Ciência

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Uma vez por semana, os temas que marcam a actualidade científica são aqui descodificados.

  1. 1D AGO

    “O plástico nos mangais sufoca o ecossistema”

    A gestão de resíduos urbanos e do plástico descartado estão no centro de um problema crescente à escala mundial e Moçambique não é excepção. A incapacidade de dar resposta ao volume de lixo produzido expõe fragilidades estruturais e ambientais. Fenómenos como chuvas intensas ou falhas nos canais de drenagem aceleram o problema. No centro desta crise está o plástico, um material omnipresente e cada vez mais difícil de gerir, agravado por um sistema de produção e consumo que dificulta qualquer solução eficaz. Em Maputo, basta chover com intensidade para que o problema dos resíduos urbanos se revele à superfície: canais de drenagem entupidos, ruas inundadas e toneladas de lixo arrastadas em direcção aos rios e ao oceano. O plástico assume papel central nesta problemática da gestão de resíduos urbanos. O problema não está apenas na falta de civismo ou de infra-estruturas, mas num sistema que produz lixo difícil - ou impossível - de reciclar.  “Num único produto […] tem-se vários tipos de plástico, o que torna a reciclagem muito desafiadora e até insustentável”, deixando uma parte significativa destes resíduos sem destino eficaz e mais propensa a acumular-se no ambiente e a ser arrastada para rios e oceanos, alerta Sharon Clésia, assistente de projectos e ponto focal do aplicativo KOLEKT na AMOR - Associação Moçambicana de Reciclagem. A omnipresença do plástico tem consequências directas nos ecossistemas e na saúde humana. “Acaba, de facto, forçosamente no nosso prato”, diz, referindo-se ao percurso dos resíduos que, sem tratamento adequado, chegam aos oceanos e entram na cadeia alimentar sob a forma de microplásticos. Embora mais visível em grandes centros urbanos, o problema estende-se a todo o país. “Eu diria que é igual no país todo. Contudo, os volumes variam consoante o nível de poder de compra”. Mesmo em zonas remotas, a situação é alarmante: “Vimos a presença de resíduos sólidos no mangal de uma forma escandalosa”, explicou a jovem engenheira ambiental, após projectos realizados em regiões como Inhambane. As consequências são múltiplas. Em meio urbano, incluem inundações provocadas pelo entupimento de sistemas de drenagem. Já nos ecossistemas naturais, o impacto é devastador: “O plástico nos mangais […] sufoca o ecossistema” e afecta espécies que dependem destes habitats. “Certos animais confundem pequenos pedaços de plástico com alimento […] e, por meio da cadeia alimentar, vão parar ao prato dos seres humanos.” Perante este cenário, a técnica da AMOR não hesita: “É uma bola de neve […] que precisa ser travada, porque, ao contrário, caminhamos para um precipício, para uma crise de saúde pública.” Uma das respostas encontradas pela AMOR foi a criação do sistema das “moedas azuis”, que incentiva a recolha de resíduos através de compensação financeira: “Colocamos um valor económico como forma de incentivo para a recolha desses resíduos sólidos”. O modelo é simples: por cada quilograma de resíduos entregue, há um pagamento variável consoante o tipo de material. A iniciativa surgiu em 2020, durante a pandemia de Covid-19, quando campanhas tradicionais de limpeza foram interrompidas. “Pensámos que era mais interessante estimular aquelas pessoas que estavam sem trabalho […] com um preço simbólico” e o resultado surpreendeu: “Em cinco semanas tivemos mais de 300 toneladas de resíduos recolhidos.” Desde então, o projecto evoluiu, incorporando tecnologia digital através da aplicação KOLEKT e alargando o seu alcance com financiamento internacional. “Passámos de uma fase experimental para uma estratégia que funciona”, afirmou.

    11 min
  2. APR 28

    Cientista português premiado por abordagem revolucionária contra o cancro

    Fábio Rosa, investigador português de 32 anos, acaba de ser distinguido, neste mês de Abril, com o Prémio de Inovação e Ciência 2026, atribuído pelo Instituto de Bioinovação da Dinamarca. O reconhecimento surge na sequência de uma investigação pioneira que poderá transformar o futuro do combate ao cancro. A investigação deste jovem cientista, natural de Aveiro, já considerado uma das mentes mais promissoras da sua geração, desafia abordagens convencionais e pretende transformar os próprios tumores em vacinas capazes de estimular o sistema imunitário a combater a doença de forma mais eficaz. RFI: Em que consiste a sua investigação? Fábio Rosa: A base da minha investigação foi desenvolver um método que permite converter qualquer célula do organismo, como células da pele ou células dos tumores, em células muito específicas do sistema imunitário, chamadas células dendríticas, que são os soldados do sistema imunitário. São basicamente capazes de identificar as células do cancro e induzir uma resposta imune contra o próprio cancro. Este método foi identificado originalmente na Universidade de Coimbra, quando eu estava a fazer o meu mestrado e doutoramento. O que é que fazemos concretamente? Nós identificámos um conjunto de três proteínas que são entregues directamente nas células do cancro, e estas três proteínas modelam a expressão dos genes e convertem a célula do cancro numa célula do sistema imunitário, que depois é capaz de induzir uma resposta imune contra ela própria. RFI: E em que é que esta abordagem, no fundo, é diferente de outras abordagens que já existem na luta contra o cancro? Fábio Rosa: A maior parte das abordagens na luta contra o cancro são focadas em destruir as células do próprio cancro, ou seja, o objectivo é induzir uma resposta imunitária directamente contra o cancro. Mas o cancro desenvolve mecanismos que faz com que ele fique invisível para a detecção do sistema imunitário e, consequentemente, não pode ser destruído. O que é que nós fazemos? Em vez de destruir directamente as células do cancro, nós convertemo-las em células do sistema imunitário, ou seja, com este método, forçamos as células do cancro a induzir uma resposta contra ele próprio. E, assim, tornamos o cancro visível de novo para o sistema imunitário. Isto faz com que, em vez de induzir à destruição das células do cancro directamente com o nosso tratamento, basicamente fazemos o cancro mais visível para o nosso próprio sistema imunitário, de forma a que ele consiga detectar e destruir. RFI: E esta terapia poderá substituir de alguma forma os actuais tratamentos de quimioterapia e radioterapia que já existem? O que é que está em cima da mesa em concreto? Fábio Rosa: Definitivamente. Os tratamentos mais comuns, como a radioterapia ou a quimioterapia, definitivamente poderão ser substituídos. O objectivo, no entanto, e é onde a área de investigação de novas terapias para o cancro está a emergir, é que a cura que todos estamos à procura vai muito provavelmente depender da combinação racional de diferentes tratamentos, que basicamente fazem o targeting de diferentes componentes do sistema imunitário. Ou seja, quanto a esta terapia, inicialmente vamos testá-la sozinha, sem ser em combinação com outros tratamentos. Mas, no futuro, pretendemos combiná-la com outras terapias e, consequentemente, aumentar o número de doentes que podem beneficiar deste tipo de terapias, que usam o próprio sistema imunitário para induzir uma resposta anti-cancerígena. RFI: O Fábio é um estudioso nesta área do cancro. O que é que ainda não sabemos sobre o cancro e que mais o intriga? É o facto de existirem diferentes tipos de cancro? De cada cancro ter, no fundo, um comportamento distinto? O que é que mais o intriga nesta doença? Fábio Rosa: O que mais me intriga nesta doença é que o cancro é muito complexo e heterogéneo, ou seja, quanto mais sabemos sobre o cancro e sobre o processo oncológico, sobre o processo do desenvolvimento de cancro, mais perguntas temos. Estas perguntas ajudam-nos a tentar perceber melhor, perceber os mecanismos e desenvolver novas terapias que realmente podem fazer a diferença. RFI: O Fábio é uma das vozes mais promissoras na sua idade, em Portugal, no que diz respeito ao estudo contra o cancro. Este ano recebeu o Prémio de Inovação e Ciência. Como é que se sente com este reconhecimento? Fábio Rosa: É um reconhecimento que, na verdade, é um prémio pessoal, mas que no final reflecte o trabalho conjunto de muitas pessoas. Eu, os meus colegas do laboratório, e todas as pessoas que directamente ou indirectamente têm trabalhado na tecnologia que nós estamos actualmente a desenvolver. É o início. Existem muitas coisas que ainda temos de fazer. Estamos a desenvolver esta terapia, na Asgard Therapeutics, a empresa que eu co-fundei na Suécia, juntamente com Cristiana Pires e Filipe Pereira. Para o ano vamos entrar na clínica. Este é o primeiro passo para fazer com que realmente o que temos estado a trabalhar nos últimos dez anos consiga beneficiar os doentes. Daqui para a frente é continuar a trabalhar com o foco de ajudar o maior número de doentes possível com a doença oncológica. RFI: Fábio, a última pergunta que lhe faço é o que é que o motivou a estudar o cancro e a imunologia? Fábio Rosa: O que me motivou a estudar o cancro é o facto de ser uma doença tão misteriosa. Ainda é incerto como é que aparece, como é que se desenvolve e como é que progride. É uma doença que, até este ponto, ainda não tem tratamento. Ou seja, o conjunto de perguntas que eu tinha sobre o que é que faz uma célula tornar-se numa célula cancerígena e porque é que o sistema imunitário não as consegue identificar e não as consegue eliminar, como seria de esperar, de acordo com a Biologia, de acordo com o que aprendemos nas aulas na Universidade... Portanto, toda essa complexidade foi uma motivação da minha parte para tentar perceber quais é que são os processos responsáveis por estes factos. E, no final de tudo, tentar arranjar maneiras de usar o conhecimento que nós desenvolvemos ao responder a estas perguntas, para desenvolver novas terapias que são mais inteligentes. Ou seja, que nos permitem, por exemplo, fazer as células do cancro mais facilmente detectadas pelo sistema imunitário e que sejam destruídas, de forma a conseguirmos, por um lado, aumentar a qualidade de vida dos doentes com cancro. Por outro lado, o objectivo de todos os cientistas que estão a trabalhar nesta área é desenvolver o que chamamos a cura. Aquilo que pretendemos é que quando um doente é diagnosticado com cancro, possa, de uma maneira rápida e eficaz, ser tratado com uma terapia que seja eficaz e que resulte na remissão completa desta doença oncológica.

    7 min
  3. APR 16

    Moçambique: Barreira de pneus ajuda a travar erosão e assoreamento na Macaneta

    Uma barreira de 13.000 pneus de uma extensão, até agora, de 600 metros, ao longo da margem do rio Incomáti, tem ajudado a travar a erosão e assoreamento na Macaneta, no sul de Moçambique. A barreira de pneus começou a ser construída em 2021, tem resistido, incluindo às recentes cheias, e já foi replicada noutra região do país, contou à RFI Clausêncio Ngovene, director de programas na Cooperativa Repensar. Desde 2021 e até agora, a barreira implementada pela Cooperativa Repensar tem cerca de 13.000 pneus e uma extensão de 600 metros ao longo da margem do rio Incomáti, na Macaneta, no sul de Moçambique. Os pneus de aviões, carros e tractores são carregados de entulho para resistir à força da água, mas há pneus gigantes que precisam da força de seis a sete homens. Uma tarefa hercúlea, sem ajuda mecânica, mas que tem protegido esta zona costeira e resistido inclusivamente às recentes cheias. Os pneus ganham assim uma segunda vida e ajudam a proteger o mangal e as comunidades, travando a erosão e o assoreamento. O material provém de doações do Porto de Maputo, do Aeroporto de Maputo, mas também é recuperado nas lixeiras, nas ruas e também é dado por particulares. RFI: Como nasceu esta barreira de pneus na Macaneta? Clausêncio Ngovene, Director de programas na Cooperativa Repensar e coordenador do programa Lixo Marinho: “De forma geral, estamos na Macaneta desde 2021 a implementar um programa designado de Lixo Marinho. O programa visa combater a poluição, principalmente plástica, no meio aquático, no estuário da Macaneta e em todo o ambiente costeiro. No meio destas actividades, nós percebemos que a Macaneta sofre bastante da erosão costeira e assoreamento. No estuário do Incomáti, que é um rio que nasce na vizinha África do Sul e que desagua na Macaneta, nós temos verificado o assoreamento e erosão costeira e fluvial. No meio disto, nós tentámos várias técnicas para conter os impactos da erosão e assoreamento e fizemos várias tentativas até chegarmos a conclusão de aplicarmos os pneus.” Para quem não conhece, explique-nos o que é a erosão e o assoreamento. “Erosão é o processo de desgaste dos sedimentos, quer na zona costeira, quer também na zona fluvial, causando impactos directos no ambiente. Assoreamento também é o processo de desgaste de sedimentos, a areia. Esses sedimentos são arrastados para o interior do rio e aumentam, portanto, o caudal do mesmo rio. Assoreamento é o arrastamento dos sedimentos da areia para o interior do rio e aumenta, portanto, a sua extensão.” Como é que isso tem impacto na vida das populações costeiras? “Isto tem um impacto directo na vida das populações. Primeiro, a questão da destruição da vegetação costeira e que é uma vegetação que protege contra os ventos fortes. Temos também a questão da degradação do ecossistema do mangal, que é um ecossistema muito preponderante para a reprodução dos peixes, dos caranguejos e outros seres costeiros. Isto afecta directamente a vida da comunidade.” Vamos então aos pneus. Porquê os pneus? “Nós usamos os pneus como uma solução viável. Primeiro, nós estamos a falar de uma zona costeira onde temos sal, a água é salina. Outras técnicas que já tentámos não se mostraram eficientes. E já houve uma tentativa de aplicação de gabiões, mas também sem sucesso, por causa da salinidade da água. E porquê pneus? Porque é um material literalmente descartado, sem valor em Moçambique, que termina nas lixeiras, termina na rua, em qualquer ambiente e nós recuperamos para reutilizar, nós recuperamos para travar os impactos da erosão e assoreamento. Também o pneu é um material consistente que dura mais tempo, que não tem problema com a salinidade, resiste mais no ambiente salino.” Na prática, como é que os pneus formam então uma barreira para proteger a comunidade? E que tipo de pneus é que são? “Nós usamos vários tipos de pneus. São pneus que, na maioria, recebemos de doação do Porto de Maputo e recebemos também do Aeroporto Internacional de Maputo. São pneus também que recebemos de vários doadores singulares e pessoas que desejam trocar os pneus dos seus carros, em vez de jogar na lixeira. Nós usamos pneus também que recuperamos nas lixeiras, que estão em risco de serem queimados. Então, nós vamos lá recuperar e usamos todo o tipo de pneus. A estrutura de montagem é bem simples. Nós montamos uma estrutura à base, com pneus gigantes e depois da montagem dos pneus, nós colocamos o entulho, que são pedras, para garantir a consistência do pneu e vamos subindo em forma de escadaria. Nas últimas fiadas, nós já colocamos a vegetação, ou seja, a areia orgânica, e vamos reabastecer a vegetação. Nós usamos este conceito para também contrabalançar os possíveis impactos que os pneus possam causar naquele ambiente. Então, é uma forma de compensar, uma forma de contrabalançar. Nós estamos a restaurar as dunas, estamos a restaurar o ecossistema costeiro fluvial degradado, mas à base de pneus.” Como é o processo de montagem? Falou-me em pneus gigantes, que devem ser os pneus dos aviões. Estes são pneus muito pesados. Têm máquinas para os ajudar? “Na verdade, é um verdadeiro martírio. Este trabalho demanda muita força humana. Infelizmente, nós não temos nenhum equipamento, nenhuma máquina industrial ou uma máquina a motor. Nós usamos a força humana. Só para ter uma ideia, um pneu gigante, o mais pesado, requer no mínimo sete homens. Seis ou sete homens com força para o conseguir manusear. Então, é um trabalho muito hábil que nós temos feito. Para ter uma ideia, já conseguimos montar mais de 13.000 pneus no total.” Esses mais de 13.000 pneus estão espalhados por onde? A barreira vai de onde a onde? “Toda a barreira está no estuário do Incomáti, onde desagua o rio, Incomáti. É uma extensão de mais ou menos de 600 metros, com uma altura média de cinco metros.” Nas últimas cheias, em Janeiro, a barreira como é que resistiu? “Mostrou que é possível aplicar os pneus em qualquer ambiente para controlar, para conter a erosão. Mostrou que é possível haver uma replicabilidade deste conceito. Mostrou resistência, resiliência.” A barreira manteve-se intacta? Resistiu? “Sim, resistiu e tem resistido também às marés altas. Nós estamos num estuário, portanto depende do comportamento da maré. A maré alta vai afectar o rio e o estuário. Na maré baixa, também haverá o vazamento das águas. Então tem mostrado esta resistência fora das cheias, mas também a dinâmica de comportamento da maré.” Como é que se lembraram dos pneus? “Nós iniciámos este projeto de restauro no ano de 2021, um ano em que nós iniciamos o nosso projecto principal, designado Lixo Marinho, que visa combater a poluição, principalmente plástica. Daí nós identificámos esses problemas. Fizemos um diagnóstico ambiental detalhado, identificámos os problemas que é erosão costeira e fluvial e também o assoreamento. Fomos vendo também o histórico da região, percebemos que várias técnicas foram usadas, mas não surtiram efeito. E olhando a nossa realidade, temos assistido que vários pneus terminam nas lixeiras, terminam em ambientes inadequados, e fizemos um pequeno estudo sobre a consistência de pneus, recuperámo-los e fizemos esta barreira que mostra ser muito eficiente.” Falou-me na replicabilidade do projecto. Já há ideias para levarem este projecto para outros locais? “Coincidentemente, nós já fomos solicitados para prestar uma assessoria em Inhambane numa outra zona costeira e lá conseguimos montar e conseguimos travar. Já temos o primeiro caso de replicabilidade, que é numa das praias de Inhambane.” Há quanto tempo é que foi e está a resistir? “Está a resistir. Nós intervimos no final do ano passado, no mês de Novembro, e até agora resistiu.”

    9 min
  4. APR 14

    Coimbra testa limites da IA na música com máquinas que escutam emoções

    Na Universidade de Coimbra, uma equipa liderada por Rui Pedro Paiva está a ensinar máquinas a interpretar emoções na música. O projecto MERGE cruza inteligência artificial, áudio e linguagem natural para mapear canções num espaço emocional. Mais do que inovação tecnológica, trata-se de uma tentativa de aproximar algoritmos de algo profundamente humano: perceber o que a música “é”, antes mesmo do que nos faz sentir. Na Universidade de Coimbra, a pergunta não é nova, mas a abordagem é radicalmente contemporânea: pode uma máquina compreender emoções na música? O projecto MERGE: “reconhecimento de emoções na música de próxima geração”, responde com um cauteloso “talvez”, sustentado por ciência, dados e alguma humildade perante a complexidade humana. Coordenado por Rui Pedro Paiva, o projecto combina inteligência artificial, processamento de áudio e análise de linguagem natural para classificar automaticamente emoções nas canções. O objectivo é claro: “criar um sistema capaz de colocar cada tema num mapa emocional entre valência e intensidade”. “Essa é a ambição”, afirma o investigador. “É ambicioso justamente porque há muita ambiguidade na interpretação de emoções na música e nas emoções em geral.” Mas o ponto de partida do MERGE não é o que sentimos ao ouvir música. E essa distinção é central. “Quando falamos de emoção na música, podemos entender três níveis: a emoção expressa pelo artista, a emoção percebida pelo ouvinte e a emoção sentida. No projecto estamos focados na percepção: aquilo que a música ‘tem’ em si própria.” Entre o que a música diz e o que a música faz Essa escolha metodológica procura reduzir a variabilidade. Afinal, duas pessoas podem reagir de forma completamente distinta à mesma canção. “Com certeza”, reconhece Rui Paiva. “Mas o nosso projecto não aborda a emoção sentida pelas pessoas. Aborda um ponto mais objectivo: a emoção inerente à música.” Um exemplo simples ajuda a perceber: “Uma música com batida intensa está tipicamente associada a emoções alegres ou tensas, não a algo relaxado ou melancólico.” Ainda assim, o investigador admite: “eu posso sentir emoções diferentes em resposta a esse estímulo musical. Estão relacionadas, mas não são a mesma coisa.” O MERGE tenta, assim, encontrar um terreno comum entre a subjectividade e a estrutura. E fá-lo recorrendo a um modelo clássico da psicologia: o de James Russell. “Esse modelo propõe dois eixos: valência, que indica se a emoção é positiva ou negativa, e activação, que mede a intensidade”, explica. “Com isso, conseguimos um espaço onde identificamos quatro emoções básicas: alegria, relaxamento, tensão e melancolia.” Relação entre som e letra Um dos desafios mais interessantes do projecto está na relação entre som e letra. “Há músicas onde a melodia sugere uma coisa e a letra outra”, reconhece Rui Paiva, evocando o caso de canções dos The Beatles em que o contraste é evidente. Ainda assim, o sistema tenta lidar com essa ambiguidade. “A componente acústica capta melhor a intensidade. A componente textual ajuda a perceber se a emoção é positiva ou negativa.” E há um factor adicional: o contexto do ouvinte. “Se a pessoa não compreender a língua, vai apoiar-se mais no som. Se compreender, a letra tende a dominar.” No fundo, mesmo quando a máquina tenta ser objectiva, a experiência humana continua a infiltrar-se no processo. Um mapa emocional para o streaming O impacto potencial do MERGE vai além da investigação académica. Num tempo em que as plataformas digitais moldam o consumo musical, a possibilidade de procurar música por emoção pode alterar a relação com o som. “A música é muitas vezes chamada a linguagem da emoção”, lembra Rui Paiva. “Pesquisar por emoção, em vez de artista ou género, pode ser uma ferramenta particularmente vantajosa.” A aplicação prática já está em desenvolvimento. “Temos um protótipo que será disponibilizado online. Qualquer pessoa poderá testar, embora com limitações de direitos de autor, apenas excertos de 30 segundos.” Limites, simplificações e futuro Apesar do entusiasmo, o investigador não ignora as limitações. Reduzir emoções a dois eixos pode parecer simplista. “Sim, pode ser visto como uma simplificação excessiva”, admite. “Mas permite controlar a ambiguidade. Se usarmos centenas de categorias emocionais, o problema torna-se ainda mais complexo.” E há também limites tecnológicos. “Neste momento, modelos de linguagem conseguem cerca de 50% de sucesso neste problema, enquanto nós atingimos 80% na nossa base de dados.” A razão? Falta de dados em larga escala e a dificuldade de anotação emocional. “É um processo muito trabalhoso e inevitavelmente subjectivo.” Ainda assim, o horizonte é claro. “No momento em que existam bases de dados de grande dimensão, a inteligência artificial poderá aproximar-se mais da capacidade humana.” Até lá, o projecto MERGE permanece num intermédio entre ciência e sensibilidade, entre algoritmo e emoção. Um espaço onde, talvez, as máquinas ainda não sintam, mas começam, lentamente, a compreender.

    13 min
  5. APR 2

    Artemis II a caminho da Lua, não para aterrar e sim para preparar regresso em 2028

    A missão Artemis 2 partiu na quarta-feira rumo à Lua. Nesta viagem que deve durar 10 dias, os quatro astronautas a bordo - 3 homens e uma mulher - não vão atterrar na Lua, mas sim contorná-la de forma a recolherem informações sobre a geografia lunar.  A missão Artemis 2 partiu na quarta-feira rumo à Lua, ainda não para o regresso efectivo da humanidade a este satélite natural da Terra, mas sim para aprimorar a viagem, traçar a rota mais eficaz e preparar um possível local de estabelecimento de um módulo lunar. A bordo da Artemis 2 vão quatro astronautas, três homens e uma mulher e estes são os seres humanos que mais longe algum dia estiveram da Terra, já que passam na face oculta da Lua, percorrendo no total 800 mil quilómetros durante esta missão. Em entrevista à RFI, Hugo André Costa, director adjunto da Agência Espacial Portuguesa, explica os desafios desta missão. "Esta missão serve exactamente para preparar uma próxima alunagem do homem na Lua. Faz parte do conjunto de missões Artemis. A Artemis I que foi para testar toda a máquina, mas ainda sem humanos. A Artemis II já é uma viagem onde quatro humanos vão até até à Lua e esta sim vai testar todo o sistema de suporte de vida da nave. Vai testar também aquilo que pode ocorrer do ponto de vista de emergência durante uma missão desta natureza. E vai testar também como é que os astronautas vivem num espaço tão contíguo durante dez dias, o que é extremamente difícil e, portanto, vai ser muito útil", explicou. Nesta viagem de 10 dias haverá entre 30 a 40 minutos de silêncio, já que as comunicações ficarão cortadas com a nave quando os astronautas passarem no lado oculto da Lua. Esta é uma viagem também de exploração e de avaliação, com os astronautas a poderem observar o Pólo Sul deste satélite natural onde num futuro próximo se poderá instalar um módulo lunar. "Há muita coisa que não sabemos sobre o Pólo Sul da Lua. Nós sabemos que Pólo Sul é o local onde, à partida existe mais acesso à água e, portanto, é aí onde a NASA espera fazer uma base lunar. E mesmo a própria China já identificou esse local ideal para aterrar na Lua. E esse é um dos trabalhos dos astronautas também. A órbita que eles vão fazer vai permitir observar o Pólo Sol da Lua. Neste caso, não com sondas, mas com os olhos dos astronautas que vão observar esta área da Lua, tentando também já identificar uma zona onde podem estar em 2028, quando se espera que seja a missão para aterrar na Lua", detalhou Hugo André Costa. A esperança de chegar à Lua é um esforço comum liderado pela NASA, com o apoio da Agência Espacial Canadiana, mas também a Agência Espacial Europeia. Para esta missão, o novo módulo de suporte vida que vai permitir aos astronautas viverem com mais conforto, segurança e comodidade foi concebido na Europa, produzido por diferentes empresas europeias, montado na Alemanha e enviado depois para os Estados Unidos. Quanto à data de 2028 para voltar a ver um homem ou uma mulher a andar na Lua, Hugo André Costa tem algumas dúvidas já que o módulo que vai permitir aterrar na superfície da Lua deverá ser produzido por uma empresa privada, havendo ainda dúvidas se ficará para a Space X de Elon Musk ou Blue Origin, que pertence a Jeff Bezos. "Parece-me um pouco difícil, no entanto, não quer dizer que seja impossível. Isto porque à partida e após esta missão, certamente vai correr tudo bem. Tudo aquilo que tem a ver com a parte do segmento do espaço está perfeito. Os astronautas vão regressar e, portanto, vai correr tudo bem. Mas aquilo que é mais difícil é a aterragem na Lua. Nós temos agora os desenvolvimentos, quer por parte da SpaceX, quer por causa da Blue Origin, que serão quem fará a aterragem na Lua. E, portanto, aqui nós temos que acoplar dois sistemas o sistema da NASA e um sistema privado. Há uma corrida entre os dois actores privados para ver quem é que chega à Lua primeiro, ou, neste caso, quem vai conseguir ter a melhor opção para aterrarmos na Lua. Esperemos que consigam em 2028, que é aquilo que a NASA se propõe fazer. Mas eu acredito que tecnologicamente vai ser complicado porque temos aqui dois sistemas diferentes", concluiu Hugo André Costa.

    10 min
  6. MAR 30

    Transplante renal abre nova esperança para doentes em Cabo Verde

    No dia 24 de Março, Cabo Verde realizou o seu primeiro transplante renal, numa operação que decorreu no Hospital Universitário Agostinho Neto, na cidade da Praia. A intervenção durou cerca de três horas e envolveu uma parceria com especialistas de Portugal. A equipa cabo-verdiana foi liderada pelo nefrologista Hélder Tavares, que ao microfone da RFI salientou "um passo histórico".  A equipa cabo-verdiana foi liderada pelo nefrologista Hélder Tavares, responsável pela coordenação da selecção e preparação dos pacientes. Em declarações à RFI, Hélder Tavares explicou que o caminho até ao transplante envolveu “uma luta de vários anos… começou primeiramente com a aprovação da lei, depois reunir as condições locais, técnicas e logísticas, equipamento e recursos humanos mínimos, e só então começar a procurar pacientes e dadores adequados para o procedimento”. O procedimento foi realizado com um dador vivo, como prevê a primeira fase do programa. “Apresentaram-se 13 pacientes com os respectivos dadores. Todos foram submetidos a avaliação clínica e analítica, e os restantes 12 foram excluídos por diversos motivos, como diabetes, infecção pelo vírus da hepatite B ou incompatibilidade com o receptor. Nesta primeira fase, só ficou elegível este par que foi então submetido ao transplante”, detalhou o nefrologista. O especialista sublinhou a importância médica da cirurgia para Cabo Verde: “Este é um passo histórico porque é a primeira vez que isso é feito em Cabo Verde. Conseguimos vencer algumas barreiras e mostrar que somos capazes de fazer isto, mesmo com ajuda externa. Mas a grande parte da investigação e preparação foi feita aqui.” Hélder Tavares descreveu a realização do transplante como uma experiência emotiva e gratificante: “Naturalmente, a emoção é muito grande. É uma realização pessoal e um sonho antigo. Mas esta alegria não é só minha, é de toda a equipa. Quem chefiou o processo do lado de Portugal foi o Dr. António Norton de Matos, cirurgião reformado português que nos apoiou desde o início.” Para o paciente, os benefícios são significativos. “Significa uma melhor qualidade de vida e uma melhor taxa de sobrevida. Para o sistema de saúde, representa um tratamento mais barato e mais eficaz. Um transplante é muito mais económico do que a hemodiálise”, afirmou. Quanto à autonomia do país neste tipo de cirurgia, o nefrologista esclareceu que será gradual: “Não seremos totalmente autónomos de um dia para o outro. Por enquanto, estamos a trabalhar em cooperação com Portugal até adquirirmos a competência necessária para sermos totalmente independentes. Alguns procedimentos exigem ainda tempo de treino, nomeadamente a técnica de remoção por laparoscopia.” A insuficiência renal crónica, principal causa de necessidade de transplante, está frequentemente associada a doenças como diabetes e hipertensão.

    8 min
  7. MAR 24

    Alterações climáticas agravam insegurança hídrica em Moçambique

    O acesso à água continua a estar profundamente ligado à igualdade de género - uma relação destacada esta semana, por ocasião do Dia Mundial da Água. A efeméride colocou em evidência a necessidade de integrar mulheres e raparigas no centro das soluções para a gestão dos recursos hídricos. Em Moçambique, a data serviu de ponto de partida para uma reflexão sobre os modelos de gestão da água nas bacias hidrográficas e no saneamento. O país enfrenta um cenário de insegurança hídrica, alerta Esménio Macassa, presidente da Associação Moçambicana de Recursos Hídricos e Ambientais. Qual é a importância de assinalar o Dia Mundial da Água junto das comunidades moçambicanas, nomeadamente mulheres e meninas? É um momento fundamental de reflexão sobre os modelos de gestão da água, tanto ao nível das bacias hidrográficas como do saneamento. No contexto moçambicano, esta data ganha particular relevância, tendo em conta os desafios de insegurança hídrica que o país enfrenta. Moçambique é marcado por extremos hidroclimáticos, com episódios frequentes de cheias e secas, além da existência de regiões semiáridas com escassez de água. Por isso, assinalar este dia é essencial para reforçar a necessidade de uma gestão sustentável dos recursos hídricos. Sem dúvida, trata-se de uma data de grande importância para o país. Como é a situação do acesso à água no país e de que forma evoluiu nos últimos anos? Registaram-se avanços significativos nos últimos anos, sobretudo ao nível do investimento público. O Governo tem apostado na expansão do acesso à água, quer através da rede nacional, quer por via do aproveitamento de águas subterrâneas, com a abertura de furos. Actualmente, há zonas que anteriormente não dispunham de água potável e que passaram a ter acesso graças a esses investimentos. Todos os anos são construídos novos sistemas de abastecimento, tanto com base em águas subterrâneas como na rede pública. Apesar dos progressos, persistem desafios. Ainda assim, de forma geral, a evolução é positiva, contando também com o contributo do sector privado, que tem vindo a investir no acesso a água segura para as comunidades. Quais são os principais desafios no acesso à água potável nas zonas rurais e urbanas? E que regiões enfrentam mais dificuldades? Os desafios são diversos, mas destaca-se a insuficiência de infra-estruturas hídricas, como barragens e reservatórios. A localização geográfica de Moçambique agrava esta vulnerabilidade, já que o país se encontra a jusante de cerca de nove rios internacionais, o que o expõe a cheias. Durante a época chuvosa, há abundância de água, mas, no período seco, o cenário inverte-se, com escassez. Esta situação resulta, em grande medida, da limitada capacidade de armazenamento, que impede o aproveitamento da água disponível nas épocas de maior precipitação. As autoridades têm falado na cooperação com países vizinhos para gerir cheias. Pode ser uma solução? Sim, pode ser parte da solução. Existem já vários esforços em curso para melhorar a gestão de cheias e o acesso à água potável. Um exemplo recente é a criação de um centro de comando para sistemas de aviso prévio de cheias e secas, iniciativa do Governo através da Direcção Nacional de Recursos Hídricos. No entanto, estas medidas devem ser complementadas com outras acções, sobretudo ao nível das infra-estruturas, para que os resultados sejam mais consistentes. Que outras medidas considera prioritárias? O reforço das infra-estruturas é essencial. Apesar dos avanços nos sistemas de aviso prévio e nas acções antecipadas, persistem fragilidades na capacidade de armazenamento de água. É igualmente necessário investir em diques e barreiras de protecção para mitigar o impacto das cheias. Embora já existam algumas destas infra-estruturas, a dimensão do território e a localização do país exigem um esforço adicional para dar resposta eficaz a estes fenómenos. Existem problemas frequentes de contaminação da água em Moçambique? Sim, sobretudo associados ao garimpo, à exploração mineira e às cidades mineiras. A extracção de ouro, por exemplo, tem impactos significativos em várias bacias hidrográficas. O caso de Bosi tornou-se particularmente mediático, mas há também situações preocupantes no sul do país, relacionadas com a exploração de inertes. Na bacia do Incomáti, por exemplo, este problema é evidente. De forma geral, a poluição da água ligada a estas actividades é uma realidade no país. De que forma as alterações climáticas estão a afectar a disponibilidade de água? De forma bastante acentuada. Fenómenos extremos que anteriormente tinham um período de retorno de cerca de 100 anos estão agora a ocorrer com maior frequência, em intervalos de cinco a dez anos. Isso traduz-se em eventos mais intensos e frequentes, como as cheias registadas recentemente, sobretudo no sul e em parte do norte do país. Este cenário evidencia a necessidade de reforçar a preparação e a capacidade de resposta face às alterações climáticas, tendo em conta a vulnerabilidade geográfica de Moçambique.

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  8. MAR 16

    Activista guineense alerta para impacto ambiental da guerra no Médio Oriente

    A guerra no Médio Oriente pode ter consequências ambientais que ultrapassam largamente as fronteiras da região e afectar também o continente africano. O alerta é do jovem ambientalista guineense Dembo Mané Nanque, que defende que os conflitos armados contribuem para o agravamento da crise climática e podem trazer impactos duradouros para países vulneráveis como a Guiné-Bissau. Em entrevista à RFI, o activista sublinhou que as operações militares implicam o uso intensivo de aviões, navios e armamento pesado, o que resulta na libertação de substâncias poluentes para a atmosfera: “Na guerra usam-se armas, aviões e navios de grande porte que utilizam substâncias químicas que podem gerar impactos ambientais graves a nível global”. Segundo Dembo Mané Nanque, um dos factores mais preocupantes é a destruição de infra-estruturas ligadas à indústria petrolífera: “Já estão a ser atacadas refinarias e campos de produção de petróleo. O que pode libertar uma grande quantidade de dióxido de carbono e também gás metano, que são muito nocivos para a atmosfera e podem acelerar o processo de aquecimento global”. O activista lembra ainda que as explosões e bombardeamentos libertam partículas tóxicas e poeiras que permanecem na atmosfera. “Esta guerra tem um impacto muito nocivo e pode criar consequências graves para as futuras gerações”. “Quando se fala da emissão de gases com efeito de estufa, podem ser libertados num país, mas os impactos são globais”, afirmou. “África emite menos de 5% desses gases e, mesmo assim, é o continente mais vulnerável.” Entre as consequências possíveis, o ambientalista aponta o aumento das temperaturas, crises económicas, escassez alimentar e migrações provocadas por alterações climáticas. No caso específico da Guiné-Bissau, Dembo Mané Nanque alerta para riscos na agricultura e nos recursos marinhos, sectores essenciais para a economia e alimentação do país. “O meu país pode vir a ter problemas na agricultura, com alterações nos regimes de chuva. Isso pode afectar a produção de arroz e de outros alimentos básicos”, afirmou. O activista recorda que a dieta alimentar guineense depende fortemente da agricultura e da pesca. Por isso, os impactos ambientais do conflito podem também atingir os ecossistemas marinhos. “Alguns navios de grande porte já foram atacados. Ao serem atingidos, libertam substâncias químicas que podem alterar o ciclo dos oceanos e afectar os ecossistemas marinhos”. E segundo o ambientalista, essa contaminação pode acabar por entrar na cadeia alimentar. Dembo Mané Nanque considera que existe uma contradição entre os compromissos assumidos pelos líderes mundiais na luta contra as alterações climáticas e os conflitos armados. Para o activista, a guerra “não traz benefícios para a comunidade e não faz nada para garantir a sustentabilidade”. Questionado sobre o papel dos líderes africanos, Dembo Mané Nanque defende que a prioridade deve passar por reforçar as medidas de mitigação e adaptação climática, bem como investir na formação das novas gerações. “A África tem grandes florestas que desempenham um papel importante na retenção de carbono”, afirmou. “Mas os líderes africanos também devem investir na formação dos jovens e dotá-los de ferramentas tecnológicas para enfrentar os desafios climáticos.” Na sua opinião, o continente precisa de mais quadros qualificados para responder aos desafios ambientais.

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