A Semana na Imprensa

Uma leitura dos assuntos que mais interessaram as revistas semanais da França. Os destaques da atualidade do ponto de vista das principais publicações do país.

  1. HACE 2 DÍAS

    Caso Epstein entra em fase de 'chantagem política', diz revista francesa

    As revistas semanais na França continuam a dar destaque ao escândalo Epstein, o financista americano que aliciava menores de idade para encontros sexuais e grandes festas com personalidades internacionais, políticos e membros da realeza europeia. A divulgação de mais uma parte dos arquivos pela Justiça dos Estados Unidos revela a amplitude de contatos e rede de favores forjada pelo criminoso sexual que foi encontrado morto em uma prisão de Nova York, em 2019. Segundo a revista Le Point, o caso entrou em uma fase de chantagem política liderada por Ghislaine Maxwell, ex-companheira e cúmplice de Epstein, que, de sua cela no Texas, oferece revelar a "verdade" sobre o envolvimento de figuras como Donald Trump e Bill Clinton em troca de um perdão presidencial.  A publicação detalha a queda de ícones franceses, como o ex-ministro Jack Lang e sua filha Caroline, investigados por "lavagem de fraude fiscal agravada" devido a vínculos financeiros com Epstein.  Além disso, a revista explora o impacto devastador no Reino Unido, onde a proximidade do ex-embaixador britânico nos Estados Unidos, o diplomata trabalhista Peter Mandelson com o bilionário ameaça o governo do primeiro-ministro, Keir Starmer, e o príncipe Andrew permanece como uma figura central e embaraçosa para a monarquia.  O semanário também analisa como o escândalo alimenta uma "epidemia de credulidade" e teorias conspiratórias que veem na rede de Epstein uma prova da "traição das elites" ocidentais. Instrumento de Trump Já a revista L'Obs foca na instrumentalização política do caso pelo presidente americano, Donald Trump, que utiliza os documentos desclassificados para desviar a atenção de suas próprias 38.000 menções nos arquivos e atacar figuras do campo democrata, como Bill Clinton, Bill Gates e Larry Summers.  A análise destaca o paradoxo de Trump permanecer "de pé" enquanto a elite progressista é bombardeada por revelações, muitas vezes minuciosamente selecionadas pela sua administração para poupar aliados.  A revista traz ainda um alerta sobre o ressurgimento de fantasmas antissemitas, onde o fato de Epstein ser judeu é usado para reativar mitos seculares de "concluiu judeu mundial" e "crimes rituais", obscurecendo os mecanismos sociais reais que permitiram a impunidade do predador. Conexão russa Por fim, a revista L’Express dedica-se a investigar a "conexão russa" de Epstein, sugerindo que ele pode ter atuado como um agente de influência de Moscou ou, no mínimo, um facilitador para o Kremlin.  Segundo a publicação, Epstein utilizou sua expertise em paraísos fiscais para ajudar oligarcas russos a contornar sanções ocidentais e pode ter se inspirado nas técnicas de kompromat do FSB para controlar seu próprio círculo de influência.  Para os estrategistas russos, a exposição da "podridão" das elites ocidentais funciona como uma "arma nuclear" psicológica, servindo para desacreditar as democracias liberais e promover a imagem da Rússia como defensora de "valores tradicionais" contra um "Ocidente satânico".

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  2. 7 FEB

    Novos documentos do caso Epstein causam ‘terremoto’ no governo Trump

    Os Estados Unidos dominam as páginas das principais revistas francesas nesta semana. As publicações semanais se concentram em três principais assuntos: os novos documentos do caso do financista e criminoso sexual Jeffrey Epstein, as truculentas operações dos agentes federais do ICE e a parceria abalada entre os serviços de Inteligência europeus e americanos. A revista Le Point aborda os vínculos do presidente americano, Donald Trump, com Jeffrey Epstein, que morreu na prisão em 2019. "O caso que faz os Estados Unidos tremerem" é a manchete na capa estampada com uma antiga foto de Epstein ao lado de Trump.  O pesadelo recomeçou há pouco mais de uma semana, quando o procurador-geral adjunto, Todd Blanche, anunciou a publicação de três milhões de novos documentos relativos ao caso Epstein, entre eles, dois mil vídeos e 180 mil fotografias. No entanto, todos os elementos de pornografia infantil, os conteúdos ligados a investigações federais em andamento e os documentos protegidos por sigilo profissional foram retirados. Ainda assim, Blanche garante que nenhum elemento que pudesse ter relação com Trump foi ocultado por seus serviços.  "Anomalia significativa e sintomática da era Trump", diz a Le Point, que lembra que antes de ingressar no Departamento de Justiça, em 2024, o procurador-geral adjunto era advogado do presidente americano. Durante muito tempo próximo de Jeffrey Epstein, o líder republicano, nega há anos ter tido conhecimento das ações pedófilas de Epstein, "contra toda coerência", reitera a matéria.  Em uma nova tentativa de abafar o caso, o presidente americano sugeriu na terça-feira (3) virar a página do escândalo. “Não saiu nada sobre mim, exceto que foi uma conspiração contra mim, literalmente, por parte de Epstein e outras pessoas. Mas acho que já está na hora de o país, talvez, pensar em outra coisa, como a saúde, ou algo que importe às pessoas”, disse.  Segundo o jornal New York Times, o nome de Trump, sua residência em Mar‑a‑Lago, na Flórida, e outras referências ao líder republicano são mencionados 38 mil vezes nos arquivos do Departamento de Justiça divulgados em 30 de janeiro. Mas, o bilionário alega que a nova leva de documentos “o absolve de qualquer irregularidade”, insistindo que sua relação com Epstein terminou há mais de 20 anos.  Minneapolis no olho do furacão Além do "terremoto" do caso Epstein, os Estados Unidos são palco de um outro fenônemo: a revolta contra as violentas operações da polícia de imigração. A revista Le Nouvel Obs publica uma reportagem de sua enviada especial a Minneapolis, no "olho do furacão" após a morte de dois cidadãos em janeiro que enfrentaram membros do ICE, "o símbolo do inexorável mergulho dos Estados Unidos no autoritarismo".  Com a perseguição dos imigrantes, muitos deles com status legal, a política de imigração de Trump "semeia o terror" e se espalha pelas grandes cidades do país com prisões cruéis e arbitrárias. De acordo com a revista, foi a morte a tiros de Renee Nicole Good e Alex Pretti que revelaram ao mundo "a selvageria e o amadorismo desta polícia fora da lei". Entrevistados pela reportagem da Nouvel Obs, especialistas em Direito destacam a ilegalidade destas operações. "O governo ultrapassa os limites do Estado de Direito", diz Julia Decker, diretora de política do Centro dos Diretos dos Imigrantes do Minnesota. Para a revista, a confusão que Trump faz entre imigração e terrorismo legitima seus métodos criminosos.  Parceria abalada entre EUA e Europa "CIA: os espiões de Trump que preocupam a Europa" é a manchete da revista L'Express desta semana. A publicação questiona se com o líder republicano embaralhando a geopolítica, os países europeus manterão sua cooperação com os Estados Unidos na área da Inteligência.  "Como viver sem a CIA?", questiona a revista, ressaltando a dependência europeia dos serviços secretos americanos. Segundo a L'Express, até recentemente, "espiões americanos abasteciam amplamente a Direção de Inteligência Militar francesa".  A semanal apurou que operações conjuntas entre os Estados Unidos e a Europa continuam sendo realizadas atualmente. A França e os Estados Unidos chegam até mesmo a compartilhar nomes de espiões que arriscam suas vidas em países perigosos em nome da segurança, garante. Mas, diante do conchavo entre Trump e o presidente russo, Vladimir Putin, além das ambições territoriais americanas na Groenlândia, "a Europa terá de acabar com a parceria?", pergunta a L'Express. O questionamento foi levantado pela revista a cerca de 40 responsáveis dos serviços de Inteligência de países europeus e a resposta foi unânime: a Europa precisa aprender a trabalhar sem a CIA e considerar Washington como "um antigo aliado" ou até como "um potencial inimigo".

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  3. 24 ENE

    ICE: quando a polícia de imigração dos EUA se torna um negócio bilionário de aliados de Trump

    Segundo os semanários franceses Le Point e L’Express, Minneapolis, cidade do estado de Minnesota nos Estados Unidos marcada pela morte de George Floyd em 2020, enfrenta uma grave crise: de um lado, moradores organizam resistência à ICE, agência de imigração que caça imigrantes sem documentação; de outro, a agência se tornou um negócio bilionário para aliados de Donald Trump. Le Point destaca a mobilização cidadã, enquanto L’Express mostra a politização e a impunidade da ICE. Minneapolis, cidade do estado de Minnesota conhecida mundialmente após a morte de George Floyd em 2020, vive hoje uma crise intensa envolvendo a ICE, agência federal de imigração e alfândega dos Estados Unidos. Moradores se mobilizam para resistir às ações de agentes que perseguem imigrantes sem documentação, enquanto, segundo Le Point e L’Express, a mesma agência se tornou um negócio bilionário para aliados do ex-presidente Donald Trump. Em reportagens detalhadas, Le Point descreve a rotina de moradores como Juan, que se organiza para vigiar e seguir veículos da ICE pelas ruas da cidade. Armados com apitos e redes de comunicação, grupos comunitários alertam vizinhos, levam comida a quem não se sente seguro para sair de casa e registram abusos cometidos pelos agentes. A mobilização acontece pouco depois do assassinato de Renee Good, mãe de família de 37 anos, morta por um agente da ICE em janeiro, e tem como objetivo evitar novos abusos. Segundo Le Point, Juan se tornou “patrulheiro”, dedicando parte de suas semanas a monitorar operações da agência. Ele mantém binóculos e anotações à mão, observa padrões de ação da ICE e registra qualquer tentativa de intimidação, mas reforça que não realiza ações ilegais. A cidade também adotou medidas como aulas online temporárias em alguns bairros, reforço de redes comunitárias e vigilância coletiva, buscando proteger residentes vulneráveis e manter a mobilização organizada. Leia tambémO jogo virou? Influenciador próximo de Trump compara ICE à polícia política da Alemanha nazista Máquina de lucro para aliados de Trump Já a revista L’Express enfatiza a dimensão financeira e política da ICE. A agência se transformou em uma verdadeira máquina de lucro para aliados de Trump, com contratos e consultorias bilionárias gerando ganhos privados a partir de políticas de expulsão em massa. Um exemplo citado é o de Tom Homan, ex-diretor da ICE, que, segundo investigação do FBI, ofereceu contratos federais prometendo lucros a clientes ligados ao governo caso Trump retornasse à presidência. Além disso, L’Express relata que a promulgação da lei One Big Beautiful Bill Act (OBBBA), em julho de 2025, triplicou o orçamento da ICE para US$ 27,7 bilhões por ano, tornando a agência a primeira força federal do país em termos de recursos financeiros. A lei permitiu que a ICE atuasse com métodos muitas vezes questionáveis, com agentes protegidos por imunidade praticamente absoluta, enquanto operações de deportação atingem tanto imigrantes quanto cidadãos norte-americanos, como no caso de Renee Good. Leia tambémTrump ameaça usar Forças Armadas contra 'ataques' à polícia de imigração em Minneapolis A polarização em Minneapolis reflete o contraste entre resistência comunitária e poder da agência. Le Point mostra que moradores, apesar do frio intenso e do clima tenso, mantêm disciplina e método. O monitoramento da ICE é feito com cuidado: sinalizações por apitos, acompanhamento visual, registro de veículos e denúncias às autoridades quando há abuso. A cidade tenta impedir que a violência se espalhe e proteger a população mais vulnerável. Por outro lado, L’Express evidencia que o aparato da ICE funciona quase como um sistema paralelo, politizado e lucrativo, apoiado por aliados do governo e empresas privadas de segurança. Firmas como Constellis Holdings, resultado da fusão de antigas empresas militares privadas, recebem milhões de dólares e se beneficiam diretamente da estrutura de deportações em massa, sem que exista responsabilidade clara sobre abusos cometidos.

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  4. 17 ENE

    As cinco condições para revolução no Irã estão postas, afirma especialista a revista francesa

    O movimento de contestação ao regime iraniano e a violenta repressão aos protestos, nas últimas três semanas, ocupam as capas das principais revistas semanais francesas. As reportagens analisam as chances de queda do aiatolá Ali Khamenei, que comanda o país com mãos de ferro desde a Revolução Iraniana, em 1979. Em entrevista à revista Le Point, um dos especialistas mais respeitados do mundo em mudanças sociais, o americano Jack A. Goldstone, da George Mason University, afirmou que “as cinco condições para o sucesso de uma revolução estão postas” no Irã. Situação econômica preocupante, protestos generalizados pelo país, apoio crescente da elite, descrença na capacidade do governo de superar as dificuldades e ambiente internacional favorável fazem com que, pela primeira vez desde que assumiram o poder, os mulás iranianos possam ser derrubados, indicou o pesquisador. Não foi o que ocorreu no Irã em 2009, 2018 ou 2022, quando o regime conseguiu sufocar grandes protestos nas ruas. Nas três ocasiões precedentes, os manifestantes visavam reivindicações sociais precisas, mas não o fim do governo islamita, como agora. A possibilidade de retorno do exílio do príncipe herdeiro Reza Pahlavi, filho do último xá deposto pela Revolução Iraniana, é outro foco das reportagens. Um opositor de longa data do regime relata à L’Express que é a primeira vez que vê retratos de Pahlavi e gritos pedindo o seu retorno nas manifestações. “Ele parece ser a nossa única chance de voltarmos a um sistema político centrado na modernidade, que priorize os interesses nacionais dos iranianos, e não os ideológicos da República Islâmica”, disse a testemunha. L’Express salienta que, conforme o último levantamento do Grupo de Análise e Medição das Atitudes no Irã, baseado na Holanda, Reza Pahlavi seria a personalidade política preferida dos iranianos, com 31% dos votos em 2024, e 21% dos entrevistados defendiam a volta da monarquia no país. A confiabilidade da pesquisa em um país onde elas são proibidas, entretanto, é questionável. Reza Pahlavi e a extrema direita Em Teerã, muitos defendem um Irã “sem mulás, nem xás”. "O problema é que a oposição nunca conseguiu se estruturar no país, em meio à forte repressão", frisou o pesquisador iraniano Amir Kianpour, à revista Nouvel Obs. “O filho xá sonha em retomar o poder, ao mesmo tempo em que cultiva laços com a extrema direita do mundo inteiro”, afirma a publicação. Nas redes sociais, ele exalta Donald Trump e, sempre que pode, participa de eventos da ultradireita, como a Conferência de Ação Política Conservadora, grande encontro do qual já discursaram o britânico Nigel Farage, o argentino Javier Milei, a italiana Giorgia Meloni ou o empresário Elon Musk, além do próprio presidente americano. Em 2023, ele chegou a se encontrar com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, com quem posou para fotos.  “Muitos iranianos que nasceram depois revolução sequer sabem que Pahlavi não apoia a democracia, como diz. Ele é um oportunista”, criticou a refugiada política iraniana Mahtab Ghorbani, que vive na França, em entrevista à Nouvel Obs.

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  5. 10 ENE

    'Quem será o próximo?': imprensa antecipa alvos do 'cowboy' Trump, inclusive na América Latina

    As revistas semanais francesas analisam a nova ordem mundial instaurada por Donald Trump. Captura de Maduro, ameaças a Cuba, Colômbia e Irã, interesse na Groenlândia: em 2026, o magnata redefine a ordem pela imposição. Para Le Nouvel Obs, o presidente americano "aplica a lei do mais forte"; Le Point vê pragmatismo imperialista visando recursos estratégicos, e L’Express alerta para a ascensão de "um novo predador hemisférico" que impõe os interesses norte-americanos ao resto do planeta.  Ao capturar o ditador Nicolás Maduro e assumir o controle da Venezuela, o presidente norte-americano, Donald Trump desrespeitou o direito dos Estados Unidos e internacional. Para a revista francesa Le Nouvel Obs, o gesto revive a tradição imperialista norte-americana e abre caminho para futuras ações em outras regiões estratégicas, como o Ártico, por meio da Groenlândia. O periódico lembra que a operação Resolução Absoluta (Absolute Resolve, no original em inglês) confirma que Trump, que se dizia pacificador, privilegia a diplomacia militar direta. O presidente segue a chamada “doutrina Trump”, concebida por seu vice J.D. Vance: primeiro, definir claramente o interesse nacional; segundo, esgotar a diplomacia; terceiro, recorrer à força esmagadora quando necessário, retirando-se rapidamente antes que o conflito se prolongue. A ação em Caracas, segundo o Le Nouvel Obs, seria "apenas a primeira de um plano mais amplo, que consolida o Ocidente sob a influência norte-americana, ignorando adversários como Rússia e China, e lembrando antigas operações secretas da CIA na América Latina". Leia tambémApetite de Trump pela Groenlândia pressiona Otan; EUA querem 'comprar' ilha, mas não descartam força militar A revista observa que a aparente obsessão de Trump pelo tráfico venezuelano contrasta com a clemência concedida ao ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández, condenado a 45 anos de prisão por envio de mais de 400 toneladas de cocaína aos Estados Unidos. Para especialistas citados pela semanal, o presidente se guia unicamente pelo interesse estratégico norte-americano, visando a apropriação de recursos naturais — do petróleo venezuelano aos minerais da Groenlândia —, sob uma lógica de capitalismo agressivo e "predatório". Quem será o próximo? Para a revista Le Point, o sentimento que domina o início de 2026 é o da hybris, termo grego que significa o poder desmesurado, sem limites. Com Nicolás Maduro capturado, Donald Trump atira para todos os lados e o veículo questiona na capa: "Quem será o próximo?". A questão central levantada por Le Point é se Trump abriu uma brecha que outros atores tenderão a explorar. A revista caracteriza a postura de Trump como imperialista – e, em certos aspectos, colonial. Se houver um próximo alvo, ele provavelmente estará na América Latina, diz Le Point. O próprio presidente não esconde: “ninguém voltará a questionar a dominação norte-americana no hemisfério ocidental”. Quanto à Groenlândia, tema que preocupa governos europeus, Le Point arrisca uma hipótese: Trump fará tudo para adquirir o território – que, na visão norte-americana, também integra o “hemisfério ocidental” –, mas aposta que poderá “comprá-lo”, e não tomá-lo pela força. Resta o Irã. Para o líder republicano, seria mais vantajoso esperar um eventual colapso interno do regime do que arriscar a captura do aiatolá Ali Khamenei, mergulhando a região em um caos comparável ao do Iraque pós-2003. Leia também'Se o Brasil tivesse pressionado Maduro, cenário poderia ser outro', diz especialista No balanço de Le Point, esse início de ano reduz ainda mais as chances de Trump receber um dia o Prêmio Nobel da Paz. Em menos de 12 meses, ele autorizou mais ataques – com mísseis, bombas e drones – do que Joe Biden ao longo de todo o seu mandato. Nova ordem mundial para quem? Já a L’Express traz uma ilustração impactante: Trump como cowboy armado, com faixa estilo "Rambo", sob o título “A Nova Ordem Mundial”. Para a publicação, o sequestro de Maduro marca o advento da “lei do mais forte” e abre espaço para todas as possibilidades geopolíticas. A ação em Caracas, segundo a revista francesa, sinaliza que Trump não é mais apenas o candidato populista da campanha de 2016: ele se tornou um imperador pragmático e decidido, capaz de aplicar sua visão mesmo desorientando parte da base que esperava uma postura isolacionista. A revista destaca ainda que a Estratégia de Segurança Nacional divulgada em dezembro deixa claro o projeto do presidente: tornar os Estados Unidos a “nação mais poderosa e próspera da história” e reconquistar seu quintal histórico, a América Latina. A publicação cita a historiadora francovenezuelana Elizabeth Burgos, que observa a necessidade de Washington criar dissuasão na região para manter influência global. Medidas simbólicas, como rebatizar o Golfo do México de “Golfo da América”, reforçam essa lógica expansionista.

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  6. 3 ENE

    Hotéis de luxo, metrô e 'sexpionagem': saiba como Paris se tornou palco da espionagem global

    Com seus hotéis de luxo, a rede de metrô e uma localização estratégica, Paris se tornou um epicentro da espionagem, revela a revista francesa L’Express. A reportagem narra casos curiosos e aborda a “sexpionagem”, onde a sedução vira arma em operações secretas. Segundo a L'Express, Paris consolidou-se como o grande palco das operações secretas globais. Hotéis de luxo como o Península e o Royal Monceau tornaram-se verdadeiros quartéis-generais para encontros discretos de agentes de potências rivais.  Recentemente, representantes da CIA, do Mossad e de países árabes se reuniram em Paris para negociar sobre a guerra em Gaza, aproveitando a neutralidade diplomática e a infraestrutura sofisticada que a cidade oferece. A reportagem revela episódios curiosos que reforçam o caráter singular da espionagem parisiense. O fundador do Telegram, Pavel Durov, por exemplo, foi recebido como um chefe de Estado no hotel Crillon, símbolo da importância estratégica desses palácios. Até cruzeiros pelo Sena e jantares refinados entram no jogo, usados para criar confiança e garantir negociações longe dos holofotes. Bastidores glamorosos e 'sexpionagem' Entre as práticas mais intrigantes está a 'sexpionagem', técnica que marcou a profissão até os anos 1970 e ainda resiste em versões modernas. A sedução deliberada para extrair informações confidenciais era comum em áreas como os Invalides, segundo a L’Express. Hoje, o método é associado à tecnologia: antes das reuniões, equipes realizam uma varredura do local para eliminar microfones e instalar seus próprios dispositivos. Com uma estimativa de até 15 mil agentes estrangeiros circulando pela cidade, Paris é descrita como um “tabuleiro de xadrez” para serviços secretos. Desde os anos 1960, pelo menos 16 assassinatos ligados à espionagem ocorreram na capital, reforçando sua reputação sombria. Entre glamour e intriga, a capital francesa segue sendo o coração pulsante da diplomacia oculta e das operações clandestinas. Espionagem em família A revista Le Point revela a história de Isabelle Pâques, filha do ex-espião francês Georges Pâques, que durante 20 anos trabalhou para a União Soviética enquanto ocupava cargos estratégicos no Ministério da Defesa e na Otan.  Isabelle e seu filho Dimitri emigraram recentemente para São Petersburgo e receberam a cidadania russa por decreto assinado por Vladimir Putin, em uma cerimônia conduzida pelo chefe do Serviço de Inteligência Exterior da Rússia (SVR), Sergueï Narychkine. O gesto, carregado de simbolismo, reforça os laços históricos entre a família e Moscou. Segundo a reportagem, Isabelle, que já foi candidata pelo partido de extrema direita Reunião Nacional, de Marine Le Pen, e manteve posições nacionalistas e antivacinação nas redes sociais, tornou-se uma defensora aberta da Rússia desde o início da guerra na Ucrânia.  Ao deixar a França, ela levou na mala os arquivos pessoais do pai, com planos de criar um museu da espionagem onde Georges Pâques será homenageado.  A matéria mostra como as memórias da Guerra Fria e as lealdades ideológicas continuam a influenciar escolhas familiares e políticas, misturando passado e presente em meio às tensões geopolíticas atuais.

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  7. 20/12/2025

    Ocidente está 30 anos atrás da China, adverte pesquisador a revista francesa

    No fim do ano em que Donald Trump buscou aniquilar o multilateralismo, o gigante asiático se apresenta como moderador da estabilidade. Duas das principais revistas semanais francesas, a Le Point e a Le Nouvel Obs, publicam esta semana edições especiais sobre a China, com dezenas de páginas de reportagens e análises. Ficou para trás o tempo em que Pequim “abastecia o mundo de roupas descartáveis, brinquedos de plástico ruim e aspiradores que estragam em dois meses”. Depois de “tanto copiar” o melhor da engenharia americana e europeia, o país “hoje é potência nos setores-chave do século 21”, constata o editorial da Nouvel Obs. A Le Point traz uma longa entrevista com o escritor sino-canadense Dan Wang, especialista em novas tecnologias e na China contemporânea. À semanal, ele adverte: “O Ocidente se encontra na posição em que a China estava 30 anos atrás”. O acadêmico, que trabalhou na Universidade de Yale antes de se tornar pesquisador associado na Hoover Institution da Universidade de Stanford, compilou milhares de dados para mostrar de onde veio e, principalmente, para onde vai a China de hoje. Em editorial, a revista lembra que, “enquanto isso, o debate político na Europa gira em como retroceder no tempo, como se isso pudesse restaurar a antiga preeminência” do Velho Continente. 'Quando a China despertar, o mundo tremerá' A Nouvel Obs relembra as palavras “proféticas” de um best-seller de 1973, do diplomata e escritor francês Alain Peyrefitte: “Quando a China despertar, o mundo tremerá". Chegamos nesse ponto, e não apenas economicamente”, indica o editorial. “Diante de um presidente americano febril e errático, obcecado por acordos imediatistas, Xi Jinping tem fortes argumentos para projetar sua força discreta e apresentar seu 'Império do Meio' como um pilar de estabilidade na nova desordem internacional”, afirma o texto. A edição especial da revista recapitula a História para demonstrar o quanto o “imperialismo chinês vem de longe, muito longe”. “O novo imperador da China, que reina desde 2012, está cada vez mais entronizado como senhor do mundo do futuro”, avalia a Le Nouvel Obs.

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  8. 13/12/2025

    Em meio a tensão política, Sarkozy alerta para crise institucional na França

    As principais revistas francesas desta semana se debruçam sobre a política interna do país. Em uma longa entrevista exclusiva para a Le Point, Nicolas Sarkozy, presidente da França entre 2007 e 2012, alerta para o risco de ruptura na política da Quinta República. Já a L’Express foca no malabarismo econômico feito pela extrema direita francesa – representada na capa do periódico por Jordan Bardella e Marine Le Pen do partido Reunião Nacional (RN) – na tentativa de agradar tanto sua base popular quanto a ganhar apoio do setor empresarial.  Na Le Point, Sarkozy fala em clima pré-revolucionário e prevê a possibilidade de mudança de regime, lembrando que na França isso nunca ocorreu sem violência. “A situação é grave, pois, há quase 70 anos, as condições para uma insurreição raramente estiveram tão reunidas em nosso país.”  O ex-presidente, recentemente preso durante algumas semanas em Paris após condenação por um esquema de financiamento ilegal de sua campanha presidencial de 2007 pelo ex-líder líbio Khadafi, faz críticas à esquerda francesa. Para ele, “a esquerda traiu todas as suas lutas de outrora em favor dos direitos humanos.”   Nicolas Sarkozy reconhece na entrevista a Le Point o crescimento e a força da extrema direita. No entanto, descarta, como vem sendo cogitado nos bastidores do seu partido Os Republicanos, ser o candidato de uma aliança conservadora das eleições presidenciais de 2027.  Mas, o ex-presidente deixa claro que não está nos seus planos abandonar a vida política. Ele não quer repetir o passado e diz que prefere desempenhar um novo papel.  Leia tambémFrança: Ex-presidente Sarkozy é indiciado por financiamento ilegal de campanha com fundos líbios Extrema direita tenta se fortalecer na França A L’Express destaca que o RN entra 2026 em um “mistura explosiva”. De um lado, algumas figuras do partido de extrema direita buscam a credibilidade nos meios empresariais, enquanto o outro lado segue firme na linha populista.   Segundo a revista, a aproximação com o patronato é nítida. Empresários antes relutantes agora aceitam dialogar com o Reunião Nacional, e abrem portas para reuniões com Marine Le Pen e Jordan Bardella, buscando influenciar a linha econômica do partido, descreve o texto. Para a L’Express o objetivo é “melonizar” o RN, ou seja, torná-lo mais pragmático e liberal, à semelhança de Giorgia Meloni na Itália.  A popularidade do jovem Jordan Bardella, presidente da sigla, também é abordada na reportagem. Com a filha do fundador do partido, Marine Le Pen, fora da corrida presidencial por conta de um processo judicial e queda nas pesquisas, Bardella desponta como sucessor. A dúvida atual do RN é se Bardella é forte o suficiente para ser candidato em uma disputa presidencial.   Além das dúvidas que pairam e na incerteza sobre quem será o nome da extrema direita na corrida eleitoral, a revista ressalta o risco estratégico de misturar discursos populistas e liberais que podem gerar cacofonia econômica. Sem clareza, o RN corre risco de perder credibilidade tanto com empresários quanto com sua base popular, conclui L’Express.

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Uma leitura dos assuntos que mais interessaram as revistas semanais da França. Os destaques da atualidade do ponto de vista das principais publicações do país.

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