Avenida do Brasil

Na Avenida do Brasil falamos das trajetórias dos imigrantes brasileiras e brasileiros que empreendem em Portugal. Mas não só! Este podcast é um espaço de partilha, onde a conversa é uma fonte de inspiração. O novo podcast do PÚBLICO Brasil é conduzido pelos jornalistas Vicente Nunes e Gisele Rech.

Episodes

  1. 1d ago

    Avenida do Brasil: chef Michele Marques divide-se entre restaurante e hotel em Estremoz

    Ao desembarcar em Portugal, em 2005, com planos de ficar apenas três meses, a carioca Michele Marques não imaginava que fincaria raízes no Alentejo e se tornaria um dos nomes mais consistentes da cena gastronômica de Estremoz, à frente da Mercearia Gadanha. De quebra, ela também empreende na hotelaria, com a Casa do Gadanha. A trajetória empreendedora começou em 2009 com a Mercearia Gadanha, que em 2013 se transformou em restaurante e, desde 2016, mantém-se recomendada no Guia Michelin e com um sol do Guia Repsol: na festa de entrega de prêmios este ano, foi a responsável pela curadoria gastronômica do evento internacional. Sem falar na presença constante em festivais como Chefs on Fire e saídas ao exterior para divulgar a gastronomia portuguesa a convite do Turismo de Portugal. “A nossa ideia foi sempre o respeito pela nossa região, pelo receituário tradicional, mas eu nunca me senti com o direito de cozinhar cozinha tradicional. A minha ideia foi dar um twist com as minhas vivências, não só enquanto brasileira, mas enquanto viajante, tratando como rei os ingredientes do receituário e dando o nosso toque”, reforça Michele. Deste percurso, aliás, surgiu o icônico pastel de cação, que mistura a cultura do pastel de feira brasileiro com o recheio que dialoga com a tradicional sopa de cação da região. A expansão dos negócios ganhou nova escala com a abertura da Casa do Gadanha, projeto de hospitalidade concebido ao lado do sócio e companheiro Ruben Trindade. O plano de reabilitar um palacete senhorial de 12 quartos no centro histórico de Estremoz começou a ser desenhado em 2017, mas as obras coincidiram com o início de 2020. “Compramos o prédio e tínhamos um projeto cofinanciado pelo Turismo de Portugal. Ao contrário do que as pessoas pensam, não é dado. Temos que devolver esse financiamento, mas com juros mais baixos e carência que nos ajudou a retardar pagamentos quando tudo atrasou quase um ano por causa da pandemia”. A unidade abriu portas em março de 2022, integrando alojamento de charme, restaurante próprio sob comando de Ruben e uma elogiada produção diária de pão de fermentação natural. Questionada sobre o segredo para brasileiros que pretendem ingressar no ecossistema do setor de restaurantes e turismo de Portugal, Michele enfatiza a importância da integração genuína e da persistência. “A maior dica é perseverança e conhecimento da lei para seguir cada parâmetro direitinho. Quem vem por bem tem sempre lugar. O acolhimento do brasileiro é único, mas é fundamental estar aberto à cultura local. Basta trocar de papel, pensar em respeitar o território e ver o que se pode fazer para que a terra cresça junto com você, sempre somando”, resume. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  2. Oct 29

    Ouça a estreia de "Quem matou Rosalina?" A mulher ignorada 608 (versão brasileira)

    Trinta e seis segundos num elevador, uma mulher ajeita o cabelo ao espelho e é uma noite de chuva em Saquarema, nos arredores do Rio de Janeiro, Brasil. Rosalina Ribeiro, secretária pessoal e companheira do milionário Lúcio Tomé Feteira, falecido em 2000, saiu para jantar a 150 metros de casa e nunca mais voltou. Levaram-lhe a pasta com os documentos e deixaram-lhe o relógio e os brincos, porque quem a matou não queria o que ela tinha, queria o que ela sabia. Durante dez dias, enquanto as amigas colavam cartazes alertando para o seu desaparecimento pelas ruas do bairro de Flamengo, o seu corpo foi apenas uma etiqueta, com o número 608, numa morgue do Rio de Janeiro. Neste primeiro episódio do podcast Quem Matou Rosalina?, ouvimos Rosemary Gomes, a testemunha que ouviu os tiros, a fadista Maria Alcina, amiga de Rosalina, que sonhou com o pedido de socorro, e entrevistamos o jornalista Plínio Fraga, autor da reportagem Dostoiévski em Saquarema, que reconstitui o caso e nos apresenta Duarte Lima, o homem que se adiantou à polícia com o envio de um fax que ninguém lhe pediu. O lançamento deste podcast narrativo coincide com o início do julgamento de Duarte Lima, no tribunal de Sintra, a 5 de Novembro. O antigo deputado do PSD foi acusado pelo homicídio de Rosalina Ribeiro, no Brasil, a 7 de Dezembro de 2009. Quem Matou Rosalina? é uma produção da Coimbra Coolectiva em exclusivo para o PÚBLICO, com a colaboração do Globo. A narração é de Vilma Reis e a banda sonora é dos Belle Chase Hotel. O PÚBLICO dispõe também de uma versão portuguesa deste podcast. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    Ouça a estreia de "Quem matou Rosalina?" A mulher ignorada 608 (versão brasileira)
  3. Oct 26

    Salete Novaes comanda o Grupo Siroco e vê setor naval puxado por brasileiros

    A empresária Salete Novaes, CEO do Grupo Siroco, vê oportunidades crescentes no mercado naval, que, em Portugal, vem sendo puxado, sobretudo, pelos brasileiros. Segundo ela, que está há 30 anos em território luso, os negócios só não crescem mais por falta de marinas disponíveis para o atracamento de barcos. "Estamos com limitação de espaço. Precisamos de mais marinas", diz a brasileira, que comanda 30 funcionários — alguns deles estão ao lado de Salete desde o nascimento da empresa. "Nossa rotatividade é muito baixa. Sabemos a importância de nossos colaboradores para o nosso negócio. São nossos parceiros", assinala. Salete já trabalhava no mercado naval no Brasil com compras, vendas e alugueis de barcos, mas decidiu cruzar o Atlântico ao lado do marido, num recomeço para os dois. "Não foi fácil conquistamos nosso espaço, sobretudo para mim, por ser brasileira e mulher", ressalta. Mas a competência se sobrepôs a todo tipo de preconceito. O marido de Salete morreu recentemente e ela teve de tocar o negócio por completo. "Assumi todas as operações e estamos avançando", sublinha ela, que atribui à sua capacidade de ouvir o outro um de seus principais trunfos. "Estou sempre disposta a ouvir. Isso é muito importante em todos os aspectos", frisa. Para Salete, Portugal é um mercado potente para o setor naval, pois é um país posicionado de frente para o mar. Contudo, no entender dela, é preciso ampliar a infraestrutura para que o setor navegue em águas ainda mais tranquilas. No entender dela, quanto melhor for a infraestrutura do país, melhor para os negócios.  See omnystudio.com/listener for privacy information.

  4. Oct 19

    Marca curitibana ganha o mundo com destaque ao café brasileiro

    Na estreia do Avenida do Brasil, o novo podcast do PÚBLICO Brasil, o CEO e cofundado da The Coffee, que nasceu em Curitiba e hoje está presente em 28 países do, apresenta a vertente empreendedora por trás da marca. Fundada em 2018 pelos irmãos Alexandre, Carlos e Luis Fertonani, a The Coffee não nasceu apenas de um plano de negócios, cuja inspiração veio de uma viagem a Tóquio, mas de uma lacuna de mercado, que encontrou em pequenos espaços a oportunidade de popularizar o chamado café de especialidade. “Vimos naquelas portinhas estreitas uma possibilidade de criar um modelo de negócio onde a hospitalidade não se mede em metros quadrados, mas no rigor da curadoria do produto”, diz Carlos. No projeto, desenhado a seis mãos, Carlos tratou da espacialidade e das linhas arquitetônicas, transformando cubículos de três a 15 metros quadrados em espaços de design funcional, com tablets para autoatendimento. Alexandre refinou a narrativa de marca e a experiência sensorial, com ênfase à curadoria que garante ao menos 80% de café autenticamente brasileiro à xícara ou copos desenhados especialmente para o modelo de takeaway. Por fim, Luís garantiu a tecnologia e a musculatura logística que sustentam uma rede global sem perder a consistência. “Iniciamos em Curitiba, começamos a expansão pelo Brasil e a partir do aporte de um investidor-anjo, criamos um modelo para levar a marca ao exterior em um modelo de franquias”, explica Carlos, revelando que, dentro em breve, a marca chega a 400 unidades em todo o mundo. O controle de qualidade, aliás, obedece um rigor que vai desde a escolha dos franqueados da marca ao acompanhamento, bem como a adaptação a cada mercado. Em Lisboa, por exemplo, há quem faça latte de pastel de nata. Ao reduzir o custo de ocupação e enxugar o tempo de permanência em cada unidade, os irmãos criaram um modelo que desafia os gigantes do setor. Atualmente, com dezenas de portas abertas na Europa, na América Latina e na própria Ásia, a The Coffee demonstra que a gastronomia urbana contemporânea, em especial no mundo dos cafés especiais, pede intenção e a coragem de transformar uma ideia em negócio, mesmo que o modelo parta da menor porta da rua para ganhar o mundo. “Vamos seguir nesta expansão pelo mundo, sempre de olho na melhor entrega ao consumidor final”.   See omnystudio.com/listener for privacy information.

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