No escuro

Vamos falar de cinema e de outras coisas também. Para entender o mundo através dos filmes, com Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara.

  1. -2 dias

    A manteiga, o ovo, os “malditos”: de "O Último Tango em Paris" a "O Império dos Sentidos"

    Não têm uma história na escola, quando, no recreio, entre miúdos como vocês, alguém se atreveu com "a cena da manteiga" por causa de um filme chamado O Último Tango em Paris, título aliás que não emitia nada de lascivo? São mais novos do que isso... E a "cena do ovo" de O Império dos Sentidos? E Singin' in the Rain e as violações, ou a violência e uma sinfonia de Beethoven, em Laranja Mecânica, mais as longas pestanas de Alex DeLarge e um medo que fechava as portas sempre que, a partir de então, se olhava para Malcolm McDowell? E os distúrbios na Cinemateca Portuguesa, em Lisboa, por causa da programada exibição de Je Vous Salue Marie, de Godard? Levou à mobilização de grupos católicos conservadores no edifício da Rua Barata Salgueiro, fúria liderada pelo então presidente da câmara Nuno Abecassis, pretendendo "escaqueirar" tudo se a programação fosse avante (ele que já tinha escaqueirado o clássico cinema Monumental...). A memória também é uma construção. Mesmo quem não esteve lá, mesmo quem não tenha testado os pais com "e o que é a cena da manteiga?", herdou um património. É sobre isso este episódio de No Escuro: a forma como os "filmes escandalosos" são parte das nossas vidas, constituem-nos. Por isso a deflagração de emoções quando ouvimos o saxofone de Gato Barbieri, que assombrava o genérico, com as pinturas de Francis Bacon, n'O Último Tango... , a carícia, que é a voz de Pierre Bachelet, no tema de Emmanuelle ou a insinuante melodia de Blue Velvet que Bobby Vinton transforma em garrote. Foi com essas conquistas do cinema sobre os limites do que podia ser mostrado que nos tornámos novos espectadores. O "escândalo" é como o ginásio: provoca dores, rasga, e por isso o músculo cresce. Evocações deliciosas que raiam o mito: atravessava-se a fronteira para ir a França ver um filme, O Último Tango..., porque a censura, em Portugal ou em Espanha, não autorizara a estreia. A matéria é vasta. Até porque os escândalos se reeditam: se a manteiga é velha, recente é a "descoberta" de que a actriz Maria Schneider não sabia que com ela iria ser barrada por Marlon Brando na sequência da violação, o que tornou O Último Tango em Paris, de novo, um símbolo. De sinal contrário, desta vez, ao da liberdade ou da quebra de tabus. Questiona-se agora os limites da criação: até onde pode ir um filme? Dedicaremos duas jornadas ao assunto. Neste episódio evocamos: O Nascimento de uma Nação, de D. W. Griffith (1915) Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick (1971) O Último Tango em Paris, de Bernardo Bertolucci (1972) Emmanuelle, de Just Jaeckin (1975) Saló, os 120 Dias de Sodoma, de Pier Paolo Pasolini (1975) O Império dos Sentidos, de Nagisa Oshima (1976) Je Vous Salue Marie, de Jean Luc Godard (1985) Veludo Azul, de David Lynch (1986) A Última Tentação de Cristo, de Martin Scorsese (1988) No Escuro é um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara, para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A música do genérico é um trecho de The Hidden Desert, gentilmente cedido por Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe McPhee, Kent Kessler e Chris Corsano). E o nosso apelo é: #levantemoraboevaoaocinema. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  2. 2/10

    Desta vez, com "Digger", Tom Cruise estatela-se?

    Uma pergunta e uma incontida melancolia: porque é que Tom Cruise não é um actor de "filmes normais", de comédias românticas ou de pequenos, serenos melodramas? Porque é que cada projecto tem de equivaler a uma proeza, como se fosse um mergulho no Grand Canyon ou um voo planado a partir do Empire State Building? Porque é que um filme com Tom Cruise se reconduz sempre à exibição de um solo? (saudades de A Cor do Dinheiro). Porque é que está sempre em causa a salvação do cinema? É o que nos perguntamos neste episódio de No Escuro, na semana em que estreia Digger, o filme que à fome (de Cruise) junta a vontade de comer (de Alejandro González Iñárritu): o sublinhado, o sentencioso, o grotesco. E eis como Digger, em que o actor interpreta um milionário e o mundo está a braços com a catástrofe climática, está já a dividir. Talvez por essa Tom não esperasse, ele que, entre outras coisas, é um salteador da arca perdida do consenso. Depois de verem o filme e de ouvirem este episódio do podcast, digam se concordam connosco neste, mas também pode ser noutro, ponto: "Viva Riz Ahmed!" No Escuro é um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara, para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A música do genérico é um trecho de The Hidden Desert, gentilmente cedido por Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe McPhee, Kent Kessler e Chris Corsano). E o nosso apelo, é: #levantemoraboevaoaocinema. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  3. 25/09

    Entre o sexo de "... Acampamento Miasma" e a cabeça de Almodovar, preferimos o sexo

    Adolescência, Sexo e Morte no Acampamento Miasma é título de filme de terror. O cartaz, com as duas protagonistas cobertas de sangue, também aponta nessa direcção. Mas não nos precipitemos, porque quem não gosta de terror pode ter a tentação de o evitar e seria uma pena. Há sangue a jorrar e algumas cabeças a voar apenas porque Jane Schoenbrun, cineasta, presta aqui homenagem ao género slasher. Mas depois transcende-o para fazer um filme que é, afinal, muito mais sobre sexo e como encontrar um lugar seguro no medo, por paradoxal que possa parecer. A personagem principal, Kris (Hannah Einbinder, que não anda longe de ser um alter ego de Schoenbrun), foi convidada a recuperar a série de filmes sobre o Acampamento Miasma, voltando ao espírito original depois de várias tentativas para manter o entusiasmo dos fãs vivo. Para isso, quer ter no filme a "última rapariga" do episódio original. Ela é Billy (Gillian Anderson) e vive, reclusa, no acampamento isolado onde foi filmado o primeiro Miasma. É uma espécie de Norma Desmond, a diva de Sunset Boulevard, a olhar para o passado, mas leva-se bastante menos a sério. Até porque aprendeu — e esse será o segredo que fascina Kris — que "se as coisas forem demasiado reais, podem-se sempre desligar". O medo e o prazer são aqui uma aprendizagem, com a ajuda da Pequena Morte (não é por acaso que assim se chama ao orgasmo), jovem vítima de transfobia, que quando quer matar de novo sai do fundo do lago onde vive. O lago, esse sítio "de onde vêm os filmes" — leia-se o lugar dos traumas passados — para fazer jorrar o sangue. Mas, afinal, é no meio de frango frito e de gomas cheias de açúcar que Kris se reconcilia com o sexo e o desejo, e é tudo isto que faz deste filme queer um objecto vindo mais do corpo do que da cabeça. Ao contrário do que acontece com outra estreia da semana, Natal Amargo, de Pedro Almodóvar, que já foi, ele também, mais sensual e menos cerebral. Agora, a urgência de filmar transforma-se numa obra que se perde na teia (demasiado) intricada da auto-ficção. Andamos por aqui, entre o corpo e a cabeça, neste episódio do No Escuro, onde até cabem Clint Eastwood e Nanni Moretti (ouçam, para perceber porquê) e o Psico de Hitchcock, referência fundamental para as questões de identidade de género centrais na obra de Jane Schoenbrun. Aliás, quando ainda não tinha abandonado as suas preocupações woke, Kris, a personagem da realizadora, fizera "o Psico do ponto de vista da cortina do chuveiro". Mas isso, claro, foi antes de experimentar o orgasmo. No Escuro é um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara, para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A música do genérico é um trecho de The Hidden Desert, gentilmente cedido por Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe McPhee, Kent Kessler e Chris Corsano). E o nosso lema, o nosso apelo, é: #levantemoraboevaoaocinema. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  4. 18/09

    No Escuro com a controvérsia de 2026, NAZA, denúncia da máquina de morte israelita

    Portugal, a Espanha e a Itália serão os primeiros países europeus a estrear NAZA, o filme do quarteto israelo-palestiniano formado por jornalistas e activistas que recebeu o Prémio Especial do Júri na última edição do Festival de Veneza — dia 1 de Outubro nas salas portuguesas, distribuído pela Nitrato Filmes. Deram a cara por NAZA Yuval Abraham e Rachel Szor tal como pelo filme anterior, No Other Land, foram Abraham e Basel Adra que figuraram no genérico como realizadores e se deslocaram a Hollywood para receberem o Óscar do melhor documentário em 2025. Nenhum deles é estranho à polémica, mas com NAZA os israelitas Abraham e Szor enfrentam neste momento um dos períodos mais difíceis das suas vidas. Estão a ser acusados de traição pelos sectores conservadores de Israel, de se aproximarem do anti-semitismo, ou de serem mesmo anti-semitas, e o governo anunciou pôr em marcha um processo de revogação da cidadania. Nada que não tivessem previsto: durante a conferência de imprensa em Veneza, perguntavam-se já o que os esperaria no regresso ao país, algo que até aqui parecia ser exclusivo dos cineastas iranianos acusados de traírem a república islâmica fazendo os seus filmes. Ou como uma "democracia" se socorre, para se proteger, dos mesmos mecanismos de terror de uma teocracia. O "escândalo" de NAZA não é mais do que o resultado de uma investigação jornalística. Foi publicada em 2023 e desvenda, através do testemunho anónimo de 24 ex-operacionais do exército, um sistema de matança de palestinianos, no pós- 7 de Outubro de 2023, comandado à distância com ferramentas de Inteligência Artificial que autoriza a morte de civis em nome de se atingir um alvo em Gaza: um (suposto) terrorista do Hamas. Quando em NAZA um dos operacionais faz desenhos num papel a explicar em que é que se apoia esse sistema, limpo e tecnológico, não pode deixar de ser convocada a sequência em que Claude Lanzmann, no monumental Shoah (1985), com uma câmara escondida, filmava Franz Suchomel, um SS em Treblinka, um criminoso de guerra, a descrever de forma também fria a "coisificação" das vítimas da Solução Final. As anteriores vítimas são agora os carrascos? NAZA, filmado à noite em Telavive durante três anos, e nas alturas das torres da cidade, para proteger o anonimato das suas fontes, é por isso um filme sobre a sociedade israelita, fechada num silêncio cúmplice. Com isso o governo de Israel não está a conseguir lidar. No Escuro é um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara, para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A música do genérico é um trecho de The Hidden Desert, gentilmente cedido por Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe McPhee, Kent Kessler e Chris Corsano). E o nosso lema, o nosso apelo, é: #levantemoraboevaoaocinema. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  5. 11/09

    Hope é o filme mais divertido que vimos este ano. Os monstros vieram da Coreia

    Monstros (mas o que são os monstros, afinal?) e humanos numa pequena cidade perto da zona desmilitarizada que separa as duas Coreias. Homens com armas nas mãos, sem saber como travar uma orgia de destruição inexplicável, descrições escatológicas detalhadas, gente estranha, a comédia humana em versão filme catástrofe, em versão filme de extraterrestres, em versão western. Seres que podem ter saído da saga Alien ou de Avatar. Hope, do coreano Na Hong-jin, é um alucinante divertimento, com uma primeira hora de uma perseguição que não vamos esquecer tão cedo. Em que momento os coreanos transformaram a influência norte-americana em algo muito próprio, com um humor que mistura crítica social e violência de desenhos animados? O que é certo é que o Governo coreano percebeu a força do soft power e a cultura está no centro da sua estratégia. Mas se a estreia de Hope nas salas portuguesas marca a rentrée, no Festival de Veneza, Vasco Câmara também se entusiasmou com um filme vindo da Coreia do Sul: Possible Love, de Lee Chang-dong, mais uma vez um olhar sobre a comédia humana, mas este mais melancólico. É a história de dois casais e de uma “​possibilidade” acontecer entre eles. "Não há uma moral da história, nem crime e castigo, nem espectáculo de '​filme de género' com os ricos e os pobres, aquilo que se generalizou cinematograficamente a partir do sucesso de Parasitas, de Bong Joon-ho (2019). Este é um filme, explicou o realizador, nascido do confronto de um tímido com as imparáveis mudanças nas sociedades", escreveu Vasco, a partir de Veneza. E também em Veneza foi mostrado aquele que prometia ser um dos filmes mais importantes do festival: NAZA, feito por uma dupla israelita, Yuval Abraham e Rachel Szor, parte de uma investigação de 2023 que pôs a falar ex-funcionários israelitas do sistema de morte em Gaza. É uma fria máquina de guerra, distante das suas vítimas e indiferente ao mal que causa que se revela neste filme impressionante. É da Coreia e dos seus monstros fictícios e de Gaza e do seu terror real que falamos neste episódio do No Escuro. No Escuro é um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara, para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A música do genérico é um trecho de The Hidden Desert, gentilmente cedido por Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe McPhee, Kent Kessler e Chris Corsano). E o nosso lema, o nosso apelo, é: #levantemoraboevaoaocinema. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  6. 4/09

    Afinal, isto (também) é o Bangladesh

    Rubaiyat Hossain é do Bangladesh e esteve em Portugal para a pós-produção do seu mais recente filme, A Noiva Difícil, que tem fotografia da portuguesa Leonor Teles, e que será apresentado no Festival de Veneza, que acaba de começar. Nessa passagem por Lisboa, encontrou uma comunidade triste e "de cabeça baixa" quando passeou pela Rua do Benformoso e percebeu que é com desconfiança que se olha para quem chega do Bangladesh - a indignação do Chega e de André Ventura, proclamando que "Isto Não É o Bangladesh" terá tido o seu efeito. Mas em Rubaiyat, cujo cinema denuncia desequilíbrios sociais, de género e de classe (veja-se Made In Bangladesh sobre um grupo de operárias de uma fábrica de roupa que querem fazer um sindicato), a campanha do Chega teve um efeito certamente contrário ao pretendido: a realizadora decidiu fazer um filme passado em Portugal. Quer mostrar como a história dos dois países se cruza desde há muito e, para isso, criou a personagem de uma empregada de limpeza de um museu de Lisboa que se confronta com esse passado comum. O Vasco Câmara já está em Veneza e vai ver como A Noiva Difícil será recebido, mas, para já, a notícia que deixou o festival em alvoroço foi dada à última hora (e não terá sido por acaso): Veneza vai mostrar NAZA, o novo filme de Yuval Abraham e Rachel Szor, a metade israelita do quarteto israelo-palestiniano (com Basel Adra e Hamdan Ballal) que realizou No Other Land, o documentário que venceu um Óscar no ano passado. NAZA é um acrónimo usado pelos serviços secretos israelitas que se refere aos civis mortos em operações militares - baixas que são assumidas como parte da estratégia adoptada contra a população palestiniana na sequência dos ataques de 7 de Outubro de 2023. É o Festival de Veneza a tomar uma clara posição política, mostrando que há vida mesmo quando os mais mediáticos filmes americanos não comparecem - primam pela ausência Digger, de Alejandro González Iñarritu ou The Adventures of Cliff Booth, de David Fincher, e os respectivos actores, Tom Cruise e Brad Pitt. Neste episódio vamos falar disto - e do Bangladesh em Portugal. No Escuro é um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara, para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A música do genérico é um trecho de The Hidden Desert, gentilmente cedido por Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe McPhee, Kent Kessler e Chris Corsano). E o nosso lema, o nosso apelo, é: #levantemoraboevaoaocinema. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  7. 28/08

    A doçura da Reboleira de Basil da Cunha — nem o jacaré mete medo

    Isto não é um spoiler (e um dia destes temos de falar sobre spoilers): o jacaré é mesmo um jacaré, não é a alcunha de alguém. Falamos de O Jacaré, filme de Basil da Cunha, ainda (mas não sempre, porque ele diz que será o último nestes moldes) na Reboleira, o bairro onde escolheu viver com a comunidade que se tornou parte integrante da sua obra cinematográfica até hoje. Para quem viu os filmes anteriores deste cineasta luso-suíço — falamos de Até Ver a Luz (2013), O Fim do Mundo (2019), Manga d'Terra (2023) — é o regresso a rostos conhecidos, numa mistura entre identidades reais e personagens. São, na verdade, grandes actores, nesta mistura de vida e cinema. É a periferia, sim, mas Basil da Cunha não é o Pedro Costa de No Quarto da Vanda, nem o Pedro Cabeleira de Entroncamento, é outra coisa, um olhar sobre a Reboleira que parte de dentro e que, mesmo atravessado pela dureza das vidas, nunca vai pela escuridão, mas sim pela música, pela festa, pelo inusitado que pode ser — e, neste caso, é — um jacaré numa piscina. Há gangsters, gangues rivais, o dinheiro de um roubo que desaparece e que todos querem encontrar, há mulheres que não se deixam ficar, discussões, ciúmes, traições. Há ecos da Nova Iorque de Martin Scorsese, do Bronx, da Brooklyn de Spike Lee em Não Dês Bronca. E há um bairro, a Reboleira, que foi desaparecendo à medida que Basil o ia filmando — muitos dos lugares dos seus filmes já não existem e com eles desaparecem também ligações, histórias, cumplicidades, solidariedades. Os filmes têm ido ao Festival de Locarno, mas os prémios ainda não chegaram — sinal de que há ainda ideias demasiado rígidas sobre o que deve ser o cinema português? É uma pergunta que fazemos neste episódio do No Escuro. No Escuro é um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara, para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A música do genérico é um trecho de The Hidden Desert, gentilmente cedido por Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe McPhee, Kent Kessler e Chris Corsano). E o nosso lema, o nosso apelo, é: #levantemoraboevaoaocinema. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Classificações e críticas

4,8
de 5
18 classificações

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