Esporte em foco

Notícias e entrevistas sobre futebol, tênis, vôlei, Fórmula 1... Espaço aberto para a cobertura exclusiva dos grandes torneios franceses e europeus. Destaque para a atuação dos atletas brasileiros na Europa.

  1. 3d ago

    Mãe e filha, Neymara Carvalho e Luna Hardman disputam juntas o Mundial de bodyboard em Portugal

    A pentacampeã mundial de bodyboard Neymara Carvalho, de 50 anos, está de volta a Portugal para disputar a temporada europeia do Circuito Mundial ao lado da filha, Luna Hardman, de 20. Mãe e filha dividem a elite da modalidade e podem ficar frente a frente nas ondas do Sintra Pro, uma das etapas mais tradicionais do calendário internacional. Luciana Quaresma, correspondente da RFI em Portugal Uma situação quase única no esporte de alto rendimento: três décadas separam as duas atletas, que agora disputam as mesmas ondas, os mesmos pontos no campeonato, e, eventualmente, uma contra a outra. A competição na Praia Grande, em Sintra, de 1 a 6 de setembro, tem ainda um significado particular para as brasileiras. Neymara construiu parte importante de sua trajetória nas ondas portuguesas e considera a etapa quase como competir no “quintal de casa”. Luna também guarda uma ligação especial com o local: foi em Sintra, em 2022, aos 16 anos, que conquistou seu primeiro título mundial Pro Junior. Agora, mãe e filha chegam à mesma competição como possíveis adversárias. “Competir contra a minha filha é um misto de emoções gigante. O amor de mãe é muito único, muito genuíno. Eu criei a Luna praticamente sozinha durante esses 20 anos, claro, com o apoio da minha família, então somos muito próximas. Dentro de uma bateria, ter que enxergá-la como uma adversária é muito difícil. É um dos momentos mais difíceis da minha carreira”, afirma Neymara. Pentacampeã mundial e dez vezes campeã brasileira, a capixaba conta que precisou trabalhar até com acompanhamento psicológico a separação entre os papéis de mãe e atleta. “Eu tive que entender que ela está com 20 anos, criando a carreira dela, traçando a carreira dela, e eu não posso amolecer. O coração de mãe amolece, porque a mãe quer que o filho sobressaia, quer que o filho esteja feliz. Mas eu ainda preciso me priorizar, porque sou atleta e ganho para isso.” A convivência durante as viagens tornou essa divisão parte da rotina. As duas dividem quartos, tarefas e boa parte da preparação, mas aprenderam a estabelecer limites principalmente nos dias de competição. “A gente conversa sobre essas limitações: onde entra a mãe e onde entra a atleta. A gente brinca muito com isso. Eu falo: ‘Aqui eu não sou mãe, aqui eu sou atleta’. Ou então: ‘Vem cá, chora comigo, agora eu sou mãe’.” Para Luna, a separação parece mais simples. A brasileira cresceu acompanhando a carreira da mãe e não esconde que derrotá-la faz parte do caminho para atingir seus próprios objetivos. “Como atleta, sempre vou querer ganhar da melhor. E, para mim, ela é a melhor de todos os tempos. Então eu tenho que ganhar dela se eu quero ser a melhor um dia. Eu consigo distinguir isso um pouco melhor que ela e a vejo como uma atleta na bateria, não como a minha mãe”, explica. A possibilidade de as duas dividirem uma bateria é resultado de trajetórias que começaram em momentos muito diferentes. Quando Luna nasceu, Neymara já era bicampeã mundial e uma das principais referências do bodyboard feminino. A atleta chegou a competir grávida da filha e voltou às competições poucos meses depois do nascimento. “Em vários momentos eu tinha a ideia de que segurá-la no pódio, como fiz diversas vezes, seria o meu melhor exemplo de mãe. Eu estava ali vitoriosa, mostrando que, independentemente da maternidade, continuei. Eu competi grávida, voltei a competir quando ela tinha dois meses de vida.” Duas décadas depois, a relação também se inverteu “Hoje eu aprendo com ela. Não só ensino e continuo dando dicas, mas vejo que ajudei a formar uma mulher forte, uma competidora muito forte, uma adversária para mim. A atleta que ela se tornou é também uma das mais difíceis do Circuito Mundial hoje”, diz Neymara. Para Luna, durante muito tempo a dimensão esportiva da mãe não era tão evidente. Ter uma pentacampeã mundial dentro de casa fazia parte da rotina. “Para mim, ela sempre foi minha mãe que era campeã. Era normal ter uma campeã dentro de casa, que se alimentava bem, que treinava. Quando comecei realmente a viajar e vi o quanto as pessoas admiravam ela, comecei a achar estranho. Não era tão normal quanto eu achava ter uma mãe pentacampeã mundial.” Foi acompanhando Neymara pelo circuito que Luna passou a enxergar a mãe também como referência esportiva. “Comecei a admirá-la não só como mãe, mas realmente como atleta. Comecei a perceber a importância que ela tinha e a estrela que ela tinha dentro desse esporte. Acho que isso me fez me apaixonar ainda mais pelo bodyboard e querer essa vida.” O sobrenome e a trajetória da mãe também trouxeram pressão desde cedo. Luna conta que ainda criança já era questionada sobre a possibilidade de seguir os passos de Neymara. “Mesmo quando eu não estava no esporte, os repórteres vinham perguntar se eu ia ser igual a ela. Mas desde pequena ela me preparou para isso. Eu sempre tive psicóloga e fui preparada para esses momentos em que as pessoas colocariam pressão. É inevitável. É o mesmo esporte, é a mesma caminhada que estamos seguindo.” Hoje, Luna já constrói o próprio currículo e não esconde a ambição de superar a mãe. “Desde sempre a gente brinca que eu tenho que bater os títulos dela. E, para bater, vão ser alguns anos pela frente. Vamos ver se vou continuar até os 50 ou se vai ser um pouco mais rápido.” Longevidade aos 50 anos Se Luna olha para os próximos anos, Neymara ainda não fala em despedida. Aos 50, a brasileira afirma que não imaginava permanecer no circuito por tanto tempo. Depois de seis anos afastada da disputa integral do Mundial, voltou à competição internacional impulsionada também por um novo patrocínio e chegou ao vice-campeonato mundial no primeiro ano de retorno. “Eu nunca imaginei isso. Brincava com a Carla Costa, que foi minha parceira durante anos no circuito: ‘Quando a gente fizer 40, já vai estar aposentada’. E estou aqui com 50. Um dos melhores patrocínios da minha trajetória veio agora, nos últimos quatro anos.” Para Neymara, a continuidade da carreira também ajuda a questionar a associação entre idade e queda de rendimento no esporte profissional. Ela cita atletas como Cristiano Ronaldo e Kelly Slater como exemplos de longevidade. “O limite está na mente das pessoas. Estou aqui para mostrar que o meu limite de aposentadoria ainda não chegou. Estou amando viver isso, amando competir em alto nível.” A atleta mantém uma rotina de preparação física voltada especialmente para prevenção de lesões e proteção das articulações e reconhece que a recuperação aos 50 anos é diferente da de uma adversária de 20. “Eu não falto ao treinamento. Meu corpo hoje tem uma recuperação diferente de uma menina de 20 anos. Então preciso estar consciente de que não posso deixar de fazer. Não quero competir com as meninas por estética ou porque quero parecer jovem. Quero porque realmente me sinto apta a fazer o que faço, o que amo.” Sintra, um lugar especial para as duas É em Sintra que essas duas trajetórias voltam a se encontrar. Neymara participou de praticamente todas as edições da tradicional competição portuguesa ao longo de sua carreira e chegou a disputar a prova grávida de Luna. A brasileira diz que a familiaridade com a Praia Grande e com o público português transforma a etapa em uma das mais especiais da temporada. “Eu me sinto à vontade. Tenho muitos amigos, tanto portugueses quanto brasileiros, que vão à praia para me ver, para reencontrar. Tenho uma torcida única, minha, e que está sendo transferida muito para a Luna também.” A transferência de torcida já virou motivo de brincadeira entre mãe e filha. “Eu pergunto: ‘Agora você está torcendo para quem?’. Muitos estão falando: ‘Só para a Luna’. E eu digo: ‘Tudo bem, mas vou surpreender vocês’. É natural. Eu quero que ela ganhe, mas estou aqui lutando pelo meu espaço ainda.” Para Luna, Sintra também representa um marco na carreira. Foi na Praia Grande que conquistou, em 2022, seu primeiro título mundial Pro Junior. A brasileira voltou a competir em Portugal neste ano e venceu uma prova europeia em Carcavelos antes de retornar para a etapa do Mundial. E é justamente em Sintra que Luna espera escrever mais um capítulo da disputa familiar. “Ela é a rainha de Sintra. Então, se eu quero ser um dia a rainha, tenho que ganhar da rainha. Aqui não tem lugar melhor para uma disputa entre mãe e filha, porque esse lugar foi especial para ela, é especial para mim.” Neymara, porém, deixa claro que a torcida pela filha não significa abrir mão dos próprios objetivos. Aos 50 anos e com cinco títulos mundiais no currículo, ela ainda busca o sexto. “Eu quero muito para a minha vida mais um título mundial. Gostaria de conquistar isso e estou em busca disso. Acredito nessa possibilidade e treinei para isso.” Em Sintra, portanto, a relação entre as duas terá limites bem definidos. Fora da água, mãe e filha continuam dividindo viagens, quarto, treinamentos e experiências pelo circuito. Quando a bateria começar, serão duas atletas disputando a mesma onda, uma tentando chegar ao sexto título mundial e a outra tentando construir uma trajetória capaz, um dia, de superar a da mãe. E antes de chegar a Sintra, Luna Hardman já deixou a sua marca em Portugal. A brasileira de 20 anos venceu, nesta sexta-feira, a etapa de Aveiro do Circuito Mundial de Bodyboard, na Praia da Costa Nova. Na final, superou a também brasileira Maíra Viana por 7,65 a 6,25 e conquistou seu primeiro título nesta temporada completa na elite, depois de ter terminado em terceiro lugar na etapa das Maldivas. A vitória teve ainda um significado especial: 18 anos antes, em 2008, sua mãe, a pentacampeã mundial Neymara Carvalho, havia vencido e

  2. Aug 23

    Sem rival à altura, PSG inicia caminhada no campeonato francês perseguindo seu 15° título

    Nos últimos cinco anos, o grito de “PSG campeão” foi o que se ouviu ao fim de cada campeonato francês, a Ligue 1. A temporada 2026/2027 começou neste fim de semana com os parisienses novamente apontados como favoritos ao título, enquanto equipes como o Mônaco, comandado pelo brasileiro Filipe Luís, e o Olympique de Marselha tentam desafiar a hegemonia do Paris Saint-Germain.  Renan Tolentino, da RFI em Paris Atual bicampeão europeu, o clube da capital chega forte mais uma vez para brigar pelo seu 15° título nacional, o sexto de forma consecutiva. Para isso, conta com o reforço de Ferran Torres, autor do gol que deu o título mundial à Espanha e principal contratação do time para a temporada. “O que mais me atraiu no PSG? O fato de ser um projeto vencedor, já consolidado, com um elenco muito jovem, que vai durar muitos anos. Por que não ganhar uma Liga dos Campeões aqui? Eu nunca tive a oportunidade de ganhar uma. E acredito que este seja o clube certo para conseguirmos isso”, diz Ferran. O atacante francês Désiré Doué concorda com o novo companheiro de Paris Saint-Germain. Bicampeão europeu com o clube, ele sabe bem a sensação de enfileirar troféus com a camisa tricolor. “O que torna esse PSG invencível? É a mentalidade que temos, de sempre querer vencer, de querer ser o mais competitivo possível”, resume Doué. Para o zagueiro brasileiro Marquinhos, o Paris Saint-Germain deve valorizar as conquistas recentes, mas sem se acomodar. Capitão da equipe, ele é o jogador com mais partidas na história do PSG, com mais de 520 disputadas. “Não podemos nos basear apenas nos últimos dois anos. Cada confronto tem sua própria história e cada temporada é diferente. Cada jogo nos dá experiência. As derrotas deixam cicatrizes que nos ajudam a melhorar, e as vitórias nos mostram o caminho a seguir. Esta equipe passou por muita coisa nos últimos anos, e é por isso que está pronta para enfrentar qualquer adversário”, diz o brasileiro. “Hoje é um momento diferente. O que conquistamos ficou no passado. Estamos famintos. Temos objetivos a conquistar”, avalia Marquinhos. Reencontro com Luis Enrique Além da possibilidade de conquistar títulos, Ferran Torres afirma que a oportunidade de trabalhar novamente com o compatriota Luis Enrique também o motiva. “Sempre disse isso. Para mim, Luis Enrique tem sido como um pai no futebol. Quando tive a chance de treinar com ele na seleção (espanhola), ele sempre depositou muita confiança em mim. E ter hoje novamente a oportunidade de treinar sob o comando dele me enche de entusiasmo e me dá muita vontade de embarcar neste projeto”, recorda Ferran. O PSG inicia sua caminhada no campeonato francês neste domingo (23) contra o Rennes, às 16h45 (horário de Brasília). A princípio, o clube iria estrear em casa, junto à sua torcida, mas o mando de campo teve que ser invertido devido ao estado ruim do gramado no Parque dos Príncipes. A grama do estádio foi comprometida pela onda de calor que atingiu a França nas últimas semanas e por um fungo que se prolifera justamente nestas condições climáticas. Filipe Luís inicia jornada no Mônaco No Mônaco, Filipe Luís, ex-técnico do Flamengo, inicia uma jornada promissora. Em seu primeiro trabalho à frente de um clube europeu, ele tem o desafio de manter a equipe na parte de cima da tabela e classificada para competições continentais. “Para mim e para o clube é muito importante que o Mônaco jogue competições europeias. Acreditamos que podemos fazer um grande campeonato e uma grande temporada”, disse antes do jogo de playoff da Conference League, torneio continental. O duelo contra o Górnik Zabrze, da Polônia, marcou a estreia de Filipe Luís em jogos oficiais pelo Mônaco, que venceu por 3 a 2. Durante a pré-temporada, a equipe do principado fez seis amistosos como forma de preparação: venceu três, perdeu dois e empatou um. Entre os resultados mais emblemáticos, está a vitória sobre o Liverpool, por 3 a 2, de virada, em pleno Anfield. Na Ligue 1, o clube faz sua estreia também neste domingo, às 10h15 (horário de Brasília), contra o Havre, fora de casa. O elenco conta com o lateral brasileiro Vanderson e o atacante Balogun, destaque dos Estados Unidos na Copa e uma das principais referências técnicas. O clube tem ainda o brasileiro Tiago Scuro como diretor-geral. Campeão mundial com a França em 2018, Paul Pogba acaba de encerrar seu contrato com o Mônaco um ano depois de sua chegada. Convivendo com problemas físicos, o meia não conseguiu se firmar na equipe durante esse período. "Ele é um jogador com uma grande história no futebol francês. Não tive muitas oportunidades de vê-lo em ação. Ele treinou na primeira semana, mas depois teve alguns problemas. Não conseguiu treinar muito conosco. Infelizmente, ele está sofrendo com essa lesão. O clube decidiu rescindir o contrato dele. Só posso desejar-lhe tudo de bom", explicou Filipe Luís. Olympique de Marselha sob novo comando Terceiro clube com mais troféus da Ligue 1, o Olympique de Marselha aposta em um novo treinador nesta temporada, o francês Bruno Génésio. Neste início de trabalho, ele pede paciência aos torcedores, que não comemoram o título nacional desde 2010. “Estamos começando a temporada com um pouco de ansiedade, eu diria, já que estamos treinando há quase sete semanas. Porque, naturalmente, o que nos motiva é a competição, seja como técnico ou jogador. Estamos ansiosos para reencontrar nosso público e o campeonato. De qualquer forma, encaramos isso com confiança e com jogadores que me pareceram muito empenhados”, disse o treinador. Em seu segundo ano pelo Olympique de Marselha, o brasileiro Igor Paixão fez uma boa pré-temporada e é uma das opções ofensivas para Bruno Génésio, ao lado do atacante norte-americano Timothy Weah. Lyon em reconstrução Vitorioso nos anos 2000, sob a liderança de Juninho Pernambucano, o Lyon vive hoje uma realidade bem diferente. O clube passa por um momento de recuperação, dentro e fora de campo, após quase ser rebaixado à segunda divisão por conta de problemas financeiros. Para este ano, o time comandado há duas temporadas pelo português Paulo Fonseca tem como meta brigar por vaga nas competições europeias. “Creio que a equipe progrediu em relação às últimas semanas, também porque chegaram jogadores importantes para nós. Mas acredito que vamos melhorar ainda mais, com diferentes soluções. Estamos em um bom momento. O elenco está preparado e muito motivado. Os jogadores compreendem que essa é uma grande oportunidade para todos. E o que queremos, principalmente, é fazer história”, avalia o treinador. O campeonato francês vai até maio de 2027. Ao fim das 34 rodadas, vamos descobrir se o PSG foi campeão pela sexta vez seguida ou se algum clube adversário conseguiu desbancar o poderoso time de Luis Enrique.

  3. Aug 16

    Clubes europeus movimentam bilhões na janela de transferência para nova temporada

    A temporada 2026-2027 do futebol europeu começou oficialmente esta semana com a decisão da Supercopa da UEFA, vencida pelo Paris Saint-Germain contra o Aston Villa. Mas o mercado da bola já está agitado desde junho, com a movimentação dos clubes buscando novos reforços e contratações milionárias que atingem valores cada vez mais altos. Renan Tolentino, da RFI Uma das transferências mais caras e mais badaladas até o momento é a do atacante Yan Diomandé, que disputou a Copa do Mundo pela Costa do Marfim. O jogador de 19 anos, que estava no RB Leipzig, da Alemanha, fechou com o Real Madrid por 7 temporadas, até 2033. Em entrevista ao canal oficial do clube, ele celebrou a oportunidade e contou por que escolheu o time merengue, que tinha a concorrência do PSG pelo atleta. “Por quê? É simples, porque é o melhor clube do mundo. E quando o Real Madrid te chama, você não pode dizer não. Simples assim”. “Estou orgulhoso e feliz por poder atuar pelo Real, porque esse era meu sonho. Quando eu era criança, queria jogar pelos principais clubes do mundo. Então, sou muito grato por estar aqui. Estou contente e orgulhoso, e quero que minha família esteja orgulhosa de mim também, assim como todos os torcedores”, completou Diomandé. Mais caro da história madrilenha O valor de sua compra é o que chama atenção. Para vencer a concorrência do PSG, o clube espanhol desembolsou € 125 milhões fixos (cerca de R$ 736 milhões), podendo chegar a € 140 milhões (R$ 823,5 milhões). Dessa forma, Diomandé se tornou a contratação mais cara já feita pelo time espanhol e também o jogador africano mais valioso da história. “Este é o maior clube do mundo. Todo mundo quer jogar aqui. Por isso, estou muito honrado de vestir essa camisa e quero compartilhar essa alegria com todos, contribuindo para o sucesso do clube (...) É sempre bom ter grandes jogadores ao seu lado. Aprendo com eles. Eu os assistia pela televisão e hoje dividimos o mesmo vestiário. Isso é incrível”, conclui o jovem marfinense. Diomandé não é o único reforço do Real Madrid para esse ano. Durante a Copa do Mundo, o clube espanhol investiu forte, mais de R$ 1,3 bilhão em contratações, após passar a última temporada sem conquistar nenhum título. Os merengues pagaram R$ 323 milhões pelo lateral Cucurella, ex-Chelsea e campeão da Copa do Mundo com a Espanha. Também chegaram o meia português Bernardo Silva e o zagueiro francês Konaté, que estavam livres no mercado e vieram sem custo algum. Além disso, o Real renovou contrato com Vinicius Jr. até 2032. Barcelona aposta em brasileira O rival Barcelona, por sua vez, trouxe o atacante inglês Anthony Gordon, ex-Everton, por € 80 milhões (equivalente a R$ 480 milhões), e negocia com o Manchester City para ter o meia Rodri, campeão mundial com a Espanha. Para reforçar a equipe feminina, o clube catalão fechou com a brasileira Kerolin Nicoli até 2030, ex-City, pelo valor de € 1,2 milhão (R$ 7 milhões). Por essa quantia, a atacante titular da Seleção se tornou a jogadora brasileira mais cara da história. Durante sua apresentação no clube espanhol, ela disse estar vivendo um sonho. “A primeira vez que me disseram que o Barcelona me queria, eu não conseguia acreditar, entre outras coisas porque eu tinha contrato com o City. Mas, quando vi que isso poderia se concretizar, fiquei muito emocionada e disse para seguir em frente, pois é uma oportunidade que não se pode deixar escapar. Acontece uma vez na vida. Então eu disse para mim mesma: por que não jogar no melhor time do mundo. Meu sonho se torna realidade, estou muito feliz”, afirmou. PSG busca herói do título espanhol Atual bicampeão da Liga dos Campeões, o Paris Saint-Germain manteve a base vencedora, fazendo contratações pontuais. A mais recente delas é a do atacante Ferran Torres, autor do gol do título da Espanha na Copa do Mundo. O clube pagou o equivalente a R$ 300 milhões para tirá-lo do Barcelona. Antes dele, foram anunciados os franceses Akliouche, meia ex-Monaco, e Lucas Digne, lateral que estava no Aston Villa. Dez anos depois de sua primeira passagem, Digne retorna ao PSG aos 33 anos para mais três temporadas. "Estou voltando diferente, como homem e também como jogador. Tenho mais maturidade e experiência agora. Quero trazer essa experiência para a equipe e conquistar muitos títulos. Este clube foi construído para vencer, faz parte do seu DNA. Além disso, este grupo de jogadores é extremamente ambicioso, demonstra isso ano após ano, e é por isso que todos querem vir jogar em Paris", pondera Digne. Bruno Guimarães com “fome de vitória” Entre os jogadores brasileiros, a contratação do meia Bruno Guimarães pelo Arsenal, da Inglaterra, é uma das mais promissoras até o momento. O volante de 28 anos estava no New Castle e foi apresentado pelos Gunners esta semana. O técnico do clube londrino, Mikel Arteta, afirma que o brasileiro chega com “fome de vitória”. "Estou muito feliz por tê-lo conosco. Percebemos com muita clareza a fome de vitória dele, o desejo de vir para cá e escrever uma grande história no clube. Notamos isso pela energia que ele trouxe imediatamente para os treinamentos. É essa a ambição de que precisamos", avalia Arteta. “Queremos chegar ao próximo nível e estamos muito, muito convencidos de que precisaremos de jogadores com essa personalidade, que impulsionam todos a alcançarem patamares ainda mais altos (...) Acho que ele já provou que é um guerreiro. Portanto, sabemos o que ele vai trazer para o clube”, conclui o treinador dos Gunners. Uma das promessas do Brasil, o zagueiro Otávio, de 20 anos, também está de casa nova. Na temporada passada, ele defendeu o Estrela Amadora, de Portugal, e acaba de se transferir para o Eintracht Frankfurt, da Alemanha. Um grande passo na sua trajetória, segundo afirmou em entrevista à página oficial do clube. “É um passo muito importante na minha carreira, estou muito feliz por estar aqui. Desde pequeno, meu sonho sempre foi chegar a clubes maiores, e o Frankfurt é um clube enorme. Estou muito feliz. A nível pessoal, eu sei que vou ajudar bastante a equipe, vim aqui para isso. Quando o treinador precisar de mim, estarei pronto, então vou dar tudo de mim”. “Sou um jogador muito forte nos duelos individuais, agressivo nos duelos aéreos e no chão, com boa qualidade de passe”, resume Otávio. Com data de encerramento em 1° de setembro, a janela de transferência atual já movimentou mais de € 6 bilhões (R$ 34,5 bilhões), segundo o site Transfermarket, especializado no assunto. O valor recorde é justamente da temporada passada, quando os clubes gastaram ao todo mais R$ 53 bilhões em contratações.

  4. Aug 8

    Copa Africana de Nações feminina reúne número recorde de seleções e vale vaga para o Mundial do Brasil

    O Marrocos é palco neste mês de agosto da Copa Africana de Nações (CAN) feminina, maior competição de futebol do continente. Esta 14ª edição já entra para a história com um número recorde de equipes participantes, além de valer vaga para o Mundial do Brasil no ano que vem. Renan Tolentino, para a RFI em Paris No total, 16 seleções, divididas em quatro chaves, jogaram a fase de grupos do torneio, que entra agora no mata-mata. Ao lado de Malawi, Cabo Verde disputa pela primeira vez a CAN. Para a atacante Silviane Gomes, um dos destaques do time, a chance inédita de jogar o torneio transcende o lado competitivo e merece ser valorizada. “É um momento incrível. Falando francamente, é uma aventura humana. Eu nunca imaginei que um dia eu iria chegar até aqui, com a minha seleção, Cabo Verde. Então eu aproveito ao máximo”, celebrou Silviane. Sentimento compartilhado por sua companheira no ataque dos Tubarões Azuis, Evy Pereira, que marcou o primeiro gol da seleção caboverdiana na história da Copa Africana feminina. “Sim, é sempre bom entrar para a história. Estou muito feliz, mas eu estaria ainda mais feliz se o meu gol tivesse levado Cabo Verde à vitória (...) Mas eu estou contente mesmo assim e grata por essa oportunidade que me deram (...) Isso também faz parte do futebol”. Uma equipe em construção Única seleção de língua portuguesa na Copa Africana de Nações feminina, Cabo Verde não foi bem na fase de grupos e acabou não se classificando para o mata-mata. Mas a equipe conquistou o primeiro ponto de sua história no torneio ao empatar com Camarões, em 1 a 1, na última rodada. Eleita a melhor campo contra as camaronesas, a defensora Eleia Vieira valoriza a experiência adquirida durante sua estreia na CAN com a seleção caboverdiana. “Queremos corrigir o que precisa ser corrigido e, para a próxima competição, viremos com mais força. Vivi grandes experiências. É a primeira vez que piso neste palco. Levo uma experiência bem grande para o meu clube, para minha vida pessoal e momentos também que não vou esquecer jamais”, disse ela em entrevista ao repórter Marco Martins, enviado especial da RFI no Marrocos. O jornalista português, que acompanhou de perto a seleção caboverdiana direto de Casablanca, avalia os desafios que a equipe precisou driblar para alcançar a classificação inédita para a CAN e o que fica de lição para o futuro. “Antes de tudo, Cabo Verde tem que estar feliz pela participação. Como eu disse, essa seleção existe há apenas oito anos. A maior parte dessas jogadoras joga na segunda divisão portuguesa, mas não são profissionais em sua maioria. Outras jogam em Cabo Verde, onde também não há um campeonato profissional”, ressalta. “Essa seleção caboverdiana está sendo construída, mas ainda falta uma experiência de alto nível, ainda falta uma estrela, como a Chawinga no Malawi, que também está na sua primeira participação. Ela está acostumada a ganhar títulos com o Lyon, está habituada a disputar jogos importantes na Liga dos Campeões da Europa, na liga francesa. Falta talvez essa referência do lado de Cabo Verde para também inspirar as jovens jogadoras. Este grupo já vai inspirar as jovens caboverdianas a praticarem futebol, mas uma estrela também é importante, como Vozinha no futebol masculino”, analisa Martins. Domínio nigeriano Enquanto Cabo Verde era uma das estreantes, outra seleção é figurinha carimbada não só no torneio, como também no álbum de campeãs. Atual vencedora, tendo conquistado em 2025, a Nigéria tem incríveis 10 títulos em 13 edições, demonstrando um domínio absoluto na competição. Prova disso é que o país nunca perdeu uma final, tendo vencido todas desde que chegou à decisão pela primeira vez em 1998. Marco Martins aponta fatores extracampo que são determinantes para a Nigéria alcançar esse sucesso esportivo no continente. “É algo cultural, talvez. Desde a primeira edição, temos essas equipes presentes: África do Sul, Nigéria, Gana... são seleções cujas federações rapidamente apostaram no futebol feminino. Há seleções que são muito recentes, como Cabo Verde, por exemplo, que só existe oficialmente há oito anos. Quando olhamos para a Nigéria, ela ganhou seu primeiro título em 1998, ou seja, já estavam adiantadas desde essa época", detalha. "Então, esse avanço que a Nigéria tem faz com que ela consiga continuar a vencer a CAN várias vezes. Quando se tem essa vantagem de quase 20 anos em relação a outras seleções, não há mistério, trabalha-se bem. Várias jogadoras nigerianas estão em grandes ligas, como dos Estados Unidos, França, Espanha e Inglaterra, em campeonatos competitivos", explica o jornalista. Leia tambémZagueira da seleção brasileira, Tarciane mira Copa do Mundo de 2027 e fala da adaptação na França Além da equipe nigeriana, somente outras duas seleções levantaram o troféu da CAN feminina até hoje: África do Sul, em 2022; e Guiné Equatorial, em 2008 e 2012. Guiné não disputa esse ano. Na primeira fase, a seleção nigeriana avançou em segundo lugar no grupo C, atrás de Malawi, que joga sua primeira Copa Africana. Os outros classificados foram: Marrocos e Argélia no grupo A; Costa do Marfim e África do Sul, no B; e Camarões e Gana, no D. “As principais favoritas conseguiram se classificar. Além disso, tiveram outras seleções que fizeram um torneio interessante. Entre elas, a Argélia e o Malawi, que na sua primeira participação na CAN conseguiu avançar à próxima fase no grupo C, além de Costa do Marfim e Camarões”, sublinha Martins. De olho na Copa de 2027 no Brasil Este ano, a CAN tem uma importância para além do troféu de campeã africana. Isso porque esta 14ª edição também serve como eliminatórias para a Copa do Mundo de 2027, que será sediada no Brasil. As quatro equipes semifinalistas se classificam automaticamente para a competição mundial. Enquanto as quatro eliminadas nas quartas de final disputam entre si um torneio à parte que dará duas vagas na repescagem para o campeonato da Fifa. “Isso é muito importante para essas seleções. Porque ou conseguem vaga direta para a Copa do Mundo ou terão uma segunda oportunidade. Por isso, o mais importante para essas equipes era chegar às quartas de final, para poder ter essa oportunidade de ir ao Mundial no Brasil”. “Ir para a Copa é o expoente máximo no futebol feminino (...) Para as jogadoras, o Mundial ainda é muito acima das outras competições”, destaca Marco Martins. A final da Copa Africana de Nações feminina é no próximo domingo (16), às 16h (horário de Brasília), em Rabat, no Marrocos. Leia tambémEm Paris, Formiga e Michael Jackson dizem o que falta para o futebol feminino decolar no Brasil

  5. Aug 1

    Tota Magalhães, única brasileira no Tour de France feminino, projeta pódio com a equipe

    A 5ª edição do Tour de France Feminino de ciclismo deu a largada neste fim de semana na Suíça. São 21 equipes em competição e 147 ciclistas. Até 9 de agosto, as atletas percorrem cerca de 1.175 km até Nice. A atleta carioca Tota Magalhães, a única ciclista brasileira da edição e a primeira a disputar a Volta no ano passado, corre pela equipe espanhola Movistar pela segunda vez. O time pretende chegar ao pódio neste ano. Em 2025, a Movistar ficou em 22° lugar na classificação geral. Mas este ano, garante que será diferente. “No passado, a gente tinha uma equipe muito forte, mas a nossa líder ficou doente um dia antes. Acabamos indo para uma prova mais aberta, tentando encontrar oportunidades para ganhar uma etapa. Se tudo correr bem, acho que podemos estar no pódio, inclusive vestindo a camisa amarela", disse Tota à RFI.    A camisa que a atleta brasileira menciona é usada pela líder da classificação geral: a ciclista com o menor tempo acumulado ao longo do torneio. No ciclismo, o objetivo do time é apoiar a líder, que, no caso da Movistar, é a suíça Marlen Reusser, vencedora do torneio nacional de seu país recentemente. Tota Magalhães explica seu papel na engrenagem do time como capitã de estrada: “[Sou] aquela que organiza a equipe durante a corrida, que mantém, digamos, a ordem e toma algumas decisões que precisa”. A brasileira diz que tenta ajudar Marlen Reusser em todas as etapas, como "um braço direito para a nossa líder".  Nove etapas A Volta Ciclística feminina da França é disputada em nove etapas, uma por dia, variando em distância, altitude e formato. A mais curta é a quarta etapa, um contrarrelógio individual de 21 km entre Gevrey-Chambertin e Dijon; a mais longa é a oitava, entre Sisteron e Nice, com cerca de 172 km. O ponto mais alto da prova é o temido Monte Ventoux, com 1.910 metros de altitude, na chegada da sétima etapa.  Tota explica que o começo da prova vai ser difícil de encarar: “São três etapas técnicas e duras. No começo do Tour está tudo muito mais nervoso, a classificação geral ainda está em aberto, então todo mundo ainda tem esperança de poder brigar pela vitória.”  “Logo depois a gente tem um contrarrelógio, que é a especialidade da Marlen, campeã mundial. Então a gente espera que ali a gente consiga estar com uma [camisa] amarela, quem sabe sonhar com isso”, conta a ciclista.  Enquanto o torneio masculino se tornou há muito tempo o maior evento esportivo do país, o ciclismo feminino ainda está construindo seu público. Para dar uma ideia do interesse que a prova masculina desperta, a audiência global chega a 3,5 bilhões de pessoas.  Tota sonha com o aumento de ciclistas no Brasil Tota conta a importância do apoio de fãs brasileiros. "Qualquer corrida em que eu estou, tem brasileiro torcendo, e acho que, para mim, isso é um dos meus maiores motores.” A ciclista também deseja que o esporte passe a fazer parte do dia a dia do país, já que o Brasil é muito maior que nações que se destacam na modalidade. "Um dos melhores países no ciclismo, com atletas, é a Holanda, que é um país minúsculo. Então, imagine se a gente cuidasse da nossa cultura da bicicleta como meio de transporte também, imagina quantos mais ciclistas a gente não teria. Acho que, aos poucos, se tudo der certo, a gente vai abrir mais caminhos." Entrada no álbum de figurinhas da competição Neste ano, a brasileira ganhou ainda mais visibilidade ao aparecer no álbum oficial de figurinhas da prova feminina e não escondeu a emoção quando uma seguidora lhe enviou uma foto da página. "Fiquei em choque, até porque são só três meninas por equipe no álbum feminino. É basicamente um álbum masculino, com uma parte dedicada ao feminino, e cada equipe tem três atletas, e eu sou uma delas. Acho que é uma responsabilidade para o meu país saber que estou tentando abrir portas. É um peso de uma responsabilidade, mas que fico muito feliz de estar carregando”, disse Tota.  A competição vai ser difícil. No topo da classificação para essa temporada está a francesa Pauline Ferrand-Prévot, do time Visma, que venceu a prova no ano passado. Também se destaca a holandesa Demi Vollering, que ficou em segundo lugar em 2025. E, neste ano, Vollering venceu o Giro d'Itália, outra grande corrida de etapas do ciclismo mundial. Já Paula Blasi, ciclista espanhola, é considerada uma grande revelação da temporada. Ela venceu a Vuelta feminina em seu país natal neste ano.

  6. Jul 26

    Premiação milionária e CR7 como embaixador: Mundial de E-sports reúne competidores e fãs de games em Paris

    Paris recebe, entre os meses de julho e agosto, a EWC, Copa do Mundo de E-sports (esportes eletrônicos). Depois das duas primeiras edições em Riade, Arábia Saudita, o evento desembarca pela primeira vez na capital francesa, reunindo 25 competições de diferentes jogos eletrônicos, US$ 75 milhões em premiações e um público que vem dos quatro cantos do planeta. Renan Tolentino, para a RFI em Paris As dezenas de competições são transmitidas online, para o mundo todo, além do público presente no complexo de exposições de Porte de Versailles, região oeste de Paris. Contando com Cristiano Ronaldo como embaixador, o evento tem torneios de games populares, como Fortnite, Counter-Strike, League of Legends, PUBG: Battlegrounds e EA Sports FC. Atleta de Teamfight Tactics, um jogo de estratégia em equipe, o norte-americano Filup, de 25 anos, explica como é a preparação e os principais desafios na hora de competir. “No caso do nosso game, como é do gênero de estratégia, é necessário muito tempo de planejamento em equipe quando vamos disputar uma competição como essa. Em geral, a gente se prepara jogando partidas e revendo os jogos de times adversários. Investimos muito tempo. E na hora de competir, acredito que um dos maiores desafios é justamente conseguir aplicar durante as partidas a tática que definimos nos treinamentos”, detalha Filup. Ex-jogador de futebol e ex-atleta de e-sports, o brasileiro Wendell Lira já participou de diversas competições internacionais. Hoje, mais focado no streaming e na produção de conteúdos, ele reforça que a rotina de um profissional de esportes eletrônicos vai além do que é mostrado nas telas.  “As pessoas não têm noção do quanto é difícil ser um atleta de e-sports. Eu fui atleta de futebol na vida real e sei que você não tem esse cansaço (constante). Você é um atleta (de futebol), mas você tem treinador, tem preparador físico, nutricionista, fisioterapeuta… e você vai lá, treina e vai embora. Agora, um jogador de EA FC, por exemplo, treina umas 12 horas por dia", explica. "Tem todo um esquema tático para aprender, com videoaulas para estudar a mecânica do jogo e, em paralelo, (para alguns) ainda tem a criação de conteúdos. É uma rotina muito desgastante, muito mais difícil do que as pessoas acham. Hoje, ser um pro player vai muito além do que só jogar", comenta Wendell Lira, que em 2015 venceu o Prêmio Puskás de gol mais bonito daquela temporada no futebol, antes de trocar a chuteira pelo joystick e mudar sua carreira para o mundo dos games. Brasil representado No campeonato do game de futebol EA FC Pro, que aconteceu durante a terceira semana da EWC, o Brasil esteve representado por três atletas: GugaFerraz, Paulo Neto e PHzin. Em entrevista à RFI, o holandês Renzo Oemrawsingh, técnico da Team Liquid, equipe de Paulo Neto, elogia o empenho do brasileiro. “Eu fui treinador dele durante cinco anos. Paulo é um grande jogador, que costuma ter um bom desempenho nas competições”, resume. Renzo conta que, como treinador de futebol virtual, seu trabalho é ajudar o atleta a potencializar suas habilidades, além de definir as táticas mais adequadas para enfrentar cada adversário. “Eu tento ajudar os players a desenvolverem as habilidades deles, a encontrarem as melhores estratégias, que podem mudar até mesmo durante as partidas… então, ao longo da semana, nós tentamos reproduzir nos treinamentos esses diferentes cenários de competição, também fazemos videoanálises e buscamos melhorar constantemente, como qualquer outro esporte competitivo", detalha o holandês. "Obviamente, o player tem 98% da responsabilidade, o treinador pode auxiliar nos outros 2% extras. Mas isso é o mais importante, porque todos são bons nesse nível”, avalia Renzo. CR7 embaixador, Aya Nakamura na abertura e Benzema na final A abertura da EWC no início do mês contou com um grandioso show em Paris, com a participação de vários artistas, entre eles, DJ Snake e Aya Nakamura, estrelas da música francesa. O evento tem ainda Cristiano Ronaldo como principal embaixador e garoto-propaganda. De forma quase onipresente, a imagem dele aparece em inúmeros anúncios fixados nas ruas e no metrô de Paris. Além dos competidores, a Copa do Mundo de esportes eletrônicos atrai fãs de diferentes países. Alessandro Grande, de 14 anos, veio de Mantova, norte da Itália, junto com sua família. “Eu gosto de videogames, especialmente jogos de futebol, então acho que é um evento bem legal. Estava esperando por isso há um longo tempo e estou me divertindo bastante. Posso dizer que me sinto muito animado. Vim também para ver meu player italiano favorito, Samugamer, da equipe Sassuolo”. Viajando ainda mais longe, a jovem Jawaher Nasser, de 25 anos, veio com a mãe e o irmão direto de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, só para acompanhar o Mundial de E-sports. Ela conta que os jogos eletrônicos são muito populares no seu país. “É muito legal ver as pessoas reunidas aqui para socializar e compartilhar experiências em torno da cultura dos games, como Fortnite, um dos que mais gosto”, diz Jawaher. O francês Balthazar Kiloso, de 12 anos, esteve presente com os pais e a irmã, para se divertir e torcer por sua equipe preferida, a Team Vitality, uma das principais da França. “É um evento que eu recomendo às famílias, tem muita coisa para fazer, é tudo bem organizado. Me diverti bastante jogando vários games, tem muitos jogos à nossa disposição. Para quem gosta, assim como eu, é bem interessante”, comenta Balthazar. A final do campeonato da EA FC Pro acontece neste domingo (26), com a presença do ídolo do futebol francês Karim Benzema, Bola de Ouro e multicampeão nos gramados da vida real. Já a Copa do Mundo de E-sports de Paris continua até 23 de agosto com torneios de outros jogos eletrônicos. Dos gramados reais ao futebol virtual Em entrevista à RFI no EWC de Paris, Wendell Lira relembrou como, de forma inesperada, o gol mais importante de sua carreira nos gramados da vida real o levaram a se tornar um atleta de futebol virtual. Logo após levar o Prêmio Puskás há 10 anos, o brasileiro recebeu um convite para disputar uma partida de videogame que mudaria sua vida. Ele enfrentou o saudita Abdulaziz Alshehri, então campeão mundial do jogo Fifa (que hoje recebe o título de EA FC). Lira não só venceu, como goleou o melhor do planeta da época por 6 a 1. Resultado impressionante que o fez ganhar notoriedade também no mundo dos games. A fama repentina na comunidade de jogos eletrônicos o levou a pendurar as chuteiras e a investir na carreira como pro player, como são chamados os competidores profissionais. “Eu trabalho com isso há dez anos. Quando deixei o futebol real para trabalhar com o mundo dos e-sports, eu já vislumbrava que esse mercado iria crescer. Mas, mesmo com todo o otimismo que sempre tive, não imaginava que poderia vir a ser tão grande quanto é atualmente". "Então, hoje, quando eu vejo uma competição desse nível, como esse Mundial de E-sports, com premiações absurdamente altas, é um motivo de muito orgulho para mim saber que fiz parte disso. Se eu falasse isso há dez anos, ninguém acreditaria”, conclui Lira.

  7. Jul 19

    Racismo dispara na Copa do Mundo; FIFA aponta aumento de ódio nas redes sociais

    A FIFA registrou um aumento de 3% de publicações racistas nas redes sociais em comparação com a Copa de 2022 e afirma que o conteúdo tem sido objetivamente mais ofensivo. Diretor do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, Marcelo Carvalho, aponta falhas da instituição e das plataformas digitais no combate ao racismo. Vitória Barreto, especial para a RFI Em menos de um mês, o órgão da FIFA que monitora as redes durante a Copa do Mundo registrou quase 90 mil publicações de teor abusivo.   Foram 13 vezes mais do que na Copa de 2022, desde que a organização começou o monitoramento. Desse total, 11% tinham teor racial, apenas 3% a mais do que na Copa do Catar. Mas o órgão afirma que, neste ano, o conteúdo foi mais ofensivo.   Marcelo Carvalho, diretor-executivo do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, aponta as lacunas no combate ao racismo na Copa do Mundo: "Precisamos pensar no quanto essa Copa do Mundo promove diversidade, o quanto promove inclusão, fora das quatro linhas. Temos mais seleções africanas, mais seleções na Copa e a porcentagem de treinadores negros continua pequena. A FIFA poderia promover esse debate."  O diretor do observatório também cobra a falta de fiscalização por parte das redes sociais. Ele aponta que a  entidade identifica os autores das ofensas e entrega os dados para os donos das plataformas, mas enfatiza: "Parece que não vemos esse trabalho sendo feito por quem é dono da rede social."  Mbappé foi um dos principais alvos A seleção francesa foi um dos principais alvos. O ex-presidente do governo espanhol  Mariano Rajoy disse em um artigo que a equipe era de alto nível, "mas sem franceses".   Também houve a série de mensagens com ataques racistas da senadora paraguaia Celeste Amarilla contra o atacante francês Kylian Mbappé, que um porta-voz da ONU classificou como "desprezíveis e, infelizmente, não isolados", além de cobrar uma ação mais firme de governos e entidades esportivas.   A FIFA tem aplicado vários protocolos contra o racismo nos últimos anos. Um deles é o sistema de arbitragem, implementado em 2024, pelo qual os árbitros podem fazer um gesto de "X" com os braços para pausar a partida quando acontece uma ofensa racista.  Para Carvalho, entretanto, o sistema apresenta lacunas na proteção dos jogadores que sofrem racismo. "Esse protocolo é falho porque permite que o racista se manifeste até três vezes. Imagine a situação da vítima: ela ouve a ofensa, o árbitro interrompe o jogo; depois, a ofensa se repete, o árbitro para a partida novamente e avisa que, na terceira vez, o jogo será encerrado", explica Carvalho. "Quando chega a terceira ofensa, o jogador já está no limite", acrescenta.  A Human Rights Watch disse que a FIFA poderia fazer mais para combater o problema fora do torneio, embora tenha condenado os casos de racismo. A ONG também criticou o fato de os jogos serem realizados nos Estados Unidos: a repressão abusiva e discriminatória de Donald Trump à imigração, voltada principalmente para comunidades negras e pardas, colocou fãs, trabalhadores e comunidades em risco, na visão da organização internacional.   Desta forma, o Mundial acabou perdendo parte do seu simbolismo como espaço de encontro entre diferentes povos, constata Carvalho. "Quando olhamos para essa Copa do Mundo, temos o prêmio da paz para o presidente dos Estados Unidos, temos árbitro negro que foi barrado para entrar nesse país. O que a Copa do Mundo representa, de fato, ela deixou de representar", analisa. "Não podemos esquecer que futebol e política sempre se misturaram", salienta.

  8. Jul 13

    França enfrentará a Espanha na semifinal da Copa em data simbólica

    Com uma vitória sólida sobre o Marrocos e Mbappé cada vez mais perto do recorde histórico de gols de Messi, a França garante pela terceira vez seguida uma vaga na semifinal da Copa do Mundo. Vitória Barreto, especial para a RFI A França está em festa. Pela terceira vez consecutiva, os Bleus vão à semifinal da Copa do Mundo, desta vez contra a Espanha na terça-feira, 14 de julho, data da Queda da Bastilha, a mais importante data comemorativa da história francesa, quando a monarquia absolutista foi derrubada.   A derrota do Marrocos na quinta-feira (10) confirmou o favoritismo de uma equipe que une o país.   Torcedores vestidos com a icônica camisa estampada gritavam "Merci Mbappé", capitão da seleção, como a torcedora Maya, que, num bar no centro de Paris, exclamava seu orgulho pela equipe e seu poder de unir o país.   "Acho que deveríamos estar unidos todos os dias, mas isso não é possível porque a política nos divide. Mas quem se importa? Mbappé está aqui e está dando um show para a gente", contou a torcedora, beijando a camisa do time.   Nathan, amigo de Maya, disse que tinha medo de perder para os marroquinos, mas que ficou orgulhoso do time. "A defesa está perfeita, todos os jogadores têm uma mentalidade incrível, o ambiente no time é muito bom. Sinto que, pela primeira vez, os reservas estão tão em sintonia quanto os titulares."   Até os marroquinos aceitaram a derrota e desejaram boa sorte aos Bleus, já que muitos jogadores do país africano também têm origem francesa.   A torcedora Soumaya, de vermelho da cabeça aos pés, com um boné e uma camisa com a bandeira do Marrocos, contou que ficou decepcionada com o resultado, mas revelou seu apoio à seleção francesa.   "Meu coração sempre será marroquino, mas hoje à noite o que importa é o jogo e o espírito esportivo. A França jogou melhor, então espero que chegue à final e ganhe a Copa do Mundo", disse a torcedora marroquina.   Muitos especialistas têm comparado a popularidade e a união dos jogadores à antiga seleção brasileira, dos anos 1970 e de 2002, e não é à toa. Contra o Marrocos, Kylian Mbappé marcou seu oitavo gol no torneio, chegando a 20 gols na carreira em Copas do Mundo, apenas um atrás de Messi nessa marca histórica. Ousmane Dembélé ampliou o placar logo depois, fechando o 2 a 0 que garantiu à França a vaga na semifinal.   O jornalista esportivo franco-português Nicolas Vilas atribui boa parte desse foco e organização a Didier Deschamps, campeão mundial como jogador em 98 e como técnico em 2018.   "Esta é a última pra ele. Deve ter um caráter especial para ele e para os jogadores de saber que Didier Deschamps, lenda do futebol francês, disputa o último Campeonato do Mundo como selecionador e treinador. Isso contribui a um aspecto mais místico à volta dele” disse Vilas.  "A mãe dele faleceu durante o campeonato mundial, teve de ausentar-se. Foi no último jogo da fase de grupos frente à Noruega. Pode ser que isso reforce ainda mais o espírito de grupo que existe na seleção francesa," acrescentou. O jornalista franco-português Eric Mendes explica que a saúde física da equipe tem sido um ponto-chave nas vitórias constantes do time.   "Deschamps quis terminar em primeiro no grupo para não precisar trocar de hotel e manter o centro de treinamento. Isso foi muito importante, sobretudo com o calor forte nos Estados Unidos; o descanso físico pode ser um trunfo a mais para a França."   Resta saber se os Bleus vão vencer no Dia da Bastilha, data que inspirou a ascensão de governos republicanos em todo o mundo. Se vencerem, a festa continua.

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