, está em discussão um projeto que prevê responsabilizar as empresas de compartilhamento em casos de acidentes e pedidos de indenização. No mês passado, Bélgica, Holanda e Luxemburgo pediram à União Europeia a criação de regras comuns para o setor. A tendência também é de regras mais rígidas para os patinetes particulares. Na Alemanha, o seguro de responsabilidade civil já é obrigatório. Já no Reino Unido, os patinetes particulares não podem circular em vias públicas, apenas em propriedades privadas.

  3. 2d ago

    Argentina x Inglaterra: mais do que futebol, um confronto de simbologia histórica e geopolítica

    Quando Argentina e Inglaterra se enfrentarem pela segunda partida da semifinal do Mundial de Futebol de 2026, estará em jogo bem mais do que futebol. Para os argentinos, mais do que uma rivalidade, há uma inimizade baseada em questões de geopolítica e de história que transcende o esporte e que remete diretamente à Guerra das Malvinas, de 1982, e ao forte sentimento de nacionalismo. Enquanto as autoridades tentam manter a disputa apenas no campo esportivo, milhões de torcedores veem o orgulho e o legado heróico de Maradona em questão.   Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires Com o Brasil, os argentinos têm uma rivalidade limitada ao folclore do futebol, mas com os ingleses o sentimento beira o ódio. A inimizade da Argentina com a Inglaterra remonta às invasões inglesas de 1806 e 1807 que uniram os argentinos contra os invasores, mas também serviram de estopim para a Independência. Porém, o ponto alto dessa relação conflitante foi mesmo a Guerra das Malvinas, de 1982, ainda uma ferida para os argentinos. Desde 1965, a ONU emite resoluções a favor da Argentina, reconhecendo uma disputa por soberania com o Reino Unido, mas enquadrando essa disputa numa situação colonial, com o objetivo de eliminar toda forma de colonialismo. As ilhas foram invadidas pelos ingleses em 1833, quando a Argentina já tinha 17 anos de Independência. Por isso, os jogadores argentinos estão obrigados a ganhar não apenas pelo resultado que classifica para a final, mas pelos 649 argentinos mortos em combate, pelas famílias deles e por milhões de argentinos que veem no campo de jogo uma chance de justiça simbólica que não foi possível no campo de batalha. Na noite de terça-feira (14), os argentinos foram ao Obelisco da Avenida 9 de Julho com bandeiras, faixas e instrumentos para celebrarem, mas também para pressionarem os jogadores. Esse local do Centro de Buenos Aires é o ponto de celebrações depois das vitórias, mas, pela primeira vez, foi também palco da antessala da partida. “Enfrentar a Inglaterra implica Justiça para este lado. Justiça”, sintetiza à RFI o torcedor Nicolás Adi, de 32 anos. Argentina paralisada O país vai parar. As empresas vão interromper a jornada de trabalho duas horas antes da partida. Muitas outras permitiram o trabalho remoto, Home Office. Os transportes públicos terão uma frequência reduzida e, em muitas cidades, interrompida durante o jogo. Nos hospitais, as consultas foram adiadas, a pedido dos pacientes torcedores. Só casos de emergência, como infartos do coração serão atendidos. Aliás, no jogo de sábado (11) contra a Suíça pelas quartas de final, uma pessoa de 51 anos morreu por parada cardíaca. Vários casos similares foram atendidos. “Jogar contra a Inglaterra, além de ser um jogo de futebol, é sempre algo que nós, argentinos, levamos para fora do campo: está em jogo o orgulho. Trata-se de vencer os ingleses em tudo. Eles não são apenas rivais. É mesmo uma inimizade que vem da Guerra das Malvinas, do que eles fizeram conosco. Então, é sempre uma questão de querer sair por cima e derrotar os ingleses”, desabafa à RFI o torcedor Lucas Bonilla, de 24 anos. O heroísmo de Maradona Como a letra da famosa cantiga repete, “Aquele que não pula é um inglês”. Essa canção marcou os argentinos em 1986 quando Diego Maradona eliminou a Inglaterra com a “Mão de Deus” e com o antológico “Gol do Século”. Os jogadores daquela seleção de 40 anos atrás recebiam cartas e vídeos nos quais os argentinos diziam que podiam até perder na final, mas jamais para a Inglaterra. A partida de 1986 é a imagem que todos os argentinos têm de heroísmo. Coincidência ou obra do destino, a Argentina vai jogar agora com a mesma camiseta azul da reserva, usada há 40 anos. E o grande herói daquele confronto foi Maradona. O gol de mão foi ilegal, mas os argentinos usam como argumento o ditado “ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão”. Na Argentina, os ingleses são chamados de “piratas” que roubaram as Malvinas. E a postura de Maradona é vista como uma rebeldia perante aqueles que inventaram o futebol. Já sobre o segundo gol, de tão bonito, dizem que valeu por dois e compensou a irregularidade do primeiro. “Tomara que se repita o feito de 1986”, diz à RFI o torcedor César Alberto, de 43 anos. “Contra os ingleses, há muito em jogo: a nossa história, o legado de Maradona naquela Copa, o legado de Messi nesta”, avalia. As cantigas de futebol na Argentina, em geral, fazem referência às ilhas Malvinas. A atual, chamada “A quarta estrela”, feita para este campeonato Mundial, diz num trecho que “Pelas Malvinas, por Diego (Maradona), pela última do Leo (Messi)”, unindo o futebol à causa patriótica. A cantiga do campeonato anterior, vencido no Catar em 2022, também incluía a causa nos versos “Na Argentina, nasci /Terra de Diego e Lionel / Dos rapazes das Malvinas / Que jamais esquecerei”. “Existe um sentimento extra em torno do assunto. Nós o relacionamos à Guerra das Malvinas. Eu era um soldado em 1989, quando prestei o meu serviço militar. Fui treinado por veteranos da Guerra das Malvinas. Eles nos treinaram mentalmente, preparando-nos para voltar às Malvinas e recuperá-las”, recorda à RFI o torcedor Lucio Molina, de 58 anos.As equipes se enfrentaram cinco vezes: três resultaram em vitórias para os europeus (1962, 1966 e 2002), uma para os sul-americanos (1986) e um empate (1998), no qual a Argentina se classificou nos pênaltis. Euforia ou depressão Os argentinos têm vivido dias de muito patriotismo nos quais futebol e nacionalismo se misturam. Na semana passada, no dia 9 de Julho, foram os 210 anos da Independência do país. A Argentina vinha de uma vitória épica contra o Egito pelas oitavas de final. As autoridades tentam transmitir a ideia de apenas uma disputa esportiva. O técnico da seleção argentina, Lionel Scaloni, disse que “se trata apenas de um jogo de futebol” e que “misturar as coisas seria uma loucura”. O major Alan Nuñez é diretor da banda militar “Tambor de Tacuarí” do regimento de Infantaria 1 “Patrícios”, o mais antigo do Exército Argentino. O regimento foi criado em 1806 como resposta às invasões inglesas. Teve papel na Guerra das Malvinas de 1982. Para o major, o confronto é meramente esportivo, mas reconhece que futebol e nacionalismo se nutrem. “Acho que os argentinos ainda podem nutrir algum sentimento em relação aos britânicos devido aos eventos da Guerra das Malvinas. Mas acredito que precisamos separar essa questão do aspecto esportivo. Faz parte da nossa história termos enfrentado os britânicos, que sempre foram um dos exércitos mais poderosos do planeta. Nós os enfrentamos em várias ocasiões. Mas, enfim, continua sendo uma competição esportiva, que certamente será apreciada por ambos os povos, argentino e inglês”, pondera. “Quando a seleção de futebol obtém vitórias nos une com as causas da pátria. Essas datas nacionais, conjugadas com o Mundial de futebol, traz esse sentimento de euforia dos argentinos”, indica à RFI. Na terça-feira (14), depois de uma reunião no Centro Internacional de Cooperação Policial, em Virginia, nos Estados Unidos, o FBI, a FIFA e o Ministério da Segurança da Argentina classificaram a partida como de “alto risco” e decidiram proibir a entrada no estádio de bandeiras, faixas e camisetas que façam referência às Malvinas ou às Falklands, como os ingleses chamam o arquipélago. Seja como for, uma vitória sobre a Inglaterra tem um valor duplo para os argentinos, mas uma derrota também tem um peso na mesma proporção. Os argentinos ficariam muito tristes se perdessem a final, mas mais tristes ficariam se perdessem para a Inglaterra. Portanto, ou teremos um país em euforia ou um país afundado na depressão.

  4. 3d ago

    Governo americano decide nesta quarta-feira sobre novas tarifas contra o Brasil

    Os Estados Unidos decidem nesta quarta-feira (15) se vão aplicar um novo pacote de tarifas sobre produtos brasileiros, em uma medida que pode afetar bilhões de dólares no comércio entre os dois países. Luciana Rosa, correspondente da RFI em Nova York Antes da decisão, autoridades brasileiras e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, devem realizar uma nova reunião virtual. A expectativa do governo brasileiro é que o encontro sirva para antecipar os rumos da decisão americana. O desfecho depende principalmente de duas investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). A primeira foi aberta após o anúncio do chamado "tarifaço" e analisa se políticas comerciais brasileiras prejudicam empresas americanas e criam um desequilíbrio na relação entre os dois países. A conclusão está prevista para esta quarta-feira. A segunda investigação envolve o Brasil e outros 59 países e busca verificar se a ausência de medidas eficazes para impedir a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado gera vantagens comerciais consideradas injustas. O relatório deve ser divulgado até o fim de julho. Caso as duas investigações tenham conclusões desfavoráveis ao Brasil, elas podem servir de base para a aplicação de novas tarifas, que, somadas, podem chegar a 37,5% sobre produtos brasileiros. Governo brasileiro espera confirmação das tarifas Nos bastidores, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva trabalha com o cenário de que as novas tarifas serão confirmadas. Essa avaliação ganhou força depois que Jamieson Greer afirmou recentemente que Brasil e Estados Unidos ainda estão longe de um acordo comercial. Apesar disso, negociadores brasileiros acreditam que ainda existe espaço para uma flexibilização da medida por meio da ampliação da lista de produtos isentos das tarifas. Em junho, Donald Trump anunciou uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após abrir uma investigação sobre temas como desmatamento ilegal, pirataria e o sistema de pagamentos Pix. No dia seguinte, anunciou uma taxa adicional de 12,5% para o Brasil e outros 59 países, alegando falhas no combate ao trabalho forçado. Nos dois casos, porém, Washington apresentou uma lista de exceções para reduzir o impacto sobre consumidores e empresas americanas. A expectativa do governo brasileiro é justamente que essa relação de produtos poupados seja ampliada na decisão final. Empresas americanas pressionam por exceções Mesmo antes do anúncio oficial, empresas americanas que dependem de produtos brasileiros intensificaram a pressão sobre Washington para ampliar a lista de exceções. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, pelo menos 43 empresas e associações comerciais dos Estados Unidos solicitaram que determinados produtos brasileiros fiquem de fora das sobretaxas, argumentando que não existem substitutos produzidos no mercado americano. Após a divulgação da decisão, a equipe econômica e o Itamaraty deverão analisar detalhadamente o alcance das medidas para definir a resposta brasileira. Entre as possibilidades estão a continuidade das negociações com Washington e o eventual uso da Lei da Reciprocidade Econômica, que autoriza o Brasil a adotar medidas de retaliação contra países que imponham barreiras comerciais consideradas prejudiciais às exportações brasileiras. Flávio Bolsonaro pediu adiamento Paralelamente às negociações conduzidas pelo governo brasileiro, o senador Flávio Bolsonaro (PL) defendeu o adiamento da decisão americana. No início do mês, ele enviou uma manifestação ao USTR sugerindo que a definição sobre as tarifas fosse adiada para depois das eleições brasileiras. Na semana passada, durante uma audiência pública promovida pelo órgão em Washington, o senador voltou a fazer o mesmo pedido. Segundo Flávio Bolsonaro, este seria o pior momento para a adoção das tarifas, porque a medida acabaria beneficiando politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A participação nas audiências públicas do USTR é aberta a qualquer interessado que faça inscrição prévia. A manifestação do senador foi uma iniciativa individual e não representa a posição oficial do governo brasileiro nem do Itamaraty. Tarifaço já passou por mudanças A política tarifária dos Estados Unidos em relação ao Brasil já sofreu diversas alterações ao longo do último ano. Em julho de 2025, Donald Trump anunciou a intenção de impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, formada por uma tarifa recíproca de 10% e uma sobretaxa adicional de 40% direcionada especificamente ao Brasil. Antes mesmo da entrada em vigor, Washington publicou uma lista de produtos isentos. Meses depois, após conversas entre Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva, o governo americano retirou a sobretaxa de 40% para alguns dos principais produtos da pauta brasileira, entre eles carne bovina e café. Neste ano, uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos também obrigou a Casa Branca a rever parte da estratégia jurídica utilizada para sustentar essas tarifas, ao limitar o uso da Lei de Poderes Econômicos de Emergência (IEEPA). O governo americano passou, então, a buscar outras bases legais para manter parte das medidas. Por isso, mesmo que novas tarifas sejam confirmadas nesta quarta-feira, especialistas avaliam que tanto a lista de produtos atingidos quanto as exceções ainda poderão sofrer alterações ao longo das negociações entre Brasil e Estados Unidos.

  5. 4d ago

    Líder da extrema direita britânica enfrenta novas acusações de corrupção

    Em uma semana, ao que tudo indica, o Reino Unido terá um novo primeiro-ministro do Partido Trabalhista. Andy Burnham assume o poder em meio a novas acusações de corrupção contra a extrema direita, que ainda lidera as pesquisas de intenção de voto para a próxima eleição geral. Nigel Farage, do partido Reform UK, está sendo investigado por uma comissão parlamentar por não ter declarado recursos destinados à sua campanha eleitoral. Yula Rocha, correspondente da RFI no Reino Unido As acusações incluem uma série de doações, como um presente de um magnata das criptomoedas de cinco milhões de libras, equivalente a cerca de R$ 35 milhões. Outra doação, de cerca de R$ 7 milhões, foi feita por um condenado pela Justiça norte-americana, que cumpriu oito meses de prisão por fraude e é uma figura da aristocracia próxima de Farage. O candidato de extrema direita aparece à frente das pesquisas de intenção de voto para as eleições gerais e se tornou a principal oposição temida tanto pela esquerda quanto pela direita tradicional.  Nigel Farage, que parecia acuado com tantas denúncias, renunciou ao cargo de parlamentar para suspender as investigações, mas indicou que não desaparecerá da cena política e anunciou imediatamente que vai concorrer ao mesmo cargo. Segundo ele, a decisão está nas mãos de seus eleitores.  O candidato de extrema direita tem todas as chances de vencer novamente. Ele foi eleito deputado por Clacton-on-Sea em 2024, um reduto de maioria branca e de aposentados conservadores. Mas o que Farage não esperava era que todos os outros partidos boicotassem esse plano. No fim, ele disputará o cargo com o "Conde Cara de Lixo", um comediante fantasiado com uma lata de lixo na cabeça que já disputou outras eleições. A brincadeira faz parte da tradição britânica.  Se tudo acontecer como previsto, a eleição nesse distrito eleitoral vai ser realizada no dia 13 de agosto. Caso seja reeleito, Farage voltará a enfrentar as investigações do comitê eleitoral e terá de renunciar se a sua responsabilidade for comprovada, mas poderá concorrer de novo, pela terceira vez.  Uma pesquisa do Ipsos revelou que 33% dos britânicos preferem a vitória do "Cara de Lixo", e 22% ainda apoiam Farage. Mas, claro, a decisão será dos eleitores de Clacton, e muitos admiram Nigel Farage independentemente dessas acusações.  Andy Burnham em Downing Street  Andy Burnham, ex-prefeito de Manchester tem o apoio da ampla maioria do Partido Trabalhista para assumir Downing Street daqui a uma semana, antes do início do recesso parlamentar. Ele chega com a proposta de descentralizar a política de Londres para o norte do país, dando mais poder aos conselhos regionais para resolver problemas locais de moradia, saúde, educação, transporte e nacionalização de serviços básicos, como fornecimento de água, energia elétrica e trens.  Burnham é um político carismático e um comunicador determinado a reconquistar a confiança dos britânicos no governo, mas os desafios domésticos e internacionais só crescem enquanto a paciência dos britânicos diminui.

  6. Jul 10

    Nova eleição palestina abre espaço para jovens e mulheres sob ceticismo israelense

    É possível que os palestinos elejam um novo presidente no início do ano que vem. O cronograma eleitoral anunciado por Mahmoud Abbas surge em meio a sinais de reconfiguração política nos territórios palestinos, com o Hamas prometendo deixar a administração de Gaza e uma reforma eleitoral que amplia o espaço para jovens e mulheres. Henry Galsky, correspondente da RFI em Israel Se a votação popular para o parlamento palestino de fato acontecer, ela será a primeira desde janeiro de 2006. Após mais de 20 anos, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, emitiu um decreto presidencial definindo o dia 28 de novembro deste ano como a data para as eleições legislativas.  As eleições presidenciais ainda não têm data marcada, mas devem ocorrer no primeiro trimestre de 2027.  Abbas chegou a iniciar um processo que deveria resultar em eleições em 2021, mas decidiu cancelar o pleito sob o argumento de que Israel estaria impedindo a participação de toda a população palestina, da Faixa de Gaza, da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental.  Os palestinos reivindicam Jerusalém Oriental e a Cidade Velha, conquistadas por Israel da Jordânia durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967, como capital de seu futuro Estado.  Contexto  Na época, a própria comissão eleitoral palestina observou que a grande maioria dos palestinos que vivem em Jerusalém Oriental, cerca de 150 mil eleitores, compareceria às urnas na Cisjordânia no dia da eleição. Ao mesmo tempo, ainda durante a aquele período controverso, Israel nunca chegou a informar se permitiria que a votação ocorresse em Jerusalém, mas prendeu candidatos do Fatah quando eles tentaram realizar eventos eleitorais na cidade.  Um dos cenários naquele momento envolvia a baixa popularidade justamente do Fatah, movimento liderado por Mahmoud Abbas. Havia um risco de derrota interna do presidente palestino para nomes mais populares, em especial entre a população jovem, como Marwan Barghouti e Mohammed Dahlan. Mas Abbas estava ameaçado também pelo Hamas, que poderia conquistar poder na Cisjordânia, território sob controle parcial da Autoridade Palestina (AP).  Novas regras eleitorais O decreto anunciado nesta quinta-feira pelo presidente palestino convoca todos os cidadãos elegíveis que vivem na Cisjordânia, na Faixa de Gaza e em Jerusalém Oriental a participarem de eleições livres e diretas para escolher os membros do Conselho Legislativo Palestino (CLP).  Houve mudanças no número de vagas para os parlamentares; o número de cadeiras aumentou das atuais 132 para 200.  A idade mínima para candidatura foi reduzida de 28 para 23 anos de forma a promover a participação dos jovens. A chamada cláusula de barreira, percentual mínimo para eleição, será reduzida para 1%, e uma cota obrigatória garante pelo menos uma mulher para cada três candidatos em uma lista eleitoral.  Hamas anuncia que deixará o governo em Gaza O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Sa’ar, afirmou que a oferta do Hamas de entregar o controle da Faixa de Gaza a um comitê tecnocrático é uma tentativa de evitar o desarmamento. Segundo ele, o Hamas busca replicar o “modelo do Hezbollah”, com um governo civil administrando os assuntos cotidianos enquanto o grupo palestino se mantém como a força armada dominante. Israel insiste que qualquer acordo pós-guerra deve incluir o desarmamento do Hamas e de todos os outros grupos terroristas, bem como a completa desmilitarização da Faixa de Gaza. Fontes israelenses citadas pela imprensa local disseram que a declaração do Hamas não representa uma mudança significativa das condições necessárias para uma transição pós-guerra. Uma fonte diplomática ligada ao chamado Conselho da Paz criado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a decisão do Hamas “não significa nada” e argumentou que o grupo tenta preservar o poder militar enquanto transfere o ônus de governar a Faixa de Gaza. A fonte acusou o Hamas de tentar manter a influência política e o controle financeiro enquanto “se livra da responsabilidade pela infraestrutura civil em colapso de Gaza”. “O comitê tecnocrático pode entrar, assumir a economia falida, nossos serviços precários e todos os nossos problemas, enquanto nós mantemos nossas armas e o poder”, disse. Segundo as fontes, o Hamas também rejeitou determinações do chamado Conselho da Paz, incluindo a permissão de acesso a armas escondidas em túneis subterrâneos, como parte de um processo gradual de desmilitarização. O grupo extremista também se negou a aceitar a transferência de todas as armas em Gaza para a autoridade do governo tecnocrático.

  7. Jul 9

    Otan entra em nova fase após a cúpula de Ancara

    O encontro na Turquia terminou com demonstrações de unidade, mas também evidenciou as divergências entre Donald Trump e os aliados europeus. Em meio às guerras na Ucrânia e no Irã, a Europa acelera os planos para fortalecer sua capacidade de defesa, um movimento que pode redefinir o futuro da aliança. Artur Capuani, correspondente da RFI em Bruxelas A cúpula da Otan terminou em clima amigável em Ancara, mas deixou uma pergunta que deve continuar no centro das discussões nos próximos anos: qual será o futuro da aliança? Apesar do tom conciliador adotado pelos líderes, inclusive pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o encontro expôs novamente as diferenças entre Washington e os aliados europeus justamente em um momento de instabilidade, marcado pelos conflitos na Ucrânia e no Irã. Pelo menos no discurso, a reunião foi muito parecida com a realizada no ano passado em Haia. Trump elogiou a união entre os aliados e, em conversas a portas fechadas, garantiu que os Estados Unidos continuarão fazendo parte da Otan. Mas o clima esteve longe de ser livre de tensões. Antes e até durante a cúpula, Trump acumulou críticas aos parceiros europeus e voltou a defender que a Groenlândia deveria estar sob controle dos Estados Unidos. Na declaração conjunta, os líderes fizeram questão de reafirmar o compromisso com o Artigo 5º da Otan, que prevê a defesa coletiva caso um dos países-membros seja atacado. Trata-se hoje do principal fundamento da aliança. Em Bruxelas, sede da Otan, um conceito domina boa parte das discussões estratégicas: deterrence, termo em inglês para dissuasão. A lógica é impedir um ataque antes mesmo que ele aconteça, fazendo com que um potencial adversário pense duas vezes antes de agir. Para isso, a demonstração de força e, principalmente, de unidade é essencial. A Ucrânia também saiu fortalecida da cúpula. O presidente Volodymyr Zelensky se reuniu com Donald Trump, que indicou que deve autorizar a fabricação de mísseis Patriot pela Ucrânia. Os equipamentos são considerados fundamentais para interceptar ataques russos, e a autorização vinha sendo solicitada por Kiev há meses. Fim do cessar-fogo com o Irã Outro tema que dominou as conversas foi a escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã. Durante a própria cúpula, os Estados Unidos voltaram a atacar o país, enquanto Trump anunciava o fim do cessar-fogo. A questão já era motivo de tensão antes mesmo do encontro, já que Trump critica abertamente os europeus por não terem apoiado os Estados Unidos nesse conflito. O posicionamento oficial da Otan veio do secretário-geral da aliança, Mark Rutte, que afirmou que os ataques foram necessários diante da violação do cessar-fogo pelo Irã. Uma Europa mais forte, uma Otan mais fraca? Se a cúpula serviu para demonstrar unidade no curto prazo, ela também reforçou um debate que pode transformar a aliança no futuro. Mark Rutte projeta uma Europa com mais protagonismo dentro da Otan. Mas, se os planos europeus forem levados adiante, o resultado pode ser justamente uma Europa mais forte e uma Otan mais fraca. Trump insiste que os aliados aumentem os investimentos em defesa. O objetivo, no entanto, não é fortalecer militarmente a Europa, mas ampliar a compra de equipamentos norte-americanos. Hoje, 60% das novas armas adquiridas pelos países da União Europeia vêm dos Estados Unidos. A médio e longo prazo, porém, esse cenário pode mudar. A estratégia europeia é fortalecer a própria indústria de defesa, investir em tecnologia militar e reduzir a dependência dos fornecedores norte-americanos. Caso esse movimento se concretize, os laços dentro da Otan podem se tornar menos estreitos. Essa transformação ainda deve levar muitos anos, mas encontra respaldo na opinião pública. Segundo dados citados durante o debate, 73% dos cidadãos europeus acreditam que a Europa "deve seguir seu próprio caminho". O desafio da autonomia europeia Segundo Steven Everts, diretor do Instituto da União Europeia para Estudos em Segurança, a Europa continua dependente dos Estados Unidos em áreas estratégicas como defesa aérea, ataques de longo alcance, satélites, inteligência e sistemas de comando. Além de fortalecer sua indústria, o continente também precisará integrar melhor seus recursos militares em nível europeu, algo que ainda não acontece de forma coordenada. Isso não significa criar um Exército da União Europeia, hipótese que continua distante, mas sim aumentar a capacidade de atuação conjunta dos países do bloco. Everts também faz uma distinção importante entre defesa e armamento nuclear. Para ele, a questão nuclear faz parte da discussão sobre segurança europeia, mas não deve ser o ponto de partida. Deve ser, na verdade, o ponto final de um processo mais amplo de fortalecimento das capacidades militares convencionais.

  8. Jul 8

    Copa do Mundo: quartas de final são definidas entre emoção em campo e polêmicas que extrapolam o futebol

    A Copa do Mundo entra na fase das quartas de final após as classificações de Argentina e Suíça. Além dos jogos emocionantes, o torneio também vem sendo marcado por polêmicas que extrapolam o ambiente esportivo. Entre elas, o caso de racismo envolvendo a senadora paraguaia Celeste Amarilla e o atacante francês Kylian Mbappé, episódio que ganhou repercussão internacional. Elcio Ramalho, enviado especial da RFI a Nova York Das oito seleções classificadas para as quartas de final, seis são europeias. A Suíça foi a última a garantir vaga ao eliminar a Colômbia nos pênaltis. Em uma partida equilibrada e com poucas oportunidades de gol, as equipes empataram em 0 a 0 no tempo regulamentar e mantiveram o mesmo placar após a prorrogação. Na disputa por pênaltis, dois colombianos desperdiçaram suas cobranças, contra apenas um erro suíço. A vitória por 4 a 3 colocou a seleção europeia novamente entre as oito melhores do mundo, encerrando um jejum de 72 anos sem chegar às quartas de final. O próximo adversário será a Argentina, que protagonizou uma das partidas mais emocionantes desta edição do Mundial. Diante do Egito, a equipe sul-americana perdia por 2 a 0 até os 34 minutos do segundo tempo, mas conseguiu uma virada histórica em apenas 13 minutos, vencendo por 3 a 2. Um dos gols foi marcado por Lionel Messi, que chegou a oito na competição e assumiu isoladamente a artilharia do torneio, à frente de Kylian Mbappé e Erling Haaland, ambos com sete. Após o apito final, o camisa 10 argentino não conteve a emoção e foi às lágrimas. “Conheço todos eles e sei que é um grupo que nunca baixa os braços”, declarou Messi ao destacar o espírito de luta da equipe. Marrocos tenta repetir feito histórico Única seleção africana ainda viva na competição, o Marrocos terá a oportunidade de se vingar da derrota para a França na semifinal da Copa de 2022, no Catar. Se há quatro anos os marroquinos eram considerados a grande surpresa do torneio, agora chegam mais preparados e experientes. A equipe conta com jogadores consolidados, como o lateral Achraf Hakimi, além de jovens talentos como o meio-campista Ayyoub Bouaddi. Na estreia da Copa, contra o Brasil, o Marrocos demonstrou seu potencial ofensivo e chega confiante para o confronto diante dos franceses. A partida, que será disputada em Boston, abre a rodada das quartas de final nesta quinta-feira (9). Quem avançar enfrentará Espanha ou Bélgica, no primeiro duelo 100% europeu desta fase, marcado para sexta-feira (10), em Los Angeles. No sábado (11), em Miami, a Noruega, que eliminou o Brasil, encara a Inglaterra de Harry Kane, que também segue na disputa pela artilharia da competição. O vencedor enfrentará, na semifinal, Argentina ou Suíça, que fecham a programação das quartas em Kansas City. Pressão política sobre a Fifa gera indignação Fora das quatro linhas, uma das principais controvérsias da Copa envolve o presidente dos Estados Unidos e a Fifa. Após a expulsão do atacante norte-americano Folarin Balogun em uma partida da seleção dos Estados Unidos, Donald Trump teria telefonado ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, para pedir a revisão da punição aplicada ao jogador. Pela regra, Balogun deveria cumprir suspensão automática de uma partida. No entanto, a Comissão Disciplinar da Fifa decidiu autorizar a participação do atacante no confronto contra a Bélgica. Embora os norte-americanos tenham sido derrotados por 4 a 1, a decisão gerou forte reação de dirigentes, especialistas e torcedores, que acusam a entidade de ter cedido à pressão política. A repercussão negativa atingiu diretamente a imagem da Fifa e alimentou críticas à gestão de Infantino, cuja permanência no comando da entidade passou a ser questionada por setores do futebol internacional. Ataques racistas a Mbappé provocam reação internacional Outro episódio ganhou dimensões ainda maiores ao envolver acusações de racismo contra a senadora paraguaia Celeste Amarilla. Após a eliminação do Paraguai para a França nas oitavas de final, por 1 a 0, a parlamentar publicou mensagens ofensivas nas redes sociais dirigidas a Kylian Mbappé. O atacante francês teria se recusado a cumprimentar o goleiro paraguaio após a partida, marcada por provocações e hostilidades em campo. Entre as publicações, Amarilla escreveu que Mbappé seria um “camaronês colonizado que finge ser francês, ressentido, novo-rico, prepotente e feio”. Em outra mensagem, afirmou que a seleção paraguaia deveria ter “dado um tapa de mão aberta” no jogador ao término da partida. A senadora também publicou uma mensagem ainda mais agressiva, na qual comparou o atacante a chimpanzés e o insultou de forma racista. As declarações provocaram uma onda de indignação dentro e fora do mundo do futebol. A Federação Francesa classificou as mensagens como “abjetas e inaceitáveis”, manifestou solidariedade a Mbappé e a todos os jogadores atingidos, além de denunciar o caso às autoridades francesas. A Justiça da França abriu uma investigação por injúria pública e por incitação pública ao ódio e à violência. Organizações internacionais, incluindo representantes das Nações Unidas, também condenaram os ataques. Em entrevista concedida nesta terça-feira (7), Celeste Amarilla afirmou ter removido as publicações e alegou ter enviado uma carta a Mbappé. Segundo a senadora, o objetivo era alertar o jogador para que não subestimasse o Paraguai. Mesmo assim, ela se recusou a pedir desculpas. A parlamentar declarou ainda que estuda processar Mbappé por violência de gênero após o atacante ter se referido a ela, em mensagem divulgada nas redes sociais, como uma “mulher desprezível e indigna da função que ocupa”.

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Bate-papo com os correspondentes da RFI Brasil pelo mundo para analisar, com uma abordagem mais profunda, os principais assuntos da atualidade.

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